Dez anos após participar do The Voice Brasil, Ayrton Montarroyos fala sobre criar e viver sem concessões

Ayrton Montarroyos carrega o ar de quem já está na estrada há tempos e que sabe exatamente o que quer (Foto: Luan Cardoso; Arte: Arthur Caires)

Arthur Caires

Entre reflexões sobre o ofício e pequenas ironias sobre o tempo, Ayrton Montarroyos fala como quem compõe: entre pausas, silêncios e lampejos de lucidez. Na coletiva de imprensa realizada com os alunos do curso de Jornalismo Musical: da Arte da Entrevista à Construção do Texto, ministrado pela jornalista Adriana Del Ré, o cantor pernambucano transformou o encontro em algo além de uma entrevista – um diálogo sobre coerência, criação e permanência.

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Em Carranca, a travessia de Urias é majestosa, mas cansativa 

Na imagem, há uma pintura de uma mulher no centro. Ela possui cabelos longos e cheios, com os braços abertos, e uma estrela no topo da cabeça. Ao seu redor, há vários rostos emoldurados, com elementos em azul e vermelho, além de duas pombas brancas.
As cores e os elementos visuais, além da técnica utilizada, tornam Carranca uma referência estética. (Imagem: Isaac Sales)

Victor Hugo Aguila

Apostando na brasilidade, Urias retorna ao mundo da música com CARRANCA, seu mais novo projeto. Sendo este seu terceiro álbum de estúdio, a artista apresenta uma mistura de elementos que englobam pop, R&B, rap, soul e groove. Com um cenário musical transformado em algo palpável e visual, ela redefine e consagra sua veia artística e originalidade, ainda que com brechas.

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Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento.
A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)

Marcela Jardim

Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.

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Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível

Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras.
Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)

Guilherme Moraes

Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de Vertigo (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.

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Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar

Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Arte de Abertura. Na imagem há o texto "Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar". Ao lado direito há uma foto da diretora, uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados curtos e olhos castanhos. Ela está de perfil com uma feição séria. O fundo da arte é preto com detalhes em verde. Há ainda o logo do Persona e da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo.
O filme Virtuosas nos faz enxergar uma realidade que cada vez mais se torna presente na sociedade – mesmo que não percebamos (Arte: Arthur Caires)

Stephanie Cardoso

Virtuosas (2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, o título conquistou o Prêmio Netflix, confirmando o reconhecimento de sua força narrativa. A obra mergulha no contexto dos grupos de ‘Mulheres Virtuosas’ no país. O longa acompanha Virginia (Bruna Linzmeyer), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família, usando a retórica da moralidade para exercer controle. Por trás da aparente devoção, a personagem manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. 

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25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina

Obra de arte de estilo sacro representando uma cena celestial. No centro, a Virgem Maria aparece de pé, vestida com túnica vermelha e manto azul, irradiando luz dourada. Acima de sua cabeça, dois anjos seguram uma coroa dourada. Ao redor, há santos e figuras religiosas com auréolas douradas, entre eles homens e mulheres em posição de oração ou contemplação. Dois anjos de túnicas vermelhas, posicionados abaixo, empunham lanças contra figuras demoníacas monstruosas que surgem em meio às chamas, com dentes afiados e expressões agressivas. O fundo é azul, repleto de estrelas douradas, reforçando a atmosfera celestial e simbólica de vitória do bem sobre o mal.
A narrativa aclamada alcança uma harmonia única entre a cultura popular e a riqueza da criação literária (Foto: Globo Filmes)

Sinara Martins

Baseado na obra de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a literatura de cordel e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a narrativa conquista o público ao mesmo tempo em que valoriza a identidade cultural do Nordeste, faz críticas e reafirma a força do imaginário popular brasileiro.

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Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza

A diretora iraniana utilizou do Cinema como uma forma de ponte para um conflito que não parece chegar ao fim (Foto: Sepideh Farsi; Arte: Arthur Caires)

Guilherme Moraes e Arthur Caires

Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por Sepideh Farsi, nasce no centro de uma das maiores tragédias humanas deste século: a ofensiva militar israelense em Gaza, que desde 2023 transformou ruas, casas e escolas em escombros e submeteu toda uma população ao cerco, à fome e ao apagamento sistemático de suas vozes.

