The End of Evangelion e a transcendência violenta

O pôster original traduzido em inglês: bastante convidativo para um programa de fim de semana
O pôster original traduzido em inglês: bastante convidativo para um programa de fim de semana

Nilo Vieira

Os 26 episódios de Neon Genesis Evangelion já bastariam como justificativa para o culto quase fervoroso acerca do anime: seu teor filosófico ainda ecoa fortemente na geração Y, cada vez mais acometida pela depressão, e dialoga também com a parte de pancadaria da série. O único possível porém seria para o final que, apesar de compreensível em seu tom mais leve (não à toa, virou meme), talvez não fosse o ideal e nem o mais realista – nós adoramos desfechos felizes para distúrbios existenciais, mas não nos contentamos sem ver toda a trajetória sofrida do protagonista que, no fim, tomamos como projeções de nós mesmos. Continue lendo “The End of Evangelion e a transcendência violenta”

Tribalistas e a minha velha infância

tribalistas capa 15 anos já sei namorar

Elisa Dias

A possibilidade de escrever crítica musical foi anulada automaticamente do meu plano de ideias no momento em que a cogitei. Simplesmente porque, em segundos, um pequeno fluxo de pensamentos a respeito me mostrou quão complexa é a minha relação com a música. Complexa porque, a meu ver, a minha visão a respeito é a mais baudelairiana possível, sem indícios de qualquer análise técnica que comprove de alguma forma o que eu quero dizer. Um texto crítico sem embasamento é mais um achismo pro mundo – e o mundo já está bem cheio disso, convenhamos. Continue lendo “Tribalistas e a minha velha infância”

Melhores discos de Junho/2017

Divine, em uma clássica cena de Pink Flamingos (1972)
Divine, em uma clássica cena de Pink Flamingos (1972)

Adriano Arrigo, Gabriel Leite Ferreira, Matheus Fernandes e Nilo Vieira

Em sintonia com as comemorações LGBTQ+, a curadoria de junho está bem mais colorida em relação ao mês anterior. Não que os álbuns sejam todos serelepes e upbeat – afinal, como a foto acima sugere, o niilismo também é cada dia mais universal -, mas a paleta está bastante diversificada. Temos opções de trilha para dançar loucamente e/ou para curtir com seu amorzinho no frio, como você pode conferir abaixo.

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Em Melodrama, Lorde dança com a tristeza

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(Foto: Divulgação)

Leonardo Santana

Na madrugada de seu aniversário de 20 anos, Lorde publicou uma carta aberta para seus fãs. Matando a jovem introvertida e quase blasé que surgiu em 2013 e pondo-a num “mausoléu adolescente”, Ella Marija Lani Yelich-O’Connor descrevia os últimos tempos como cruciais para a novíssima pessoa que o mundo estava prestes a conhecer. “Pure Heroine foi o meu jeito de consagrar a nossa glória adolescente, iluminando-a para sempre para que essa parte de mim nunca morra, e esse álbum — bem, este é sobre o que vem depois”. Continue lendo “Em Melodrama, Lorde dança com a tristeza”

Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição

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Victor Pinheiro

No dia 20 de maio, Roger Waters surpreendeu os fãs brasileiros ao postar em seu perfil oficial no Facebook uma foto do presidente Michel Temer acompanhada da escrita: “essa é a vida que realmente queremos?”. A publicação atingiu 32 mil reações na rede social e causou discussões de cunho político nos comentários. Embora tenha sido uma estratégia de marketing, o episódio reflete características do músico e de seu novo álbum solo, Is This The Life We Really Want?. Continue lendo “Is This the Life We Really Want?: nostalgia com imposição”

Ziggy Stardust: há 45 anos, David Bowie entrava de vez para a história

Nilo Vieira

Bastante rústico e ainda obscuro ao grande público, o curta-metragem The Image (1967) é uma produção peculiar na carreira de David Bowie. Primeira aparição do camaleão no cinema, o filme dirigido por Michael Armstrong já mostrava o cantor no papel que marcaria sua trajetória: uma entidade fantástica – bem antes das fábulas de Major Tom no espaço sideral e indagações sobre a existência de vida em Marte. Continue lendo “Ziggy Stardust: há 45 anos, David Bowie entrava de vez para a história”

Sepultura Endurance é um exercício de autoafirmação pela metade

O Sepultura do presente: orgulho e resistência
O Sepultura do presente: orgulho e resistência

Gabriel Leite Ferreira

Manter-se relevante por mais de três décadas no show business é proeza para poucos. O Sepultura, mais do que ninguém, tem plena noção disso. Do início precário em Minas Gerais ao posto de uma das maiores bandas de heavy metal do mundo e os atritos posteriores, a banda fundada pelos irmãos Cavalera superou barreiras até então intransponíveis – e ainda hoje, sob a batuta do guitarrista Andreas Kisser, não pode se dar ao luxo de se acomodar como outras bandas do segmento. Logo, batizar um documentário sobre a trajetória do grupo como Sepultura Endurance (do inglês “resistência”) é, no mínimo, adequado; o problema é que o material não faz jus à carreira do Sepultura do Brasil.  Continue lendo “Sepultura Endurance é um exercício de autoafirmação pela metade”