Novo livro de André Plez, Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas aborda temas urgentes com uma lírica que se assume engajada (Foto: Editora Penalux)
Eduardo Rota Hilário
Um Brasil à deriva, sem controle sobre a pandemia de covid-19 e diariamente deturpado pelo desgoverno de Jair Bolsonaro: esse é o cenário que ambienta o novo livro de André Plez. Lançado em 2021 pela Editora Penalux, Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas expõe, já na capa, aqueles que serão dois verdadeiros inimigos do país. É justamente nesse primeiro contato imagético que nos deparamos com uma bandeira nacional sem o clássico céu estrelado, coberto pelo tenebroso novo coronavírus, enquanto vestígios de vermes, metáfora para o abominável Presidente da República, emergem do fundo esverdeado de nosso maior símbolo pátrio.
Cineasta discorre sobre o impacto do sertão na sua filmografia e o lançamento de seu novo filme, Acqua Movie, protagonizado por Alessandra Negrini
O último entrevistado do quadro de bate-papos do Persona foi o cineasta Felipe M. Guerra (Arte: Jho Brunhara)
Caroline Campos
Foi durante o governo de Fernando Collor que, em 1990, a Embrafilme, principal órgão de financiamento, coprodução e distribuição de filmes no país, foi extinta. O resultado não demorou para chegar e, sem incentivos fiscais, o Cinema brasileiro foi quase totalmente eliminado na época, quando cerca de apenas 3 longas-metragens chegavam às telas por ano. Com uma reestruturação gradual através de novas fontes de recursos, como a Lei de Incentivo à Cultura, em 1991, e a Lei do Audiovisual, em 1993, a produção cinematográfica nacional foi recuperando o fôlego e, hoje, chamamos essa fase regenerativa de Cinema de Retomada, entre 1995 e 2002.
Mas para que toda essa história? Hoje, o Persona Entrevista traz um dos cineastas que participaram dessa avalanche de novos filmes sedentos por vida. Ao lado de Paulo Caldas, Lírio Ferreira dirigiu o primeiro filme pernambucano em quase 20 anos sem produções no estado. Baile Perfumado, de 1996, traz um Lampião pop em uma narrativa influenciada pelo manguebeat, recriando as fotografias de Benjamin Abrahão do cangaceiro e seu bando. 25 anos depois, sob a sombra de um outro aniquilador cultural na presidência, Lírio comenta sobre a estreia de Acqua Movie em meio à pandemia e a importância da resistência artística durante o desgoverno Bolsonaro.
Kita Mean foi contra os padrões da franquia e se sagrou vencedora da temporada inaugural de RuPaul’s Drag Race Down Under (Foto: Stan)
Vitor Evangelista
Os meios podem até justificar os fins, mas a primeira temporada de RuPaul’s Drag Race Down Under demorou a sedimentar sua narrativa. O spin-off do show americano foi filmado na Nova Zelândia durante a pandemia, colocando australianas e kiwis na Corrida pelo título de Super Estrela Drag e por trinta mil dólares. O custo foram oito enfadonhos e alongados capítulos, um elenco nada cativante e uma porção de polêmicas racistas, tanto dentro do Ateliê quanto fora dele.
Lotada de novas músicas, a obra também foi lançada como albúm no YouTube e no Spotify (Foto: Netflix)
Bruno Azevedo
Após 5 anos longe dos palcos e da internet, Bo Burnham retorna com Inside, seu novo Especial lançado pela Netflix. A produção foi escrita, dirigida e estrelada por ele mesmo no ano de 2020, trancado no espaço de uma única sala e feita especialmente para ser assistida pela tela da sua TV ou celular. Com vídeos de react, cantoria em volta da fogueira, debates sociais com um fantoche de meia e diversos desabafos, o filme é uma grande bagunça organizada na forma de comédia dividida entre músicas e stand-up.
Manu Gavassi e elenco repleto de talentos navegam pela quarentena no sensível filme pandêmico Me sinto bem com você (Foto: Amazon Prime Video)
Vitor Evangelista
Uma coisa é certa: a experiência da pandemia no Brasil é diferente de qualquer outro lugar do globo. Seja pelo descaso governamental ou pelo descuido populacional, enfrentar o isolamento social em CEP nacional é doloroso, desolador e qualquer antônimo de alegria que comece com a letra D. É claro que Matheus Souza não ia deixar esse caos coletivo viver apenas no mundo real, resolvendo catapultar a angústia de estar quarentenado e, para piorar, apaixonado, desapaixonado e em algum lugar perdido entre os dois.
Me sinto bem com você, assim, direto, é o título que abrange 5 microcontos, relacionando o afeto, o desafeto e a neurose que habita a mente de quem não sai de casa desde março do ano passado. O próprio diretor e roteirista protagoniza o mais sincero dos excertos, ao lado da produtora, cantora, ex-BBB e musa Manu Gavassi. Eles vivem um não-casal, separados há anos, mas ligados por aquele fio invisível tema de tantos poemas e poesias de adoração que lemos por aí.
Gilda e Lúcia, mãe e filha quarentenadas (Foto: Reprodução)
Caroline Campos
2020 definitivamente não foi um ano fácil para o audiovisual brasileiro. Pela primeira vez em mais de 50 anos, as gravações das novelas da Rede Globo foram interrompidas, o que levou a emissora a reprisar obras já conhecidas pelo público. Mesmo com a retomada das gravações no último mês de agosto, só saberemos o desfecho dessas histórias em 2021 – Lurdes está mais perto de encontrar Domênico do que nós estamos da vacina. E é nesse contexto que surge Amor e Sorte, minissérie filmada de maneira 100% remota com atores e atrizes que dividem esse período de pandemia.