Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra

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Leonardo Teixeira e Matheus Dias

“Eles estão pouco se fodendo para a Harriet Tubman!”, grita Coco Conners (Antoinette Robertson) na desesperadora cena de abertura de Cara Gente Branca (Dear White People), produção da Netflix concebida por Justin Siemen e lançada em abril deste ano. A referência à importante figura do ativismo negro é apenas um exemplo do alerta importante que a série faz: temos medo de tocar nos assuntos espinhentos. Uma festa de blackface (em que se pinta o rosto de preto, numa tentativa infeliz de incorporar uma identidade visual negra) é o ponto de partida da obra para dissecar o racismo institucional nas universidades, a militância negra e, por tabela, a sociedade pós-moderna. Continue lendo “Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra”

Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo

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Vitor Guatelli Portella

“Onde se lançam livros as chamas, acaba-se por queimar também os homens”.

A leitura é ferramenta mais poderosa de esclarecimento da humanidade. Livros são objetos de valor inestimável para uma sociedade. Um mundo sem livros é um mundo à mercê do supérfluo, da ignorância e da submissão. Somos formados pelo o que lemos, pelo o que nossos pais leram e pelo o que os pais de nossos pais leram. A emancipação vem da reflexão. Continue lendo “Fahrenheit 451: Alienação, ideologia e fogo”

Olhares distantes na Exposição “Arte Contemporânea no acervo Sesc”

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Reprodução/SESC

Adriano Arrigo

Os olhos de Ana Júlia Lucarelli não paravam de acompanhar os traços de carvão que a artista Letícia Sekito desenhava no chão da entrada do Sesc Bauru. Letícia era convidada do Sesc para a abertura da mostra Arte Contemporânea no Acervo Sesc, apresentação itinerante que chegou a Bauru em 30 de Abril e permanecerá até 2 de Julho. Assim como Ana Júlia, outras crianças permaneciam no local, bem no limiar entre a performance de Letícia e o espaço dedicado ao público. Continue lendo “Olhares distantes na Exposição “Arte Contemporânea no acervo Sesc””

Há 35 anos, o The Cure atingia o fundo do poço com Pornography

The Cure ao vivo, em 1982
The Cure ao vivo, em 1982

João Pedro Fávero

Em 1982, o punk era apenas uma memória na Inglaterra, que via Margaret Thatcher  dominar a terra da rainha com seu conservadorismo. A energia do estilo deu lugar às sombras, emanadas por bandas que misturavam  guitarras cruas e o baixo pulsante com batidas de dance music e temáticas obscuras. A mais famosa das bandas oriundas dessa cena, o Joy Division, havia visto seu fim com a morte precoce do seu líder, Ian Curtis, que sofria com problemas pessoais – entregues de maneira palpável em sua arte, principalmente nas letras do seu último álbum, Closer (1980). Continue lendo “Há 35 anos, o The Cure atingia o fundo do poço com Pornography”

A Bela e a Fera: Sentimentos são fáceis de mudar, filmes nem tanto

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Aline Barbosa

Após o grande sucesso da animação A Bela e a Fera de 1991, que não só arrecadou mais de 400 milhões de dólares nas bilheteria, como também foi a primeira animação da Disney a ser adaptada para musical da Broadway, era de se esperar que o live-action, proposto para 2017, fosse ansiosamente esperado pelo público.

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Melhores discos de Abril/2017

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Adriano Arrigo, Gabriel Leite, Matheus Fernandes e Nilo Vieira.

De volta do recesso com os dois pés no peito! Esprememos até a última gota, inclusive nos feriados, para trazer a seleção mais top possível. Ainda que a safra do mês anterior tenha sido mais empolgante, abril trouxe alguns dos discos mais aguardados no mainstream, além de pepitas underground. Cá vão nossos favoritos: Continue lendo “Melhores discos de Abril/2017”

Slanted and Enchanted: a estreia energética da banda definitiva do indie rock

O primeiro álbum do Pavement, ainda então um trio, comemora 25 anos. O ponto fora da curva da discografia, Slanted and Enchanted é também o disco mais marcante da banda

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Lucas Marques dos Santos

Neste começo de 2017 relembramos dois importantes lançamentos do Pavement, uma das bandas responsáveis pela identidade do indie rock dos anos 90. Se as composições de Brighten the Corners, de 1997, partilham do ar desleixado e melódico de jam sessions que é a marca registrada da banda, a estreia dos californianos em 1992, Slanted and Enchanted, é um ponto estranho em uma discografia tão uniforme. Além das claras diferenças sonoras – canções com guitarras mais barulhentas e estruturas sólidas –, temos, principalmente, uma diferença em atitude: Slanted and Enchanted é a declaração mais firme e enérgica do Pavement. Continue lendo “Slanted and Enchanted: a estreia energética da banda definitiva do indie rock”

DAMN: a era de Kendrick Lamar continua

 

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Nilo Vieira

Em uma análise acerca de diferentes carreiras musicais elogiadas por crítica e público, algumas características em comum são encontradas. Reinvenção, consistência, alcance fora de seu nicho de origem, capacidade de extrapolar seu trabalho além do som. Poder de performances ao vivo, o modo como personas públicas se traduzem (ou se fragmentam) na arte, importância social e, claro, qualidade – um aspecto que é tão subjetivo como não é. Continue lendo “DAMN: a era de Kendrick Lamar continua”

O poderoso chefinho tem um bom enredo, mas está longe de ser memorável

Roubando a atenção e a cena – O chefinho é a alma do longa
Roubando a atenção e a cena – O chefinho é a alma do longa

Guilherme Hansen

Todos já sabem que a Disney é soberana em suas animações, tanto na qualidade gráfica, como em seus roteiros e sinopses. Porém, a Dreamworks não deixa por menos e surpreende com histórias muito atrativas para as crianças. O Poderoso Chefinho, lançado no último dia 30 de março e dirigido por Tom McGrath (Madagascar, Megamente), é um bom exemplo de enredo interessante, apesar de simples.

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Balidos de Guerra do Sertão em “Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam”

Felipe Monteiro

Não foram poucos os que saíram do espetáculo confusos e ainda sem compreender ao todo a peça, os próprios atores fazem piada do fato. Mas é que realmente não é fácil deparar-se com o mar de signos que nos é apresentado logo de início em Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam, signos sobre os quais o desenrolar do espetáculo vai traçando fios que se completam em um belo tecido nas cores sertanejas.

Imagem: divulgação Cia. Balagan
Imagem: divulgação Cia. Balagan

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