O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo

Cena de O Mensageiro do Diabo. O cenário é de um quintal. No centro da imagem está Harry Powell, com seu chapéu preto, uma camisa branca por baixo do terno preto. Ele está com as mãos em um corrimão de madeira. A esquerda está na parte inclinada e a direita na divida entre a parte inclinada e reta. Na sua mão direita está escrito LOVE, com uma letra em cada dedo, e na esquerda está escrito HATE, também com uma letra em cada dedo.
O Mensageiro do Diabo foi o único filme de Charles Laughton como diretor (Foto: United Artists)

Guilherme Moraes

O Mensageiro do Diabo (1955) de Charles Laughton é uma obra estranha dentro da Era de Ouro de Hollywood. Criado na transição para o Cinema Moderno, o filme preserva certos elementos que podem caracterizá-lo como Cinema Clássico, mas também conserva particularidades capazes de colocar isso em questão. Há fortes inspirações no Expressionismo Alemão, além de não conseguir se eternizar como seus pares de Hollywood – muito provavelmente porque o diretor não seguiu carreira atrás das câmeras após o fracasso de público e crítica. Em um mar tomado por John Ford, Orson Welles e Howard Hawks, não houve espaço para Charles Laughton. Entretanto, 70 anos depois, é preciso reconhecer a obra-prima única do inglês sobre dois orfãos, uma boneca, um padre e dez mil dólares. Continue lendo “O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo”

Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado

Capa do álbum Sunflowers and Leather. Um trailer prateado está estacionado em um campo escuro sob um céu noturno profundo. O interior do veículo está iluminado com luz amarela e faz um contraste com o céu azul intenso. A lua brilha no céu. Ao fundo da paisagem, há montanhas. Na parte inferior, há o nome do artista e o título do álbum em letras amarelas.
“Nenhuma cicatriz que ficou no meu coração / Foi deixada por um inimigo / Apenas velhas histórias familiares e coisas preciosas / Todas que tiraram o melhor de mim” (Foto: Sony Music Entertainment)

Vitória Mendes

Já pensou em como seria a vida se você deixasse tudo para trás, entrasse em um trailer e desaparecesse no mundo? Jonah Kagen não só fez isso como também transformou essa experiência em Sunflowers and Leather, seu primeiro álbum de estúdio. Lançada em setembro pela Arista Records, uma divisão da Sony Music Entertainment, a produção narra uma jornada de independência geográfica e, principalmente, emocional. Entre medos, aventuras e descobertas, há o esforço constante de aprender a viver e amar, mesmo que signifique se machucar no caminho. Consolidando o público que já o acompanhava nos EPs anteriores, o artista surpreende e traz uma nova percepção que une o country folk e o soft country. Continue lendo “Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado”

50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd

 

Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas.
A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)

Eduardo Dragoneti

Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma homenagem profunda dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro Syd Barrett (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.

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Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

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Entre estrondos e sussurros, Deftones se isola e reafirma sua grandeza em private music

Capa do álbum private music, da banda Deftones. Uma cobra branca de corpo alongado aparece enrolada sobre um fundo verde vibrante. Suas escamas claras refletem a luz, destacando a textura da pele. A cabeça está voltada para frente, com a língua bifurcada avermelhada para fora, transmitindo movimento e alerta.
Entre o décimo álbum e o antecessor direto, Ohms, é o maior hiato criativo da banda, sendo cinco anos de espera (Foto: Reprise/Warner Records)

Gabriel Diaz

Na indústria musical, há poucas bandas que conseguem manter seu som tão atual e preservar sua relevância, principalmente no gênero do rock alternativo. Apesar disso, o Deftones não se contenta em ser uma relíquia nostálgica e se torna exceção. Enquanto seus conterrâneos da época dos anos 90, Limp Bizkit e Mudvayne, se dedicavam ao grooves de metal fundidos com o rap, a formação californiana absorvia influências do shoegaze e post-punk para criar uma forma singular de metal atmosférico. Continue lendo “Entre estrondos e sussurros, Deftones se isola e reafirma sua grandeza em private music”

O adeus da Ovelha Negra – Rita Lee: Mania de Você é mais do que um documentário

Rita Lee: Mania de Você traz à tona a carta inédita que a cantora escreveu para os filhos pouco antes de sua morte (Foto: Max)

Luana Brusiano

Em Rita Lee: Mania de você, longa-metragem documental lançado dois anos após a morte da eterna rainha do rock, acompanhamos um pouco da vasta trajetória de Rita Lee Jones, suas conquistas, perdas, vícios e virtudes. Dirigido por Guido Goldberg, o documentário revive memórias pela lente de amigos, familiares e expõe a carta inédita deixada pela artista aos seus filhos antes de sua morte.

