Hot Milk mostra a importância de abraçar a vida

Hot Milk, disponível na plataforma da MUBI, fotografa Sofia em um abraço com a liberdade (Foto: MUBI)

Isabela Pitta

Entre súplicas veladas e lutas diárias, o ser humano busca, a cada dia, definir e alcançar a liberdade em suas múltiplas facetas. Apesar de viver uma vida flexível e passível de mudanças, muitas pessoas caem na característica elástica da existência e, por fim, voltam para onde estavam ao início da caminhada ‘transformadora’. Em Hot Milk, padrões, traumas e uma pitada de esperança guiam a trajetória incansável em direção à libertação.

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O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo

Cena de O Mensageiro do Diabo. O cenário é de um quintal. No centro da imagem está Harry Powell, com seu chapéu preto, uma camisa branca por baixo do terno preto. Ele está com as mãos em um corrimão de madeira. A esquerda está na parte inclinada e a direita na divida entre a parte inclinada e reta. Na sua mão direita está escrito LOVE, com uma letra em cada dedo, e na esquerda está escrito HATE, também com uma letra em cada dedo.
O Mensageiro do Diabo foi o único filme de Charles Laughton como diretor (Foto: United Artists)

Guilherme Moraes

O Mensageiro do Diabo (1955) de Charles Laughton é uma obra estranha dentro da Era de Ouro de Hollywood. Criado na transição para o Cinema Moderno, o filme preserva certos elementos que podem caracterizá-lo como Cinema Clássico, mas também conserva particularidades capazes de colocar isso em questão. Há fortes inspirações no Expressionismo Alemão, além de não conseguir se eternizar como seus pares de Hollywood – muito provavelmente porque o diretor não seguiu carreira atrás das câmeras após o fracasso de público e crítica. Em um mar tomado por John Ford, Orson Welles e Howard Hawks, não houve espaço para Charles Laughton. Entretanto, 70 anos depois, é preciso reconhecer a obra-prima única do inglês sobre dois orfãos, uma boneca, um padre e dez mil dólares. Continue lendo “O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo”

Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

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O adeus da Ovelha Negra – Rita Lee: Mania de Você é mais do que um documentário

Rita Lee: Mania de Você traz à tona a carta inédita que a cantora escreveu para os filhos pouco antes de sua morte (Foto: Max)

Luana Brusiano

Em Rita Lee: Mania de você, longa-metragem documental lançado dois anos após a morte da eterna rainha do rock, acompanhamos um pouco da vasta trajetória de Rita Lee Jones, suas conquistas, perdas, vícios e virtudes. Dirigido por Guido Goldberg, o documentário revive memórias pela lente de amigos, familiares e expõe a carta inédita deixada pela artista aos seus filhos antes de sua morte.

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20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema

Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo
O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)

Stephanie Cardoso

Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).

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Fora das telas, A Missão Pet não funciona e demonstra o esgotamento criativo de certas histórias animadas

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Missão Pet. Nela, há diversos animais dentro de um trem. Da esquerda para a direita, há um cachorro cinza, uma gata laranja, um cão policial, um cachorrinho laranja e um guaxinim. Eles estão interagindo dentro do veículo, que possui assentos da cor laranja e branca.
A produção francesa apresenta um diferencial ao utilizar poucos cenários, se comparada a outros filmes do gênero (Foto: Paris Filmes)

Guilherme Machado Leal

Histórias com animais que são agentes secretos ou vigaristas não são novas no formato. No entanto, em um cenário marcado pelo excesso de CGI em obras animadas ou grandiosidades técnicas sem, de fato, uma narrativa para contar, o arroz com feijão pode servir como um respiro. É o caso de Missão Pet, filme francês comandado por Benoît Daffis e Jean-Christian Tassy. Na obra, Falcão (Damien Ferrette) é um guaxinim que ajuda a vizinhança, embora não seja o ser vivo com a moral mais correta. 

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Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue

Uma cena do filme Coração de Lutador, vista de dentro de um ringue de luta, focada em quatro personagens em um momento de alta tensão. Da esquerda para a direita: Bas Rutten, como um treinador, é um homem mais velho, careca, vestindo uma camiseta verde-escura. Ele se inclina para a frente com uma expressão de intensa preocupação e seriedade, olhando para o lutador. Atrás do lutador, Ryan Bader o segura firmemente pelos ombros. Ele está vestido de preto e seu rosto também mostra foco e preocupação, como se estivesse tentando conter ou dar apoio. No centro da imagem, sentado em um banco vermelho no corner do ringue, está o lutador Mark Kerr, interpretado por Dwayne Johnson. Ele está sem camisa, exibindo um físico musculoso, e veste shorts de luta brancos com detalhes em vermelho e uma joelheira preta. Sua expressão é de angústia e exaustão; seus olhos estão arregalados e fixos, e sua boca está entreaberta. À direita, do lado de fora das cordas, está Dawn, interpretada por Emily Blunt. Com cabelos longos e escuros e vestindo uma regata branca, ela olha para a cena com uma expressão de profunda tristeza, angústia e preocupação.
Dwayne Johnson no centro da narrativa de Coração de Lutador, entre força física e fragilidade emocional (Foto: A24)

Arthur Caires

Da glória nos ringues da World Wrestling Entertainment (WWE) ao domínio em franquias blockbusters milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? Coração de Lutador faz dessa pergunta seu eixo narrativo, atravessando a persona inquebrantável de The Rock para revelar Mark Kerr, lutador real que habita a zona de instabilidade entre a vitória pública e a masculinidade frágil.

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50 anos depois de seu lançamento, The Rocky Horror Picture Show ainda tem energia para fazer o Time Warp

Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, da esquerda para a direita: em um palco teatral com cortinas vermelhas ao fundo, Columbia aparece ajoelhada, vestindo um figurino brilhante com lantejoulas coloridas e um chamativo chapéu dourado. Ao centro, a Dra. Frank-N-Furter está sentada de forma provocativa em um trono prateado, usando corset vermelho, meia-calça preta, luvas escuras, colar de pérolas e maquiagem marcante. Seu pé esquerdo repousa sobre a mão de Columbia. Atrás do trono, Magenta observa com um leve sorriso, visível do busto para cima, com os cabelos volumosos e ruivos. À direita, Riff Raff aparece pálido e de expressão neutra, vestindo um terno preto aberto que revela o peito e calça escura, com luvas desgastadas.
Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)

Eduardo Dragoneti

Em 14 de agosto de 1975, The Rocky Horror Picture Show chegava aos cinemas do Reino Unido e do mundo, provocando críticos que ainda não sabiam avaliar  adequadamente um filme que viria a se tornar um dos mais cultuados da história. Singular e inclassificável em qualquer gênero, o roteiro mirabolante, as atuações propositalmente caricatas e a estética camp se uniram a músicas viciantes e temas considerados tabus, deixando o público da época perdidamente encantado entre o espanto e o fascínio. Continue lendo “50 anos depois de seu lançamento, The Rocky Horror Picture Show ainda tem energia para fazer o Time Warp”

Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Uma Batalha Após a OutraNa imagem, da esquerda para a direita, estão Perfidia, Willa e Bob, eles são uma família. Os três estão deitados em uma cama, sem roupas, Willa, um bebê, está no meio de Bob e Perfidia, chorando. Ela está deitada em uma coberta grossa. Os pais estão com a mão apoiada no corpo dela, em sinal de calma. Raios de sol atingem o peito e ombros de Perfidia, iluminando a cena. Perfidia é uma mulher negra na faixa dos 35 anos, usa cabelo curto. Bob é um homem branco, na faixa dos 50 anos, de cabelos lisos e claros.
O filme já está entre os cotados para disputar o Oscar 2026 (Foto: Ghoulardi Film Company)

Davi Marcelgo

A relevância e a qualidade de uma obra costumam ser medidas pelos temas abordados. Durante a temporada do Oscar 2025, a vitória de Anora sobre Ainda Estou Aqui e A Substância fez com que algumas esferas de cinéfilos e de fervorosos com a presença do Brasil na cerimônia, menosprezassem, em redes sociais, a conquista por considerarem os filmes de Salles e Fargeat dotados de tópicos mais importantes — um julgamento sem argumentos sólidos, centrado no olhar de quem falava. Entre o campo de guerra do que é mais ou menos significativo, se esqueceu de que Arte não é um produto feito para agradar o consumidor, tampouco deve ser considerado posicionamento político como a principal forma de se relacionar com ela. Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, surge como um trabalho artístico politizado, mas que preserva aspectos do fazer Cinema.  Continue lendo “Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra”

Juntos viola o body horror em metáfora covarde

Aviso: este texto contém spoilers

Cena do filme JuntosNa imagem, os personagens Tim e Millie estão de pé, abraçados. Ela, à esquerda, está com o braço direito apoiado atrás do pescoço dele, parte do punho está enfaixado. Ambos os rostos estão próximos. Enquanto ela fala, Tim a encara com ternura. Ambos vestem camiseta branca e possuem pele clara. Tim é um homem na faixa dos 40 anos, de cabelos claros e corte que parece um mullet. Sua roupa e rosto estão manchados de sangue. Já Millie é uma mulher na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros e longos. Ela usa franja na testa.
O filme enfrenta acusações de plágio, pois sua premissa é semelhante a de outros roteiros (Foto: Diamond)

Davi Marcelgo 

É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade”, Luís Vaz de Camões já tinha cantado a bola sobre o amor ainda no século XVI com seu mais célebre soneto. É um sentimento intenso, conflitante, de oposição, que o Cinema normalmente representa como uma experiência melancólica e que leva às nuvens. Contrariando outros gêneros, não é nenhuma novidade que o Terror vai se apoderar de pessoas e núcleos da realidade que não são assustadores, exceto se os deturpar — crianças, cachorros e, no caso de Juntos (2025), um casal.  Continue lendo “Juntos viola o body horror em metáfora covarde”