Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar

Cena de Vestida para Matar. Retrato em close-up de Liz, uma mulher loira com cabelos volumosos e cacheados, adornados com uma presilha brilhante. Ela veste um casaco de textura felpuda na cor roxa vibrante. A iluminação é dramática, destacando seus olhos claros e lábios pintados, com luzes de cidade desfocadas ao fundo.
Nancy Allen e Brian De Palma já foram casados (Foto: Filmways Pictures)

Guilherme Moraes

No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas histórias exatamente, mas os diretores partiam de um filme já concebido e o deformavam. Nesse sentido, um dos artistas que mais chamou a atenção foi Brian De Palma, grande fã de Alfred Hitchcock. Se Trágica Obsessão (1976) foi a sua versão de Vertigo (1958), então Vestida para Matar (1980) é seu próprio Psicose (1960).

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Com o Midnight Sun, chegou a hora de Zara Larsson

Capa do CD Midnight Sun, da cantora Zara Larsson. Na imagem, a artista está de joelhos em uma grama e apoia as duas mãos na superfície. Ela usa um vestido laranja, com rendas amarelas e rosas. Atrás dela, há flores azuis, árvores e um sol, que preenchem o ambiente. Ela está centralizada na foto e o seu cabelo loiro tampa uma parte de seu rosto, incluindo o olhar da cantora.
No conjunto de dez faixas, a sueca faz o melhor trabalho de sua carreira até o momento (Foto: Sommer House/Epic Records)

Guilherme Machado Leal

Os últimos anos da música pop mostraram que quem espera, sempre alcança. Se em 2024, Sabrina Carpenter se tornou um dos principais nomes atuais do gênero e Charli XCX finalmente conquistou as devidas flores com o Brat, o mesmo pode ocorrer com outras cantoras. Sem investimentos da gravadora, uma fanbase não tão expressiva e uma identidade sonora inconsistente são alguns dos fatores que servem como empecilhos àqueles com desejo pelo sucesso. Era o caso de Zara Larsson: a artista sueca viu muitos de seus hits serem cantados, mas também leu declarações como: “quem está cantando essa música?”. A partir do lançamento do Midnight Sun, quinto álbum de estúdio da loira, as coisas mudaram.

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From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável

Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. A imagem mostra uma composição abstrata de líquidos em tons de rosa, preto e branco espalhados sobre uma superfície, formando ondas, bolhas e camadas irregulares. No centro da imagem, há um pequeno símbolo circular branco, contrastando com o fundo orgânico e fluido.
From Zero é o disco mais vendido do Linkin Park no Brasil, obtendo a marca de 120 mil cópias vendidas (Foto: Warner Records)

Gabriel Diaz

Havia sinais de exaustão emocional em torno de Chester Bennington, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de uma perda que abalaria não apenas o Linkin Park, mas uma geração inteira do rock. One More Light (2017), lançado pouco antes de sua morte, já soava como uma carta de despedida não intencional: era um álbum frágil, exposto, muitas vezes incompreendido, contudo emocionalmente direto. 

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Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa

Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida.
Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)

Guilherme Moraes

Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.

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5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!

Quatro homens posam em um estúdio com fundo branco. Seus corpos estão propositalmente reduzidos, enquanto as cabeças estão ampliadas caricaturalmente. Eles usam roupas conceituais ao estilo alternativo como casacos longos, jaquetas de couro, junção de tecidos e cores, estampas chamativas e acessórios. Usam maquiagem características e penteados diferenciados.
“Eu me sinto invencível / E quando o sol nasce, eu me sinto desprezível / E quando meu coração desacelerar, você me buscará?” (Foto: Republic Records)

Vitória Mendes

Em uma era em que a performance se impõe como valor central e praticamente obrigatório, muitos artistas se aventuram em terrenos novos que não florescem da maneira que o público espera. A inovação, por mais desejada e desafiadora que seja, não garante profundidade e, muitas vezes, escorrega em contextos vazios. Indo na contramão dessa lógica de tendências momentâneas, em EVERYONE’S A STAR!, 5 Seconds of Summer retorna às próprias origens e reformula a nostalgia do pop rock dos anos 2010, evocando a energia de Sounds Good Feels Good (2015), sua segunda gravação, produzida no auge da era das boybands. Continue lendo “5 Seconds of Summer ressignifica a própria narrativa e prova que, de fato, EVERYONE’S A STAR!”

Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne

Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão.
A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)

Guilherme Machado Leal  

Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, Pessoas Normais (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. 

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Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades

No centro da imagem, um pequeno barco navega em direção ao horizonte. Está cercado por águas escuras que contrastam com o céu em tons rosados. A luz do céu reflete ao redor do barco em um leve tom amarelado. O barco está vazio.
“Você ficará comigo? / Enquanto eu viro pó? / Quando você contar a história deles / Diga que eu fui amado” (Foto: Island Records)

Vitória Mendes

Se tudo o que você ama estivesse fadado a desaparecer, ainda assim você escolheria amar? Esse é o questionamento que segue Vincent Lima em To Love a Thing That Fades. Lançado em setembro de 2025 pela Island Records, a estreia do artista leva o ouvinte a uma jornada onde romance e perda são separados por uma linha tênue, que tende a desaparecer com cada passo em direção ao futuro ou ao passado. Com 15 faixas, o álbum se destaca dentro do cenário atual da música folk, principalmente por explorar as nuances emocionais da vida. Acima de tudo, apresenta uma história repleta de vulnerabilidade, sensibilidade, amor e a luta silenciosa contra a inevitabilidade do destino. Continue lendo “Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades”

Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco do personagem Toy Freddy, do jogo "Five Nights at Freddy's", domina o centro da imagem. O boneco é marrom com detalhes em marrom claro e vermelho. Possui olhos grandes com íris verde-azuladas, bochechas vermelhas, um sorriso largo com dentes brancos e roxos, e uma gravata borboleta preta. Ele está em pé em um ambiente de parque de diversões, com luzes brilhantes, barracas e pessoas desfocadas ao fundo. A iluminação é artificial, provavelmente de holofotes e luzes de festa, criando um ambiente noturno e festivo. A composição é frontal e focada no boneco, que parece estar olhando diretamente para o observador. O fundo desfocado e as cores vibrantes criam uma atmosfera animada e um pouco misteriosa. Há um sinal de trânsito ao fundo e pessoas sorrindo, sugerindo uma cena de diversão. O estilo é realista, com foco nos detalhes do boneco e do cenário.
O filme traz três vezes mais animatrônicos do que no primeiro longa da franquia (Foto: Universal Pictures)

Marcela Jardim

Após um início morno, Five Nights at Freddy’s 2 chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o longa de 2023 parecia inseguro, tentando equilibrar fan service, terror adolescente e uma narrativa melodramática, a continuação finalmente assume sua identidade: é uma obra de horror pop, consciente de sua própria ancestralidade digital e disposto a honrar essa herança.

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Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece

No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda.
O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)

Victor Hugo Aguila

Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da performer, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do R&B estadunidense.

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Em Um Mar Pra Cada Um, Luedji Luna mostra que o sentir é oceânico

Na imagem, há um círculo escuro com borda irregular formada por pequenas extensões brancas semelhantes a tentáculos, lembrando uma pequena medusa vista de cima. No centro, há quatro pontos brancos conectados por linhas finas que se direcionam para um núcleo levemente amarelado, criando a aparência de uma estrutura microscópica iluminada sobre fundo preto.
Despir-se de sua carapaça é um dos atos de coragem mais lindos presentes na produção de Luedji Luna (Foto: Álvaro Migotto)

Victor Hugo Aguila

Após quase três anos desde seu último lançamento, Luedji Luna retornou ao mundo da Música fazendo jus ao termo “artista”. Lançado no fim de abril de 2025, Um Mar Pra Cada Um abarca as angústias e prazeres do amor – ou da falta dele. Expoente da nova face do MPB e marcando o jazz e o neo soul com sua própria identidade, a indicada ao Grammy Latino utiliza o disco como uma resposta às questões íntimas que podem atravessar qualquer um que permita revelar humanidade. 

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