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Há 20 anos, Criminal Minds mergulhava no lado mais sombrio da mente humana

Em um escritório, há 5 pessoas. Da esquerda para a direita: um homem alto com cabelo preto, um homem mais baixo com cabelo preto e barba, um homem de cabelos brancos com roupas sociais, uma mulher loira com blusa azul e uma mulher de cabelo preto e franja. A mulher loira olha para um tablet que está em sua mão. O primeiro homem também segura um tablet, mas olha para a mulher de franja, que segura um celular. Todos estão com expressões sérias. No fundo da sala há dois painéis com fotos dos crimes. Na mesa, há arquivos dos casos, fotos e tablets.
A série acumula estatuetas em premiações como People’s Choice Award, BMI TV Music Award e NAACP Image Awards, além de indicações ao Emmy (Foto: Paramount Global)

Vitória Mendes

O maior problema enfrentado pelas séries produzidas em larga escala e mantidas por décadas a fio é inovar sem perder a originalidade e a essência que as definem.  Muitas acabam com furos no roteiro, previsibilidade e narrativas inconsistentes como em Grey’s Anatomy (2005) e The Walking Dead (2010). Felizmente, Criminal Minds supera as estatísticas. Lançada em 22 de setembro de 2005, a criação de Jeff Davis, também conhecido por Teen Wolf (2011), se insere em um nicho de investigação criminal já consolidado. Ainda assim, conquista seu próprio espaço ao trazer uma nova perspectiva: a análise de perfilamento. Afinal, para capturar um criminoso, é preciso pensar como um. Continue lendo “Há 20 anos, Criminal Minds mergulhava no lado mais sombrio da mente humana”

20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema

Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo
O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)

Stephanie Cardoso

Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).

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Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia

Capa do álbum Man’s Best Friend. Na imagem, Sabrina Carpenter está de quatro, remetendo a um cachorro, ocupando o centro da composição. Ela olha diretamente para a câmera, transmitindo confiança e serenidade. Seus cabelos loiros claros, soltos e levemente ondulados, caem sobre os ombros e um punhado é segurado por um homem que aparece de relance no canto da imagem. A pele é clara, com maquiagem suave que destaca os olhos e os lábios em tom neutro. O cenário é minimalista: um fundo claro uniforme que isola sua figura, enfatizando seu rosto e sua postura. A iluminação é suave e focada, sem sombras marcantes, criando um retrato moderno, elegante e intimista.
Man’s Best Friend é o sétimo álbum de estúdio da cantora (Foto: Island Records)

Marcela Jardim

Com Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um espelho invertido: se o ‘melhor amigo do homem’ costuma ser o cão fiel, aqui ela se oferece como companhia indomada, que late, morde e brinca, porém jamais se submete. Essa ambiguidade é o eixo central da obra: entre risos debochados e melodias cintilantes, ela tensiona a linha que separa prazer e frustração, amor e desapego, provocação e vulnerabilidade.

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Fora das telas, A Missão Pet não funciona e demonstra o esgotamento criativo de certas histórias animadas

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Missão Pet. Nela, há diversos animais dentro de um trem. Da esquerda para a direita, há um cachorro cinza, uma gata laranja, um cão policial, um cachorrinho laranja e um guaxinim. Eles estão interagindo dentro do veículo, que possui assentos da cor laranja e branca.
A produção francesa apresenta um diferencial ao utilizar poucos cenários, se comparada a outros filmes do gênero (Foto: Paris Filmes)

Guilherme Machado Leal

Histórias com animais que são agentes secretos ou vigaristas não são novas no formato. No entanto, em um cenário marcado pelo excesso de CGI em obras animadas ou grandiosidades técnicas sem, de fato, uma narrativa para contar, o arroz com feijão pode servir como um respiro. É o caso de Missão Pet, filme francês comandado por Benoît Daffis e Jean-Christian Tassy. Na obra, Falcão (Damien Ferrette) é um guaxinim que ajuda a vizinhança, embora não seja o ser vivo com a moral mais correta. 

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