O longa faz parte da categoria Perspectiva Internacional na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)
Jho Brunhara
A expectativa que um filme gera é uma faca de dois gumes. No caso de Nova Ordem, um dos títulos mais hypados da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é uma lâmina cega e enferrujada, mas que faz estrago. O filme do diretor mexicano Michel Franco, Nuevo Orden no idioma original, é uma exibição de 1h30 que em pouquíssimos momentos rompe a violência gratuita e apontamentos óbvios sobre a luta de classes.
Cidade Pássaro marca o retorno de Matias Mariani à Mostra de SP (Foto: Reprodução)
Vitor Evangelista
Tateando uma São Paulo incomum na grande mídia, Cidade Pássaro é um filme singular. Por quase duas horas somos conduzidos por uma cidade poluída, imunda física e espiritualmente pelo bafo do capitalismo e da pobreza. Imigrantes tomam o posto de protagonista e a seriedade de Amadi (O.C. Ukeje) é a régua moral da narrativa, na incessante busca pelo irmão Ikenna. Parte da Mostra Brasil da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Cidade Pássaro voa sem amarras, com a corrente do ar à seu favor.
Fazendo parte da seção Perspectiva Internacional, o filme está presente na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)
Isabella Siqueira
“Roubou-me metade da vida, agora não me rouba mais nada” – Leonor
O drama histórico A Herdade (2019) explora uma trama clássica, mas já conhecida, conta a história de uma importante família durante décadas, desde seu apogeu até seu declínio. Dirigido pelo cineasta Tiago Guedes, o filme é parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e foi a escolha de Portugal para o Oscar 2020. Contudo, apesar de ser encantador, não inova em absolutamente nada.
“Para fora ou para dentro, no corpo ou no espaço, como no meio ou fim, o interior sempre foi o território da Carne Doce”, disse a banda em seu perfil no Instagram (Foto: Rogério Watanabe)
Jamily Rigonatto
Estabelecida na cena do alternativo nacional, a Carne Doce costuma tratar de temas polêmicos, com melodias dominadas pelo estilo indie rock e certos toques de psicodelia cantados nos vocais fortes e reconhecíveis da líder e vocalista Salma Jô. Mas no seu mais recente trabalho de estúdio, a banda, que divide sua origem goiana com sucessos como Boogarins, mostra uma outra face sem perder a autenticidade. Dedicando seu quarto álbum exatamente a essa origem, Interior é uma obra sobre conexão e raízes.
O filme de vampirismo millennial faz parte da Competição Novos Diretores da 44ª Mostra de SP (Foto: Reprodução)
Vitor Evangelista
Quando fez história no Emmy 2020, uma emocionada Zendaya foi enfática na mensagem que queria passar: tenham fé na juventude. E é por causa de filmes como Meu Coração Só Irá Bater Se Você Pedir que podemos afirmar a veracidade e relevância do discurso da atriz de Euphoria. Jonathan Cuartas, o diretor e roteirista desse drama de sangue, se formou na faculdade de cinema em 2016, e depois de realizar alguns curtas, trouxe à 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo sua estreia no formato de longa metragem e, meu amigo, que estreia!
A ficção chinesa é parte da seleção da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e baseia-se na história do próprio diretor e roteirista (Foto: Reprodução)
Raquel Dutra
É impossível ler o título desse filme sem cantá-lo no ritmo de Alegria, Alegria. Quem traduziu o nome da produção chinesa para o português brasileiro com certeza se ligou na semelhança enorme que o enredo de Caminhando Contra o Vento (Ye Ma Fen Zong, no original) tem com o sucesso da MPB. O filme, que integra a Competição Novos Diretores da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, se fundamenta num protagonista perdido na vida, divertidamente irresponsável que só quer aproveitar sua juventude e liberdade, assim como o eu-lírico da canção.
No dia 14 de Outubro de 2020, o documentário Blackpink: Light Up the Sky ficou disponível na plataforma de streaming Netflix (Foto: Reprodução)
Lorrana Marino
O som dos saltos altos das quatro integrantes do grupo musical sul-coreano Blackpink é a primeira música que toca no documentário Blackpink: Light Up the Sky, produzido pela Netflix. Embora seja apenas um caminhar sobre o palco, para os fãs que acompanham mais de perto a trajetória das meninas, a emoção cresce quando percebemos que se trata do dia do debut(estreia)oficial de Jisoo, Jennie, Lisa e Rosé, em agosto de 2016. Em um corte preciso somos levados para a contemporânea realidade de sucesso do quarteto, onde a música que abre o agora éDDU-DU DDU-DU, com mais de 1.3 bilhão de visualizações no Youtube, um verdadeiro contraste.
O primeiro longa do diretor Faraz Shariat faz parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)
Jho Brunhara
É difícil diretores jovens escaparem de realizar pelo menos um projeto do gênero coming-of-age, o famoso longa de amadurecimento, e Faraz Shariat não foge à regra. O diretor de 26 anos traz para Sem Ressentimentos uma semi-biografia, mas também questões muito maiores sobre a configuração política do mundo que conhecemos. O longa alemão, selecionado para a 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, faz parte da Competição Novos Diretores.
A história de Futur Drei, título no idioma original, segue o jovem gay Parvis Joon (Benjamin Radjaipour), filho de iranianos que moram na Alemanha há alguns anos. Após um pequeno crime, o garoto precisa prestar serviço comunitário em um centro de refugiados na Saxônia, e é lá onde conhece Amon (Eidin Jalali), que fugiu do Irã junto de sua irmã, Banafshe (Banafshe Hourmazdi).
O longa é um dos filmes que fazem parte da Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)
Ana Laura Ferreira
É na diferença entre o ‘ter’ e o ‘querer’ que se constrói a narrativa de 1986. O filme alemão, que fez sua estreia sul-americana na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, se destaca por sua sensibilidade ao tratar da melancolia e das reminiscências do acidente nuclear de Chernobyl. Concentrando-se nas repercussões emocionais e nas marcas que o desastre deixou naqueles que vivem próximos a zona radioativa, o filme tece sua trama na união do passado, do presente e da memória.
A “árvore da vida”, que marca o filme presente na 44º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)
Caroline Campos
“Até hoje, um quinto da Mongólia foi delimitado para a mineração. 391 lagos, 344 rios e 760 nascentes secaram e muitos estão envenenados pela mais ativa indústria de mineração do mundo”. É com essa declaração que Byambasuren Davaa decide por encerrar seu novo filme, As Veias do Mundo, exibido na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Integrante da Perspectiva Internacional, o longa mongol-alemão é uma ode à resistência das populações nativas contra a tomada de suas terras.