20 anos de E Se Fosse Verdade e a química que Hollywood esqueceu

Cena do filme E Se Fosse Verdade. Elizabeth (Reese Witherspoon) e David (Mark Ruffalo) estão sentados em um banco estofado diante de uma ampla janela à noite. Ao fundo, vê-se as luzes desfocadas da cidade de São Francisco. Elizabeth, com um sorriso suave, olha para David, que está sentado com postura curvada, mãos entrelaçadas e olhar baixo, parecendo melancólico
Como produtor, Steven Spielberg comprou os direitos do livro E Se Fosse Verdade… de Marc Levy para o cinema antes mesmo de a obra ser publicada (Foto: DreamWorks)

Henrique Marinhos

Ao completar duas décadas em 2025, E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven) surge como um artefato nostálgico da era de ouro das romcoms e um testamento de um tempo em que a química entre atores valia mais do que propriedades intelectuais. Antes de o algoritmo da Netflix padronizar as comédias românticas em uma massa cinzenta de iluminação chapada e roteiros tão genéricos que são acusados de serem gerados por IA, existia o ecossistema em Hollywood chamado mid-budget movie

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Em Sonhos de Trem, é a cinematografia quem conta a história

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Sonhos de Trem. Na imagem, há um homem branco de cabelos e barba castanho escura. Ele usa três camadas de roupa. Na foto, é possível ver a camisa de botão marrom e uma espécie de jaqueta azul por cima. Atrás dele, há madeiras e árvores. Ele usa um chapéu marrom e está com a feição séria.
Sonhos de Trem foi indicado a quatro categorias no Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Foto: Netflix)

Guilherme Machado Leal

A fotografia, recurso técnico que dá tom a cor e a estética de um filme, possui força em obras célebres e, muitas vezes, pode ser o marco mais importante e memorável de uma história retratada em tela. Em Sonhos de Trem, longa-metragem indicado a quatro categorias do Oscar 2026 e baseado no conto homônimo de Denis Johnson, o trabalho de cinematografia é realizado pelo brasileiro Adolpho Veloso, também reconhecido em Melhor Fotografia.

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Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama

Cena de Alabama: Presos do Sistema. Homens vestidos com uniformes brancos caminham em fila por um corredor ao ar livre cercado por grades e arame farpado, ao lado de um prédio carcerário.
“Como um jornalista pode ir para uma zona de guerra, mas não pode entrar em uma prisão nos Estados Unidos da América?” disse Melvin Ray, detento no Alabama, à documentarista (Foto: HBO Max)

Mariana Bezerra 

Qual a imagem que se tem de um presídio e da vivência dentro deles? Certamente não uma das melhores, nem das mais harmoniosas. Apesar do que parece óbvio, Alabama: Presos do sistema têm muito a dizer sobre esse contexto. A produção da HBO indicada ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Documentário, mostra que a realidade é muito pior do que se possa imaginar. Nesse sentido, o longa se destaca por atravessar os muros – literalmente – ao manter contato direto com os presidiários através de aparelhos telefônicos comumente contrabandeados obtidas a partir de mais de seis anos de investigação a respeito do sistema carcerário do estado do Alabama, nos Estados Unidos.

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Embaixo da Luz de Neon mostra o propósito de continuar vivendo, sustentado por um amor inabalável

Andrea e Megan estão deitadas em um chão de madeira, com um carpete cinza cheio. Entre elas, estão dois cachorros de pelos loiros dourados. Uma luz bate no pelo de um deles e no rosto de Megan, mulher branca de cabelos castanhos, usando uma blusa branca, que está rindo com os olhos fechados e a cabeça para cima. Andrea, pessoa não binária branca, com cabelos pretos curtos, uma tatuagem no braço e uma camiseta preta estampada, sorri, olhando para o lado.
“Minha história é como a felicidade se torna mais fácil de achar ao percebermos que não temos a eternidade para encontrá-la”, Andrea Gibson (Foto:Apple TV)

Lara Fagundes

Como é amar alguém sabendo que essa pessoa vai partir antes do planejado? E como continuar vivendo com os dias contados? Embaixo da Luz de Neon, indicado na categoria de Melhor Documentário do Oscar e dirigido por Ryan White, acompanha os poetas: Andrea Gibson, artista não binário com diagnóstico de câncer terminal no ovário, e Megan Falley, sua esposa e companheira. Muito mais do que uma história sobre lidar com mortalidade, o longa fala da importância de colocar sentimentos em palavras e celebrar a vida com leveza enquanto ainda a tem.

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Em tudo, há Valor Sentimental

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Valor Sentimental. Na imagem, há um homem branco de cabelos louros grisalhos olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos. Eles estão em frente a diversos arbustos. Ele veste uma camisa social e ela usa uma blusa preta com uma jaqueta jeans por cima.
A ausência do pai moldou a personalidade de Nora e a maneira como ela se envolve com todas as pessoas de sua vida (Foto: Kasper Tuxen)

Guilherme Machado Leal

Nos filmes de Joachim Trier, a cidade Oslo se torna parte da história que o cineasta gosta de contar. As ruas, estabelecimentos e arquiteturas da capital da Noruega registram por meio das lentes a sensação de como é viver no local. Em Valor Sentimental, o diretor Gustav Borg (Stellan Skarsgård) retorna à cidade natal para convencer a filha, Nora (Renate Reinsve), a gravar um filme baseado na vida de sua família após mais de uma década afastado das telas. No entanto, há um fator especial: a primogênita seria a protagonista da narrativa, que entra na ferida mais profunda de um filho: a ausência de um pai.

