A série da ABC já recebeu mais de 30 indicações ao Emmy Awards desde seu lançamento oficial em 2021. (Foto: ABC)
Victor Hugo Aguila
Não é novidade que Abbott Elementary é excelência em fazer comédia. Ao longo de quatro temporadas, os excêntricos funcionários da escola pública na Filadélfia – com menção honrosa aos icônicos alunos – nos mostram como o humor é uma arma poderosa contra a precarização e a desigualdade. Seja através do roteiro original ou das atuações marcantes, a obra nos reafirma seu impacto e influência na televisão norte-americana.
Adolescência é uma minissérie britânica criada por Jack Thorne e dirigida por Philip Barantini (Foto: Netflix)
Lara Fagundes
Um garoto de 13 anos é acusado de assassinato. A pergunta que fica é:como alguém tão novo poderia cometer algo tão cruel? É com essa premissa que Adolescência, da Netflix, traz à tona temas como masculinidade tóxica, rejeição e sentimentos reprimidos. A série prende a atenção, não apenas pelo mistério, mas pela forma como o desenvolve. Intensa e desconfortável, a trama lembra o drama Defending Jacob (2020), da AppleTv, porém com um diferencial: em vez de manter um final aberto, possui um desfecho com a confissão, que tira qualquer um da zona de conforto.
Sendo originário de uma das animações mais amadas e de maior sucesso já feitas, o live-action estreia com a difícil missão de agradar os fãs da produção (Foto: Universal Studios)
Stephanie Cardoso
O tão aguardado live-action de Como Treinar o Seu Dragão, escrito e dirigido por Dean DeBlois (que também comandou a trilogia animada), finalmente chegou aos cinemas em 2025. A adaptação tenta replicar o sucesso da animação de 2010, que cativou o público com uma história comovente de amizade, crescimento e aceitação. Embora o novo filme mantenha a essência emocional da narrativa original, ele tropeça em decisões criativas conservadoras e uma execução que, por vezes, parece excessivamente preocupada em agradar aos fãs antigos sem se reinventar.
Darkman possui duas sequências, mas com Raimi fora da direção (Foto: Universal Pictures)
Davi Marcelgo
Entre as discussões sobre as produções da Marvel Studios, há aquelas que apontam o cinismo como principal característica dos longas. Um desprezo em abraçar o estilo cafona e ingênuo dos gibis, material base dessas adaptações. Ao contrário de Kevin Feige, chefe por trás do maquinário, o diretor Sam Raimi é alguém que jamais renegou a natureza barata das histórias de super-heróis, presente, principalmente, na sua obra mais popular: a trilogia Homem-Aranha. Porém, 12 anos antes do lançamento da primeira teia, o americano criou seu próprio (anti) herói e assumiu o espírito cartunesco como ninguém em Darkman – Vingança sem Rosto (1990).Continue lendo “Quando o camp é vitalício: os 35 anos de Darkman – Vingança sem Rosto”
Os três protagonistas do filme já participaram da Marvel (Foto: Killer Films)
Marcela Jardim
Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, Amores Materialistas chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de um escapismo açucarado. Ao centro da trama está Lucy (Dakota Johnson), cuja construção é deliberadamente marcada por uma frieza controlada e uma beleza comum. Ela é a síntese da protagonista superficial: elegante, discreta, previsível e incapaz de se despir da persona que criou para si. A personagem atua como casamenteira em uma agência que trata encontros como transações de mercado — uma espécie de ‘Tinder humano’ em que o amor é reduzido a compatibilidades de status, aparência e renda.
