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	<title>Arquivos Argentina &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35638" aria-describedby="caption-attachment-35638" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35638 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Eter1.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-35638" class="wp-caption-text">O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.</span></p>
<p><span id="more-35637"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao verão argentino, um grupo de amigos se encontram para jogar baralho em uma casa de Buenos Aires. A tradição que eles cultivam a anos tem sua monotonia quebrada por um evento climático inesperado, uma nevasca chega sorrateiramente e começa a matar instantaneamente qualquer um que a toque. Liderados por Juan Salvo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00jvmItGSBI"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grupo precisa se livrar das desconfianças vindas de uma amizade antiga, porém não tão profunda, para sobreviver e descobrir o real contexto desse apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_35639" aria-describedby="caption-attachment-35639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35639 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg" alt="cena da série O Eternauta. A cena mostra em primeiro plano um jipe das forças armadas argentinas com um soldado posicionado acima do veículo, portando um rifle longo. Ao fundo, a parte inferior de um viaduto está fechado com uma pilha de carros destruídos formando uma barricada. A rua está coberta de neve e a paisagem está envolta em névoa, com um céu acinzentado" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2.jpg 912w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35639" class="wp-caption-text">O militarismo na América Latina é um tema recorrente em O Eternauta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fonte da qual se adapta a série não vem de um subgênero extremamente alternativo e revolucionário. Na verdade, o cenário base para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma invasão alienígena, se insere nos contextos basilares da ficção científica desde o século XIX. Mesmo com obras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3sjodEDyhXU"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Dos Mundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de H.G. Wells existindo no cânone do gênero desde os anos 1890, Oesterheld fundou em seu trabalho conceitos antes inéditos ou não tão presentes nesse tipo de quadrinho. Talvez o mais importante desses conceitos, ‘o herói coletivo’, se mantém como pedra fundamental na versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://outraspalavras.net/descolonizacoes/oeternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série não possuem nenhuma habilidade especial de fato. Nenhum deles tem, individualmente, qualquer controle ou poder sobre a situação, como é comum em histórias clássicas de heróis. Somente como grupo eles encontram as soluções das quais precisam. O roteiro é muito ágil em demonstrar diversas situações em que um ou mais personagens se encontram em situações intransponíveis, inclusive de quase morte, que só são superadas com a ajuda de outros.</span></p>
<figure id="attachment_35640" aria-describedby="caption-attachment-35640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg" alt="Página do quadrinho O Eternauta. A arte mostra Juan Salvo, um homem branco de meia idade, de olhos azuis, ele olha fixamente para frente e usa uma máscara de gás com um visor no rosto e um filtro de respiração na altura do pescoço" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35640" class="wp-caption-text">O estilo artístico da série reflete muito bem os desenhos sombrios de Solano Lopes (Foto: Pipoca e Nanquim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que a série traz a vida com maestria é a atmosfera gráfica. A direção de Bruno Stagnaro consegue adaptar a arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3rxzR5bElhc"><span style="font-weight: 400;">desenhista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Francisco Solano Lopes de forma fria e seca. O cenário de desolação do mundo exterior contrasta com a sensação de claustrofobia sempre constante nos refúgios em que os personagens se protegem da neve. Isso também impacta em algo fundamental para qualquer obra pós-apocalíptica: a transformação de ambientes cotidianos nas ruínas da civilização que colapsou. Igrejas, escolas, farmácias, vagões de trem, formas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa, são transformados em escombros e vestígios do que um dia foram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é mais discreto nos comentários políticos. Oesterheld carrega uma das </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2015/10/23/os-ultimos-passos-de-hector-oesterheld/"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais trágicas oriundas da violentíssima ditadura militar argentina, suas dores, medos e indignações permeiam sua obra constantemente. Entre junho de 1976 e dezembro de 1977 suas quatro filhas, Beatriz, Diana, Marina e Estela, foram sequestradas, desaparecidas e assassinadas pelo regime sanguinário, do qual o próprio HGO seria vítima. Oesterheld desapareceu no mesmo período, de sua família só sobreviveram sua esposa e seus dois netos, que se tornaram órfãos antes de completarem 4 anos.</span></p>
<figure id="attachment_35641" aria-describedby="caption-attachment-35641" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter4.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, a cena mostra Juan Bolsa, um homem branco de meia idade. Ele olha para frente, empunhando um fuzil, ele veste um casaco marrom e uma máscara de gás azul" width="600" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-35641" class="wp-caption-text">Os traumas de guerra acompanham os personagens em sua jornada no mundo destruído (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua primeira versão, o quadrinho tinha tons explícitos de crítica ao imperialismo, ao capitalismo e ao autoritarismo presentes nas sociedades latino-americanas. A série, por sua vez, é mais sutil, mas usa como artifício algo mais contemporâneo — a guerra das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZmtP2UdGoI"><span style="font-weight: 400;">Malvinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> — não só para reforçar o tom sócio-político, como também um desenvolvimento pessoal fundamental aos personagens já que vários deles são veteranos do conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses traumas se tornam ainda mais vividos graças ao elenco estrelado, o Juan Salvo de Ricardo Darín tem todas as notas certas. O ator não decepciona a expectativa criada em torno do seu nível de astro internacional, conquistado após filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Outro destaque é o uruguaio César Troncoso, seu personagem Tano tem um papel fundamental na trama como uma pessoa egoísta que aos poucos precisa se livrar do individualismo para garantir que todos sobrevivam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma adaptação literária de grande qualidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), baseada no livro homônimo de Gabriel Garcia Márquez e de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ripley-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ripley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), baseada na obra de Patricia Highsmith. O seriado revela que, mesmo com toda a disputa pela atenção e concentração dos telespectadores, ainda há espaço para produções densas e deslocadas do eixo América do Norte/Europa nos serviços de streaming. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8</span></a></p>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 19:57:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ana-sem-titulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30593" aria-describedby="caption-attachment-30593" style="width: 2160px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30593 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem, há seis fotografias de uma mulher negra. As fotos trabalham de forma documental, registrando as mudanças físicas da personagem em uma organização linear - três fotografias em cima e mais três fotografias em baixo. As mudanças físicas são principalmente no cabelo: na primeira imagem, ele permanece preso em um coque alto, e acompanhamos sua transformação até o penteado em estilo afro" width="2160" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png 2160w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30593" class="wp-caption-text">Em Ana. Sem título, exibido na Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru, entramos em uma jornada sobre governos totalitários, o feminismo nos anos 70 e 80 e sobre a Arte como forma de denúncia (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas realidades para ir em uma jornada que ultrapassa as </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nosso país, esbarrando em uma história sangrenta que, infelizmente, também nos pertence. Em </span><a href="http://taigafilmes.com/ana/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), longa que integrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru, a cineasta Lúcia Murat nos transporta para o passado latino-americano marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, atrás, apenas, de uma resposta: onde está Ana? </span></p>
<p><span id="more-30590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definida como livre, talentosa, bonita e até mesmo perigosa, o grande mistério acerca da artista brasileira é o que nos envolve na trama. Através de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem feita, a sensação do telespectador é similar a estar fisicamente presente com a equipe de filmagem, apurando as poucas pistas que Ana nos deixou, na tentativa de montar um quebra-cabeça em que faltam muitas peças. Durante essa viagem, temos o prazer de conhecer a beleza de Cuba, México, Argentina e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-francisca-uma-juventude-chilena-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chile</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos olhos do diretor de fotografia </span><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt, e ouvir até mesmo o som dos passarinhos através do trabalho da técnica de som Andressa Clain Neves.</span></p>
<figure id="attachment_30591" aria-describedby="caption-attachment-30591" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30591 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem temos, à esquerda, a atriz brasileira Stella Rabello. Ela tem cabelos loiros um pouco acima do busto, usa uma jaqueta na cor cinza e uma blusa vermelha. Do lado direito, temos a cineasta Lúcia Murat. Ela tem cabelos grisalhos e curtos e usa uma blusa de manga longa azul. O cenário da foto é em uma arquibancada à luz do dia. Ambas estão com expressões concentradas, com olhares atentos ao horizonte." width="1313" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1200x693.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30591" class="wp-caption-text">Lúcia e Stella buscam respostas em nossos vizinhos latinos através de um road-movie (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na exposição </span><a href="https://pinacoteca.org.br/programacao/exposicoes/mulheres-radicais-arte-latino-americana-1960-1985/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, realizada na Pinacoteca de São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho em muitas questões, como o racismo, a opressão e o feminismo como forma revolucionária, mas destaca-se na maneira de retratar as cicatrizes ainda abertas que as </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">ditaduras militares latinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixaram. O olhar de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/ana-sem-titulo-se-nao-fosse-a-existencia-dos-movimentos-feminista-e-negro-esse-filme-nao-existiria-diz-lucia-murat/"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Murat</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesse contexto, é mais do que simbólico, principalmente pela sua trágica experiência como ex-presa política durante o regime militar brasileiro. O longa é, acima de tudo, um lembrete da importância de não nos esquecermos sobre um passado ainda tão recente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Ana? Criada para ser uma representação da mulher latino-americana artista das </span><a href="https://conversacomelas.com/2021/03/02/movimentos-feministas-na-decada-de-70-e-80-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">décadas de 1970 e 1980</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do roteiro da escritora Tatiana Salem Levy e da própria Murat, com atuação de Roberta Estrela D&#8217;Alva, a beleza da personagem mora exatamente no fato de que ela não é real. A narrativa criada em cima de seu desaparecimento, as cartas trocadas com outras artistas, a busca da equipe em solos estrangeiros para o documentário e todas as conversas sobre resistência, irmandade, liberdade e direitos, deixam a sensação de que Ana, mesmo com provas contrárias, existiu. O longa a eleva como uma entidade, aproveita-se do interesse natural do ser humano ao desconhecido para captar nossa atenção e nos enriquece com trocas reais sobre uma cultura tão complexa, rica e triste.</span></p>
<figure id="attachment_30592" aria-describedby="caption-attachment-30592" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30592 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na fotografia, há uma mulher negra, de cabelo crespo. Ela usa uma blusa de gola alta. A mulher sorri e olha para o horizonte à sua esquerda. A foto tem tons sépia." width="600" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-30592" class="wp-caption-text">Ana é algo maior que o plano físico e transforma-se na representação de milhares de mulheres do nosso passado (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de filmagens em câmeras analógicas, fotografias em preto e branco e relatos em espanhol, conhecemos por meio de Ana a história de milhares de mulheres que gostariam de ter sido ouvidas mas que, infelizmente, já caíram no esquecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um resgate da importância de ouvir as gerações passadas, de valorizar nossa história, de apreciar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Arte nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de não nos esquecermos de, às vezes, olhar para trás.</span></p>
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					<description><![CDATA[<p>A trajetória de retomada dos eventos presenciais consolidou-se em 2022. Na recuperação do pós-pandemia da covid-19 &#8211; que não nos deixou, mas, em um alívio, permitiu o relaxamento de algumas medidas de proteção -, o Cinema viu seus ávidos fãs retornarem às salas de forma irrestrita. Desde o Oscar até a 46ª Mostra Internacional de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Filmes de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30131" aria-describedby="caption-attachment-30131" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30131" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/capa.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/capa.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/capa-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30131" class="wp-caption-text">Entre as múltiplas facetas de Jobu Topaki, a estrela Pearl e a singularidade da conchinha Marcel, 84 filmes apareceram no ranking de Melhores do Ano do Persona (Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória de retomada dos eventos presenciais consolidou-se em 2022. Na recuperação do pós-pandemia da covid-19 &#8211; que não nos deixou, mas, em um alívio, permitiu o relaxamento de algumas medidas de proteção -, o Cinema viu seus ávidos fãs retornarem às salas de forma irrestrita. Desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">até a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/46a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">46ª Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, os eventos da indústria cinematográfica internacional e brasileira também abraçaram a possibilidade da realização totalmente presencial, e deram alento àqueles que encontram conforto na pipoca quentinha e nas subidas rumo às poltronas aveludadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas no primeiro semestre do ano passado, o número de pessoas que compareceu aos cinemas presencialmente foi maior do que o contabilizado em 2021 inteiro, segundo levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Apesar do retorno seguir lento e gradual, com expectativa de voltar a níveis normais e </span><a href="https://www.poder360.com.br/brasil/cinema-brasileiro-tem-recuperacao-lenta-do-publico-apos-covid/"><span style="font-weight: 400;">continuar a crescer em 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o restabelecimento do hábito também se refletiu no </span><b>Melhores Filmes de 2022</b><span style="font-weight: 400;">. Das 84 produções citadas no tradicional </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking </span></i><span style="font-weight: 400;">anual do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, que reúne membros da Editoria e colaboradores, 42 estrearam ou passaram pelos circuitos brasileiros. Após um ano em que os </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/oscar-2023-nao-permitira-filmes-lancados-apenas-no-streaming"><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">dominaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> os grandes lançamentos, o cenário volta a se reequilibrar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A união das redes de cinema às plataformas, porém, garantiu a diversidade da programação de 2022. A animação </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio de Guillermo del Toro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">whodunnit </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e os dramas </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Alemanha,</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Argentina, foram alguns dos destacados pelos colaboradores, que os assistiram exclusivamente nos formatos digitais. Já os campeões de menções desse </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrearam nos cinemas e levaram os espectadores às salas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do que aconteceu com </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">lançamentos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, a presença opressiva de grandes empresas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi obrigada a dividir sua programação com produções mais diversas. Apesar de </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempre </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">conseguirem suas menções, foi o independente </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que não saiu de cartaz (até o momento desta publicação), ultrapassando três meses nos cinemas nacionais.</span> <span style="font-weight: 400;">O sensível primeiro longa-metragem da diretora irlandesa Charlotte Wells aborda uma relação entre pai e filha, e chegou ao Brasil pela 46ª Mostra de SP.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os gêneros das produções também refletiram diversidade. Os filmes de super-heróis tiveram sua vez e os de aventura também &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido </span></i><span style="font-weight: 400;">receberam boas indicações -, mas foram as produções de Terror que marcaram 2022. Com alguns ganhando grandes lançamentos no Cinema, como foi o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5 </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Telefone Preto</span></i><span style="font-weight: 400;">, e outros não surpreendentemente deixados de lado, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X &#8211; A Marca da Morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aterrorizante 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Morte Morte Morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as obras de gênero mereceram 15 nomeações como Melhores do Ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elevando o número em relação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">ano passado</span></a><span style="font-weight: 400;">, as produções dirigidas ou co-dirigidas por mulheres alcançaram a marca de 20 indicações &#8211; menos de ¼ do total. Já nas obras nacionais, a quantidade foi ainda mais negativa: dos 84 filmes citados, apenas 6 eram brasileiros, com destaques como </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/regra-34-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eduardo e Mônica </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao todo, foram citadas obras de 17 diferentes idiomas e nacionalidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando em nomeações, 22 títulos indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">2023</span> <span style="font-weight: 400;">também apareceram no </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i><span style="font-weight: 400;">. Da categoria de Melhor Filme, que inclui apenas uma mulher indicada, apenas </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/triangulo-da-tristeza-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Triângulo da Tristeza</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foram mencionados aqui. </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> receberam múltiplas indicações. No </span><b>Melhores Filmes de 2022 </b><span style="font-weight: 400;">do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, você confere todas as obras destacadas pela nossa Editoria e colaboradores.</span></p>
<p><span id="more-29736"></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30122" aria-describedby="caption-attachment-30122" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30122 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1.webp" alt="" width="2560" height="1923" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1.webp 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-800x601.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-1024x769.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-768x577.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-1536x1154.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-2048x1538.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AN_Brendan-Fraser-The-Whale-scaled-1-1200x901.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30122" class="wp-caption-text">Se tem alguém que merece destaque por melhor atuação do ano, esse alguém é Brendan Fraser (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>A Baleia (The Whale)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente quem é pai sabe quais são os verdadeiros obstáculos da paternidade e o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia, </span></i><span style="font-weight: 400;">roteirizado pelo escritor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_aiV64lQSis"><span style="font-weight: 400;">Samuel D. Hunter</span></a><span style="font-weight: 400;">, cumpre bem esse brilhante trabalho. Neste drama psicológico, acompanhamos de perto a fragilidade de um pai que tenta se reconectar com a filha. Enfrentando problemas graves de saúde física e mental, Charlie (Brendan Fraser) é um professor de inglês que enfrenta cada dia como se fosse o último, em uma luta diária entre arrependimentos e manutenção de uma auto-estima completamente abalada. A única forma que ele encontra de mascarar seus problemas é através da compulsão alimentar, tópico bastante ressaltado na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de Samuel Hunter não é apenas voltado ao clichê ‘pai e filha que buscam uma reconciliação’. Neste drama, a história é centrada na profundidade que atravessa aquilo que é aparente. Os </span><a href="https://www.goodmorningamerica.com/culture/story/brendan-fraser-shares-transformed-role-whale-94548413"><span style="font-weight: 400;">conflitos pessoais do protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem parte disso. Nas dificuldades que envolvem temáticas super sensíveis, mas nem sempre amplamente discutidas em nossa sociedade, como arrependimento, autodestruição, compulsão alimentar, paternidade e depressão. Como aflorar uma relação íntima e afetuosa que nunca existiu, de uma hora pra outra? Esse é o “x” da questão que permeia </span><i><span style="font-weight: 400;">The Whale</span></i><span style="font-weight: 400;">, que contou com a premiada atuação de Fraser e a excelente direção Darren Aronofsky.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cotado pela crítica como candidato favorito ao </span><a href="https://olhardigital.com.br/2023/01/16/cinema-e-streaming/favorito-ao-oscar-ganha-mais-um-premio/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator</span></a><span style="font-weight: 400;">, Brendan Fraser se destaca nessa obra para ter um merecido reconhecimento profissional. Ele, que revelou ter enfrentado problemas relacionados à </span><a href="https://quartelgeneral.com/2022/09/18/lesoes-depressao-e-assedio-sexual-por-que-brendan-fraser-ficou-afastado-dos-cinemas/"><span style="font-weight: 400;">depressão e assédio</span></a><span style="font-weight: 400;">, avaliou que o papel de Charlie pode ser visto como um grande exemplo de superação para pessoas que passam por grandes traumas. </span><b>&#8211; Gabriel Gomes Santana</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29974" aria-describedby="caption-attachment-29974" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17.webp" alt="Cena do filme A Fera do Mar. Um homem loiro com roupas velhas encara uma menina de cabelos cacheados. Ela tem uma espada em sua mão e faz um gesto oferecendo ao homem. Estão em pé numa praia de areia cor de rosa e matagal verde.]" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17.webp 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/The_Sea_Beast_00_48_53_17-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29974" class="wp-caption-text">Alguns nomes do elenco de A Fera do Mar são Karl Urban, dublando o protagonista Jacob Holland, e Jared Harris, a voz do Capitão Augustus Crow (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>A Fera do Mar (The Sea Beast)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Fera do Mar</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos faz perceber como ser sábio independe da idade, e que se pode aprender algo com qualquer situação ou pessoa. O filme é uma narrativa fluida e bastante rápida, ideal para dias em que se quer assistir algo leve, mas não tão banal. A animação carrega uma identidade genérica, mas há uma arte única no </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> das Feras, o que é um ponto alto no filme. Pode-se perceber o esforço dos artistas. Porém, depois de tantas </span><a href="https://pixelnerd.com.br/filmes-de-animacao-mais-esperados-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">animações</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">preenchendo nossas vidas, em especial as em </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;">, é difícil não pensar que há a tentativa de se equiparar a estas: não apenas há pontos em comum na estética, mas na narrativa, no desfecho e na complexidade das personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que hajam pontos que os distanciam, como a abordagem a certos preconceitos, coisa que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> não faz com frequência, há muito em comum. Mas as perguntas certas são: ela consegue nos transportar para aquele universo? E, se tem uma mensagem, ela é acessível à plateia? Nesse caso, sim. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fera do Mar</span></i><span style="font-weight: 400;"> cria com sucesso seu próprio universo. Suas </span><a href="https://revistacenarium.com.br/a-fera-do-mar-tem-como-protagonista-garota-preta-que-vira-heroina-ao-desafiar-ciclo-de-agressoes/"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> reforçam os pensamentos de lá e tornam críveis a problemática a ser resolvida. A mensagem também é bem captada, mas o desfecho é genérico e pode entediar alguns espectadores. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30104" aria-describedby="caption-attachment-30104" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/a-mae.jpeg" alt="" width="720" height="475" /><figcaption id="caption-attachment-30104" class="wp-caption-text">A Mãe passou por festivais internacionais, estreou no Brasil no Festival de Gramado e foi exibido na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Mãe</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força da </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><span style="font-weight: 400;">figura materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> é inspiradora. De histórias que as enaltecem a outras que tomam a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> como causalidade dos por quês de uma vida, as </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-atriz-maes-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">mães da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da realidade movem produções. Batizado em homenagem à sua figura central, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traça o dia a dia de Maria (Marcélia Cartaxo) depois do desaparecimento do filho, Valdo (Dunstin Farias). O desespero e a tormenta da mãe das telas se estende para o espectador: a trama é angustiante no que os principais suspeitos pelo sumiço do jovem são os policiais locais &#8211; ainda mais atormentador é saber que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não anda longe da ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Maria, Cartaxo entrega uma performance excruciante. Ela bate de porta em porta e roda as secretarias de desaparecidos e delegacias </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/05/13/surgido-da-dor-maes-de-maio-se-tornam-referencia-no-combate-a-violencia-do-estado/"><span style="font-weight: 400;">em busca do filho</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem sucesso. Moradora do bairro Jardim Romano, periferia de São Paulo, a presença opressiva da polícia torna os dias de ausência de Valdo um motivo de angústia ainda maior: a quem a Mãe recorre é justamente o responsável pelo </span><a href="https://ponte.org/cristiano-burlan-uma-mae-que-perde-o-filho-deve-ter-direito-ao-enterro-e-ao-luto/"><span style="font-weight: 400;">sumiço</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filho. Não há esperança para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WZRMi30Q5G8"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30124" aria-describedby="caption-attachment-30124" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30124 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/quietgirl3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30124" class="wp-caption-text">Infância, família e descobertas dolorosas: essa é a trama retratada em A Menina Silenciosa (Foto: Inscéal)</figcaption></figure>
<p><b>A Menina Silenciosa  (The Quiet Girl)</b></p>
<p><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/83302/2-filhos-de-francisco-2005-83302/"><span style="font-weight: 400;">Sair da casa dos pais </span></a><span style="font-weight: 400;">nunca é uma tarefa fácil, quem dirá para uma garota introvertida de nove anos de idade. Este é o drama retratado em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">longa irlandês dirigido por Colm Bairéad que aborda a vida de Cait, uma criança extremamente observadora, inteligente e carente psicologicamente. A vida da personagem é intensa sob todos os aspectos, sobretudo, no momento em que é transferida para a casa de familiares que possuem melhores condições de renda. Escolhida para ser a protagonista do filme, a jovem atriz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1yp1tR1rLd4"><span style="font-weight: 400;">Catherine Clinch</span></a><span style="font-weight: 400;">, de apenas 12 anos, demonstra um desempenho surpreendente neste que é seu primeiro trabalho no Cinema.</span></p>
<p><a href="https://javiu.blog/2022/10/10/283-2022-a-menina-silenciosa/"><span style="font-weight: 400;">Uma narrativa que explora</span></a><span style="font-weight: 400;"> o início dos anos 1980, costumes conservadores e particularidades um tanto quanto tenebrosas da época são reveladas neste filme, que concorre ao prêmio de Melhor Filme Internacional no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa é a primeira vez que um longa-metragem de língua irlandesa foi prestigiado no </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/a-menina-silenciosa/curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo vencedor do Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Geração Kplus. </span><b>&#8211; Gabriel Gomes Santana</b></p>
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<figure id="attachment_29966" aria-describedby="caption-attachment-29966" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei.jpg" alt="Cena do filme A Mulher Rei (2022), Nanisca (Viola Davis), vestida com um top e uma saia em tons de verde, sai com seu grupo de guerreiras de um matagal. Estão todas armadas de facões e adornadas com colares e braceletes típicos" width="2000" height="1303" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei-800x521.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei-1024x667.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei-768x500.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei-1536x1001.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-A-Mulher-Rei-1200x782.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29966" class="wp-caption-text">Viola Davis traz toda sua força em um filme de ação épico (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>A Mulher Rei (The Woman King)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher Rei</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos mais poderosos reinos africanos, </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=54322"><span style="font-weight: 400;">Daomé</span></a><span style="font-weight: 400;">, possuía um destacamento militar inteiramente feminino &#8211; as poderosas</span> <a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12098/a-mulher-rei-a-verdadeira-historia-das-guerreiras-agojie-que-inspiraram-a-ficcao#:~:text=As%20Agojie%20eram%20uma%20for%C3%A7a,bravura%20e%20agilidade%20nas%20lutas"><i><span style="font-weight: 400;">Agojie</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">lideradas pela lendária general Nanisca, interpretada por ninguém menos que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">multi-premiada</span></a><span style="font-weight: 400;"> Viola Davis. As guerreiras enfrentam uma guerra com o reino vizinho, o Império de Oyó, motivadas em acabar com o tráfico de pessoas escravizadas, financiado pelos países europeus. Cabe à general treinar as novas recrutas para garantir a independência da nação.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher Rei </span></i><span style="font-weight: 400;">é um super épico! Dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-old-guard-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gina Prince-Bythewood</span></a><span style="font-weight: 400;"> e protagonizado quase exclusivamente por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yy0RqGK9B0c"><span style="font-weight: 400;">mulheres negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que infelizmente ainda não é comum nos filmes de ação, o filme entrega combates e lutas eletrizantes e uma carga emocional arrebatadora. O longa não só nos prende como nos faz desejar por muito mais a cada minuto. Tudo isso, com um comentário político discreto, porém importante, que nos leva à reflexão sobre o imperialismo.  &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29919" aria-describedby="caption-attachment-29919" style="width: 820px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29919" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gangubai.jpg" alt="Cena do filme a voz do empoderamento, na imagem Gangubai olha diretamente para sua frente. Gangubai tem a pele branca, seus cabelos estão presos despretensiosamente e são ondulados de tons castanho escuro, veste uma blusa rosa clara, sári branco com flores, piercing no nariz e bindi vermelho em sua testa. Ao fundo, meninas indianas com cabelos trançados e laços vermelhos na ponta, camiseta branca e vestido cinza por cima." width="820" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gangubai.jpg 820w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gangubai-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gangubai-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29919" class="wp-caption-text">A atuação de Alia Bhatt, a fotografia e beleza da história de Gangubai encanta o público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>A Voz do Empoderamento</b> <b>(Gangubai Kathiawadi)</b></p>
<p><a href="https://cm-ob.pt/is-gangubai-kathiawadi-based-true-story-113244"><i><span style="font-weight: 400;">Gangubai Kathiawadi</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é um daqueles filmes que arrecadou milhões em bilheterias ou que ficou conhecido mundialmente, mas essa produção indiana não precisa disso para provar seu valor. Baseada na história da protagonista homônima, a narrativa apresenta Gangubai (Alia Bhatt), uma mulher que, em sua juventude, foi enganada e vendida para ser prostituta. Mas a vida de Gangu não se limita a seu sofrimento. Contrariando todas as expectativas, ela se mostra forte e destemida, garantindo que nenhuma outra injustiça a aflija.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Sudeep Chatterjee é digna do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> e<span style="font-weight: 400;"> as cenas em que Kamli (Indira Tiwari) morre, o casamento e</span> <span style="font-weight: 400;">o desfile final chegam próximas da perfeição. Sanjay Leela Bhansali dirige a obra com maestria e fluidez, dando a dose exata de sentimentalismo e realidade nos momentos devidos, além da implementação das</span><a href="https://youtu.be/Jh_VKJAEnUY"><span style="font-weight: 400;"> canções e cenas de dança</span></a><span style="font-weight: 400;">, com coreografias elaboradas e figurinos impecáveis. A cereja do bolo é atuação de Alia Bhatt, que faz você se apaixonar por cada respirar de Gangubai. </span><b>&#8211; Thuani Barbosa</b></p>
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<figure id="attachment_29759" aria-describedby="caption-attachment-29759" style="width: 1581px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2.png" alt="Cena do filme Abracadabra 2. Imagem horizontalmente retangular. Ao fundo, vemos uma pintura representando um cemitério, feita principalmente em tons de azul, roxo e verde. À frente, vemos, da esquerda para a direita, as personagens Mary Sanderson, Winifred Sanderson e Sarah Sanderson. O trio está virado para o lado esquerdo da imagem e bate palmas com os braços para cima. As personagens usam vestidos que remetem ao século dezessete. Mary tem cabelo preto, Winifred tem cabelo ruivo e Sarah tem cabelo loiro. " width="1581" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2.png 1581w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Abracadabra-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29759" class="wp-caption-text">Segundo o Disney+, Abracadabra 2 foi a maior estreia de um filme na plataforma (Foto: Matt Kennedy)</figcaption></figure>
