Dolores é um manifesto cultural da potência do cinema brasileiro. (Foto: Dezenove Som e Imagens)
Victor Hugo Aguila
Desejar mudar sua realidade é a aposta mais arriscada – e vantajosa – que alguém pode ter. Na seleção da Mostra Brasil da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Dolores apresenta a história de três mulheres da mesma família, em diferentes gerações. Ao abordar o sentimento de ambição compartilhado entre neta, mãe e avó, o longa mostra uma nova maneira de enxergar a relação entre mulheres.
Adaptação do livro “Se Não Fosse Você”, de Colleen Hoover, mata a saudade de clichês românticos (Foto: Paramount Pictures)
Ana Beatriz Zamai
Inspirado na obra de mesmo nome, Se Não Fosse Você (2019) é mais uma adaptação literária da controversa Colleen Hoover, autora de best-sellers como É Assim que Acaba (2016) e Verity (2018), que também saíram do papel para as telonas, em 2024 e, futuramente, 2026, respectivamente. Porém, para quem não leu o livro, provavelmente não irá associar o filme à escritora, visto que essa não é uma de suas obras mais famosas – e os fatores negativos da adaptação não são somente associados ao desenvolvimento da trama, como no longa estrelado por Blake Lively.
A tensão sexual entre Tom Blyth e Russell Tovey nos minutos iniciais da obra traz um misto de sensações, que serão abordadas ao longo da narrativa (Foto: Magnolia Pictures)
Guilherme Machado Leal
A sensação de descobrir que é alguém no mundo é uma em um milhão. Antes de tudo acontecer, o indivíduo não entende muito bem qual é o seu lugar e objetivo de vida. É como se precisasse de um ponto de partida para dizer firmemente que é um ser humano. Esse momento acontece com Lucas (Tom Blyth) no dia em que conhece, no banheiro de um shopping de Nova York, o homem que o mudará. Centralizado na década de 1990, À Paisana acompanha uma tarefa policial em prol do combate ao cruising, prática também conhecida como ‘banheirão’ dependendo do local onde ocorre e que é realizada por homens queers em lugares públicos.
A fotografia do filme é um dos destaques mais marcantes do longa-metragem (Foto: Room for Film)
Victor Hugo Aguila
Escolher o silêncio como forma ideal de diálogo é, acima de tudo, disruptivo. Integrando a seção de Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, E Mais Alguém, de Vincent Tilanus, apresenta um olhar intimista – e quase psicanalítico – à respeito de dinâmicas familiares. No longa holandês, Tommy (Pier Bonnema), um adolescente queer de 17 anos, ao encontrar mensagens sexuais entre seu pai e outro homem, mergulha em uma espiral de tensão, fomentada pelo desejo de ser honesto, sem perder a lealdade que tanto valoriza.
Dentre os rostos marcados pela neve e pela culpa, o horror de O Telefone Preto 2 é mais psicológico do que físico (Foto: Universal Pictures)
Gabriel Diaz
Após quatro anos do primeiro longa, o horror já não está apenas à espreita no porão claustrofóbico, mas se instala na mente, no sonho, no limiar entre o que se vê e o que se teme. Scott Derrickson retorna ao universo da obra original de Joe Hill, tentando expandir uma história que, no primeiro filme, parecia já ter alcançado seu fim natural. Conhecido por unir fé e medo em clássicos como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012),o diretor retoma aqui temas que o fascinam: o trauma, o sagrado e o invisível. O Telefone Preto 2 é, ao mesmo tempo, uma continuação e uma reflexão sobre o que resta do terror quando o monstro morre, porém o medo permanece. O resultado é uma produção ambiciosa e visualmente intrigante, embora irregular no equilíbrio entre simbologia e narrativa.
Aplaudida de pé no Festival de Cinema de Nova York, série revisita o lendário trabalho de um dos diretores mais aclamados da história. (Foto: AppleTV)
Gabriel Quesada
Na seção Apresentação Especial da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a série documental de cinco episódios da Apple TV+, com direção de Rebecca Miller, abre com uma colagem de cenas dirigidas por Martin Scorsese ao som de Sympathy For The Devil (ou “empatia pelo diabo”) dos Rolling Stones, afinal, estamos falando de um diretor com fascínio pela violência (tema que, por vezes, lhe rendeu algumas polêmicas na carreira). Além disso, a obra viaja para a infância do cineasta para entender de onde aquele rapazinho asmático de apenas um metro e sessenta tirava tanta braveza.
O filme foi exibido no Festival de Cannes (Foto: ARP Sélection)
Davi Marcelgo
Antes da sessão de Nouvelle Vague na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começar, um medo pairava no ar: Richard Linklater conseguiria respeitar ou se equivaler ao Acossado (1960) de Jean-Luc Godard? A resposta para essa pergunta tampouco importou durante os 105 minutos que rolaram no projetor, porque muito foi sentido na exibição. O diretor americano demonstra saudosismo pelo movimento francês, mas sem se ‘masturbar’ perante a genialidade de Godard, Truffaut ou Varda.
50 anos após o clássico Tubarão de Spielberg, Sean Byrne cria sua própria caçada (Foto: Diamond)
Davi Marcelgo
Sentir medo não é a única forma de se conectar com um filme de Terror. Ora, podemos ser atingidos por outras facetas, do prazer à indiferença. Essa relação é guiada por particularidades de quem assiste, como crenças, familiaridade com o gênero e sensibilidade. O Terror Frontal, aquele que dispensa a construção psicológica para assustar, parte do que está no plano para apavorar ou causar nojo. Animais Perigosos parte do voyeurismo para criar catarse e prazer – características intrínsecas do slashermainstream. Continue lendo “Por meio do voyeurismo, Animais Perigosos manifesta seu olhar sobre o Terror”
Laura foi lançado em 1944, porém chegou ao Brasil em Janeiro de 1945 (Foto: 20th Century Studios)
Guilherme Moraes
O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt (Gene Tierney). Laura (1944),de Otto Preminger, é mais um dos grandes filmes da história que, apesar de ser inevitavelmente uma representação de seu tempo, se torna mais atual a cada revisão.