Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há um homem branco de cabelos e barba castanho escura. Ele usa três camadas de roupa. Na foto, é possível ver a camisa de botão marrom e uma espécie de jaqueta azul por cima. Atrás dele, há madeiras e árvores. Ele usa um chapéu marrom e está com a feição séria.
Sonhos de Trem foi indicado a quatro categorias no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Foto: Netflix)

Guilherme Machado Leal

A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em Sonhos de Trem, longa-metragem indicado a quatro categorias do Oscar 2026 e baseado no conto homônimo de Denis Johnson, o trabalho de cinematografia é realizado pelo brasileiro Adolpho Veloso, também reconhecido em Melhor Fotografia.

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Em tudo, há Valor Sentimental

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos. Eles estão em frente a diversos arbustos. Ele veste uma camisa social e ela usa uma blusa preta com uma jaqueta jeans por cima.
A ausência do pai moldou a personalidade de Nora e a maneira como ela se envolve com todas as pessoas de sua vida (Foto: Kasper Tuxen)

Guilherme Machado Leal

Nos filmes de Joachim Trier, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em Valor Sentimental, o diretor Gustav Borg (Stellan Skarsgård) retorna à cidade natal para convencer a filha, Nora (Renate Reinsve), a gravar um filme baseado na vida de sua família após mais de uma década afastado das telas. No entanto, há um fator especial: a primogênita seria a protagonista da narrativa, que entra na ferida mais profunda de um filho: a ausência de um pai.

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Qual é o seu filme de terror favorito? Definitivamente não é Pânico 7

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Texto Alternativo: O vilão Ghostface em destaque no centro da imagem. Ele usa sua icônica máscara branca de expressão alongada e túnica preta com capuz. Ele segura uma faca de caça de forma ameaçadora em um ambiente externo noturno, com colunas de pedra e iluminação quente ao fundo.
Três décadas depois, o Ghostface ressurge em 2026 com um novo alvo, a filha da final girl original (Foto: Paramount Pictures)

Guilherme Machado Leal e Arthur Caires

Três décadas após a primeira aventura de Sidney Prescott (Neve Campbell), a franquia Pânico chega ao seu sétimo capítulo. Entre requels (obras que são sequência e reinício) – como o quinto filme –, novos personagens e tramas, o mundo criado por Wes Craven em 1996 se adaptou pelas décadas. Dessa vez, o icônico vilão Ghostface, dirigido pelas lentes de Kevin Williamson (roteirista do primeiro, segundo e quarto longas), tem como objetivo atacar a filha da final girl, Tatum Evans (Isabel May). 

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A primeira temporada de I Love LA poderia ser melhor, mas é um bom começo para Rachel Sennott

Cena da série I Love LA. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos ondulados que veste uma blusa rosa com uma jaqueta cinza, além de utilizar um boné branco e vermelho com estampa de um palhaço. Ela está em pé e segura um celular na mão direita e um café na mão esquerda.
Maya é o tipo de protagonista que prontamente ganha o carinho de seus telespectadores (Foto: HBO)

Guilherme Machado Leal

2025 foi um ano recheado para os jovens adultos. Desde a estreia de Overcompensating – trama que aborda a descoberta da sexualidade de um rapaz gay na faculdade – até Adults, obra com o protagonismo de um quinteto no Queens, em Nova York, o subgênero ganhou uma irmã em outubro: I Love LA, série criada e protagonizada por Rachel Sennott. No final dos anos 90 e na década de 2010, a HBO produziu histórias na cidade que nunca dorme. Dessa vez, as palmeiras californianas recebem seu próprio coming of age centralizado na chegada dos 30 anos.

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Há 10 anos, era só um dia quente na previsão, mas recebemos um verão daqueles em Teen Beach 2

Cena do filme Teen Beach 2. Na imagem, há os personagens Lela, Tanner, Brady e Mack. Da esquerda para direita, a moça branca de cabelos castanhos veste um vestido azul com estampa xadrez azul quadriculada e botas brancas, o homem branco de cabelos castanho claro utiliza uma regata branca com uma blusa vermelha aberta, um short colorido e um tênis branco, o homem branco de cabelos brancos veste uma camiseta laranja e um short azul com estampas de praia e a mulher branca de cabelos castanhos veste uma blusa azul ferida, um short jeans e uma tamanca média marrom. Eles estão em movimento, assim como os figurantes do filme.
Na segunda aventura de Brady e Mack, eles precisam saber se o amor sobrevive ao fim do verão (Foto: Francisco Roman)

Guilherme Machado Leal

O verão nunca foi tão divertido como acontecia no mundo de Teen Beach Movie. O primeiro filme, lançado em 2013, trazia a rivalidade entre surfistas e motoqueiros em uma paródia proposital de Amor Sublime Amor – clássico dos anos 1960. Durante o verão, Brady (Ross Lynch) e Mack (Maia Mitchell) se teletransportaram à produção cinematográfica e tiveram férias bem diferentes daquelas que estamos acostumados a ter. Agora, na sequência de 2015, os protagonistas encaram o mundo real e o pesadelo dos estudantes: a volta às aulas.

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Com o Midnight Sun, chegou a hora de Zara Larsson

Capa do CD Midnight Sun, da cantora Zara Larsson. Na imagem, a artista está de joelhos em uma grama e apoia as duas mãos na superfície. Ela usa um vestido laranja, com rendas amarelas e rosas. Atrás dela, há flores azuis, árvores e um sol, que preenchem o ambiente. Ela está centralizada na foto e o seu cabelo loiro tampa uma parte de seu rosto, incluindo o olhar da cantora.
No conjunto de dez faixas, a sueca faz o melhor trabalho de sua carreira até o momento (Foto: Sommer House/Epic Records)

Guilherme Machado Leal

Os últimos anos da música pop mostraram que quem espera, sempre alcança. Se em 2024, Sabrina Carpenter se tornou um dos principais nomes atuais do gênero e Charli XCX finalmente conquistou as devidas flores com o Brat, o mesmo pode ocorrer com outras cantoras. Sem investimentos da gravadora, uma fanbase não tão expressiva e uma identidade sonora inconsistente são alguns dos fatores que servem como empecilhos àqueles com desejo pelo sucesso. Era o caso de Zara Larsson: a artista sueca viu muitos de seus hits serem cantados, mas também leu declarações como: “quem está cantando essa música?”. A partir do lançamento do Midnight Sun, quinto álbum de estúdio da loira, as coisas mudaram.

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Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne

Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão.
A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)

Guilherme Machado Leal  

Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, Pessoas Normais (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. 

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Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado

 Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos louros e blusa bege. Ela olha para um homem branco de cabelos castanhos com terno. Eles estão em um bar. As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics)

Guilherme Machado Leal  

Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em Blue Moon, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (Ethan Hawke), o público conhece a história de um dos letristas norte-americanos mais importantes do século XX. Ambientado em um bar na noite de 31 de março de 1943, a perspectiva de um artista derrotado pelo sucesso de seu colega, Richard Rodgers (Andrew Scott), expõe uma mágoa para além das diferenças criativas da ex-dupla.

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À Paisana, você pode encontrar o sentido da vida

Cena do filme À Paisana. Na imagem, há dois homens brancos se encarando através do espelho de um banheiro. O rapaz da esquerda possui cabelos castanhos escuros e utiliza um boné e moletom azuis, enquanto o homem da direita usa uma blusa vermelha com um casaco azul por cima, além de ter cabelos grisalhos, utilizar óculos e ter um bigode.
A tensão sexual entre Tom Blyth e Russell Tovey nos minutos iniciais da obra traz um misto de sensações, que serão abordadas ao longo da narrativa (Foto: Magnolia Pictures)

Guilherme Machado Leal 

A sensação de descobrir que é alguém no mundo é uma em um milhão. Antes de tudo acontecer, o indivíduo não entende muito bem qual é o seu lugar e objetivo de vida. É como se precisasse de um ponto de partida para dizer firmemente que é um ser humano. Esse momento acontece com Lucas (Tom Blyth) no dia em que conhece, no banheiro de um shopping de Nova York, o homem que o mudará. Centralizado na década de 1990, À Paisana acompanha uma tarefa policial em prol do combate ao cruising, prática também conhecida como ‘banheirão’ dependendo do local onde ocorre e que é realizada por homens queers em lugares públicos. 

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Há 5 anos, Dua Lipa homenageava quem veio antes com Future Nostalgia

Capa do CD Future Nostalgia, Finda a Viagem. Fotografia quadrada com o fundo preto. Na parte central está a cantora Dua Lipa. Uma mulher branca, de cabelo louro. Ela veste uma blusa rosa com botões pretos e utiliza luvas brancas com anéis em alguns dos dedos. A cantora está dentro de um carro e a mão esquerda dela segura um volante da cor marrom. Ela apresenta uma expressão séria, olhando para frente. Ao canto esquerdo superior, há uma lua da cor azul.
A cantora não apenas revisita o que já foi feito; essa é, na verdade, a versão de Dua Lipa das décadas de ouro da música pop (Foto: Hugo Comte/Warner Music)

Guilherme Machado Leal

Após o lançamento de Don’t Start Now, faixa que iniciou os trabalhos de seu segundo álbum, Dua Lipa utilizou uma das melhores plataformas de divulgação para uma artista pop: a performance em uma premiação com alcance mundial. Ato de abertura do MTV Europe Music Awards, em novembro de 2019, a artista mostrou que havia feito a lição de casa depois das críticas que recebeu no ano anterior pela sua dança em One Kisshit com Calvin Harris – no Lollapalooza de Berlim. Como tudo que dita a era Future Nostalgia, a cantora dividiu com o público o avanço em direção à estrela que gostaria de se tornar. A cada lançamento que antecipava a chegada do projeto, a albanesa preparava o terreno para aquele que se tornaria o seu trabalho mais aclamado.

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