<p><b>Abracadabra 2 (Hocus Pocus 2)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">De um jeito ou de outro, nós vamos te encontrar/Nós vamos te pegar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Interpretando com muito brilho o </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VzzcraqQIgc"><i><span style="font-weight: 400;">One Way or Another</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da banda norte-americana Blondie, as Irmãs Sanderson mostraram ter mais poder do que nunca no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/abracadabra-2-estreia-mais-vista"><span style="font-weight: 400;">retorno triunfante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra</span></i><span style="font-weight: 400;"> às telinhas mundiais. Agora protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, Winifred, Mary e Sarah se aventuram em uma espécie de filme-nostalgia, cujo objetivo principal é alegrar os fãs que sempre sonharam com uma continuação do longa de 1993.       </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem buscar e &#8211; talvez, por isso mesmo &#8211; sem conseguir superar a obra original, </span><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> diverte o público ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6k6vb4smVSA"><span style="font-weight: 400;">reunir inúmeras referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao filme de Kenny Ortega, mesmo que isso dê origem a uma continuação beirando a superficialidade. A verdade é que assistir a </span><a href="https://disney.com.br/novidades/como-se-chamam-as-irmas-bruxas-de-abracadabra#:~:text=As%20tr%C3%AAs%20bruxas%20de%20Abracadabra%20atendem%20pelos%20nomes%20de%20Winifred,conhecidas%20como%20as%20Irm%C3%A3s%20Sanderson."><span style="font-weight: 400;">Bette Midler, Kathy Najimy e Sarah Jessica Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> revivendo um dos trios de bruxas mais queridos de todos os tempos faz qualquer um vibrar. E é esse constante movimento de resgate, presente nos mínimos detalhes do longa de 2022, que faz com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja uma excelente escolha para quem quer um entretenimento leve e nostálgico. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_29970" aria-describedby="caption-attachment-29970" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29970" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/aftersun-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29970" class="wp-caption-text">Com Paul Mescal indicado ao Oscar de Melhor Ator, Aftersun venceu o British Independent Film Award, o BAFTA e o DGA de Melhor Direção Estreante; e levou o Troféu Bandeira Paulista de Melhor Filme na 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Aftersun</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é difícil perceber que, no cenário audiovisual contemporâneo, as composições foram dominadas pela reprodução de um passado nostálgico. Nessa situação, existem méritos e riscos, como tudo que envolve alguma contemplação estética. </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, fica distante o suficiente dos moldes amplamente vendidos pela indústria, podendo ser caracterizado no melhor “Cinema de estilo”, cuja marca é uma característica lentidão. Sem pressa, a diretora </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">Charlotte Wells</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se rende às formas básicas que a nostalgia pode oferecer, e cria um trabalho seguro, profundo e emocionalmente fascinante, marcado pelas grandes atuações de Paul Mescal e Frank Corio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem se restringir a trama e expandindo as compreensões do filme aos seus sentidos fora do roteiro, o longa-metragem de estreia da escocesa é um clássico instantâneo. Wells sabe exatamente o que está fazendo e, nesse </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/01/novelao-os-fabelmans-e-poetico-aftersun-abordam-relacao-pais-filhos.shtml"><span style="font-weight: 400;">trabalho com raízes pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> mistura contextos de fragmentação das personagens às sequências “tradicionais” das cenas. A relação de Sophie (Corio) com seu pai, Calum (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/paul-mescal-e-colin-farrell-estao-entre-indicados-pela-primeira-vez-ao-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) – ambos em viagem de férias pela Turquia –, ganha contornos quase investigativos, quando, a certa altura, percebemos que toda a trama é vista por uma Sophie já adulta, que rememora com certa lamentação a morte do pai; a viagem havia sido um dos últimos momentos juntos. O trabalho se reveste ainda mais de metalinguagem quando lembramos que a “verdadeira” Sophie é quem dirige o longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece um </span><a href="https://personaunesp.com.br/licorice-pizza-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o tradicional perigo do amadurecimento. Contudo, através das lentas transições, percebemos que Calum, tanto quanto Sophie, é protagonista da história. Ele é um pai jovem (a mãe, embora não apareça, faz uma ligação em certa altura do filme, evidenciando sua voz igualmente jovem), que se divide entre transmitir as melhores sensações à filha e lutar contra os seus próprios demônios. Enquanto Sophie encara a chegada da adolescência (ela parece ansiar por um envelhecimento acelerado), Calum lida com a solidão da vida adulta. Em algum lugar, em meio a uma tensão que parece fugir da resolução, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consolida na percepção de que, enquanto tentavam dar sentido a uma nova vida sob seus cuidados, pais e mães também estavam, eles próprios, amadurecendo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29868" aria-describedby="caption-attachment-29868" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/animais-fantasticos.jpg" alt="Cena do filme Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore apresenta a atriz Maria Fernando Cândido em plano central da imagem, uma mulher branca, de cabelos castanhos preso, com expressões severas, usando um vestido laranja e apontando a varinha, que emite uma luz branca, em direção a câmera. O funco da foto apresenta um paredão de pedra." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-29868" class="wp-caption-text">Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore não revela grandes mistérios, mas serve como entretenimento (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore (Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do mundo bruxo não acabou com o Harry destruindo as Relíquias da Morte e muito menos começou com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">bruxinho recebendo sua carta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para estudar em Hogwarts. Esses eventos vêm sendo apresentados pouco a pouco em </span><i><span style="font-weight: 400;">Animais Fantástico</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, após uma longa espera de quatro anos, retornou para revelar </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Segredos de Dumbledore</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na verdade, a homossexualidade do diretor da escola de maágia já não era mistério para senhum fã da série, porém essa foi a primeira vez em que a temática foi abordada abertamente na história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, Newt Scamander (Eddie Redmayne), autor do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Animais Fantásticos e Onde Habitam</span></i><span style="font-weight: 400;"> que deu o pontapé inicial no primeiro filme, ocupa o lugar de coadjuvante, para Dumbledore (Jude Law) e Grindelwald (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/filmes/critica/animais-fantasticos-3-saida-de-johnny-depp-salvou-a-franquia.htm"><span style="font-weight: 400;">Mads Mikkelsen</span></a><span style="font-weight: 400;">) desenvolverem sua relação de amor e ódio, centrada na Alemanha e no Butão. Ainda assim, sobrou espaço para a renomada atriz Maria Fernando Cândido fazer papel de figurante como Vicência Souza. </span><b>&#8211;</b> <b>Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_29971" aria-describedby="caption-attachment-29971" style="width: 2016px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29971" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_.jpg" alt="Imagem retangular horizontal do filme Argentina, 1985. A imagem mostra um grupo de pessoas posicionado ao redor de uma mesa em um escritório. São onze pessoas, todas latinas, quatro delas são mulheres, apenas três são mais velhos." width="2016" height="1344" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_.jpg 2016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/MV5BMzZkM2Y1ZjQtZjBmZi00ZTA2LTlmZDYtMDJhN2M5MjhlYTQzXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxOTAyNA@@._V1_-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29971" class="wp-caption-text">A equipe de defensoria pública que auxiliou o promotor Strassera tinha jovens advogados, um professor universitário de família militar e um dramaturgo (Foto: Amazon Prime)</figcaption></figure>
<p><b>Argentina, 1985</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nenhum país ousou levar ditadores à justiça</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou nenhum país ousou processar seus militares por seus crimes? Até que o promotor Julio Strassera (Ricardo Darín) e seu vice Moreno Ocampo (Peter Lanzani) o fazem, mas a justiça é amarga. </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compartilha friamente como a ditadura militar argentina, vigente de 1976 a 1983, foi uma das mais violentas na história. É pelos relatos das vítimas ou de parentes das que seguem desaparecidas, feitos durante o julgamento do alto escalão militar, que conhecemos a verdade sangrenta. E com um nó na garganta, ouvimos a súplica de Strassera: </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero utilizar uma frase que não me pertence, porque pertence a todo o povo argentino. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i18FQPnsyPc"><i><span style="font-weight: 400;">Senhores juízes, nunca mais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra do diretor Santiago Mitre, que também escreveu o longa ao lado de Mariano Llinás, é dura, sem inovar em seu formato. Mas isso é essencial: manter </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/argentina-1985-um-filme-maravilhoso/"><span style="font-weight: 400;">elementos tradicionais do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e permitir sua flutuação entre drama e fato documentado foi o que assegurou uma ótima condução da narrativa. Com o Globo de Ouro e o Prêmio da Crítica do Festival de Veneza em mãos, resta a torcida para que a dolorosa história de nossos companheiros latinos seja, de fato, enxergada mundo afora e merecidamente </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/argentina-1985-%C3%A9-indicado-ao-oscar-2023-de-melhor-filme-internacional-1.976838"><span style="font-weight: 400;">agraciada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional neste ano. &#8211; </span><b>Nathália Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_29973" aria-describedby="caption-attachment-29973" style="width: 1009px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/as-linhas.webp" alt="Close de cena do filme As Linhas Tortas de Deus. Uma mulher loira olha para o horizonte, seu corpo parcialmente virado para o observador. Atrás dela, uma parede com fotos de jornal e linhas vermelhas conectando diferentes pontos das fotos.]" width="1009" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/as-linhas.webp 1009w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/as-linhas-800x535.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/as-linhas-768x514.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29973" class="wp-caption-text">As Linhas Tortas de Deus foi inspirado no livro que carrega nuances filosóficas e espirituais sobre as pessoas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>As Linhas Tortas de Deus (Los Renglones Torcidos de Dios)</b></p>
<p><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/a-tragica-historia-real-por-tras-de-as-linhas-tortas-de-deus"><i><span style="font-weight: 400;">As Linhas Tortas de Deus</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um filme que promete e engana, mas surpreende. O mistério, que se passa na década de 1960, tenta se equiparar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;"> não consegue, apesar de criar uma identidade própria. A narrativa começa muito clara: uma detetive se infiltra numa instituição mental para descobrir o caso de um possível homicídio tido como suicídio. Ela é deixada na instituição pelo homem interessado no desenrolar do caso, o suposto pai da vítima. A personagem parece sã durante boa parte da história, o que nos intriga são as possibilidades: ela estaria louca ou não?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme nos engana diversas vezes, sendo um bom divertimento para o raciocínio. A audiência banca o próprio papel de </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/filmes-para-quem-gosta-de-misterios-154639/"><span style="font-weight: 400;">detetive</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante o longa. Quais as pontas soltas que a detetive não percebe e deixam espaço para sua possível loucura? O que reafirma que ela não está louca? Foi mesmo um suicídio? Quem realmente é o pai da vítima? São todas indagações pertinentes. Alguns vão adorar, outros vão se decepcionar. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini </b></p>
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<figure id="attachment_29784" aria-describedby="caption-attachment-29784" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1.png" alt="Cena do filme Assassino Sem Rastro, Alex, (Liam Neeson), homem branco de cabelos grisalhos, veste um casaco marrom claro e um relógio preto, aponta uma pistola com um silenciador na ponta" width="1000" height="668" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29784" class="wp-caption-text">Liam John Neeson fez 70 anos em 2022 (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Assassino Sem Rastro (Memory)</strong></p>
<p><a href="https://gshow.globo.com/podcast/cena-aberta/noticia/typecasting-no-cinema-e-na-tv-relembre-artistas-que-ficaram-marcados-por-determinados-tipos-de-personagens.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Typecasting</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i><span style="font-weight: 400;">é o nome que se dá a atores que se vêem muito relacionados a um tipo específico de papel, para um tipo específico de filme. Para alguns, isso pode soar repetitivo e maçante, mas Liam Neeson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Busca Implacável</span></i><span style="font-weight: 400;">) cabe como uma luva no papel do assassino Alex Lewis, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino Sem Rastro</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na história, o personagem, prestes a se aposentar, recusa um último trabalho: assassinar uma garota que serviria de testemunha em um caso de exploração infantil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Martin Campbell (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Estrangeiro</span></i><span style="font-weight: 400;">) também trabalha muito bem no tipo de trama em que está acostumado a dirigir &#8211; mistérios envolventes, conspirações envolvendo milionários, políticos e autoridades policiais. O longa ainda dá espaço a discussões sobre o fim da vida, a moralidade policial e o fato de Alex sofrer de um  </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doenca-de-alzheimer/"><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a><span style="font-weight: 400;"> progressivo torna tudo mais intrigante. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29756" aria-describedby="caption-attachment-29756" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão sentados nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ate-os-ossos-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29756" class="wp-caption-text">Aclamado pelo Festival de Veneza, Até os Ossos presenteia a plateia com enquadramentos angustiantes e frágeis sobre o amadurecimento (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><b>Até os Ossos (Bones and All)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é novidade o sucesso de Luca Guadagnino em relatar histórias sobre a juventude e todas as indagações que esse período proporciona. Guadagnino é um exemplo de diretor que dispõe desse olhar poético sobre o amadurecimento, de forma que todas as comoções direcionadas aos personagens também são conduzidas ao público &#8211; como apresentado no filme </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Call Me By Your Name</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017) e no seriado</span> <a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020). Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta retorna com essa característica marcante de suas obras, e a renova com um toque de terror e visceralidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ser abandonada pelo pai, Maren Yearly (Taylor Russell) perpassa por um vagaroso trajeto de encontros e desencontros em busca de pertencimento e de compreensão sobre sua própria identidade. Em meio a essa agitação, conhece Lee (Timothée Chalamet), jovem também deixado à margem pela sociedade e que guarda da mesma condição conflituosa de Maren, o incessante desejo de provar carne humana. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><span style="font-weight: 400;">adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do romance de Camille DeAngelis é exorbitante e bem aventurada pelo diretor, que opera o longa-metragem através do clássico gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na vertente, o excurso dos personagens em encontrar conforto na normalidade em meio às suas circunstâncias, reverbera-se para uma linda e trágica história de amor. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
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<figure id="attachment_29864" aria-describedby="caption-attachment-29864" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2.png" alt="Cena do filme Aterrorizante 2 que mostra o personagem Art, um palhaço de rosto branco, boca, sobrancelha e olhos desenhados com maquiagem preta, e boca sangrenta, que veste uma roupa preta e branca, um pequeno chapéu preto e luvas brancas. Ele sorri e está apoiado sobre o batente da janela de um trailer." width="1280" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/terrifier-2-1200x750.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29864" class="wp-caption-text">O palhaço macabro interpretado por David Howard Thornton é o primeiro papel do ator no Cinema; ele que se inspirou em seus trabalhos anteriores como mímico (Foto: Dark Age Cinema)</figcaption></figure>
<p><strong>Aterrorizante 2 (Terrifier 2)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência do </span><a href="https://www.themoviebuff.net/2022/10/review-terrifier-the-cult-horror-from-damien-leone-is-a-desperate-grab-at-torture-cinema-not-really-worth-the-effort/"><span style="font-weight: 400;">experimental</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Aterrorizante </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), tão aguardada pelos fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">slashers </span></i><span style="font-weight: 400;">de baixo orçamento, marca o retorno do maníaco Art, o palhaço assassino. O filme de Damien Leone, que custou pouco mais do que 250 mil dólares, rompeu as barreiras do nicho e foi um grande </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/terrifier-2-filme-de-terror-esta-fazendo-gente-passar-mal-no-cinema-por-que-227951/"><span style="font-weight: 400;">sucesso de bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;">, majoritariamente graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">orgânico de relatos de pessoas desavisadas vomitando, abandonando as salas de cinema e até desmaiando durante as sessões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espetáculo da atuação de David Howard Thornton, que interpreta Art, o palhaço, junto dos magníficos efeitos práticos são os grandes destaques no turbilhão de longas cenas sádicas, chocantes e apelativas de </span><a href="https://rotacult.com.br/2022/12/terrifier-2-do-gore-ao-trash-retorna-com-violencia-extrema-e-muito-sangue/"><span style="font-weight: 400;">violência extrema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e gratuita. Apesar de marcar um grande avanço em relação ao seu antecessor, o roteiro, novamente idealizado e escrito por Damien Leone, ainda se perde em pontas soltas: a falta de consistência na</span><i><span style="font-weight: 400;"> lore </span></i><span style="font-weight: 400;">e a </span><a href="http://sentaai.com/gritos-no-escuro-a-figura-feminina-e-o-cinema-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">misoginia</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente na obra deixam um gosto agridoce durante a diversão macabra. A duração exagerada do longa, que possui 138 minutos, também não ajuda na experiência do espectador, visto que o filme se perde em um limbo de cenas repetitivas, maçantes e sem função clara. </span><b>&#8211; Bruno Alvarenga</b></p>
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<figure id="attachment_29870" aria-describedby="caption-attachment-29870" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Avatar. Na imagem, aparecem dois habitantes de Pandora, planeta pertencente ao universo de Avatar. Neytiri e Jake Sully, dois Na'Vi, estão de pé observando o oceano de Pandora, local de águas cristalinas, rodeado de uma vegetação bastante verde e algumas poucas flores. Existem vários rochedos espelhados pela área." width="2560" height="1277" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-1024x511.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-1536x766.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-2048x1022.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/avatar-2-1200x599.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29870" class="wp-caption-text">Na nova sequência de Avatar, James Cameron comprova que seu domínio técnico ainda não atingiu um limite máximo: mergulhamos ainda mais no universo 3D (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Avatar: O Caminho da Água (Avatar The Way of Water)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se tornar a maior </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/10-maiores-bilheterias-globais-da-historia#23"><span style="font-weight: 400;">bilheteria do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://br.ign.com/avatar-2/98339/feature/como-avatar-revolucionou-o-cinema-para-o-bem-e-para-o-mal"><span style="font-weight: 400;">revolucionar a história do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar </span></i><span style="font-weight: 400;">criou ao redor de si um imaginário exigente e com grande expectativa pela sequência. 13 anos depois, James Cameron retornou a primeira (de quatro) sequências planejadas para as histórias de Pandora. O deslumbre visual que se pode ter com o filme é inenarrável: elevando o nível de perfeição técnica do projeto, após desbravar as florestas e animais do universo criado, Cameron mergulha no universo marítimo com filmagens que utilizavam atores reais que </span><a href="https://olhardigital.com.br/2022/10/27/cinema-e-streaming/avatar-2-elenco-ficou-ate-sete-minutos-sem-respirar-embaixo-dagua/"><span style="font-weight: 400;">permaneciam nas águas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por tempo suficiente para a gravação se tornar fluida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova sequência, </span><span style="font-weight: 400;">muitos anos se passaram desde que Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoë Saldaña) derrotaram as forças do Povo do Céu (Terra) e expulsaram os colonizadores de Pandora. O casal, vivendo em paz com seus quatro filhos no clã Omatakayas, só não aguardava uma segunda invasão, de poder bélico muito maior que a original, botando em risco a vida dos Na’vi. Com tamanha ameaça, eles decidem ir pedir abrigo aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VD10XpTicAo"><span style="font-weight: 400;">Metkayina</span></a><span style="font-weight: 400;">, um clã aquático dos oceanos de Pandora. Com três horas de duração, a história é uma experiência visual, de encher os olhos com tamanho detalhismo e mágica presente no universo. O roteiro (feito por James Cameron em parceria com Rick Jaffa e Amanda Silver), no entanto, fica para trás, raso, não indo muito além do que já fora tratado no primeiro filme da franquia. </span><span style="font-weight: 400;"> </span><b>&#8211; Aryadne Xavier</b></p>
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<figure id="attachment_29915" aria-describedby="caption-attachment-29915" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Babylon-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29915" class="wp-caption-text">Margot Robbie brilha em Babilônia como Nellie LaRoy, uma personificação de Hollywood em seus lados mais belos e obscuros (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Babilônia (Babylon)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 76 anos, Steven Spielberg (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">E.T.: O Extraterrestre</span></i><span style="font-weight: 400;">) lançou em 2022 uma carta de amor ao Cinema com o seu autobiográfico e belíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos 38, Damien Chazelle também lançou no mesmo ano a sua carta de amor, só que um pouco mais cínica e pessimista com </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que divide opiniões hoje, mas será redescoberto no futuro pela maneira como faz do Cinema seu motor principal e <em>Hollywood</em>, sua protagonista. Ambos são próximos, mas ao mesmo tempo completamente diferentes um do outro.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Sétima Arte</span> <span style="font-weight: 400;">é fruto da colaboração intensa de diferentes pessoas, enquanto Hollywood é um lugar que explora as camadas mais vulneráveis dos colaboradores, como o imigrante mexicano Manny (Diego Calva, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/narcos-mexico-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Narcos: México</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a dançarina amarela Lady Fai Zhu (Li Jun Li, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quantico</span></i><span style="font-weight: 400;">) e o músico negro Sidney Palmer (Jovan Adepo, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Limite Entre Nós</span></i><span style="font-weight: 400;">). As custas dessas pessoas, a indústria cultua a excelência individual, vide o </span><i><span style="font-weight: 400;">star power </span></i><span style="font-weight: 400;">do Jack Conrad de Brad Pitt (</span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez em Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e a Nellie LaRoy de Margot Robbie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fazer cinematográfico, existe a beleza das imagens capturadas pela cinematografia efervescente de Linus Sandgren (</span><a href="https://personaunesp.com.br/007-sem-tempo-para-morrer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">007: Sem Tempo para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">); mas também o caos, a sujeira e o hedonismo da máquina </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem representados na intensa e energética festa que abre o longa, ao som da trilha sonora magistral de Justin Hurwitz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-primeiro-homem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Primeiro Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O Cinema avança, enquanto a fábrica de sonhos decai, juntamente com suas principais figuras. Quando chegamos aos minutos finais, nos quais somos confrontados com a justaposição desses dois caminhos, só nos resta levantar e aplaudir Chazelle por nos ter entregue mais um grande trabalho, depois de uma filmografia de futuros clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. <strong>&#8211; </strong></span><b>Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_29751" aria-describedby="caption-attachment-29751" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman.png" alt="Cena do filme Batman. A foto é retangular. A imagem mostra o protagonista, Batman, do peito para cima. Ele está no canto direito e de meio-perfil, com o corpo também voltado para o lado direito. Ele usa um traje preto que consiste em uma armadura emborrachada com um símbolo de morcego no peito, uma capa preta e uma máscara com orelhas pontudas no topo da cabeça, que cobre parcialmente seu rosto deixando a mostra apenas seus olhos e a região do maxilar e boca. Batman é interpretado por Robert Pattinson, um homem branco, alto, com traços do rosto marcantes e angulados. A imagem está escurecida, o personagem está em uma sala fechada e, ao fundo, é possível ver uma parede com colagens de jornal e “LIES” (mentiras, em inglês) escrito em vermelho sobre os recortes." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-batman-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29751" class="wp-caption-text">As representações notáveis de Pattinson e de Zoë Kravitz como Mulher-Gato evidenciam a escolha certeira de elenco de Cindy Tolan para Batman (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Batman</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Dois anos na noite o transformaram num animal noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Revelando-se das sombras, um dos heróis mais queridos e famosos já criados ganhou sua mais nova versão para os cinemas logo no começo de 2022. Sob muitas expectativas, o diretor Matt Reeves reinventou o vigilante da </span><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/james-gun-futuro-dc"><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos longa-metragens, baseando-se em </span><a href="https://www.omelete.com.br/batman/15-easter-eggs-matt-reeves"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> excelentes das HQs, como a clássica </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman: O Longo Dia das Bruxas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman: Ano Um</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um bom e interessante roteiro, também de Reeves, junto de Peter Graig, somado à atuação do talentoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o resultado são quase três horas de uma narrativa investigativa que, sem abandonar a ação, explora uma faceta extremamente sombria de um herói em ascensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os aspectos técnicos – desde os cenários chuvosos, apáticos e cinzentos de Lee Sandales, até a impecável fotografia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greig Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> – conversam com esta abordagem obscura do Batman e de Gotham. Ao vestir seu traje de morcego, Bruce Wayne revela sua real essência. Ele é temido, fechado, frio e imponente. Mas ainda é extremamente cativante e hipnotizante vê-lo agir como um detetive, enquanto, simultaneamente, descobre como é capaz de atrair e instigar vilões únicos. Um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">visual, </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi indicado a categorias como Melhores Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem e Penteados no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023. Já no </span><i><span style="font-weight: 400;">British Academy Film Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">), o longa concorre a </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção,</span> <span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Cinematografia e</span> <span style="font-weight: 400;">Melhores Efeitos Visuais. </span><b>&#8211; Mariana Nicastro</b></p>
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<figure id="attachment_29978" aria-describedby="caption-attachment-29978" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABWPYx5uWf5i8_vbRV2dx5B1Ly_4TFxPyu1uOomtGqBYeOLd6b1avgzfBtQqVucsjbGwsIyRUT51G5ggj8yp0spTGkiVowdl1QvbD.jpg" alt="Cena de divulgação do filme Bigbug. Sete humanos, um humanoide e três andróides com roupas de diferentes cores, porém todas em tons vivos, estão presos numa cúpula sob uma mesa de madeira. Olhos azuis sinistros os observam do lado de fora.]" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABWPYx5uWf5i8_vbRV2dx5B1Ly_4TFxPyu1uOomtGqBYeOLd6b1avgzfBtQqVucsjbGwsIyRUT51G5ggj8yp0spTGkiVowdl1QvbD.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABWPYx5uWf5i8_vbRV2dx5B1Ly_4TFxPyu1uOomtGqBYeOLd6b1avgzfBtQqVucsjbGwsIyRUT51G5ggj8yp0spTGkiVowdl1QvbD-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABWPYx5uWf5i8_vbRV2dx5B1Ly_4TFxPyu1uOomtGqBYeOLd6b1avgzfBtQqVucsjbGwsIyRUT51G5ggj8yp0spTGkiVowdl1QvbD-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29978" class="wp-caption-text">Jean-Pierre Jeunet também dirigiu longas como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, que mostra sua linguagem dramática única (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bigbug </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bigbug</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa despretensiosamente, mas seu desfecho surpreende pela atitude das personagens. O chamariz da comédia sombria é a identidade visual da obra, assim como o tom satírico e sombrio que consegue, apesar disso, ser adotado de forma leve e cômica pelo diretor </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-2123/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Pierre Jeunet</span></a><span style="font-weight: 400;">. A narrativa segue pessoas em uma quarentena forçada, que encontram empecilhos durante seu período em </span><i><span style="font-weight: 400;">lockdown</span></i><span style="font-weight: 400;">. O grande diferencial, no entanto, é o cenário, por se passar em um futuro em que nossa dependência sob as máquinas é extrema e nossas casas são inteligentes, ditando a temperatura do ar-condicionado, a abertura de nossas cortinas e portas, e até quem entra e sai. A partir daí, é perceptível o flerte com o autoritarismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior feito da obra é nos dimensionar naquela realidade. Há um trabalho rico de efeitos visuais que nos transporta para dentro da atmosfera da obra. Contudo, além dos efeitos visuais, outra coisa que nos faz entrar naquela realidade é o comportamento e a cultura das personagens. Podemos traçar muitos paralelos com eles e nos identificar naquele universo, mas além disso, percebemos as diferenças, ou seja, os opostos ao nosso universo, bem como seus extremos. Seria esse extremismo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bigbug</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma possibilidade num futuro remoto? Não há dúvidas de que nossa </span><a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/619109-byung-chul-han-infocracia-e-a-caverna-digital"><span style="font-weight: 400;">Era Digital</span></a><span style="font-weight: 400;"> só dá cada vez mais força às máquinas, que, apesar de extremamente inteligentes, podem também ser estúpidas. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini </b></p>
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<figure id="attachment_29856" aria-describedby="caption-attachment-29856" style="width: 779px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-blonde-imagem-2.png" alt="Cena do filme Blonde. Na imagem, Ana de Armas, que interpreta Marilyn Monroe, é uma mulher branca e loira. Ela está dentro de um carro ao lado de Arthur Miller, interpretado por Adrien Brody, um homem branco mais velho que usa um terno e um óculos." width="779" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-blonde-imagem-2.png 779w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-blonde-imagem-2-768x417.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29856" class="wp-caption-text">Ana de Armas brilha em Blonde, apesar das polêmicas ao redor da produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Blonde</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há como mensurar o valor ícone de Marilyn Monroe, ainda mais representá-lo &#8211; mas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma boa tentativa. Embora a maior crítica ao filme seja o exacerbado sofrimento da loira, este é um de seus pontos altos, se deixarmos de lado seu caráter biográfico e tomarmos como uma ficção que trata dos desprazeres da fama e exposição. Isso fora a estupenda atuação de Ana de Armas, que interpreta com imensa minuciosidade a personalidade de Marilyn e não à toa foi indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no </span><a href="https://www.amazon.com.br/Blonde-Vol-Joyce-Carol-Oates/dp/6555110759"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome, escrito por Joyce Carol Oates, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve seu roteiro adaptado e dirigido pelo problemático </span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/-blonde-diretor-faz-declaracoes-machistas-sobre-marilyn-monroe/110610"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu comprometimento em fazer a loirinha sofrer é tanto que muitas vezes a produção tem tons de terror e suspense pelas longas quase três horas de duração. Porém, se prestarmos atenção na esplêndida fotografia de Chayse Irvin, o tempo passa rápido. –</span><b> Arthur Caires</b></p>
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<figure id="attachment_29849" aria-describedby="caption-attachment-29849" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/carvao-1.jpg" alt="Cena do filme Carvão. Na imagem está Irene, interpretada por Maeve Jinkings. Irene é uma mulher não branca de cabelos castanhos e cacheados, ela está com os cabelos presos sob um boné laranja e veste uma camiseta vermelha com detalhes brancos. Ela está segurando uma galinha para abate. Ao fundo há alguns entulhos, chão de terra e uma cerca de madeira." width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29849" class="wp-caption-text">Carvão foi um dos pré selecionados do Brasil para o Oscar 2023 e fez parte da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Carvão</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as faíscas brilhantes da indústria cinematográfica nacional, </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=carv%C3%A3o"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o tipo de narrativa que usa tons disruptivos para figurar a verdade sobre a sociedade brasileira. A produção, dirigida por Carolina Markowicz, nos leva para um núcleo familiar com uma vida atribulada e cheia de falso moralismo. Enquanto nos revela os lados sombrios dos personagens, o roteiro, também escrito pela diretora, desmonta as imagens do tradicionalismo. Sob o olhar dos protagonistas Irene (Maeve Jinkings), Jean (Jean Costa) e Jairo (Rômulo Braga), vemos como tudo tem um preço: a se cobrar ou a se pagar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as muitas camadas da </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/carvao"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, conseguimos captar os tons da hipocrisia e os modos como a infância e a velhice são tratadas culturalmente. As atitudes de Irene e Jairo com o pai dela e com o filho deles carregam ao fundo a ideia de enxergar o início e o fim da vida como pedaços sem autonomia. Mesmo abordando temáticas pesadas, a narrativa insere tons de comicidade e consegue equilibrar leveza e intensidade. Esses momentos se mostram principalmente com o traficante argentino Miguel (César Bordon) e com a sinceridade infantil de Jean. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A co-produção Brasil-Argentina ainda ganha pontos com a caracterização. Os cenários são impecáveis e conseguem transportar qualquer pessoa para as zonas menos urbanizadas do interior do país. Desde as relações entre os personagens, até os grãos de poeira captados pelas filmagens – dirigidas por </span><a href="https://www.pepemendes.com/portfolio/carvao-charcoal-teaser/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autêntico. Caminhando na corda bamba do caráter humano, o filme coloca a rede de proteção em chamas. &#8211; </span><b>Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_29738" aria-describedby="caption-attachment-29738" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth-.jpeg" alt="Cena do filme Cha Cha Real Smooth. Estão os atores Cooper Raiff e Dakota Johnson se olhando e sorrindo. Ambos estão de perfil e o enquadramento mostra apenas dos ombros para cima. Cooper Raiff é um jovem adulto branco de barba e cabelos castanhos, usa uma camisa branca e uma gravata preta. Dakota Johnson é uma mulher branca, possui cabelos com franja castanhos, que estão presos em um coque. Ela veste uma blusa branca com flores vermelhas desenhadas. Sua mão está apoiada no batente da porta do quarto que está entrando. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth-.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth--800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth--1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth--768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Cha-Cha-Real-Smooth--1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29738" class="wp-caption-text">Apesar da trama de Cha Cha Real Smooth apresentar questões delicadas, como aborto, adulterio e alcoolismo, a direção escolhe não se aprofundar nesses temas (Foto: Apple TV)</figcaption></figure>
<p><strong>Cha Cha Real Smooth</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantas comédias românticas dramáticas já produzidas,</span> <a href="https://youtu.be/xg17CQrmY8E"><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Real Smooth &#8211; O Próximo Passo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pode não se sobressair para a maioria. Contudo, para aqueles que se sentem perdidos nos seus vinte e poucos anos, o longa de Cooper Raiff chega como um ombro amigo. Protagonizado pelo diretor e produtor, o filme conta a busca de Andrew (Raiff) pelo amadurecimento e transmite uma veracidade que não se encontra em muitos dos </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of ages </span></i><span style="font-weight: 400;">atuais. Isso se deve a proximidade do autor com essa fase da vida. Com apenas 25 anos, Raiff consegue retratar, de forma sutil e ponderada, os dramas do jovem da geração Z, que ainda não sabe ao certo qual o seu lugar no mundo. Sem grandes reviravoltas, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple Originals</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna facilmente o </span><i><span style="font-weight: 400;">confort movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano, não apenas pela sua sensibilidade e sutileza na narrativa, mas pelo enorme carisma que todas as personagens esbanjam, sobretudo o próprio protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para acompanhar a simpática narrativa, há a presença de uma </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/trilha-sonora-24-musicas-do-filme-cha-cha-real-smooth/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> divertida, que permeia as festas de Bar Mitsvá as quais Andrew é animador. Estão presentes as faixas</span><i><span style="font-weight: 400;"> Funkytown</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Lipps Inc. e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Slide </span></i><span style="font-weight: 400;">de DJ Casper, que faz alusão ao título do longa. E é nesse ritmo embalado que corre a relação de Andrew com Domino (Dakota Johnson) e sua filha Lola (Vanessa Burghardt). Por meio dessa ligação com uma mulher mais velha e sua filha, no espectro autista, o jovem vai reconhecendo a necessidade de assumir mais responsabilidades que lhe cabem, e percebe que ser adulto não significa ter todas as respostas &#8211; muitas vezes, os mais velhos podem se encontrar mais perdidos do que ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o filme fez sua estreia no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/cha-cha-real-smooth-filme-estrelado-por-dakota-johnson-ganha-1-trailer-confira/"><span style="font-weight: 400;">Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, havia uma perspectiva de que o drama percorrese uma trajetória similar com a do vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021, </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Real Smooth</span></i><span style="font-weight: 400;"> acabou não saindo da lista de repescagem. Isso não é motivo para ficar de fora dos Melhores do Ano, pois é possível se conectar e se emocionar verdadeiramente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> da obra. A produção traz uma perspectiva interessante sobre a virada de chave que ocorre na juventude e mostra como o encadeamento de eventos mundanos auxiliam na descoberta do seu propósito. &#8211;</span><b> Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_29863" aria-describedby="caption-attachment-29863" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future.jpg" alt="Cena do filme Crimes do Futuro, que mostra o rosto do personagem Ear Man, um homem branco e careca, que possui um par de orelhas em sua testa. Seus olhos e boca estão sendo costurados com uma linha preta por uma mão branca." width="1265" height="697" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future-800x441.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future-1024x564.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future-768x423.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/crimes-of-the-future-1200x661.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29863" class="wp-caption-text">Em Crimes do Futuro, o corpo é a essência da existência humana e a tecnologia sempre foi uma extensão ultra-humana do ser (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Crimes do Futuro (Crimes Of The Future)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O marcante retorno de David Cronenberg ao terror, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crimes do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra  grotesca e visceral em que o erotismo clássico do diretor é retomado: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cirurgia é o novo sexo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ele clama. O terror corporal de ficção científica vai além da </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/05/david-cronenberg-interview-crimes-of-the-future-1234727369/"><span style="font-weight: 400;">intenção de chocar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aposta com sucesso em uma abordagem de utilizar o incômodo e o grotesco como base para discussões atuais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ambientação de natureza sintética, estranhamente familiar e sem vida, de um futuro distópico em que a humanidade já não sente dor traz uma reflexão perspicaz sobre a percepção da corporalidade e os limites da arte. Neste universo, Saul Tenser, interpretado por Viggo Mortensen, junto de sua parceira e admiradora Caprice, vivida por Léa Seydoux, realiza performances artísticas clandestinas extremas em que seus órgãos advindos de mutações são prazerosamente removidos em frente ao público extasiado. Outra personagem que merece destaque é a estranha Timlin, interpretada majestosamente por </span><a href="https://collider.com/kristen-stewarts-crimes-of-the-future-performance-weird-but-good/"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se vê dividida entre fascínio pela nova arte e seu trabalho burocrático para um misterioso setor secreto do governo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do incrível </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i> <a href="https://whynow.co.uk/read/behind-the-prosthetics-of-david-cronenbergs-crimes-of-the-future"><span style="font-weight: 400;">visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ambientação, além da temática provocativa e pertinente, o longa não se aprofunda suficientemente nessa fascinante realidade apresentada e deixa de lado o desenvolvimento de diversos aspectos da narrativa. Assim, após o final abrupto de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Crimes do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que permanece é a sensação de que a obra poderia ter se beneficiado de um tempo de execução mais longo. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
