Há 5 anos, a dama dava o xeque-mate à moda antiga em O Gambito da Rainha

Na foto, uma jovem mulher de cabelo curto ruivo impecavelmente penteado, usando um vestido cinza de mangas curtas, observa atentamente algo à sua frente. Com expressão concentrada e postura firme, ela segura uma caneta enquanto avalia sua próxima jogada no tabuleiro de xadrez em cima da mesa, iluminada por um foco suave que destaca seu rosto e o contraste entre as peças claras e escuras.
Originalmente, O Gambito da Rainha é um livro de romance de 1983, escrito pelo norte-americano Walter Tevis (Foto: Netflix)

Livia Queiroz

Imagine que você está assistindo um jogo de xadrez. O primeiro jogador ao fazer sua abertura, opta por sacrificar sua peça imaginando tirar vantagem do ataque de seu adversário, que captura o peão. Essa jogada chama-se O Gambito da Dama que, em tradução italiana, seria como uma rasteira da peça na qual está localizada à frente da rainha em forma de isca, afinal, nenhum jogador experiente sacrifica sua peça mais valiosa ao lado do rei logo no início da partida. Diante desse movimento, há 5 anos, a Netflix lança, então, a minissérie O Gambito da Rainha, baseada no romance de 1983 de Walter Tevis. 

Continue lendo “Há 5 anos, a dama dava o xeque-mate à moda antiga em O Gambito da Rainha”

Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne

Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão.
A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)

Guilherme Machado Leal  

Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, Pessoas Normais (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. 

Continue lendo “Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne”

Há 15 anos, o vermelho de Loud transformou uma geração com Rihanna

Close-up da capa do álbum “Loud” de Rihanna: rosto da cantora em tons quentes de vermelho e rosa, com cabelos ruivos volumosos caindo sobre os ombros, olhos fechados maquiados com sombra preta esfumada, batom vermelho intenso e brilhante nos lábios entreabertos, e uma tatuagem com a palavra “rebelle” visível no pescoço. A imagem transmite sensualidade e atitude marcante.
Mais de 200 músicas foram submetidas por compositores e produtores para LOUD, refletindo o interesse da indústria em participar de um projeto com forte promessa comercial (Foto: Ramon Silva)

Sinara Martins

Em 2010, entre filtros saturados, câmeras digitais compactas e a explosão dos primeiros blogs pessoais, os videoclipes de Loud chegavam para moldar estéticas inteiras. Foi nesse cenário que, em novembro daquele ano, Rihanna virou a própria personificação da internet da época e lançou um álbum capaz de marcar gerações. A partir dali, saltos altos enormes e batom matte deixaram de ser pequenos símbolos pop e se transformaram em tendências globais. O novo projeto capturou o espírito daquele início de década e, mais do que isso, ajudou a defini-lo.

Continue lendo “Há 15 anos, o vermelho de Loud transformou uma geração com Rihanna”

Em Everybody Scream, o sucesso é a bênção e a maldição de Florence + The Machine

Capa do álbum Everybody Scream da banda Florence + The Machine. Na imagem, com efeito “olho de peixe”, Florence Welch, mulher branca, cabelos ruivos, roupa escura, botas pretas, está encostada em uma cama, de pernas abertas, e envolta por diversos tipos de tecido. Ao seu lado direito, um candelabro sustenta duas velas apagadas. A parede ao fundo tem um aspecto rústico de madeira.
Everybody Scream teve a maior estreia de um álbum na semana de seu lançamento no Spotify (Foto: Republic Records)

