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	<title>Arquivos Livros &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Os Melhores Livros de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 20:47:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O último ano foi para a Literatura rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32894" aria-describedby="caption-attachment-32894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32894" class="wp-caption-text">De cantores a autores sob codinomes, os Melhores Livros de 2023 se encontram nas possibilidades (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último ano foi para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para representar Os Melhores Livros de 2023. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante que lembremos que além de propícia para  novas ideias, a temporada marcou eventos importantes para a representatividade no meio literário. Em Outubro, tivemos o primeiro indígena eleito como imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor </span><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2023/10/09/ailton-krenak-e-o-primeiro-indigena-eleito-para-a-academia-brasileira-de-letras#:~:text=Representatividade-,Ailton%20Krenak%20%C3%A9%20o%20primeiro%20ind%C3%ADgena%20eleito%20para%20a%20Academia,ocupar%20uma%20cadeira%20na%20academia."><span style="font-weight: 400;">Ailton Krenak</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ideias para Adiar o Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Futuro Ancestral</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro marco foi a presença de autores negros em espaços de reconhecimento. Na Festa Literária de Paraty (Flip) do último ano, o principal nome da programação era o de uma das autoras negras mais faladas do Brasil na atualidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wfq5GfitcS0"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de discursos essenciais e uma contribuição literária notável, a presença da escritora no evento literário inspira e carrega muito significado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos centenários também foram comemorados no período, como o de nascimento da autora </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-poeta-e-o-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Wislawa Szymborska</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996. Além dela, </span><span style="font-weight: 400;">Eugénio de Andrade (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Mãos e os Frutos</span></i><span style="font-weight: 400;">), o poeta surrealista Mário Henrique Leiria, o ensaísta Eduardo Lourenço e Mário Cesariny fizeram parte da lista de centenários e foram celebrados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos marcos, fica a esperança de um momento ainda mais doce para o mundo dos livros está por vir. Enquanto isso, você confere a lista dos textos que se destacaram para o Persona no ano de 2023 e aproveita dicas de leitura variadas. Para todas as preferências, fica o gosto de obras plurais e extremamente ricas em cultura, liberdade e a vontade de transformar cada capítulo. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-32816"></span></p>
<figure id="attachment_32818" aria-describedby="caption-attachment-32818" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg" alt="Capa do Livro de uma a outra ilha. Na imagem, há uma elipse esverdeada em meio a um extenso fundo azul para representar uma ilha. Na porção superior, vemos o título do livro. Na inferior há o nome da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32818" class="wp-caption-text">De uma a outra ilha é um poema longo de 40 páginas (Foto: Circulo de poemas)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Martins Marques &#8211; De uma a outra ilha</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pela poetisa brasileira Ana Martins Marques, </span><i><span style="font-weight: 400;">De uma a outra ilha</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em palavras a cartografia de um lugar: a ilha de Lesbos. A obra, que foi lançada em Julho de 2023, se comporta como um manifesto político contra a morte de imigrantes e a crueldade das fronteiras estabelecidas entre os territórios. O escrito é sensível, mas mantém a força de suas afirmações e posicionamentos a cada linha, estabelecendo uma relação entre o que é autoral e o que é retomado do conjunto de </span><a href="https://www.blogletras.com/2021/05/dez-poemas-e-fragmentos-de-safo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Poemas e fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Safo. </span></p>
<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lesbos-a-ilha-do-desespero-onde-milhares-de-imigrantes-estaopresos-5cuj19hdzho8glzhes071w18c/"><span style="font-weight: 400;">Lesbos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ambiente conhecido pelo alto fluxo de imigração européia de pessoas que estão tentando passar pela Grécia. No entanto, diante da política indiferente quanto a essa população, o espaço se tornou uma espécie de purgatório de vivos, além de testemunhar mortes recorrentes das pessoas tentando se deslocar pelo oceano. Assim, a literatura de Marques se coloca a repreender o cenário lamentável através de escolhas lexicais delicadas e bem marcadas. Nas linhas suaves de um poema extenso, o livro sangra em águas turbulentas. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32824" aria-describedby="caption-attachment-32824" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg" alt="Capa do livro Paixão Simples. A capa conta com uma grande foto de Annie Ernaux com filtro sépia. Ela é uma mulher branca com cabelos grisalhos lisos e óculos de sol quadrados. Ao redor da fotografia há retângulos rosa, vermelho, preto, amarelo e lilás com o nome do livro, da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32824" class="wp-caption-text">Em Paixão Simples, Annie Ernaux traduz o ato de se apaixonar em seus termos (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p>Annie Ernaux &#8211; Paixão Simples</p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornou uma das figuras mais influentes da Literatura nos últimos anos. Com seus textos destrincha coisas complexas em vocábulos diretos e brutos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão simples,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que chegou ao Brasil pela Fósforo em 2023, tem algo de diferente. O livro relata uma paixão que a autora teve por um homem um pouco mais jovem e casado, chamado de A.. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apaixonar-se soa obsessivo e dá origem a uma Ernaux fora das linhas, que dispensa seus livros em nome de assistir novelas junto com o homem. É como se seu cérebro funcionasse de forma completamente irracional e isso se reflete no ritmo da leitura, no qual as páginas são caóticas e mais rápidas que o habitual de seus escritos. Assim, a ganhadora do Nobel de Literatura é, mais uma vez, sensacional, quando descreve as dores, tensão, o desespero e o desejo que ultrapassam qualquer limite. A paixão continua um sentimento complexo, mas Annie </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> prova simples é deixá=lo pulsar. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32820" aria-describedby="caption-attachment-32820" style="width: 514px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg" alt="Capa do livro Irmãs do Inhame: Mulheres negras e autorrecuperação. No centro do livro temos a pintura de duas mulheres negras em tonalidades de azul escuro. Uma está colocando uma coroa na outra, como símbolo de cuidado. Na parte inferior do está escrito o nome do livro em rosa, preto e branco. Na parte superior está escrito o nome da autora na cor preta. O fundo da tela é formado por uma cor sólida de rosa. " width="514" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg 514w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique.jpg 643w" sizes="auto, (max-width: 514px) 85vw, 514px" /><figcaption id="caption-attachment-32820" class="wp-caption-text">“Irmãs, eu as saúdo no amor e na paz” (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu tempo como educadora em universidades norte-americanas na década de noventa, </span><a href="https://www.geledes.org.br/bell-hooks-o-legado-da-maior-pensadora-do-feminismo-do-seculo-21/"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> entendeu rapidamente a necessidade de existir um grupo de apoio que acolhesse as dores e preocupações singulares de suas alunas negras, dessa maneira, surgiram as Irmãs do Inhame. Inspirada pelo romance </span><i><span style="font-weight: 400;">The Salt Eaters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Toni Bambara, o nome do coletivo nasceu da importância do tubérculo nas comunidades negras, que além de atuar na alimentação e nutrição do corpo, também é um símbolo das conexões diaspóricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distanciando da terapia convencional, que em grande parte desconsidera ‘raça’ como um fator importante na autorrecuperação e no entendimento da saúde mental de pessoas negras, as </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/irmas-do-inhame-de-bell-hooks-um-carinho-na-alma-das-mulheres-pretas/"><span style="font-weight: 400;">Irmãs do Inhame</span></a><span style="font-weight: 400;"> miravam no afastamento do auto-ódio canalizado pela baixa autoestima e priorizavam o bem-estar por meio do diálogo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora registra que ao externalizar suas feridas com pessoas que compreendem das mesmas dores, assim como todo o ato de pessoas negras procurando ajuda sobre o seu interior pessoal, passam a fazer parte de uma prática de política libertária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro é um compilado dos ensinamentos desenvolvidos durante anos entre <a href="https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/">bell hooks</a> e suas discentes. Interligando acontecimentos pessoais da própria autora com contextos históricos que envolvem o racismo e a pessoa mais afetada por ele: a mulher negra. Uma obra que lida com o humano, uma humanidade que possui feridas abertas nos corpos, mentes e espíritos, e que ainda não conquistou serenidade plena com o seu próprio eu. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32823" aria-describedby="caption-attachment-32823" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg" alt="Capa do livro A mulher em mim de Britney Spears. A arte de capa é uma fotografia em preto e branco de Spears, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. Ela está posicionada no canto esquerdo da arte, olhando para a câmera de lado enquanto veste uma calça e encobre os seios. O fundo é preto e ao lado de Britney Spears está escrito seu nome em letras garrafais rosa seguido do título do livro em letras garrafais brancas “A MULHER EM MIM" width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-768x1118.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears.jpg 1030w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-32823" class="wp-caption-text">O audiobook em inglês de A mulher em mim é narrado por Michelle Williams (Foto: BUZZ)</figcaption></figure>
<p><b>Britney Spears &#8211; A mulher em mim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após incontáveis </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentários</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a sua trajetória, inúmeras suposições em torno de sua vida particular e idas mais do que suficientes para a corte estadunidense na luta pelo fim de sua tutela, Britney Spears decidiu que estava pronta para contar a sua versão dos fatos na autobiografia </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/10/27/biografia-de-britney-spears-a-mulher-em-mim-e-o-livro-mais-vendido-em-pelo-menos-9-paises.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Exatamente como está acostumada nos palcos, o livro é a versão mais poderosa da artista, mesmo com os seus momentos mais vulneráveis sendo </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/11/01/michelle-williams-viraliza-ao-imitar-justin-timberlake-em-audiolivro-de-britney-spears-ouca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">revelados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nos registros mais desafiadores que Spears assume e liberta essa força feminina dentro dela, que lidou com tantos obstáculos que atravessam a existência das mulheres. Partindo desde as mazelas de existir em uma sociedade historicamente patriarcal, passando pelas distintas experiências com a ideia de maternidade até, em seu caso em específico, ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">superstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/como-britney-spears-ajudou-musica-de-roberta-miranda-a-crescer-60"><span style="font-weight: 400;">indústria musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se alimenta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/britney-spears-blackout-resenha/"><span style="font-weight: 400;">queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas estrelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o essencial de uma boa autobiografia: segredos, polêmicas e uma contextualização que já atrai, logo de cara, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/controlling-britney-spears-em-busca-de-liberdade-critica/"><span style="font-weight: 400;">opinião pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o lado de Britney Spears; invertendo um cenário de hostilização de décadas. Por vezes, a escrita é tão familiar que mais parece um compilado das legendas da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=clwLKJ294u4"><span style="font-weight: 400;">Princesa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/vejo-voces-no-inferno-britney-spears-instagram-revelacoes-biografia-nprec/"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, felizmente, sem a quantidade desconcertante de </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_32826" aria-describedby="caption-attachment-32826" style="width: 552px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png" alt="Capa do livro Parem de Falar Mal Da Rotina. O fundo é como uma representação do céu com nuvens. No centro superior há o nome da escritora, Elisa Lucinda, e ao lado direito há o logo da Editora Record em vermelho. Elisa Lucinda, mulher negra em torno dos 60 anos, está no centro da imagem. Utiliza uma blusa vermelha com decote e uma pulseira prateada no braço esquerdo. Seu cabelo - crespo e castanho escuro - está com um Black Power. Em suas pontas, o cabelo forma desenhos do cotidiano contado pela escritora durante o livro. No centro do cabelo está escrito, em tom claro, o título do livro “Parem de Falar Mal Da Rotina”. Ao lado de Elisa, há os dizeres em vermelho “Nova edição revista pela autora”" width="552" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png 552w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina.png 600w" sizes="auto, (max-width: 552px) 85vw, 552px" /><figcaption id="caption-attachment-32826" class="wp-caption-text">Elisa Lucinda e seu livro, em nova edição, nos fazem adentrar nos versos e monólogo da escritora (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><strong>Elisa Lucinda &#8211; Parem de Falar Mal da Rotina</strong></p>
<p><a href="https://teatro.ufes.br/conteudo/parem-de-falar-mal-da-rotina-o-espetaculo-de-sucesso-que-encanta-o-brasil-ha-21-anos-agora"><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em nova edição, evoca o palco de teatro e as poesias de sucesso que Elisa Lucinda faz há mais de 20 anos com o seu monólogo de mesmo nome. Nesta versão, a atriz evoca novamente o projeto da peça de tremendo sucesso: enxergar a beleza da vida &#8211; o nascer do sol, o pôr do sol &#8211; nos momentos em que, muitas vezes, a gente desdenha por ser rotineiro.</span></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5980/elisa-lucinda"><span style="font-weight: 400;">Elisa Lucinda</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma destreza magnífica ao escrever &#8211; é uma autora (uma das muitas coisas que Elisa é com grande brilho) que nos emociona em um verso e no outro nos faz rir logo em seguida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i><span style="font-weight: 400;">, é certo, comunica com todos que aqui estão presente &#8211; como a peça faz também -, entretanto, para quem ainda não teve a oportunidade de experimentar o espetáculo ao vivo, o livro nos dá um gostinho de querer mais. A narração dos fatos, do cotidiano, da rotina, sem dúvidas, não fica chato quando a maravilhosa Elisa Lucinda nos conta. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32827" aria-describedby="caption-attachment-32827" style="width: 277px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/saia-da-frente-do-meu-sol.jpg" alt="Capa do livro Saia da Frente do Meu Sol. A capa do livro possui o tom homogêneo azul. Há pessoas deitadas na praia, de frente para o leitor, um homem está em destaque, o personagem Tio Ricardo. Um homem branco, com cabelo preto e sem camisa. Outras pessoas estão em volta, mas tapadas pelas letras. Ao lado direito do homem, há o título do livro escrito em amarelo, e, embaixo da palavra “frente”, há o nome do autor, Felipe Charbel, escrito em branco. Também em branco há o nome da editora, Autêntica Contemporânea, no canto inferior direito da página" width="277" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32827" class="wp-caption-text">Felipe Charbel é professor associado de história da UFRJ (Foto: Autêntica Contemporânea)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Charbel </b><strong>&#8211;</strong> <b>Saia da Frente do Meu Sol </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felipe Charbel, romancista brasileiro, imerge em mais uma história que se desenvolve entre segredos familiares no recente </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/critica-cultural/vidas-narradas"><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Caracterizado pelo vazio de informações totalmente proposital, Tio Ricardo levantava diversas questões sobre sua vida misteriosa após seu falecimento e enterro, onde poucas pessoas compareceram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desenvolvimento leve e coerente, </span><a href="https://ppghis.historia.ufrj.br/docente/felipe-charbel-teixeira/"><span style="font-weight: 400;">Charbel</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pula etapas ao mostrar para o leitor sobre cada detalhe que descobre a respeito da vida do tio. O público é outro personagem, e se choca ao mesmo tempo que o protagonista do livro. Contagiante e madura são as palavras que definem a leitura fluida que o carioca consegue passar em suas obras, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma prova. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32830" aria-describedby="caption-attachment-32830" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png" alt="Capa do livro Ellis Island. Na imagem, há uma elipse azul escuro em um fundo azul claro para representar a ilha. Na porção superior há o escrito &quot;Ellis Island&quot; em letras brancas " width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland.png 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32830" class="wp-caption-text">O poema longo de Perec é destinado, inicialmente, para a construção do roteiro de um documentário homônimo, realizado com o diretor Robert Bober, sobre a ilha (Foto: Círculo de Poemas)</figcaption></figure>
<p><b>Georges Perec – </b><b>Ellis Island </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ausência não deixa de ser uma personagem recorrente na literatura do autor francês </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/autores/georges-perec/"><span style="font-weight: 400;">Georges Perec</span></a><span style="font-weight: 400;">. A falta de um </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/linguagem-e-protagonista-no-romance-o-sumico-de-georges-perec.html"><span style="font-weight: 400;">caractere</span></a><span style="font-weight: 400;">, de um enredo sólido ou de respostas a perguntas que, além de conduzirem a construção histórica e poética de </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/produto/ellis-island/"><i><span style="font-weight: 400;">Ellis Island</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">existem para reconstituir os arquivos e acontecimentos de um espaço que ergue-se pela amnésia. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma escrita objetiva, o escritor traça a genealogia da imigração e os múltiplos sentidos dessa ilha – nas palavras de Perec um ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘lugar de ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ – onde se criou os Estados Unidos da América: um espaço de trânsito e despersonalização no qual emigrantes tornaram-se imigrantes; onde as histórias de pessoas de todos os cantos do mundo – italianos, judeus, porto riquenhos e cambojanos – eram submetidas a análise para, então, darem força e trabalho ao que viria se tornar a maior nação do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os inquéritos de Perec – ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">como descrever?/ como contar?/ como olhar? (&#8230;) como ler esses rastros?’’, </span></i><span style="font-weight: 400;">que mais soam como lamentos, diferentemente dos agentes de imigração que articulavam o futuro de pessoas em clausura no espaço da ilha – são, em si, formas de retratar um tema caro também a artistas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-27QaUl0D8"><span style="font-weight: 400;">Meredith Monk</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inseri-lo, a partir do poema, em um tempo não linear e constante. Ellis Island não existe mais enquanto um centro de detenção e inspeção de imigrantes a qual a Estátua da Liberdade já anunciava paradoxos e mentiras, mas na condição de um monumento histórico que ainda inquieta a quem procura respostas a uma ancestralidade pautada na diáspora, vasta em meio a dezesseis milhões de histórias individuais. O inquietante poema de Perec, no entanto, faz da ruína e do vazio uma memória potencial à pequeneza perdida e encontra sua própria identidade nessa busca. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_32831" aria-describedby="caption-attachment-32831" style="width: 634px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png" alt="" width="634" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png 634w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-768x968.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente.png 793w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32831" class="wp-caption-text">Enaltecendo a vida de Gil, Nós a gente é um alento para o coração (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil e Daniel Kondo &#8211; Nós, a gente </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro organizado por Guilherme Gontijo Flores, é a materialização em artes visuais das poesias belíssimas compostas por Gilberto Gil. Com ilustrações de Daniel Kondo nas 40 músicas selecionadas, as canções escolhidas têm em comum a temática do amor à família. A obra foi concebida na época em que o cantor estava comemorando seus 80 anos, em 2022, e saindo pela Europa com a turnê Nós, A Gente &#8211; nome homônimo ao do escrito -, sendo tudo registrado no documentário </span><a href="https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Fam%C3%ADlia-Gil/0S6ROOS2KGZ3QIKJCBHPGQ7AA9"><i><span style="font-weight: 400;">Viajando com os Gil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/gilberto-gil-lanca-o-livro-nos-gente-hoje-na-abl"><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> além de ser uma ótima experiência escutar as músicas à medida em que analisa as artes das canções, também é possível ter acesso às entrevistas conduzidas por Guilherme e Daniel com Gilberto Gil e Flora Gil. Com sua calma e leveza, Gil nos mostra toda a sua bagagem &#8211; principalmente o núcleo familiar &#8211; que constituiu durante seus 80 anos de vida. Não sendo diferente, Flora também nos mostra a felicidade de ter uma família unida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, o livro é uma grande celebração de vida de </span><a href="https://gilbertogil.com.br/bio/gilberto-gil/"><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo o que foi construído e feito merece essa cerimônia literária e visual, ainda mais quando se está acompanhado de familiares. Por fim, temos acesso à grandiosa árvore genealógica do artista e também a algumas fotos, com legendas de sua neta, Flor Fil, dos bastidores da turnê europeia. É uma escrita deliciosa de se saborear. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32832" aria-describedby="caption-attachment-32832" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg" alt="Capa do livro Girls Like Girls. Na imagem, há duas meninas ilustradas de costas, uma ao lado da outra. A da esquerda tem cabelos loiro escuros, usa camiseta brancae saia vermelha. A da direita tem cabelos pretos e veste uma camisa azul. O cenário tem tonalidade rosa, árvores e uma montanha." width="550" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-32832" class="wp-caption-text">Inspirado na música homônima, Girls Like Girls abraça a comunidade sáfica (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Hayley Kiyoko &#8211; Girls Like Girls</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hayley Kyoko marcou a juventude de uma geração de pessoas lgbtqia+ quando começou a cantar sobre o amor entre meninas, especialmente, com o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2015. A música, que acompanhava um clipe adorável, alimentou </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sáficas por anos, e agora, as teorias se concretizam nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls: Uma história de amor entre garotas</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro aprofunda a relação entre as protagonistas do videoclipe, Coley e Sonya, duas jovens em idade escolar com diferentes desafios a enfrentar, mas uma conexão inexplicável em comum. Ao passar das páginas, a história mescla os clichês que ensolaram a alma com os desafios da autodescoberta, fazendo tudo ser doce, lindo e, ainda assim, extremamente próximo dos medos da vida real. Traduzidas por Helen Pandolfi, as palavras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rbkVPSJzCkU"><span style="font-weight: 400;">Hayley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos transportam de volta à adolescência e restauram o desejo de viver um amor tão sincero como o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilrs Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">. – Jamily Rigonatto </span></p>
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<figure id="attachment_32833" aria-describedby="caption-attachment-32833" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/salvar-o-fogo.jpg" alt="Capa do livro Salvar o Fogo. O fundo é laranja. No centro superior há os dizeres em cinza “Do autor de Torto Arado”. Logo abaixo, em branco, há o título “Salvar o Fogo” e, mais embaixo, em preto, há o nome do escritor “Itamar Vieira Junior”. Abaixo dos dizeres há um desenho de uma mulher negra usando um vestido branco até os pés, um lenço branco nos cabelos castanhos e um chinelo branco. Ao seu lado direito está de mãos dadas com uma criança negra vestindo uma camisa branca e bermuda azul, cabelo curto castanho e descalço. Os dois estão virados de costas. Ao lado esquerdo da mulher há um cesto de roupa verde com linhas douradas. Há uma roupa branca jogada para fora do cesto. Ao lado do menino tem uma planta verde. No centro inferior há a logo em branco da Editora Todavia." width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32833" class="wp-caption-text">Em Salvar o Fogo, Itamar Vieira Jr. desmonta a história da sociedade brasileira em 300 páginas (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><strong>Itamar Vieira Júnior &#8211; Salvar o fogo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><i><span style="font-weight: 400;">Salvar o fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Itamar Vieira Junior novamente nos apresenta uma história difícil de engolir e com muita verossimilhança em relação à sociedade brasileira. Contando as narrativas de uma família agricultora no interior da Bahia &#8211; que acaba sendo dividida pelas violências direcionadas aos familiares -, o autor nos oferece um processo de escrita muito arrebatador e necessário, evidenciando as inúmeras agressões da realidade brasileira. O </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa maneira, acaba se tornando uma manifestação de denúncia contra as hostilidades que agridem exclusivamente às pessoas negras, indígenas, mulheres, crianças, pobres, agricultores e de religiões de matriz africana ou indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 320 páginas, </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior"><span style="font-weight: 400;">Vieira Junior</span></a><span style="font-weight: 400;"> sintetiza, de forma adequada e avassaladora, a história desse Brasil invadido há 500 anos. Exaltando a natureza e seu poder, o romancista brinca com as palavras ao associar as passagens das personagens com os elementos naturais, trazendo um lirismo muito bonito e interessante de se pensar, já que a destruição da natureza reflete diretamente a destruição também da humanidade. Com isso, Moisés, Luzia, Alzira, Mundinho, entre outros, não serão as últimas personagens que denunciam essa realidade perversa e racista &#8211; assim como não foram as primeiras -, entretanto é certo que a prosa criada por Itamar traz consigo, não só dessa forma, mas uma das mais potentes no enredo, a denúncia através do resgate dos saberes ancestrais afro indígenas no combate à essa realidade da </span><a href="https://ponte.org/o-que-e-necropolitica-e-como-se-aplica-a-seguranca-publica-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">necropolítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32864" aria-describedby="caption-attachment-32864" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Os-perigos-de-fumar-na-cama.png" alt="Capa do livro Os perigos de fumar na cama. A capa tem um fundo azul claro.No topo, vemos as palavras “os perigos de fumar na cama” em uma letra cursiva estilizada em branco. Ao centro, há uma ilustração da cabeça de uma mulher com cabelos castanhos lisos e longos, pintada de vermelho, laranja e amarela, sendo segurada por uma mão com unhas longas que sai para fora do quadro. Na parte inferior central, vemos a palavra “Mariana Enriquez” em uma letra branca sem serifa. No canto inferior direito, vemos o logo da Intrínseca." width="334" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32864" class="wp-caption-text">Os perigos de fumar na cama foi o tema do Clube do Livro do Persona em Outubro de 2023 (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Enriquez &#8211; Os perigos de fumar na cama</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 12 contos de Horror, Mariana Enriquez faz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">um pesadelo violento, impossível de ser digerido facilmente. Aqui, essa é justamente a intenção. Entre becos de uma Barcelona assombrada a ruas de uma Argentina que se lembra, a autora argentina trabalha o terror a partir do rotineiro, da barbaridade de pessoas contra elas e as próximas, e da memória de uma nação frente os horrores do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descritividade é bruta, o retrato pintado por Enriquez é visceral em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> tão social quanto político. Os preconceitos são expostos com todas as palavras, sem disfarces, para mostrar que o aterrorizante acontece no dia a dia. Com uma dose de sobrenatural e fantasia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa a experiência ainda mais tensa com seus 12 finais em aberto, livres para a imaginação do leitor vagar solta. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32863" aria-describedby="caption-attachment-32863" style="width: 352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/exorcista.png" alt="Capa do livro O Exorcista: Segredos e Devoção. A capa tem um fundo preto. Ao centro, ocupando quase toda a extensão vertical da capa, vemos o contorno de uma menina com cabelos longos. Os olhos dela estão verde, como se estivesse possúida, e um líquido verde sai de seu nariz. As mãos juntas da menina ficam em formato de um portão, onde, na parte inferior central, um homem de costas, vestindo um terno, chapéu e segurando uma maleta, entra. Ao redor dele, vemos o líquido verde. Abaixo dele, vemos as palavras “Darkside”." width="352" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32863" class="wp-caption-text">Se a capa não te atrair, o interior vai (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Kermode &#8211; O Exorcista: Segredos e Devoção</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se engane: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">não é uma reedição do livro original de 1971, tampouco do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1973 (ou de qualquer </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcista-o-devoto-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma de suas versões</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na verdade, a edição é uma obra comemorativa aos 50 anos do lendário filme do Horror, mostrando como a </span><a href="https://cinepop.com.br/apos-fracasso-de-o-exorcista-o-devoto-nova-sequencia-passara-por-reboot-criativo-476487/"><span style="font-weight: 400;">recepção do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lançamento e o contexto social dos Estados Unidos da década de 1970 o tornaram um fenômeno capaz de fazer pessoas desmaiarem nas salas de cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Kermode, crítico cultural aficionado pelo romance de William Peter Blatty &#8211; que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2013/03/o-exorcista-40-anos-o-suposto-caso-real-que-inspirou-o-filme.html"><span style="font-weight: 400;">deu origem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao roteiro do longa-metragem homônimo -, revela os bastidores das gravações, os atritos entre Blatty e William Friedkin (diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">) e como algumas das cenas mais memoráveis da Sétima Arte foram confeccionadas. Entrelaçando o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl45nxxl18o"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> às intenções da obra e do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha segredos com os fãs de Horror, em uma experiência visual deslumbrante nas páginas tão famosas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32881" aria-describedby="caption-attachment-32881" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg" alt="Capa do livro “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”, de Matthew Perry. A capa possui um fundo azul, e, à frente, há o ator Matthew Perry. Ele é branco, possui cabelos escuros, barba rala e olhos azuis. Veste uma camisa preta. No topo da página há o nome do autor e ator em letras brancas. Embaixo, está escrito “Best Seller N 1° do New York Times”. Ao lado do ator, há escrito “Prefácio de Lisa Kudow”, em branco, e, embaixo do ator há o título do livro, em brancas e grandes letras. Abaixo, está escrito “A autobiografia do astro de Friends”, e, ao lado, a logo da editora BestSeller" width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela.jpg 1107w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-32881" class="wp-caption-text">Matthew Perry foi encontrado morto no dia 28 de outubro de 2023 em sua casa, em Los Angeles (Foto: BestSeller)</figcaption></figure>
<p><b>Matthew Perry &#8211; Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sentença </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu devia estar morto”</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer muito forte para qualquer um que inicie </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2023/10/explosao-de-vendas-da-biografia-de-matthew-perry-esgota-estoque-de-editora-brasileira.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no escuro. A autobiografia do ator e escritor norte-americano conta de forma crua os altos e baixos de sua carreira e toda a sua trajetória, envolvendo momentos marcantes na infância, conquistas profissionais que um dia eram impensáveis, e o fundo do poço, onde ele se enxergou em vários momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não precisa ser fã de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/os-bastidores-com-matthew-perry-segundo-david-schwimmer-e-lisa-kudrow"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para apreciar cada parágrafo do livro, que, ao mesmo tempo que parece uma confissão do artista, também soa como um diário extremamente íntimo. É claro que para quem viu Matthew crescer e evoluir com a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo se torna ainda mais pessoal: após seu trágico falecimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i><span style="font-weight: 400;"> eterniza o legado inesquecível de Matthew Perry. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32890" aria-describedby="caption-attachment-32890" style="width: 547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32890 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg" alt="" width="547" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri.jpg 684w" sizes="auto, (max-width: 547px) 85vw, 547px" /><figcaption id="caption-attachment-32890" class="wp-caption-text">Milly Lamcombe prova que nos resgatar é o ato mais poderoso que existe (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><strong>Milly Lamcobe &#8211; O ano em que morri em Nova York</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance autobiográfico de </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/426820/milly-lacombe-fala-sobre-novo-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Milly Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ano em que Morri em Nova York: Um romance sobre amar a si próprio</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha com o conceito de morte em vida. No texto, a protagonista termina um relacionamento de mais de dez anos com sua esposa por conta de uma traição, descobre que a melhor amiga está com câncer de mama e retorna a uma versão que há muito não encarava em seu país de origem, o Brasil. Rodeada pelas migalhas deixadas por tudo que já foi inteiro, a jornada se torna ressuscitar em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Batendo de frente com dores não vistas antes, o momento é doloroso e cheio de dúvidas, mas essenciais para que a personagem, que representa a própria </span><a href="https://www.uol.com.br/play/videos/universa/2023/07/19/milly-lacombe-conta-como-descobriu-traicao-bati-minha-cabeca-no-chao.htm"><span style="font-weight: 400;">Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentre o seu interior e redescubra quem ela é, independente de suas relações, trabalho ou demais definições. As 256 páginas são um verdadeiro liquidificador emocional, tudo gira o tempo todo e não dá espaço para monotonia, afinal, se trata de uma trajetória linear. Assim, a obra deixa reflexões sobre nós mesmos e como deixamos nossa principal prioridade de lado: o eu. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_32889" aria-describedby="caption-attachment-32889" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32889 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-dois.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32889" class="wp-caption-text">&#8220;Sobretudo no início, Regan por vezes tentava identificar o momento em que as trajetórias deles se encaminharam para uma colisão inevitável.&#8221; (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivie Blake &#8211; Nós dois sozinhos no éter</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o pseudônimo de </span><a href="https://intrinseca.com.br/autor/olivie-blake/"><span style="font-weight: 400;">Olivie Blake</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alexene Farol Follmuth presenteia o público jovem adulto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto conta a história de </span><span style="font-weight: 400;">Aldo Damiani e Charlotte Regan, duas personalidades opostas que no magnetismo de sentir não conseguem mais se afastar. Apesar de, à primeira vista, soar como um grande clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é muito mais que isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 336 páginas, Blake se dispõe a uma missão: desenvolver cada faceta dos personagens. Assim, conseguimos entender seus bastidores para nos apaixonarmos pelo relacionamento. Trabalhando com traumas, questões psicológicas e familiares, a obra traduzida por Carlos César da Silva mostra tudo em corações desarmados. O doce de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S3-FZd2lGk0"><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vive na complexidade de testemunhar ruínas individuais compartilhando uma mesma construção.</span><b> – Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32882" aria-describedby="caption-attachment-32882" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg" alt=" Capa do livro O que sobra de Príncipe Harry. A arte de capa é uma fotografia de Harry, um homem branco de cabelos ruivos e olhos claros. A câmera o captura a partir dos ombros enquanto ele olha diretamente para a lente. O fundo é branco e pouco aparece, já que a face dele ocupa o maior espaço. Na parte superior está escrito em letras garrafais brancas “PRÍNCIPE HARRY” e, na parte inferior, da mesma forma está o título do livro “O QUE SOBRA”." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1.jpg 1044w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-32882" class="wp-caption-text">O que sobra foi traduzido para o português por Cássio de Arantes Leite, Débora Landsberg, Denise Bottmann e Renato Marques (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Príncipe Harry &#8211; O que sobra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vazamentos e </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/livros/noticia/2023/01/o-que-sobra-as-revelacoes-mais-bombasticas-do-livro-de-memorias-de-harry.ghtml"><span style="font-weight: 400;">declarações polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a um contexto nada favorável para a monarquia britânica culminam em </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autobiografia do Príncipe Harry. Acostumado a estampar os tabloides mais sensacionalistas no começo do século, o livro que traz a perspectiva do ‘</span><a href="https://luciointhesky.wordpress.com/2012/03/13/harry-o-patinho-feio-de-buckingham/"><span style="font-weight: 400;">patinho feio</span></a><span style="font-weight: 400;">’ é, possivelmente, o último ato culturalmente relevante de algum membro da Família Real; fadada ao enfraquecimento gradual devido a perda de apoio popular a cada ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão humano quanto simpatizar com aquele que consideramos ser o injustiçado da história e, na mesma medida, a satisfação em assisti-lo fazer a sua justiça é extremamente prazerosa. A narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa perfeitamente nesse cenário, afinal, ainda que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EiEifW_Gob0"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Harry</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja, de fato, um pobre menino largado à sorte pelo mundo, até as passagens mais fúteis de sua trajetória são escritas muito bem, facilmente transitando pelo gênero de autoajuda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autobiografia chegou às livrarias já com um certo cansaço por parte do público, irritado com as centenas de declarações espalhadas pelas redes sociais ou que já não aguentava mais ouvir falar sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-e-meghan-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry e Meghan Markle</span></a><span style="font-weight: 400;">, dado que a série documental do casal havia estreado há poucas semanas. Embora falhe em alguns sentidos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI52nXTLmb8"><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linha de raciocínio que cativa fácil, sendo um dos retratos mais importantes dos últimos anos.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_32893" aria-describedby="caption-attachment-32893" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32893 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg" alt="" width="560" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-32893" class="wp-caption-text">“Minha Pollyana se antena e joga o jogo do Contente, pois sempre existe um lado bom” (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><strong>Rita Lee &#8211; Outra Autobiografia</strong></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/05/09/rita-lee-rainha-do-rock-brasileiro-morre-aos-75-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Perder</span></a><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee em Maio de 2023 foi doloroso e deixou para os fãs a saudade de alguém insubstituível para a Música e para o mundo. No entanto, o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> alguns dias depois, na comemoração de Santa Rita de Cássia, chegou como um abraço caloroso. O texto trabalha os seus dois últimos anos de vida, mas não é nada melancólico. Cruel, irônico e verdadeiro seriam adjetivos melhores para definir, afinal, a Rainha do Rock nunca foi de chorar pitangas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios enfrentados pela cantora não ficam de lado do relato, são bastante fortes e cheios de detalhes. Ainda assim, somos capazes de sentir como a mulher que pelo amor roubaria os anéis de saturno estava pronta para lutar e lidar com tudo, consciente como alguém que teve uma vida extensa e muito bem resolvida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha autopiedade no coração e nos faz acreditar que realmente estava com sua missão cumprida quando partiu, e é claro, tudo isso com a personalidade única marcada a cada trecho. Ler </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca o luto em segundo plano mesmo com a inevitável companhia da morte. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32884" aria-describedby="caption-attachment-32884" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto.png 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-32884" class="wp-caption-text">&#8220;Por que ele queria tomar um drink comigo?&#8221; (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho – </b><b><i>Quarto Aberto </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em lentes almodovarianas, talvez o primeiro romance do premiado <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">Tobias Carvalho</a> daria centro ao fato de seus personagens poderem ser descritos como gays a beira de um ataque nervos ou até mesmo ao labirinto da lei do desejo que, em suas diversas complexidades individuais e uns com os outros, são desafiados a atravessar. Mas longe de qualquer uma dessas descrições melodramáticas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto Aberto </span></i><span style="font-weight: 400;">partilha do um realismo que marca a escrita do autor e que, diferentemente dos contos de seu antecessor </span><i><span style="font-weight: 400;">Visão Noturna </span></i><span style="font-weight: 400;">e mais próximo do vencedor do prêmio Sesc de Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas, </span></i><span style="font-weight: 400;">parte do ímpeto da ficcionalização de um determinado recorte da realidade de experiências de homens gays, sem que tal exercício comprometa a maestria literária de sua escrita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um universo muito próprio da realidade íntima de seus personagens – homens gays que lidam com suas interioridades e suas próprias trajetórias ao mesmo tempo que habitam a cidade afora em aplicativos de sexo ou como<em> drag queens</em> – Carvalho constrói uma análise dos relacionamentos que distancia-se do usual em algo que poderia ser chamado de uma </span><a href="https://www.nbcnews.com/nbc-out/out-news/lgbtq-fiction-gay-literature-publishing-turning-point-rcna127922"><i><span style="font-weight: 400;">gay-lit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sem colocar como centro apenas a relação de seu protagonista com indecisões e triângulos e quadriláteros amorosos. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_32914" aria-describedby="caption-attachment-32914" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/51KyJA1YBZL._SY445_SX342_.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32914" class="wp-caption-text">Um traço até você abraça quem só quer amar (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivia Pilar &#8211; Um traço até você</strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Apaixonante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.oliviapilar.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Olívia Pilar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe para as jovens negras sáficas o que elas precisavam para se sentir representadas em um clichê que não ignora os desafios do contexto social. Protagonizada por Lina, a narrativa detalha os choques de uma menina que sempre viveu com privilégios financeiros ao se deparar com um contexto racista que a impede de ocupar todos os lugares em nome da discrimação. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em meio a autodescoberta, que já seria suficiente para construir uma obra completa, surge Elza. O relacionamento entre as personagens é doce e inspirador, mas, principalmente, essencial para a evolução e crescimento das duas, que se ensinam, compreendem e crescem juntas. O ritmo gradual faz com que tudo se encaixe e, ao final, tenhamos uma Lina mais forte e rodeada por maturidade. Em suma, a cumplicidade de amar em </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/um-traco-ate-voce/"><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é muito maior que as borboletas no estômago. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></strong></p>
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<figure id="attachment_32887" aria-describedby="caption-attachment-32887" style="width: 284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1.jpg" alt="Capa do livro Amêndoas, de Won-pyung Sohn. Nela, vemos uma ilustração em tons pastéis de um menino em frente a uma loja. A loja, que é azul, se encontra no primeiro andar de um sobrado, e possui um grande letreiro rosa com uma palavra escrita em coreano. Em cima do letreiro tem uma espécie de tenda nas cores vermelho e branco em listras verticais e, acima, uma unidade externa cinza de um ar-condicionado. As paredes do sobrado parecem ser de azulejo marrom e, do lado esquerdo, há uma escada com degraus cor-de-rosa que permitem o acesso ao segundo andar. Na frente da loja, há uma planta em um vaso marrom. O menino veste uma camiseta de manga comprida preta e uma calça marrom. Na parte inferior da capa, há uma faixa rosa onde encontra-se o título do livro do lado direito, com o nome da autora em baixo, ambos na cor azul turquesa, e o nome da editora do lado inferior esquerdo, na cor branca" width="284" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32887" class="wp-caption-text">Lançado em Março de 2023 no Brasil, Amêndoas se popularizou graças à indicação de um dos membros da banda coreana BTS (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><strong>Won-pyung Sohn &#8211; Amêndoas</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro de estreia da diretora e romancista sul-coreana </span><a href="https://www.kbook-eng.or.kr/sub/interview.php?ptype=view&amp;idx=621&amp;page=$page&amp;code=interview"><span style="font-weight: 400;">Won-pyung Sohn</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de Yunjae, um jovem que possui uma condição neurológica chamada alexitimia. Suas amígdalas cerebelosas – chamadas de ‘amêndoas’ pelo protagonista por conta da semelhança física entre elas – são subdesenvolvidas e, por isso, ele é incapaz de identificar e expressar sentimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com capítulos curtos, uma história diferente daquelas que geralmente são oferecidas e uma linguagem simples, é difícil deixar a leitura de lado. A obra explora a adolescência, o significado das emoções, a diversidade da vida e da trajetória de cada um, mas seu foco principal é a importância de criar laços.</span> <a href="https://rocco.com.br/produto/amendoas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente sensível, que destaca como o amor é capaz de fazer “</span><i><span style="font-weight: 400;">de alguém um ser humano, assim como o que faz de alguém um monstro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como descreve a autora. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="auto, (max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