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<figure id="attachment_29754" aria-describedby="caption-attachment-29754" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave.jpg" alt="Cena do filme Decision to Leave. Da esquerda para a direita na imagem, os protagonistas Song Seo-rae e Jang Hae-joon se entreolham. A câmera captura ambos a partir da cintura. Ela é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ele é um homem coreano de cabelos e olhos escuros. Song veste um enorme casaco de inverno em um tom de marrom terroso. Jang veste um terno cinza sobre uma camiseta social branca e uma gravata listrada nas cores cinza e azul. Ao fundo, o cenário é o mar envolto por montanhas, iluminados pela luz de um dia nublado." width="1920" height="1279" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Decision-to-Leave-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29754" class="wp-caption-text">Park Chan-wook recebeu o prêmio de Melhor Diretor por Decision to Leave no <a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/">Festival de Cannes 2022</a> (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Decisão de Partir (Decision to leave)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estarrecedor, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b9j3ZFSkD3o"><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> empurrou da ponta de uma montanha os clichês de um mistério policial e arremessou ao mar a satisfação romântica. Acorrentado ao tema da obsessão, o diretor sul-coreano </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> repetiu o tipo de construção audiovisual que caracteriza a sua filmografia: a tentativa de solucionar um mistério movido por reviravoltas. Mas, dessa vez, ele se livrou do vermelho da violência e da liberdade da nudez para adotar a crueldade intrínseca do cotidiano que, incoerentemente, resulta em maior dor e sofrimento do que qualquer narrativa mirabolante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">No momento em que você disse que me ama, o seu amor está acabado. No momento em que o seu amor termina, o meu amor começa</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Opostos que se atraíram, os protagonistas Jang Hae-jun (Park Hae-il) e Song Seo-rae (Tang Wei) reproduziram em cena não somente o </span><a href="https://time.com/6221814/decision-to-leave-review/"><span style="font-weight: 400;">clima envolvente</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre personagens, como também a tensão histórica entre as suas nações, Coréia e China, fato que atravessou o roteiro de Park e Chung Seo-Kyung. A fotografia de Kim Ji-yong não destoou da composição e é tão genial quanto a escolha de simbolismos que transformaram </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um dos primores de 2022</span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29855" aria-describedby="caption-attachment-29855" style="width: 1567px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2.png" alt="Cena do filme Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Na imagem, vemos Elizabeth Olsen, que interpreta Wanda Maximoff. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos, utiliza uma camiseta branca e está com seu rosto manchado de sangue. À sua volta se encontra uma sala em destruição, com fumaça e fogo." width="1567" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2.png 1567w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2-800x436.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2-1024x558.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2-768x419.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2-1536x837.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-doutor-estranho-2-1200x654.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29855" class="wp-caption-text">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura poderia muito bem ter sido um filme da Feiticeira Escarlate (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Doctor Strange in the Multiverse of Madness)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas expectativas foram criadas com o anúncio e os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X23XCFgdh2M&amp;t=2s"><i><span style="font-weight: 400;">trailers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primeiro filme de terror da Marvel, três horas de duração, participações de personagens icônicos e muitas outras referências a filmes da franquia pautaram os rumores sobre a produção. Enquanto algumas se concretizaram, como a aparição dos Illuminati e do Professor Xavier, as outras foram deixadas de lado e decepcionaram o público. Porém, os 126 minutos de Elizabeth Olsen como Feiticeira Escarlate valeram a pena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção do arco da personagem desde</span> <a href="https://personaunesp.com.br/os-vingadores-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Era de Ultron</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> culmina em seu ápice em </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">Wanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdeu os pais, o irmão, o marido e os filhos, o que faz com que ela se torne difícil de antagonizar, já que há empatia pela sua dor. Apesar da resolução ao redor do controle dos poderes de América Chavez, interpretada por </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/conheca-xochitl-gomez-a-interprete-de-america-chavez-em-doutor-estranho-2/"><span style="font-weight: 400;">Xochitl Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;">, ser preguiçosa, ao menos nos leva para a tocante cena final de Wanda e seus filhos. Benedict Cumberbatch, como sempre, também entrega uma ótima performance de Stephen Strange, apesar de ter sido ofuscado pela presença da mãe sem filhos em seu próprio filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3DkjE1xYNAo"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é outro ponto alto da produção e que não a torna mais do mesmo. Suas marcas registradas e as diferentes perspectivas das cenas &#8211; como a primeira vez que Wanda assume o corpo de sua própria variante &#8211; tornam o longa com um enredo fraco em algo delicioso de assistir. Em um cenário mais amplo, apesar da produção não ter tido um comprometimento total com o gênero do terror, ainda é um sabor diferente para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. – </span><b>Arthur Caires</b></p>
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<figure id="attachment_29847" aria-describedby="caption-attachment-29847" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Eduardo-e-MonicA-1.jpg" alt="Cena do filme Eduardo e Mônica. Monica é uma mulher branca de cabelos castanhos longos, ela veste uma calça jeans azul, uma jaqueta de couro preta e um par de tênis surrado com tom amarronzado. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos cacheados, ele veste uma calça caramelo, uma camiseta cinza com detalhes em vermelho por baixo de uma camisa xadrez de cinza e azul e um all star preto. Os dois estão sentados lado a lado embaixo de uma árvore." width="1024" height="629" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Eduardo-e-MonicA-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Eduardo-e-MonicA-1-800x491.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Eduardo-e-MonicA-1-768x472.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29847" class="wp-caption-text">“Ela era de leão e ele tinha dezesseis” (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Eduardo e Mônica</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se todas as músicas de </span><a href="https://www.ebc.com.br/especiais/renato-russo#:~:text=Renato%20Manfredini%20Jr.,funcion%C3%A1rio%20do%20Banco%20do%20Brasil."><span style="font-weight: 400;">Renato Russo</span></a><span style="font-weight: 400;"> pudessem ganhar espaço em telas de cinema, a ideia da vida sob um olhar extremamente singular seria guardada na profundidade da luz dos projetores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Eduardo e Mônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado nos cinemas brasileiros no início de 2022, isso se prova com toda a beleza existente nos amores improváveis. No longa, os personagens da música ganham solidez nos atores Alice Braga e Gabriel Leone que, entre opostos, performam em menos de duas horas a grandeza do existir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Xt_hojl0Pg"><span style="font-weight: 400;">René Sampaio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme nos leva para a Brasília da década de 1980 e mostra os caminhos que atravessam a história do casal, enquanto eles tentam equilibrar suas diferenças em nome do amor. O trabalho muito bem feito com os cenários faz os espaços e as cenas – assinadas por Gustavo Hadba – serem extremamente fiéis aos da canção. Da festa estranha ao futebol de botão, os</span><i><span style="font-weight: 400;"> frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecem ter sido escolhidos pelo próprio Legião Urbana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora escolhida pelo diretor é outro primor da produção, entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional e o internacional, as melodias nos submergem no âmago dos personagens. Acompanhar os impasses dos dois é tão gostoso que a vontade é assistir até as partes desconhecidas dessa história. Desde as relações familiares, amigos, inseguranças, atitudes impulsivas e tudo mais que couber ser descrito,</span> <a href="https://personaunesp.com.br/eduardo-e-monica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eduardo e Mônica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são um espelho do ser. Ao fim, realmente é impossível dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração. &#8211; </span><b>Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_29832" aria-describedby="caption-attachment-29832" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Ela-Disse.jpeg" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-29832" class="wp-caption-text">Ela Disse foi uma das apostas para a listagem do Oscar 2023, mas acabou não sendo indicado em nenhuma categoria (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Ela Disse (She Said)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2022, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> resolveu cinematografar o jornalismo investigativo e foi o tipo de escolha que deu certo. Ao contrário do esperado em narrativas do gênero, a diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=phE4N0EIJmw"><span style="font-weight: 400;">Maria Schrader</span></a><span style="font-weight: 400;"> secundariza o melodrama para dar protagonismo ao suspense.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ela Disse</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é comovente, é tenso. A produção é uma adaptação do livro das jornalistas Megan Twohey e Jodi Kantor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela disse: Os bastidores da reportagem que impulsionou o </span></i><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44164417"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e conta sobre a apuração feita pelas profissionais no </span><i><span style="font-weight: 400;">boom</span></i><span style="font-weight: 400;"> de denúncias de assédio sexual contra Harvey Weinstein. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As pouco mais de duas horas do filme são marcadas pelas feições temerárias de Megan (Carey Mulligan) e Jodi (Zoe Kazan), enquanto enfrentam a rede de proteção de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/noticias/vitimas-revelam-casos-de-abuso-e-estupro-em-julgamento-de-harvey-weinstein/"><span style="font-weight: 400;">Weinstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> e encontram vítimas assustadas e silenciadas. É na relação das protagonistas com essas vítimas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela Disse</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra o pote de ouro, já que, em cena, as atrizes constroem uma intimidade tão verdadeira com as mulheres que isso transpassa os limites da tela. Apesar de termos relatos escancarados, emoção não é o tipo de reação desencadeada no telespectador &#8211; a angústia é quem grita mais alto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é muito acinzentado e a fotografia acompanha esse movimento. Natasha Braier escolhe enquadramentos em perspectiva e brinca com as luzes para pesar os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> e compor a ambientação apreensiva. Para além de termos técnicos ou estéticos, o registro visual do longa tem uma importância ímpar para a visibilidade do assédio sexual. Com imagens bem feitas e um roteiro imponente criado por Rebecca Lenkiewicz, nos conectamos com uma narrativa sobre força feminina, poder da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/"><span style="font-weight: 400;">indústria hollywoodiana</span></a><span style="font-weight: 400;"> e resistência. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_29917" aria-describedby="caption-attachment-29917" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1064" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-2048x851.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Elvis-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29917" class="wp-caption-text">Michelangelo pintou a criação do mundo, para Baz Luhrmann e Mandy Walker a invocarem na primeira apresentação de Austin Butler como Elvis Presley (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Elvis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nove anos depois de seu último projeto para os Cinemas (o irregular </span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i><span style="font-weight: 400;">), Baz Luhrmann (</span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu e Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;">) retornou a cadeira de direção em 2022 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, sobre a vida e carreira do polêmico, mas icônico Elvis Presley. Desenvolvido na onda do bem sucedido filão recente de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K3q3LEaK7_U"><span style="font-weight: 400;">cinebiografias musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">, catapultado em 2018 por </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o projeto poderia facilmente ter caído no lugar comum do subgênero, marcado pela pouca inspiração estética e o roteiro escrito na base do resumo da Wikipédia. Felizmente, não foi esse o caso, pois Luhrmann, no final das contas, mostrou-se o autor perfeito para transpor o espírito extravagante e potente do cantor para as telonas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa isso claro em sua feitura cinematográfica, desde a montagem alucinada de Matt Vila e Jonathan Redmond, até a fotografia pomposa de Mandy Walker (ambos os trabalhos foram reconhecidos com indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive). Contudo, também o aproveita enquanto narrativa, conforme analisa e desconstrói Presley do ponto de vista de seu empresário, o infame Coronel Tom Parker (Tom Hanks, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, em desempenho caricato, mas subestimado). Passando pelas raízes do artista na música negra americana e explorando o seu alto </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> construído por mídia e propaganda, o filme se mostra uma aula de como entender um ícone através da Sétima Arte, principalmente quando canaliza sua força na performance arrebatadora do astro revelação Austin Butler (</span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez em Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), também reconhecido com a nomeação da Academia. <strong>&#8211; </strong></span><b>Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_29976" aria-describedby="caption-attachment-29976" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29976" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola.png" alt="Cena do filme Enola Holmes 2. Jovem de cabelos castanhos com vestes da Era Eduardiana. Ela corre para longe de dois policiais de farda azul petróleo. O cenário é uma rua com casas, pessoas e carroças." width="1280" height="636" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola-800x398.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola-1024x509.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola-768x382.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/enola-1200x596.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29976" class="wp-caption-text">O diretor de Enola Holmes 2 deu liberdade para que Millie Bobbie Brown improvisasse e alguns desses momentos estão presentes na obra final (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Enola Holmes 2</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Normalmente, continuações são decepcionantes, mas não é o caso de </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-maiores-detetives-da-ficcao/"><i><span style="font-weight: 400;">Enola Holmes 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que nos surpreende com cenários e </span><i><span style="font-weight: 400;">plot-twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> inesperados. Não podemos dar muito mais </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers </span></i><span style="font-weight: 400;">que isso, então espere ansioso até o fim do filme. O longa nos prepara para o fim pouco a pouco, sem que nos demos conta, não abrindo espaço para uma sugestão tão rápida, o que possibilita a dedução.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos filmes de mistério e aventura pecam nesse sentido, dando de bandeja a trama e fazendo os telespectadores parecerem idiotas. O segundo filme da franquia não nos faz pensar muito além daquele ponto, e ainda permite a dúvida, conservando perfeitamente o mistério. Um outro grande ponto positivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Enola Holmes 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">é a evolução da personagem. </span><a href="https://brasil.elpais.com/smoda/2020-01-02/os-20-personagens-femininos-que-mudaram-o-cinema-na-ultima-decada.html"><span style="font-weight: 400;">Enola</span></a><span style="font-weight: 400;"> certamente amadureceu da primeira obra  para esta e se tornou preparada e astuta, mas como todo jovem, ainda é extremamente atrapalhada. Os defeitos são bons para nos tirar algumas risadas e proporcionar momentos imprevisíveis. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini </b></p>
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<figure id="attachment_29875" aria-describedby="caption-attachment-29875" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO.jpg" alt="Cena do filme em animação Entergalactic, da Netflix. Imagem retangular e colorida. Nela, Jabari e Meadow se encaram romanticamente ao fundo de uma galáxia estrelada. Jabari é um homem negro de barba, com cabelos crespos trançados em dreads curtos, vestindo uma camisa preta e vermelha nas manga. Meadow é uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos, usando um vestido amarelo brilhante." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ENTERGALACTIC-ENRICO-SOUTO-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29875" class="wp-caption-text">O longa dirigido por Fletcher Moules traz o estilo de animação mais deslumbrante da Netflix desde Arcane (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Entergalactic</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kid Cudi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ogiva criativa. Independentemente de obras com resultados controversos, Scott sempre busca, em suas alçadas artísticas, expandir a premissa até as últimas consequências. Ainda assim, para 2022, o desafio foi inusitado: não um filme acompanhado de um disco, ou um disco acompanhado por um filme, mas um projeto multimidiático, em que áudio e visual se costuram mutuamente. Afinal, as viagens psicodélicas de Jabari (Kid Cudi), quando vislumbra sua paixão por Meadow (</span><a href="https://personaunesp.com.br/animais-fantasticos-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">) pela primeira vez, não seriam as mesmas sem os sintetizadores divinos de </span><a href="https://genius.com/Kid-cudi-angel-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Angel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, mesmo isoladamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entergalactic</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia-romantica/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano. Para o roteiro, também assinado por Cudi, é importante que esta trama seja figurada como uma típica história de amor. Uma premissa formulaica, que encontra personalidade no retrato honesto e multifacetado de seu vasto universo, dentro de uma narrativa centrada por pessoas negras e que reivindica espaço em um gênero que sempre foi dominado por brancos. Assim que adubado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entergalatic</span></i> <span style="font-weight: 400;">tem campo aberto para ampliar os conflitos entre os personagens, de tal forma que o instante da colisão se torne, metafórica e literalmente, uma verdadeira supernova. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_29764" aria-describedby="caption-attachment-29764" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Farha.jpg.webp" alt="Cena do filme Farha. Farha (Karam Taher) está tentando ouvir através de uma porta de madeira, inclinando o ouvido esquerdo nela. Farha é uma menina árabe, usando um pano na cabeça com moedas douradas costuradas na borda. Apenas um feixe de luz vindo da fresta da porta ilumina seu rosto. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Farha.jpg.webp 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Farha.jpg-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Farha.jpg-768x432.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29764" class="wp-caption-text">Do rio ao mar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Farha</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela jordaniana Darin J. Sallam, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2UT6Zw4-Yg0"><i><span style="font-weight: 400;">Farha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é apenas uma história contada de geração para geração, preservada na oralidade até que fosse registrada em celulóide. É um retrato visceral e dolorosamente vivo do povo palestino, registrando os momentos iniciais da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44108177"><span style="font-weight: 400;">Al-Nakba</span></a><span style="font-weight: 400;"> (“A Catástrofe”) pelo ponto de vista de uma criança. Acompanhamos de perto a jovem Farha (Karam Taher) ter seus sonhos arrancados de si pela violência que eclode no dia 15 de maio de 1948, quando forças militares do recém-criado Estado de Israel forçam seu vilarejo a debandar. Presa em uma sala trancada, ela é obrigada a sobreviver e testemunhar os horrores de um conflito que não irá terminar em sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que denunciar a limpeza étnica de um Estado de </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/01/anistia-internacional-acusa-israel-de-apartheid-contra-palestinos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">apartheid moderno</span></a><span style="font-weight: 400;"> teria consequências, como visto pela </span><a href="https://theintercept.com/2022/12/03/farha-netflix-nakba-palestine-israel/"><span style="font-weight: 400;">campanha de difamação</span></a><span style="font-weight: 400;"> promovida por oficiais israelenses contra o filme de Sallam, ameaçando remover investimentos estatais dos cinemas de Tel Aviv que ousarem exibir o longa, atualmente disponível ao redor do mundo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> (mas não, curiosamente, </span><a href="https://www.netflix.com/title/81612982"><span style="font-weight: 400;">no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">). Processando o trauma e a dor através da arte, </span><i><span style="font-weight: 400;">Farha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de uma compostura monumental, confinando tanta dor em apenas um quarto por cerca de uma hora e confiando em sua performance central a habilidade de expressá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Taher é uma revelação absoluta no papel da protagonista, habitando tanto a inocência e entusiasmo infantil quanto o torpor emocional causado pelo que ela testemunha. A morte de seu sonho é uma das visões mais trágicas do ano, potencializada pela fotografia minimalista e a iluminação natural do cenário, tornando-se gigante em sua completude. </span><i><span style="font-weight: 400;">Farha </span></i><span style="font-weight: 400;">não é apenas um relato de guerra da perspectiva de uma garotinha, mas um verdadeiro </span><a href="https://www.972mag.com/farha-colonialism-nakba-palestinian-history/"><span style="font-weight: 400;">manifesto de luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra a opressão sistêmica que vigora até hoje, devastador em seu vocabulário e imparável em seu desejo de que essa história sobreviva. — </span><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_30103" aria-describedby="caption-attachment-30103" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fresh.jpg" alt="" width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fresh.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fresh-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30103" class="wp-caption-text">Fresh é um banquete aos fãs de Terror (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><b>Fresh </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Fresh </span></i><span style="font-weight: 400;">tem sabor de novidade &#8211; e devorá-lo é prazeroso, intenso e cômico. Delicioso, o longa dirigido por Mimi Cave coloca uma desiludida </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Edgar-Jones</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a frente com um encantador Sebastian Stan. Ela, entediada com os aplicativos de relacionamento e </span><i><span style="font-weight: 400;">dates </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><a href="https://personaunesp.com.br/pam-tommy-critica/"><span style="font-weight: 400;">babacas</span></a><span style="font-weight: 400;">, encontra &#8211; ironicamente, em um corredor de vegetais no supermercado &#8211; uma esperança no doce médico e resolve se abrir para os sentimentos. O relacionamento vai bem, mas só até quando ele a dopa, sequestra e revela seu lado criminoso e canibal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No roteiro tenso, mas divertido e até cômico de Lauryn Kahn, Edgar-Jones e Stan têm espaço para brilhar. Seja em dupla ou individualmente, a dinâmica dos dois acentua o potencial dramático da protagonista, e dá a liberdade para o ator explorar </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><span style="font-weight: 400;">novas facetas</span></a><span style="font-weight: 400;">, esboçando caras, bocas e olhares no seu caráter psicopata. Amplificada pela direção envolvente e vivaz de Cave, que potencializa a tensão nos momentos de suspense e acha o humor até em um filme sobre canibalismo e tráfico, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iUT4YskFTig"><i><span style="font-weight: 400;">Fresh</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra porque 2022 foi um ano de barriga cheia para os </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><span style="font-weight: 400;">fãs de Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29968" aria-describedby="caption-attachment-29968" style="width: 1862px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven.jpeg" alt="" width="1862" height="1242" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven.jpeg 1862w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven-1536x1025.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/boy-from-heaven-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29968" class="wp-caption-text">Exibido na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Garoto dos Céus venceu o prêmio de Melhor Roteiro em Cannes (Foto: Pandora)</figcaption></figure>
<p><b>Garoto dos Céus (Boy From Heaven)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos minutos iniciais de </span><a href="https://personaunesp.com.br/boy-from-heaven-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Garoto dos Céus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Adam Tala (Tawfeek Barhom) tenta esconder a emoção ao receber a carta de aceite da Universidade de Al-Azhar do Cairo – instituição anexada à mesquita de mesmo nome –, o epicentro político do islamismo sunita. A contenção de Tala, porém, reside não somente na alegria de ser um jovem filho de pescador que recebeu o acesso a uma instituição habitada pelos filhos de sheiks mais poderosos do Egito, mas no medo do próprio pai, um indivíduo conservador e abusivo. Ele ainda não sabe que estudar em Al-Azhar será seu maior desafio, e, quando enfim notifica o patriarca que irá à universidade, a reação parece mais suave do que o previsto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não se pode ir contra as vontades de Alláh</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz o pai, meio a contragosto, após agredir os filhos cenas antes. Embora essa pareça a maior vitória possível, Zizo (Mehdi Dehbi) o notifica, assim que chega a nova moradia: “</span><i><span style="font-weight: 400;">sua alma ainda é pura. Mas este lugar vai corrompê-lo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa máxima se mostrará verdadeira durante todo o filme, visto que o diretor Tarik Saleh constantemente faz um “jogo de grandezas” na trama. Enquanto a Fotografia repete filmagens da universidade de baixo para cima, mostrando sua imensidão e imponência, o Roteiro – </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/boy-from-heaven-e-thriller-politico-que-explora-mundo-arabe-na-mostra-de-sp.shtml"><span style="font-weight: 400;">vencedor em Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> – põe Tala como submisso aos indivíduos mais poderosos. À medida que os elementos “conspiratórios” da trama entram em cena, as questões existenciais do protagonista dão espaço a um clima de investigação habitual, com reuniões secretas, infiltração em um círculo pró-jihadista e o sacríficio de um colega. O título que o filme recebeu na América do Norte, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cairo Conspiracy</span></i><span style="font-weight: 400;">, opta por evidenciar mais esse aspecto da produção, ligando-a ao </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico e reduzindo toda a sua filosofia política. Mas talvez a grande marca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Garoto dos Céus</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a habilidade de Saleh em jamais ferir o Islã, consolidando Tala como o verdadeiro sábio por simplesmente questionar as origens do poder. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não existem anjos</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ao que parece. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29780" aria-describedby="caption-attachment-29780" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29780" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gato-de-botas-2-o-ultimo-pedido-e-o-mais-novo-capitulo-na-dominacao-mundial-dos-felinos-1672869063036_v2_900x506.jpg" alt="" width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gato-de-botas-2-o-ultimo-pedido-e-o-mais-novo-capitulo-na-dominacao-mundial-dos-felinos-1672869063036_v2_900x506.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gato-de-botas-2-o-ultimo-pedido-e-o-mais-novo-capitulo-na-dominacao-mundial-dos-felinos-1672869063036_v2_900x506-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/gato-de-botas-2-o-ultimo-pedido-e-o-mais-novo-capitulo-na-dominacao-mundial-dos-felinos-1672869063036_v2_900x506-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29780" class="wp-caption-text">Em Gato de Botas 2: O Último Pedido, Gato tem seu medo testado e questionado (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Gato de Botas 2: O Último Pedido (Puss in Boots: The Last Wish)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido ao sucesso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no início dos anos 2000, que frequentemente fez </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/gato-botas-2-easter-eggs-215924313.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAA7B7zUCN8MCfpcCAm-r_1RsmzT3eqe7RGBhpcu8ybhpuF1qe0HEqRLiyZDuBfXnE_75cqkZVfLr_HpK-eiFUv8mXDf6lcmrcgFF3v2oB8zMaabid1U_sTP757KAV1kTulmbmmhMUGVdqSBK0N5CYYDORQaoWtceggC13QIgrvJQ"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> (e também o uso de muita ironia) aos contos de fadas originais, a escolha de fazer um longa-metragem de um personagem vindo diretamente do universo do ogro foi crucial para que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreamworks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhasse espaço no mundo da animação novamente &#8211; não apenas por ter um design de um gato “de botas”, mas por simbolizar um anti herói que vive de glória, festas: uma lenda (como ele se autodenomina). A introdução do Gato de Botas no segundo filme da franquia definitivamente marcou as gerações que surgiram na década e relembramos que, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas </span></i><span style="font-weight: 400;">(2011), acompanhamos um guerreiro valente e sem medo de enfrentar os perigos. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido </span></i><span style="font-weight: 400;">somos convidados a ver um lado mais medroso, profundo e interior do personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiramente, é necessário agradecermos a </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-homem-aranha-no-aranhaverso/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por ter vindo em uma época tão necessária de quebra de liderança da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seus filmes de animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">3D </span></i><span style="font-weight: 400;">nas premiações. Com a introdução de técnicas que fazem qualquer um babar olhando para tela &#8211; como as mudanças de “fps” ou ‘fotos por segundo’ e a </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/geek/como-e-feita-a-animacao-de-gato-de-botas-2,45e75e9e3aacb9ea59b8ac7291851a583fk3yjwt.html"><span style="font-weight: 400;">junção do </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nos fazem perceber o quanto o gênero no Cinema deve ser explorado infindavelmente. Não é à toa que outros estúdios olharam para </span><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> e perceberam o que não estavam praticando, e, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido</span></i> <a href="https://www.terra.com.br/gameon/geek/como-e-feita-a-animacao-de-gato-de-botas-2,45e75e9e3aacb9ea59b8ac7291851a583fk3yjwt.html"><span style="font-weight: 400;">não foi diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobrepondo a tridimensionalidade com desenhos bidimensionais tradicionais, assemelhando-se a uma pintura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, com a inserção do </span><a href="https://ovicio.com.br/gato-de-botas-2-diretor-explica-tom-assustador-do-lobo/"><span style="font-weight: 400;">Lobo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou a Morte, o surgimento de um gênero que nunca havia aparecido na </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreamworks</span></i><span style="font-weight: 400;"> desse modo aconteceu. O assobio, as cores e toda a ambientação que levam o Gato a ter medo da Morte também nos causa medo. Assim, a combinação dos elementos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2: O Último Pedido</span></i><span style="font-weight: 400;">, juntamente com a aparição de </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/especial-a-historia-por-tras-dos-contos-de-fadas-vistos-em-o-gato-de-botas-2-o-ultimo-pedido/"><span style="font-weight: 400;">mais referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> e personagens bem escritos, os quais nos familiarizamos mesmo com o pouco tempo de tela, resultam no acompanhamento de uma jornada de amadurecimento de uma figura que, se já era marcante, agora possui ainda mais camadas. </span><b>&#8211; Júlia Aguiar</b></p>
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<figure id="attachment_29771" aria-describedby="caption-attachment-29771" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29771 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1.webp" alt="Cena do filme Glass Onion: Um mistério Knives Out. Nele estão três pessoas se abraçando enquanto andam. Dois homens à esquerda e uma mulher à direita. Logo atrás, um homem apontando seu dedo para frente. Estão todos em uma praia e ao fundo estão as ilhas e o mar azul da Grécia" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1.webp 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1-800x360.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1-1024x460.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1-768x345.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1-1200x540.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29771" class="wp-caption-text">O título Glass Onion refere-se à música enigmática dos Beatles do The White Album, cabendo, assim, como o título de um filme de mistério (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Glass Onion: Um Mistério Knives Out (Glass Onion: A Knives Out Mistery) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O número de camadas de uma cebola provavelmente é menor comparado a quantidade de reviravoltas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sequência do mistério de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aprimora um roteiro tão bem performado por seu antecessor. A segunda obra da nova franquia é  maior e intrigante, e por mais fanático que alguém possa ser por mistérios, com certeza será pego de surpresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os personagens e enredo novos, Daniel Craig como o detetive Benoit Blanc foi a única e brilhante escolha que decidiram manter. Ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-abril2018/#:~:text=Janelle%20Mon%C3%A1e%20%E2%80%93%20Dirty%20Computer"><span style="font-weight: 400;">Janelle Monáe</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kate Hudson, Edward Norton e outros, a obra diverte, entretém e acima de tudo, traz a satisfação de quão boas podem ser produções sem pretensão de significarem mais do que realmente querem dizer. </span><b> &#8211; Henrique Marinhos</b></p>
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<figure id="attachment_29865" aria-describedby="caption-attachment-29865" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Hellraiser-2022.jpg" alt="Cena do filme Hellraiser, que mostra a personagem Pinhead, uma criatura humanoide de pele branca acinzentada, olhos totalmente pretos e cabeça coberta por cortes quadrados ligados por alfinetes. Ela possui cortes expostos no pescoço e ombros.]" width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Hellraiser-2022.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Hellraiser-2022-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29865" class="wp-caption-text">“Deleites maiores o aguardam. Desejamos que você prossiga” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Hellraiser: Renascido do inferno (Hellraiser)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">David Bruckner possui contribuições notáveis para o gênero de filmes de horror, como os longas </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Sombria </span></i><span style="font-weight: 400;">(2020) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ritual </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017), além de seus trabalhos em segmentos das antologias</span><i><span style="font-weight: 400;"> V/H/S</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Southbound </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015), e é o responsável por dirigir o novo e aguardado </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hellraiser </span></i><span style="font-weight: 400;">(1987). O 11º filme de uma das mais </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/ranking-hellraiser-do-pior-ao-melhor"><span style="font-weight: 400;">conturbadas franquias</span></a><span style="font-weight: 400;"> do gênero conta com a </span><a href="http://www.setcenas.com.br/noticias/por-que-as-sequencias-de-hellraiser-eram-tao-ruins-mas-nao-pararam/"><span style="font-weight: 400;">urgente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e necessária participação direta de seu idealizador original, Clive Barker, que contribuiu em sua produção e roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, lançado diretamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming  </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, inova ao introduzir pela primeira vez em tela uma </span><a href="https://screenrant.com/hellraiser-2022-female-pinhead-book-origins-director-response/"><i><span style="font-weight: 400;">pinhead</span></i><span style="font-weight: 400;"> feminina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Interpretada por Jamie Clayton, conhecida anteriormente por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sense8-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela carrega o peso de viver um vilão icônico e atemporal de forma majestosa, roubando a cena e se tornando a estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa traz a série de volta à </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/pouca-vergonha/dor-e-prazer-entenda-fetichismo-por-tras-da-saga-de-terror-hellraiser"><span style="font-weight: 400;">essência do universo dos cenobitas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com muito sexo, perversão, fetiche, violência e horror corporal. No entanto, apesar de ter a melhor das intenções, ainda falta tesão em sua execução, que, além de jogar seguro e sem exageros, possui protagonistas rasos e sem carisma, tornando sufocante a tarefa de se conectar à história. Apesar de economizar na ousadia e no apelo presente no clássico de 1987, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hellraiser: Renascido do Inferno </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2022 é, com certeza, um respiro de alívio aos fãs da saga e transmite esperança de dias melhores para os futuros rumos da franquia. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