André Aguiar

Qual o real custo da fama? Que nem tudo é brilho e glamour, todos sabem, mas que o mesmo sucesso que te leva ao topo, pode te levar ao túmulo, é uma verdade que poucos conhecem tão intimamente quanto Florence + The Machine em Everybody Scream, seu sexto álbum de estúdio. Depois de passar por severas complicações médicas durante a turnê do aclamado antecessor Dance Fever, Florence Welch, líder do projeto que leva seu primeiro nome, renasce do que foi um dos episódios mais vulneráveis de toda a sua carreira, totalmente coberta por resquícios de um aborto espontâneo arriscado, raiva feminina, um cinismo amargo direcionado à indústria musical e consumida por um desejo instintivo e incontrolável pela performance. Continue lendo “Em Everybody Scream, o sucesso é a bênção e a maldição de Florence + The Machine”

Há 5 anos, Zolita pintou o amor sáfico em tons sombrios em Evil Angel

Uma mulher branca e loira com um vestido branco, véu de noiva e uma coroa, está sentada em frente a um grande vitral colorido comum em igrejas da Idade Média. O vitral é arredondado e usa cores vibrantes como azul, verde e amarelo. A mulher está no centro da imagem com a cabeça levemente inclinada para o lado direito. Suas mãos estão unidas em posição de oração e sua expressão facial é séria.
A obra abraça o caos emocional e revela o lado obscuro do amor (Foto: Zolita)

Vitória Mendes

Misticismo, relacionamentos sáficos, sexualidade e a superação de términos são alguns dos temas explorados por Zolita em Evil Angel, seu álbum de estreia. Lançado de forma independente em 2020, o trabalho apresentou e consolidou a identidade musical da norte-americana como cantora, compositora e produtora de pop alternativo. Ao assumir todas essas funções, a artista foi capaz de transbordar sua essência e vulnerabilidade em cada etapa do processo, com um obra crua, sentimental, realista e identificável, especialmente para o público LGBTQIAPN+ jovem.

Continue lendo “Há 5 anos, Zolita pintou o amor sáfico em tons sombrios em Evil Angel”

Caramelo: o sabor agridoce da vida

A foto mostra Pedro beijando um cachorro fantasiado de tubarão, em um momento de afeto e diversão. O homem, de pele clara, cabelo castanho escuro e barba por fazer, veste uma camisa jeans azul sobre camiseta branca. O cachorro, de porte médio e pelo marrom claro, usa uma fantasia azul com detalhes que imitam dentes de tubarão e parece sorrir. A foto foi tirada em um ambiente interno, com iluminação suave e fundo levemente desfocado, destacando os protagonistas. As cores quentes e os tons de azul e marrom criam uma atmosfera acolhedora e alegre.
Rafa Vitti e Tatá Werneck adotaram um dos cães do filme (Foto: Netflix)

Marcela Jardim

Em Caramelo, o novo filme brasileiro da Netflix dirigido por Diego Freitas, a simplicidade do cotidiano se mistura a temas densos como a saúde, a amizade e a força das conexões afetivas. A trama acompanha Pedro (Rafael Vitti), um jovem chefe de cozinha que vê seus planos futuros desmoronarem ao receber o diagnóstico de câncer. No meio do caos, ele encontra consolo em um companheiro inesperado: um cachorro vira-lata chamado Caramelo. Além dele, o personagem é apoiado por uma rede de amigos que não o deixa enfrentar nada sozinho. O título, de forma sutil e poética, já antecipa o tom doce da obra, mas com uma pitada de amargura, como a própria vida. O sabor que fica é o de uma história que acolhe o espectador enquanto o lembra de que o amor e a dor são inseparáveis.

Continue lendo “Caramelo: o sabor agridoce da vida”

Do film fashion aos curtas e longas-metragem, Mathews Silva procura sempre manter a reflexão social presente

Na foto de fundo preto, um homem branco, de cabelo, barba e bigode pretos e olhos castanhos âmbar, se apresenta à câmera com um olhar sereno. Em plano de fundo, os tons de vermelho claro e escuro se encontram com o preto em um movimento degradê sem formas definidas. É também apresentado a logo do projeto Persona, um olho com pupila em formato de ‘play’ em uma íris vermelha, junto do título do quadro e o nome do entrevistado.
Em toda obra que Mathews Silva produz, é possível visualizar aspectos psicossociais da crise humana (Arte: Arthur Caires /Foto: Skybridge Films)

