Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece

No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda.
O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)

Victor Hugo Aguila

Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da performer, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do R&B estadunidense.

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Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento.
A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)

Marcela Jardim

Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.

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Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível

Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras.
Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)

Guilherme Moraes

Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de Vertigo (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.

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Menos impactante que o primeiro, mas ainda valioso, Wicked: Parte II

Na imagem, há duas personagens: à esquerda, uma mulher de pele verde com trajes escuros e expressão séria e à direita uma mulher de pele branca com uma roupa delicada e sorrindo suavemente. As duas estão em um ambiente de luz quente olhando para o horizonte.
Segundo filme utiliza uma paleta de cores mais escura para marcar a virada dramática da história (Foto: Universal Pictures)

Jhenifer Oliveira

Wicked: Parte II, um dos lançamentos mais esperados do ano, chega às telonas trazendo o desfecho da história que marcou a Broadway e encantou diversas pessoas em sua adaptação para o cinema. O diretor Jon M. Chu, que transformou Wicked – Ato I em uma das experiências cinematográficas mais arrebatadoras de 2024, agora amplia esse triunfo em 2025 ao explorar o espetáculo com mais profundidade emocional e maturidade estética.

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Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados

Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Três mulheres sentadas ao redor de uma mesa redonda posta para um chá da tarde elegante. À esquerda, uma mulher de perfil com cabelo rosa e suéter vermelho segura uma xícara. Ao centro, uma mulher mais velha com cabelos curtos e grisalhos sorri levemente enquanto ergue sua xícara. À direita, uma terceira mulher de camisa azul clara está de costas para o observador. A mesa está coberta por uma toalha branca e repleta de louças de porcelana florida, macarons e doces finos. O ambiente tem paredes azuis escuras e quadros ao fundo.
O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)

Guilherme Moraes

Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.

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Springsteen: Salve-me do Desconhecido foge do clichê de cinebiografias e mostra como nunca é tarde demais para procurar ajuda

Homem branco com cabelos escuros, sentado no chão apoiado na cama com um violão de frente para uma janela
Abertura com Jeremy Allen White como Bruce Springsteen, sentado diante de um violão olhando para horizonte (Foto: 20th Century Studios)

Clara Morais

O filme Springsteen: Salve-me do Desconhecido, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é dirigido por Scott Cooper e inspirado no livro de Warren Zanes, Deliver Me from Nowhere (2023). A obra se inicia com o fim da turnê The river do disco que estava colocando Springsteen ao estrelato. Mesmo estando no auge da sua carreira Bruce decide que é o momento para fazer uma pausa e se concentrar no processo de criação de Nebraska, álbum de 1982 gravado em sua residência e com um gravador caseiro, o longa transforma esse recorte íntimo da vida do cantor em um drama sobre memória, dor e reinvenção. A narrativa se ancora em um período contraditório de sua vida: o auge do reconhecimento público e, simultaneamente, o aprofundamento de suas crises emocionais.

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Truque de Mestre – O 3° Ato traz uma nova geração de cavaleiros e truques na manga

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Cena de Truque de Mestre - O 3° Ato. A cena mostra um grupo diverso de oito pessoas posam lado a lado, encarando diretamente a câmera com expressões que variam entre sorrisos discretos e seriedade. A composição frontal e simétrica destaca a sensação de união e mistério, reforçada pelo personagem central de braços cruzados. O fundo desfocado de vegetação e a luz natural suave valorizam as cores e os rostos, enquanto as roupas — que vão do formal ao casual — e a diversidade entre os retratados adicionam complexidade. O resultado é uma imagem contemporânea, com tom dramático e enigmático.
Os atores passaram por treinamento real de mágica (Foto: Summit Entertainment)

Marcela Jardim

Em uma Era em que franquias se estendem para além do necessário e entregam sequências mornas, como o desgaste evidente de produções como Capitão América 4 (2025) e tantas outras continuações que se apoiam apenas no peso do nome, Truque de Mestre – O 3° Ato surge como um raro suspiro de frescor. O filme retoma a energia pulsante que marcou as duas primeiras produções, preservando a essência de espetáculo, charme e ilusionismo que tornou os Cavaleiros um fenômeno cultural, mas sem abrir mão da renovação. 

