Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe

Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, há um celular em chamada de vídeo com Fatima Hassouna. O celular está apoiado em uma mesa de madeira e atrás dele há uma outra tela, logada em um e-mail. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos. Ela usa óculos arredondados, o lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor verde, e uma roupa estampada. Ela está sorrindo.
O documentário foi exibido no Festival do Rio (Foto: Filmes do Estação)

Davi Marcelgo

Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um notebook ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, a diretora iraniana Sepideh Farsi constrói afinidade com Fatima Hassouna, fotojornalista da Palestina, para saber seu ponto de vista sobre os ataques de Israel na Faixa de Gaza.  Continue lendo “Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe”

Há 40 anos, o Studio Ghibli plantava um legado que floresce até hoje

Esta é uma imagem com o logo do Studio Ghibli, um famoso estúdio de animação japonês. O fundo é de um azul vibrante e sólido. No centro, há um desenho de contorno preto do personagem Totoro, uma criatura grande e peluda com orelhas pontudas, visto de perfil. Em cima de sua cabeça, há um Totoro menor. Sobre a imagem, está escrito "STUDIO GHIBLI" em letras brancas, com caracteres em japonês logo acima.
Há rumores entre os fãs que o nome do estúdio remete ao modelo de avião italiano desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, Caproni Ca.309 Ghibli, uma referência a paixão de Miyazaki pela aviação (Foto: Studio Ghibli)

Henrique Marinhos e Maira Cavenaghi

Originalmente marcado do dia 18 de setembro ao dia 1 de outubro de 2025, a primeira parte do Ghibli Fest, festival de cinema realizado a fim de comemorar os 40 anos do célebre estúdio de animação japonesa Ghibli, fez tanto sucesso entre o público brasileiro que estenderam a programação em mais 15 dias. Durante quase um mês, 14 longas metragens foram relançados em cinemas de todo o país, incluindo tanto grandes clássicos, como A Viagem de Chihiro (2001) e Meu Amigo Totoro (1988), quanto obras menos conhecidas do estúdio, porém não menos surpreendentes, como Eu Posso Ouvir o Oceano (1993).

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Persona Entrevista: Ana Endara e Paulina García

À esquerda, sobre um fundo vermelho texturizado, está o texto "Persona Entrevista" em letras brancas, com um ícone de olho estilizado que contém um símbolo de play. Abaixo, em letras brancas maiores, lê-se "Ana Endara e Paulina García". À direita, há uma fotografia de duas mulheres sorrindo em um evento de cinema. A mulher à esquerda tem cabelos curtos e grisalhos, usa óculos redondos e uma camisa bege. A mulher à direita, com cabelos curtos e grisalhos e um casaco preto, aponta para a outra mulher com a mão direita. Logotipos do TIFF (Toronto International Film Festival) são visíveis ao fundo da fotografia.
A atriz não conhecia a diretora antes do convite para o filme, mas logo embarcou no projeto quando assistiu a um dos documentários de Endara (Arte: Arthur Caires)

Mariana Bezerra 

Diante do lançamento de Querido Tropico no Brasil, a diretora panamenha Ana Endara e a atriz chilena Paulina García estavam reunidas para mais uma rodada de entrevistas a respeito do novo filme. Elas vêm percorrendo festivais de cinema e vários países para a divulgação do longa, que chegou a fazer parte da programação do Festival do Rio em 2024 e do Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2025. Essa é a primeira vez que a diretora se arrisca na direção ficcional. 

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Menos impactante que o primeiro, mas ainda valioso, Wicked: Parte II

Na imagem, há duas personagens: à esquerda, uma mulher de pele verde com trajes escuros e expressão séria e à direita uma mulher de pele branca com uma roupa delicada e sorrindo suavemente. As duas estão em um ambiente de luz quente olhando para o horizonte.
Segundo filme utiliza uma paleta de cores mais escura para marcar a virada dramática da história (Foto: Universal Pictures)

Jhenifer Oliveira

Wicked: Parte II, um dos lançamentos mais esperados do ano, chega às telonas trazendo o desfecho da história que marcou a Broadway e encantou diversas pessoas em sua adaptação para o cinema. O diretor Jon M. Chu, que transformou Wicked – Ato I em uma das experiências cinematográficas mais arrebatadoras de 2024, agora amplia esse triunfo em 2025 ao explorar o espetáculo com mais profundidade emocional e maturidade estética.

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Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados

Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Três mulheres sentadas ao redor de uma mesa redonda posta para um chá da tarde elegante. À esquerda, uma mulher de perfil com cabelo rosa e suéter vermelho segura uma xícara. Ao centro, uma mulher mais velha com cabelos curtos e grisalhos sorri levemente enquanto ergue sua xícara. À direita, uma terceira mulher de camisa azul clara está de costas para o observador. A mesa está coberta por uma toalha branca e repleta de louças de porcelana florida, macarons e doces finos. O ambiente tem paredes azuis escuras e quadros ao fundo.
O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)

Guilherme Moraes

Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.

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Querido trópico constrói memórias sobre amizade, cuidado e envelhecimento

Cena do filme Querido Trópico. Duas mulheres adultas estão lado a lado sob a chuva forte. A mulher da direita é branca, de cabelos grisalhos, veste uma camiseta azul e está com os olhos fechados. Ao seu lado e com o rosto colado no seu, há uma mulher de tom de pele mais escuro e cabelos castanhos e veste uma camiseta bordô. Essa está sorrindo olhando para frente. As roupas de ambas estão encharcadas e o cenário é de chuva forte.
“É isso que todos os atores procuram o tempo todo: como ser o mais verdadeiro possível dentro do que o enquadramento permite” – Paulina Garcia em entrevista ao Persona (Foto: Filmes da Estação)

Mariana Bezerra 

Imigracao e envelhecimento são temas extremamente delicados, que constroem o enredo de Querido Trópico, o filme que marca a estreia da diretora panamenha Ana Endara na ficção. O longa passou por eventos importantes como o Festival do Rio em 2024 e o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2025 antes de chegar aos cinemas brasileiros. Além disso, essa foi a obra escolhida para representar o Panamá no Oscar de 2026. 

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Ao tentar criar uma identidade, Maturidade atesta que seu traço mais marcante é ser medíocre

Cena do filme Maturidade. Na imagem, da esquerda para a direita, é possível ver quatro pessoas: um homem branco vestindo calças pretas e uma jaqueta preta; uma jovem adolescente de pele branca e cabelo longo castanho, vestindo uma blusa azul e uma jaqueta marrom; uma criança de pele branca e cabelos castanhos curtos, vestindo uma camiseta branca, um macacão jeans e uma jaqueta rosa; e uma mulher de pele branca, vestindo uma blusa colorida e um casaco marrom. Eles estão em um museu, onde é possível ver pinturas emolduradas em uma parede marrom-avermelhada. O chão do museu é de madeira e a luz predominante na imagem é clara
A conjuntura familiar exposta no longa é um exemplo vívido das diferentes dinâmicas geracionais (Foto: Apoptose/Piano Sano/Wrong Men)

Victor Hugo Aguila

Em diversos momentos, a permanência é mais desconfortável que o distanciamento. Na Competição de Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Maturidade é um retrato de como impor limites pode ser, acima de tudo, uma forma de respeito consigo mesmo. Ludovic (Jean-Benoît Ugeux), um arquiteto de 40 anos, inicia seu relacionamento com Nathalie (Ruth Beckaert) e desenvolve um forte laço com suas duas filhas. Quando a mulher decide se afastar dele, o protagonista entra em uma espiral emocional complexa, deixando o descontrole inundar sua vida. 

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Persona Entrevista: Lúcia Nagib

Cartaz de divulgação para a 'Persona Entrevista' com Lúcia Nagib, parte da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. À direita, uma foto de Lúcia Nagib, uma mulher de pele clara e cabelo escuro curto, sorrindo e vestindo uma camisa branca de botões, sentada em uma poltrona. O fundo é verde-escuro com um padrão abstrato de ondas e olhos.
A produção compõe as sessões Foco Reino Unido e Perspectiva Internacional (Arte: Arthur Caires)

Eduardo Dragoneti

Com o documentário Filmar ou Morrer, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a pesquisadora, professora e cineasta Lúcia Nagib revisita um momento crítico da história do Cinema internacional. A partir de O Estado das Coisas (1982), de Wim Wenders, ela costura uma constelação de influências que atravessa Portugal, Hollywood e o Brasil, culminando na morte de Glauber Rocha em Sintra, evento que ecoado de forma quase fantasmática no filme de Wenders e na memória cinéfila posterior.

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Springsteen: Salve-me do Desconhecido foge do clichê de cinebiografias e mostra como nunca é tarde demais para procurar ajuda

Homem branco com cabelos escuros, sentado no chão apoiado na cama com um violão de frente para uma janela
Abertura com Jeremy Allen White como Bruce Springsteen, sentado diante de um violão olhando para horizonte (Foto: 20th Century Studios)

Clara Morais

O filme Springsteen: Salve-me do Desconhecido, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é dirigido por Scott Cooper e inspirado no livro de Warren Zanes, Deliver Me from Nowhere (2023). A obra se inicia com o fim da turnê The river do disco que estava colocando Springsteen ao estrelato. Mesmo estando no auge da sua carreira Bruce decide que é o momento para fazer uma pausa e se concentrar no processo de criação de Nebraska, álbum de 1982 gravado em sua residência e com um gravador caseiro, o longa transforma esse recorte íntimo da vida do cantor em um drama sobre memória, dor e reinvenção. A narrativa se ancora em um período contraditório de sua vida: o auge do reconhecimento público e, simultaneamente, o aprofundamento de suas crises emocionais.

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Em Sexa, Glória Pires mostra a agilidade dos 60+, mas em ritmo de novela

Aviso: Este texto contém spoilers do filme

Cena do filme Sexa. Bárbara, com uma expressão tranquila, está sentada em uma cadeira de praia na areia, vestindo um maiô azul.
O Filme faz parte da sessão Mostra Brasil da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Elo Studios)

Eduardo Dragoneti

Ao completar 60 anos, Bárbara, vivida por Glória Pires, descobre que o maior desafio da maturidade pode ser reaprender a se permitir. A mesma lição se estende à sua intérprete, que estreia na direção do longa-metragem Sexa. Apostando em temas como o etarismo, a feminilidade e a liberdade sexual, o filme, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, expressa sua mensagem com o tom de novela que marca as cinco décadas de Glória dedicadas à televisão. As escolhas de roteiro (Guilherme Gonzalez) e montagem (Livia Arbex) reforçam essa familiaridade com o formato televisivo, mas engana-se quem julga o ritmo. A proposta é dialogar justamente com o público 60+, formado pelas novelas da Globo, SBT e Record, e nesse ponto a produção acerta em cheio.

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