Milton Nascimento e Lô Borges: para muito além da esquina

Nilo Vieira

Já faz duas horas e ainda não achei um parágrafo inicial impactante o suficiente. Os dois maiores mitos sobre o fazer crítico surgem a cada nova tentativa: um texto sobre um disco tão canonizado precisa ser definitivo, ainda mais em data simbólica. E imparcial, não se esqueça. Continue lendo “Milton Nascimento e Lô Borges: para muito além da esquina”

Tribalistas e a minha velha infância

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Elisa Dias

A possibilidade de escrever crítica musical foi anulada automaticamente do meu plano de ideias no momento em que a cogitei. Simplesmente porque, em segundos, um pequeno fluxo de pensamentos a respeito me mostrou quão complexa é a minha relação com a música. Complexa porque, a meu ver, a minha visão a respeito é a mais baudelairiana possível, sem indícios de qualquer análise técnica que comprove de alguma forma o que eu quero dizer. Um texto crítico sem embasamento é mais um achismo pro mundo – e o mundo já está bem cheio disso, convenhamos. Continue lendo “Tribalistas e a minha velha infância”

Criolo na espiral do samba

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Rapper lança seu quarto autoral com referências do samba raiz e critica a atual política brasileira

Heloísa Manduca

No dia 28 de abril, o rapper Criolo lançou seu mais recente trabalho. O novo disco leva como título Espiral de Ilusão. Agora, com uma pegada totalmente nova, trouxe todas as faixas em ritmo de samba. Bem, pensando melhor, o ritmo não foi tão inédito assim; o que foi surpreendente é o fato de todas as 10 faixas do álbum se basearem nele.   Continue lendo “Criolo na espiral do samba”

Liniker: remontar vai além da maquiagem

Abaixa que é tiro: Liniker (ao centro) e sua trupe
Abaixa que é tiro: Liniker (ao centro) e sua trupe

Nilo Vieira

Liniker é uma figura interessante no Brasil contemporâneo: nasceu homem, mas se veste com roupas femininas, passa batom e pede para ser chamada no feminino. Tem vozeirão de artista maduro, mas seu carisma é tão espontâneo quanto o de uma criança. Seu sucesso com a esquerda, especialmente a universitária, foi instantâneo e compreensível – assuntos como empoderamento, tanto negro como LGBT, e quebra de estereótipos de gênero já são praticamente inerentes à suas falas, bem como a praticamente qualquer texto sobre sua curta carreira.

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Belchior: quarenta anos de um delírio com coisas reais

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Nilo Vieira

A ditadura militar, imposta no ano de 1964 e acabando só mais de duas décadas depois, foi um dos períodos mais sinistros da história brasileira: direitos humanos violados, inflação quebrando recordes e censura geral sobre imprensa e manifestações artísticas são alguns exemplos dos males da época – e apenas para ficar nos mais conhecidos. Entretanto, é curioso reparar que grande parte dos discos tidos como os mais representativos da cultura brasileira foram produzidos e lançados justamente nesses anos de chumbo. Continue lendo “Belchior: quarenta anos de um delírio com coisas reais”

O Soul e o Sou de Liniker

O cantor agitou a cidade de Bauru com seu ritmo, sua voz e seu estilo

linikerO cantor durante apresentação no SESC Bauru (Foto: Vinicíus Gálico)

Vinícius Gálico

A black music de Liniker invadiu a cidade de Bauru e levou uma multidão para o show do cantor e seu grupo, os Caramelows, no ginásio do SESC na última quarta-feira (20). O show faz parte da turnê de seu novo EP “Cru”, lançada pelo selo independente Vulkania.  Com apenas três músicas – “Zero”, “Caeu” e “Louise du Brésil”, Liniker agitou as redes sociais alcançando mais de 1 milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana. Sem divulgação ou assessoria de comunicação para anunciar o lançamento, o cantor pegou muita gente de surpresa, e desde então continua surpreendendo a todos por onde passa com sua voz, estilo e atitude – e em Bauru não foi diferente.

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Trupe Chá de Boldo em São Paulo: Temperatura Inconstante

Banda empolgou o público com seu maior hit, mas decepcionou no desfecho do espetáculo

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A Trupe já conta com 10 anos de estrada (Foto: Divulgação)

Victor Pinheiro

O grupo musical Trupe Chá de Boldo trouxe seu repertório experimental para duas apresentações no Sesc Santana, em São Paulo, no sábado (16) e domingo (17). O setlist foi repleto de faixas do novo álbum da banda, Presente (2015), mas  também contou com sucessos da obra anterior, Nave Manhã (2012).

 Usando toda sua potência instrumental, a Trupe mostrou seus arranjos característicos para começar o espetáculo com força total e  arrancar aplausos, gritos e dança. O marcante trio feminino formado por Ciça Goés, Julia Valiengo e Leila Pereira, nos vocais, o rodízio de instrumentos entre os integrantes e as simpáticas performances no palco foram essenciais para levantar a apresentação.

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