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Nas Terras Selvagens, sobrevive o Predador que melhor se adapta

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Cena de Predador: Terras Selvagens. Um close-up frontal e intenso do Predador. Ele ruge, mostrando suas mandíbulas abertas e presas afiadas. Seus olhos amarelados estão focados à frente, e ao fundo, uma cena de batalha com fogo e fumaça aparece desfocada.
Dan Trachtenberg também dirigiu O Predador: A Caçada (2022) que saiu diretamente no Disney+ (Foto: Disney)

Guilherme Moraes

Um dos grandes desafios para as franquias decenais não é de se reinventar, mas de inserir uma ideia original dentro da mesma fórmula. A necessidade do estúdio de lucrar sempre irá se sobrepor ao do artista na indústria americana, dessa forma, a reinvenção vira apenas um discurso, pois apostar no conhecido se paga e ainda faz dinheiro – aliás, é exatamente por esses motivos que esses filmes são refilmados ou recebem uma continuação. O que resta para alguns cineastas é fazer um trabalho de artesanato e criar algo singular dentro desse sistema. Longe de dizer que Dan Trachtenberg é um artesão da Sétima Arte, porém, pelo menos em Predador: Terras Selvagens, o diretor consegue instaurar uma relação entre os personagens e o ambiente de maneira criativa.

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Se Não Fosse Você dá esperança ao fã de comédias românticas, mas falha quando tenta ser dramático

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Mason Thames e Mckenna Grace estão em um momento íntimo e terno ao ar livre, diante de um veículo azul desfocado ao fundo. O rapaz, de cabelos castanhos encaracolados, veste uma jaqueta escura com detalhes claros e segura delicadamente o queixo da moça com a mão. Ele olha para ela com expressão suave e carinhosa, inclinado para a frente. A moça, loira e de cabelos longos e ondulados, encara o rapaz com olhar igualmente afetuoso, enquanto a luz dourada do entardecer ilumina seus rostos, criando uma atmosfera romântica e serena.
Adaptação do livro “Se Não Fosse Você”, de Colleen Hoover, mata a saudade de clichês românticos (Foto: Paramount Pictures)

Ana Beatriz Zamai 

Inspirado na obra de mesmo nome, Se Não Fosse Você (2019) é mais uma adaptação literária da controversa Colleen Hoover, autora de best-sellers como É Assim que Acaba (2016) e Verity (2018), que também saíram do papel para as telonas, em 2024 e, futuramente, 2026, respectivamente. Porém, para quem não leu o livro, provavelmente não irá associar o filme à escritora, visto que essa não é uma de suas obras mais famosas – e os fatores negativos da adaptação não são somente associados ao desenvolvimento da trama, como no longa estrelado por Blake Lively

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O Telefone Preto 2 é uma alucinação sobrenatural que entende o trauma, mas se perde em suas sombras

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Um adolescente de cabelo castanho e jaqueta verde está dentro de uma cabine telefônica, segurando o telefone próximo ao ouvido e olhando atentamente para um homem do lado de fora. O homem usa uma máscara pálida e rachada com chifres, cabelos longos e roupas escuras, observando o garoto sob uma luz fria e tensa.
Dentre os rostos marcados pela neve e pela culpa, o horror de O Telefone Preto 2 é mais psicológico do que físico (Foto: Universal Pictures)

Gabriel Diaz

Após quatro anos do primeiro longa, o horror já não está apenas à espreita no porão claustrofóbico, mas se instala na mente, no sonho, no limiar entre o que se vê e o que se teme. Scott Derrickson retorna ao universo da obra original de Joe Hill, tentando expandir uma história que, no primeiro filme, parecia já ter alcançado seu fim natural. Conhecido por unir fé e medo em clássicos como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012),o diretor retoma aqui temas que o fascinam: o trauma, o sagrado e o invisível. O Telefone Preto 2 é, ao mesmo tempo, uma continuação e uma reflexão sobre o que resta do terror quando o monstro morre, porém o medo permanece. O resultado é uma produção ambiciosa e visualmente intrigante, embora irregular no equilíbrio entre simbologia e narrativa.

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