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<figure id="attachment_29744" aria-describedby="caption-attachment-29744" style="width: 1045px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29744" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Justiceiras-Vitoria-Vulcano.jpg" alt="" width="1045" height="697" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Justiceiras-Vitoria-Vulcano.jpg 1045w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Justiceiras-Vitoria-Vulcano-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Justiceiras-Vitoria-Vulcano-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Justiceiras-Vitoria-Vulcano-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29744" class="wp-caption-text">Na despudorada investida da Netflix, o inferno são duas garotas adolescentes: uma descendente de brasileiros e uma nepo baby (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Justiceiras (Do Revenge)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meses após incorpar o roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1c_W_4cNLn0"><i><span style="font-weight: 400;">Thor: Amor e Trovão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jennifer Kaytin Robinson abdicou dos heroísmos intergalácticos para vigiar os impiedosos ciclos da adolescência. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ncF7oyINASs"><i><span style="font-weight: 400;">Justiceiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, segundo filme da cineasta em parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, segue um plano de vingança compartilhado entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o8-ZDIEvDJk"><span style="font-weight: 400;">duas protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> abandonadas às próprias tragédias identitárias, e que só poderiam tomar as dores uma da outra absorvendo a humanidade por trás do rancor. O resultado, ancorado na perspectiva da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/15/na-guerra-de-geracoes-filmes-revelam-uma-juventude-que-quer-ser-respeitada.htm"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, é a negação de qualquer análise mística ou complexa sobre o que nos leva a buscar revanche; a gente não vale muito mesmo, e </span><i><span style="font-weight: 400;">tá</span></i><span style="font-weight: 400;"> tudo bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drea (Camila Mendes, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Riverdale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Eleanor (Maya Hawke, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) explodem química interpretando as líderes hipnóticas da narrativa, que pega ainda mais fogo quando decide trabalhar seu núcleo secundário recheado de </span><a href="https://epipoca.com.br/justiceiras-usa-e-abusa-de-estrelas-teens-saiba-de-onde-voce-conhece-o-elenco/"><span style="font-weight: 400;">estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Fora dessa curva, </span><a href="https://ew.com/movies/do-revenge-sarah-michelle-gellar-part-cruel-intentions-inspiration/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Michelle Gellar</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima surpresa no elenco e coroa a série de homenagens requintadas aos </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/netflix-do-revenge-a-guide-to-every-iconic-movie-reference-and-easter-egg"><span style="font-weight: 400;">filmes noventistas do nicho</span></a><span style="font-weight: 400;">, infiltrados nos figurinos e ambientações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Revenge</span></i><span style="font-weight: 400;">. Combinando citações de Dante Alighieri com o </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> sonoro de Olivia Rodrigo e Le Tigre, o conjunto é uma insanidade autocrítica, divertida e com </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> que cria sua patente na juventude atual. Porque ser </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1570442447443968001?s=20&amp;t=F3usTGYs6yokQDyHtgoHRw"><span style="font-weight: 400;">cínico e exagerado</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz parte de cada um de nós. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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<figure id="attachment_29776" aria-describedby="caption-attachment-29776" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear.jpeg" alt="cena do filme Lightyear. No canto direito da imagem está Buzz, um homem branco com cabelos castanhos e olhos verdes; veste o traje clássico branco, verde e roxo do personagem. Sua mão esquerda está levantada e apontando para outra figura fora do plano - só é possível ver sua mão direita apontando para Buzz. No fundo da imagem é possível ver o céu em tons de azul alaranjado e partes de uma aeronave. " width="1298" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear.jpeg 1298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Lightyear-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29776" class="wp-caption-text">Lightyear é capaz de agradar diversas gerações (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Lightyear </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Buzz Lightyear foi introduzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1995, no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente de suas primeiras aparições, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;"> o personagem não é mais um brinquedo, mas sim um verdadeiro patrulheiro espacial em uma missão considerada impossível para sair de um planeta hostil. A proposta do longa é mostrar a narrativa que fez Andy se apaixonar pelo astronauta. No novo lançamento, a voz de Tim Allen foi substituída pela de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/lightyear-chris-evans-responde-homofobicos"><span style="font-weight: 400;">Chris Evans</span></a><span style="font-weight: 400;">, facilitando ainda mais a separação entre o brinquedo e o homem. Apesar de distintos, o jeito teimoso e a vontade de resolver todos os problemas sozinho traz reconhecimento ao espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo sendo uma animação, o filme carrega uma grande melancolia, pois, em sua missão, Buzz se perde no tempo e o mundo e as pessoas ao seu redor mudam e envelhecem, mas ele não é capaz de fazer isso. O patrulheiro carrega a culpa de não conseguir libertar seu povo do planeta estranho e de ter perdido a chance de acompanhar a vida e a morte de seus companheiros. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz diversas </span><a href="https://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pautas interessantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive o </span><a href="https://disneyplusbrasil.com.br/lightyear-produtora-explica-a-importancia-do-beijo-gay-na-animacao-da-pixar/"><span style="font-weight: 400;">primeiro beijo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre Alisha Hawthorn (Uzo Aduba) e sua esposa. Quem cresceu assistindo </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção é agradável para quem quer se aprofundar nesse universo. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_29850" aria-describedby="caption-attachment-29850" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck.webp" alt="Cena do filme Luck. Na imagem estão Sam e o gato Bob. Ela é uma animação de uma garota jovem de cabelos castanhos médios, está vestindo uma blusa verde de dois tons e uma calça cinza. A personagens está apoiada sobre um dos joelhos ao lado do gato preto de olhos verdes, os dois encaram a paisagem." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck.webp 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/luck-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29850" class="wp-caption-text">Luck conta com produção executiva de John Lasseter e estreou no streaming da Apple em setembro de 2022 (Foto: Apple TV)</figcaption></figure>
<p><strong>Luck </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dizem que os gatos pretos dão azar, mas Sam Greenfield (Eva Noblezada) prova o quanto essa afirmação é falsa. No filme, dirigido por </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/08/luck-director-peggy-holmes-1234747016/"><span style="font-weight: 400;">Peggy Holmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, um felino preto de olhos verdes pode ser mais poderoso que um trevo de quatro folhas. Ao cruzar seu caminho com Bob (Simon Pegg), a rotina pouco afortunada de Sam ganha – quase como em um passe de mágica – uma sorte incomum. Mas, como nem tudo são flores, tudo acaba em uma aventura vibrante no mundo em que a sorte é produzida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ser o tipo de animação que tem traços excepcionais ou gráficos tecnológicos da mais alta qualidade, o duende verde da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EVyBvQw29mo"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a sensibilidade. Passeando por momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;"> da infância da protagonista no orfanato e pelos anos de rejeição vividos pelo gato preto, a narrativa cria uma aproximação muito sincera entre os personagens, provando que a sorte está onde menos se espera. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto alto do enredo é a quebra de expectativas na ideia de vilão. O filme brinca bastante com os contrapontos, mesmo que para mostrar como as coisas não precisam de rótulos permanentes. Essa construção cria uma alegoria com a sociedade e rememora as práticas de exclusão presentes na humanidade. Ainda não existem moedas encantadas capazes de anular o azar, mas assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Luck</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um instante de sorte. &#8211; </span><b>Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_29737" aria-describedby="caption-attachment-29737" style="width: 1679px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell-.jpeg" alt="Imagem do filme Marcel the Shell with Shoes On. No painel de um carro há um mapa aberto e sobre ele está o boneto Marcel. Marcel é uma concha branca e pequena, possui um olho verde e um par de sapatos branco laranja. do seu lado esquerdo há um rolo pequeno de fita durex. Do seu lado direito há uma pedra e uma espécie de mochila a jato, construída com fita e palitos de fósforo. Ao fundo, através do parabrisa do carro, é possível vislumbrar a paisagem do horizonte, céu azul uma vasta colina, com casas e vegetação." width="1679" height="1074" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell-.jpeg 1679w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell--800x512.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell--1024x655.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell--768x491.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell--1536x983.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Marcel-the-Shell--1200x768.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29737" class="wp-caption-text">Marcel, the Shell with Shoes On deixa a mensagem de que mesmo em meio aos tropeços da vida, sorrir vale a pena (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Marcel the Shell with Shoes on</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marcel the Shell with Shoes On</span></i><span style="font-weight: 400;">, jamais se pensou no quão emocionante poderia ser a história de uma pequena concha. Escrito e dirigido por </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-794114/"><span style="font-weight: 400;">Dean Fleischer-Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme conta a história de Marcel (</span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/58088/1/jenny-slate-a24-film-marcel-the-shell-interview"><span style="font-weight: 400;">Jenny Slate</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma concha que mora com sua avó Connie (</span><a href="https://cinepop.com.br/tag/isabella-rossellini/"><span style="font-weight: 400;">Isabella Rossellini)</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um </span><i><span style="font-weight: 400;">Airbnb</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa é filtrada pelos olhos de Dean (Camp), um documentarista que deseja produzir um curta sobre a vida do animal. Para além de pensar em como é o dia a dia de uma concha falante, o filme apresenta questões do âmago humano, o que permite a mais profunda identificação com essa personagem. A obra apresenta o desenrolar de uma vida comum a todos, entre encontros e desencontros e as transformações que ocorrem da convivência com a família &#8211; ou da falta dela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção do estúdio americano </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> combina brilhantemente o </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o </span><i><span style="font-weight: 400;">stopmotion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e é estruturado como um </span><a href="https://youtu.be/VF9-sEbqDvU"><i><span style="font-weight: 400;">mockumentary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse visual é apenas uma pequena fração da originalidade do longa. Na busca pela sua família perdida, Marcel reflete sobre a fragilidade dos sentimentos, sobre o luto e aprende a dar espaço para oportunidade e esperança, em suma, é uma história sobre amadurecimento. A sensibilidade e perspicácia da obra como um todo conquista não somente um espaço na lista dos Melhores do Ano, mas também à indicação de Melhor Animação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de 2023, sendo um forte candidato na corrida.  &#8211;</span><b> Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_29773" aria-describedby="caption-attachment-29773" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29773" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda.png" alt="Cena de Matilda: O Musical. Ocupando quase todo o canto esquerdo da imagem está Agatha, uma mulher branca com cabelos grisalhos presos em um coque; veste um uniforme militar, com um apito pendurado em seu pescoço. À sua frente está Matilda, uma garota branca com cabelos castanhos e longos. Agatha é muito maior que a menina e aponta os dedos em seu rosto. Atrás delas é possível ver um céu acinzentado. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Matilda-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29773" class="wp-caption-text">A nova versão de Matilda faz um bom trabalho em recriar um clássico dos anos 1990 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Matilda: O Musical (Roald Dahl&#8217;s Matilda The Musical)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha uma grande responsabilidade quando se propôs a lançar </span><a href="https://youtu.be/mEEMbNS6fzY"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda: O Musical</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O filme de 1996 é um clássico lembrado por muitos com carinho, mas a nova versão não deixou a desejar. O longa aprofunda pontos altos da narrativa, como a história de Matilda (Alisha Weir) e Miss Honey (Lashana Lynch), a construção de sua relação uma com a outra, e o desenvolvimento dos poderes da personagem principal, e adiciona novos aspectos, como o enredo paralelo criado pela garota sonhadora, sendo inesperado e familiar ao mesmo tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem gosta de musicais, esse é o filme certo. As </span><a href="https://youtu.be/EzPZ9VCCRmU"><span style="font-weight: 400;">canções</span></a><span style="font-weight: 400;"> são coerentes com as cenas e as coreografias, lindas de serem assistidas. O grande nome do elenco é Emma Thompson, que não decepcionou no papel de Agatha Trunchbull, porém Alisha fez um ótimo trabalho trazendo uma Matilda mais atrevida e cheia de opinião do que a de Mara Wilson. Como o longa, os personagens trouxeram uma perspectiva mais moderna que é muito bem-vinda a </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda: The Musical</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem descredibilizar o que foi construído nos anos 1990. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_29860" aria-describedby="caption-attachment-29860" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11.jpg" alt="Cena do filme Marte Um. Cícero Lucas, que interpreta Deivinho, é uma criança negra que usa óculos e veste uma camiseta cinza. Na imagem, vemos o seu perfil, e ele está deitado em uma cadeira de praia com os braços cruzados. Ele olha para cima, em direção ao céu, e é noite.]" width="1440" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29860" class="wp-caption-text">Introspectivo e extremamente sensível, Marte Um emociona ao demonstrar a força do amor no núcleo familiar (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><strong>Marte Um</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O esforço dedicado para que </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pudesse </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/oscar2023/filme-indicado.php"><span style="font-weight: 400;">representar o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> na premiação mais importante da Sétima Arte é um diferencial que poucos filmes selecionados para tal possuem. É uma pena, no entanto, que o drama dirigido pelo cineasta Gabriel Martins não esteja entre os indicados finais a levar a estatueta do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional para casa. Apesar disso, essa obra tão assumidamente temporal tem muito a nos ensinar ao destacar o singelo em toda a sua narrativa – ela aposta no simples, mas em nenhum momento passa a ser menos marcante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus momentos mais poderosos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> insere pautas necessárias como política, economia e direitos humanos no subtexto de temas universais, como o amor. A história do longa começa imediatamente após o resultado das eleições presidenciais de 2018 e, para um cineasta menos hábil, seria fácil mergulhar no melodrama ao decidir explorar o dia a dia de uma família negra de classe média baixa em um momento no qual o conservadorismo ganha mais força. Felizmente, não é o que acontece: a combinação de uma montagem (Tiago Ricarte e Gabriel Martins) delicada, uma fotografia (Leonardo Feliciano) graciosa e uma trilha sonora (Daniel Simitan) emocionante com o roteiro de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2022/09/marte-um-brasil-oscar-2023.html"><span style="font-weight: 400;">Martins</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra como a dor pode ser reconfigurada como combustível emocional quando o afeto perdura. Assim como disse Wellington (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Tfc0zaTzY"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i><span style="font-weight: 400;">) em uma das cenas mais tocantes do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Uai, a gente dá um jeito</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29789" aria-describedby="caption-attachment-29789" style="width: 876px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/minions-2.jpg" alt="Cena do filme de animação “Minions 2: A Origem de Gru”. Na imagem, vemos Gru, um menino de pele branca, olhos azuis e nariz grande usando um casaco cinza e um cachecol listrado em cinza escuro e cinza claro, em cima de uma moto. Junto com ele, vemos dois seres amarelos ovais: um possui dois olhos; o outro, possui um. Os dois usam macacões jeans. Estão em uma rua movimentada.]" width="876" height="484" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/minions-2.jpg 876w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/minions-2-800x442.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/minions-2-768x424.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29789" class="wp-caption-text">Manda brasa, Minichefe! (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Minions 2: A Origem de Gru (Minions: The Rise of Gru)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seres amarelos que servem um chefão do mal, que gostam de banana e que falam uma língua que é a mistura de várias outras. A história de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Minions 2: A Origem de Gru</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta o que aconteceu depois de Gru achar as criaturas chamadas Minions. Em uma comédia cheia de humor, risadas e trapalhadas, vemos o pequeno Gru e seus conflitos com sua mãe, enquanto ele tenta virar um super-vilão. Em reviravoltas e mais reviravoltas, o Minichefe e os amarelinhos Kevin, Stuart, Bob e Otto mostram seu potencial para lutas, fugas e disfarces, para combaterem o </span><i><span style="font-weight: 400;">Sexteto Sinistro</span></i><span style="font-weight: 400;"> – um grupo de vilões –, que eram ídolos do menino.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Minions 2: A Origem de Gru</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi feito para a família toda e cumpre a promessa de divertir desde a criança caçula ao adulto mais velho. As gargalhadas saem fácil, do começo ao final do longa. É um ótimo filme, com uma boa produção – pelas mãos de Chris Meledandri, Janet Healy e Chris Renaud –, e com uma ótima trilha sonora – executada por Jack Antonoff –, mas que, infelizmente, não supera o primeiro da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Minions</span></i><span style="font-weight: 400;"> e nem a sua saga original, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9XEHAP9UGfY"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Malvado Favorito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Conhecer a origem de Gru é algo que completa a história inicial, além de enriquecer o universo do malvado mais favorito do Cinema; porém, assim como muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-offs</span></i><span style="font-weight: 400;">, sempre há a questão: será que havia necessidade para uma nova série? </span><b>– Laura Hirata-Vale</b></p>
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<p><figure id="attachment_29876" aria-describedby="caption-attachment-29876" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-scaled.webp" alt="Cena do longa-metragem Bodies Bodies Bodies, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, três garotas estão no interior de uma casa e, com seus rostos sujos de sangue, encaram sérias outra garota, que está de costas para a câmera. Em foco, vemos Sophie, interpretada por Amandla Stenberg, uma jovem negra, com cabelos loiros e trançados, vestindo uma regata e blusa verdes. Ao fundo, levemente desfocadas, vemos Bee à esquerda, interpretada por Maria Bakalova, uma mulher branca, com cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, vestindo uma camisa azul; e Emma à direita, interpretada por Chase Sui Wonders, uma mulher branca, de cabelos castanhos, que veste um vestido branco ensanguentado." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-scaled.webp 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-2048x1152.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BODIES-ENRICO-1-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29876" class="wp-caption-text">Bodies (3x) é um filme feito por e para nossa geração e, por isso mesmo, tão perturbador na realidade que apresenta [Foto: A24]</figcaption></figure><b>Morte Morte Morte (Bodies Bodies Bodies)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reúna um elenco das </span><a href="https://personaunesp.com.br/shiva-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">atrizes mais estimadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma trilha sonora com os principais </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> das baladas de </span><i><span style="font-weight: 400;">hyperpop </span></i><span style="font-weight: 400;">da Rua Augusta, iluminação e figurino retirados diretamente de tutoriais de maquiagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, quando menos perceber, você foi cooptado pelo cavalo de tróia de Halina Reijn. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bodies Bodies Bodies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora agrupa minuciosamente cada um desses signos com a intenção deliberada de fazer com que este seja o produto mais vendável à Geração Z possível, de modo a colocar esse público em uma posição vulnerável para que, aí sim, sejamos obrigados a encarar os demônios do nosso tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada um dos sete protagonistas incorpora uma caricatura progressivamente mais exagerada, maculada e pitoresca de um jovem que cresceu imerso no ambiente </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas o que poderia descarrilar para um discurso moralista revela-se transcender o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sorria-critica/"><span style="font-weight: 400;">joguinho macabro</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim que a tempestade do lado de fora reflete os turbilhões internos, até que as rachaduras que sustentam aquelas relações sejam rompidas. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e mesmo a comédia satírica não passam de pretexto para espelhar a artificialidade da trama em nosso próprio entorno. Nos recusamos a projetar-nos naquelas pessoas justamente porque seria inevitável. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_29782" aria-describedby="caption-attachment-29782" style="width: 822px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/my-policeman-novo.png" alt="cena do filme My Policeman. No lado esquerdo da imagem está Marion, uma mulher branca com cabelos curtos e loiros; veste um casaco vermelho escuro acima de uma peça de roupa azul claro. Ela olha para o lado direito da imagem, onde está Patrick, um homem branco com cabelos castanhos claros; que veste uma camisa social branca, uma gravata preta e um terno cinza. Entre elas, um pouco mais ao fundo e em desfoque, está Tom, um homem branco com cabelos castanhos; veste uma camisa social branca, uma gravata preta e um casaco azul escuro. Ao fundo, é possível ver algumas obras de arte penduradas em uma parede de tom escuro. " width="822" height="490" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/my-policeman-novo.png 822w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/my-policeman-novo-800x477.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/my-policeman-novo-768x458.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29782" class="wp-caption-text">Apesar de parecer, My Policeman não é um triângulo amoroso (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>My Policeman </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Michael Grandage, </span><a href="https://youtu.be/zmE7TUi_Sno"><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um drama adaptado do livro de mesmo nome escrito por Bethan Roberts, que narra a triste história do casal Tom (Harry Styles) e Patrick (David Dawson) ao sofrerem com a sociedade homofóbica dos anos 1950 e o casamento de fachada entre Tom e Marion (Emma Corrin). O romance entre os dois homens gays se passa em duas linhas temporais diferentes, o que demonstra perfeitamente como os personagens lidam com o mundo e as consequências de seus atos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia central do longa é a de que o maior inimigo do homem é o tempo. As decisões tomadas e os caminhos traçados não podem ser desfeitos, mas podem alterar completamente a vida de alguém. Além de uma história muito humana, </span><a href="https://personaunesp.com.br/my-policeman-critica/"><span style="font-weight: 400;">o filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, é agradável esteticamente. A fotografia de Ben Davis, as locações e os figurinos encabeçados por Annie Symons são bem pensados. Além disso, a química evidente entre os três personagens principais foi fundamental para o bom funcionamento do filme. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_30125" aria-describedby="caption-attachment-30125" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30125 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nada-de-Novo-no-Front.webp" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nada-de-Novo-no-Front.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nada-de-Novo-no-Front-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nada-de-Novo-no-Front-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nada-de-Novo-no-Front-768x432.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30125" class="wp-caption-text">Os anseios de quem não é violento, mas é obrigado a estar na linha de frente da Guerra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nada de Novo no Front (All Quiet on the Western Front)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual o sentido de uma guerra? Nenhum. Então qual o sentido em mais um filme sobre guerra? Total. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o que há de pior sobre um dos maiores conflitos bélicos da história ocidental: a Primeira Guerra Mundial. O longa, dirigido pelas lentes de Edward Berger, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">revival </span></i><span style="font-weight: 400;">inspirado no clássico e homônimo livro de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/25/nada-de-novo-no-front-conheca-o-filme-com-9-indicacoes-ao-oscar-2023.htm"><span style="font-weight: 400;">Erich Maria Remarque</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1929.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda que com pequenas modificações, a trama protagonizada por Daniel Brühl e Felix Kammerer é fiel à cruel narrativa alemã e critica o fato de </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/11/os-adolescentes-de-14-anos-que-lutaram-nas-trincheiras-da-1-guerra.html"><span style="font-weight: 400;">jovens terem arriscado</span></a><span style="font-weight: 400;"> suas próprias vidas</span><span style="font-weight: 400;"> para lutar por ideais terceirizados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Noventa e dois anos após o sucesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Novidade no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(1930),</span> <span style="font-weight: 400;">primeira adaptação da obra de Remarque para as telonas, a versão cinematográfica de 2022 chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e cumpre todos os requisitos capazes para ser vencedora nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além do enredo dramático, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">carrega consigo as </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2022/11/nada-de-novo-no-front-filme-da-netflix-conta-horrores-da-1a-guerra-mundial-streaming.ghtml"><span style="font-weight: 400;">fragilidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um tempo do início</span><span style="font-weight: 400;"> do século 20. Como outras produções que retratam a Grande Guerra, o roteiro poderia ficar confortável em retratar, quase de forma exclusiva, a ação das batalhas, mas não o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A densidade psíquica de cada personagem é sabidamente utilizada por retratar dilemas éticos, medos, angústias, ódios, revoltas, amores e tristezas em um pacote fílmico de duas horas e 28 minutos de duração. Felix Kammer interpreta bem esse dilema, dando vida ao papel de Paul Bäumer, um jovem soldado inexperiente que vê sua trajetória pessoal rumar para caminhos tortuosos. Com o filme, é a primeira vez que um filme alemão sobre a </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-vida-nas-trincheiras-durante-primeira-guerra.htm#:~:text=O%20problema%20%C3%A9%20que%20os,e%20bombas%20de%20g%C3%A1s%20t%C3%B3xico."><span style="font-weight: 400;">temática crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Primeira Guerra</span><span style="font-weight: 400;"> ganha tanta relevância no mundo do Cinema. </span><b>&#8211; </b><b><span data-rich-links="{&quot;per_n&quot;:&quot;Gabriel Gomes Santana&quot;,&quot;per_e&quot;:&quot;gabriel.g.santana@unesp.br&quot;,&quot;type&quot;:&quot;person&quot;}">Gabriel Gomes Santana</span></b></p>
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<figure id="attachment_29862" aria-describedby="caption-attachment-29862" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/speak-no-evil.jpg" alt="Cena do filme Não Fale o Mal, que mostra os personagens Patrick, um homem branco de meia idade, olhos, barba e cabelos escuros, que veste uma camisa amarela pastel e um casaco azul marinho, e o personagem Bjørn, um homem branco de meia idade, olhos azuis, barba e cabelos loiros, que veste uma camiseta branca e uma camisa xadrez azul marinho. Eles estão um de frente para o outro e gritam com expressões de terror." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-29862" class="wp-caption-text">De forma macabra, Não Fale o Mal cresce pelas beiradas, se fortalece sobre o desconforto e mostra como as pessoas são o verdadeiro mal (Foto: Nordisk Film)</figcaption></figure>
<p><b>Não Fale o Mal (Speak No Evil)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não Fale o Mal</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Christian Tafdrup, acompanha uma família dinamarquesa que conhece e se aproxima de uma família holandesa durante as férias. No entanto, o clima se torna estranhamente pesado quando os dinamarqueses decidem aproveitar alguns dias na casa dos holandeses e o fim de semana supostamente agradável lentamente </span><a href="https://www.cbr.com/speak-no-evil-the-strangers-because-you-were-home/"><span style="font-weight: 400;">começa a desmoronar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tensão persistente do longa dinamarquês é crescente. A trilha sonora de Sune Carlsson Kølster, conflitante e antagônica, desafia os sentidos do espectador e brinca com suas expectativas: a sonoridade intensa e horripilante “engana” a percepção e transforma momentos inocentes em pura angústia. Após a construção do pavor da iminente catástrofe, o </span><a href="https://mashable.com/article/speak-no-evil-movie-ending-explainer"><span style="font-weight: 400;">desfecho amargo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa surpreende ao desafiar a capacidade humana de prazer pelo sofrimento alheio além dos limites imagináveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Autêntico e provocador, o filme explora choques culturais, tensão entre pais e filhos, comportamentos peculiares, etiqueta e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7yrReufusow"><span style="font-weight: 400;">socialização</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma combinação precisa, a obra mostra como as dinâmicas dos relacionamentos podem ser cruéis quando as vítimas se tornam cúmplices de seu destino: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porque vocês deixaram</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Bruno Alvarenga</b></p>
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<figure id="attachment_29788" aria-describedby="caption-attachment-29788" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29788" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Não, Não Olhe, onde o protagonista OJ Haywood, interpretado por Daniel Kaluuya está em cima de um cavalo olhando para frente. O ator está usando um moletom laranja e o cavalo está usando uma máscara verde que o impossibilita de olhar para cima.]" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nope-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29788" class="wp-caption-text">Daniel Kaluuya se consolida como queridinho ao protagonizar Nope, segundo longa de Jordan Peele (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Não, Não Olhe! (Nope)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu terceiro longa como diretor, Jordan Peele não abandona o terror psicológico que acompanhou sua carreira desde o início. Sendo sua marca registrada, o </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> aterrorizante de  </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não, Não Olhe!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">enfrenta o desafio de não cair na mesmice ao tratar de um assunto batido no Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/nao-nao-olhe-5-filmes-sobre-alienigenas-parecidos?city=sao-paulo&amp;partnership=home"><span style="font-weight: 400;">aliens</span></a><span style="font-weight: 400;">. Felizmente, o filme não depende só disso para se desenvolver. Peele conta com uma narrativa bem construída ao redor da dupla principal e um elenco de peso, trazendo relevância até mesmo para a subtrama do longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniel Kaluuya e Keke Palmer interpretam OJ e Emerald Haywood, respectivamente, dois irmãos que, após a morte inesperada do pai, têm que tocar o negócio da família &#8211; o treinamento de cavalos para produções audiovisuais. Junto com o luto, os irmãos Haywood precisam lidar com </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2022/08/25/de-onde-veio-a-criatura-entenda-o-final-misterioso-de-nao-nao-olhe/"><span style="font-weight: 400;">acontecimentos sobrenaturais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que afetam o comportamento dos animais e humanos na fazenda da família. Paralelamente, o telespectador é apresentado a Jupe (Steven Yeun), que protagoniza a subtrama ao vivenciar um trauma de infância e projetá-lo nos acontecimentos paranormais. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> discute, entre vários conceitos, a negritude. Porém, diferente de sua obra primogênita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i><span style="font-weight: 400;">, o debate é coadjuvante do principal &#8211; a espetacularização midiática diante de fatos ou acontecimentos trágicos. Assim como seus irmãos mais velhos </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra! (2017)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós (2019), Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">também tem seu início baseado em uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/as-referencias-biblicas-escondidas-nos-filmes-de-jordan-peele/"><span style="font-weight: 400;">passagem bíblica</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><span style="font-weight: 400;">Naum 3:6 “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu jogarei imundície sobre você, e a tratarei com desprezo; farei de você um exemplo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29790" aria-describedby="caption-attachment-29790" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida.jpg" alt="Cena do filme “Não Se Preocupe, Querida”. Nela, algumas mulheres aparecem sentadas e em pé, dentro de um bonde amarelo. O foco da imagem está no lado direito da imagem, onde Florence Pugh aparece sentada. Florence é uma mulher branca; de cabelos loiros, que estão trançados; olhos verdes. Está vestindo um vestido branco, com detalhes em preto, e um casaco azul-marinho, com detalhes em branco." width="1600" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/nao-se-preocupe-querida-1200x491.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29790" class="wp-caption-text">Em Não Se Preocupe, Querida, Florence Pugh dá um show de atuação (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><strong>Não Se Preocupe, Querida (Don&#8217;t Worry Darling)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com todas as polêmicas atrás e na frente das câmeras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico bem feito. Escrito por Katie Silberman, o roteiro é intrigante, e possui um ‘quê’ de mistério que deixa o espectador preso até o final. A história de Alice (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/florence-pugh/"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Jack (</span><a href="https://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry Styles</span></a><span style="font-weight: 400;">) acontece na cidade fictícia chamada Victory (“Vitória”, em inglês), onde tudo parece estar dentro do normal. Porém, a partir do momento que Alice escuta sua vizinha dizer “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nada tá bem. Eu não durmo. Tenho pesadelos</span></i><span style="font-weight: 400;">”, coisas estranhas começam a acontecer: com tremores na terra e  quedas de avião a sua volta, a protagonista passa a ter </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua memória, desmaios e sensações bizarras. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Se Preocupe, Querida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz para as telonas assuntos delicados – como relações abusivas e violência sexual –, e não aborda “</span><a href="https://screenrant.com/dont-worry-darling-ending-twist-female-pleasure-ruin/"><span style="font-weight: 400;">o prazer feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">”, como havia dito a diretora Olivia Wilde. De forma impactante, o filme consegue mostrar a maldade humana e machista que força mulheres a fazerem ações árduas e dolorosas. Porém, mesmo com todas as suas controvérsias, o longa acertou em sua produção artística: sua trilha sonora foi composta por John Powell, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dragao-3-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Treinar o Seu Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; o figurino, por sua vez, ficou nas mãos de Arianne Phillips, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez em&#8230; Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambos ajudaram na construção do suspense, que, em certos momentos, deixam a pessoa que está assistindo com arrepios, na beirada da poltrona. – </span><b>Laura Hirata-Vale </b></p>
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<figure id="attachment_29778" aria-describedby="caption-attachment-29778" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29778" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais.jpg" alt="Cena de Noites Brutais. Nela, vemos a personagem Tess, interpretada por Georgina Campbell, uma mulher negra de cabelos cacheados. Ela veste uma camiseta cinza que está suja. Sua expressão é um misto de medo e desespero, com os olhos arregalados e a boca aberta, como se estivesse ofegante. A iluminação da cena, deixa a parte esquerda de seu rosto completamente escura. Ao fundo uma parede de pedras, vinda de um buraco cavado." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Noites-Brutais-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29778" class="wp-caption-text">Seguindo a qualidade que o gênero vem calcando na era moderna, Noites Brutais é mais um capítulo do terror com velhos pelados (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Noites Brutais (Barbarian)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 2022, sem dúvidas, foi uma das melhores safras do terror atualmente: este nos serviu desde os clássicos de </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">, terror psicológico, de criatura, </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/media/stories/6-filmes-de-body-horror-que-vao-tirar-seu-sono-por-um-bom-tempo/"><i><span style="font-weight: 400;">body horror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentre os clássicos instantâneos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noites Brutais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Barbarian</span></i><span style="font-weight: 400;">) é o que mais sabe trabalhar as nuances do gênero como um todo, a fim de criar uma atmosfera única. Contando a história de uma mulher que alugou um </span><i><span style="font-weight: 400;">Airbnb</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, ao chegar, vê que a casa já está ocupada por outra pessoa, a obra trabalha em sua própria loucura para criar uma das experiências mais sensoriais e surpreendentes no ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se abstendo da fórmula de três atos, o longa funciona quase como dois média-metragens unidos por alguns de seus conceitos, nesse caso: a própria casa e também a devastação financeira &#8211; lembrando que é um filme ambientado na Detroit ainda com sequelas de sua grande crise. Dessa forma, seu prólogo alia a direção de </span><a href="https://www.instagram.com/zcregger/"><span style="font-weight: 400;">Zach Cregger</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a fotografia de Zack Kuperstein para desenvolver um suspense que dá frio na espinha, brilhantemente trabalhado através de várias óticas. A obra, então, vira de ponta cabeça em seu próprio eixo para se assumir como um terror de criatura, que, apesar de ter dividido opiniões nessa segunda metade, alcança uma catarse que o coloca como uma empreitada extremamente original do gênero. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_29918" aria-describedby="caption-attachment-29918" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29918" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/20221108-o-dragao-do-meu-pai-papo-de-cinema-banner.webp" alt="Cena do filme O dragão do meu pai, na imagem o menino o Elmer e o dragão Boris conversam enquanto passeiam pela floresta. Elmer é um menino de pele branca, cabelo castanho curto, camisa vermelha listrada de branco, bermuda azul e botas pretas e carrega sua mochila preta. O dragão Boris é azul marinho listrado de amarelo com asas douradas e chifrinhos vermelhos." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/20221108-o-dragao-do-meu-pai-papo-de-cinema-banner.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/20221108-o-dragao-do-meu-pai-papo-de-cinema-banner-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/20221108-o-dragao-do-meu-pai-papo-de-cinema-banner-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/20221108-o-dragao-do-meu-pai-papo-de-cinema-banner-768x432.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29918" class="wp-caption-text">O amor e amizade demonstrado por Elmer e Boris preenche corações (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O Dragão do Meu Pai (My Father&#8217;s Dragon) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Simples e emotivo, esse é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nzPemMhVKi0"><i><span style="font-weight: 400;">O Dragão do Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com uma estética bem infantil, o filme é feito de gráficos básicos que lembram o desenho de crianças &#8211; mas não se engane, a trama é capaz de comover corações adultos com tanta sinceridade e confiança. A amizade de Boris e Elmer é tão bonita quanto o amor do protagonista e sua mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sutileza da animação não apaga a importância de seus debates, a falta de trabalho, o abandono de sua cidade natal para buscar algo melhor em uma metrópole e a solidão de uma mãe que sustenta sozinha o seu filho. Elmer traz todo o brilho e leveza para esse tipo de diálogo, abordando temas tão importantes com a beleza que somente as </span><a href="https://popoca.com.br/o-dragao-do-meu-pai-e-um-filme-dois-em-um/"><span style="font-weight: 400;">crianças possuem</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que falta para um bom final seria conhecer a narradora, filha de Elmer, o que é compreensível para um fim singelo. </span><b>&#8211; Thuani Barbosa</b></p>