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Monstros também amam: os mortos tem algo a dizer, e A Noiva! está nos contando

Mulher loira com véu preto e vestido vermelho aponta um revólver em um palco, diante de uma plateia em um ambiente com cortinas douradas
Jessie Buckley interpreta três personagens totalmente distintas entre si (Foto: Warner Bros)

Ana Beatriz Zamai

Depois de nos entregar uma performance espetacular e merecedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em Hamnet (2025), Jessie Buckley aparece irreconhecível e fenomenal em A Noiva!, interpretando três personagens: a autora Mary Shelley, Ida e a Noiva. O filme conta a história de Ida, uma mulher de Chicago dos anos 1930, que foi assassinada a mando de chefes da máfia, enquanto era possuída pelo espírito fantasmagórico e teatral de Shelley. Em uma mudança de cenários, Frank (Christian Bale), o monstro de dr. Frankenstein, implora pela ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening), cientista especializada em reanimação de organismos, para acabar com sua solidão que já dura um século. O monstro e a doutora desenterram Ida e a trazem de volta à vida, dando início à uma grande história de amor – ou de terror.

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Entre o homem e o mito: G-DRAGON leva a turnê e filosofia Übermensch às grandes telas

G-DRAGON caminhando em um show em meio a multidão. Fotografia retangular, ao fundo seus fãs no estádio, com o cantor ao centro. G-DRAGON é um homem asiático, de cabelos platinados com detalhes em azul. Ele veste uma regata branca, um sobretudo preto com botões brancos e detalhes de crochê na gola. Ele passa pela multidão enquanto canta e segura um microfone branco à sua frente.
G-Dragon caminha em meio a multidão durante a Übermensch Tour

Flávia Ferracini

Após oito anos longe dos palcos, G-DRAGON retorna com um projeto que é, ao mesmo tempo, espetáculo e manifesto existencial. Dirigido por Byun Jin Ho, G-DRAGON IN CINEMA: Übermensch acompanha a turnê mundial homônima de 2025, registrada em mais de dez países e lançada em mais de cinquenta – incluindo o Brasil, onde chega pelas mãos da Sato Company. O diretor, conhecido por outros trabalhos com G-DRAGON e BIGBANG, traz seu olhar que consegue equilibrar estética e introspecção, traduzindo a energia performática do artista em imagens que exploram o limite entre o humano e o sobre-humano – o que é ser ‘além do homem’ dentro de uma indústria que exige perfeição constante.

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The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada

 Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima
A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)

Stephanie Cardoso

A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.

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Sirât é a estrada até lugar nenhum

Alerta: este texto contém alguns spoilers

Cena de Sirât. Quatro pessoas e um cachorro estão em uma vasta planície branca e árida, sob uma luz solar intensa. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos escuros e vestido estampado vermelho observa o horizonte. Ao lado dela, dois homens estão sentados no chão junto a mochilas e um cachorro branco de pequeno porte. À direita, um homem grisalho de camisa azul está de pé, com a mão na cintura, observando os outros. O clima é de exaustão e desolação.
O diretor Oliver Laxe entrou em polêmica após citar suposto ufanismo de brasileiros na Academia do Oscar (Foto: El Deseo)

Guilherme Moraes

Sirât é o nome de uma ponte que supostamente liga o inferno ao paraíso. Louis (Sergi López) está procurando sua filha mais nova, junto com seu filho, Esteban (Bruno Nuñez Arjona); Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda) e Josh (Joshua Liam Henderson) estão indo em direção a outra festa no deserto, porém, a travessia até ela será complicada. Dessa forma, os sete se juntam para atravessá-la. Oliver Laxe busca materializar o Sirât nessa jornada, no entanto, o filme esquece do destino, foca na trajetória e acaba em lugar nenhum.

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Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas

Rhea Seehorn, mulher branca, loira e de olhos azuis, está posicionada no centro da imagem. Ela veste uma camisa azul escura com um casaco preto aberto por cima. A foto foi tirada em um ângulo que destaca o chão de pedras como fundo principal. No canto superior direito, aparecem algumas plantas.
Rhea Seehorn em “Pluribus”, já disponível no Apple TV (Foto: AppleTV)

Talita Mutti

Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo em Pluribus, série da Apple TV  lançada em novembro de 2025. Vince Gilligan, criador do seriado, conquistou o público pela trama envolvente e misteriosa e também pela ausência de respostas fáceis, fazendo com que a produção se tornasse a série mais assistida da história da plataforma. Talvez esse sucesso venha justamente do respiro em meio a alguns lançamentos do ano, que funcionam à base de explicações óbvias e finais tediosos, como Stranger Things (2016).

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