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Persona Entrevista: Joscha Bongard

O diretor alemão comentou sobre o processo de criação de seu novo filme Babystar em sua primeira vez no Brasil

Card gráfico de entrevista em estilo editorial. No fundo, um padrão abstrato em tons de verde escuro e turquesa cria ondas fluidas que remetem a gravuras japonesas. À esquerda, aparece o logotipo em forma de olho e os textos “Persona Entrevista” e “49ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo Int’l Film Festival”. À direita, dentro de um enquadramento de bordas arredondadas, há o retrato de um homem branco de cabelos castanhos, que utiliza uma blusa branca e está segurando as mãos. Ele está sentado em uma poltrona vermelha e olha para frente.
Joscha veio para o Brasil para a divulgação do seu novo filme, que concorreu na categoria de Novos Diretores na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Arte: Arthur Caires)

Mariana Bezerra 

Quando se pensa em um longa sobre família, é possível que venha à mente uma imagem romântica e afetuosa de pessoas com laços parentescos vivendo em harmonia, ou, pelo menos, lidando com conflitos que consideramos inerentes à vivência humana. No entanto, Joscha Bongard resolveu falar sobre essa temática em Babystar (2025) sob uma outra perspectiva.

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Persona Entrevista: Yasutomo Chikuma

Card gráfico de entrevista em estilo editorial. No fundo, um padrão abstrato em tons de verde escuro e turquesa cria ondas fluidas que remetem a gravuras japonesas. À esquerda, aparece o logotipo em forma de olho e os textos “Persona Entrevista” e “49ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo Int’l Film Festival”. À direita, dentro de um enquadramento de bordas arredondadas, há o retrato de uma pessoa com expressão neutra, usando boné claro e óculos de sol apoiados sobre a aba. A luz quente do exterior ilumina parcialmente o rosto, enquanto o fundo desfocado sugere um ambiente urbano.
Diretamente do Japão, Yasutomo Chikuma iniciou sua carreira no cinema experimental antes de migrar para longas narrativos (Arte: Arthur Caires / Foto: Tai Ouchi)

Gabriel Diaz

O silêncio é capaz de ser tão expressivo quanto a palavra, e o amor – quando não se realiza nos corpos – encontra refúgio na memória. Na seção Perspectiva Internacional, a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresenta o novo longa de Yasutomo Chikuma: O Espaço Mais Profundo em Nós. A trama parte do vínculo íntimo entre Kaori (Momoko Fukuchi), uma mulher arromântica e assexual, e Takeru (Kanichiro), um homem que não suporta mais o próprio corpo, para refletir sobre a impossibilidade do amor e a persistência da culpa nessa ausência. Após a morte de Takeru, Kaori viaja com Nakano (Ryutaro Nakagawa), seu amigo, até o litoral onde ele se matou. 

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Era Uma Vez em Gaza mistura o absurdo dentro e fora do cinema

Fotografia de um grupo de homens reunidos em uma sala em ruínas, com paredes em tons claros descascadas e iluminação branca artificial e intensa. À esquerda, um homem sentado ergue as mãos, enquanto uma câmera e um microfone gravam em meio à técnicos de filmagem que o cercam. Soldados armados, à direita, completam a cena, em que a linha entre encenação e realidade parece se dissolver.
Filmado na Jordânia, o longa confirma o cinema palestino como uma força estética global (Foto: Les Films du Tambour)

Gabriel Diaz

Era uma vez… um território que só conhecia ruínas. Era uma vez, também, o Cinema que tenta recontar suas próprias feridas. A fórmula clássica dos títulos que começam com ‘Once Upon a Time’ sempre carregou o peso de um mito. De Sergio Leone a Quentin Tarantino, é a indústria que fala de um tempo inventado, quase mítico, em que o real e a fábula se confundem. Era Uma Vez em Gaza, dirigido pelos irmãos Arab e Tarzan Nasser, adota esse mesmo artifício, mas o subverte. 

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