Lá vem os Cinco Fabulosos novamente: Queer Eye arrebata o prêmio de Melhor Reality Estruturado no Emmy 2022 e comemora a quinta vez consecutiva ganhando na categoria (Foto: Netflix)
Nathália Mendes
Lá pela 3ª temporada, Queer Eye já fazia mais do mesmo: replicava sua receita de sucesso, espalhando o valor do autocuidado com alegria e empatia. Mas se em time que está ganhando não se mexe (sim, o contexto merece uma piada do meio futebolístico heteronormativo), uma pandemia de coronavírus desafiou o reality da Netflix a fazer ainda mais pelo amor próprio dos outros. E foi assim, abraçando a fragilidade de seus participantes recém vacinados, que Antoni Porowski, Bobby Berk, Karamo Brown, Jonathan Van Ness e Tan France entregaram uma 6ª temporada para se engasgar de tanto chorar.
O solteiro mais aclamado de toda Londres decide encontrar sua viscondessa em nova temporada (Foto: Netflix)
Lavínia Battoni Ferreira
Após o sucesso da primeira temporada, Bridgerton tem seu segundo ano focado em Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey), o primogênito, que decide encontrar uma viscondessa. Ao longo dos oito episódios, é possível acompanhar a trajetória do personagem desde o seu passado até o que virá a se tornar seu futuro. Sem apelação com cenas explícitas, a estreia rendeu para o público, mesmo com algumas ressalvas. A sucessão foi de agrado da crítica, não surpreendendo por mais duas indicações ao Emmy para sua coleção.
União entre The Mandalorian e The Book of Boba Fett está presente em episódios da série (Foto: Disney+)
Gustavo Alexandreli
A primeira temporada de O Livro de Boba Fett estreou no catálogo do Disney+ em 29 de dezembro de 2021. Chegando já na virada do ano, a produção marcou não somente o novo ciclo, como também a primeira das apostas para as séries do universo Star Wars em 2022. No semestre inicial, a saga apresentada pela franquia no streaming foi a de Obi-Wan Kenobi, com o protagonista homônimo interpretado por Ewan McGregor. Já em setembro será a vez de Andor, cujo personagem principal será novamente protagonizado por Diego Luna. A coincidência entre ambas produções é que todas trazem a história de uma figura com passagem em histórias anteriores.
Jimmy e Kim se despedem da mesma maneira que são introduzidos: dividindo um cigarro (Foto: Netflix)
Vitor Tenca
Convergir o que há muito tempo está fragmentado nunca seria uma tarefa fácil. Saul Goodman embarca em um capítulo de desafios contra vilões-heróis já consolidados para provar que uma mente do crime e da justiça pode precisar de uma mesma qualidade: saber cortar caminhos. Na sexta temporada de Better Call Saul, olhamos para os detalhes finais que constroem a narrativa ressentida e desenfreada da vida de um ex-advogado.
A segunda temporada de Emily em Paris tem looks que chamam mais atenção do que a forçação de barra do trio protagonista (Foto: Netflix)
Giovana Keiko
Emily em Paris, série de Comédia estrelada por Lily Collins, que interpreta a marketeira Emily Cooper, se passa quando, há alguns meses na cidade luz, novos dilemas aparecem no caminho da personagem. Mas nada muito preocupante. O seriado pode ser colocado na categoria de “Séries de Almoço”, aquelas de meia horinha, que assistimos com leveza, por puro entretenimento, sem precisar se preocupar com o conteúdo agregado de fato. Ou seja, a mais pura e bela distração. Se você procura por isso, a produção da Netflix é um prato cheio.
Indicada ao Emmy 2022, Barry se distancia ainda mais da Comédia em seu terceiro ano (Foto: HBO Max)
Bruno Andrade
É sempre curioso observar a forma como a violência é veiculada no Audiovisual. Historicamente, a ideia de um assassino de aluguel deprimido não é tão inovadora; na realidade, continua explorada após décadas de representação em videogames e filmes de adaptação. A bem da verdade, é algo sempre deixado nas entrelinhas dos roteiros do gênero, cujas cenas finais giram em torno das redenções platônicas e apaixonadas dos frios matadores, que se rendem ao sentimentalismo e à reivindicação das próprias condições individuais (O Justiceiro [2004], Hitman [2007], Max Payne [2008]).
Parece estar imposta, de forma silenciosa, uma condição depressiva na qual o sentido reside na incansável busca pela “justiça” – improvável, abstrata, distante e egoísta. Mas é aqui que Barry se distancia de todas essas realizações: a condição melancólica do protagonista se estabelece, desde o princípio, como o mote para suas ações, e o ato de cometer os crimes visa, na verdade, preencher seus dias para que ele não pense nos problemas que envolvem sua condição existencial.
Mais assustador que o futuro é o caminho até ele (Foto: Netflix)
Guilherme Veiga
Pensar na revolta das máquinas é naturalmente evocar elementos da Skynet, passando pelos andróides da saga Alien, a destruição estroboscópica da Família Mitchelle chegando nas ficções de Interstellar e 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Por mais que essas produções de certa forma tratem também da condição humana, comum de toda boa ficção científica, muitas vezes a vilania da história está voltada aos seres formados por compostos eletrônicos. Em Love, Death + Robots, a carcaça metálica e (às vezes não tão) bem polida, reflete uma humanidade vilã, que, por falta de disputa na cadeia alimentar do poder, arranja um jeito de se voltar contra si própria.
A trilha sonora marcante de Clint Mansell e Kevin Kiner é um dos grandes destaques de Pacificador, que recebeu uma indicação ao Emmy 2022 (Foto: HBO Max)
Mariana Nicastro
Após décadas de filmes de super-heróis, obras subversivas desse tema nascem como algo novo, diferente das fórmulas surreais representadas sob o véu puro e íntegro das produções Disney. Porém, mais interessante do que assistir à jornada já conhecida de heróis quase perfeitos, de super-homens, é acompanhar o desenvolvimento, conflitos e contrastes de um anti-herói, sem pudor, honra ou valores e objetivos generosos. Afinal, dualidades e fortes conflitos internos os fazem mais humanos e reais.
Expressiva em mais uma edição da premiação, a série concorre em 16 categorias do Emmy 2022 (Foto: HBO Max)
Vitória Vulcano
Dê a Sam Levinson a chance de borrar as linhas entre o drama e o escárnio humanos, e ele voltará escrachando toda e qualquer camada da vida. Da produção de X, passando pela roteirização de Malcolm & Marie e atingindo a direção de País da Violência, essa tática marca seus passos em Hollywood. E foi participando dos três pilares da Sétima Arte, conjuntamente e pela primeira vez, que o cineasta criou a singular Euphoria. Vira e mexe empilhando aclamação e burburinho nas portas dos estúdios HBO, desde sua estreia avassaladora em 2019, a série redefiniu o sucesso televisivo e cultivou expectativas de sobra para sua segunda temporada.
O laranja do céu poente do planeta Tatooine tem um diferencial: dois sóis (Foto: Disney+)
Laura Hirata-Vale
Star Wars: Visions, a fascinantenova aposta da LucasfilmLtd., possui nove episódios, nove histórias e nove estilos de animação diferentes. Lançada em setembro de 2021, os desenhos vão de traços fortes em preto e branco a traços suaves em cores vivas e cores pastéis, e de episódios musicais e fofos a outros com vários plot-twists. Feita em parceria com sete estúdios produtores, a antologia conta jornadas de novos personagens do universo de Guerra das Estrelas, ao mesmo tempo em que celebra a essência da saga. A obra é um prato cheio que pode apetecer vários gostos.