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<figure id="attachment_29747" aria-describedby="caption-attachment-29747" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29747" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/novelists-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29747" class="wp-caption-text">Já popular no Festival Internacional de Cinema de Berlim, Hong Sang-soo recebeu pela terceira vez o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri, por O Filme da Escritora (Foto: The Cinema Guild)</figcaption></figure>
<p><b>O Filme da Escritora (The Novelist’s Film)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que seUs filmes não destinem o olhar a outra coisa além da vida como ela é, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;"> pouco adentra no que seria uma linguagem documental, apesar de seus personagens não poderem ser mais verdadeiros à realidade do que já são. Talvez seu segredo resida no tipo de vida a qual o diretor escolhe direcionar suas lentes; uma pouco construída pelo que, já muito capturado pelo Cinema, é grandioso. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Filme da Escritora, </span></i><span style="font-weight: 400;">Sang-soo continua seu costumeiro olhar às pequenezas e à beleza mundana, movida por conversas calorosas regadas a álcool e literatura e confissões silenciosas de amigos distantes e de desconhecidos; mas, essencialmente, por personagens em uma insistente </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/the-novelists-film-analise-berlim"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mundo que os cerca, permitindo, em suas andanças, sempre serem movidos e moldados por seus encontros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que potencializa e diferencia o longa de sua prolífica filmografia é o comentário — que acaba, de certa maneira, sendo de um caráter quase ensaístico ao diretor — a sua própria prática criativa. Ao centrar-se em uma escritora tateando novos territórios de sua </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-front-row/the-novelists-film-reviewed-a-drama-of-artistic-crisis-from-a-wildly-prolific-director"><span style="font-weight: 400;">expressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada pela espetacular </span><span style="font-weight: 400;">Lee Hye-Yeong,</span><span style="font-weight: 400;"> a história </span><span style="font-weight: 400;">está inserida </span><span style="font-weight: 400;">em um universo onde os arcos narrativos não são centrais aos planos visualmente econômicos e saturados em </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/hong-sang-soo-uso-preto-e-branco-nao-por-pretensao-mas-por-reminiscencias-afetivas/"><span style="font-weight: 400;">preto e branco</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas sim, em seus personagens e sequências de extrema sinceridade, em uma transposição total do poético às telas do cinema. Em </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2022/programme/202214277.html"><i><span style="font-weight: 400;">The Novelist’s Film</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, existe um excedente das singelas atuações que transbordam o que ali há de real e, sem muitos esforços, mostram a possibilidade de realização de uma arte movida por nada além de um sentimento imenso. — </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29920" aria-describedby="caption-attachment-29920" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-jazz-filme-netflix-01-800x400-1.jpg" alt="Cena do filme O homem do jazz, na imagem Bayou está cantando com os olhos fechados e um sorriso. Bayou é um homem negro, de cabelos pretos curtos e cacheados, veste camisa branca e colete bege." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-jazz-filme-netflix-01-800x400-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-jazz-filme-netflix-01-800x400-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29920" class="wp-caption-text">O Homem do Jazz levou anos para ser produzido, mas seus resultados revolucionaram a carreira de Tyler Perry (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O Homem do Jazz (A Jazzman&#8217;s Blues) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de amor de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PCggYIdUpyw"><span style="font-weight: 400;">Bayou e Leanne</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser descrita em muitas palavras: romântica, realidade e revolta. A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem do Jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">acontece em 1940, em um período pós escravocrata no sul dos Estados Unidos, que retrata a vida de Bayou (Joshua Boone), contada pelos olhos de sua mãe; um jovem negro que foi morto cruelmente e teve seus direitos apagados pelo simples fato tentar viver um amor impossível. Mesmo que todo o sofrimento seja causado por um sistema falho e racista liderado por homens poderosos, é impossível separar o sentimento de raiva por Leanne (Solea Pfeiffer), que teve chances de salvar seu grande amor, mas preferiu o egoísmo de perdê-lo para a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de toda a perfeição do enredo de </span><a href="https://sobresagas.com.br/o-homem-do-jazz-levou-27-anos-para-ser-produzido/"><span style="font-weight: 400;">Tyler Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que poderia facilmente ser baseado em fatos reais), a musicalidade e singeleza nas atuações conquistam qualquer um que as vejam, principalmente o incrível trabalho de Boone, ator que deu vida ao protagonista e emocionou o público com seu talento. Mesmo que para alguns o longa explore estereótipos, a produção condiz com a escrita melodramática dos anos 1990, com personagens sofridos, brigas clássicas e um romance proibido. </span><b>&#8211;</b> <b>Thuani Barbosa</b></p>
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<figure id="attachment_29871" aria-describedby="caption-attachment-29871" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte.jpg" alt="Cena do filme O Homem do Norte. No frame, ambientado em um vilarejo tradicional dos anos 900 em terras de povos nórdicos, aparece em foco Amleth, interpretado por Alexander Skarsgård. Amleth é um homem forte, alto, que aparece sem camisa, tendo seu corpo com manchas de sangue. Em seus dois braços ele utiliza braceletes prateados, além de um colar no peito. Seu cabelo é loiro e grande, seu olho é claro e ele possui uma barba volumosa." width="1300" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-homem-do-norte-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29871" class="wp-caption-text">Em O Homem do Norte, esquecemos que Alexander Skarsgård é ele mesmo, ao interpretar com veemência um príncipe quase animalesco em busca de sua vingança (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>O Homem do Norte</b> <b>(The Northman)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lançar mais um longa, o diretor</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;"> Robert Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;"> demonstra um domínio que exprime o motivo por ser tão aclamado pela crítica. Contando uma história já muito explorada pela indústria cinematográfica, com um orçamento muito maior do que o de seus filmes anteriores (aproximadamente 90 milhões de dólares) e um elenco de grandes nomes, como </span><span style="font-weight: 400;">Alexander Skarsgård, Anya Taylor-Joy (revelada pelo longa anterior do diretor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Björk, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem do Norte</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (The Northman) </span></i><span style="font-weight: 400;">veio brutal, direto e com uma sede de vingança.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No longa, conhecemos a história de Amleth (</span><span style="font-weight: 400;">Alexander Skarsgård</span><span style="font-weight: 400;">), um príncipe </span><i><span style="font-weight: 400;">viking</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, ao presenciar, ainda jovem, o assassinato de seu pai por seu tio, tem sua trajetória completamente mudada. Seus objetivos em vida viram três: a vingança de seu pai, o salvamento de sua mãe e a morte de seu tio. A história de cada personagem e as reviravoltas do roteiro, feito por Eggers em parceria com </span><span style="font-weight: 400;">Sigurjón Birgir Sigurðsson,</span><span style="font-weight: 400;"> mantém um ritmo brutal, mas que carrega uma delicadeza única do diretor, que se ateve a todos os detalhes de cenário, figurino e uma direção de câmera magistral. O projeto é uma obra visual impressionante, que reconta uma história de um jeito nada tradicional, </span><a href="https://www.livrosvikings.com.br/post/principe-amleth-a-personagem-viking-que-inspirou-hamlet-de-shakespeare"><span style="font-weight: 400;">traduzindo um conto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Sétima Arte. </span><b>&#8211; Aryadne Xavier</b></p>
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<figure id="attachment_29857" aria-describedby="caption-attachment-29857" style="width: 1702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2.jpeg" alt="Cena do filme The Menu. Na imagem, vemos Anya Taylor-Joy, que interpreta Margot, mulher branca de cabelos ruivos, usando um vestido violeta sentada na mesa de um restaurante, com uma taça de champagne à sua frente. Ao seu fundo podemos notar as outras mesas com os clientes e de pé, os garçons." width="1702" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2.jpeg 1702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2-800x378.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2-1024x484.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2-768x363.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2-1536x726.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-the-menu-2-1200x567.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29857" class="wp-caption-text">O Menu tenta ser terror mas acaba caindo na comédia (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>O Menu (The Menu)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coloque uma pitada de suspense, cozinhe no humor, deixe de molho em caos e coloque no forno por 106 minutos. Pronto, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i><span style="font-weight: 400;"> está pronto para ser servido. Dirigido pelo mesmo diretor de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OzYxJV_rmE8"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Mark Mylod, a produção nos leva para um jantar homicida do Chef Slowik, interpretado meticulosamente por Ralph Fiennes, em que a tensão e a humilhação aumentam a cada prato servido. A protagonista aqui é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9tr1QOnTFI0"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta Margot, uma personagem que não estava nos planos daquela noite e que, querendo ou não, nos representa naquele ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é classificado como terror, porém, a premissa é a mesma de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">: rir da cara de ricos. A vexação aprofundada na história de cada convidado é o que diverte a quem assiste, além do excessivo constrangimento do personagem de Nicholas Hoult, Tyler. Fora isso, outro destaque é a sua fotografia, assinada por Peter Deming, que brinca com a criatividade dos pratos e a utiliza a seu favor. No geral, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AV7DQ854f6g"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz muitas </span><a href="https://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/"><span style="font-weight: 400;">inovações à mesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é uma ótima degustação. –</span><b> Arthur Caires</b></p>
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<figure id="attachment_29975" aria-describedby="caption-attachment-29975" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv.jpg" alt="Fotografia presente no filme &quot;O Mistério de Marilyn Monroe&quot;. Uma mulher loira olha sorridente para o horizonte. Um homem de óculos de armações escuras pega em seu braço. Ele coloca a cabeça sob seu ombro e olha em direção ao vestido dela. Estão numa paisagem campestre sentados sob uma árvore." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/AAAABbmMgiRBAFUIeLgSgXbVVatLCRG1TzCMqlW8ae1Wwm2iUKpdNXbStvYm_a3CmBOxBv52TOnWbnvqFoccgXaheHypRft-QWgyQWHv-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29975" class="wp-caption-text">Diferente das adaptações recentes e indecentes dela, Norma Jeane era muito mais do que seus retratos midiáticos; logo, o documentário nos habitua a ver outras faces da atriz (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas (The Mystery of Marilyn Monroe: The Unheard Tapes)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um conjunto tocante de fatos abordados através de fitas gravadas pelo próprio psiquiatra de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/biografia/marilyn-monroe.htm"><span style="font-weight: 400;">Marilyn Monroe</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um tom de veracidade, menos romantizado que adaptações recentes da vida da atriz, que não fizeram favor a sua imagem. Diga-se de passagem, gasta pelo uso e reuso, assim como o abuso, de uma história de vida densa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário também levanta </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62462739"><span style="font-weight: 400;">mistérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conspirações, mostrando evidências baseadas em testemunhas e documentos. Porém, isso talvez não seja o melhor ponto do filme, e sim a humanização da pessoa Norma Jeane. É possível apreciá-la em diversos momentos que vão além da imagem </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, quase sempre, é a propagada. Se você for fã de</span><i><span style="font-weight: 400;"> true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, drama e documentários, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma forte recomendação. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini </b></p>
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<figure id="attachment_29977" aria-describedby="caption-attachment-29977" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido.jpg" alt="Cena do filme O Pálido Olho Azul. Homem branco barbudo de cabelos grisalhos segura uma chama numa sala de papel de parede estampado azul, preto e branco. Ele está perto de uma lareira e sob ela um relógio antigo, uma pintura e outros objetos. Ele olha para além daquele espaço observando algo na distância.]" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/o-palido-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29977" class="wp-caption-text">Edgar Allan Poe escreveu a primeira história moderna de detetives antes mesmo de Agatha Christie, com o personagem Auguste Dupin, que teve sua primeira aparição em 1841 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O Pálido Olho Azul (The Pale Blue Eye)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Pálido Olho Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mistério de época que faltava no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os fãs dos gêneros </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/misterios-e-assassinatos-7-livros-de-suspense-para-conhecer-em-2022/"><span style="font-weight: 400;">mistério e policial</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de filmes de época, devem ter se entusiasmado e tiveram suas expectativas atendidas: a obra é um deleite. O mais surpreendente durante mais de duas horas de filme são os últimos 20 minutos do título. Podemos estar nos adiantando, mas é um tempo bem gasto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Christian Bale, intérprete do detetive Augustus Landor, entrega um personagem racional e frio, mas extremamente humano e falho. Harry Melling, que atua como </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;">, certamente é uma ótima representação de como o autor seria enquanto em vida: um ser no mínimo peculiar, cativante e misterioso, mas muito gentil. A melhor parte do filme é a atuação dos dois papéis principais, com uma boa química entre eles, reviravoltas e contradições nas ações entre Poe e Melling. Ao final, o espectador torce para que o autor dos romances fique com a mocinha e deseja tê-lo conhecido &#8211; uma inspiração para diretores de Cinema, escritores de livros e roteiristas ainda hoje. </span><b>&#8211; Izadora Azevedo Albertini</b></p>
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<figure id="attachment_29765" aria-describedby="caption-attachment-29765" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey.jpg" alt="Cena do filme O Predador: A Caçada. Naru (Amber Midthunder) está de costas contra uma árvore, preenchendo a metade esquerda da tela, escondida do Predador, à direita, fora de foco. Naru é uma mulher Comanche de cabelos pretos e longos, usando roupas de couro marrom. Manchas de sangue cobrem o seu rosto. Atrás dela, podemos ver que o Predador possui cabelos pretos e longos e um tipo de capacete branco. Está de dia, com uma luz do Sol branca iluminando-os por entre as folhas das árvores." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/prey-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29765" class="wp-caption-text">“Se ele sangra…” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>O Predador: A Caçada (Prey)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase 40 anos depois que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_1wDBNHYDv8"><span style="font-weight: 400;">o clássico</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrelado por Arnold Schwarzenegger mudou o Cinema de ação e introduziu um dos grandes monstros da ficção científica, o Predador volta às telas &#8211; só que dessa vez, direto para o </span><a href="https://cinepop.com.br/o-predador-a-cacada-quebra-novos-recordes-no-streaming-359714/"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dirigido por Dan Trachtenberg (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-cloverfield-10-tensao-suspense-psicologico-rua-sem-saida/"><i><span style="font-weight: 400;">Rua Cloverfield, 10</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zixUr3I7o2U"><i><span style="font-weight: 400;">O Predador: A Caçada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um prelúdio do filme de 1987, se passando quase 200 anos antes que o icônico alienígena enfrentasse o Major Dutch nas selvas da América Central. Aqui, acompanhamos a jornada de </span><a href="https://www.cinemaepipoca.com.br/o-que-e-genero-coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Naru (Amber Midthunder), uma guerreira </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/guerreiros-comanche-se-tornam-protagonistas-em-o-predador-a-ca%C3%A7ada-novo-cap%C3%ADtulo-da-franquia-1.866776"><span style="font-weight: 400;">Comanche</span></a><span style="font-weight: 400;"> tentando se provar para o resto de sua tribo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Patrick Aison entende algo que a maioria das </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/the_predator"><span style="font-weight: 400;">sequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Predador</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esqueceram: o Predador não é suficiente. É preciso haver alguém que valha a pena seguir e torcer para que sobreviva à perseguição, contra todas as possibilidades. O novo filme retoma essa tradição, introduzindo uma protagonista que cresce durante a jornada e se torna uma adversária à altura de seu oponente, em uma estrutura certamente clássica, mas inteiramente efetiva. Apesar de estar sempre procurando por novos recursos, a maior arma de Naru acaba se tornando sua mente inquisitiva e astuciosa. Ela é a primeira que percebe que há algo na floresta que não deveria estar ali, escalando a cadeia alimentar em direção à ela e sua tribo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das sequências de ação do filme não deixarem à desejar, é na tensão que Trachtenberg brilha, construindo habilmente a rivalidade entre a guerreira e o Predador (que também possuí novos brinquedos que nunca vimos antes) em direção à um clímax tão arrebatador em sua claridade emocional e física que se torna impossível não vibrar com cada golpe recebido. Resta apenas torcer para que a franquia finalmente volte aos eixos e que as próximas sequências recebam de volta a honra de serem lançadas em uma sala de cinema. — </span><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_29753" aria-describedby="caption-attachment-29753" style="width: 1843px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto.jpg" alt="Cena do filme O Telefone Preto. Na imagem, o sequestrador Albert está dormindo sentado enquanto o menino Finney o observa, tentando escapar. A câmera captura o homem a partir do busto e a criança a partir do joelho. Albert é um homem branco de cabelos castanhos que veste uma máscara assustadora para cobrir o rosto. Shaw é um menino branco de cabelos castanhos e olhos escuros. Ele veste uma camisa cinza de mangas longas azuis e uma calça jeans. O cenário é a casa de Albert, onde há móveis em tons terrosos e uma iluminação amarela." width="1843" height="1179" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto.jpg 1843w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto-800x512.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto-1024x655.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto-1536x983.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/O-Telefone-Preto-1200x768.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29753" class="wp-caption-text">O Telefone Preto marcou o reencontro do diretor Scott Derrickson e o ator Ethan Hawke com o terror (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>O Telefone Preto (The Black Phone)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dCAbPQnFAU4"><i><span style="font-weight: 400;">O Telefone Preto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ethan Hawke tinha uma máscara, um telefone preto quebrado no porão e um carisma assustador capaz de hipnotizar qualquer criança. Porém, a sua presença intimidadora fez parecer que ele desejava algo a mais: prender a respiração do público. E Hawke conseguiu., nNa pele do sequestrador Albert, o ator se transformou em uma aberração que deixou o rastro do horror no ar, responsável por causar repulsa em quase todas as cenas que dividia com Finney (Mason Thames). Esperto na direção do longa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yns9ZfGd5ZE"><span style="font-weight: 400;">Scott Derrickson</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe para as telas do Cinema o pavor do conto de mesmo nome do autor estadunidense Joe Hill.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com roteiro e premissa simples, o texto de Derrickson e C. Robert Cargill ganha dimensão através do elenco adulto e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ipnL93_5hQ8"><span style="font-weight: 400;">infantil</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos excelentes e mergulhados por completo na profundidade da atuação que uma produção de suspense exige. Ambientado no final da década de 1970, o longa possui efeitos especiais um tanto quanto bizarros, mas que, surpreendentemente, não tiram a imersão da atmosfera de medo. Produzido pelo veterano das franquias de terror Jason Blum, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Telefone Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> acertou ao colocar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2AwKwzOLFo0"><span style="font-weight: 400;">Ethan Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;"> no comando do temor e se consagrou entre os melhores filmes do gênero em 2022. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29748" aria-describedby="caption-attachment-29748" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/super8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29748" class="wp-caption-text">O filme foi transmitido na 20ª edição da Flip, acompanhado de um bate papo com Annie Ernaux e David Ernaux-Briot, diretores do filme (Foto: Les Films Pelleas)</figcaption></figure>
<p><b>Os Anos do Super 8 (Les Années Super 8)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrança e esquecimento. Os eixos temáticos que atravessam a obra literária da escritora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">, laureada pelo Prêmio Nobel da Literatura, fazem que seja natural o destino — trilhado por sua característica autosociobiografia — a uma apropriação reflexiva dos arquivos, como feita no filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Anos do Super 8</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">O longa, ambientado pelas imagens silenciosas das filmagens de uma câmera Super 8, que capturou a esfera matrimonial e familiar da autora por mais de uma década, é montado a partir da narração de um texto de Ernaux acerca dos anos em que a máquina esteve presente na construção de suas relações interpessoais, sempre (como em sua escrita) em confronto com o coletivo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Les Années Super 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> — título original da obra estreante, no Brasil, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/46a-mostra/"><span style="font-weight: 400;">46ª Mostra</span></a><span style="font-weight: 400;"> Internacional de Cinema em São Paulo — adiciona uma sensibilidade única à prática recorrente de retomada de arquivos ao se propor ao desafio de procurar, em imagens extremamente íntimas e domésticas, registros invisíveis das mudanças não apenas de um núcleo familiar, mas sim de uma geração. A delicadeza melancólica com que Ernaux e seu filho (e também parceiro de direção do longa), David Ernaux-Briot, se vêem diante dos arquivos — como guardiões de uma luminosidade e de um tempo único de suas vidas — é o que confere excepcionalidade a um trabalho tão verdadeiro a si mesmo quanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">a literatura da autora</span></a><span style="font-weight: 400;">. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29969" aria-describedby="caption-attachment-29969" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29969" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Os-Banshees-de-Inisherin-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29969" class="wp-caption-text">Martin McDonagh reúne Brendan Gleeson e Colin Farrell em um conto melancólico sobre amizade e existencialismo (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Os Banshees de Inisherin (The Banshees of Inisherin)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1923, na ilha fictícia de Inisherin, os sons da guerra civil irlandesa são ouvidos diariamente, de forma alternada às conversas e fofocas alheias. Esse cenário, contudo, diz bem mais do que parece dizer: as bombas do outro lado do mar sintetizam o caos emocional no qual, em breve, todos os personagens estarão submersos. Com um roteiro sempre à beira do colapso, </span><a href="https://deadline.com/video/martin-mcdonagh-interview-career-banshees-of-insherin-behind-the-lens/"><span style="font-weight: 400;">Martin McDonagh</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne novamente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Colin Farrell e Brendan Gleeson, que dividiram o protagonismo em seu longa de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Bruges </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, depois de anos bebendo juntos no </span><i><span style="font-weight: 400;">pub </span></i><span style="font-weight: 400;">da ilha, Pádraic (Farrell) recebe uma recusa de seu melhor amigo, Colm (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gleeson</span></a><span style="font-weight: 400;">), e demora a entender que essa situação é permanente. Eles são diferentes, um tipo de “</span><i><span style="font-weight: 400;">yin-yang</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Cinema” que, aqui, é muito bem trabalhado: Pádraic é a alma doce e ingênua, que pode ficar horas falando sobre sua burrinha, Jenny – possivelmente seu único amor verdadeiro. Colm, por outro lado, é o malicioso intelectual, o músico deprimido que quer deixar “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma marca no mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Dessa situação – a princípio insustentável – surge uma das tramas mais fascinantes de 2022, na qual </span><a href="https://cinepop.com.br/globo-de-ouro-2023-colin-farrell-leva-o-premio-de-melhor-ator-em-comedia-por-os-banshees-de-inisherin-386112/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> (tarefa difícil, visto que Kerry Condon e </span><a href="https://cinepop.com.br/bafta-2023-barry-keoghan-conquista-premio-de-melhor-ator-coadjuvante-por-os-banshees-de-inisherin-396049/"><span style="font-weight: 400;">Barry Keoghan</span></a><span style="font-weight: 400;"> também integram o elenco).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">McDonagh constrói as cenas no mesmo espaço, quase como uma peça de teatro gravada. O personagem de Farrell tem como característica “se transformar” quando fica alcoolizado; essa mudança é crucial no desenrolar da trama, mas é ainda mais contundente ao demonstrar a habilidade do ator, que precisa dar vida a um indivíduo que gradualmente perde sua bondade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i><span style="font-weight: 400;"> mescla constantemente a comédia e a tragédia, nos fazendo rir da desgraça de forma civilizada, como se fosse a adaptação de um conto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloomsday-desafio-ulysses/"><span style="font-weight: 400;">James Joyce</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não por acaso o longa foi o grande vencedor do Globo de Ouro deste ano, e chega ao </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como um dos favoritos a pelo menos uma estatueta. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29877" aria-describedby="caption-attachment-29877" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO.jpg" alt="Cena do filme de animação Os Caras Malvados, da DreamWorks. Imagem retangular e colorida. Nela, cinco animais antropomorfizados tiram uma ‘selfie’ com uma câmera analógica em frente a um bolo de aniversário. O personagem que está no meio, uma cobra amarela vestindo um chapéu de pescador, está com um rosto sério e parece não gostar da situação. Os outros quatro: um lobo vestindo blazer branco, que segura a câmera; uma pequena tarântula laranja, com fones de ouvido no pescoço; um grande tubarão branco e uma piranha verde; sorriem empolgados para a foto." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/BAD-GUYS-ENRICO-SOUTO-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29877" class="wp-caption-text">O diretor de The Bad Guys, Pierre Perifel, foi responsável pelos efeitos visuais de A Lenda dos Guardiões, um dos filmes de maior apelo visual da Dreamworks (Foto: Dreamworks)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras Malvados (The Bad Guys)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a ascensão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2014, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói uma hegemonia na indústria de animações. Contudo, além de sua expansão vertiginosa, outras de suas maiores concorrentes, como é o caso da </span><a href="https://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks Animations</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passaram por maus bocados. Com o fim de suas principais franquias, o estúdio apostava em projetos divertidos, porém gradativamente mais efêmeros. Até que um </span><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrou no caminho, colocando as técnicas de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> em metamorfose e alterando de vez a rota das produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreamworks</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes mesmo do sucesso aterrador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gato de Botas 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras Malvados</span></i><span style="font-weight: 400;"> é produto direto disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a lógica de reimaginar gêneros estabelecidos de histórias à sua maneira, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bad Guys</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o </span><a href="https://editorial.rottentomatoes.com/guide/best-heist-movies-of-all-time/"><i><span style="font-weight: 400;">heist movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">, assumindo o caráter lúdico do arquétipo de seus protagonistas e os explorando de maneira tão astuta quanto as tramoias do inusitado grupo de animais fora-da-lei. Adaptar livros infantis para longas-metragens não é uma tarefa simples e é por isso que Etan Cohen, Yoni Brenner e Hilary Winston guiam o roteiro para que, imersos em uma trama tão simples quanto poderia ser, os personagens se tornem a bússola do projeto. São nos momentos mais singelos, entre tomadas de seu incrível espetáculo visual, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras Malvados </span></i><span style="font-weight: 400;">reencontra a essência do estúdio </span><b>&#8211; Enrico Souto</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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<figure id="attachment_29787" aria-describedby="caption-attachment-29787" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29787" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1.jpg" alt="A foto mostra uma cena do filme onde Sammy Fabelman, interpretado por Gabriel Labelle, está ao ar livre olhando para a câmera com um olho enquanto o outro olho está atrás de uma câmera, o menino está filmando uma cena" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-10-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29787" class="wp-caption-text">Ao ser indicado à categoria de Melhor Direção por Os Fabelmans, Steven Spielberg se iguala a Martin Scorsese com nove indicações (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Os Fabelmans (The Fabelmans)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de 40 filmes compondo sua filmografia, em 2022 </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/steven-spielberg-conhe%C3%A7a-hist%C3%B3ria-por-200000637.html"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> decide relembrar sua juventude em longa semi-autobiográfico &#8211; Os Fabelmans, uma declaração de amor ao Cinema. O filme, como promete, acompanha a história de Sammy (Gabriel LaBelle), alter ego de Steven, no processo do descobrimento de sua paixão pelo audiovisual após ser levado ao cinema pelos pais pela primeira vez para assistir </span><i><span style="font-weight: 400;">O maior espetáculo da Terra</span></i><span style="font-weight: 400;">. A partir daquele momento, o filme se torna metalinguístico ao passo em que Sammy começa a fazer suas próprias gravações em casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa é complementada com o lirismo das relações entre a família Fabelman. Paul Dano e </span><a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/os-5-motivos-que-darao-o-oscar-2023-de-melhor-atriz-para-michelle-williams-por-os-fabelmans"><span style="font-weight: 400;">Michelle Williams</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretam com louvor os pais do protagonista e trazem o drama necessário para o desenvolvimento da biografia, formando uma família extremamente relacionável, que, apesar de por fora parecer perfeita, carrega segredos e conflitos internos. LaBelle, que interpreta com excelência o jovem Spielberg, vivencia essas revelações e está sempre com uma câmera em mãos, registrando até os momentos mais infelizes. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29786" aria-describedby="caption-attachment-29786" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Scream.jpg" alt="Cena do filme Pânico 5. Na fotografia, a personagem de Jenna Ortega está dentro de uma casa com uma porta de vidro branca e uma cortina. Ela olha apreensivamente para fora, procurando por algo. Ela está usando um suéter rosa, calça jeans, seu cabelo castanho está preso e ela segura um celular com a tela desbloqueada que reflete uma luz azulada. Os tons da fotografia são quentes. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Scream.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Scream-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29786" class="wp-caption-text">O roteirista Kevin Williamson escreveu o primeiro filme de Pânico após assistir um documentário sobre o serial killer Danny Rolling (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Pânico 5 (Scream)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns clássicos simplesmente nunca saem de moda. A querida franquia </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retornou em 2022 para mostrar que sua fórmula não será ultrapassada, mesmo apesar da nova temporada de obras </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-150850/"><span style="font-weight: 400;">pós-terror</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com boa parte do elenco original para nos trazer nostalgia e com diversas referências aos seus antecessores, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/slasher/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">consegue revitalizar uma narrativa que fez sucesso por 20 anos para uma nova geração &#8211; afinal, quem ainda usa o telefone fixo em casa? Em uma bela homenagem ao falecido </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/um-tributo-a-wes-craven-o-criador-de-pesadelos"><span style="font-weight: 400;">Wes Craven</span></a><span style="font-weight: 400;">, co-criador dos quatro primeiros filmes da sangrenta saga do vilão </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> o surgimento de novas protagonistas que entenderam muito bem o legado que a icônica dupla Sidney Prescott (Neve Campbell) e Gale Weathers (Courtney Cox) deixaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta era inédita, vemos as irmãs Sam Carpenter (Melissa Barrera) e Tara Carpenter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jenna-ortega/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">) brilharem na busca do assassino e se surpreenderem junto com o público em sua descoberta: ficamos de queixo caído em mais uma inesquecível revelação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface,</span></i><span style="font-weight: 400;">  uma confirmação de que um bom vilão sempre será famoso &#8211; tão famoso que já abalou novamente as estruturas em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F4LhySFaOMo"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de tirar o fôlego, anunciando que não demoraremos muito para ver o sexto filme nas telas do cinema. De fato, apesar da obra vir em um ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">slashers</span></i><span style="font-weight: 400;"> de altíssimo nível,  </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu consagrar-se tanto na </span><a href="https://gcmais.com.br/entretenimento/2022/02/03/panico-5-arrecada-cerca-de-r-528-milhoes-em-bilheteria-e-produtora-confirma-panico-6/"><span style="font-weight: 400;">bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto com o público. A verdade é que estamos mais do que felizes com a volta da franquia que fez boa parte da geração Z se apaixonar pelo horror. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_29851" aria-describedby="caption-attachment-29851" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/namor.png" alt="Cena do filme Pantera Negra: Wakanda para Sempre. Na imagem está o personagem Namor, interpretado por Tenoch Huerta. Ele é um homem latino de cabelos curtos pretos, tem orelhas pontudas e sobrancelhas cheias. O personagem está vestindo brincos verdes, um adereço no septo e diversos colares. Em suas mãos há uma lança." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/namor.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/namor-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/namor-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/namor-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29851" class="wp-caption-text">Após a morte de Chadwick Boseman em 2020, Wakanda ganhou cores sob o saudosismo (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><strong>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (Black Panther: Wakanda Forever)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos de Ryan Coogler para fazer com que </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alcançasse uma continuação à altura depois da morte do ator do protagonista T’Challa, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/08/28/chadwick-boseman-morre-apos-lutar-contra-cancer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Chadwick Boseman</span></a><span style="font-weight: 400;">, eram misteriosos. Felizmente, algumas surpresas são boas e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda para Sempre </span></i><span style="font-weight: 400;">foi uma dessas. O longa-metragem usa a delicadeza do universo singular de Wakanda para trazer cultura e ancestralidade quando o assunto são despedidas. O movimento se afasta de outras produções </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas isso é feito com um propósito tão nobre que acaba se tornando um diferencial e não uma falha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque do enredo – de autoria do diretor em parceria com Joe Robert Cole – é a construção do vilão Namor (</span><a href="https://personaunesp.com.br/narcos-mexico-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tenoch Huerta</span></a><span style="font-weight: 400;">). O personagem, que aparece nos quadrinhos ainda na década de 30 como pioneiro na ideia de contraposição aos heróis, tem suas convicções e ideais muito bem construídos em sua adaptação para as telas. No filme, ele e os cidadãos de Talocan são inspirados nos povos nativo-americanos e é isso que torna suas motivações tão sinceras e bem estabelecidas. Sua defesa pela segurança dos seus e o medo do que o interesse na exploração dos recursos pode causar são tão verdadeiros que até sua classificação como vilão é questionável &#8211; anti herói é um termo mais adequado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem as polêmicas da vida pessoal de </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/as-polemicas-da-atriz-letitia-wright-protagonista-de-pantera-negra-2/"><span style="font-weight: 400;">Letitia Wright</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foram suficientes para apagar o brilho de Shuri e a protagonista continua primorosa. Sob a atuação segura e expressiva da atriz, seu processo de amadurecimento é doloroso, mas envolto por muito respeito e serenidade. Em outros aspectos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Panther:</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Wakanda Forever</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome original da produção – mantém o encantamento. As roupas e cenários – responsabilidade da figurinista Ruth E. Carter e da desenhista de produção Hannah Beachler – são esplendorosos, assim como a fotografia de Autumn Durald Arkapaw, que traz leveza e sensibilidade mesmo nas cenas de mais ação. Wakanda, vai ser um prazer estar para sempre com você. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_29879" aria-describedby="caption-attachment-29879" style="width: 2261px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29879" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2.png" alt="Cena do longa-metragem Passagem, da A24. Imagem retangular e colorida. Nela, Lynsey, interpretada por Jennifer Lawrence, e James, interpretado por Brian Tyree Henry, comem raspadinhas nos fundos de uma sorveteria. Lynsey é uma mulher branca, com cabelos lisos e loiros, que veste uma regata azul-clara. Ela sorri para James e segura uma raspadinha colorida. James é um homem negro, de cabelos crespos e escuros, que veste uma camiseta branca lisa e leva uma blusa marrom e verde nos ombros. Ele olha para Lynsey, enquanto morde sua raspadinha de cor branca." width="2261" height="1183" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2.png 2261w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2-800x419.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2-1024x536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2-768x402.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/CAUSEWAY-ENRICO-SOUTO-2-1536x804.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29879" class="wp-caption-text">Viraram queridinhos da Academia, mas não é só da academia, é que eles são bons mesmo (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Passagem (Causeway)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma estranheza primordial a </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em todas as interações entre Lynsey (</span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">) e James (</span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-3-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Brian Tyree Henry</span></a><span style="font-weight: 400;">), desde o momento em que um carburador danificado uniu a trajetória dos dois, paira no ar uma sensação de deslocamento, como se houvesse uma barreira contínua os impedindo de se conectarem em plenitude e, não importa o esforço, não conseguissem a ultrapassar. Entretanto, é essa persistência em construir pontes e continuar existindo, ao lado e apesar de seus traumas, que dá sentido à experiência dilacerante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Causeway</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é por acaso que a diretora Lila Neugebauer dê tamanha ênfase no processo de Lynsey de reaprender as tarefas mais básicas, como andar ou comer, em paralelo a solitude de sua relação com James que, tal qual ela, precisa descobrir como amar de novo. É a partir desses vazios deixados por seus personagens que Lawrence e Tyree Henry, indicado pela primeira vez ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Ator Coadjuvante, preenchem o filme, transbordando os limites da tela e colocando cenas absolutamente cotidianas entre as mais intensas do ano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_29853" aria-describedby="caption-attachment-29853" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl.jpg" alt="Cena do filme Pearl. Mia Goth, que interpreta a personagem principal Pearl, é uma mulher branca e jovem de cabelo castanho escuro. Ela aparece centralizada na imagem, com o cabelo repartido ao meio e preso por dois acessórios de renda brancos. Com os olhos arregalados e lacrimejados, ela encara a câmera e sorri. Ao fundo, da esquerda para direita, nota-se um cenário de cores azuladas e alaranjadas, indicando o interior de uma casa" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/pearl-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29853" class="wp-caption-text">Mia Goth encara o abismo e este o encara de volta em um ciclo de terror psicológico (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Pearl</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não se enquadrar, essencialmente, no rótulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">comfort movie</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;"> acabou caindo nas graças do nicho social adepto da glamourização de atos trágicos, tais como chorar no banho e pedir </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em festas. Ademais, a obra dirigida por Ti West estabelece laços de irmandade com o filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">isto é, apresenta-se como história de origem da personagem Pearl. Esta, por sua vez, é interpretada magistralmente por Mia Goth em uma jornada a qual não deve ser limitada à denominação de </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas pensada enquanto prova de que </span><i><span style="font-weight: 400;">mommy issues </span></i><span style="font-weight: 400;">e quebras de expectativas juvenis assustam mais do que qualquer monstro feito em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pearl </span></i><span style="font-weight: 400;">é, no fim, uma visita aos pontos turísticos da psique da protagonista cuja desenvoltura é medida por angústia e imprevisibilidade. Além disso, essa viagem pelas ramificações da personagem é guiada por uma fotografia colorida &#8211; típica do </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/os-100-anos-do-technicolor-saturacao-sutileza-nas-telas-de-cinema-16650173"><i><span style="font-weight: 400;">technicolor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 40 &#8211; e por um roteiro envolvente, escrito por Mia Goth e Ti West, que faz qualquer um abandonar o celular e aproveitar o momento. Mesmo bebendo da fonte do </span><a href="https://cinepop.com.br/o-terror-sobrenatural-e-o-ocultismo-dos-anos-70-297087/"><span style="font-weight: 400;">terror clássico</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70, o filme</span> <span style="font-weight: 400;">quer saciar sua sede em uma geração que busca suprir expectativas e sonhos criados por e para ela, seja com suor ou, no caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl, </span></i><span style="font-weight: 400;">sangue.  </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_29785" aria-describedby="caption-attachment-29785" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29785" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2.png" alt="Pinóquio, um boneco de madeira cortada de forma rústica, com membros muito finos e nariz comprido se apresenta em um palco, Gepeto aparece no canto da cena de costas, mostrando apenas sua barba branca e parte de sua face." width="740" height="380" /><figcaption id="caption-attachment-29785" class="wp-caption-text">A estética das criaturas de Guillermo del Toro é sua marca registrada (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Pinóquio (Guillermo del Toro&#8217;s Pinocchio)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças às leis de direitos autorais, o conto clássico italiano de Carlo Collodi sobre as desventuras de um boneco de madeira que ganha vida foi agraciado com inúmeras releituras sob as mãos de diversos artistas nos últimos anos. Só em 2022, nós tivemos dois filmes sobre o mentiroso mais famoso do planeta. Para muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinóquio</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">, pode, por hora, figurar como o filme definitivo da franquia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exclusivo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa-metragem é fruto do maior rigor artístico possível. Só por se tratar de uma animação </span><a href="https://www.dna.tv.br/a-historia-do-stop-motion/"><i><span style="font-weight: 400;">Stop Motion</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ele necessitaria de toneladas de esmero e dedicação e del Toro não entregou menos que isso. Com </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/pinoquio-por-del-toro-video-incrivel-mostra-como-filme-foi-criado,3da261e04a8c12d56dd8418c94d6209bbzd26scn.html"><span style="font-weight: 400;">mil dias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de  produção e mais de 900 dias de filmagens &#8211; isso sem contar os quase dez anos em que o diretor tentava convencer os estúdios a realizarem o projeto -, o filme é a própria definição de obra de arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo escrito por del Toro e Patrick McHale se desenvolve em meio ao auge do governo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63167615"><span style="font-weight: 400;">fascista</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Itália dos anos 1930. A maturidade dos temas tratados surpreende, transitando entre a rejeição parental até a mortalidade e o luto, assuntos que dialogam com a </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/del-toro-mae-morte"><span style="font-weight: 400;">intimidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do próprio diretor. Pinóquio mostra que apesar de navegar em um mundo fantástico, definitivamente não é inocente ou infantil. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_29760" aria-describedby="caption-attachment-29760" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado.jpg" alt="Cena do filme Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz. Imagem horizontalmente retangular. Ao fundo, vemos um ambiente natural, formado por algumas árvores, um chão de terra e um riacho. No lado esquerdo da imagem, vemos os personagens Zé Arigó e Chico Xavier. Ambos estão sentados no chão e encontram-se distantes da câmera. Zé Arigó veste uma camisa amarela, uma calça marrom, apoia os braços na perna e olha para baixo. Chico Xavier veste uma camisa branca, uma calça clara, óculos escuros e olha para frente. Arigó e Chico aparecem refletidos no riacho. " width="1600" height="1068" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-Filmes-2022-Predestinado-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29760" class="wp-caption-text">A atmosfera de Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz é capaz de encantar dos mais céticos aos mais religiosos (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Razão e fé, paz e tormento, livre arbítrio e predestinação. É por meio de tensões que </span><i><span style="font-weight: 400;">Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz</span></i><span style="font-weight: 400;"> se fortalece como narrativa cinematográfica e foge dos clichês de uma cinebiografia. Ao contar a história do médium mineiro </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/08/29/interna_gerais,683048/exposicao-relembra-historia-de-medium-mineiro-que-atendeu-mais-de-4-mi.shtml"><span style="font-weight: 400;">José Pedro de Freitas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais conhecido como Zé Arigó, o longa-metragem de Gustavo Fernández </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/critica-predestinado-recupera-crenca-na-mediunidade-apos-joao-de-deus"><span style="font-weight: 400;">não tenta impor religiões e crenças</span></a><span style="font-weight: 400;">, embora reconstrua, com posicionamentos bem explícitos, o cotidiano e as contradições de um homem que demorou para aceitar sua verdade e seu propósito de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporalidade permanece suspensa nas quase duas horas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Predestinado</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o espectador acompanha o dia a dia de Zé Arigó em detalhes significativos, que parecem relatar uma vida inteira em tempo real. Não há quem fuja do teor reflexivo do longa-metragem, capaz de questionar desde a veracidade de crenças e cirurgias espirituais até a nem sempre explícita </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/616627/critica-predestinado-arigo-e-o-espirito-do-dr-fritz-2022-cirurgiao-espiritual-de-bom-coracao/"><span style="font-weight: 400;">disputa de narrativas religiosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> historicamente firmada em solos brasileiros. No fim, caso esse conjunto de qualidades ainda não convença o espectador mais exigente, </span><a href="https://caras.uol.com.br/atualidades/danton-mello-diz-que-deixou-de-ser-ateu-apos-experiencia-sobrenatural-tive-crise-de-choro.phtml"><span style="font-weight: 400;">a atuação de Danton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;"> já serve de satisfação e deleite para corpo e alma. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_29827" aria-describedby="caption-attachment-29827" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/red.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/red.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/red-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29827" class="wp-caption-text">Red é a representação metafórica do amadurecimento feminino (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Red: Crescer é uma Fera (Turning Red)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o primeiro filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i> <a href="https://mulhernocinema.com/noticias/primeiro-longa-solo-de-uma-mulher-na-pixar-red-crescer-e-uma-fera-estreia-no-disney/"><span style="font-weight: 400;">dirigido unicamente por uma mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">, Domee Shi, uma artista sino-canadense, nos conta uma história muito íntima sobre amadurecimento e aceitação. No Canadá, durante os anos 2000, uma garota de ascendência chinesa chamada Mei Lee, após entrar na puberdade, descobre que, devido a uma espécie de maldição familiar, toda vez que seus sentimentos são aflorados ela se transforma em um panda vermelho, metáfora mais que explícita para as mudanças do corpo feminino e a chegada da adolescência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora equilibra muito bem o tema sério com um tom leve e engraçado. Ao mesmo tempo em que utiliza expressões exageradas e visuais cartunescos inspirados nas animações e animes que assistia durante a infância, a obra faz bom uso do diálogo e subtexto para nos mostrar o conflito de gerações dentro da tradição familiar chinesa. A inocência, juntamente com a competência artística de seus realizadores, fazem com o que o filme estabeleça uma conexão única com seus mais diversos espectadores. Por isso, </span><a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, além das várias indicações e vitórias em premiações mundiais, concorre ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a> <span style="font-weight: 400;">na categoria de Melhor Filme de Animação. &#8211; </span><b>Leonardo Ribeiro Jorge</b></p>
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<figure id="attachment_29980" aria-describedby="caption-attachment-29980" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34.jpeg" alt="" width="1600" height="860" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34-1024x550.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34-1536x826.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/regra-34-1200x645.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29980" class="wp-caption-text">Regra 34 foi exibido no Festival do Rio e na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><b>Regra 34</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">pornografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> já é polêmica o suficiente para render discussões e motivar incontáveis linhas de raciocínio em produções, </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34 </span></i><span style="font-weight: 400;">cruza o assunto com o BDSM e os confronta com a violência &#8211; tanto física quando de gênero e racial. Na obra, Simone, estudante de Direito que paga pela faculdade com seus lucros em um </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">pornô, trabalha em uma instituição de denúncias de agressões à mulher e, paralelamente, passa a experimentar o BDSM, prática sexual que, consentida, envolve violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condução questionadora de Júlia Murat na direção recusa </span><a href="https://mashable.com/article/bdsm-therapy-sexual-trauma"><span style="font-weight: 400;">juízos de valor</span></a><span style="font-weight: 400;">. As contradições da protagonista, interpretada profundamente e cheia de nuances por Sol Miranda, estão à mostra: defendendo mulheres durante o dia, ela procura a violência em seus momentos de lazer. Com os eventos à exposição, o espectador é livre para tirar suas próprias conclusões sem que a diretora e roteirista &#8211; junto de Gabriela Capello, Rafael Lessa e Roberto Winter &#8211; interpretem a moral de </span><a href="https://personaunesp.com.br/regra-34-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No retrato da vida real, não há uma. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29766" aria-describedby="caption-attachment-29766" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection.jpg" alt="Cena do filme Resurrection. Margaret (Rebecca Hall) é uma mulher caucasiana magra de cabelos negros, olhando fixamente para a direita da tela, com seu rosto parcialmente refletido em um espelho no lado direito. Ela usa um casaco cinza por cima de uma camiseta escura. O fundo está fora de foco, mas parece ser uma loja de departamentos iluminada por luzes frias. O reflexo dela parece encarar a câmera intensamente." width="1920" height="864" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection-1024x461.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection-768x346.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection-1536x691.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/resurrection-1200x540.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29766" class="wp-caption-text">O passado não fica enterrado (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Resurrection</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito se fala do monólogo impressionante de Mia Goth no terceiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas é igualmente necessário falarmos sobre os oito minutos de loucura proferidos por Rebecca Hall no ponto de virada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n6uIvEpxQ9o"><i><span style="font-weight: 400;">Resurrection</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: nele, a atriz veterana se presta ao papel de Margaret, uma mãe solteira atormentada por um fantasma de seu passado na forma de David (Tim Roth), em uma performance maravilhosamente contida e subjugada. Escrito e dirigido por Andrew Semans, o suspense do longa é inegavelmente lento, mas preciso em sua execução temática e questionamentos sobre maternidade, controle e manipulação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma obra definida pela interpretação central de Hall, que carrega a instabilidade emocional de Margaret com eficiência clínica. Quando chegamos ao terceiro ato, parece que um parafuso finalmente se solta da personagem e sua essência se espalha pela tela, finalmente exposta em toda a sua glória lunática, evocando elementos de </span><a href="https://www.filmelier.com/br/list/conheca-terror-body-horror"><i><span style="font-weight: 400;">body horror</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que cortam a tensão como uma faca. Uma das maiores forças do Terror como gênero está em provocar a audiência e passar do ponto em que ela se sente confortável, instigando uma reação visceral de quem quer que assista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Resurrection</span></i><span style="font-weight: 400;">, a santidade da maternidade não é nada mais que uma cruel fantasia biológica que aliena sua protagonista daquilo que é mais importante para ela. — </span><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_29967" aria-describedby="caption-attachment-29967" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29967" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/ruido-branco-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29967" class="wp-caption-text">Há anos como uma referência silenciosa para os roteiristas estadunidenses, Don DeLillo teve finalmente seu clássico romance adaptado aos cinemas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ruído Branco (White Noise)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Naturalmente, a existência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruido-branco-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruído Branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fala por si só. Sendo belo ou esquisito – fraco, para alguns –, o filme passa longe de ser irrelevante, pelo menos no nicho em que Literatura e Cinema se cruzam. Adaptado do clássico homônimo de Don DeLillo, </span><i><span style="font-weight: 400;">White Noise</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro longa-metragem com roteiro adaptado a ser dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">Noah Baumbach</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a trama gira em torno de uma família “disfuncional” – tipo já explorado pelo diretor estadunidense em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/os-meyerowitz-familia-nao-se-escolhe-critica"><span style="font-weight: 400;">filmes anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, e funciona como uma homenagem de Baumbach a um de seus heróis literários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse último elemento é tanto seu mérito quanto sua falha. DeLillo é um dos escritores vivos que foram “canonizados” pelo conservador crítico literário </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/harold-bloom-unia-memoria-humor-e-doses-de-afronta.shtml"><span style="font-weight: 400;">Harold Bloom</span></a><span style="font-weight: 400;">, e suas obras comumente atacam a sociedade de consumo no capitalismo pós-industrial. Talvez preocupado demais em se manter fiel à obra, o diretor reproduz trechos do </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788585095109/ruido-branco"><span style="font-weight: 400;">livro de 1985</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase linha por linha através dos diálogos, e a complexidade de reduzir as dezenas de frases impactantes no Cinema se mostra cruel. Nesse quesito, a magia de adaptar para um outro formato, com as liberdades permitidas, é, por vezes, esquecida. Todavia, como dito, esse também é seu mérito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trechos, bem selecionados por Baumbach, são aqueles em que DeLillo tanto crítica o espetáculo e o consumo quanto alude a uma paranoia social amplamente compartilhada, que ganha tipos esquisitos de contornos no mundo real após o surgimento da covid-19. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruído Branco </span></i><span style="font-weight: 400;">– o filme – está longe de ser um clássico como a obra original, mas Noah Baumbach sabe bem disso. Seu projeto se envolve na reflexão e na “renovação” dos créditos originais concebidos pelo escritor; DeLillo sempre foi visto como visionário, Baumbach apenas mostra sua atualidade. No longa, </span><a href="https://personaunesp.com.br/annette-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;"> (no papel de Jack Gladney) agrada nas cenas finais, quando, na revelação sobre o “Dylar”, o personagem interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/minha-irma-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lars Eidinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, Sr. Gray, é inserido grandiosamente. Mesmo que o filme tenha feito menos barulho do que o esperado, só podemos agradecer que alguém finalmente adaptou esse romance. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29861" aria-describedby="caption-attachment-29861" style="width: 2250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy.png" alt="Cena do filme Sissy, que mostra a personagem Cecilia, uma mulher negra de cabelos cacheados de cor rosa acinzentada, que veste uma blusa cinza e um blazer bege. Ela tem sangue ao redor de seu nariz, boca e bochechas, e está com um olhar vago" width="2250" height="1266" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy.png 2250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/sissy-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29861" class="wp-caption-text">Em um cenário de isolamento, Sissy proporciona saborosas cenas sangrentas de cabeças esmagadas, escalpelamento, afogamento e mutilação (Foto: Shudder)</figcaption></figure>
<p><strong>Sissy</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado pelos australianos Kane Senes e Hannah Barlow, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sissy </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><a href="https://www.stuff.co.nz/entertainment/stuff-to-watch/300803574/sissy-a-smart-sassy-and-unafraid-wee-aussie-movie-that-knows-its-audience"><span style="font-weight: 400;">ousado</span></a> <a href="https://darkside.blog.br/voce-sabe-o-que-e-queer-horror/"><i><span style="font-weight: 400;">queer horror</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> teen</span></i><span style="font-weight: 400;"> que combina ricamente elementos de terror </span><i><span style="font-weight: 400;">gore </span></i><span style="font-weight: 400;">com humor ácido e abordagem crítica às redes sociais na atualidade. O termo que dá nome ao filme é também o apelido da protagonista Cecilia, interpretada majestosamente por Aisha Dee, e ao mesmo tempo serve como um trocadilho infame, por ser usado comumente com o significado de “marica” ou “covarde”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após sofrer diversas situações incômodas de provocação, bullying, falas insinuativas e exposição a traumas de infância, a influenciadora Cecilia é levada ao extremo e explode como um vulcão, desencadeando ações sangrentas de violência e assassinato. Apesar de parecer, o filme não se torna uma história sobre </span><a href="https://escsmagazine.escs.ipl.pt/a-complexidade-da-vinganca-feminina-em-filme/"><span style="font-weight: 400;">vingança</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, felizmente, segue pelo caminho contrário ao enfatizar o perigo das relações humanas e exemplificar o sentido do termo “gatilho” de forma precisa. A combinação da abordagem de temas atuais e relevantes – não de forma moralista e </span><a href="https://wp.ufpel.edu.br/artenosul/2022/12/10/bodies-bodies-bodies-terror-satiriza-geracao-z/"><span style="font-weight: 400;">superficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> como retratados em outros filmes do gênero –, aliada a um competente trabalho de atuação e direção fazem da obra uma ótima surpresa divertida e gratificante. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
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<figure id="attachment_29867" aria-describedby="caption-attachment-29867" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29867" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park.jpg" alt="Cena do filme South Park: Guerra de Streamings em que Eric Cartman e sua mãe estão sentados em uma clínica de cirurgia plástica. À esquerda está a Sra. Cartman, uma mulher branca, de cabelos castanhos presos, vestindo um casaco azul e uma calça marrom, que apresenta um semblante de indignação. À direita está Cartman, um menino branco, com sobrepeso, que usa um gorro de inverno azul e amarelo, um casaco vermelho, que está fazendo birra." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/south-park-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29867" class="wp-caption-text">South Park: Guerra de Streamings surpreende, diverte e promete pôr um fim na tediosa Tegridy Farms (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>South Park: Guerra de Streamings (South Park The Streaming Wars)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo após o longa especial </span><a href="https://www.southparkstudios.com.br/noticias/a2hxqt/paramount-anuncia-south-park-post-covid-que-estreara-dia-7-de-dezembro"><i><span style="font-weight: 400;">South Park: Pós-Covid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dividido em duas partes, os criadores da série Trey Parker e Matt Stone retornam para mais uma produção que segue os mesmos modelos. Apesar do título sugestivo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra dos Streamings</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se trata sobre as plataformas de filmes e músicas tão populares na atualidade e, sim, sobre córregos de rio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um período de seca em </span><a href="https://www.omelete.com.br/south-park/south-park-streaming-wars-teaser"><span style="font-weight: 400;">South Park</span></a><span style="font-weight: 400;">, os moradores desenvolvem um sistema para racionar água. Em meio à crise hídrica, há embates entre Cartman e sua mãe, em que o filho quer a todo custo que a sra. Cartman coloque silicone. Com a posição firme em oposição à ideia da criança, o protagonista se revolta e decide colocar as próteses nele mesmo. </span><b>&#8211;</b> <b>Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_29779" aria-describedby="caption-attachment-29779" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29779" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar.jpeg" alt="Cena do filme Tár. Nela vemos a personagem Lydia Tár, interpretada por Cate Blanchett, uma mulher branca,de cabelos loiros e de meia idade. Ela veste uma calça de alfaiataria na cor azul escura e uma camisa entre o cinza claro e o azul, remetendo a um jeans lavado. Ela está no centro da imagem, enquadrada do quadril para cima. Ela abre os braços em uma espécie de movimento forte enquanto arqueia sua cabeça para trás. Na mão direita, há uma batuta. O fundo está escuro, tendo o foco de luz apenas na personagem." width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar.jpeg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Melhores-de-2022-Tar-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29779" class="wp-caption-text">Em Tár, Cate Blanchett rege esse passeio pelos devaneios de uma gênia despedaçada (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><strong>Tár</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, você foi ou irá pesquisar sobre Lydia Tár. A obra estrelada por Cate Blanchett reproduz tão bem os conceitos de uma cinebiografia que nasceu sendo exemplo de </span><i><span style="font-weight: 400;">biopic</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo </span><a href="https://www.thecut.com/2022/10/lydia-tar-is-not-real.html"><span style="font-weight: 400;">não sendo uma</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contando a história da maestrina enquanto sua vida está ruindo em meio a uma epifania criativa, o longa do diretor Todd Field consegue traduzir o intimismo da história misturado com a megalomania e excentricidade da “biografada”. Isso faz com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torne um dos estudos de personagens mais coesos e profundos do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor é muito competente em atribuir o requinte da música clássica para o projeto, sem torná-la ainda mais elitista, por mais que o filme, a princípio, pareça não ser para todos os públicos. É acertada também a decisão de sair de frente das orquestras para jogar o holofote em quem está por trás das batutas e de costas para o público, e discutir como uma jornada de obsessão artística, </span><a href="https://collider.com/best-examples-of-the-obsessed-artist-trope-in-film/#39-i-tonya-39"><span style="font-weight: 400;">já tão trabalhada no Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, pode resultar em uma toxicidade, dessa vez inserida na cultura do cancelamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os méritos do longa são personificados por Cate Blanchett. Ela consegue transmutar toda sua genialidade como atriz na genialidade da regente da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wndFlCpGZjM"><span style="font-weight: 400;">Filarmônica de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz da obra um gigantesco monólogo sobre si. Sem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o grande desafio e trunfo de Blanchett, no qual ela capta a complexidade e a extravagância desse tipo de persona, se tornando um doloroso e muitas vezes </span><a href="https://slippedisc.com/2023/01/marin-alsop-lashes-out-at-cate-blanchetts-tar/"><span style="font-weight: 400;">fiel retrato</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa figura de autoridade. Não à toa, desde a exibição inicial do filme, a atriz desponta na categoria de atuação. Mesmo já tendo duas estatuetas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">na bagagem &#8211; sendo uma das poucas a ganhar como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante &#8211; a desse ano,  por </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso se confirme, consagrará sua carreira. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_29828" aria-describedby="caption-attachment-29828" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/the-house-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29828" class="wp-caption-text">The house é uma antologia britânica em stop motion feita pela Nexus Studios e Netflix Animation e distribuída pela Netflix em Janeiro de 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>The House</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividida em três histórias no mínimo desconfortantes que se passam dentro de uma única casa, a animação em </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/stop-motion-o-que-e/"><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=cVwuT1zdXp8of-the-house-netflixs-new-ode-to-stop-motion-animation/"><i><span style="font-weight: 400;">The House</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  foi produzida durante a pandemia e conta com temas complexos e instigantes que flertam com alguns ideais capitalistas e refletem de maneira provocativa e questionadora o momento de confinamento. Com um tom intimista e perturbador, a obra utiliza-se do protagonismo da casa para representar e abordar desde a vaidade e a busca por </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> até problemas psicológicos e o apego aos bens materiais, ao mesmo tempo em que cria uma noção de aura que influencia os outros personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que os diretores </span><a href="https://eyeondesign.aiga.org/behind-the-scenes-of-the-house-netflixs-new-ode-to-stop-motion-animation/"><span style="font-weight: 400;">Emma De Swaef, Paloma Baeza, Niki Lindroth von Bahr e Marc James Roels</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizaram-se de alguns recursos interessantíssimos,  como tons opacos, diálogos diretos e ácidos e a preferência por personagens feitos de feltro (diferente da maioria dos filmes de </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;">), para criar esse cenário de terror psicológico extremamente próximo da realidade e sensorialmente incomodante que gera os mais diversos pensamentos em seu espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Janeiro de 2023,</span><i><span style="font-weight: 400;"> The House</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu seis merecidas indicações ao </span><a href="https://annieawards.org/nominations"><i><span style="font-weight: 400;">Annie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, principal premiação das animações, dentre elas nomeações nas categorias Melhores Efeitos Visuais para German Díez, Álvaro Alonso Lomba e Hugo Vieites Caamaño, Melhor Animação de Personagens para Kecy Salangad, Melhor Música para Gustavo Santaolalla, Melhor Roteiro para Enda Walsh e Melhor Direção de Arte para Niklas Nilsnon e Alexandra Walker. &#8211; </span><b>Leonardo Ribeiro Jorge</b></p>
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<figure id="attachment_29916" aria-describedby="caption-attachment-29916" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Top-Gun-Maverick-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29916" class="wp-caption-text">Anos-luz separam Maverick do Top Gun original, tanto em tempo quanto em qualidade (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Top Gun: Maverick</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 começou com os Cinemas do mundo inteiro recém saídos de uma pandemia que os afetou drasticamente, fazendo com que sua única grande fonte de lucro fossem filmes de super-heróis. Eis que chegou o mês de maio e Tom Cruise (</span><i><span style="font-weight: 400;">Missão Impossível</span></i><span style="font-weight: 400;">), sob a direção do subestimado Joseph Kosinski (</span><i><span style="font-weight: 400;">Tron: O Legado)</span></i><span style="font-weight: 400;">, levou o público em peso de volta às telonas com </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Foram mais de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/tom-cruise-e-top-gun-maverick-salvaram-cinema-e-hollywood-segundo-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">1 bilhão e 400 milhões de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> arrecadados em bilheteria, juntamente com seis indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo Melhor Filme. O que explica tamanho alarde por um mero </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">? A resposta é clara: o simples fato dele ser um que não se vê mais todos os dias por aí. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick </span></i><span style="font-weight: 400;">recusa o cinismo e a verossimilhança que o atual Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> adotou em sua forma, abraçando muito mais o sentimentalismo de seus temas e o deslumbre das imagens, lindamente captadas por Claudio Miranda (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Aventuras de Pi</span></i><span style="font-weight: 400;">). É como se víssemos uma mistura de conto de fadas, representado pelas emoções exacerbadas do texto; com briga de avião em cena, muito bem sustentadas pelo alto nível técnico, da montagem de Eddie Hamilton (</span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsman: Serviço Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">) ao design de som de James Mather (</span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Al Nelson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic World</span></i><span style="font-weight: 400;">). Além disso, é um longa que, metaforicamente, comenta sobre o próprio estado da indústria cinematográfica, ao colocar tanto o indomável protagonista quanto o seu ator de carisma inigualável diante do confronto com sua obsolescência, numa profundidade de subtexto invejável que falta a maioria dos ‘arrasa-quarteirões’ ultimamente. <strong>&#8211; </strong></span><b>Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_29774" aria-describedby="caption-attachment-29774" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala.jpg" alt="cena do filme Trem-Bala. No centro da imagem está Ladybug, um homem branco com cabelos compridos e loiros, possui um cavanhaque; veste uma camisa social azul escuro com uma camiseta branca por baixo; há um corte vertical em sua bochecha esquerda e outro horizontal em seu nariz. No fundo da imagem é possível ver elementos de um vagão de trem, portas, prateleiras com lanches e luzes. " width="1400" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala-800x411.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala-1024x527.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala-768x395.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Trem-Bala-1200x617.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29774" class="wp-caption-text">Trem-Bala é realmente uma viagem em alta velocidade (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><b>Trem-Bala (Bullet Train)</b></p>