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<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Março de 2023</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 19:08:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Mas tudo passa neste mundo imundo. Por isso não faz sentido se afligir demais por nada nem ninguém. Às vezes penso que somos um sonho ou um pesadelo realizado dia após dia que a qualquer momento não será mais, que não aparecerá mais no telão da alma para nos atormentar.&#8221; &#8211; Aurora Venturini Aprofundando os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Março de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30768" aria-describedby="caption-attachment-30768" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30768 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/capa-wp_estantepersona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30768" class="wp-caption-text">Imergindo na subjetividade, o Clube do Livro de Março conheceu a franqueza de Aurora Venturini em As Primas (Foto: Fósforo/Arte: Aryadne Xavier/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Mas tudo passa neste mundo imundo. Por isso não faz sentido se afligir demais por nada nem ninguém. Às vezes penso que somos um sonho ou um pesadelo realizado dia após dia que a qualquer momento não será mais, que não aparecerá mais no telão da alma para nos atormentar.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Aurora Venturini</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprofundando os laços familiares, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do <strong>Persona</strong> escolheu os ares argentinos para guiar os ventos no terceiro mês do ano. Sob as linhas de uma protagonista de personalidade forte, as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Aurora Venturini, encaminharam uma leitura curiosa e repulsivamente divertida. Definida como uma espécie de autobiografia, a obra é narrada por Yuna, uma mulher com deficiência vivendo rodeada de um contexto trágico em que a violência e a vulnerabilidade social abraçam mulheres e seus laços sanguíneos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com características únicas, o </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/as-primas/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">não performa o mais politicamente correto dos textos. Sob os pensamentos, julgamentos e o nojo voraz carregados pela personagem principal, somos afundados em uma narrativa sem filtros na qual o incomum ganha forma em linhas curvas e manchas de tinta. O movimento atípico se reflete na construção de uma escrita que considera a pontuação secundária e dá holofotes à sinceridade liberta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 160 páginas, Yuna detalha as figuras de sua família e os eventos assombrados que a perseguem enquanto registra tudo em cor e sombra através de suas pinturas. Sob as pinceladas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">aborto,</span></a><span style="font-weight: 400;"> prostituição, morte e abuso ganham retratações ácidas. Entre a mãe, a irmã Betina, a tia Nenê e as primas Carina e Petra, o grotesco e o desatino remontam um viés peculiar da vivência de vítimas da opressão oferecida pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance é o primeiro e único das mais de 40 publicações de Aurora e marca sua estreia no universo literário da América Latina. Em um deslumbramento brutal, o escrito consagrou a literata aos 85 anos com o prêmio Nueva Novela em 2007. No Brasil, a obra ganhou a primeira versão em setembro de 2022 pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Editora Fósforo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e foi traduzida por Mariana Sanchez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tons insólitos, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">causou um rebuliço comicamente miserável. Para não perder o costume, os membros da nossa editoria não falham em dar opções aos que querem adentrar relações similarmente complicadas, mas também contemplam os interessados em conhecer outras das infinitas possibilidades oferecidas pela Literatura. Por isso, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;"><strong>Estante do Persona</strong></span></a><span style="font-weight: 400;"> de Março deixa suas primorosas indicações para estampar o cinza outonal.</span></p>
<p><span id="more-30734"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_30765" aria-describedby="caption-attachment-30765" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30765 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/as-primas.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30765" class="wp-caption-text">No especial prefácio de Mariana Enriquez, a escritora, júri do prêmio Nueva Novela, relata a surpresa da leitura do romance (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A autoria de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">não é de um rebelde poeta da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/o-uivo-vivo-de-allen-ginsberg/"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nem de um discípulo do </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20200623-pink-flamingos-the-most-outrageous-film-ever-made"><span style="font-weight: 400;">cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de John Waters, mesmo que o grotesco – elemento constitutivo de ambas textualidades — seja um de seus maiores potenciais poéticos. Pertence sim, à argentina Aurora Venturini que, aos 85 anos, o submete como seu primeiro romance ao Prêmio Nueva Novela e, apesar de sua prosa degenerada e tomada de desassossego, o vence. No entanto, o choque não vem exatamente de uma descongruência da autora com a sua narrativa, dita autobiográfica; pois não é como se Venturini fosse, exatamente, tomada da docilidade e ordinariedade que muitas vezes é esperada de uma figura senil. As </span><a href="https://24.sapo.pt/vida/artigos/romance-as-primas-que-consagrou-aurora-venturini-aos-85-anos-chega-a-portugal"><span style="font-weight: 400;">estranhezas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cultivar aranhas como animais de estimação ou de alegar,  após ter sido hospitalizada depois de um acidente, ter visitado o Inferno e, claro, por isso ser próxima de um padre exorcista, não são distantes do </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">mundo insubmisso</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção dessa autobiografia ficcional, que engaja todos os jogos literários do gênero —</span> <span style="font-weight: 400;">como a dúvida do quanto do que é narrado é a verdade da personagem e da autora –, trabalha a partir da motivação do mau gosto pelo mau gosto. A protagonista Yuna Riglos, que se descreve como ‘‘limitada’’ e ‘‘degenerada’’ por sua dificuldade de fala, que se transcreve em um fluxo de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/quem-e-autora-aurora-venturini-premiada-aos-85-anos-por-as-primas.shtml"><span style="font-weight: 400;">escrita experimental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e metalinguístico, ilustra um retrato completamente parcial de sua própria vida e de sua família, composta essencialmente por mulheres precarizadas e animalizadas por sua ótica cretina. Riglos, que relata sua vida desde o início de sua proeminente carreira de pintora, está sempre à beira do vômito e leva o leitor a mesma sensação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre o tom exagerado do início da filmografia de </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/8124-QUE-FIZ-EU-PARA-MERECER-ISTO"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a apatia assustadora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Yorgos Lanthimos</span></a><span style="font-weight: 400;">, assassinatos, deficiências e abusos são desmoralizados em grunhidos, risadas e xingamentos por suas personagens. Essas </span><a href="https://latinta.com.ar/2020/11/primas-discapacidad-divino-tesoro/"><span style="font-weight: 400;">imagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais e cruéis tecidas por Aurora Venturini, amiga </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">de Evita Perón e Simone de Beauvoir, são um convite para conhecer uma escrita de si dissociada de qualquer moralidade e que distorce, geralmente, o papel atribuído de verdade universal e politicamente correta dado à primeira pessoa narrativa. </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/as-primas/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">cria um mundo onde é possível entender, a partir de um humor bizarro e culposo, a precarização da condição humana como um recurso para o desenvolvimento de uma tônica crítica e do arrebatamento necessário à Literatura.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: As primas - Clube do Livro Março de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/2NOXv6Pi5Mqt9EfgMhQsHW?si=5bee28e2d37e4d5e&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_30736" aria-describedby="caption-attachment-30736" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30736 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pra quando você acordar, de Bettina Bopp, publicado pela editora Planeta. Seu fundo é branco e ela é composta por várias pequenas pinceladas na vertical, variando entre os tons de azul e verde e, em um pequeno espaço, amarelo. Com exceção do nome da editora, que se encontra no canto inferior esquerdo da capa, todas as palavras presentes estão inseridas em uma caixa de texto branca. No canto superior direito está o nome da autora na cor azul, seguido da palavra “Pra” escrita em verde. Abaixo, “quando” está escrito em azul escuro, seguido de “você” em verde e “acordar” em roxo. No canto inferior direito, está escrito “Crônicas de” na cor azul escuro, seguido de “saudade e espera”, na mesma formatação." width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-1327x2048.jpg 1327w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-1200x1852.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/pra-quando-voce-acordar-1-scaled.jpg 1659w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30736" class="wp-caption-text">“O tempo se encarrega de botar as nossas dores em prateleiras cada vez mais altas, mas elas sempre estarão conosco” (Foto: Planeta)</figcaption></figure>
<p><b>Bettina Bopp &#8211; Pra quando você acordar (320 páginas, Planeta)</b></p>
<p><a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-pra-quando-voce-acordar/347585"><i><span style="font-weight: 400;">Pra quando você acordar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é sobre dois irmãos e uma história que, depois de um acidente, precisou se reinventar. Itamar, irmão da escritora e professora </span><a href="https://www.instagram.com/bettina.bopp/"><span style="font-weight: 400;">Bettina Bopp</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficou em coma por quinze anos. Durante esse tempo, entre a dor de uma perda que se tornava mais palpável a cada dia e a expectativa de que aquele ente querido pudesse acordar a qualquer momento, Bettina escreveu crônicas contando tudo aquilo que gostaria de dizer a ele, e todas elas foram reunidas nesta obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não vai acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas esse </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/trecho-de-livro/pra-quando-voce-acordar/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um lembrete de que estamos vivos, ainda que foi feito para uma pessoa que estava dormindo e que dormiu por muitos anos. Delicado e sensível, diz respeito ao circuito de afetos de uma família que descobriu que o amor pode continuar pulsando sem que seja sustentado pela reciprocidade a partir do momento em que é amparado pela reinvenção e pela despossessão. &#8211; </span><b>Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30743" aria-describedby="caption-attachment-30743" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30743 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-684x1024.jpg" alt="Capa do livro O Veredicto/Na Colônia Penal, de Franz Kafka. A capa é branca, o nome do autor está escrito no topo, em preto e letras grandes. Embaixo, há o nome do livro, em letras menores. No centro da capa, há um quadrado branco com riscos pretos quase o completando totalmente. Abaixo do quadrado há escrito em preto “Tradução de Modesto Carone” e, por fim, a logo e nome da Editora Companhia das Letras." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-535x800.jpg 535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-768x1149.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-1026x1536.jpg 1026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1-1200x1796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/o-veredicto-1.jpg 1233w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30743" class="wp-caption-text">“Vamos deixar de lado os amigos. Para mim, mil amigos não substituiriam meu pai” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Franz Kafka &#8211; O veredicto / Na colônia penal (66 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em <em>O veredicto / Na colônia penal,</em></span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571648067/o-veredicto-na-colonia-penal"><span style="font-weight: 400;"> livro de contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> kafkiano publicado pela <em>Companhia das Letras</em>, os temas centrais são a relação paterna e o falho sistema penal. Na primeira novela, </span><a href="https://www.fantasticacultural.com.br/artigo/869/o_veredicto_-_franz_kafka__conto_completo"><i><span style="font-weight: 400;">O veredicto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os personagens principais, Georg e seu pai, protagonizam uma série de acontecimentos quase absurdos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kafka evidencia que a </span><a href="https://www.capital.sp.gov.br/noticia/monologo-201ccarta-ao-pai201d-aborda-a-dificil-relacao-paterna-de-franz-kafka"><span style="font-weight: 400;">relação entre pai e filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser baseada em diversos aspectos, um assunto muito recorrente em suas obras. Nesse caso, a inveja e o desprezo paterno presentes na obra soam um pouco pessoal demais para o autor, com exceção do momento em que o pai de Georg ordena que ele se jogue no rio. E o filho o obedece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RZS0y1NdRuc"><i><span style="font-weight: 400;">Na colônia penal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o senso de justiça é o principal aspecto explorado. Sob o ponto de vista de um observador, narra-se a condenação de um indivíduo que se quer sabe o porquê de estar ali. O espetáculo formado a partir de sua tortura dura meio dia e serve como crítica a um sistema judiciário falho, injusto e criminoso.</span> <b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30769" aria-describedby="caption-attachment-30769" style="width: 705px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30769 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-705x1024.jpg" alt="Capa do livro A Biblioteca da Meia-Noite. O fundo dela é preto, e há diversos livros organizados como em uma estante, todos em tons verdes, por toda a capa. De cima para baixo, temos o nome do autor, Matt Haig, em tamanho menor. Abaixo, há o título “A Biblioteca da Meia-Noite”. Nos vãos das estantes, temos, de baixo para cima, escrito “MAIS DE 2 MILHÕES DE EXEMPLARES VENDIDOS NO MUNDO”, “BEST SELLER DO NEW YORK TIMES” e “VENCEDOR DO GOODREADS CHOICE AWARD”" width="705" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-705x1024.jpg 705w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-551x800.jpg 551w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-768x1115.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL-1058x1536.jpg 1058w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/81iqH8dpjuL.jpg 1763w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30769" class="wp-caption-text">“É uma revelação e tanto descobrir que o lugar para onde você quis fugir é exatamente o mesmo lugar de onde fugiu. Que a prisão não era o lugar, mas a perspectiva” (Foto: Bertrand Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Matt Haig &#8211; A Biblioteca da Meia-Noite (308 páginas, Bertrand Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas noites solitárias em que estamos mergulhados nas indecisões e incertezas de nosso próprio destino, mora em nós uma curiosidade perturbadora: e se eu vivesse outra vida? Como seria minha realidade se eu tivesse feito outras escolhas? Em </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">A Biblioteca da Meia-Noite</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos Nora Seed afundar-se nestas interrogações e, rodeada de decepções colecionadas em sua vida, colocar um ponto final em tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do roteiro que Seed criou em sua mente, a narrativa surpreende ao colocá-la no </span><a href="https://valkirias.com.br/a-biblioteca-da-meia-noite/"><span style="font-weight: 400;">centro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de todas as possibilidades: entre a vida e a morte, a protagonista se depara com prateleiras de livros intermináveis, que são, na verdade, todas as respostas e rumos que ela poderia ter tomado em sua vida. Seu maior desafio é encontrar um motivo para continuar, vivendo cada uma dessas vidas como se, de fato, fosse a sua.  </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30738" aria-describedby="caption-attachment-30738" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Tubarao1.jpg" alt="Capa do livro Tubarão, de Peter Benchley. Centralizado na capa há o título em vermelho e o nome do autor em branco, na imagem de fundo vemos um corte vertical na coluna d'água do mar, uma mulher nada na superfície, acima dela a capa tem a cor branca e apresenta o nome da editora, abaixo o azul do mar, onde se encontra um grande tubarão com as mandíbulas abertas como se fosse emergir e atacar a mulher" width="334" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30738" class="wp-caption-text">Tubarão nós faz sentir o medo ancestral dos grandes animais predadores (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Peter Benchley &#8211; Tubarão (320 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pacífica cidade de Amity, na costa leste dos Estados Unidos, todos aguardam ansiosamente o verão, mas algo vindo das profundezas trás terror e conflito para todos os personagens de </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/tubarao"><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Fonte de um dos grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Cinema, o romance de Peter Benchley continua atual ao tratar de temas como a insensibilidade e negacionismo de políticos quando a ciência atrapalha seus objetivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um brutal ataque de tubarão-branco a uma turista em uma das praias da cidade, o chefe de polícia, Martin Brody, quer o fechamento do balneário até que as investigações sejam concluídas. Pressionado pelos interesses econômicos de alguns empresários da cidade, o prefeito Larry Vaughan se recusa a seguir o bom senso e acatar as recomendações de seu policial, ordenando o início de uma longa caçada ao animal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/how-jaws-went-from-best-selling-book-to-blockbuster-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">best seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com altas doses de suspense e terror, e um forte senso de aventura. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30755" aria-describedby="caption-attachment-30755" style="width: 567px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-567x800.jpg" alt="Capa do livro Pílulas azuis. Na imagem estão as ilustrações de Peeters e Cati. O casal está sentado em um sofá marrom que flutua em um mar azul. Ela tem cabelos pretos curtos e veste camiseta laranja com calças azuis. Ele tem cabelos pretos e curtos, usa óculos e veste uma blusa azul com calça laranja. O restante da capa é um laranja sólido. Acima dos personagens o nome do livro e do autor estão grafados em branco" width="567" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-567x800.jpg 567w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-725x1024.jpg 725w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-768x1084.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1-1088x1536.jpg 1088w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/piluas-azuis-1.jpg 1813w" sizes="auto, (max-width: 567px) 85vw, 567px" /><figcaption id="caption-attachment-30755" class="wp-caption-text">Sob a delicadeza das ilustrações, Pílulas azuis embarca na beleza e no cuidado de amar (Foto: Editora Nemo)</figcaption></figure>
<p><b>Frederik Peeters &#8211; Pílulas azuis (208 páginas, Editora Nemo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonizada pelo próprio autor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pílulas azuis</span></i> <span style="font-weight: 400;">é uma história em quadrinhos desenvolvida por Frederik Peeters. Chegando no Brasil 14 anos após sua primeira publicação, a obra explora os desafios de Peeters e Cati, que é seu par romântico e uma mulher soropositiva. Entre tabus e medo, o casal escolhe seguir suas jornadas juntos e procurar um jeito de fazer com que o vírus do </span><a href="https://www.bioredbrasil.com.br/hiv-preconceito-e-tabu-ainda-sao-desafios-para-diagnostico-precoce/"><span style="font-weight: 400;">HIV</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja capaz de desmontar um relacionamento com tanto amor. Assim, as respostas se desenrolam em consultórios médicos e, enquanto desmistificam estereótipos, os dois se dissolvem em  sensibilidade e bom humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de tratar a temática com leveza, o destaque do livro fica para a dualidade de sentimentos dos personagens e como isso é transmitido de forma metafórica, trazendo até mesmo animais que se humanizam para guiar o âmago dos personagens. Com tradução de Fernando Scheibe, a </span><a href="https://www.humanoids.com/blog/The-Humanoids-Blog/id/263"><span style="font-weight: 400;">HQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> mistura elementos engraçados e dramáticos para mostrar os outros ângulos pelos quais a vida pode ser vista. Atravessando as cores dos impasses, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pílulas azuis</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova que positivo é lutar pelos grandes amores. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30746" aria-describedby="caption-attachment-30746" style="width: 713px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30746 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-713x1024.jpg" alt="Capa do livro Era dos Extremos. Toda a capa é preenchida por diversos quadrinhos coloridos que ilustram alguma figura histórica. Ao centro, com um fundo vermelho, está escrito o nome do autor “Eric Hobsbawm” com letras da cor branca. Logo abaixo, aparece o título do livro “Era dos Extremos”, também na cor branca, e, mais abaixo, está escrito “O breve século XX” e “1914-1991” com letras da cor branca. Na parte inferior central da capa, está o selo da editora Companhia das Letras." width="713" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1-1070x1536.jpg 1070w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/era-dos-extremos-1.jpg 1783w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30746" class="wp-caption-text">Eric Hobsbawm é um ótimo anfitrião para uma festa cujo principal convidado é o olhar crítico (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Eric Hobsbawm &#8211; Era dos Extremos (632 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era dos Extremos</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado no Brasil pela <em>Companhia das Letras</em>, Eric Hobsbawm recorda os principais eventos que marcaram o século XX e traça raciocínios pertinentes os quais não cedem à esfera meramente informativa. Por conseguinte, a obra pode ser tanto um material didático quanto um livro de cabeceira indispensável aos que desejam refrescar a </span><a href="https://www.scielo.br/j/ea/a/rFdrVJGJRyyz5n3L86jDyrC/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e revitalizar o futuro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era dos Extremos </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sobretudo, um apanhado dos principais episódios compreendidos entre a 1º Guerra Mundial e o fim da União Soviética. Eric Hobsbawm imprime sua </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/historia/uma-vida-para-a-historia"><span style="font-weight: 400;">subjetividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao utilizar uma linguagem envolvente a qual revela a essência política de suas análises. No fim, o livro se consagra como um clássico ao oferecer novas perspectivas sobre o âmbito histórico cuja principal característica é a maleabilidade, ou seja, o desejo insaciável por mudanças que não visam o rigor, mas a honra crítica. </span><b>&#8211; Ana Cegatti</b></p>
