Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado

Capa do álbum Sunflowers and Leather. Um trailer prateado está estacionado em um campo escuro sob um céu noturno profundo. O interior do veículo está iluminado com luz amarela e faz um contraste com o céu azul intenso. A lua brilha no céu. Ao fundo da paisagem, há montanhas. Na parte inferior, há o nome do artista e o título do álbum em letras amarelas.
“Nenhuma cicatriz que ficou no meu coração / Foi deixada por um inimigo / Apenas velhas histórias familiares e coisas preciosas / Todas que tiraram o melhor de mim” (Foto: Sony Music Entertainment)

Vitória Mendes

Já pensou em como seria a vida se você deixasse tudo para trás, entrasse em um trailer e desaparecesse no mundo? Jonah Kagen não só fez isso como também transformou essa experiência em Sunflowers and Leather, seu primeiro álbum de estúdio. Lançada em setembro pela Arista Records, uma divisão da Sony Music Entertainment, a produção narra uma jornada de independência geográfica e, principalmente, emocional. Entre medos, aventuras e descobertas, há o esforço constante de aprender a viver e amar, mesmo que signifique se machucar no caminho. Consolidando o público que já o acompanhava nos EPs anteriores, o artista surpreende e traz uma nova percepção que une o country folk e o soft country. Continue lendo “Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado”

50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd

 

Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas.
A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)

Eduardo Dragoneti

Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma homenagem profunda dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro Syd Barrett (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.

Continue lendo “50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd”

Entre estrondos e sussurros, Deftones se isola e reafirma sua grandeza em private music

Capa do álbum private music, da banda Deftones. Uma cobra branca de corpo alongado aparece enrolada sobre um fundo verde vibrante. Suas escamas claras refletem a luz, destacando a textura da pele. A cabeça está voltada para frente, com a língua bifurcada avermelhada para fora, transmitindo movimento e alerta.
Entre o décimo álbum e o antecessor direto, Ohms, é o maior hiato criativo da banda, sendo cinco anos de espera (Foto: Reprise/Warner Records)

Gabriel Diaz

Na indústria musical, há poucas bandas que conseguem manter seu som tão atual e preservar sua relevância, principalmente no gênero do rock alternativo. Apesar disso, o Deftones não se contenta em ser uma relíquia nostálgica e se torna exceção. Enquanto seus conterrâneos da época dos anos 90, Limp Bizkit e Mudvayne, se dedicavam ao grooves de metal fundidos com o rap, a formação californiana absorvia influências do shoegaze e post-punk para criar uma forma singular de metal atmosférico. Continue lendo “Entre estrondos e sussurros, Deftones se isola e reafirma sua grandeza em private music”

Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia

Capa do álbum Man’s Best Friend. Na imagem, Sabrina Carpenter está de quatro, remetendo a um cachorro, ocupando o centro da composição. Ela olha diretamente para a câmera, transmitindo confiança e serenidade. Seus cabelos loiros claros, soltos e levemente ondulados, caem sobre os ombros e um punhado é segurado por um homem que aparece de relance no canto da imagem. A pele é clara, com maquiagem suave que destaca os olhos e os lábios em tom neutro. O cenário é minimalista: um fundo claro uniforme que isola sua figura, enfatizando seu rosto e sua postura. A iluminação é suave e focada, sem sombras marcantes, criando um retrato moderno, elegante e intimista.
Man’s Best Friend é o sétimo álbum de estúdio da cantora (Foto: Island Records)

Marcela Jardim

Com Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um espelho invertido: se o ‘melhor amigo do homem’ costuma ser o cão fiel, aqui ela se oferece como companhia indomada, que late, morde e brinca, porém jamais se submete. Essa ambiguidade é o eixo central da obra: entre risos debochados e melodias cintilantes, ela tensiona a linha que separa prazer e frustração, amor e desapego, provocação e vulnerabilidade.