<p><a href="https://youtu.be/0IOsk2Vlc4o"><i><span style="font-weight: 400;">Trem-Bala</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme que faz jus ao nome. Com diversas histórias entrelaçadas transitando rapidamente entre si, o longa prende o espectador do início ao fim. A produção agrada a partir da escolha do elenco, que conta com as estrelas Brad Pitt, Aaron Johnson, Joe King, Sandra Bullock, Logan Lerman, Ryan Reynolds e Bad Bunny. Na história, baseada no livro de mesmo nome, Ladybug (Brad Pitt) é um mercenário supersticioso e atrapalhado com a missão de roubar uma maleta procurada por muitos passageiros do trem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção é uma bela homenagem ao </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/veja-a-lista-dos-10-melhores-filmes-de-gangsters/"><span style="font-weight: 400;">gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">gangster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, famoso nos anos 1990 e 2000 por sua violência e batalhas por vingança. O lançamento traz exatamente isso: com tantos objetivos que se cruzam, o espectador se confunde entre quem são os mocinhos e quem são os vilões. Mesmo com as reviravoltas, é possível se apegar aos personagens e desejar que suas missões obtenham sucesso. Dos mesmos produtores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trem-Bala</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz o mesmo humor misturado ao caos que faz o público se apaixonar. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_29859" aria-describedby="caption-attachment-29859" style="width: 1614px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1.jpg" alt="Cena do filme Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. Michelle Yeoh, que interpreta Evelyn Wang, é uma mulher chinesa com cabelos pretos, um pouco abaixo da altura dos ombros, e veste um casaco vermelho. Ela olha fixamente para um ponto à sua frente, à direita, que está fora do enquadramento da cena. O fundo é o seu comércio, uma pequena lavanderia, que está enfeitada para comemorar o Ano Novo chinês. Além dos enfeites, é possível ver alguns objetos desfocados que sempre estão nesse ambiente, como os sacos de roupas dos clientes e os vasos de plantas." width="1614" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1.jpg 1614w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-7-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29859" class="wp-caption-text">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo mostra como realmente se faz um filme sobre o multiverso (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All At Once)</strong></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sucesso na temporada de premiações – e não é para menos. O filme saiu com dois prêmios no </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Globo+de+Ouro"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, cinco no </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, agora, tornou-se o favorito da 95º edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com um total de onze nomeações, sendo o mais indicado da lista. Produzido pela renomada </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dirigido pela dupla carinhosamente conhecida como Daniels (Daniel Kwan e Daniel Scheinert), o longa mistura uma narrativa sobre o multiverso e um drama familiar agridoce com tanta excelência que sua experiência cinematográfica pode ser definida em apenas duas palavras: intensa e satisfatória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto caleidoscópico do longa transborda humanidade ao que entende que a bagunça infinita de múltiplos universos não é nem um pouco diferente da que existe dentro de cada um de nós. E é justamente essa compreensão que permite que o elenco brilhe tanto: da melancolia performática de </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/11/movies/stephanie-hsu-everything-everywhere-all-at-once.html"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Hsu</span></a><span style="font-weight: 400;"> à generosidade de </span><a href="https://www.gq.com/story/ke-huy-quan-everything-everywhere-all-at-once"><span style="font-weight: 400;">Ke Huy Quan</span></a><span style="font-weight: 400;">, tudo culmina na honestidade espetacular do rosto exausto de </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/11/michelle-yeoh-interview-everything-everywhere-all-at-once"><span style="font-weight: 400;">Michelle Yeoh</span></a><span style="font-weight: 400;">, entregando a atuação mais extraordinária de sua carreira. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_29783" aria-describedby="caption-attachment-29783" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Luckiest-Girl-Alive.jpg" alt="Cena do filme Uma Garota de Muita Sorte. Na fotografia, temos no centro a personagem de Mila Kunis. Ela tem cabelo castanho, longo e liso. Possui sobrancelhas marcadas e maquiagem com tons escuros nos olhos. Ela está com o olhar direcionado para a esquerda, com a boca semi-aberta e uma expressão de surpresa. Os tons da fotografia são frios e escuros." width="1200" height="545" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Luckiest-Girl-Alive.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Luckiest-Girl-Alive-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Luckiest-Girl-Alive-1024x465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Luckiest-Girl-Alive-768x349.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29783" class="wp-caption-text">Uma Garota de Muita Sorte é baseado no best-seller de mesmo nome da autora Jessica Knol, que vendeu mais de <a href="https://diariotocantinense.com.br/noticia/baseado-em-um-dos-livros-mais-vendidos-do-mundo-uma-garota-de-muita-sorte-acaba-de-estrear-na-netflix/11774#:~:text=Uma%20Garota%20de%20Muita%20Sorte%20%C3%A9%20uma%20adapta%C3%A7%C3%A3o%20direta%20de,foi%20traduzido%20para%2038%20idiomas.">um milhão de exemplares</a> e foi traduzido para 38 idiomas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Uma Garota de Muita Sorte (Luckiest Girl Alive)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem Ani FaNelli aparenta ser, com certeza, uma garota de muita sorte. Camuflando seu passado trágico atrás do papel de mulher-exemplo, a protagonista de </span><a href="https://people.com/movies/how-mila-kunis-leads-by-example-as-an-actress-mom-philanthropist-and-entrepreneur/"><span style="font-weight: 400;">Mila Kunis</span></a><span style="font-weight: 400;"> está prestes a assumir a editoria no </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> e nos preparativos para um sofisticado casamento com o deslumbrante Luke Harrison (Finn Wittrock). Nós poderíamos, claro, invejar sua carreira e seu triunfo se não soubéssemos que, no fundo, Ani vive como sua própria refém. Mergulhar na mente da personagem é assistir, com pesar, as sequelas do </span><a href="https://www.nytimes.com/2016/03/30/books/luckiest-girl-alive-author-jessica-knoll-makes-a-revelation.html"><span style="font-weight: 400;">abuso sexual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreu em sua adolescência reverberando em cada partícula de sua vida adulta. Sua incessante busca pela perfeição poderia ser uma das consequências das pressões do sistema patriarcal, mas, nesse caso, é apenas uma pequena parte de todo o espaço que o trauma tomou em sua história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Uma Garota de Muita Sorte </span></i><span style="font-weight: 400;">é um retrato delicado sobre a linha sutil entre quem realmente somos e quem fingimos ser &#8211; uma realização que concretiza a emancipação de Ani FaNelli de suas próprias prisões. Apesar de não ser inovador, o drama consolida-se na incrível atuação de Mila Kunis e na sensível abordagem de outros temas tão importantes como bullying, acesso à armas e a importância de </span><a href="https://www.wannatalkaboutit.com/br/"><span style="font-weight: 400;">procurar ajuda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele nos emociona, indigna e inspira na mesma medida, deixando muito claro a mensagem que quer passar. Podemos, no fim, apenas nos amargurar com o passado, mas Ani nos mostra que a cura está no futuro. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30126" aria-describedby="caption-attachment-30126" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30126 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie.jpg" alt="" width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Uncharted-movie-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30126" class="wp-caption-text">Com um elenco estrelado, Uncharted reúne ícones como Tom Holland, Mark Wahlberg e Antonio Banderas (Foto: Columbia Films)</figcaption></figure>
<p><b>Uncharted: Fora do Mapa (Uncharted)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já era previsto, o ano de 2022 se destacou pela lógica da adaptação de </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;"> para as telonas. Com a franquia de sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Playstation</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://adrenaline.com.br/noticias/v/75779/uncharted-fora-do-mapa-e-o-quarto-filme-baseado-em-games-a-superar-bilheteria-de-us-400-milhoes"><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não poderia ser diferente. Encabeçado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;">, o jogo que explora a vida de Nathan Drake, um típico e aventureiro ladrão de tesouros, se inspira em clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones </span></i><span style="font-weight: 400;">e ganha o carisma do mundo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">gamers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas será que a trama atendeu às expectativas de quem é apaixonado pelo jogo?. Lançado em fevereiro de 2022, o filme protagonizado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-fevereiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Mark Wahlberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Tom Holland  já ultrapassa a marca de 400 milhões de dólares de faturamento da bilheteria.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted: Fora do Mapa </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sem dúvidas, uma jornada aventureira requentada com diversas cenas de ação. Os espectadores que se recordam das aflições vividas por Nathan Drake, agora na pele de Tom Holland, carregam consigo uma nostalgia muito bem-vinda. Na obra, é como se o diretor </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/celebrity/ruben-fleischer"><span style="font-weight: 400;">Ruben Fleischer</span></a><span style="font-weight: 400;"> fosse um colega que pega o controle do </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;"> e comanda os atores tal qual estivessem imersos naquela realidade virtual do </span><i><span style="font-weight: 400;">playstation</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os recursos gráficos também são motivo de destaque: é possível notar o quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted </span></i><span style="font-weight: 400;">é bem desenvolvido, de forma que seja fiel às </span><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes </span></i><span style="font-weight: 400;">da realidade virtual, assim como na série de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/the-last-of-us-tudo-o-que-sabemos"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; </b><b><span data-rich-links="{&quot;per_n&quot;:&quot;Gabriel Gomes Santana&quot;,&quot;per_e&quot;:&quot;gabriel.g.santana@unesp.br&quot;,&quot;type&quot;:&quot;person&quot;}">Gabriel Gomes Santana</span></b></p>
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<figure id="attachment_29750" aria-describedby="caption-attachment-29750" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29750" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run.png" alt="Cena do filme Veja Como Eles Correm. A imagem é retangular e mostra a frente de um carro azul, bem próxima do vidro, já que o foco são as pessoas em seu interior. Observando a foto, do lado esquerdo está o inspetor Stoppard, interpretado por Sam Rockwell. Ele é um homem branco, na casa dos cinquenta anos, com um bigode e cabelos castanhos. Ao seu lado esquerdo, ou seja, à direita do foto, está Constable, papel de Saoirse Ronan. Saoirse é uma mulher branca, loira, de olhos claros e cabelos na altura dos ombros. Ambos estão de paletó e gravata e olham para frente." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run-1536x1023.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/see-how-they-run-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29750" class="wp-caption-text">Contextualizado nos anos 50, See How They Run é repleto de estilo e elegância, evidenciado pela bela fotografia de Jamie Ramsay (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Veja Como Eles Correm (See How They Run)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um crime, vários suspeitos, um detetive experiente e uma jovem policial dedicada a acompanhar seus passos. Essa é uma trama recorrente de mistério, mas, aqui, recheada com </span><a href="https://sobresagas.com.br/veja-como-eles-correm-conheca-as-inspiracoes-do-filme-star/"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;">, metalinguagens e um charme e essências originais que o fazem revisitar a temática com uma </span><a href="https://miscelana.com/2022/12/27/veja-como-eles-correm-reve-com-inteligencia-as-comedias-sobre-misterios/"><span style="font-weight: 400;">identidade própria</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/veja-como-eles-correm-atualiza-o-genero-criado-por-agatha-christie/"><span style="font-weight: 400;">homenagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> do começo ao fim às obras de Agatha Christie, </span><i><span style="font-weight: 400;">Veja Como Eles Correm</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com a direção hábil de Tom George, o roteiro inteligente e criativo de Mark Chappell e atuações talentosas como a de Adrien Brody. Suas figuras são caricatas e equilibradas na medida certa, para marcarem seus papéis dentro do suspense. O destaque, porém, é da protagonista Constable Stalker, interpretada pela brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/ammonite-critica/"><span style="font-weight: 400;">Saoirse Ronan</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco divulgado, em comparação ao contemporâneo </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e seu sucessor,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Glass Onion</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">See How They Run</span></i><span style="font-weight: 400;"> difere-se por construir sua narrativa bastante próxima, de fato, dos livros de Christie – até mesmo em época, já que ele se passa nos anos 50. Nele, é claro o tributo à Rainha do Crime, já que a </span><a href="https://leiturafilmica.com.br/veja-como-eles-correm/#:~:text=Todo%20o%20filme%20evoca%20a,concretiza%20no%20desfecho%20da%20hist%C3%B3ria."><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um pilar do longa. A narrativa faz questão de colocar personagens para apreciar e analisar características deste tipo de trama adaptada para o Cinema. Afinal, trata-se de uma obra de mistério que investiga e dialoga a respeito de um assassinato cometido nos bastidores da peça </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ratoeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela autora inglesa. Com um ritmo divertido, toques cômicos certeiros, sátiras e pontos de virada clássicos do subgênero, o filme honra todos seus antecessores e garante a identificação e contemplação dos amantes das histórias de mistérios e, principalmente, das de Agatha. </span><b>&#8211; Mariana Nicastro</b></p>
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<figure id="attachment_29767" aria-describedby="caption-attachment-29767" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Watcher. Julia (Maika Monroe) está sozinha numa plataforma de trem, ocupando a metade esquerda da tela. Ela é uma mulher caucasiana, magra, loira, usando um sobretudo marrom. Seu cabelo está preso em um coque. Atrás dela, vemos a plataforma se estender, fora de foco. É de noite, e luzes frias a iluminam." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/watcher-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29767" class="wp-caption-text">Maika Monroe já é uma scream queen moderna (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Watcher</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu longa de estreia, Chloe Okuno traz à tona um tipo muito específico de terror: uma mulher andando sozinha em um país cuja língua ela não domina, sendo perseguida por um homem que nem seu próprio noivo acredita que existe. Paranóia é questão de sobrevivência em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KDc6ZLo8sjc"><i><span style="font-weight: 400;">Watcher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o elegante </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> voyeurístico estrelado por Maika Monroe (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jrohW56xLhU"><i><span style="font-weight: 400;">Corrente do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), no qual cada olhar esconde intenção, cada janela aberta apresenta oportunidade e cada palavra dita oferece risco. A diretora e roteirista trabalha com precisão cirúrgica a tensão crescente entre Julia (Monroe) e seu noivo, Francis (Karl Glusman), motivadas pelas acusações cada vez mais graves da mulher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Julia não é boba nem louca, dispensando a promessa de segurança em favor da complicada realidade de ser uma mulher no mundo, sequestrando momentaneamente o papel de </span><a href="https://www.significados.com.br/stalker/"><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da trama para tentar ela mesma desvendar esse mistério. Okuno está em sintonia perfeita com o resto de seu elenco, orquestrando movimentos de tensão física e espiritual que a estabelecem logo como uma das novas grandes promessas do gênero, articulando ousadamente os elementos da trama em favor não de impressionar, mas de delinear as nuances de seus atores. — </span><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_29745" aria-describedby="caption-attachment-29745" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29745" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/X-A-Marca-da-Morte-Vitoria-Vulcano-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29745" class="wp-caption-text">Através da cinematografia apetitosa de Eliot Rockett, X referencia clássicos como O Massacre da Serra Elétrica (1974), Psicose (1960) e O Iluminado (1980) [Foto: A24]</figcaption></figure><b>X &#8211; A Marca da Morte (X)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Slashers</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><span style="font-weight: 400;">se constroem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/panico-2022-critica"><span style="font-weight: 400;">renascem</span></a><span style="font-weight: 400;"> graças ao eterno potencial de esculhambação dos valores que conduzem a vida humana. Em um mundo sustentado em contradições e preconceitos, usar a ficção mais mórbida para revelar as ruínas da realidade é tenebroso, arrasador e genial &#8211; e </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X &#8211; A Marca da Morte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sabe muito bem disso. Levando um grupo de cineastas até a gravação de projetos pornográficos em uma fazenda isolada no Texas, estado símbolo do conservadorismo estadunidense, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/ti-west"><span style="font-weight: 400;">Ti West</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirige, produz e roteiriza uma carnificina com aura de estudo social. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o selo dos estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Horror, aqui, costura afiadamente o choque entre duas temáticas principais: moralismo e idade. A trama se passa em 1979, injetando </span><a href="https://www.grindhousedatabase.com/index.php/The_Erotic_World_of_Sexploitation"><i><span style="font-weight: 400;">sexploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e televangelismo nas veias, mas sem deixar seu reflexo atual passar despercebido &#8211; afinal, discussões envolvendo a era </span><i><span style="font-weight: 400;">OnlyFans</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o absurdo do </span><a href="https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2023/02/denuncias-de-xenofobia-misoginia-e-intolerancia-religiosa-na-internet-cresceram-em-2022-em-novo-aumento-marcado-por-ano-eleitoral.ghtml"><span style="font-weight: 400;">fanatismo religioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> pipocam cada dia mais. Na minúcia de seus paralelos de cena e metalinguagem, da trilha sonora </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Tarantino ao imponente elenco feminino (com destaque máximo para Mia Goth e </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;"> triunfa ao dosar subversão, ironia e consciência. A obra é um espetáculo de sangue e critério, primogênito de uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/mia-goth-entrevista-maxxxine"><span style="font-weight: 400;">trilogia em desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e propagador do </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><span style="font-weight: 400;">Terror como uma Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> que merece despontar nos </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/259637-oscar-premiacao-costuma-ignorar-filmes-terror.htm"><span style="font-weight: 400;">circuitos premiadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b></p>
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		<title>Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 13:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de Argentina, 1985. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29717" aria-describedby="caption-attachment-29717" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-3.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Ocampo (à esquerda) e Strassera (à direita) se reúnem em uma lanchonete para discutir sobre as estratégias de acusação que serão utilizadas no julgamento . Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (um de frente para o outro), lado a lado, enquanto pedem dois lanches em uma bancada de restaurante. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Strassera está com um cigarro aceso em mãos fazendo gestos para chamar a atenção de seu colega promotor, Moreno Ocampo. O jovem está com o olhar fixo prestando atenção nas palavras de Júlio." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29717" class="wp-caption-text">Mais do que um filme, Argentina, 1985 é uma aula de dever à cidadania e exemplo de compromisso público com a democracia (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos ex-comandantes da ditadura no País. Disponível na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0HM2CPRAN241K811SGWRRH09BF/ref=atv_dp_share_cu_r"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra expõe a coragem e persistência de agentes públicos que se comprometeram a enfrentar um sistema repressivo e assassino.</span></p>
<p><span id="more-29716"></span></p>
<p><b>Ficção e realidade se misturam</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de se aproximar da realidade, o filme apresenta um panorama histórico completo e bem aprofundado sobre o período de recente democratização do país </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Instaurada na Argentina de 1976 a 1983, a </span><a href="https://paineira.usp.br/memresist/?page_id=239"><span style="font-weight: 400;">última ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a nação enfrentou ficou marcada por um regime autoritário, repressivo, sangrento e que deixou traumas e feridas abertas até hoje. Ainda que pairasse no ar um sentimento de retomada do poder popular, já com o fim dos governos militares, todos os crimes cometidos até aquela ocasião deixavam perguntas sem respostas através de um sentimento de injustiça dominante perante a sociedade platina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como aconteceu na Segunda Guerra, no caso do imprescindível </span><a href="https://www.politize.com.br/tribunal-de-nuremberg/"><span style="font-weight: 400;">Tribunal de Nuremberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais do que dar um basta à barbárie, era necessário encontrar os culpados pelas torturas, assassinatos e massacres. Afinal, não é ao acaso que a estimativa sobre o número de assassinados pelo comando militar argentino ultrapassa a casa dos </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/3368/hoje-na-historia-1976-golpe-militar-instaura-ditadura-na-argentina"><span style="font-weight: 400;">30 mil </span></a><span style="font-weight: 400;"> durante os sete anos de sua cruel permanência. Ainda que tentasse esconder, uma boa parcela da população ansiava por um julgamento que criminalizasse os </span><a href="https://www.scielo.br/j/civitas/a/nDGjYwxgPF6j8s5fX4fMMVK/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">engenheiros deste caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a partir daí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_29718" aria-describedby="caption-attachment-29718" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-4.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Strassera e Ocampo conversam com uma senhora de idade, ativista do movimento das Mães da Praça de Maio. Strassera aparece apoiando seu braço em um dos bancos do público que acompanha a sessão do julgamento, enquanto uma senhora, que está sentada olhando para Strassera atentamente se inclina para escutar o que o promotor tem a dizer. Esta senhora aparenta ter uma idade avançada, na casa dos 70 anos de idade e usa um lenço típico das ativistas que protestam pelo desaparecimento de seus filhos e netos, vítimas da perseguição imposta pelo autoritarismo de Videla." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29718" class="wp-caption-text">Nada mais desesperador do que uma mãe que clama por seu filho (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1983, ano da retomada eleitoral argentina, o então candidato Raúl Alfonsín se elegera através de um discurso que evocava angústia sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, tendo o apoio das </span><a href="https://www.socialistamorena.com.br/para-nao-esquecer-a-historia-das-maes-da-plaza-de-mayo-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Mães da Praça de Maio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento foi crucial para que os argentinos se sensibilizassem com a dor de mães e avós que procuravam o paradeiro de seus filhos e netos (muitas continuam em busca de respostas até hoje). Quando Alfonsín assumiu a cadeira presidencial, a imprensa acreditou que, em um primeiro momento, seu governo teria um caráter conciliador, mas ele provou o contrário, sendo bastante afrontoso: colocou nove ex-comandantes militares no banco dos réus para responderem sobre crimes contra humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desta brilhante e corajosa decisão, dois anos depois do decreto, a figura do promotor Julio Strassera se fez presente. No longa, ele nos envolve em uma aventura judicial que vai atrás de provas concretas, aliadas a fortes depoimentos de vítimas sobreviventes das sessões de torturas físicas e psicológicas empreendidas por </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-aos-87-anos-o-ex-ditador-argentino-jorge-rafael-videla-eguinkcv3uy8hnirb2fzltc26/#:~:text=Videla%20governou%20o%20pa%C3%ADs%20sul,argentina%20(1976%2D1983)."><span style="font-weight: 400;">Videla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus sucessores. O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece um basta às atrocidades da ditadura. Pelo menos, esse é o sentimento que o filme traz e que, infelizmente, </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-40-anos-lei-de-anistia-preparou-caminho-para-fim-da-ditadura"><span style="font-weight: 400;">não ocorreu da mesma maneira no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que pôde dar luz a algumas dicotomias.</span></p>
<figure id="attachment_29721" aria-describedby="caption-attachment-29721" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-1.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que uma mulher é chamada para dar seu testemunho sobre a tortura que sofreu na época do regime. Ela aparece de pé em frente a dois microfones de depoimento, bem centralizada em primeiro plano da imagem. Ao fundo podemos ver a bancada das pessoas que assistem ao julgamento. Ela é uma mulher branca, magra, de cabelo curto, com uma expressão séria e com olhar fixado em direção à câmera frontal. Ela veste um blazer caramelo formal, específico dos anos 1980, junto a uma camisa social de gola V por baixo. Ela carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29721" class="wp-caption-text">Nada como um relato angustiante e terrível para expor os erros que não devem ser repetidos (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal destas contradições diz respeito à </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2021/02/21/Lei-de-Anistia-do-al%C3%ADvio-na-reabertura-%C3%A0-impunidade-militar"><span style="font-weight: 400;">Lei de Anistia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que livrou perseguições políticas, mas deixou as atrocidades militares por debaixo dos panos da história. A grande reflexão por trás da película diz respeito ao </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">reforçado em não apagar memórias. À sua maneira, diversos trechos da narrativa abordam como o país consegue discutir suas dívidas com o passado, demonstrando como a defesa democrática passa, antes de tudo, por uma isonomia de direitos e respeita a atuação autônoma entre os poderes do Executivo e Judiciário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos </span><i><span style="font-weight: 400;">hermanos</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão longe de ser um povo sem defeitos, mas é justamente a coragem de lidar com o desagradável e expô-lo para a opinião pública que lhes sobra resiliência para seguir em frente debatendo temas cruciais. Recentemente, a </span><a href="https://g1.globo.com/hora1/noticia/2022/09/20/as-raizes-da-crise-economica-argentina-entenda-o-historico-da-economia-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dura crise financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o país enfrenta pode ser um exemplo disso. Apesar de todas as discussões (extremamente necessárias) acerca do cenário sociopolítico, o futebol mostrou, mais uma vez, o quanto o povo se </span><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/de-palco-da-copa-do-mundo-a-pris%C3%A3o-pol%C3%ADtica-aee820532e94"><span style="font-weight: 400;">une em prol de um mesmo objetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cultura popular tem o papel fundamental de estímulo à superação, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">também cumpre essa missão ao exemplificar aquilo que jamais deve ser tolerado.</span></p>
<figure id="attachment_29720" aria-describedby="caption-attachment-29720" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-2.png" alt="Cena do filme ‘Argentina, 1985’ em que Strassera aparece junto de sua equipe investigadora na promoção do inquérito que reuniu as denúncias e provas contra as juntas militares argentinas. Na imagem estão presentes, além de Ocampo e Strassera, mais 8 pessoas que participam da equipe auxiliar dos promotores. As dez pessoas que aparecem nesta imagem são brancas. Destas, apenas 3 são mulheres, uma possui cabelo ruivo e cacheado. Strassera aparece centralizado e à frente dos demais colegas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29720" class="wp-caption-text">O sorriso daqueles que defendem a democracia é diferente (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>O grande trunfo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas produções cinematográficas apostam suas fichas em um </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">elemento técnico que se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sutileza e vigor. A grosso modo, musicais, por exemplo, tendem a valorizar a escolha de uma trilha sonora de impacto e que vá de encontro com a proposta original e estética. No caso do longa, o grande trunfo se baseia na caracterização e atuação dos personagens. Interpretados por Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, as figuras de Júlio Strassera e Luís Ocampo, respectivamente, são idênticas aos promotores originais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da semelhança física com as pessoas reais que estiveram à frente do processo, é impressionante analisar o perfil satírico e dramático presentes em ambas personalidades na ficção. </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">Strassera é um homem experiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um olhar atento a tudo e a todos. Porém, seu temperamento frágil o coloca em situações embaraçosas que, embora demonstrem seriedade diante das ameaças sofridas, são um tanto quanto cômicas devido a sua reação, tentando transmitir controle e calma, só que de um jeito desgovernado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocampo, por outro lado, é o ‘aprendiz caxias’, esforçado em trazer resultados para as incógnitas complexas dos problemas apresentados pelas testemunhas. É curioso notar o quanto ele acaba quebrando a cara ao entender que nem tudo é tão simples e racional quanto parece, sobretudo diante de uma </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/7534"><span style="font-weight: 400;">sociedade ainda fragilizada pelo medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma tirania tão influente no imaginário coletivo da época. Parente de militares, o jovem promotor adjunto representa o clichê necessário do ‘</span><a href="https://www.polifonia.com.br/blogpoli/2018/1/9/luke-skywalker-e-a-jornada-do-heri"><span style="font-weight: 400;">padawan</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ansioso que se espelha num sábio ‘jedi’ atrapalhado. </span></p>
<figure id="attachment_29722" aria-describedby="caption-attachment-29722" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="Fotografia original do julgamento que condenou os ex-generais do exército argentino no ano de 1985. Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (ao canto direito da foto), lado a lado, enquanto encaram os militares, centralizados na imagem, que estão alinhados no banco dos réus. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Os ex-comandantes que estão ao centro são todos homens brancos e, aparentemente, mais velhos." width="512" height="353" /><figcaption id="caption-attachment-29722" class="wp-caption-text">Ocampo e Strassera olhando fixamente para os responsáveis da tortura (Foto: BBC News Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro possivelmente contribuiu para uma das maiores e mais difíceis habilidades no campo da atuação: a improvisação. Mesmo que no Cinema o produto final seja gravado e editado em cortes, é possível observar quando uma equipe ensaiou uma sequência cênica e quando não. A </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2014/08/a-importancia-dos-dialogos-para-a-narrativa-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade dos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> alia-se à autonomia de Mitre em escolher trechos que, assustadoramente, poderiam acontecer na vida real sem serem previamente pensados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas cenas do filme reproduzem o recurso da improvisação e trazem um toque magistral ao aproximar o espectador ao elenco da trama. Os relatos das vítimas e testemunhas parecem ser direcionados a quem assiste, tornando-os ainda mais comoventes e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma são os diálogos da família Strassera, dando a impressão de que o quinto elemento participante das discussões seja a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNKSPMj-B5w"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Em nenhum momento a obra tem a intenção de quebrar essa barreira. Estes detalhes são fruto de uma qualidade fílmica ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o público tem o hábito de classificar todo longa-metragem que não tenha os padrões hollywoodianos como alternativos e </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe disso. Os parâmetros criativos adotados pelos roteiristas Santiago Mitre e Mariano Llinás, se não superam, são equivalentes a qualquer </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/tempo-de-matar/"><span style="font-weight: 400;">clássico de embate jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, desde que foi lançada no segundo semestre de 2022, a obra tem percorrido os principais </span><a href="https://portalpopline.com.br/campanha-filme-argentina-1985-oscar/"><span style="font-weight: 400;">festivais internacionais de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre eles, um dos principais: Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_29719" aria-describedby="caption-attachment-29719" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Darin-e-Mitre.png" alt="Fotografia de Ricardo Darín (protagonista da obra) e Santiago Mitre (diretor e produtor) juntos recebendo o Globo de Ouro, prêmio do festival ‘Golden Globe Awards’. Ambos aparecem de smoking, sorridentes e abraçados. Darin está à esquerda e Mitre aparece à direita carregando a estatueta vencedora da categoria de melhor filme estrangeiro. Santiago Mitre é um homem branco, alto, de cabelo liso e barba falhada. Ao fundo da imagem há um banner de identificação do evento." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29719" class="wp-caption-text">Vencedores do Globo de Ouro, Darín e Mitre celebraram o Globo de Ouro em clima de Copa do Mundo (Foto: Uol)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e candidato favorito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Internacional, a obra é representatividade máxima na América Latina. O trabalho empenhado pelas lentes de Mitre não apenas foi aplaudido pelos críticos durante nove minutos, quando exibido pela primeira vez na cidade italiana, como também consagrou-se vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Depois da Copa do Mundo, é uma grande alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, comemorou </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/ricardo-darin-comemora-globo-de-ouro-de-argentina-1985-em-clima-de-copa-do-mundo,07550f609cda05bf974e86b920ed5cf4uelgxydv.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheio de emoção. Pode-se dizer que tal feito é semelhante à comparação do ator, uma vez que se destacou entre potentes internacionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Decision to Leave</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Coréia do Sul), </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Alemanha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vanguarda na arte de fazer excelentes filmes, a Argentina se destaca como um dos países que são referência quando </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/10-filmes-para-conhecer-o-cinema-argentino"><span style="font-weight: 400;">o assunto é Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora cada obra, diretor, produtor e roteirista tenham perspectivas singulares e distintas, é interessante destacar como a cultura local consegue executar com maestria a transparência dos estereótipos de seu povo. O combo de ricas emoções, contradições e um jeito peculiar de dramatizar assuntos sérios através de um alívio cômico, faz do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais puro </span><a href="https://universoesporte.com.br/maradona-a-despedida-de-um-genio/"><span style="font-weight: 400;">suco argentino possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maradona</span></i><span style="font-weight: 400;">, série bibliográfica sobre o grande ícone e camisa 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por essa razão que a originalidade e talento dos atores envolvidos no filme</span> <span style="font-weight: 400;">tenha atraído o carisma dos espectadores, sobretudo dos países latinos. Trazer à tona as lembranças de um passado sombrio, infelizmente comum aos países do Cone Sul, é fundamental, não apenas por uma questão de representatividade. Também, para que as sociedades civis destas nações jamais se esqueçam como se deu a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/08/bolsonaristas-congresso-policia.htm"><span style="font-weight: 400;">conjuntura golpista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elevou as desigualdades sociais e, ainda hoje, colocam em risco a democracia. </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/12/10/E-se-o-filme-%E2%80%98Argentina-1985%E2%80%99-inspirasse-o-Brasil-de-2023"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz uma história inusitada sobre uma trama de ficção. Ele simboliza o quanto o povo, quando protegido por agentes públicos sérios, é capaz de defender direitos sem passar </span><a href="https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/cinelatino.pdf"><span style="font-weight: 400;">panos quentes na história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 22:09:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  “Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.” O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29491" aria-describedby="caption-attachment-29491" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29491 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29491" class="wp-caption-text">As convidadas foi um dos livros recebidos pelo Persona na parceria com a Companhia das Letras, e foi a leitura do Clube do Livro em Outubro (Foto: Companhia Das Letras/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto aquilo é distante do lógico? São respostas presas ao inconsciente, o tipo de habilidade praticamente instintiva na mentalidade humana. Mas é lendo Silvina Ocampo e sua audácia singular que essas fronteiras parecem se diluir sem precisar de muitas páginas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> – livro publicado pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212057/as-convidadas"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022 –, a mente e o mundo são peripécias capazes de causar desconforto arrebatador e crença no irreal. </span></p>
<p><span id="more-29488"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-estrangeira/silvina-ocampo-sai-das-sombras#:~:text=Nascida%20em%2028%20de%20julho,filhas%20em%20casa%2C%20com%20tutoras."><span style="font-weight: 400;">autora argentina</span></a><span style="font-weight: 400;"> teve sua obra publicada postumamente no Brasil, sob a tradução de Livia Deorsola, e, se em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fúria e outros contos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2019, as coisas de seu universo particular já tomavam rumos curiosos, dessa vez isso se intensifica. Nos 44 contos que compõem a obra, somos apresentados ao rotineiro metamorfoseado, como se aquela ida diária à padaria te levasse diretamente para Marte e a diferença fosse notada tarde demais. Os personagens são diversos, partindo de crianças a casais que protagonizam situações absolutamente inusitadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na escrita que tudo se mistura. O leitor se sente chocado, mas ao mesmo tempo é apresentado a isso com uma narrativa trabalhada com naturalidade. A estranheza das coisas nunca são destacadas no texto, pois no mundo de </span><a href="http://www.blogletras.com/2018/09/silvina-ocampo-o-et-cetera-da-familia.html"><span style="font-weight: 400;">Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o extraordinário é tão comum que nos faz sentir culpados pelas reações escandalizadas. Mesmo trabalhando com histórias não complementares de pouco mais de uma página, o fantástico vive em linhas tênues.</span></p>
<figure id="attachment_29489" aria-describedby="caption-attachment-29489" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2.jpg" alt="" width="434" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-29489" class="wp-caption-text">Silvina e sua Literatura única chegaram às terras brasileiras apenas em 2019, 26 anos após sua morte em 1993, pela Companhia das Letras (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisam se ligar para ter pontos em comum. Tudo caminha em linhas retas, mas se desenrola em redemoinhos. Os inícios comuns culminam em facetas trágicas e conflitantes. Em muitos momentos, a autora brinca com as reações psicológicas a ponto de criar medo. É o caso do conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Carta debaixo da cama</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual, conforme as palavras vão sendo escritas, somos capazes de experimentar o desespero da protagonista; o corte brusco dispensa detalhes do fatal para ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/"><span style="font-weight: 400;">assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de brincar com nossos cérebros, Silvina nos dá acesso ao dela. Os períodos longos e pouco pontuados integram narrativa ao pensamento. Por isso, as histórias perdem contexto de tempo ou momento. É como se tudo estivesse sendo noticiado no jornal da noite e a ambientação temporal ficasse meramente em segundo plano. O </span><a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/04/gabriel-garcia-marquez-revelou-para-o-mundo-o-realismo-fantastico.html#:~:text=Gabriel%20Garc%C3%ADa%20M%C3%A1rquez%20deu%20forma,N%C3%A3o%20invento%20nada."><span style="font-weight: 400;">fantástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o verdadeiro protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, tudo nos é suscitado, como elementos inseridos com o propósito de causar impacto enquanto criam questionamentos e reflexões. É a construção do absurdo se tornando razoável. Aqui, a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/11/18/silvina-ocampo-literatura-argentina-fantastica-livia-deorsola-a-furia.htm"><span style="font-weight: 400;">escritora</span></a><span style="font-weight: 400;"> atua como uma telespectadora esperando as reações ao seu redor. E ela é muito bem sucedida em tirar expressões ímpares dos rostos que a leem. Afinal, é impossível ser blasé diante de construções tão simbólicas e excepcionais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Não foi senão depois de um tempo e de um detalhado estudo que distingui, na famosa fotografia, o quarto, os móveis, a cara borrada de Valentín. A figura central, nítida, terrivelmente nítida, era a de uma mulher coberta de véus e de escapulários, já um pouco velha e com grandes olhos famintos, que se revelou ser Pola Negri.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca se propôs a fechar ciclos; é direito de quem contempla a obra acreditar ou não no que está sendo exposto. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><span style="font-weight: 400;">magia</span></a><span style="font-weight: 400;"> mora exatamente na falta dos limites de início, meio e fim. O próprio conto que dá nome ao livro deixa espaço para interpretações, visto que é difícil definir se as convidadas são apenas fruto de traquinagem infantil ou figuras de um plano metafísico. Isso no caso de se tratar de uma criança, pois as idades nunca são claramente definidas e cabe a nós entender da forma que nos for adequada.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante consumir o texto e ver como os tons assustadores e emblemáticos cabem em espaços tão curtos. Alguns </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2019/10/18/silvina-ocampo-um-dos-maiores-misterios-da-literatura-latino-americana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm menos de duas páginas e conseguem estabelecer a linearidade invadida pela surpresa perfeitamente. Personagens que nem sequer tem nome, mas entregam pedaços de suas essências em nossas mãos. Uma conexão curiosa perpassando as fronteiras físicas. </span></p>
