Há 5 anos, Vingadores: Guerra Infinita se tornava clássico em um estalar de dedos

Vingadores: Guerra infinita celebrou os 10 anos de Marvel Studios e iniciou a conclusão da saga (Foto: Marvel Studios)

Davi Marcelgo 

Aqui é a nave Estadista de refugiados asgardianos. Estamos sob ataque. Repito: estamos sob ataque. Os motores morreram, o suporte de vida está falhando. Solicitando ajuda de qualquer nave próxima. Estamos a 22 pontos de salto de Asgard. Os tripulantes são famílias asgardianas. Há poucos soldados aqui. Esta não é uma nave de guerra. Repito: esta não é uma nave de guerra”. Afastada da trilha épica ou das costumeiras músicas oitentistas hiper-animadas, a abertura de Vingadores: Guerra Infinita (2018) pede por socorro. Mal sabíamos que, depois de 2h30 de exibição, nós é que iríamos implorar por socorro.

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Há 20 anos, Spike Lee e Edward Norton contavam A Última Noite de um homem em Nova York

Monty quase foi interpretado por Tobey Maguire, que, apesar de ter recusado o papel para estrelar Homem-Aranha, acabou sendo um dos produtores do longa (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)

Nathan Nunes

Nos vinte anos que separam os dias atuais da estreia de A Última Noite (25th Hour) nos cinemas brasileiros, em 23 de Maio de 2003, talvez nenhuma cena tenha marcado tanto quanto o monólogo que Edward Norton (Glass Onion) recita em frente ao espelho de um banheiro, no qual reflete sobre como odeia tudo e todos em sua cidade. Esse momento não estava presente no roteiro inicial de David Benioff, mas sim em seu livro homônimo, objeto da adaptação. O diretor Spike Lee (Infiltrado na Klan) encorajou o futuro showrunner de Game of Thrones a colocá-lo de volta nos planos, além de tê-lo filmado a contragosto da Disney, que o queria fora do corte final. 

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Racionais MC’s: o legado das ruas em um documentário

Fotografia retangular com o fundo branco. No centro estão os quatro membros do grupo Racionais Mc´s. Da esquerda para a direita tem-se Edi Rock, KL Jay, Mano Brown e Ice Blue. Todos usam calças, camisetas e jaquetas brancas, exceto Kl Jay que usa calça e camiseta preta. Os quatro homens são negros de estatura mediana, olham fixamente para frente com expressões sérias.
A valorização de uma estética única entre o grupo funciona como uma forte ferramenta no incentivo da autoestima da população negra (Foto: Jef Delgado)

Julie Anne Alves

Com mais de trinta anos de estrada, premiações internacionais e canções que salvaram gerações, o grupo de rap Racionais MC’s  foi contemplado com o documentário Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo, disponibilizado pela Netflix. Dirigido por Juliana Vicente, o longa estreou na plataforma em Novembro de 2022 como um dos mais acessados mundialmente, e conta, em pouco menos de duas horas, a história do quarteto a partir do olhar dos membros e de quem os acompanha ao longo dos anos. 

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Em The Last of Us, nós continuamos pela família

Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) estão no alto de um edifício em ruínas, olhando na direção da câmera para o nascer do Sol. Joel, à esquerda da tela, é um homem latino de meia idade, com cabelos curtos e barba preta, já com vários fios grisalhos. Ele usa uma jaqueta verde clara por cima de uma camisa cinzenta. Podemos ver as alças de uma mochila passando por seus ombros, além de uma alça transversal que vai de seu ombro esquerdo até sua cintura. Joel segura essa alça com sua mão esquerda, deixando exposto um relógio analógico preso em seu pulso. Ellie, à direita da tela, é uma menina caucasiana de cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma jaqueta encapuzada aberta por cima de uma camiseta cinza-clara. Em seu ombro esquerdo, já uma lanterna tubular presa na alça de sua mochila, apontada para frente. A câmera os captura da cintura para cima, e atrás deles podemos ver edifícios arruinados, tomados por vegetação e caindo aos pedaços, e uma massa de água ainda mais ao fundo do horizonte.
“Não pode ser em vão” (Foto: HBO)

Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes

Ecoando sua celebrada minissérie Chernobyl, Craig Mazin nos inicia em The Last of Us com um prólogo: em um talk show dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da raça humana não são vírus ou bactérias, mas os fungos. Quando questionado sobre o que aconteceria no evento destes organismos evoluírem para nos infectar, ele responde com um simples “Nós perderíamos”. E, pelas próximas nove semanas, fomos convidados a imaginar como seria um mundo onde é justamente isso o que aconteceu: nós perdemos.

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Entre sustos e risos, M3GAN brinca com a reinvenção do ‘terrir’

Cena do filme M3GAN. Na cena, do lado direito, de perfil, há a atriz Violet Mcgraw, branca e com cabelos longos castanhos escuros. Ela veste uma blusa com estampa de flores. No centro esquerda, está sentada a boneca M3GAN. Branca e com cabelos loiros, ela veste um vestido sobretudo bege com um laço azul, amarelo e vermelho na gola. O sobretudo tem mangas curtas. A robô usa camisa de manga longa listrada cinza e bege abaixo do sobretudo. Na direita, de perfil, está a atriz Allison Williams, uma mulher branca com cabelos longos castanhos e que veste uma blusa de manga longa cinza. O fundo da foto é iluminado, com cortinas e almofadas variadas
Mais de 300 mil pessoas foram rir e se assustar nos cinemas nacionais com M3GAN, filme da Blumhouse que mistura diversos gêneros cinematográficos (Foto: Universal Pictures)

Felipe Nunes

Quem nunca teve medo de uma boneca durante a infância que atire a primeira pedra. Por meio de lendas, séries e filmes, a vertente do terror associada aos brinquedos ficou enraizada no imaginário coletivo popular cultural. O fruto disso foram as célebres sequências envolvendo bonecos sobrenaturais, como a franquia de Chucky e a de Annabelle. Se, no passado, estas obras foram as responsáveis por aterrorizar as crianças, agora, o brinquedo da vez – robô, na verdade – é M3GAN – uma boneca androide que é tão maldosa quanto seus antecessores, mas que, pela primeira vez, não é alvo da possessão de nenhum espírito maligno e sim da própria tecnologia da qual foi criada.

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Mr. Morale & The Big Steppers: Kendrick Lamar renuncia a coroa

Capa do álbum “Mr. Morale & The Big Steppers”, de Kendrick Lamar. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos Kendrick Lamar com um olhar sério, de costas para a câmera, enquanto segura sua filha no colo. Ele é um homem negro, de cabelos trançados, que veste uma camiseta branca, calças bejes presas por um cinto preto. Ele guarda na cintura uma pistola e, na cabeça, usa uma coroa de espinhos cravejada em diamantes. Sua filha é uma menina negra, de cerca de 5 anos, e veste uma regata branca. Ao fundo, sentada em uma cama, vemos Whitney Alford, sua esposa, amamentando um bebê menor. Ela é uma mulher negra, de cabelos crespos longos, que veste uma regata branca. O cenário é o quarto de uma casa, com paredes da cor marrom, iluminado pela luz do sol.
Toda a divulgação do último álbum de K-Dot foi feita através de um site misterioso sob a alcunha de Oklama, que traduz-se para “meu povo” na língua Chahta Anumpa, usada por nativos americanos (Foto: pgLang/TDE)

Enrico Souto

É possível que um mortal se torne messias? Sendo este o posto dado a Kendrick Lamar pelo hip-hop, a mensagem que fica ao subir no palco do Grammy para receber seu terceiro gramofone de Melhor Álbum de Rap, em Fevereiro de 2023, é que ele é indubitavelmente humano. Depois um longo hiato, em seu quinto projeto de estúdio, Mr. Morale & The Big Steppers, o artista se apossa desse complexo para mergulhar no mais oculto de seus traumas e, assim, celebrar a beleza de suas imperfeições. 