Continue lendo “Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia”

Entre a balada, o amor e o gótico: a versatilidade como caos organizado em Mayhem de Lady Gaga

Capa do álbum MAYHEM (2025) de Lady Gaga. Imagem em preto e branco, o rosto da cantora está parcialmente visível através de um vidro quebrado, criando um efeito de distorção e duplicação de sua imagem. Ela tem uma expressão séria, com maquiagem suave e cabelo curto e escuro, bagunçado, caindo sobre os ombros. A composição transmite uma atmosfera introspectiva, artística e levemente melancólica.
“Estou remontando um espelho quebrado: mesmo que você não possa juntar as peças perfeitamente, você pode criar algo lindo e completo da sua própria maneira” (Foto: Frank Lebon – Universal Music)

Sofia Ferreira Santos

Ao longo de sua carreira, Lady Gaga consolidou-se como uma criadora de extremos: do pop dançante de The Fame (2008) à densidade conceitual de ARTPOP (2013), da vulnerabilidade íntima de Joanne (2016) à catarse eletrônica de Chromatica (2020). Essa habilidade de transitar entre o espetáculo e a confissão, entre o acessível e a experimentação, alimentou expectativas intensas do público e da crítica a cada novo lançamento. MAYHEM (2025), portanto, surge não apenas como o oitavo álbum de estúdio da estrela, mas como uma produção que dialoga com essa herança: um retorno à teatralidade sombria de Born This Way, às canções confessionais de Joanne e à energia catártica de Chromatica

Continue lendo “Entre a balada, o amor e o gótico: a versatilidade como caos organizado em Mayhem de Lady Gaga”

Em Beautiful Chaos, KATSEYE transforma o caos em beleza pop

As integrantes de KATSEYE posam sobre cinco carros antigos, vistos de cima, em um cenário de ferro-velho ao ar livre. Cada uma está em uma posição diferente: deitadas no capô, sentadas ou reclinadas. O contraste de cores dos carros (verde, amarelo, prata, azul e rosa) e o solo cru transmitem a ideia de desordem estética. “Beautiful Chaos” aparece em amarelo no canto esquerdo, enquanto no direito está também em amarelo o nome do grupo
Beautiful Chaos é o segundo EP do KATSEYE e já nos mostra o porquê do grupo ser uma promessa no pop (Foto: HYBE)

Stephanie Cardoso

Se você esteve online nos últimos meses, com certeza já ouviu alguma música do EP Beautiful Chaos. Com letras viciantes e batidas barulhentas, as canções do projeto vem tomando conta das redes sociais e conquistando cada vez mais espaço no cenário musical. Mostrando que o KATSEYE não quer apenas pertencer ao pop global quer moldá-lo.  Continue lendo “Em Beautiful Chaos, KATSEYE transforma o caos em beleza pop”

Há 25 anos, Radiohead desconstruía um século inteiro para o nascimento de um novo paradigma musical com Kid A

Capa do álbum musical da banda Radiohead. A arte apresenta uma paisagem montanhosa digitalizada em tons de branco e azul, com céu nebuloso nos tons quentes de vermelho e preto, e um ambiente que remete a uma atmosfera futurista e enigmática. O título “Kid A” aparece em letras brancas na parte superior, enquanto o nome da banda está destacado acima em letras maiores.
De forma revolucionária, Kid A foi o processo de recuperação da Radiohead (Foto: Stanley Donwood)

Gabriel Diaz

Em 2 de outubro de 2000, o Radiohead lançou um álbum que declarou guerra às certezas da música convencional. Kid A emergiu no alvorecer do século XXI como um manifesto involuntário contra a estagnação do rock, no qual a tecnologia e alienação se colidiam. Thom Yorke, à beira do colapso criativo após a turnê de OK Computer, transformou sua crise em ambientes dissonantes e letras fragmentadas – um afastamento radical das guitarras e estruturas previsíveis. Se o término do século XX foi marcado pela nostalgia, o disco foi o primeiro grito do novo milênio: caótico, digital e profundamente humano.