Livia Queiroz 

Formado em publicidade e propaganda, a paixão pelo audiovisual sempre palpitou mais no coração de Mathews Silva, ansiando pelo momento além de campanhas, aquele que o colocaria no Cinema, do qual  tinha plena consciência de que era possível e capaz de realizá-lo. Sua carreira é carregada de sucesso, tanto nas produções quanto nos personagens que passam por elas. O diretor iniciou seus projetos dentro do universo cinematográfico, como assistente de direção nas criações de ficções para curtas-metragens e séries por cinco anos. Em seguida, continuou ampliando seu mercado até chegar nos fashion films, como assistentes de publicidade, e seguiu nessa estante por um tempo. 

Continue lendo “Do film fashion aos curtas e longas-metragem, Mathews Silva procura sempre manter a reflexão social presente”

Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades

No centro da imagem, um pequeno barco navega em direção ao horizonte. Está cercado por águas escuras que contrastam com o céu em tons rosados. A luz do céu reflete ao redor do barco em um leve tom amarelado. O barco está vazio.
“Você ficará comigo? / Enquanto eu viro pó? / Quando você contar a história deles / Diga que eu fui amado” (Foto: Island Records)

Vitória Mendes

Se tudo o que você ama estivesse fadado a desaparecer, ainda assim você escolheria amar? Esse é o questionamento que segue Vincent Lima em To Love a Thing That Fades. Lançado em setembro de 2025 pela Island Records, a estreia do artista leva o ouvinte a uma jornada onde romance e perda são separados por uma linha tênue, que tende a desaparecer com cada passo em direção ao futuro ou ao passado. Com 15 faixas, o álbum se destaca dentro do cenário atual da música folk, principalmente por explorar as nuances emocionais da vida. Acima de tudo, apresenta uma história repleta de vulnerabilidade, sensibilidade, amor e a luta silenciosa contra a inevitabilidade do destino. Continue lendo “Vincent Lima revive o trágico amor de Orfeu e Eurídice em To Love a Thing That Fades”

Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Five Nights at Freddy’s 2. A cena mostra um boneco do personagem Toy Freddy, do jogo "Five Nights at Freddy's", domina o centro da imagem. O boneco é marrom com detalhes em marrom claro e vermelho. Possui olhos grandes com íris verde-azuladas, bochechas vermelhas, um sorriso largo com dentes brancos e roxos, e uma gravata borboleta preta. Ele está em pé em um ambiente de parque de diversões, com luzes brilhantes, barracas e pessoas desfocadas ao fundo. A iluminação é artificial, provavelmente de holofotes e luzes de festa, criando um ambiente noturno e festivo. A composição é frontal e focada no boneco, que parece estar olhando diretamente para o observador. O fundo desfocado e as cores vibrantes criam uma atmosfera animada e um pouco misteriosa. Há um sinal de trânsito ao fundo e pessoas sorrindo, sugerindo uma cena de diversão. O estilo é realista, com foco nos detalhes do boneco e do cenário.
O filme traz três vezes mais animatrônicos do que no primeiro longa da franquia (Foto: Universal Pictures)

Marcela Jardim

Após um início morno, Five Nights at Freddy’s 2 chega às telas com um inesperado senso de autoconfiança, corrigindo uma série de equívocos do primeiro filme e abraçando de vez o que tornou os jogos um fenômeno cultural. Se o longa de 2023 parecia inseguro, tentando equilibrar fan service, terror adolescente e uma narrativa melodramática, a continuação finalmente assume sua identidade: é uma obra de horror pop, consciente de sua própria ancestralidade digital e disposto a honrar essa herança.

Continue lendo “Five Nights at Freddy’s 2 finalmente traz a essência dos jogos”

Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece

No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda.
O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)

Victor Hugo Aguila

Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da performer, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do R&B estadunidense.

Continue lendo “Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece”