Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo

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Vitor Guatelli Portella

“Onde se lançam livros as chamas, acaba-se por queimar também os homens”.

A leitura é ferramenta mais poderosa de esclarecimento da humanidade. Livros são objetos de valor inestimável para uma sociedade. Um mundo sem livros é um mundo à mercê do supérfluo, da ignorância e da submissão. Somos formados pelo o que lemos, pelo o que nossos pais leram e pelo o que os pais de nossos pais leram. A emancipação vem da reflexão. Continue lendo “Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo”

João Gordo: para o bem geral, um traidor

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Nilo Vieira

Não é de hoje que biografias de artistas nacionais causam polêmica no Brasil. Entre grupos de artistas consagrados propondo censura e livros que mais parecem lavação de roupa suja, poucos títulos recentes parecem se importar em cumprir o básico exigido pelo formato. Nem mesmo nas telonas a coisa melhora, com resultados variando entre o pouco aprofundado, desfiles de clichês e retratos romantizados ao extremo. Continue lendo “João Gordo: para o bem geral, um traidor”

A Nova York dos anos 20: o cenário de O Grande Gatsby

Capa da edição original do livro
Capa da edição original do livro

Camila Ranzzi

A proibição da produção e consumo de álcool, somado ao aumento do crime organizado, foram aspectos relevantes para a criação do ambiente da obra literária O Grande Gatsby, no contexto histórico da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), escrito por F. Scott Fitzgerald. O autor é considerado um dos maiores expoentes da literatura americana do século XX, e seus trabalhos revelam o estado de espírito da época da chamada “geração perdida”, sendo inclusive o ídolo da juventude insatisfeita com o seu tempo. Continue lendo “A Nova York dos anos 20: o cenário de O Grande Gatsby”

O atual Admirável Mundo Novo de Huxley

João Pedro Pinheiro

Completaram-se, em 2016, os 75 anos da primeira edição brasileira (1941) de Admirável Mundo Novo, principal obra do escritor e visionário britânico Aldous Huxley, publicada inicialmente na Inglaterra, em 1931. E, embora escrito há mais de oito décadas, o livro continua surpreendendo com sua atualidade.

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O Cemitério, de Stephen King, enterra os receios do autor e (res)suscita uma história sóbria, intensa e muito assustadora

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Guilherme Reis Mantovani, estudante de Jornalismo da Unesp Bauru

O Cemitério (do original Pet Sematary – sim, a famosa música dos Ramones de mesmo nome é uma homenagem referencial à obra literária) é um romance de terror escrito por Stephen King na década de 80.  É interessante ressaltar que o autor revelou repulsa à sua própria criação em entrevistas pós-publicação, por sentir um pessimismo incômodo e irredutível no desfecho da história, bem como uma mensagem intrínseca repulsiva. Na verdade, após sua mulher também ter rejeitado o manuscrito original, King pretendia engavetar “n’O Cemitério”. O livro, no entanto, era parte de um imbróglio contratual do autor com a editora norte-americana Doubleday e precisava ser publicado. Pois aí estava a solução: livrar-se da obrigação contratual e do “livro visceral” ao mesmo tempo… Continue lendo “O Cemitério, de Stephen King, enterra os receios do autor e (res)suscita uma história sóbria, intensa e muito assustadora”

O impacto do maior conflito da história traduzido em palavras

Max Hastings evoca uma visão histórica, original e necessária acerca da Segunda Guerra Mundial, numa obra que elucida os anos de 1939 a 1945 com sobriedade e autoridade.

Guilherme Reis Mantovani

A literatura sobre a Segunda Guerra Mundial e seus desdobramentos é vastíssima, por se tratar justamente de um assunto de vital relevância na história da humanidade. Entretanto, o ambicioso Inferno – O Mundo em Guerra: 1939 – 1945 (Intrínseca, 2012) se destaca por evidenciar não apenas as estratégias militares minuciosamente detalhadas através de mapas exibidos no próprio livro (ao todo, são 48 páginas dedicadas à fotografias da época, além de vinte mapas propriamente ditos), as jogadas políticas oriundas de gabinetes dos países beligerantes e as causas e consequências do conflito devidamente analisadas, mas também por evocar o sentimento de pessoas aparentemente comuns – soldados e civis – que vivenciaram o dia a dia da guerra. Para tanto, o autor, britânico, historiador militar e renomado jornalista Max Hastings, permeia a escrita com cartas, trechos de diários e outros documentos de cidadãos que encararam a Segunda Guerra Mundial, mostrando que, se existe alguma glória em tal conflito, neles deve residir. Continue lendo “O impacto do maior conflito da história traduzido em palavras”