A utopia da realidade horrenda: Ainda nos restam 50 anos de solidão

Edição especial de 50 anos de Cem Anos de Solidão, da editora Record.
Edição especial de 50 anos de Cem Anos de Solidão, da editora Record.

Cem Anos de Solidão, ganhador do 79º Nobel de Literatura, em 1982, do escritor colombiano Gabriel García Márquez, reúne acontecimentos reais e ficcionais – incestos, frieza, tapetes voadores, guerras civis, fantasmas e crianças com rabo de porco – que nos causam estranhamento. É um romance do gênero  realismo fantástico, ou seja, uma história em que elementos mágicos, irreais acontecem e são aceitos de forma natural.

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Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo

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Vitor Guatelli Portella

“Onde se lançam livros as chamas, acaba-se por queimar também os homens”.

A leitura é ferramenta mais poderosa de esclarecimento da humanidade. Livros são objetos de valor inestimável para uma sociedade. Um mundo sem livros é um mundo à mercê do supérfluo, da ignorância e da submissão. Somos formados pelo o que lemos, pelo o que nossos pais leram e pelo o que os pais de nossos pais leram. A emancipação vem da reflexão. Continue lendo “Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo”

João Gordo: para o bem geral, um traidor

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Nilo Vieira

Não é de hoje que biografias de artistas nacionais causam polêmica no Brasil. Entre grupos de artistas consagrados propondo censura e livros que mais parecem lavação de roupa suja, poucos títulos recentes parecem se importar em cumprir o básico exigido pelo formato. Nem mesmo nas telonas a coisa melhora, com resultados variando entre o pouco aprofundado, desfiles de clichês e retratos romantizados ao extremo. Continue lendo “João Gordo: para o bem geral, um traidor”

A Nova York dos anos 20: o cenário de O Grande Gatsby

Capa da edição original do livro
Capa da edição original do livro

Camila Ranzzi

A proibição da produção e consumo de álcool, somado ao aumento do crime organizado, foram aspectos relevantes para a criação do ambiente da obra literária O Grande Gatsby, no contexto histórico da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), escrito por F. Scott Fitzgerald. O autor é considerado um dos maiores expoentes da literatura americana do século XX, e seus trabalhos revelam o estado de espírito da época da chamada “geração perdida”, sendo inclusive o ídolo da juventude insatisfeita com o seu tempo. Continue lendo “A Nova York dos anos 20: o cenário de O Grande Gatsby”

O atual Admirável Mundo Novo de Huxley

João Pedro Pinheiro

Completaram-se, em 2016, os 75 anos da primeira edição brasileira (1941) de Admirável Mundo Novo, principal obra do escritor e visionário britânico Aldous Huxley, publicada inicialmente na Inglaterra, em 1931. E, embora escrito há mais de oito décadas, o livro continua surpreendendo com sua atualidade.

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O Cemitério, de Stephen King, enterra os receios do autor e (res)suscita uma história sóbria, intensa e muito assustadora

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Guilherme Reis Mantovani, estudante de Jornalismo da Unesp Bauru

O Cemitério (do original Pet Sematary – sim, a famosa música dos Ramones de mesmo nome é uma homenagem referencial à obra literária) é um romance de terror escrito por Stephen King na década de 80.  É interessante ressaltar que o autor revelou repulsa à sua própria criação em entrevistas pós-publicação, por sentir um pessimismo incômodo e irredutível no desfecho da história, bem como uma mensagem intrínseca repulsiva. Na verdade, após sua mulher também ter rejeitado o manuscrito original, King pretendia engavetar “n’O Cemitério”. O livro, no entanto, era parte de um imbróglio contratual do autor com a editora norte-americana Doubleday e precisava ser publicado. Pois aí estava a solução: livrar-se da obrigação contratual e do “livro visceral” ao mesmo tempo… Continue lendo “O Cemitério, de Stephen King, enterra os receios do autor e (res)suscita uma história sóbria, intensa e muito assustadora”