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<figure id="attachment_30749" aria-describedby="caption-attachment-30749" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30749 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1.jpg" alt="" width="682" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/serpentario-1-546x800.jpg 546w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30749" class="wp-caption-text">Serpentário te convida para um passeio místico e horrendo em um cenário real brasileiro (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Castilho &#8211; Serpentário (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Com traços de </span></i><i><span style="font-weight: 400;">H.P. Lovecraft e Robert W. Chambers</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">Serpentário </span></i><span style="font-weight: 400;">é o nosso clássico de ficção e </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2019/07/conheca-o-terror-da-ilha-das-cobras-no-novo-livro-de-felipe-castilho/"><span style="font-weight: 400;">fantasia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em solo brasileiro. Na narrativa, todo ano os jovens Hélio, Mariana e Caroline religiosamente deixavam seus lares na capital paulista e desciam a serra para encontrar o caiçara Paulo. No réveillon de 1999, algo mais estranho do que o bug do milênio aconteceu: o grupo foi parar na mística Ilha das Cobras e, anos depois, o que aconteceu lá ainda é um borrão para os que retornaram. Resta revisitar a ilha para desvendar seus mistérios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Jabuti como Romance de Entretenimento em 2019, Felipe Castilho é mestre em mitologias e, depois de </span><a href="https://twitter.com/intrinseca/status/1319288130776621057?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Vermelha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz a fantasia para terras caiçaras. Portando-se como um verdadeiro personagem &#8211; talvez, o mais importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Serpentário </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; a <a href="https://observatorio3setor.org.br/noticias/a-ilha-brasileira-cercada-por-lendas-e-considerada-o-lugar-mais-perigoso-do-mundo/">Ilha das Cobras</a> real não é de longe tão obscura quanto o autor a retrata, mas, na obra, é um recanto de misticismo, curiosidade e <a href="https://personaunesp.com.br/gotico-mexicano-critica/">terror</a> que deixa qualquer um com a cara enfiada nas páginas.</span></p>
<p>Páginas essas bem pensadas. Como uma metalinguagem, os mistérios ultrapassam a trama para se imporem no papel (literalmente) e dão ao leitor ainda mais o que desvendar. Mesclando referências da cultura <em>pop </em>à bagagem de <a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/">horror</a> e aventura, até o folclore brasileiro tem espaço, em uma leitura envolvente e tão hipnotizante quando o segredo que ronda a ilha. De cabo a rabo, a <a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/">fantasia</a> nacional em seu auge. <strong>&#8211; Vitória Gomez</strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_30741" aria-describedby="caption-attachment-30741" style="width: 595px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30741" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01.jpg" alt="Capa do livro Oi, sumido. No centro da capa, temos o nome da autora Dolly Alderton em fonte rosa. Abaixo, temos o desenho de uma mulher deitada de barriga para baixo, segurando o celular com uma das mãos e de pernas levantadas para cima. Abaixo, temos o nome do livro, Oi, sumido, em fonte esbranquiçada. A imagem e o texto estão desenhados sob um fundo azul esverdeado. No canto superior direito, temos um selo de fundo amarelado e letras vermelhas com o escrito “autora de tudo que eu sei sobre o amor”. No canto superior esquerdo, temos o logotipo da editora Intrínseca em preto e rosa." width="595" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01.jpg 595w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Oi-sumido-01-476x800.jpg 476w" sizes="auto, (max-width: 595px) 85vw, 595px" /><figcaption id="caption-attachment-30741" class="wp-caption-text">Tudo que eu sei sobre o amor, livro de estreia de Alderton, fez tanto sucesso que foi adaptado para uma série de mesmo nome da BBC, escrita pela própria autora (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Dolly Alderton &#8211; Oi, sumido (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Nina Dean, os trinta anos não poderiam ter chegado em melhor forma: carreira bem sucedida, amigos e familiares que a amam, entre outras vantagens. Nesse sentido, era de se esperar que a relação com Max também fosse dar bons resultados. Ambos se conhecem em um aplicativo de relacionamento, têm química e gostos em comum. Tudo parece bem, até o dia em que ele para de responder suas mensagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de ver seu trabalho ganhar o mundo na forma do </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller </span></i><span style="font-weight: 400;">internacional </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo que eu sei sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alderton volta ao mercado literário com seu novo livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oi, sumido.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Além de oferecer ao público uma divertida leitura de comédia romântica, a autora também nos traz novas e interessantes perspectivas sobre o amor no século da tecnologia e dos aplicativos de relacionamento, que parecem estar cada vez mais tornando-o insular. </span><b>&#8211; Nathan Nunes</b></p>
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		<title>Roda de conversa na Unesp Bauru amplifica vozes femininas da Literatura local</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 16:53:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Promovido pela Biblioteca do campus e pelo Cômite de Ação Cultural, o encontro trouxe cinco escritoras bauruenses para compartilhar suas experiências Nathalia Tetzner Na primeira quarta-feira (05) do mês de Outubro, o Persona acompanhou uma roda de conversa com escritoras locais na sua sede, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), promovida pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/literatudo-reportagem/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Roda de conversa na Unesp Bauru amplifica vozes femininas da Literatura local"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Promovido pela Biblioteca do campus e pelo Cômite de Ação Cultural, o encontro trouxe cinco escritoras bauruenses para compartilhar suas experiências</em></p>
<figure id="attachment_28919" aria-describedby="caption-attachment-28919" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28919" class="wp-caption-text">O evento fez parte do Festival da Palavra, idealizado para marcar o mês em que se celebra o Dia Nacional do Livro; da esquerda para a direita estão Renata Machado, Julia Bac, Patricia Lima, Anália Souza e Ariane Souza, as convidadas da mesa (Foto e Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na primeira quarta-feira (05) do mês de Outubro, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> acompanhou uma </span><a href="https://www.faac.unesp.br/#!/noticia/2223/biblioteca-do-campus-organiza-roda-de-conversa-com-escritoras"><span style="font-weight: 400;">roda de conversa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com escritoras locais na sua sede, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), promovida pela </span><a href="https://www.fc.unesp.br/#!/noticia/939/biblioteca-da-unesp-de-bauru-traz-a-roda-de-conversa/"><span style="font-weight: 400;">Biblioteca</span></a><span style="font-weight: 400;"> do campus de Bauru. </span><span style="font-weight: 400;">Com caneta e bloco de papel nas mãos, o projeto traz os destaques da cobertura, que contou com as convidadas Anália Souza, Ariane Souza, Julia Bac e Renata Machado, com mediação de Patrícia Lima.</span></p>
<p><span id="more-28918"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o título “</span><i><span style="font-weight: 400;">Literatudo</span></i><i><span style="font-weight: 400;">: a experiência da escrita como inspiração para a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, o evento fez parte do </span><a href="https://www.faac.unesp.br/#!/noticia/2222/cac-unesp-bauru-realiza-o-festival-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">Festival da Palavra</span></a><span style="font-weight: 400;">, idealizado pela Biblioteca em parceria com o Comitê de Ação Cultural (CAC), e reuniu vozes femininas representativas na Literatura local para um debate essencial. O tema cumpriu o seu objetivo ao trazer à tona as </span><a href="https://www.blogdaletramento.com.br/2020/03/a-importancia-da-representatividade-da.html?m=0"><span style="font-weight: 400;">dificuldades e alegrias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ser uma mulher no mercado editorial brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a escrita precoce de Anália, passando pela “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QXopKuvxevY"><span style="font-weight: 400;">escrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">” de Ariane e pelo interno sensível de Julia, até as linhas experientes de Renata, o público pôde acompanhar e integrar uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">discussão pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;">, conduzida de modo impecável por Patrícia. Cheias de histórias para contar, elas jogaram luz sobre assuntos como as dificuldades financeiras e de financiamento; a diversidade de gêneros literários e a presença em cenários artísticos diferentes; a formação e educação como autora; e a singularidade da poesia.</span></p>
<figure id="attachment_28921" aria-describedby="caption-attachment-28921" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28921 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28921" class="wp-caption-text">Anália Souza demorou pouco mais de 1 ano para finalizar A Força; Duas Mortes, coletânea de poemas de Julia Bac, é uma escavação sobre o luto (Foto: Drago Editorial e Editora 7Letras/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jovem, </span><a href="http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2018/05/em-entrevista-analia-souza-apresenta-o.html"><span style="font-weight: 400;">Anália Souza</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreveu o seu primeiro livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Força</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Drago Editorial</span></i><span style="font-weight: 400;">), aos 13 anos. Com um tom refrescante, ela pontuou as características da nova geração com o relato de que as </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;">, narrativas ficcionais publicadas por fãs de artistas, foram o estopim da sua carreira. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eKvA5abuWwE"><span style="font-weight: 400;">Ariane Souza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">atriz que pariu a poeta</span></i><span style="font-weight: 400;">”, tem uma trajetória marcada pela bagagem racial e educacional, que se faz presente na vasta maioria de suas obras. Extremamente talentosa, ela conquistou aplausos com a performance de um trecho de uma cena autoral. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://papelpele.com/author/juliabaccc/"><span style="font-weight: 400;">Julia Bac</span></a><span style="font-weight: 400;">, com toda a sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lGqAkyzmfc"><span style="font-weight: 400;">subjetividade tocante</span></a><span style="font-weight: 400;">, emocionou os presentes com a descrição do processo criativo da coletânea de poesias </span><i><span style="font-weight: 400;">Duas Mortes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">7Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">). Atravessada pelo processo de luto e isolamento pandêmico, a leitura de alguns </span><a href="https://webstories.quatrocincoum.com.br/juliana-valverde-indica-um-poema-de-julia-bac/"><span style="font-weight: 400;">versos</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi o suficiente para se fazer entender seu cuidado com as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_28922" aria-describedby="caption-attachment-28922" style="width: 851px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28922 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2.jpg" alt="" width="851" height="696" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2.jpg 851w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2-800x654.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2-768x628.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28922" class="wp-caption-text">“A escrita e a Literatura como apreciação estética podem ser um caminho de superação”, diz Patrícia Lima (Foto: Mireveja)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já para </span><a href="https://www.jcnet.com.br/noticias/cultura/2016/12/487773-renata-machado-lanca-hoje-seu-terceiro-livro.html"><span style="font-weight: 400;">Renata Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, a descontração foi a melhor forma de compartilhar os seus conhecimentos adquiridos por uma caminhada de sucesso. Principal fonte de apoio aos discursos das demais palestrantes, a escritora de carreira mais extensa entre as cinco presentes foi a peça fundamental para o entendimento da dificuldade em tornar a Literatura uma fonte de renda fixa em um Brasil historicamente machista. Ela também sublinhou o papel fundamental dos editais, meio pelo qual realizou sua peça infantil </span><i><span style="font-weight: 400;">O menino minguado, filho da Lua Cheia</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedora do prêmio Oswald de Andrade de Dramaturgia em 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mediação de </span><a href="https://medium.com/revistahelenas/entrevista-patr%C3%ADcia-lima-conta-sobre-o-lan%C3%A7amento-do-livro-o-amor-%C3%A9-um-solo-de-jazz-h9-e326efd2acd1"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu levantar tópicos significativos que guiaram a roda de conversa. Ela foi a organizadora da antologia </span><a href="https://www.editoramireveja.com/product-page/ovazio"><i><span style="font-weight: 400;">O vazio não está nem quando é silêncio &#8211; Vozes femininas na literatura</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Mireveja</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2020</span><span style="font-weight: 400;">), que conta com textos de Anália e Renata, e, atualmente, coordena o grupo de leitura bauruense “</span><a href="https://instagram.com/cevadasliterarias?igshid=YmMyMTA2M2Y="><span style="font-weight: 400;">Cevadas Literárias</span></a><span style="font-weight: 400;">”. O </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> também tem o seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não pôde deixar de perguntar sobre a relevância dessa cultura, a qual a mediadora concordou ser uma maneira única e imprescindível de incentivo à leitura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserida em um contexto de nítida tentativa de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/jair-bolsonaro-engana-ao-discutir-cultura-mario-frias-aldir-blanc-e-paulo-gustavo.shtml"><span style="font-weight: 400;">desmonte da Cultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos donos do poder, a iniciativa promovida pela Biblioteca e pelo CAC amplificou as vozes femininas da Literatura local. A roda de conversa </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Literatudo</span></i><i><span style="font-weight: 400;">: a experiência da escrita como inspiração para a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, realizada dentro de uma </span><a href="https://www.instagram.com/p/CjQy5Ivg-Qz/"><span style="font-weight: 400;">universidade pública</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrou que a discussão acerca do tema é e sempre será indispensável.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/literatudo-reportagem/">Roda de conversa na Unesp Bauru amplifica vozes femininas da Literatura local</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Estante do Persona – Abril de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2022 21:18:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” &#8211; Lygia Fagundes Telles O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de Lygia Fagundes Telles, uma das maiores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Abril de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27522" aria-describedby="caption-attachment-27522" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27522 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg" alt="Arte retangular de cor rosa pastel. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris magenta. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “A estrutura da bolha de sabão”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘abril de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27522" class="wp-caption-text">Em abril, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre os conscientes e inconscientes da antologia de contos A Estrutura da Bolha de Sabão, da eterna Dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” </span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Lygia Fagundes Telles</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das maiores escritoras do país. A autora é considerada uma referência na Literatura pós-</span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e usou as vozes de personagens femininas e suas múltiplas nuances como protagonistas em muitos de seus escritos. Lygia foi a terceira mulher a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras), recebeu o Prêmio Camões em 2005 e chegou a ser a primeira mulher brasileira indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, aos 96 anos de idade. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ciranda-de-pedra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ciranda de Pedra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão no Aquário</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Seminário dos Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos títulos mais conhecidos da escritora, e apesar de sua destreza como romancista, os contos foram o grande destaque de sua carreira. Diante da grandeza de Lygia Fagundes e seu recente falecimento, a atual leitura do Persona não poderia ser diferente. Por isso, o escolhido da vez foi o compilado de contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado pela primeira vez sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1978, o livro junta oito contos narrados por personagens variados, em que a grande brincadeira fica por conta das transições entre realidade e pensamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube discutiram as entrelinhas do texto e tentaram desvendar os encantos por trás do ar enigmático da </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2022/04/11/lygia-fagundes-telles-paixao-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizada pela autora. Entre os comentários, a sutileza ao emparelhar o intrínseco dos personagens e o mundo externo a suas individualidades, os leitores do Persona destacaram a objetividade com a qual Lygia especulava a complexidade humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade de organizar as palavras como charadas condutoras de uma narrativa particularmente imprevisível e aberta a tantas possibilidades também foi um dos destaques da discussão. Além disso, as reflexões sobre o fator que unia tantas histórias diferentes em um produto só deu espaço para os leitores criarem suas próprias teorias. E seja pela tensão que ronda as relações interpessoais e intimistas ou pela certeza dos desenlaces decepcionantes, a conclusão foi que, se Lygia descobriu os segredos da estrutura da bolha de sabão, ela não pretendia deixá-la às claras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política e discussões socioculturais abraçadas pela obra não foram esquecidas, e os retratos de conflitos, preconceitos e desigualdade reafirmaram a imagem de uma autora ousada e sabiamente desafiadora. Ainda, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">resgatou nas memórias as narrativas de Hilda Hilst e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando como mesmo seus pontos em comum se exprimem com uma singularidade incomparável.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura do mês expulsou a temida Lygia dos vestibulares e deu a sua obra um passe para a imortalidade. Nesse cenário tomado por despedidas e eternização, a Literatura não pretende deixar saudade, então fique agora com as indicações dos membros do Clube do Livro para o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> de Abril.</span></p>
<p><span id="more-27520"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27523" aria-describedby="caption-attachment-27523" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27523 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, vemos diversas formas geométricas coloridas, que se sobrepõem. As cores predominantes são verde, rosa, azul, branco e amarelo. Existem quatro flores desenhadas à direita. Abaixo, mais à esquerda, está um retângulo vertical de cor branca. Dentro dele, está escrito Lygia Fagundes Telles, em fonte de cor preta, abaixo está escrito A estrutura da bolha de sabão, em fonte de cor rosa, seguido pela palavra contos, em fonte de cor cinza. Mais abaixo, ainda dentro deste retângulo e de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27523" class="wp-caption-text">Na obra, Lygia Fagundes Telles retrata a vida como algo frágil, fugaz e misterioso, tal qual uma bolha de sabão (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; A Estrutura da Bolha de Sabão (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma coleção de contos da escritora símbolo do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lygia Fagundes Telles. Guiada por um clima de tensão, não há como relaxar durante a leitura que se faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><span style="font-weight: 400;">genialmente desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> a todo o momento. Publicada pela primeira vez em 1978 sob o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra ganhou o nome do seu conto homônimo para o relançamento em 1991. Àquela época, o texto que encerra a seleção já havia se tornado um destaque na carreira de Telles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358556/lygia-fagundes-telles-por-ela-mesma-eu-luto-com-a-palavra.shtml"><span style="font-weight: 400;">dama da literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma romancista realista, quando ela se apropria da persona contista, não falta espaço para o fantasioso. Afinal, nos oito contos, através da sua constante abordagem da consciência humana, a autora aproveitou para usufruir sem medo algum do intenso fluxo de pensamentos das personagens. Para além, a sua característica visão sobre as grandes cidades e os vícios que acarretam a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-escritora-obra-importancia.htm"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu singular e atraente para o leitor, sem esquecer da tradicional sinestesia da cor verde que marcou presença em alguns trechos do livro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não conte a ninguém, mas descobri, a bolha de sabão é o amor.” </span></i><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos deixou no mês de abril e, assim como ela demorou para compreender a existência de um físico que estudava a bolha de sabão, há ainda muito a desvendar sobre uma das autoras mais importantes que o Brasil já teve. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> significa algo, esse algo é a infinitude e a eternidade do poder de suas palavras que causam sentimentos tão fortes quanto o amor.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Estrutura da Bolha de Sabão - Clube do Livro Abril 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3JxIVFMTZ7woZ8YyHSgjVY?si=db615094896a4cf1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27524" aria-describedby="caption-attachment-27524" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27524 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Construção de Mim Mesma. A capa é branca e tem uma borboleta roxa no centro. No topo da imagem, lemos o nome da autora, Letícia Lanz, e abaixo da borboleta está o título do livro: A Construção de Mim Mesma. Abaixo, está o subtítulo, em fonte menor: Uma história de transição de gênero. Abaixo, vemos o logo da editora Objetiva." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27524" class="wp-caption-text">Autora de A Construção de Mim Mesma, Letícia Lanz é psicanalista, palestrante, ativista e foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2020 (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Lanz &#8211; A Construção de Mim Mesma (112 páginas, Objetiva)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes de maior relevância para a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/leticia-lanz-e-o-complexo-mundo-transgenero"><span style="font-weight: 400;">comunidade trans no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Letícia Lanz decide por contar sua própria história no sincero </span><i><span style="font-weight: 400;">A Construção de Mim Mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o subtítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de transição de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de não-ficção transita entre o espaço e o tempo para que Letícia, uma mulher já na terceira idade, se apresente ao mundo da maneira que sempre o fez no individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A honestidade se junta à brevidade da escrita da autora, sempre buscando situar quem lê na mente de alguém que nasceu em estado de discordância do gênero a que foi atribuída no nascimento. Do </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/10/31/transicionei-aos-50-anos-apos-sofrer-um-infarto.htm"><span style="font-weight: 400;">apoio que recebeu da esposa</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a parceria que firmou com diversas amigas da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lanz faz sua rede de apoio se estender para além das páginas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27525" aria-describedby="caption-attachment-27525" style="width: 729px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27525 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg" alt=" Imagem da capa do livro O Escaravelho do Diabo. A arte de capa consiste em um fundo amarelado na parte superior e em um fundo verde a partir do meio da altura do livro. No fundo amarelado na parte superior, está escrito o nome da escritora, Lúcia Machado de Almeida, seguido do título da obra, O Escaravelho do Diabo. Ambos os nomes estão em caixa alta na cor verde. No fundo verde a partir do meio da altura do livro, está um desenho de um besouro de cor vermelha. Na parte inferior do livro, também de fundo verde, estão localizados os logos da Editora Ática em tom amarelado." width="729" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg 729w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-768x1079.