<figure id="attachment_29490" aria-describedby="caption-attachment-29490" style="width: 685px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29490 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg" alt="" width="685" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg 685w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-535x800.jpg 535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1028x1536.jpg 1028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1200x1793.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL.jpg 1405w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29490" class="wp-caption-text">A Fúria traz 34 contos com temáticas principais focadas na infância (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo foge do comum, mas ainda mantém como temática principal o ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/inventario-critica/"><span style="font-weight: 400;">humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escrita trabalha com elementos da espiritualidade e transgride também na Cultura. Muitos contos envolvem questões religiosas, cultos, crendices e simpatias em sua composição. Esse tipo de citação contribui para que o hiperbólico faça tanto sentido quanto a religião e seu valor concreto na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda na ideia de explorar camadas da humanidade, os acontecimentos do cenário incomum levam as pessoas a mostrarem suas verdadeiras faces, já que muitas das histórias tem fundo na </span><a href="https://personaunesp.com.br/lucifer-5a-temp-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">perversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das motivações. Desejos por doenças, mortes, acidentes e outras tragédias são figuras recorrentes nos enredos, à forma com a qual esse contexto sincero também molda uma reflexão sobre as partes desconcertantes que todos tem, mas escondem a qualquer custo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Talvez eu tenha me arrependido. O Pata de Cão não pertencia a minha família. Para que o sacrificar? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quisemos tirar o boneco de dentro da panela. Queimamos as mãos no vapor. Quando conseguimos tirá-lo, não sobravam nem pernas, nem pés, nem cabelo, nem rabo de centauro.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz muito sem precisar ser claro. Entre eventos completamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">insólitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pessoas absolutamente comuns, a vida é testemunhada sob tantas formas que isso sim parece genuinamente mágico. Silvina nos prende em seu locus literário e essa falta de liberdade nos dá asas para voar distantes de uma rotina mediana; talvez sejamos como as crianças que voaram antes da queda soturna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos entregues a muito mais do que as 261 páginas são capazes de contar. O mundo aos olhos da autora é tão especial que foge de quaisquer comparações palpáveis. Do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-estrategia-do-charme-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> à morte há um número infinito de possibilidades e ter a chave da porta de entrada para acessá-las sob os olhos da escritora é uma experiência inominável. Restam agradecimentos: ser convidada nunca foi tão esplêndido. </span></p>
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		<title>Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 17:26:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de Carvão, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carvao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Carvão queima o retrato da família tradicional brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29135" aria-describedby="caption-attachment-29135" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg" alt="" width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-1-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29135" class="wp-caption-text">O enredo explosivo de Carvão faz parte da lista da seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão falsas podem ser as interações da família que vemos todos os domingos com suas bíblias e crucifixos em mãos? Essa e outras reflexões similares são a proposta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro dirigido por Carolina Markowicz. Entre tons hiperbólicos e reviravoltas, a produção se debruça sobre as contrariedades da moral humana. Parte da seção Mostra Brasil da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o longa desmonta a farsa do conservadorismo e a transforma em cinzas. </span></p>
<p><span id="more-29130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história nos guia pelas vidas de Irene (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/maeve-jinkings-sobre-carvao-o-absurdo-do-filme-talvez-soe-familiar"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho Jean (Jean Costa) e o marido Jairo (Rômulo Braga). A protagonista acumula responsabilidades com o trabalho, cuidados com a casa e com a família, e ainda tem um pai doente e acamado para somar às demandas. Enquanto isso, o esposo se mostra machista e impaciente, mas nada interessado em trabalhar para contribuir com os interesses da residência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/18293_sobrecarga-da-mulher-aumenta-e-atrapalha-vida-profissional-o-que-as-empresas-tem-a-ver-com-isso.html"><span style="font-weight: 400;">desigual</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra insustentável e, é claro,  na primeira oportunidade o fio que segura os princípios éticos é o primeiro a se romper. Cansada de lidar com o parente, Irene recebe uma proposta irrecusável da nova enfermeira do posto de saúde. A solução é simples e mata dois coelhos com uma cajadada só: se livrar do pai enfermo e ganhar uma boa quantia em dinheiro. </span></p>
<figure id="attachment_29137" aria-describedby="caption-attachment-29137" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-2-1.jpg" alt="" width="750" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-29137" class="wp-caption-text">Carvão, co-produção Brasil-Argentina, foi exibido nos festivais de Toronto, San Sebastian e Rio (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sumir com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">idoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fácil, ele não se movimenta sozinho e a família é dona de uma carvoaria com o forno grande o suficiente para que uma pessoa desapareça. A parte difícil vem depois, com a hospedagem de um argentino foragido por tráfico dentro de casa. A situação se desenrola em incômodo e encorajamento, e a chegada de Miguel (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4HK40llCP7A"><span style="font-weight: 400;">César Bordon</span></a><span style="font-weight: 400;">) desperta em cada personagem uma reação singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pouco tempo, a presença do estrangeiro revela a frustração do casamento de Irene e Jairo. A mulher passa a ver na visita uma forma de expor seus desejos, iniciando uma tentativa de sedução e adultério. A infelicidade é mútua, o marido, versado em uma </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/17-de-maio-a-homofobia-como-produto-do-machismo/"><span style="font-weight: 400;">virilidade danosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, na realidade mantém um caso amoroso com o vizinho. No meio das pontas soltas temos Jean, a criança lidando com uma criação tão ausente a ponto de ver no traficante uma oportunidade de afeto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme cada uma dessas questões nos vai sendo apresentada, mais absurdo todo o cenário parece. Ao mesmo tempo, as peças se movimentam com uma fluidez ímpar, promovida pelas características atraentes do roteiro – também assinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vp9LeV2N5PU"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com elementos simples e uma casa pouco luxuosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue nos levar para um universo muito identificável na </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual, aquele em que a imagem familiar é puramente um produto da hipocrisia. </span></p>
<figure id="attachment_29132" aria-describedby="caption-attachment-29132" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29132" class="wp-caption-text">Carvão tentou vaga para representar o Oscar 2023, ao lado de títulos como Marte Um e Paloma (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores influências da capacidade arrebatadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> são as atuações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0nAOkzkxgw"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrela as cenas com tanta naturalidade e verdade que somos capazes de sentir a tensão presente em seus movimentos inquietos, exposta a cada possibilidade de alguém encontrar Miguel escondido no quarto de seu pai. O traficante também não fica para trás e, de maneira sincera, César Bordon cria um personagem encantador – mesmo esse ironicamente sendo o único a assumir seus desvios de moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque fica para o desempenho de Jean, que, com a típica sinceridade das crianças, dá à narrativa os pingos cômicos necessários. Sua performance também carrega uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase dolorosa: em diversos momentos, ao presenciar as cenas grotescas da atitude dos pais, vemos as </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/negligencia-e-a-forma-de-violencia-mais-comum-contra-criancas-e-adolescentes/"><span style="font-weight: 400;">consequências</span></a><span style="font-weight: 400;"> refletidas em sua composição como ser humano. Instintivamente, a vontade do telespectador é tirar a criança de dentro da tela e a proteger de toda a crueldade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção fotográfica da produção também não poderia ser melhor. As escolhas do diretor de fotografia, </span><a href="https://www.pepemendes.com/"><span style="font-weight: 400;">Pepe Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçam o cenário autêntico que abriga a narrativa, sem perder o foco nas feições. As imagens ainda abraçam pequenos detalhes, como o suor e a sujeira nas peles da família, a fumaça da carvoaria e o plano geral com a presença da natureza característica das pequenas cidades brasileiras.  </span></p>
<figure id="attachment_29138" aria-describedby="caption-attachment-29138" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg" alt="" width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Carvao-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29138" class="wp-caption-text">Carvão chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de novembro (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa de muito para levantar grandes reflexões, sendo capaz de gerar debates sobre o valor do idoso no Brasil, a negligência com a infância e os limites das aparências. À primeira vista, sua história pode parecer um exagero, mas se pensarmos bem o disparate mora ao lado. E exatamente por isso o filme consegue nos prender: tudo é tão ficcional quanto um </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-o-assassinato-de-daniella-perez-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassino que defende a moral, a pátria e a família</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como acontece na vida, muitas vezes nossos erros são pagos por terceiros. Irene e Jairo têm seus desfechos como começos, em uma </span><a href="https://humanas.blog.scielo.org/blog/2017/06/27/conservadorismo-religiao-e-politica-um-dialogo-entre-brasil-e-argentina/"><span style="font-weight: 400;">igreja</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém parece ter medo do julgamento dos céus e muito menos do dos homens, aquilo que permanece no fogo vira cinza e não fantasma. Para Jean, o caminho parece pautado pelo sangue da mão dos pais &#8211; infelizmente alguém carrega as pedras do caminho, é inevitável. O importante é que em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, a mesa do jantar permaneça intacta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Carvão - Trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0qlaRgwrj-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Calambre sonoriza a revolução que Nathy Peluso incorpora</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 20:36:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Inúmeros são os prismas musicais de origem latina que despontam na indústria atual. A efervescência emergida de tantos ritmos vira elixir não somente rompendo com a hegemonia maçante da língua inglesa nos centros de visibilidade, como também investindo em criar, revisitar e renovar leituras artísticas. No entanto, mesmo ascendida nesse cenário difusor de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/calambre-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Calambre sonoriza a revolução que Nathy Peluso incorpora"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26926" aria-describedby="caption-attachment-26926" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Calambre. Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos, está centralizada na imagem. Ela salta em posição de espacate enquanto segura, com os dois braços acima de sua cabeça, um fio branco com tomada em uma das extremidades. Nathy ainda veste bandagens em várias partes do corpo. Ao fundo, uma parede branca com a sombra da cantora." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-9-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26926" class="wp-caption-text">“Sou eu quem pega o plugue e causa o choque &#8211; de paixão, alegria, o que quer que seja. Quero agitar a coragem das pessoas de tal forma que elas não consigam se conter” (Foto: JP Bonino)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inúmeros são os prismas musicais de </span><a href="https://www.billboard.com/music/latin/all-latin-artist-on-the-rise-2021-1235011030/"><span style="font-weight: 400;">origem latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> que despontam na indústria atual. A efervescência emergida de tantos ritmos vira elixir não somente </span><a href="https://tracklist.com.br/musica-latina-2020/100786"><span style="font-weight: 400;">rompendo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a hegemonia maçante da língua inglesa nos centros de visibilidade, como também investindo em criar, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU"><span style="font-weight: 400;">revisitar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=34z8YXldqNk"><span style="font-weight: 400;">renovar</span></a><span style="font-weight: 400;"> leituras artísticas. No entanto, mesmo ascendida nesse cenário difusor de novidades, Nathy Peluso surpreende no mínimo e no estrondoso desde o início de sua carreira. </span></p>
<p><span id="more-26925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtapes </span></i><span style="font-weight: 400;">autônomas aos </span><a href="https://tn.com.ar/musica/estrellas/2022/02/21/nathy-peluso-la-chica-de-lujan-con-ojos-bicolor-que-llego-a-la-tapa-de-vogue/"><span style="font-weight: 400;">visuais ousados</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora e compositora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JzJdpXZHaRM&amp;t=49s"><span style="font-weight: 400;">Luján</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca deixou de abraçar o imprevisível e, analogamente, personalizar seu lugar de destaque. Catapultada para a </span><a href="https://www.ambito.com/espectaculos/musica/nicki-nicole-y-nathy-peluso-seran-las-primeras-argentinas-participar-del-festival-coachella-n5351103"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> mundial, alastrada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, por fim, participante dos indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: sua essência ardente é banhada na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ciMMqCd9p2U"><span style="font-weight: 400;">revolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autoafirmação.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso - CORASHE (Video Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vkvMgp_7swk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em berço argentino, Peluso explorou a juventude em solos espanhóis. Entre os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6C0GCYMp_zw"><i><span style="font-weight: 400;">covers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em hotéis e restaurantes e as declamações de </span><a href="https://twitter.com/JulianMarin/status/1462515489075249160?s=20"><span style="font-weight: 400;">poesia improvisada</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas ruas, sua trajetória foi introduzida por pura diversidade expressiva. Foi assim que, munida de sequentes estudos universitários em dança e artes visuais, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/7iuGQ0MTUur0HleAhXJizz?si=AR2R5F0JRFaypSiU9uGHDg"><span style="font-weight: 400;">estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> independente da artista esbanjou sua surgente competência na combinação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ttlEgFOu6HI"><span style="font-weight: 400;">colorida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investida mais robusta de extrapolar amiúdes veio em 2019, com </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=sandunguera"><i><span style="font-weight: 400;">La Sandunguera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os gêneros musicais já aproveitados foram apimentados pela cativação de </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> no novo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s2LSW9Si2Gw"><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dando a Nathy projeção gritante para embarcar em sua primeira turnê, se apresentar em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9M_KuyXq2lE"><span style="font-weight: 400;">grandes festivais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, enfim, assumir contratos com a renomada </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Music</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cravada com peso no amplo mercado, a jovem decidiu incorporar a </span><a href="https://www.citynightsdisco.co.uk/fusion-genre-taking-world-music/#:~:text=In%20fact%2C%20much%20of%20the,we%20call%20it%20a%20fusion."><span style="font-weight: 400;">melodia fusionista</span></a><span style="font-weight: 400;"> por inteiro e continuar liderando sua narrativa imponente </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> agora, em um </span><a href="https://www.urbandictionary.com/define.php?term=major%20label"><i><span style="font-weight: 400;">major</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> álbum.</span></p>
<figure id="attachment_26927" aria-describedby="caption-attachment-26927" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-800x533.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos presos em um rabo de cavalo. Ela veste uma blusa preta bufante de transparência nas mangas bufantes, além de corpete, shorts e botas igualmente pretos. Seu corpo está totalmente virado para frente e sustentado na posição por sua mão esquerda, posicionada ao chão. Seu braço direito está posicionado na extremidade oposta, levantado acima de sua cabeça." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-9.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26927" class="wp-caption-text">“E, se haviam barreiras, essas não existirão; como soa linda a amiga liberdade”: a afirmativa que anuncia o lançamento, em 2020, de Calambre (Foto: Berta Pfirsich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de capa motivado pela </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/how-grace-jones-created-the-cover-for-island-life/"><span style="font-weight: 400;">ilhota</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Grace Jones, o projeto cumpre expectativas ao não restringir sua internacionalidade às gravações intercambiadas entre América do Sul, Norte e Europa. Mesclando do farfalhar urbano ao reluzir clássico, o atrevimento mais envolvente do primogênito de Peluso é o de se completar pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4kxzirj2QyU"><span style="font-weight: 400;">pluralismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem designar focos de atenção. Essa atmosfera potente, tensionada propositalmente no intercalar de arranjos multi-instrumentais, é devidamente monopolizada pelos gênios artísticos e pessoais da argentina.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversão e solidão, amor e luxúria, imediato e nostálgico: todos são antagonismos ambiciosos entrelaçados nas fibras de </span><a href="https://www.grimygoods.com/2020/10/06/nathy-peluso-displays-a-raw-vulnerability-and-sensuality-that-defies-conformity-on-calambre/"><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O batismo é bruto </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> cãibra em tradução literal </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente por representar o golpe eletrizante desenvolvido e conectado por suas dezenas de facetas. Emitindo </span><a href="https://viapais.com.ar/urbano/nathy-peluso-conto-como-compone-sus-canciones-nunca-fui-pretenciosa-a-la-hora-de-escribir/"><span style="font-weight: 400;">chamas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atormentando </span><a href="https://twitter.com/La1_tve/status/1489005192012079108?s=20&amp;t=23z_YoifdIdp5D4xV3zFWQ"><span style="font-weight: 400;">regularidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dúzia de faixas sabe calibrar movimento físico e mental. E a variedade de estados contemplados nesse processo diminui </span><a href="https://twitter.com/NathyPeluso/status/1464492299124097025?s=20"><span style="font-weight: 400;">as muralhas da cantora</span></a><span style="font-weight: 400;"> para mostrar que sentir se torna uma obrigação do chocar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso Is Trusting Her Destiny" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9ZedZEsLDrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Estruturar um conjunto tão imersivo e complexo exige a legitimação ditada, aqui, pela união de produção versátil à composição enfática. A primeira ficou quase totalmente nas mãos premiadas de </span><a href="https://www.lanacion.com.ar/espectaculos/musica/rafa-arcaute-productor-musical-del-momento-spinetta-nid2505607/"><span style="font-weight: 400;">Rafa Arcaute</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido por dirigir realizações de Shakira a Ricky Martin. O domínio da última é resultado da presença de Nathy em todas as letras do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que a permite conceituar </span><a href="https://www.vogue.es/celebrities/articulos/nathy-peluso-portada-vogue-diciembre-2021"><span style="font-weight: 400;">personagens e atitudes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma em perspectiva expandida. Consequentemente, a materialização dessa equação é declarada já nos momentos iniciais da jornada de </span><a href="https://youtu.be/C66UUbJ3b2k"><span style="font-weight: 400;">celebração</span></a><span style="font-weight: 400;"> da artista: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles me prometeram muita abundância/Mas eu me recusei a ser sua presa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> regado a violinos de </span><i><span style="font-weight: 400;">CELEBRÉ</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dissipa, a avidez categórica </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> assinatura de </span><a href="https://youtu.be/0OkiUUU3Odw"><span style="font-weight: 400;">longa data</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece vibrante. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pCHfz-WMwyo"><span style="font-weight: 400;">uma das lendas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do folclore argentino, o sentimento entoa pelo misto de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;"> que é </span><a href="https://youtu.be/1qrW5N-_7WA"><i><span style="font-weight: 400;">AMOR SALVAJE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Tão provocativa quanto seu título, a discussão amorosa parte de melindres clichês e esmorece no calor da intimidade corporal, encenando trechos da comicidade que se apaixonar perdidamente causa (e Peluso </span><a href="https://youtu.be/o3766wFOG_Q"><span style="font-weight: 400;">adora reproduzir</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A teatralidade, sobretudo, tem uma sondagem especial nas canetadas espelhadas pelo teto de vidro da jovem. Avançando feito constante nas eloquências do disco, os ímpetos imaginativos focam na audácia de enfrentar inquietudes e iniciativas de Nathy diante da plateia pública. E </span><a href="https://youtu.be/BA0EKm_C2rs"><i><span style="font-weight: 400;">TRÍO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue ser a captura máxima desse viés. Revelada de improvisos e protagonizada por fantasias sexuais, a canção também sintoniza </span><i><span style="font-weight: 400;">rhythm and blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas a uma cadência similar a batimentos cardíacos. Nas minúcias das intimidades destrinchadas, a </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a34730877/nathy-peluso-latin-grammys-interview/"><span style="font-weight: 400;">transmissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> do motor sinceridade é eficaz o bastante para se dilatar na tenacidade posterior de </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26928" aria-describedby="caption-attachment-26928" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-800x420.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela veste uma blusa roxa de gola alta e mangas longas junto a anéis brilhantes em ambas as mãos, as quais estão entrelaçadas no centro da fotografia. Nathy também usa unhas decoradas longas. Ao fundo, cortinas lilases. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26928" class="wp-caption-text">“Não quero fazer apenas o que sei que funciona, mas o que me apaixona” (Foto: Kito Muñoz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Técnica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9U1lRD3Onk"><span style="font-weight: 400;">assídua</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Peluso, o balanceamento da febre de performances artísticas à delicadeza da vulnerabilidade expressiva reverbera no álbum. Seja na miscelânea harmoniosa concebida por </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que emerge da autoestima salpicada em </span><a href="https://youtu.be/hSo2XshK1Rw"><i><span style="font-weight: 400;">SUGGA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou através da aura misteriosa e paradoxal de </span><a href="https://youtu.be/N7DDG990olc"><i><span style="font-weight: 400;">ARRORÓ</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma balada melancólica </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-rosalia-critica/"><span style="font-weight: 400;">ROSALÍA</span></a><span style="font-weight: 400;">, o destino da artista não se consolida. Ser autocentrada vira seu incentivo para vasculhar o fervor do mundo. Entre a segurança (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Com um caramelo na boca, ela o forçou a sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”) e a fragilidade emocional (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Como você pôde quebrar a promessa?/Como você se foi se minha alma te beija?</span></i><span style="font-weight: 400;">”), o ego aprende, no ato, a se redescobrir e se fascinar por versos generosamente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do lirismo concentrado, vertentes políticas rasgam, fugazes, a óptica múltipla do </span><i><span style="font-weight: 400;">CD</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tributo a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/11/24/mercedes-sosa-e-mais-relevante-do-que-nunca-diz-autora-da-1-biografia-da-cantora-em-portugues"><span style="font-weight: 400;">Mercedes Sosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, crítica explícita ao </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/business/sob-protestos-camara-argentina-aprova-projeto-de-refinanciamento-de-divida-com-fmi/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Monetário Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reinterpretação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWTQUGmuuEQ"><span style="font-weight: 400;">cantigas infantis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Argentina </span><i><span style="font-weight: 400;">–</span></i> <a href="https://youtu.be/JqJBIPE5Trk"><i><span style="font-weight: 400;">SANA SANA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tange a História para ressignificar o país latino-americano. Repetindo o refrão como mantra, a cantora exalta suas habilidades e muitos elementos culturais de seu povo, enquanto mistura ironia e afronta à precisão de um </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> rítmico. Longe da passividade, ela entrega um diálogo sobre </span><a href="https://www.clashmusic.com/features/i-decided-to-be-honest-with-myself-nathy-peluso-is-unstoppable"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa nação tem um longo e doloroso histórico, com muitas dívidas, mas também com perseverança</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nathy Peluso - SANA SANA | A COLORS SHOW" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pICv0qQIbeY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando e abusando de gêneros altamente radiofônicos, a concepção do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> se influencia por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a33004381/best-2000s-songs/"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cozinhados nos anos 2000 e evidentes até na </span><a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2022/03/08/tiktok-entenda-a-influencia-da-rede-social-no-consumo-de-musica.html"><span style="font-weight: 400;">era </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Tático nesse contexto, o reciclar do desejo exacerbado sendo aludido a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XfFvBp5ocHo"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a aposta que transpira comercialidade, em um quadro louvável e nítido: preservando a autoria de Nathy. Apesar de mirar em rotas mais destemidas que a vendável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dá ao luxo certeiro de interpolar essas memórias férteis para enriquecer e determinar ainda mais a prosa exposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, a desvinculação de pretensões do passado (ou do óbvio) para o engrandecimento de emoções atemporais também se sucede. Pela percepção sensorial do embate travado entre soledade e </span><a href="https://personaunesp.com.br/revelacion-critica/"><span style="font-weight: 400;">solitude</span></a><span style="font-weight: 400;">, o despencar de Peluso na epifania se salienta em deleitosos convites coletivos. </span><a href="https://youtu.be/O8BLUzAxNmQ"><i><span style="font-weight: 400;">BUENOS AIRES</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> equilibra o taciturno do silêncio a reflexões libertadoras, sempre conduzida pela claridade do </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul </span></i><span style="font-weight: 400;">e ornamentada por leves contribuições de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na mesma toada sonora, </span><a href="https://youtu.be/ZomiJBu9n2Y"><i><span style="font-weight: 400;">LLAMAME</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tenta esboçar a inspiração genuína vista na representação da capital argentina e termina insuficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">– </span></i><span style="font-weight: 400;">o que explica porquê só </span><a href="https://fb.watch/bwNB08Hrkm/"><span style="font-weight: 400;">uma das faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> promoveu o disco na </span><a href="https://flaunt.com/content/nathy-peluso"><span style="font-weight: 400;">vitrine</span></a><span style="font-weight: 400;"> das cerimônias musicais.</span></p>
<figure id="attachment_26929" aria-describedby="caption-attachment-26929" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-800x450.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela veste um vestido de alcinhas e veludo azul, enquanto seu braço esquerdo se estende reto ao chão e sua mão direita se posiciona à frente de seu tronco. De olhos fechados, Nathy ainda arqueia a cabeça para cima. Ao fundo, uma parede verde." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-2-2.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26929" class="wp-caption-text">Maior reconhecimento para a Música na Argentina, os Prêmios Gardel 2021 concederam 4 vitórias à Peluso, incluindo Melhor Nova Artista (Foto: Lucas Garrido)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de proclamar a plenos pulmões que </span><a href="https://youtu.be/VE241132KKU"><span style="font-weight: 400;">não pede perdão nem permissão</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nathy inaugurou sua última era lutando para reduzir a pó o falatório e a injúria. </span><a href="https://youtu.be/Hd61PqRJapU"><i><span style="font-weight: 400;">BUSINESS WOMAN</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> e clímax do álbum, é bem mais que o triunfo estilístico ao seu </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> eloquente. Alegorizando autoconfiança, malícia, sucesso e poder, a autoridade da jovem é a de se acomodar na fogueira com seus deslizes e virtudes, sabendo que a combustão de tantos pormenores só a vilaniza no curso de intenções meritórias e próprias. Letal e sugestiva, patinando por espanhol e inglês, ela é o diabo </span><a href="https://genius.com/Nathy-peluso-business-woman-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">se quiser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pergunte-se o quanto me odeia, o quanto me ama/Não vim te dar lições nem fazer sua cama</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://youtu.be/jN6J-w4fk6w"><span style="font-weight: 400;">dimensões</span></a><span style="font-weight: 400;"> passadas, a argentina já formulava contundência e perspicácia em </span><a href="https://www.europafm.com/noticias/famosos/discurso-feminista-nathy-peluso-ocho-frases-gorda-esta-triunfando_2021121461b88f0e454389000144cac0.html"><span style="font-weight: 400;">discursos</span></a><span style="font-weight: 400;"> naturalizados no feminismo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> por si só floresce do movimento. Mas, o auge da irreverência resplandece no êxtase de </span><i><span style="font-weight: 400;">BUSINESS WOMAN</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela expansividade deliciosa das reivindicações. Debruçada na notoriedade de uma musicalidade feita à base de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">denúncias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cada vez mais nutrida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">transformações</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora exala uma obstinação que só pôde ser provada pela nobreza de não enclausurar suas composições em formato de </span><a href="https://www.ultimahora.es/noticias/cultura/2021/10/06/1306833/nathy-peluso-feminismo-puede-ser-moda-porque-algo-pasajero.html"><span style="font-weight: 400;">tendências passageiras</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NATHY PELUSO - BUSINESS WOMAN" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4B614TAin4s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O dueto responsável por encerrar os enérgicos quarenta minutos caminha pelos poros abertos resgatando, com fôlego de virada, as raízes da artista. Afinal, tratando-se de Nathy e Argentina, o </span><a href="https://youtu.be/uISyLdhtngM"><span style="font-weight: 400;">ciclo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é retroalimentar. O fervor que despertou a jovem regenera sua relação com a Música e o universo e, simultaneamente, as faixas também funcionam como simulacro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">. O término não pontua linearidade ou finda trilhas. É o enaltecimento da </span><a href="https://www.elpais.com.uy/domingo/nathy-peluso-cantar-bares-madrid-ganar-grammy-latino.html"><span style="font-weight: 400;">profusão</span></a><span style="font-weight: 400;"> despejada por toda a obra.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/aHmV2sAqxfQ"><i><span style="font-weight: 400;">PURO VENENO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">AGARRATE</span></i><span style="font-weight: 400;"> funcionam como fotografias dos estágios de um luto romântico, buscando estampar um renascimento particular, muito pleno no decorrer do projeto. O começo da passagem transita entre negação e barganha, confundindo a toxicidade palpável ao prazer de ser amada. A impureza que induz ao desejo dilacerante de escape é comunicada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">salsa</span></i><span style="font-weight: 400;">, evocando o </span><a href="https://animal.mx/entretenimiento/nathy-peluso-entrevista-calambre-letras/"><span style="font-weight: 400;">imaginário melodramático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um tipo musical ideal para fundir dança e dor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A surpreendente </span><a href="https://youtu.be/X5pf7-Ra2oY"><span style="font-weight: 400;">canção final</span></a><span style="font-weight: 400;"> mergulha sua introdução no ínfimo da tristeza, deixando o lado mais sombrio do tango coreografar o ritmo lento e aturdido de perda. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">E, agora, meus beijos te pedem perdão/Por acreditarem que havia luz nessas mãos/Por saberem antes de você que isso tinha acabado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Contudo, choradas as lamúrias, as sobreposições de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> se manifestam rapidamente na metade seguinte, transfigurando os pesares em insubordinação: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você acha que sabe sobre vida e dinheiro/Mas não experimentou mulheres como eu</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. A ruptura é ironicamente intuitiva: culminando no agridoce processo curativo, expurga tudo o que não condiz com o </span><a href="https://youtu.be/iB57JQQbmiw"><span style="font-weight: 400;">reflexo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressurgido da artista.</span></p>
<figure id="attachment_26930" aria-describedby="caption-attachment-26930" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-800x449.jpg" alt=" A imagem mostra a cantora Nathy Peluso, uma mulher branca de cabelos castanhos e longos. Ela usa um vestido preto de veludo e alças, além de um chapéu azul marinho felpudo na cabeça. Nathy também usa brincos, colar, pulseira e anéis dourados, além de longas unhas decoradas vermelhas. Sua mão esquerda está posicionada em sua cintura, enquanto sua mão direita segura um gramofone, prêmio dado aos vencedores do Grammy. Ela esboça felicidade e surpresa no rosto. Ao fundo, um totem azul com símbolos de gramofones desenhados. " width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-4.jpg 1010w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26930" class="wp-caption-text">Dona de outras cinco nomeações ao Grammy Latino, Peluso conquistou seu primeiro gramofone na edição de 2021, através de Calambre, em Melhor Álbum de Música Alternativa (Foto: Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vasto no desvendar da sonoridade e arrebatador no trâmite lírico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;"> celebra o primor do </span><a href="https://tracklist.com.br/nathy-peluso/122873"><span style="font-weight: 400;">ecletismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não esgota nem sua própria modelação. É a evolução autêntica e de visível </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_1z8gqtyUOQ"><span style="font-weight: 400;">extensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> que possibilitou a Nathy Peluso rechaçar temáticas badaladas do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> quase de maneira vanguardista, engolindo forças e vícios do meio e convertendo-os em recursos ostensivos. O estraçalhar criativo do disco ainda estabelece sua melhor dádiva no todo: em cristalizadas contradições, a cantora se dá inteira e única. A assertividade foi tamanha que, colhendo os </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/12/nao-da-para-discutir-2021-foi-o-ano-da-mafiosa-nathy-peluso/#:~:text=Tudo%2C%20%C3%A9%20claro%2C%20n%C3%A3o%20passa,de%202021%20sua%20est%C3%A9tica%20extravagante."><span style="font-weight: 400;">frutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua curadoria, ela tem se realçado como </span><a href="https://www.latercera.com/culto/2022/02/25/nathy-peluso-la-antidiva-del-pop-hispano-va-a-la-conquista-de-nuevos-mundos/"><span style="font-weight: 400;">subversão</span></a><span style="font-weight: 400;"> necessária no tabuleiro musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Polemizando na </span><i><span style="font-weight: 400;">bachata</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y9WJOopLYBQ"><span style="font-weight: 400;">C. Tangana</span></a><span style="font-weight: 400;"> e deslanchando no </span><i><span style="font-weight: 400;">savvy-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-5l4Xx5eCcs"><span style="font-weight: 400;">Christina Aguilera</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1PeVA5wQWAY"><span style="font-weight: 400;">Karol G</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua figura já é magnética em parcerias de ouro. Recorrente nas listas do </span><a href="https://www.latingrammy.com/pt/videos/nathy-peluso-mejor-lbum-de-m-sica-alternativa"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desde 2020, seu nome alcançou a primeira indicação na 64ª </span><a href="https://www.grammy.com/awards/64th-annual-grammy-awards-2021"><span style="font-weight: 400;">versão estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação, em Melhor Álbum Latino de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Música Alternativa. Com uma individualidade incendiária e pronta para mais, o legado da artista argentina cresce tão vívido quanto o motim incitado por ela e ressoado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Calambre</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">está tudo bem em reconhecer o que você </span></i><a href="https://www.papelpop.com/2021/02/entrevista-o-hip-hop-para-nenas-de-nathy-peluso/"><i><span style="font-weight: 400;">sabe</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> fazer”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Calambre" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0HvKhpJzjmC5wloza8MjXF?si=kt_kCZC8SsCnpyhwyFCg2A&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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