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E o Grammy vai para…Daisy Jones & The Six!

Aviso: o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e violência sexual.

Fotografia da série Daisy Jones & The Six. Na foto, os personagens Billy Dunne e Daisy Jones estão centralizados. Da esquerda para a direita, temos Daisy. Ela é ruiva, tem cabelos longos e cacheados nas pontas, usa um brinco redondo e roupas brancas com transparência. Ela está de olhos fechados. Ao seu lado, Billy possui cabelos castanhos e ondulados na altura dos ombros, usa uma jaqueta marrom e uma camisa branca. Ele olha para o horizonte. O cenário atrás dos dois é de um céu azul límpido, e a luz amarelada do pôr do sol os ilumina.
Entre brigas, farpas e composições, Billy e Daisy nos hipnotizaram com a famosa fórmula enemies to lovers (Foto: Amazon Prime Video)

Clara Sganzerla e Letícia Stradiotto

Separe sua calça boca de sino, seu óculos escuro, uma blusa com a estampa mais divertida do seu armário e entre na atmosfera dos anos 70 com a banda mais incrível que, até então, não existia. A nova série do Amazon Prime Video, baseada no livro de mesmo nome da autora Taylor Jenkins Reid, nos apresenta, com muito drama, romance e emoção, a ascensão e queda do grupo mais polêmico e amado do Reidverso. Antes de mergulhar na Los Angeles regada a drogas, sexo e rock n’ roll, não esqueça seus fones de ouvido e prepare-se para se apaixonar, chorar e voltar no tempo com Daisy Jones & The Six

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Holy Spider cai em sua própria teia

cena do filme Holy Spider. Mulher caído ao chão com apenas sua mão e tronco à mostra no take do filme, foco central em sua mão derrubada - tudo acima de um tapete estampado
“Cada homem encontrará o que deseja evitar” Imam Ali – Nahj Al-Balagha – Sermão 149. (Foto: MUBI)

Mariana Pinheiro

Estarei de volta quando você acordar“, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de Holy Spider, a qual elucida tudo o que o filme pretende contar durante sua exibição. Nela, uma prostituta iraniana caminha pela cidade de Mashhad enfrentando olhares mal-intencionados e buscando refúgio em drogas para escapar da realidade assombrosa a qual é condenada a viver. 

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Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin

Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo "escute as feras" em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito "Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana." em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por" em letras pretas e "Enzo Caramori" em letras cinzas.
Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘Desterrando o susto’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)

Enzo Caramori

Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.

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Todos somos Criaturas do Senhor

Criaturas do Senhor estreou no Festival de Cannes em 2022 e chegou nos cinemas brasileiros em abril, seis meses após o lançamento global (Foto: A24)

Vitória Gomez

A Irlanda tem sido palco de produções interessantes e diversas. Longe dos conflitos amistosos e de uma bela ambientação folclórica, ou até da sensibilidade tocante de uma tal menina silenciosa, a ilha também abriga as Criaturas do Senhor e seus lados sombrios e humanos. Na obra, produzida pela oscarizada A24, a decisão de uma mãe entre proteger seu filho ou deixá-lo aceitar as consequências de suas próprias ações norteiam um dilema sem volta, capaz de alterar a trajetória da cidade inteira e de um patriarcado atemporal.

Estrelado pelos indicados ao Oscar Emily Watson e Paul Mescal, o filme demora a mostrar a que veio. Brian (Mescal) retorna ao lar, uma ilha não nomeada da Irlanda, depois de anos morando na Austrália. Sua partida é um mistério e seu retorno, mais ainda. Mesmo assim, o homem, na casa dos seus vinte e tantos anos, é bem recebido pela irmã Erin (Toni O’Rourke) e principalmente pela mãe, Aileen (Watson). O menino de ouro da mulher, porém, não é bem como ela o vê e, ao longo dos 100 minutos, se revela.

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