Pet Shop Boys em São Paulo: o pop que une gerações

André Siqueira e Bárbara Alcântara

Os Pet Shop Boys vieram ao Brasil pela primeira vez em 1994, em um show memorável no antigo Metropolitan, no Rio. E eu estava lá. Sozinho. Um amigo desmarcou em cima da hora, e – por mais incrível que possa parecer hoje – naquele fim de século 20 não era muito fácil encontrar companhia para um show tão associado ao universo gay, caso você não pertencesse a ele. O duo inglês ainda estava no seu auge, e encheu a casa de cores, som e um seleto público, predominantemente LGBT. Antes de entrar, tive que vender o ingresso que sobrou, e esbarrei com ninguém menos do que Renato Russo – que, infelizmente, já tinha seu bilhete. Continue lendo “Pet Shop Boys em São Paulo: o pop que une gerações”

Daniela Mercury em Bauru: o axé necessário

daniela mercury em bauru
Crédito: Evandro Souza

Adriano Arrigo

“Mulher arretada” é a forma como Daniela Mercury se autointitulou entre uma e outra música, dentre as vinte e três tocadas na 13º Virada Cultural Paulista, em Bauru. Mercury se ajeitava no palco, sincronizava os braços e estufava o peito. “Gosto de quando termina a música assim”, comentou em um dos inúmeros apontamentos e discursos de sua apresentação. É a famosa pose que abre espaço para chamar as mulheres com forte presença de palco: diva. Mas, se tratando de uma figura que tanto se identifica com o Brasil, seu título tem que vir à brasileira, e mais especificamente, com gosto baiano. Continue lendo “Daniela Mercury em Bauru: o axé necessário”

Slowdive no Balaclava Fest: das demoras que valem a pena

Jovens tímidos da década de 90: Scott, Nick, Rachel, Chris e Neil
Jovens tímidos da década de 90: Scott, Nick, Rachel, Chris e Neil

Nilo Vieira

Após a estreia com Just For a Day (1991), o Slowdive levou dois anos para colocar a obra-prima Souvlaki (1993) na praça. Para os parâmetros atuais não parece muito tempo, mas muita coisa aconteceu nesse meio tempo: o relacionamento entre os vocalistas Neil Halstead e Rachel Goswell acabou, os parceiros de gravadora My Bloody Valentine quase levaram a Creation Records à falência com Loveless (1991) e a imprensa já esnobava o shoegaze – enquanto o grunge atingia seu ápice na América do Norte, o britpop começava a ganhar força na terra da rainha. Os resultados vieram catastróficos, com avaliações agressivas (“Slowdive? More like slow death!”, “Eu odeio o Slowdive mais que Hitler” e afins) e shows praticamente vazios. Continue lendo “Slowdive no Balaclava Fest: das demoras que valem a pena”

Black Sabbath em São Paulo: o funeral elétrico

Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler: pais de tudo o que é pesado
Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler: pais de tudo o que é pesado

Gabriel Leite Ferreira

Horas antes do último show do Black Sabbath em terras brasileiras, o céu nublado já denunciava a chuva iminente. Era São Paulo, a terra da garoa, saudando os pais do heavy metal em sua turnê derradeira. A The End Tour teve início no dia 20 de janeiro de 2016, em Omaha, nos Estados Unidos, e acaba no dia 4 de fevereiro de 2017, em Birmingham, na Inglaterra, a terra natal de Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler. Foi lá que o trio mais o ex-baterista Bill Ward, afastado da excursão por questões contratuais, deu forma ao gênero mais controverso da história da música moderna na década de 70. Não por acaso, a noite foi tipicamente setentista – para o bem e para o mal.

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Descendents: Good good things about saturday

Uma banda que faz questão de passar sempre muita seriedade para o público
Uma banda que faz questão de passar sempre muita seriedade para o público

Bárbara Alcântara

“Today. Everything sucks today.” Milo (vocal), Bill (bateria), Stephen (guitarra) e Karl (baixo) entraram no palco no sábado (03) em São Paulo tocando esse som. Ao contrário do que dizia a letra da música, nada estava sendo um saco naquele dia. Para confirmar isso, era só ver a animação estampada na carinha de cada uma das pessoas lá no Tropical Butantã. Todo mundo cantando, gritando e chorando, emocionados, ao som do agressivo porém melódico e dançante hardcore punk da banda. Estavam todos nitidamente desacreditados de que, enfim, realizaram um sonho que tinha sido adiado por 20 anos: ver o Descendents ao vivo.

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Guns N’ Roses em São Paulo: os embalos da chuva de novembro

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A banda em seu show na cidade de Porto Alegre

João Pedro Fávero

A reunião mais esperada dos últimos vinte anos chegou ao Brasil. Em sua sétima passagem pelo país, o Guns N’ Roses trouxe a nostalgia do hard rock do começo dos anos 90 e lotou o Allianz Parque que esperava para ver Axl Rose, Slash e Duff McKagan lado a lado na Not In This Lifetime Tour.

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Mayhem em São Paulo: uma celebração macabra

Nilo Vieira

Poucos artistas conseguem ter uma relação tão estreita com um gênero musical a ponto de serem capazes sozinhos de representá-lo, não somente no som, em sua integridade. As transformações de Madonna ao longo de sua carreira condensam boa parte da história da indústria pop, os Stones são a mais certeira representação do estereótipo “sexo, drogas & rock ‘n’ roll”. Todavia, é em um nicho bem mais obscuro que podemos observar o quão influente culturalmente uma banda pode ser: trata-se do black metal, cuja força mais representativa são os noruegueses do Mayhem.

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