Não bastaram os 31 dias do mês passado: o caos de outubro se alastrou em níveis alarmantes em novembro, com tragédias rolando soltas. Talvez por isso muitas publicações tenham optado por já lançar suas listas de melhores do ano agora; ninguém mais aguenta o ritmo pesaroso de 2016. Continue lendo “Os melhores discos de Novembro/2016”
Este mês foi marcado por dois lançamentos muito aguardados de artistas seminais em suas áreas: o álbum final do grupo de rap A Tribe Called Quest, We Got It From Here… Thank You 4 Your Service e Hardwired… To Self-Destruct, nova empreitada do Metallica. Além de serem discos duplos com títulos enormes, possuem o apelo nostálgico como semelhança notável e são exemplos distintos de como construir o futuro se utilizando das raízes do passado. Continue lendo “A Tribe Called Quest e Metallica: os dois lados da nostalgia”
Quando a tela se apagou, as luzes se acenderam e os créditos de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 começaram a subir, um sentimento emocionalmente devastador incidiu sobre a geração que cresceu ao lado de Harry, Rony e Hermione; uma sensação agridoce, que fundia a alegria de ter compartilhado um universo tão rico e encantador, e a tristeza de deixar uma parte preciosa de nossa infância em Hogwarts para sempre. Continue lendo “Animais Fantásticos e Onde Habitam: Um início promissor para a nova saga”
É tempo de reviver o ‘síndico’, os primeiros LPs retornaram às vendas
“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita.”, um dos grandes axiomas de Maia
Heloísa Manduca
Preto, gordo e cafajeste. É assim que o pai da Soul Music brasileira, Tim Maia, se reconhecia. Autor de declarações críticas que incomodavam a sociedade, Tim era notado por sua sinceridade exagerada sobre tudo e todos, além da exigência com a inseparável banda ‘Vitória Régia’. Para ele, música era coisa séria. O som devia estar sempre perfeito, do contrário, o responsável era advertido assim mesmo, no meio no show.
No dia 13 de outubro, uma quarta-feira, o anúncio de que o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2016 era nada mais, nada menos que Bob Dylan pegou muitos de surpresa. Seguiu-se um debate acalorado: vale conceder um prêmio literário a um cantor e compositor? “Banalização da literatura!”, pretensos especialistas de internet decretaram. É fato que há casos em que as palavras são tão ou mais importantes que a música em si. Dylan é a mais plena personificação disso. Stuart Murdoch, um de seus tantos herdeiros, também.
A relação de produções artísticas com o onírico é intrínseca desde as primeiras tentativas humanas em se expressar. De lá pra cá, artistas nos mais diversos segmentos marcaram época utilizando a estética dos sonhos em seus trabalhos: o pintor Salvador Dalí, o cineasta Luis Buñuel e o músico Jimi Hendrix são alguns exemplos mais básicos e conhecidos de arte surrealista, mas seria possível ficar meses comentando obras menos conhecidas que também merecem atenção. Por hora, vamos nos ater a duas, aniversariantes recentes: o disco Loveless, da banda My Bloody Valentine, e o filme Mulholland Drive (no Brasil, virou Cidade dos Sonhos), do cineasta David Lynch. Continue lendo “Loveless e Mulholland Drive: a estética moderna do onírico”
A reunião mais esperada dos últimos vinte anos chegou ao Brasil. Em sua sétima passagem pelo país, o Guns N’ Roses trouxe a nostalgia do hard rock do começo dos anos 90 e lotou o Allianz Parque que esperava para ver Axl Rose, Slash e Duff McKagan lado a lado na Not In This Lifetime Tour.
Tim Burton é um dos diretores mais famosos do cinema atual. Por consequência, todos os seus novos filmes sempre são cercados de grandes expectativas por parte do público. E não seria diferente com o seu mais último trabalho de direção, o longa O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, baseado no livro homônimo de Ransom Riggs), lançado no dia 29 de setembro aqui no Brasil. Continue lendo “O Lar das Crianças Peculiares: quando as mudanças resvalam na superficialidade”
Da esquerda para a direita: Johnny, Tommy, Joey e Dee Dee. Guarde esses nomes!
Gabriel Leite Ferreira
1976. Seis anos sem os Beatles. O rock’n’roll havia alçado voos mais altos na era da psicodelia; o próximo passo foi a sofisticação do rock progressivo de Pink Floyd e Yes, que já soava redundante. Mesmo os expoentes com proposta mais direta apresentavam sinais de desgaste: o reinado do Led Zeppelin estava nos momentos derradeiros e a fase clássica do Black Sabbath findava com a saída do vocalista Ozzy Osbourne. Os rockstars, figuras com uma aura própria, entravam em decadência pelos excessos tanto musicais quanto pessoais. O Verão do Amor enfim tornara-se inverno. Ninguém esperava que a resposta a essa crise de identidade viesse na forma de quatro nova-iorquino maltrapilhos de semblante apático encostados a um muro.