O filme marca o retorno do Quarteto Fantástico ao MCU, após a aquisição da Fox pela Disney em 2019 (Foto: Marvel Studios)
Marcela Jardim
Quase vinte anos depois da versão morna de 2005 e do desastre completo de 2015, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) chega como a reinvenção mais ambiciosa da equipe que, por tanto tempo, parecia amaldiçoada no cinema. Sob uma Marvel Studios mais madura, o filme surpreende ao deslocar o foco da ação pela ação e propor uma narrativa centrada na ideia de família como núcleo emocional e político, sem abandonar o tom aventureiro típico do gênero. A aposta é clara: em vez de heróis distantes e inatingíveis, o longa apresenta figuras profundamente humanas, cujos poderes servem mais como extensão de seus vínculos do que como ferramentas de ego. Em conjunto com Superman (2025), o longa veio para aquecer os corações – nerds ou não –, trazendo uma boa adaptação e com mensagens sensíveis.
Antes de iniciarem as filmagens, Brad Pitt e Damson Idris passaram por um período de testes e treinos com carros de Fórmula 2 e Fórmula 3 (Foto: Apple Original Films)
Livia Queiroz
No final de junho, F1: O filmeestreou nos cinemas com o objetivo de ser aclamado pelos fãs do esporte, mas teve uma surpresa: a imensa adesão de curiosos da narrativa extremamente eletrizante mostrada no trailer. Prometendo e cumprindo uma história completamente focada no automobilismo, o diretor Joseph Kosinski conseguiu alcançar um grande público para a estreia, atingindo um recorde de audiência de 293,6 milhões de dólares na bilheteria mundial. Estrelando Brad Pitt como piloto veterano, o desenvolvimento baseia-se em sua falta de vínculo com as competições das quais participa depois de ter sofrido um grave acidente nas pistas.
“Ohana quer dizer família e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer” (Foto: Disney)
Letícia Hara e Evelyn Hara
Lançado em 2002, Lilo & Stitch ganhou sua versão remake após 23 anos de lançamento. Mesmo antiga, a animação nunca deixou de ser popular entre crianças e adultos. A nova aposta da Disney faz parte de uma coleção de mais de 20 filmes em live-action, tal como Aladdin, sendo uma readaptação a qual pretende manter a essência do original, mas que também prometia surpreender os antigos e novos fãs com a inserção de novos personagens.
Superman é o primeiro grande filme do novo DCU (Foto: DC Studios)
Guilherme Moraes
Apesar da mudança de nome após a finalização do roteiro, Superman de 2025 continua sendo sobre legado. Legado kryptoniano, do cinema de herói e, principalmente, de suas adaptações antecessoras, sejam elas para TV ou Cinema. O herói de capa vermelha é uma das maiores figuras dos tempos modernos. Se outrora eram os personagens de Shakespeare, como Romeu e Julieta que sofreram releituras para agradar a grande massa – e que ainda passam por isso mas em menor escala –, na atualidade são os personagens em quadrinhos como Homem-Aranha, Batman e Superman que são reinterpretados e adaptados regularmente. Sobre essa perspectiva, é possível observar que, historicamente, o Azulão sempre foi visto como uma divindade no audiovisual, salvo algumas exceções. Contudo, com a direção de James Gunn, ele finalmente pode abraçar seu heroísmo inocente e até utópico.
Danny Boyle e Alex Garland retornam para a franquia depois de 23 anos (Foto: Sony)
Marcos Henrique
Através do cenário político dos EUA nos anos 60 e de referências do folclore eslavo, George Romero, o ‘pai dos zumbis’, desenvolve conceitos que desenharam o que hoje conhecemos como apocalipse zumbi: um cenário onde os mortos se levantam de suas covas famintos por carne humana e sem nenhum resquício de humanidade. Apesar de, ao longo das décadas, o subgênero ter se modificado para algo muito mais ‘pipoca’ e focado no horror — o que não é negativo —, é importante lembrar que ele sempre foi rico em pautas sociais, procurando, em meio a um mundo dominado por seres canibais, criticar a sociedade materialista e, principalmente, o instinto de sobrevivência dos seres humanos, que os tornava tão violentos quanto aqueles que combatiam.