Continue lendo “Há 25 anos, Radiohead desconstruía um século inteiro para o nascimento de um novo paradigma musical com Kid A”

BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH

Capa de álbum da banda BABYMETAL. Na imagem, o logotipo metálico estilizado da banda, com asas prateadas e letras em destaque, aparece no centro sobre um fundo preto estrelado. Ao redor, há fragmentos brilhantes que lembram vidro quebrado, criando um efeito dinâmico.
Precursoras do gênero heavy metal com a estética kawaii, BABYMETAL lança seu quinto álbum de estúdio (Foto: Capitol Records)

Gabriel Diaz

Desde os seus primeiros passos no cenário musical, a BABYMETAL redefiniu os limites do metal ao fundir o peso de guitarras distorcidas com a energia impulsiva do j-pop, desafiando noções puristas do gênero. No quinto álbum de sua discografia, a banda prefere arriscar com estilos diferentes do comum na música japonesa, do que apenas apropriar fórmulas derivadas da indústria ocidental. METAL FORTH não apenas consolida essa identidade híbrida, mas a empurra para territórios inexplorados, incorporando colaborações ecléticas e experimentações sonoras que transcendem o rótulo de ‘kawaii metal’. Se antes o grupo questionava o que o metal poderia ser, agora ele pergunta: “para onde o metal pode ir?” Continue lendo “BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH”

Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards

Capa do álbum The Bastards, dentro de um carro antigo de aparência clássica e escura, com janelas semiabertas e interior mal iluminado, transmitindo uma atmosfera dramática e cinematográfica. À esquerda, o vocalista Remington Leith aparece com expressão melancólica, usando um casaco preto com detalhes brancos, camisa branca e gravata preta fina. Ele apoia o braço na janela com uma longa luva vermelha de couro, criando um contraste visual intenso. Seus olhos estão maquiados com delineado borrado que escorre como lágrimas negras, acentuando o estilo gótico dramático. No centro, Sebastian Danzig, o guitarrista, veste um casaco vermelho com detalhes em preto e branco e um chapéu de cartola preta com fita dourada. Seu olhar é fixo e enigmático, com maquiagem escura ao redor dos olhos, evocando uma estética teatral sombria, semelhante a personagens de um cabaré vitoriano ou filme expressionista. À direita, Emerson Barrett, o baterista, completa a cena com uma expressão pensativa e distante. Ele veste um terno vermelho com a camisa aberta, exibindo tatuagens no peito, e um lenço estampado no pescoço. Seu visual mistura o glam rock com elementos andróginos e rebeldes, criando uma imagem que remete à cultura punk dos anos 70 com um toque moderno. As janelas do carro estão embaçadas e há marcas de dedos na lataria, sugerindo um clima de tensão ou fuga. Toda a composição da imagem transmite uma aura de rebeldia, teatralidade e melancolia, característica do universo visual de The Bastards.
The Bastards é o segundo disco da banda, sucessor de Boom Boom Room (Foto: Sumerian Records)

Marcela Jardim

Lançado em maio de 2020, The Bastards é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do Palaye Royale. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de insurgência. Cinco anos depois, a obra permanece viva – tanto por sua estética barroca e intensa quanto pela coragem de tocar em feridas abertas, da saúde mental à crise social. É um disco de extremos: ora poético e vulnerável, ora explosivo e provocador, mas sempre com uma sinceridade que transcende o artifício.

Continue lendo “Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards”

Em Bite Me, Reneé Rapp está sem filtros e se diverte sendo indecisa

 

A capa do álbum Bite Me de Renee Rapp. A imagem é um close-up da cantora com seus longos cabelos loiros desarrumados, que cobrem parcialmente seu rosto. Ela tem uma expressão intensa e olha diretamente para a câmera com a boca levemente aberta.
Reneé Rapp prova que pode se divertir no pop sem abrir mão da atitude e da autenticidade (Foto: Interscope Records)

Arthur Caires

Se existe uma certeza quando o assunto é Reneé Rapp, é que ela nunca vai tentar ser a estrela do pop comportadinha. Basta assistir a qualquer entrevista para perceber: entre piadas ácidas e uma postura de diva, ela passa a impressão de que não liga para protocolos de media training, e é justamente aí que mora o seu charme. Depois de um início de carreira no teatro musical (Meninas Malvadas, na Broadway) e uma passagem de sucesso pela TV em The Sex Lives of College Girls (2021), Reneé mergulha de vez no pop em seu segundo álbum, Bite Me. O disco chega como quem não promete respostas definitivas, mas sim um retrato honesto de uma artista que ainda está se entendendo – e que parece se divertir no processo.

Continue lendo “Em Bite Me, Reneé Rapp está sem filtros e se diverte sendo indecisa”