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1.jpg 926w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27525" class="wp-caption-text"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/foi-um-risco-diz-diretor-sobre-adaptar-o-escaravelho-do-diabo/">O Escaravelho do Diabo</a> foi adaptado para as telas do Cinema em 2016 (Foto: Editora Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Lúcia Machado de Almeida &#8211; O Escaravelho do Diabo (128 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos meados da década de 70, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Editora Ática</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou no Brasil a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BV_0jlXFWss"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção Vaga-Lume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma série de livros voltada para o público infantojuvenil. Facilmente reconhecidos pelas artes de capa emolduradas, grande parte dos títulos se tornaram clássicos que marcaram gerações. Entre eles, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do DiaboI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da autora mineira </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/biografia-repassa-a-vida-da-escritora-e-mecenas-lucia-machado-de-almeida-1.2465632"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Machado de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi e ainda é um dos principais responsáveis por despertar o interesse pelo suspense policial na literatura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma pequena cidade do interior, a narrativa sobre a sequência de assassinatos de pessoas ruivas e a sua relação com besouros é repleta de mistério. Por se tratar de uma obra de leitura simples e por marcar presença nas estantes de leitura jovem das bibliotecas, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/04/o-escaravelho-do-diabo-veja-10-curiosidades-da-serie-vaga-lume.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sempre entrou em contato com os leitores mais precoces. Por isso, não é exagero admitir que os escritos de Almeida formam e ensinam desde a sua primeira publicação. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27533" aria-describedby="caption-attachment-27533" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27533 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg" alt="Reprodução da capa do livro As coisas de Tobias Carvalho. A capa é de um vermelho escuro e, por apenas um traço fino e preto, se forma um desenho de um rosto. Acima do título, que encontra-se no centro da capa, em letras brancas, encontra-se o nome do autor, escrito também em branco. Abaixo, informa-se que é um livro de contos e sua vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2018. No canto inferior direito, o selo do Grupo Editorial Record." width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27533" class="wp-caption-text">As Coisas, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, tece, em inúmeros fios, as aventuras de homens gays na vivência do desejo e da identidade (Foto: Grupo Editorial Record)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho &#8211; As Coisas (144 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia do porto-alegrense Tobias Carvalho é uma abertura ao universo de encontros e desencontros de seus personagens, homens gays, moradores de Porto Alegre e engajados na negociação de suas afetividades na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em seus contos, Carvalho traz momentos da vida cotidiana enclausurados em texto, levando o leitor até mesmo a se perguntar o que ocorreu realmente ao autor ou o que foi simplesmente uma conversa de bar guardada com um preciosismo digno de um item de colecionador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o que pulsa é a vida desses homens em relação ao mundo exterior que os abraça e hostiliza simultaneamente. Desde uma discussão de relacionamento em mensagens de texto a sucessivas transas mediadas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Grindr </span></i><span style="font-weight: 400;">em um dia de tédio, as experiências gays são contempladas e esmiuçadas como pequenas joias de uma realidade muitas vezes escondida na Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que parece ainda negar as formas que pessoas homossexuais se </span><a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/#:~:text=Mas%20acho%20tamb%C3%A9m%20que%20d%C3%A1%20para%20virar%20a%20p%C3%A1gina%2C%20falar%20sobre%20o%20que%20vem%20a%20partir%20da%C3%AD%2C%20naturalizar%20que%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20homossexuais%20existem%2C%20mas%20estar%20atento%20%C3%A0s%20particularidades%20que%20elas%20trazem."><span style="font-weight: 400;">relacionam fora da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim construindo a mesma e velha estória amparada na descoberta sexual e do jogo sedutor do sigilo. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27527" aria-describedby="caption-attachment-27527" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27527 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg" alt="Capa do livro Cartas de Amor aos Mortos. A capa apresenta um degradê de cima para baixo com as cores preto, azul escuro, tons de azul mais claro, roxo, lilás e coral. Entre as cores aparecem nuvens esbranquiçadas e estrelas de tamanhos variados, representando o céu. O título está centralizado e as palavras “Cartas”, “Amor” e “Mortos” tem fontes maiores em relação às outras. “Mortos” está grafado na cor preta e há uma menina sentada na primeira letra O com os pés apoiados na letra T, ela veste uma camiseta com short jeans e está escrevendo em um caderno. Na porção inferior da capa aparece o nome da autora e a editora, já na porção superior há um pequeno texto com a opinião de Stephen Chbosky sobre o livro." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-768x1178.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1335x2048.jpg 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1200x1840.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27527" class="wp-caption-text">“Ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo” (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ava Dellaira &#8211; Cartas de Amor aos Mortos (344 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartas de Amor aos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o romance de estreia da norte- americana Ava Dellaira. Escrito em narrativa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">epistolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto nos guia pelas palavras de Laurel, uma adolescente desestabilizada lidando com o luto gerado pela misteriosa morte de sua irmã mais velha, May. Tentando se reinventar, a protagonista começa o Ensino Médio em uma escola nova, e em suas aulas de Inglês recebe a curiosa tarefa de escrever uma carta para um morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Motivada pela atividade, Laurel passa a escrever cartas para artistas como Kurt Cobain, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop e </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">. Escrever para os mortos se torna um portal, não um que desvenda os segredos da morte, mas que guarda os da vida. Entre questionamentos sobre a trajetória das celebridades e reflexões geradas pelo seu próprio dia a dia, cada carta revela uma parte do consternante amontoado de angústias residentes na personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto dedica seus monólogos letrados a uma celebridade ou outra, Laurel mostra a verdade, e seus medos, inseguranças, traumas, amores e individualidade ganham espaço nas grafias. Assim, dos dramas às conquistas, a autora entrega uma descrição moldada por palavras tão sinceras e palpáveis que permitem ao leitor a experimentação mais genuína e aflitiva da empatia. Em suma, </span><a href="https://www.meon.com.br/meonjovem/alunos/resenha-cartas-de-amor-aos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Carta de Amor aos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apaixonante ao destrinchar a controversa dor do amor. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27528" aria-describedby="caption-attachment-27528" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27528 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Barba ensopada de sangue. Na imagem, há um fundo vermelho com pequenas manchas em cor branca, simulando fios de barba. À direita, está escrito “Barba ensopada de sangue” em fonte de cor branca. Abaixo, está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor branca, e à esquerda está escrito “Daniel Galera”, também em fonte de cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27528" class="wp-caption-text">Barba ensopada de sangue é o 4º romance de Daniel Galera, e completa 10 anos em Maio de 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (424 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre, </span><a href="https://danielgalera.info/#livros"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um dos fundadores da editora </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37422"><i><span style="font-weight: 400;">Livros do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001-2004) – junto a </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13510"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pellizzari</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guilherme Pilla. Além de escritor de fôlego, é também ensaísta e tradutor literário, tendo vertido para o português obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, Zadie Smith e Chris Ware. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453"><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – seu quarto e premiado romance, que completa 10 anos de lançamento em 2022 –, acompanhamos um protagonista sem nome (por vezes chamado de “nadador”), um professor de Educação Física que, após o suicídio do pai, se muda para Garopaba, cidade litorânea de Santa Catarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse personagem possui uma condição: não é capaz de memorizar faces. Dessa forma, se esquece também de suas próprias feições, percebendo posteriormente que são similares à do seu avô, assassinado no passado, cujas circunstâncias do crime seguem obscurecidas. Ao estilo das obras de </span><a href="https://www.theguardian.com/culture/2022/mar/09/cormac-mccarthy-two-new-novels-coming-in-2022-16-years-after-the-road"><span style="font-weight: 400;">Cormac McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;">, vagamos através da história como espectros, guiados por narrações em terceira pessoa e diálogos reveladores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a observação excessiva sobre pequenos detalhes reafirma a condição do protagonista – única voz que nos apresenta a narrativa –, evidenciando aquilo que ele próprio vê: um emaranhado de acontecimentos cometidos por pessoas sem rosto, lembradas por seus gestos e particularidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é potente ao revelar as diversas situações e condições que se somam para constituir a identidade, além de apontar para uma certa hereditariedade de acontecimentos que sucedem nossas vidas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27529" aria-describedby="caption-attachment-27529" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27529 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg" alt="Capa do livro O Observador no Escritório, de Carlos Drummond de Andrade. A imagem tem fundo branco, que recebe uma fotografia em preto e branco do autor, ocupando a metade inferior da capa. Ele é um homem branco, usa óculos grossos arredondados e um terno escuro. Carlos está sentado à frente de uma mesa, com as mãos repousadas sobre uma máquina de escrever. Ele olha para o lado direito, fora da imagem. Na linha superior, está escrito o nome do livro, em fonte simples e caixa alta, num tom de verde médio. Embaixo do título, está o nome do autor, no mesmo estilo de fonte, porém em preto. No canto inferior direito da capa, existe o logo da editora, também em preto sob o fundo branco." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1336x2048.jpg 1336w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1200x1839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27529" class="wp-caption-text">Reza a lenda que por pouco os diários pessoais de Carlos Drummond de Andrade perderam-se para sempre antes de se transformarem no livro lançado em 1985, sendo um alvo desejado e material quase findado pela tesoura crítica do autor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Drummond de Andrade &#8211; O Observador no Escritório (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que os fantasticamente ordinários contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram manifestos na linguagem crua e radical de Lygia Fagundes Telles, o fundo bruto de realidade da Dama da Literatura brasileira parecia evocar uma aproximação com a capacidade analítica criativa do nosso </span><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fenômeno ainda está em fase de compreensão, mas para compor a mais recente Estante do Persona, não pude deixar de atender ao clamor de Carlos Drummond de Andrade e de sua obra diarista, que ao construir suas observações de mundo com a perspicácia de sempre e um humor refresco, se coloca, de uma forma intrigante e bem específica, mais uma vez ao lado de sua querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">parceira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Observador no Escritório</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a amizade entre </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/11/20/lygia-fagundes-telles-ele-me-estendeu-a-mao/"><span style="font-weight: 400;">Telles e Drummond</span></a><span style="font-weight: 400;"> já detém &#8211; literalmente &#8211; a licença poética necessária para esse tipo de referência. Mas algo especial acontecia quando Carlos encerrava seu hábito de tomar notas pessoais, mantido desde 1943, em setembro de 1977 &#8211; dez anos antes de sua morte e um ano antes do lançamento da referida obra de Lygia. Ela, emergindo suas palavras nas camadas profundas das relações humanas, recorria à ficção. Ele, atento e envolvido em um período de intensas mudanças no país, se encarregava de retratá-lo com sinceridade e riqueza de linguagem. E quando um dos auges da ficcionalização dela se relaciona com o centro da realidade dele, o resultado é um daqueles eventos celestes tão estrondosos quanto misteriosos, que só o universo da Literatura pode conceber. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Estante do Persona – Março de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 20:54:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de acompanhar os relatos cruéis de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela quase onipresente cerimônia do Oscar 2022, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami.  Drive My Car, história que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Março de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27214" aria-describedby="caption-attachment-27214" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27214 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg" alt="Arte retangular de cor azul. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris azul clara. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Homens sem mulheres”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘março de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27214" class="wp-caption-text">Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de acompanhar os relatos cruéis de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=11295"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela</span><span style="font-weight: 400;"> quase onipresente cerimônia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000054&amp;idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=CjwKCAjwxZqSBhAHEiwASr9n9EqgivsOaPJOZ_csJXaR_UjfKoyAflZW94_2a2GB0705MDBeId3RjxoC6P8QAvD_BwE"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor japonês </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=04582"><span style="font-weight: 400;">Haruki Murakami</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, história que abre </span><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretor</span> <a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após suas quatro indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcI7gdFCneI"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/drive-my-car-mubi/"><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">gênero feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus contos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/abdulrazak-gurnah-em-sobrevidas-destaca-o-humano-ante-o-colonial.shtml">Abdulrazak Gurnah</a>. Ao final do mês, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=15166"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira obra lançada no Brasil do </span><span style="font-weight: 400;">tanzaniano vencedor do Prêmio </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427?s=20&amp;t=KZE62G37TTracihogYd89w"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021. A publicação dá início a uma série de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/10/companhia-das-letras-publicara-obras-de-abdulrazak-gurnah-vencedor-do-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">quatro lançamentos do autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Paradise </span></i><span style="font-weight: 400;">(finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">By the Sea </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desertion</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85142"><i><span style="font-weight: 400;">Contos de Odessa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do ucraniano </span><a href="https://homoliteratus.com/isaac-babel-e-os-contos-sobre-guerra-de-um-escritor-que-morreu-fuzilado/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Bábel</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou a ser vendido no </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, as quais se pode ler no carro, deitado, no </span><i><span style="font-weight: 400;">smartphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como bem entender.</span></p>
<p><span id="more-27197"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27198" aria-describedby="caption-attachment-27198" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27198 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg" alt="Capa do livro Homens sem mulheres, de Haruki Murakami. A imagem mostra um fundo preto, no qual estão espalhadas no lado esquerdo e na parte superior círculos nas cores preto, branco e rosa. Há uma faixa de cor rosa pouco acima do centro e dentro dela está escrito Haruki Murakami em fonte de cor preta, e Homens sem mulheres, em fonte de cor branca. No lado esquerdo ao nome do autor está o símbolo da editora Alfaguara, em fonte de cor preta." width="710" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-657x1024.jpg 657w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27198" class="wp-caption-text">Composta por sete contos ligados pela ideia de relacionamentos entre homens e mulheres, a obra é marcada por seu lirismo, e foi adaptada para o Cinema no longa Drive My Car (Foto: Alfaguara/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Haruki Murakami &#8211; Homens sem mulheres (240 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2014, </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do japonês Haruki Murakami, tem seu título inspirado em um conto de Ernest Hemingway, e é composto por sete narrativas que mesclam elementos oníricos e melancólicos, sempre deixando em aberto a dimensão sentimental dos personagens. A coletânea se abre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, conto que inspirou o laureado filme homônimo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e conta a história de um ator e diretor de teatro que contrata uma mulher para dirigir seu carro. Esse mesmo personagem está adaptando </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85171"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Tchékhov, em uma peça, e as questões levantadas ao longo da história – por que ele não dirige? O que aconteceu com a sua esposa? – são respondidas de forma lenta, como uma uma viagem tranquila de carro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></i><span style="font-weight: 400;">, Murakami narra uma história com evidentes referências ao </span><a href="https://www.amazon.com.br/Livro-das-Mil-Uma-Noites/dp/8525065048/ref=asc_df_8525065048/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379725131710&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=15352725735199102908&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001726&amp;hvtargid=pla-395749133279&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Livro das</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mil e uma noites</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas a subverte e transpõe seu ar fantástico na banal vida cotidiana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mais longo conto da coletânea, tem semelhanças com outras de suas obras – principalmente </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/kafka-a-beiramar/2658"><i><span style="font-weight: 400;">Kafka à beira-mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) –, e retrata um episódio no qual o protagonista homônimo encontra sua esposa dormindo com o melhor amigo. Depois desse evento, abandona sua vida pregressa e decide abrir um bar; no entanto, os clientes estranhos que passam a frequentar o lugar forçam com que Kino desobedeça as regras estabelecidas por ele próprio, e sua jornada solitária de reclusão se transforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto que dá título ao livro fecha a coletânea, e tem seu início com um telefonema, no qual o homem que a recebe ouve de outro indivíduo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mulher dele</span></i><span style="font-weight: 400;">” se suicidou, e por esse motivo entrou em contato para informá-lo. A mulher em questão era sua amante, e o homem que ligou era o real marido da mulher. A partir desse momento, o protagonista começa a rememorar como a conheceu. O mais interessante é a forma como todos os contos do livro se interligam pelo <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/solidao-vida-murakami-marcia-namekata/">sentimento de solidão</a>, transposto inclusive na forma lenta de narrar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“U</span></i><i><span style="font-weight: 400;">m dia, de repente, você vai ser um dos homens sem mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Homens sem mulheres - Clube do Livro Março 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qlc7qve6o3isuH8Wjx7pE?si=9ea4e483b2c146bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_27199" aria-describedby="caption-attachment-27199" style="width: 791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27199 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg" alt="Capa do livro Me Chame Pelo Seu Nome. A capa mostra desenhos abstratos e coloridos, em laranja, verde, azul e marrom. No topo esquerdo da capa, vemos o nome do autor escrito em fonte branca. Na parte inferior direita, vemos o nome do livro, na mesma tipografia e cor." width="791" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-618x800.jpg 618w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-768x994.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1186x1536.jpg 1186w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1200x1554.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1.jpg 1275w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27199" class="wp-caption-text">O livro foi adaptado para as telas em 2017 e o texto de James Ivory venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado do ano seguinte (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>André Aciman &#8211; Me Chame Pelo Seu Nome (288 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Itália fumegante em clima e desejo, o jovem Elio é encantado por Oliver, um estudante que vem passar as férias na casa de sua família. O homem será instruído pelo pai do jovem, um acadêmico de renome que, sazonalmente, recebe novas mentes para auxiliá-lo com os livros e sua pesquisa. De supetão, o franzino e contemplativo adolescente acaba se entregando a uma </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/a-plenitude-do-amor-sem-termino-em-me-chame-pelo-seu-nome"><span style="font-weight: 400;">troca intensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o recém-chegado, que chega para chacoalhar sua visão de mundo e seus sentimentos em efervescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras do egípcio André Aciman, ficamos tão enamorados e em transe quanto os protagonistas dessa combustão de verão. A </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem em seu miolo o envolvimento de Luca Guadagnino, Timothée Chalamet e Armie Hammer, resgata o máximo que consegue da obra, mas quem se aventura pelas menos de trezentas páginas, embrenhadas em luxúria, encontra uma visão pouco esmiuçada do que significa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/02/me-chame-pelo-seu-nome-deixa-leitor-entregue-a-melancolia-difusa.shtml"><span style="font-weight: 400;">o ato de estar apaixonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, de se ver entregue de corpo, alma e pêssego. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27201" aria-describedby="caption-attachment-27201" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. A capa mostra o título do livro numa grafia estilizada, em fonte branca, em caixa alta, com arabescos, sob um fundo azul claro. Ao redor, existem ilustrações de teclas de piano, pincéis de pintura, notas musicais, folhas de livros, chapéus, luvas e flores, todas coloridas. Na linha inferior da imagem, existe uma faixa preta, onde está escrito, em fonte amarela e em caixa alta, “Louisa May Alcott”. Embaixo disso, está escrito o nome do livro, em branco e com apenas a inicial maiúscula. Em cima da faixa preta, existe uma faixa branca, onde está escrito, em preto, “Penguin Companhia”, e existe um desenho de pinguim colorido ao centro. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-996x1536.jpg 996w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1328x2048.jpg 1328w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1200x1851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27201" class="wp-caption-text">Se o tema é obra literária adaptada para o Cinema, Little Women não pode ficar de fora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa May Alcott &#8211; Mulherzinhas  (592 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1868, Louisa May Alcott lançou uma das obras </span><a href="https://observador.pt/2020/01/29/mulherzinhas-o-sucesso-literario-de-louisa-may-alcott-foi-o-que-a-autora-menos-gostou-de-escrever/"><span style="font-weight: 400;">mais influentes e queridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história da Literatura mundial, com uma roupagem que pressupunha exatamente o contrário para o contexto da época: um romance escrito por uma mulher, apresentando uma narrativa sobre mulheres, e intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em inglês). Para superar as expectativas e preconceitos, o livro mergulha no carisma de Meg, Jo, Beth e Amy, </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/31/adoraveis-mulheres-greta-gerwig-critica/"><span style="font-weight: 400;">as irmãs March</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas vivem, cada uma à sua própria maneira, entre os delicados anos de 1861 e 1865, marcados pela Guerra Civil Americana, que requisitou a presença de seu pai, precisando, assim, equilibrar as responsabilidades junto da mãe, Marmee, para manter a família e a casa em ordem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário caoticamente familiar é o lugar que Alcott encontra para provocar reflexões sobre os padrões sociais que interferem na vida e liberdade das mulheres. Assim, através da observação de Meg, a obstinação de Jo, a mansidão de Beth e confiança de Amy, a autora desenhou &#8211; com contornos autobiográficos &#8211; uma </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/21/mulherzinhas-resenha-louisa-may-alcott/"><span style="font-weight: 400;">analogia atemporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vastidão feminina em eterno conflito com o mundo que tenta domá-la. De tão rica, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> transcende a manifestação artística em que nasceu, destacando, entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152669/"><span style="font-weight: 400;">diversas adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mais variadas naturezas, o filme de Gillian Armstrong (</span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1994) e, mais recentemente e principalmente, o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> (mesmo título, de 2019), que foi indicado a seis</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2020, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27202" aria-describedby="caption-attachment-27202" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pequenas Epifanias. Arte digital retangular. Na parte superior, vemos um céu azul-claro com uma nuvem branca. Próximo da nuvem, lemos Pequenas Epifanias em letras brancas. Na parte inferior, vemos um fundo branco e a mão direita de uma pessoa branca. O dedo indicador está levantado e, sobre ele, há uma borboleta azul e preta. Na linha que divide as partes superior e inferior da capa, lemos Caio Fernando Abreu. Caio e Abreu estão em letras pretas, enquanto Fernando está em letras brancas. No canto inferior esquerdo da capa, vemos o símbolo da editora Nova Fronteira. Ele é formado por um triângulo, um retângulo e as palavras Editora Nova Fronteira. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-768x1184.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-997x1536.jpg 997w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1329x2048.jpg 1329w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1200x1849.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1.jpg 1661w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27202" class="wp-caption-text">Embora Pequenas Epifanias não seja o melhor exemplo, a Literatura de Caio Fernando Abreu estabelece vários paralelos com a Sétima Arte (Foto: Nova Fronteira)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Pequenas Epifanias (240 páginas, Nova Fronteira)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma seleção de crônicas publicadas pelo escritor Caio Fernando Abreu entre as décadas de 1980 e 1990, nos jornais </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero Hora</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afastando-se, no entanto, das coletâneas literárias mais convencionais, a primeira edição desse livro só foi desenvolvida em 1996, poucos meses após a morte do excepcional contista brasileiro. Mais do que uma publicação póstuma, a obra em questão é a escolha perfeita para quem quer ter um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9kpSkfcUL3Y"><span style="font-weight: 400;">primeiro contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os textos de Caio, já que ela compila elementos muito agradáveis aos mais diversos tipos de amantes dos livros, tais como a proximidade com o leitor, um constante tom de confissão, pessoalidade e subjetividade intensas, além de uma perceptível diversidade temática. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, a Literatura de Caio F. não é homogênea e, exatamente por causa disso, ela não assume um tom único, fugindo com maestria da mesmice. Em sintonia com essa constatação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue captar muito bem </span><a href="https://www.nonada.com.br/2015/02/pequenas-epifanias-caio-fernando-abreu/"><span style="font-weight: 400;">as nuances</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma escrita intensa, devota, artisticamente honesta, precisamente lapidada e, às vezes, até mesmo provocativa. Não é de se espantar, portanto, que algumas das crônicas presentes neste livro se aproximem demasiadamente daquilo que, por convenção, conhecemos como conto. Afinal, mesmo estampando páginas de jornais, Abreu pertencia de fato às artes literárias &#8211; e as minúcias do cotidiano nunca mais serão as mesmas para quem se apaixonar por essa figura artística tão encantadora. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_27206" aria-describedby="caption-attachment-27206" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27206 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro O Silêncio dos Inocentes. A lateral esquerda é amarela. Ao centro vemos a silhueta de uma cabeça de caveira com asas de mariposa na cor marrom. Atrás há formas irregulares e de simetria horizontal nas cores amarelo e marrom. Abaixo do meio há uma faixa amarela e nela lê-se em preto “O SILÊNCIO DOS INOCENTES”. Abaixo lê-se em branco “THOMAS HARRIS”. À direita vê-se em preto a logo da editora Record. O fundo é branco." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1034x1536.jpg 1034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1379x2048.jpg 1379w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1200x1782.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1.jpg 1724w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27206" class="wp-caption-text">Apesar de pertencer a uma trilogia, Silêncio dos Inocentes pode ser lido separadamente (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Thomas Harris &#8211; O Silêncio dos Inocentes (318 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos são os filmes que se consagraram </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/02/24/veja-os-recordes-e-curiosidades-do-oscar.htm#:~:text=1%20%2D%20Apenas%20tr%C3%AAs%20filmes%20at%C3%A9,Sil%C3%AAncio%20dos%20Inocentes%20(1991)."><i><span style="font-weight: 400;">Big Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na cerimônia de premiação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais incomum ainda é uma produção de Terror sair com a estatueta do maior prêmio da noite. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu o duplo feito se baseando na obra homônima de Thomas Harris. O livro de 1988 é o segundo na trilogia protagonizada por Lecter e responsável por introduzir a ávida Clarice Starling, uma das melhores alunas da turma do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Explorando o processo de investigação e suas burocracias, a leitura fluida é um auxílio para entender toda glorificação da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de seu antecessor, </span><a href="http://livrosemserie.com.br/2012/08/22/resenha-dragao-vermelho-de-thomas-harris/"><i><span style="font-weight: 400;">Dragão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foca menos na mentalidade doentia de seu assassino e mais na sádica perspicácia de Hannibal e em sua relação com Clarice. Ela, por sua vez, é peça chave para os momentos de maior deleite de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;">. A construção da personagem abarca o machismo e o sexismo da área pericial e toda força de Starling no desafio de se encontrar com Lecter, mesmo que para isso precise passar pelos imundos corredores da cadeia, causando as cenas de maior desconforto no leitor. A maior responsabilidade de Harris nessa publicação foi esclarecer que Buffalo Bill não é um personagem transsexual, livrando o produto de um beco de problemáticas, principalmente pela época na qual foi escrita. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27207" aria-describedby="caption-attachment-27207" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27207 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Coração tão branco, de Javier Marías. Na imagem, há na parte inferior esquerda o desenho de um sutiã de cor branca, em um fundo de cor roxa. No lado direito, há, em um fundo de cor laranja, os escritos Coração tão branco, em fonte de cor branca. Abaixo desse título está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor preta. Na parte superior está escrito Javier Marías, em fonte de cor roxa em um fundo de cor rosa. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1.jpg 1476w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27207" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Corazón tan blanco é uma das obras fundamentais na carreira do espanhol Javier Marías (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Javier Marías &#8211; Coração tão branco (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência de eventos que compõem nossas vidas e se sucedem ao longo dos dias parece ser uma causalidade esquisita. Essa é uma das obsessões de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/06/eps/1504730535_504329.html"><span style="font-weight: 400;">Javier Marías</span></a><span style="font-weight: 400;">, que de alguma forma suspeita não existirem causalidades, pois tudo depende de nossa forma arbitrária de recortar o presente e transformá-lo em alguma mensagem oculta. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80083"><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992), o escritor espanhol traça uma história através do fluxo da consciência de seu protagonista, Juan, um tradutor e intérprete que, desde o dia de seu casamento, começa a sentir </span><i><span style="font-weight: 400;">“pressentimentos de desastre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> – sem ter conhecimento que essa sensação é um tipo infortúnio de herança –, agravados durante a viagem de núpcias com Luisa, em Havana. Até então, ele ainda não sabia que sua tia, Teresa, havia se suicidado assim que regressou de sua própria lua de mel (o suicídio é, literalmente, a abertura do romance).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que chama atenção na obra é a maneira a qual Marías reproduz as incertezas dos segredos, os mesmos que, apesar de longínquos, guardam reações explosivas quando revelados. Cada personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;"> reage de forma diferente às confissões descobertas, e o mote das histórias fica evidente desde o início: o título é uma referência a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Shakespeare, e é proferido na obra clássica quando Lady Macbeth apunhala o já morto rei Duncan – para dividir o peso do assassinato –, mas se envergonha por agora possuir um “</span><i><span style="font-weight: 400;">coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A forma envolvente que Javier Marías desenvolve a história vale todo o esforço de leitura; ao terminar o livro, é muito difícil esquecer todas as revelações que nos foram confiadas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 20:53:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Quem é que quer flores depois de morto?” &#8211; J.D. Salinger Começando 2022 com o pé direito, a primeira leitura do nosso Clube do Livro se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em Pessoas normais. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26035" aria-describedby="caption-attachment-26035" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg" alt="Arte retangular de fundo lilás. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante'. na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “pessoas normais”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco 'janeiro de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26035" class="wp-caption-text">O Estante de Persona abre 2022 ao lado de Sally Rooney e sua dupla de Pessoas normais (Foto: Reprodução/Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Quem é que quer flores depois de morto?”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; J.D. Salinger</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando 2022 com o pé direito, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">primeira leitura do nosso Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em</span> <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14654"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos escritos, a obra ganhou uma adaptação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x1JQuWxt3cE"><span style="font-weight: 400;">formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alavancando a carreira de suas estrelas Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muito acontecendo no mundo literário nesse começo de ciclo, o Clube do Livro do Persona discutiu as similaridades e as normalidades do livro com o mundo real. Encontrando poesia na ordinariedade que Roony imprime em seus personagens, relacionáveis à maioria dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wywjnr8vQ8U"><span style="font-weight: 400;">jovens adultos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que saíram da escola bambeando e chegaram à universidade perdidos da cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela visão de Marianne e Connell, nossa leitura foi guiada, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1u8rIx65QgA"><span style="font-weight: 400;">corações pulsantes doloridos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma porção de opiniões contundentes sobre a conduta dos protagonistas. O resultado dessa experiência você encontra abaixo, com breves comentários sobre o Livro do Mês (que, assim como nossa citação de abertura, bebe da fonte criativa de J.D. Salinger), além das imperdíveis Dicas do Mês, remexendo os cantos da Literatura e chegando com tudo, para quem procura turbinar a meta de leitura para o ano que chegou. </span></p>
<p><span id="more-26009"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_26016" aria-describedby="caption-attachment-26016" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26016 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Pessoas normais, da autora Sally Rooney. A capa é verde, tem o desenho de duas pessoas deitadas abraçadas dentro de uma lata de sardinha aberta. No topo da capa, lemos em preto: &quot;O fenômeno literário da década&quot; - The Guardian. Abaixo disso, em fonte branca e grande, lemos PESSOAS NORMAIS, e abaixo da imagem da lata de sardinha, lemos SALLY ROONEY." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 por aqui, a tradução para o português ficou a cargo de Débora Landsberg (Foto: Companhias das Letras)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Pessoas normais (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que uma história de amor que ultrapassa espaço e tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se dobra a </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">qualquer limitação que o destino possa vir a causar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando conhecemos Connell e Marianne, eles são estudantes do Ensino Médio, deslocados, cada um à sua maneira. Lá, era o garoto quem tomava a dianteira, fazendo a jovem de gato e sapato. Quando crescem e se aventuram pela faculdade, é Marianne o sujeito mandante do relacionamento, mesmo que ela insista em negar essa posição de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, por vezes sutil, por vezes desbocada, Sally Rooney navega entre conversas mortas, sentimentos afogados e uma série de pequenos eventos que, em efeito dominó, não dão paz aos namorados imperfeitos da trama. Com </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey</span></i><span style="font-weight: 400;"> de J.D. Salinger, a autora irlandesa não se preocupa em preencher lacunas temporais, dando forma a suas pessoas ordinárias nesse exato </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/sally-rooney-do-fenomeno-normal-people-nao-quer-ser-so-mais-uma-millennial-chata.shtml"><span style="font-weight: 400;">lugar de mundanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Connell e Marianne são identificáveis pois são avulsos, previsíveis, nada centrados e terrivelmente normais, como qualquer leitor que se sinta na mesma posição deles. Às vezes, a </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/08/17/sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revela a morada mais agradável de todas. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Pessoas normais - Clube do Livro Janeiro de 2022" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=6531dedc09b8457a&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_26010" aria-describedby="caption-attachment-26010" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26010 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bartleby e companhia, do escritor Enrique Vila-Matas. Na imagem, há bem ao centro a fotografia de um enorme livro aberto, com as folhas do lado esquerdo dobradas de forma volumosa, pois são milhares de páginas. Ao fundo do local onde está esse livro aberto há um fundo branco. Fora do pequeno quadrado branco que está a fotografia do livro, está, na parte superior, escrito Bartleby e companhia em fonte de cor preta. Na parte direita, está escrito Companhia das Letras. Na parte inferior, abaixo da fotografia do livro, está escrito Enrique Vila-Matas em fonte de cor preta. Com exceção do quadrado central onde está a fotografia do livro aberto, todo o fundo é composto pela cor vermelha." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26010" class="wp-caption-text">Com tradução de Josely Vianna Baptista e Maria Carolina de Araújo, Bartleby e companhia é uma explosão de originalidade, guiada pelo espanhol Enrique Vila-Matas (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enrique Vila-Matas &#8211; Bartleby e companhia (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance? Coletânea de contos? Texto jornalístico? Ensaios? Crítica literária? </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14384"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não segue nenhum gênero ou caminho absoluto, mas mistura todos eles. Borrando a linha que separa ficção de não-ficção, o escritor espanhol </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Enrique Vila-Matas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma obra única, na qual a literatura torna-se personagem através de um mosaico de obras e autores, esboçados e analisados quase sempre de forma irônica. Lançado em 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby y compañía </span></i><span style="font-weight: 400;">(no título original) é dividido por 86 capítulos curtos – mais uma pequena introdução não numerada –, e parte da premissa de ser um livro do &#8216;não&#8217;. Vila-Matas escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós conhecemos os bartlebys, seres em que habita uma profunda negação do mundo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é uma referência direta a outro Bartleby – </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/bartleby-o-escrivao-herman-melville/"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby, o escrivão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Herman Melville –, cuja fama consiste justamente em sua negação da vida, sendo um exímio personagem do &#8216;não&#8217;. Desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porém, o narrador-protagonista de Vila-Matas nega a escrita (de forma paradoxal, opõe-se contra ela escrevendo), criando um catálogo de escritores que optaram pelo silêncio – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/literatura-se-faz-ao-andar"><span style="font-weight: 400;">Robert Walser</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-israelense/as-vidas-paralelas-de-kafka"><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros –, e tem como intuito escrever um diário, composto por diversas notas de rodapé, que serão a estrutura do livro, embora possamos classificá-las como capítulos. É interessante vislumbrar na narrativa de Vila-Matas esse mosaico perfeito, no qual a compreensão se dá mesmo que os inícios dessas notas (ou capítulos) sejam continuações de um texto inexistente, imaginário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia fina do autor mistura-se, também, com a graça de alguns contos do argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> – personalidade que não escapa dos pastiches literários do escritor espanhol –, e não perde em nada no quesito imaginação e desenvoltura no jogo literário. A bem da verdade, Enrique Vila-Matas é um dos melhores autores contemporâneos quando se trata de jogo com a literatura, captando como ninguém a crise pós-moderna em que se supõe que não existem mais ideias originais; por esta razão, o livro é repleto de referências. Trazida ao Brasil através da finada editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Cosac &amp; Naify</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de Enrique Vila-Matas está atualmente sendo reeditada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reeditado no começo de 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26011" aria-describedby="caption-attachment-26011" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26011 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg" alt="Capa do livro Um Teto Todo Seu. O fundo da capa é uma parede rosa e, na parte debaixo, o batente branco e o chão de uma sala. Na parte superior central da capa, vemos uma linha com as palavras “Virginia Woolf” em branco e “Um teto todo seu” em preto. Logo abaixo, no centro, vemos um espelho com moldura branca de flores e um abajur com a luminária decorada em estampas marrons, laranjas e brancas. Abaixo, do lado esquerdo, vemos uma mesa de cabeceira de madeira clara, com um relógio, um vaso com flores rosadas, um caderno preto e uma xícara branca e laranja apoiadas nele. As palavras “Posfácio”, em preto, e “Noemi Jaffe”, em branco, estão dispostas logo acima dele. Ao centro da capa, vemos uma poltrona de madeira escura, com o assento laranja claro e uma almofada listrada marrom, laranja e branca. Do lado direito, vemos o cabo do abajur, de madeira clara. No chão, vemos um tapete marrom escuro cobrindo todo o piso e duas almofadas estampadas jogadas no chão, ao pé da poltrona. No canto inferior direito, vemos a palavra “TORDESILHAS” em uma letra estilizada em branco, escrita na vertical." width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1062x1536.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1200x1736.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26011" class="wp-caption-text">“Eu me arriscaria a supor que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem assiná-los, foi muitas vezes uma mulher” (Foto: Tordesilhas)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Um teto todo seu (192 páginas, Tordesilhas)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos trabalhos mais reconhecidos de Virginia Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu </span></i><span style="font-weight: 400;">vira e mexe ganha novas edições. O livro foi publicado em 1929 e, quase um século depois, se mantém </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atemporal nas reflexões acerca das condições sociais da mulher e sua influência na Literatura, levantadas pela autora sob um alter-ego ficcional. A obra se baseia em palestras de Woolf em faculdades na Inglaterra. No formato de um ensaio, e como se discursasse para uma plateia, a personagem Mary se questiona sobre qual o lugar ocupado pela mulher, sua situação e qual o contexto para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a maestria de sempre, Virginia Woolf </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">não se prende</span></a><span style="font-weight: 400;"> a uma só linha de pensamento, e seu fluxo engaja o leitor nas mais diversas situações. Ela nos conduz à época de Shakespeare, para se questionar o porquê da hipotética irmã do dramaturgo, tão talentosa quanto ele, não ter feito o mesmo sucesso; para as universidades e núcleos em comum dos escritores, em que as autoras são a minoria e vistas como uma anomalia; e até dentro de casa, para lembrar do motivo pelo qual elas já começam em </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/disparidade-no-reconhecimento-das-mulheres-no-meio-editorial/"><span style="font-weight: 400;">desvantagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, em primeiro lugar. A resposta? Elas necessitam de um teto todo seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com foco na Literatura de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a condição social a qual as mulheres são renegadas, o de tarefas domésticas, submissão e falta de controle sobre a própria produção, que as impõe limitações &#8211; ou de escrever, ou de publicar, ou de serem reconhecidas por seus trabalhos. Fato é: não se trata das autoras produzirem menos porque não têm capacidade, mas sim porque estão incumbidas de outras obrigações, forçadas a elas. Como a famosa citação de </span><a href="https://www.rafaellarique.com.br/virginia-woolf-a-escritora-que-revolucionou-a-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> ecoa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><b>&#8211; </b><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26012" aria-describedby="caption-attachment-26012" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26012 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Conversas entre amigos. A capa é cor verde-água e mostra o desenho de duas mulheres brancas de costas, fumando. A primeira tem cabelos compridos escuros e soltos, está de costas, usa uma blusa bege e segura um cigarro aceso na mão esquerda. A outra está de costas, mas com a cabeça virada para a esquerda, tem cabelos presos em um rabo de cavalo e usa óculos escuros, também segurando um cigarro. Ao topo da imagem lemos uma frase em branco, com a assinatura do The Sunday Times em preto. Ao centro, lemos em branco Conversas entre amigos, e em preto Sally Rooney. No meio e na extremidade esquerda, está o selo da editora Alfaguara, em branco." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1200x1872.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26012" class="wp-caption-text">Publicado no Brasil em 2017 pela Alfaguara, o primeiro livro de Sally Rooney também foi traduzido por Débora Landsberg (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Conversas entre amigos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando decide escrever fazendo uso da primeira pessoa, a irlandesa dona do livro do mês de janeiro revela as vísceras de sua Literatura. Em </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, Rooney investiga as fervorosas relações de Frances e Bobby, duas adultas de 21 anos que namoraram no passado, mas hoje são boas e melhores amigas. Entre as rotinas de estudos e da vida social, a dupla vai de encontro a um casal mais velho, e faíscas surgem. A mão de Rooney, de forma sagaz, guia seu leitor, adentrando temas de traição e paixão, mas sem sentenciar seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Bobby cultiva uma relação de admiração e fascínio por Melissa, Frances se encanta por Nick, um ator de trinta anos que acaba dando bola para ela. A partir dessa premissa, Sally Rooney nos mostra que </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/12/01/conversas-entre-amigos-sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, não importa o que seja. No meio termo entre o sagaz e o virtuoso, o livro pode não alcançar o patamar de honestidade dos outros romances da autora, mas em meio aos amores, temores e desejos ele detém charme o suficiente. Em breve, chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/tv/series/conversas-entre-amigos-adaptacao-do-romance-de-sally-rooney-ganha-primeiro-trailer-cheio-de-cenas-quentes-assista/"><span style="font-weight: 400;">adaptação em formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, com Jemima Kirke e Joe Alwyn no elenco.  </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26013" aria-describedby="caption-attachment-26013" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26013 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo sobre o amor, de bell hooks. A imagem tem fundo laranja-avermelhado vibrante e o nome da autora aparece em letras garrafais grandes e roxas, preenchendo os primeiros dois terços da capa, de um extremo ao outro, levemente inclinado na diagonal. Na linha inferior, está o nome do livro, na mesma estilização anterior, mas com a fonte um pouco menor e colorido em amarelo claro. Embaixo do título do livro, na mesma estilização porém em tamanho ainda menor, está escrito “novas perspectivas”, em branco." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-768x1173.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-1006x1536.jpg 1006w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26013" class="wp-caption-text">“No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.” (Foto: Editora Elefante)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Tudo sobre o amor (272 páginas, Elefante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, se Connell e Marianne pudessem ter acesso aos estudos de bell hooks sobre o amor… A história de </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria bem diferente e o trabalho de Sally Rooney teria outro rumo. No lançamento brasileiro mais recente da autora, que há pouco descansou de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">vasta e revolucionária colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o entendimento do nosso mundo, o tema mais amplo da humanidade é analisado sobre cada um de seus aspectos principais, através do olhar crítico e sábio da pessoa mais qualificada para o fazê-lo. Longe de se restringir ao amor como manifestação meramente romântica, idealizada ou sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende a vastidão de seu tema de forma revolucionária &#8211; assim como tudo o que </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 13 capítulos, a estudiosa transcende qualquer leitura já realizada sobre o amor, palavra que remete a algo tão subjetivo e sempre está presente na experiência humana, respeitando a sua complexidade mas tratando-o de forma prática &#8211; que em momento algum deixa de ser profunda. É difícil explicar uma leitura dessa magnitude, cujo tema se desdobra ainda em mais dois livros, que juntos, formam a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/14/bell-hooks-amor-e-coletivo-politico-e-etica-de-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Formação obrigatória para todo e qualquer ser humano que se relaciona com outros seres humanos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-Bell-Hooks/dp/6587235247/ref=asc_df_6587235247/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=430976266970&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=11509159530272386220&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1031984&amp;hvtargid=pla-1182608021006&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores joias que bell hooks nos deixou. E assim como ela defende o entendimento do </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/para-abrir-o-coracao"><span style="font-weight: 400;">amor como ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro é mais uma de suas formas de transformar o mundo em que vivemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26014" aria-describedby="caption-attachment-26014" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26014 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Maus. Ela possui um fundo cinza, com a presença de um círculo branco com o símbolo de uma suástica que tem, ao centro, o desenho de um gato, com traços que remetem aos de Adolf Hitler. Na parte inferior, um pouco à frente desse círculo, há o desenho de dois ratos: o da esquerda vestindo um casaco azul, e o da direita um casaco amarelo. Na parte superior, está escrito “História completa” em fonte na cor amarela e, abaixo, está escrito “Maus” em fonte grande na cor vermelha. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26014" class="wp-caption-text">Apesar do enorme sucesso, Art Spiegelman já recusou várias ofertas para <a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/maus-por-que-art-spiegelman-autor-da-hq-nao-quer-adaptacao-para-filme/">transformar a obra em filme</a>, afirmando que a narrativa é melhor servida como um livro (e ele não mentiu) [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><b>Art Spiegelman &#8211; Maus (296 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um dos grandes clássicos contemporâneos das histórias em quadrinhos, já tendo angariado o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura, em 1992, sendo a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cumprir esse feito. Dividido em duas partes, com a primeira lançada em 1986 e a segunda em 1991, a obra de Art Spiegelman retrata episódios do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivenciados por seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Para dar luz aos seus relatos, o desenhista aposta em representações, ilustrando os judeus como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. Mesmo com esse simbólico aspecto animalesco configurado aos componentes da trama, não é possível desassociar a frieza de seus atos cruelmente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa acompanha as declarações de Vladek sobre esse período, as constantes fugas dele e de sua esposa Anja, as tristes despedidas e, por fim, os difíceis dias no campo de concentração. Junto a isso, mostra também os atritos familiares entre pai e filho, que evidenciam as marcas deixadas por esse capítulo de sua vida. Apesar do enorme peso carregado pelos acontecimentos, Spiegelman não cede a qualquer apelo emocional para conduzir a obra, retratando a </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/maus-hq-de-art-spiegelman-e-proibida-em-escolas-dos-eua/"><span style="font-weight: 400;">dureza nua e crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquela realidade vivida por milhões de pessoas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro não apenas sobre as atrocidades ocorridas durante o Holocausto, mas, principalmente, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">dores e cicatrizes carregadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por todos aqueles que têm páginas da memória de sua família rasgadas por uma das maiores tragédias da história da humanidade. Cicatrizes essas complemente impassíveis de serem minimizadas, ou sequer discutidas em qualquer </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/quem-e-monark-apresentador-do-flow-podcast-que-coleciona-polemicas.htm"><span style="font-weight: 400;">conversa de bar</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Dezembro de 2021</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2022 20:48:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.” &#8211; Joan Didion Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua Estante e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Dezembro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25581" aria-describedby="caption-attachment-25581" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25581" class="wp-caption-text">A terceira edição do Estante do Persona foi orientada pela leitura coletiva de A filha perdida, drama sobre maternidade que leva a assinatura misteriosa de Elena Ferrante (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Joan Didion</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês de dezembro, teve a oportunidade de conhecer a Literatura de uma das autoras mais relevantes da atualidade, e de admirar o legado deixado por duas das mais importantes escritoras dos últimos tempos. É que em meio à leitura coletiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério aclamado que existe ao redor do nome </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Persona se juntou ao resto do mundo para a despedida de </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/joan-didion-a-trajetoria-da-autora-que-revolucionou-o-jornalismo-literario/"><span style="font-weight: 400;">Joan Didion</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 15, eternizamos bell hooks como a artista, professora, teórica, pesquisadora e escritora, que dedicou mais de 50 anos de sua vida a estudos e políticas interseccionais sobre </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Transgredir-Educa%C3%A7%C3%A3o-Pr%C3%A1tica-Liberdade/dp/8546901406/ref=sr_1_3?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-3"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;">, gênero, raça, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Comunidade-Bell-Hooks/dp/6587235417/ref=sr_1_8?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-8"><span style="font-weight: 400;">classe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e economia. Referência do </span><a href="https://www.amazon.com.br/n%C3%A3o-sou-uma-mulher-feminismo/dp/8501117404/ref=sr_1_6?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-6"><span style="font-weight: 400;">feminismo negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ativista </span><a href="https://www.amazon.com.br/Olhares-Negros-Ra%C3%A7a-Representa%C3%A7%C3%A3o-Hooks/dp/8593115217/ref=sr_1_5?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-5"><span style="font-weight: 400;">antirracista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estudiosa do </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-perspectivas-Trilogia-ebook/dp/B08WYK42FW/ref=sr_1_1?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pseudônimo de Gloria Jean Watkins nasceu no interior de um Estados Unidos segregacionista e morreu num planeta que ainda tem muito o que superar, mas que, através de sua existência, tem muito mais conhecimento sobre como fará suas </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-pensamento-cr%C3%ADtico-Sabedoria-pr%C3%A1tica-ebook/dp/B08BT1MJ5K/ref=sr_1_7?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-7"><span style="font-weight: 400;">revoluções</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no dia 23, o mesmo era lembrado sobre Joan Didion, quando reconhecemos a necessidade de compreender o mundo em que vivemos e os humanos que o habitam. Ao usar seu olhar e suas palavras para </span><a href="https://www.amazon.com.br/%C3%A1lbum-branco-Joan-Didion/dp/6555111224/ref=sr_1_1?keywords=o+album+branco&amp;qid=1642167617&amp;s=books&amp;sprefix=o+album+%2Cstripbooks%2C273&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">registrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Rastejando-at%C3%A9-Bel%C3%A9m-Joan-Didion/dp/655692086X/ref=sr_1_1?keywords=rastejando+ate+belem&amp;qid=1642167680&amp;s=books&amp;sprefix=rastejando+a%2Cstripbooks%2C228&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">interpretar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as transformações culturais e políticas da sociedade norte-americana na segunda metade do século XX, a californiana construiu uma carreira de mais de 60 anos, que entre muitos ensaios, alguns </span><a href="https://www.amazon.com.br/Play-as-Lays-Joan-Didion/dp/0374529949/ref=sr_1_1?keywords=joan+didion+play+it+as+it+lays+portugues&amp;qid=1642167812&amp;sprefix=joan+didion+play+it+a%2Caps%2C205&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.6d798eae-cadf-45de-946a-f477d47705b9"><span style="font-weight: 400;">romances</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/joan-didion-morte"><span style="font-weight: 400;">roteiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-ano-do-pensamento-magico-critica/"><span style="font-weight: 400;">transformou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o Jornalismo e a Literatura para todo o sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o contexto literário de dezembro se tornou grandioso, mas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu conta de o acompanhar. No embalo do lançamento da adaptação cinematográfica &#8211; já muito </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">celebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela direção da estreante </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2022/01/filha-perdida-adaptacao-do-romance-de-elena-ferrante-aborda-aflicoes-da-maternidade.html"><span style="font-weight: 400;">Maggie Gyllenhaal</span></a><span style="font-weight: 400;">, que chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no último dia do mês -, o Clube do Livro do Persona decidiu mergulhar nas praias do sul da Itália junto de Leda (vivida no Cinema por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AP4kQN5lWMw"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">) e nos dramas profundos de </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=6300"><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o último mês de 2021, reverenciamos o trabalho de mulheres que tanto fizeram pelo nosso passado, presente e futuro, e introduzimos a edição de dezembro do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Entre as indicações literárias da nossa Editoria e o comentário sobre a leitura do mês, vibra a honestidade visceral de uma história cuja autora tem coragem de dizer o que nós não temos &#8211; em perfeita harmonia com </span><a href="https://www.dailyadvent.com/news/b593b8784c9c50e96b95804011ef0e43-bell-hooks-and-Joan-Didion-Two-writers-of-integrity-and-courage"><span style="font-weight: 400;">o poder revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> das vozes que vieram antes dela.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“O coração da justiça é dizer a verdade, vermos a nós mesmos e ao mundo como somos, em vez de como gostaríamos que fôssemos.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; bell hooks</em></p>
</blockquote>
<p><span id="more-25580"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_25582" aria-describedby="caption-attachment-25582" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg" alt="Capa do livro A filha perdida, de Elena Ferrante. A imagem mostra uma ilustração em traços quadrados e chapados de uma cidade à beira da praia. Em dois terços verticais da imagem, existem desenhos de casas com telhados laranjas e paredes beges, e na linha superior da ilustração, existe a linha do mar, em um tom médio de azul, e a linha do céu, em tom de azul turquesa. Em cima/na frente do desenho, ao centro da capa, existe o nome da autora em fonte simples branca e caixa alta, e o nome do livro na mesma estilização. O selo da editora está na linha inferior, ao centro." width="667" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25582" class="wp-caption-text">As histórias de Elena Ferrante são muito bem adaptadas para o audiovisual: o maior destaque é a série baseada na Tetralogia Napolitana, o grande sucesso da autora, realizada pela HBO; agora, seu quarto romance está na tela da Netflix pela direção de Maggie Gyllenhaal (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Elena Ferrante – A filha perdida (174 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há um nome a ser perseguido na Literatura contemporânea, este é o de </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=l&amp;ai=DChcSEwjL1cj57LH1AhVjE9QBHZt2AA8YABAeGgJvYQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_0deAIgDT5c9mE5aANIUZBAP6FvZg&amp;q&amp;nis=1&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwje7bn57LH1AhUzq5UCHYopCicQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">. A assinatura da escritora italiana vendeu mais de 30 milhões de exemplares pelo mundo nos últimos 10 anos, sucesso atribuído, principalmente, à sua saga conhecida como </span><a href="https://personaunesp.com.br/serie-napolitana-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tetralogia Napolitana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério que cerca a identidade por trás de seu pseudônimo. Sua história mais vendida é a série de 4 livros iniciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Amiga Genial</span></i><span style="font-weight: 400;">, que narra uma longa amizade entre duas garotas nascidas em Nápoles na década de 40. O clamor da crítica, no entanto, é direcionado aos seus romances singulares, que sempre investigam camadas profundas de personagens femininas </span><a href="https://valkirias.com.br/as-mulheres-de-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">visceralmente verdadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É este caminho que nos leva até </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. O quarto romance de Ferrante, lançado na Itália em 2006, traduzido para o inglês em 2008 e publicado no Brasil em 2016, reflete sobre dilemas profundos da maternidade a partir de uma </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/25/escritora-italiana-que-vive-no-anonimato-sera-publicada-no-brasil-em-2015.htm"><span style="font-weight: 400;">protagonista agridoce</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela é Leda, uma professora universitária de meia idade que está de férias no litoral sul da Itália. Lá, distante da vida cotidiana e próxima de memórias de infância, ela conhece Nina, a jovem mãe de Elena e parte meio deslocada de uma barulhenta família napolitana. O encontro das desconhecidas logo engata um processo de reflexão íntima em Leda, gerando uma onda de pensamentos que vão desde sua relação com a sua mãe, até os laços que mantém com as suas filhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior traço da história é justamente a honestidade de Elena Ferrante ao tratar dos dramas de suas personagens. Sem se preocupar com qualquer juízo de valor ou corresponder ideais que aprisionam </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2022/01/03/As-m%C3%A3es-complexas-de-Elena-Ferrante-no-filme-%E2%80%98A-filha-perdida%E2%80%99"><span style="font-weight: 400;">mães e mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos polidos padrões patriarcais, as palavras da autora, traduzidas para o português brasileiro por Marcellino Lino, são </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/06/cultura/1573046745_374458.html"><span style="font-weight: 400;">completamente livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar o panorama psicológico de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, o impacto da narrativa é generalizado e muito bem arquitetado, como uma grande digressão investigativa e sentimental que não perde o fio nem em seus momentos mais subjetivos. Para isso, ela nos alerta desde o primeiro capítulo do livro: </span><i><span style="font-weight: 400;">“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”</span></i></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A filha perdida - Clube do Livro Dezembro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=40ed5325368f4961&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_25583" aria-describedby="caption-attachment-25583" style="width: 523px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25583 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg" alt="Capa do livro Todo dia a mesma noite. A capa é inteiramente cinza. Na parte superior lê-se em preto “daniela arbex”. Logo abaixo lê-se em branco “todo dia a mesma noite”. Abaixo lê-se em preto “a história não contada da boate kiss”" width="523" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-768x1174.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1005x1536.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1340x2048.jpg 1340w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1200x1834.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1.jpg 1578w" sizes="auto, (max-width: 523px) 85vw, 523px" /><figcaption id="caption-attachment-25583" class="wp-caption-text">A presidente Dilma Rousseff ficou ao lado das mães que aguardavam o duro momento de reconhecer os corpos de seus filhos (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Daniela Arbex &#8211; Todo dia a mesma noite (248 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ligar a TV naquele 27 de janeiro de 2013, ninguém imaginava que a dor daquele dia ficaria marcada para sempre na alma dos brasileiros. Isso porque, entre às 2h e 2h30, um incêndio na </span><a href="https://canalcienciascriminais.com.br/o-caso-da-boate-kiss-foi-um-terrivel-erro-judiciario/"><span style="font-weight: 400;">Boate Kiss</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Santa Catarina (RS), vitimou 242 pessoas e feriu outras 636. Em 2018, Daniela Arbex (a mesma autora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;">) concluiu a missão de verbalizar toda a angustia e sofrimento que as famílias ainda passam sobre a infindável tragédia. O resultado é o livro-reportagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia mesma noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrevistando familiares e profissionais que trabalharam no resgate das vítimas, Daniela se coloca ao lado das pessoas envolvidas e mostra seu respeito escrevendo o livro em terceira pessoa. Cada capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia é a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> é doloroso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Apesar do preparo emocional para esse tipo de trabalho, o incêndio na Kiss fugia a qualquer parâmetro</span></i><span style="font-weight: 400;">.” O cenário era de guerra e os detalhes precisamente escritos por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/daniela-arbex/"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixam o sentimento de luto passar ileso. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_25584" aria-describedby="caption-attachment-25584" style="width: 513px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/o-mau-exemplo-de-cameron-post.jpg" alt="Capa do livro O Mau Exemplo de Cameron Post. A capa tem o fundo na cor salmão e, na parte superior central, vemos as palavras “EMILY M. DANFORTH” escritas em caixa alta, em branco e em uma fonte sem serifa. Partindo da parte superior esquerda e descendo até o centro da capa, vemos o contorno de um rio, pintado de azul claro, que desemboca em um lago em formato de coração. Ao longo da extensão do rio, vemos árvores e uma estrada, pintada de bege, e uma ponte. Vemos um arco-íris saindo da parte superior direita do lago. Ao centro do lago, vemos as palavras “o mau exemplo de Cameron Post” escritas em preto, em uma fonte cursiva. A palavra “mau” tem um risco vermelho por cima. Logo abaixo, vemos a frase “Descubra quem você é. Viva de acordo com suas próprias regras”, escrita em preto. Na parte inferior esquerda, ao lado do lago, vemos o desenho de uma casa marrom e uma estrada bege saindo dela. Na parte inferior central, vemos o logo da editora HarperCollins. Na parte inferior direita, vemos duas árvores e o contorno de uma estrada, em bege." width="513" height="744" /><figcaption id="caption-attachment-25584" class="wp-caption-text">“Ela encostou em mim de uma maneira que sequer reparou, e eu não consegui reparar em mais nada” (Foto: HarperCollins)</figcaption></figure>
<p><b>Emily M. Danforth &#8211; O Mau Exemplo De Cameron Post (448 páginas, HarperCollins Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Como a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">já adianta, o alívio não dura muito tempo. No primeiro livro de Emily M. Danforth, que ganhou uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6QeqCqkrmk"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrelada por Chloë Grace Moretz, Cameron Post é uma adolescente descobrindo e explorando sua sexualidade. Depois de ser flagrada aos beijos com uma menina pela tia religiosa e conservadora com quem mora desde a morte dos pais, Cameron é enviada para o acampamento Promessa de Deus para ser curada de suas “tendências homossexuais”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado pela Cameron Post em primeira pessoa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">embarca no presente e no passado de sua protagonista: a culpa e a angústia dela &#8211; e de outros adolescentes do acampamento, que passam pelo mesmo </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/cultura/1554474093_207527.html"><span style="font-weight: 400;">abominável processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de “cura” &#8211; se fazem sentir quando os experienciamos juntos da própria. Ela vai do desalento ao cinismo de fingir que se tornou “ex-gay” até a esperança de que talvez, se tentar o suficiente, ela realmente consiga mudar sua sexualidade e finalmente sair de lá. </span><span style="font-weight: 400;">Na pele de Cameron Post, o livro é doloroso ao abordar os abusos psicológicos, emocionais e, por vezes, físicos da terapia de conversão, que era comum nos Estados Unidos dos anos 80, quando a história se passa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bom </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KAUhY2gBTHQ"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">alivia as dores do agora lembrando do que já passou, e mescla a estadia no Promessa de Deus com a nostalgia das memórias da infância e da adolescência de Cameron, dela crescendo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">descobrindo mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma. E no lugar onde a esperança da protagonista morre, é também onde ela encontra, finalmente, seu lugar: junto de Adam e Jane, amigos que conheceu e de quem se aproximou no acampamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; e Cameron Post &#8211; se abrem para o futuro, com um final em aberto otimista e cheio de possibilidades. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_25585" aria-describedby="caption-attachment-25585" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25585 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg" alt="Capa do livro Os Dois Morrem no Final. A foto é uma ilustração azul escura, e mostra duas silhuetas de pessoas andando por uma ponte, à noite. A sombra delas forma a imagem da morte, com o capuz e a foice. No topo da imagem, lemos em branco: Autor best-seller do New York Times, e abaixo disso: Adam Silvera. No meio da capa, também em branco, está o nome do livro e no canto inferior direito está o logo da editora Intrínseca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25585" class="wp-caption-text">Em comemoração ao vindouro aniversário do livro, o autor Adam Silvera confirmou uma nova obra ambientada no mesmo universo (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Adam Silvera &#8211; Os Dois Morrem no Final (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo uso de um delicioso artifício de </span><a href="https://escotilha.com.br/literatura/contracapa/afinal-o-que-e-e-o-que-nao-e-realismo-magico/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nova-iorquino Adam Silvera encanta em </span><a href="https://www.amazon.com.br/Dois-Morrem-Final-Acompanha-Exclusivo/dp/6555603046"><i><span style="font-weight: 400;">Os Dois Morrem no Final</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento LGBTQIA+ de 2017 que só chegou ao Brasil no ano passado, sob tradução de Vitor Martins. Na trama, o mundo divide espaço com a Central da Morte, uma espécie de </span><i><span style="font-weight: 400;">call center</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, assim que o relógio bate meia-noite, liga para as pessoas que vão morrer naquele dia e avisam do futuro ceifado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ambiente, conhecemos dois garotos, Rufus e Mateo, adolescentes com personalidades opostas, mas complementares, que se conhecem no último dia da vida de cada um. A história, que se espreguiça pela duração dessas derradeiras vinte e quatro horas, vai mostrando pequenas missões e desejos cumpridos dos agora amigos. Misturando aventura, romance e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0J94ZksFbm4"><span style="font-weight: 400;">um bocado de drama</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">They Both Die at the End</span></i><span style="font-weight: 400;">, infelizmente, não mente no título. É recomendado comprar uma caixinha de lenços de papel na hora de devorar esse sucesso literário. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_25586" aria-describedby="caption-attachment-25586" style="width: 686px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25586 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella. Na imagem, há uma fotografia em preto e branco de presidiários jogando futebol no campo do presídio Carandiru. Ao fundo, está um muro de cor cinza com diversas janelas das celas, todas de cor preta. Na parte superior, alinhado à esquerda, está escrito Carandiru. As letras estão em fonte de cor branca, exceto a primeira letra A, que está em cor azul. Abaixo está escrito Drauzio Varella, em fonte de cor azul. Ao lado está escrito Estação Carandiru, em fonte de cor branca. Abaixo de Drauzio Varella, está o logo da editora Companhia das Letras, também em cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25586" class="wp-caption-text">Estação Carandiru foi o primeiro livro publicado por Drauzio Varella, e conta sua experiência como médico voluntário no presídio (Foto: André Brandão/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Drauzio Varella &#8211; Estação Carandiru (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1999, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11141"><i><span style="font-weight: 400;">Estação Carandiru</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é considerado um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros. Nessa espécie de livro-reportagem, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/05/a-trajetoria-de-drauzio-varella/"><span style="font-weight: 400;">Drauzio Varella</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta sua experiência como médico voluntário no Carandiru (então maior presídio da América Latina), de 1989 – quando chegou com um projeto de prevenção à AIDS – até seu respectivo fechamento, em 2002. A obra é composta pelas diversas histórias dos presidiários, contadas a Drauzio Varella, nas quais são relatadas as dificuldades e motivos que os levaram ao cárcere. Essas histórias também se misturam com a própria visão e trajetória do narrador, que tenta colocar uma perspectiva humana sobre os problemas sociais expostos dentro da cadeia, sem os típicos paradoxos e preconceitos envolvidos no tema, prevalecendo sua visão de médico, na qual há um diagnóstico sem o tom de denúncia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, enxergamos o presídio como um microcosmo da sociedade brasileira, deixando em evidência problemas de saúde pública, as desigualdades e a violência social. Percebe-se na leitura que, no Carandiru, todos seguem um código penal não escrito, inclusive os carcereiros, de forma a preencher o vácuo de poder que dificilmente permanece vazio. Há uma ordem mais ou menos cronológica das histórias, e seus capítulos finais relatam o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/como-foi-o-massacre-do-carandiru/"><span style="font-weight: 400;">Massacre do Carandiru</span></a><span style="font-weight: 400;">, ocorrido em 1992, onde 111 presos foram assassinados pela Polícia Militar no Pavilhão 9 da cadeia – local onde ficavam, majoritariamente, os presos de primeira viagem. Drauzio dá o início, chamado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Levante”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o desenrolar da confusão e o seu fim trágico, angariando depoimentos dos presos que conseguiram sobreviver. O livro recebeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2000, na categoria Livro do Ano, e foi adaptado para o cinema em 2003, no filme </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200307.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbara-paz-47-anos/"><span style="font-weight: 400;">Héctor Babenco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25587" aria-describedby="caption-attachment-25587" style="width: 671px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg" alt="Capa do Livro Os meninos da rua Paulo. Nela, há a ilustração de três meninos, à esquerda, ao lado da parede de uma casa, conversando com uma menina que está à direita, encostada em outro lado da casa. Um dos meninos está no canto esquerdo da ilustração, rindo; ele é branco, com cabelos castanhos escuros, e veste um casaco marrom claro, bermuda preta e botas marrons. Ao seu lado esquerdo, é possível ver as pernas de outro menino, mas que acaba tendo seu corpo escondido pelo terceiro, que está em sua frente. Este último, está com o braço esquerdo encostado na parede da casa, inclinado para conversar com a menina. Ele é branco, com cabelos escuros e lisos, e veste uma blusa verde-musgo de mangas compridas, bermuda marrom e botas marrons. A menina é branca, com cabelos lisos escuros, e ela veste um casaco comprido na cor vinho e sapatos marrons. No canto superior esquerdo, está escrito “Os meninos da rua Paulo” em fonte na cor verde. Abaixo da frase, está o nome do autor, “Ferenc Molnár”, também em fonte na cor verde. E, no canto inferior direito, ao lado dos pés da menina, está escrito “Tradução Paulo Rónai” em fonte preta." width="671" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-666x1024.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25587" class="wp-caption-text">No Brasil, Os meninos da rua Paulo foi adaptado para o Teatro, em 1992, com um elenco formado por atores como Selton Mello, Marcelo Serrado, Oberdan Júnior e Michel Bercovitch (Foto: Cosac Naify)</figcaption></figure>
<p><b>Ferenc Molnár &#8211; Os meninos da rua Paulo (264 páginas, Cosac Naify)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita pelo húngaro Ferenc Molnár, e publicada, pela primeira vez, em 1907, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das histórias mais adultas sobre a infância. Ambientado no ano de 1889, na cidade de Budapeste, a narrativa trata sobre a rivalidade entre dois grupos de meninos: os da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade do Betume</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra os</span><i><span style="font-weight: 400;"> camisas-vermelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos disputam pelo poder de um terreno baldio da rua que dá nome ao livro, considerado um espaço sagrado para suas brincadeiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Paulo Rónai, a obra já foi literatura obrigatória em diversas escolas do Brasil (inclusive na que eu estudei). O que poderia ser uma história facilmente abordada em tirinhas da Turma da Mônica, acaba por trazer uma perspectiva interessante sobre a </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/os-meninos-da-rua-paulo-os-desafios-da-passagem-para-vida-adulta.html"><span style="font-weight: 400;">transição da infância para a vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de falar sobre a falta de espaço para os jovens na sociedade e a violência psicológica que esses meninos eram submetidos no contexto histórico da Hungria da época. Não à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou</span> <span style="font-weight: 400;">um dos livros húngaros mais conhecidos ao redor do mundo, ganhou diversas adaptações para o Cinema e conversa com produções mais recentes, como o filme</span> <a href="https://www.imdb.com/title/tt0953382/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cidade das Crianças</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da dificuldade em lembrar dos complicados nomes dos personagens, até hoje não me esqueço da profunda história do pequeno Nemecsek. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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		<title>Estante do Persona – Novembro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 22:17:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Imaginava o Paraíso tendo uma biblioteca por modelo.” &#8211; Jorge Luis Borges Mais um mês de 2021 chega ao fim, e, como de costume, junto dele as coberturas mensais do Persona. Para iniciar os nossos registros de novembro,  damos sequência a uma novidade que nasceu quase nos últimos momentos do ano: o Estante do Persona.  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Novembro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25112" aria-describedby="caption-attachment-25112" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25112 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-wordpress-estante-novembro-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25112" class="wp-caption-text">Na segunda edição da Estante do Persona, o Clube do Livro discutiu a obra Jamais o fogo nunca, da escritora chilena Diamela Eltit (Foto: Reprodução/Arte: Vitória Vulcano/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Imaginava o Paraíso tendo uma biblioteca por modelo.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Jorge Luis Borges</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais um mês de 2021 chega ao fim, e, como de costume, junto dele as coberturas mensais do Persona. Para iniciar os nossos registros de novembro,  damos sequência a uma novidade que nasceu quase nos últimos momentos do ano: o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outubro, criamos o nosso </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de obras escolhidas através de sugestões. Ao final do mês, o Clube reúne-se para montar uma lista de indicações literárias e preencher a sua Estante aqui no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de criar uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">com canções que remetem à obra em questão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, em novembro realizamos a segunda leitura do Clube do Livro: </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), da chilena Diamela Eltit, que, no fim do mês, recebeu o prêmio da </span><a href="https://istoe.com.br/fil-comeca-no-mexico-com-premio-para-diamela-eltit-e-homenagem-a-almudena-grandes/"><span style="font-weight: 400;">Feira Internacional do Livro de Guadalajara</span></a><span style="font-weight: 400;"> (FIL). O livro é narrado por uma mulher, cujo principal dado biográfico é ter sido sobrevivente da Ditadura chilena, vivendo, mesmo após o fim do regime, sob o aspecto claustrofóbico da clandestinidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos dias ainda marcaram a entrega do </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1464377751025205248"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mais importante da </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileira. No mês que traz o </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/11/20/dia-da-consciencia-negra-cidades-registram-atos-antirracistas-neste-20-de-novembro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Dia da Consciência Negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, a premiação </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/11/premio-jabuti-2021-consagra-jeferson-tenorio-e-coroa-infantil-sobre-brumadinho.shtml"><span style="font-weight: 400;">consagrou Jeferson Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;">, concedendo a ele o troféu na categoria Romance Literário — um dos mais prestigiosos da premiação — pelo excelente </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14705"><i><span style="font-weight: 400;">O Avesso da Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aborda questões de racismo através dos olhos de um jovem negro ao reimaginar a vida do pai, um professor morto devido à violência policial. O romance desbancou </span><a href="https://personaunesp.com.br/solucao-de-dois-estados-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solução de Dois Estados</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/diario-da-queda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michel Laub</span></a><span style="font-weight: 400;">, visto como um dos favoritos ao prêmio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria Livro do Ano, quem ficou com o Jabuti foi </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2021/11/26/premio-jabuti-2021-sagatrissuinorana-e-livro-do-ano-confira-vencedores.html"><i><span style="font-weight: 400;">Sagatrissuinorana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro infantojuvenil de João Luiz Guimarães e Nelson Cruz, publicado pela editora independente </span><i><span style="font-weight: 400;">ÔZé</span></i><span style="font-weight: 400;">. O enredo adapta a história clássica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Porquinhos </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma linguagem que lembra </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/grande-sertao-veredas-resumo-da-obra-de-guimaraes-rosa/"><i><span style="font-weight: 400;">Grande Sertão: Veredas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do mineiro João Guimarães Rosa, e gera um conto para falar sobre as tragédias que ocorreram em </span><a href="https://www.politize.com.br/barragem-de-rejeitos/"><span style="font-weight: 400;">Mariana e Brumadinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos desastres ocasionados pelo rompimento de Barragens em Minas Gerais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Não Ficção, o livro-reportagem </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-24/os-bolsonaro-sempre-foram-os-representantes-ideologicos-dos-grupos-milicianos.html"><i><span style="font-weight: 400;">A República das Milícias</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> do jornalista Bruno Paes Manso, foi laureado na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. A obra traça um paralelo entre a ascensão das milícias no Rio de Janeiro e a consolidação da família Bolsonaro na política, fazendo um recorte temporal que vai dos anos 1960 — com o surgimento dos esquadrões da morte no Rio — até o assassinato da vereadora carioca </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/caso-marielle-tr%C3%AAs-anos-de-um-crime-que-chocou-o-brasil/a-56866451"><span style="font-weight: 400;">Marielle Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2018. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria Ciências, a bióloga </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/05/livro-mostra-como-ciencia-tao-discutida-hoje-esta-no-dia-a-dia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Natalia Pasternak</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o jornalista Carlos Orsi saíram vitoriosos com o livro</span> <a href="https://www.editoracontexto.com.br/produto/ciencia-no-cotidiano-viva-a-razao-abaixo-a-ignorancia/2788127"><i><span style="font-weight: 400;">Ciência no cotidiano: Viva a razão. Abaixo a ignorância!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra de divulgação científica que, entre outros temas, aborda e desmistifica a falácia de que vacinas causam autismo. </span><span style="font-weight: 400;">A Personalidade Literária de 2021 — honraria entregue desde a criação da premiação — foi Ignácio de Loyola Brandão, escritor araraquarense cinco vezes vencedor do Prêmio Jabuti, e autor de obras de destaque, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero </span></i><span style="font-weight: 400;">(1974) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Verás País Nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981). Em janeiro deste ano, Brandão recebeu o título de </span><a href="https://www2.unesp.br/portal#!/noticia/36277/serei-sempre-grato-a-unesp-diz-ignacio-de-loyola-brandao"><span style="font-weight: 400;">Doutor </span><i><span style="font-weight: 400;">Honoris Causa</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela Unesp</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se você procura por mais indicações literárias está no lugar certo. Além de acompanhar o ambiente literário neste mês de novembro, a Editoria do Persona também selecionou algumas outras obras para acompanhar Diamela Eltit e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;"> na segunda edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso você pode conferir logo abaixo.  </span></p>
<p><span id="more-25075"></span></p>
<h2></h2>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_25065" aria-describedby="caption-attachment-25065" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25065" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-534x800.jpg" alt="Capa do livro Jamais o Fogo Nunca, de Diamela Eltit. Na imagem, há um fundo branco com letras que formam a frase Jamais o fogo nunca embaralhadas e espalhadas de maneira disforme. Essas letras são de cor roxa. Na parte lateral direita, está escrito Jamais o fogo nunca, em fonte de cor roxa. À esquerda, está escrito diamela eltit, também em fonte de cor roxa. Abaixo de diamela eltit, está escrito tradução e prefácio de Julián Fuks, em fonte de cor roxa." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/jamais-o-fogo-nunca.jpg 866w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-25065" class="wp-caption-text">Jamais o fogo nunca é o primeiro livro da chilena Diamela Eltit traduzido no Brasil (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Diamela Eltit &#8211; Jamais o fogo nunca (172 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo uma das principais autoras da Literatura chilena contemporânea, Diamela Eltit demonstra em suas obras uma enorme força social, e revela, por meio de sua voz poética, paradoxos da militância política. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/jamais-o-fogo-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro livro publicado no Brasil, em 2017 — um atraso de mais de 30 anos desde sua estreia literária, em 1983 —, lemos esboços de conversas e momentos entre uma mulher e o marido, militantes ávidos contra a Ditadura de Pinochet, enclausurados dentro de um quarto onde relembram e colocam em xeque tudo o que foi vivido durante o período. Narrado pela mulher, o livro apresenta o passado como uma assombração, em um espaço claustrofóbico que só é quebrado com a invasão da morte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do livro vem do poema </span><i><span style="font-weight: 400;">Os nove monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do poeta peruano </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1124&amp;busca=poemas%20humanos"><span style="font-weight: 400;">César Vallejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual lemos:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Jamais o fogo nunca/fez melhor seu papel de morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse trecho é também a epígrafe da obra, e serve como um ponto de partida para entendê-la. Há na produção um forte apreço pelos corpos — característica que perpassa toda a carreira de Eltit, visto com ênfase em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/forcas-especiais/"><i><span style="font-weight: 400;">Forças especiais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), seu mais recente livro publicado por aqui —, às vezes chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">“células”</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o romance. A recusa — e a proibição do marido — em sair de casa evidencia a desistência da utopia, motivo pelo qual ambos lutavam juntos nos anos de repressão política. Além disso, o caráter revelatório do romance aponta para as contradições escancaradas nas atitudes do próprio, um homem que lutava pela liberdade política mas era um repressor violento dentro da casa — a melhor simbologia da totalidade assombrosa da Ditadura, evidente até mesmo nos que seriam suas portas de saída.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">também aponta para um dado emblemático: a Democracia não se lembra daqueles que lutaram por ela. Essa é uma das características que parecem servir de mote a diversas cenas do romance, visto que a ideia de anular o individual para o bem coletivo foi invertida nas sociedades contemporâneas. O livro funciona como uma distopia do século XXI, na qual nós, latino-americanos, estamos sempre assombrados pelo passado da Ditadura Militar, ao passo que somos carregados por um </span><i><span style="font-weight: 400;">“fogo morto frio”</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Brasil, Diamela Eltit possui quatro obras publicadas: </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Forças especiais</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução do também escritor </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13927"><span style="font-weight: 400;">Julián Fuks</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançadas pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Relicário</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://e-galaxia.com.br/produto/a-maquina-pinochet-e-outros-ensaios/"><i><span style="font-weight: 400;">A máquina Pinochet e outros ensaios</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), disponível somente em </span><i><span style="font-weight: 400;">e-book </span></i><span style="font-weight: 400;">através da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">e-Galáxia</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Pedro Meira Monteiro; e </span><a href="https://ims.com.br/publicacao/o-infarto-da-alma-paz-errazuriz-diamela-eltit/"><i><span style="font-weight: 400;">O Infarto da alma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), feito em parceria com a fotógrafa </span><a href="https://www.sp-arte.com/editorial/entrevista-com-paz-errazuriz/"><span style="font-weight: 400;">Paz Errázuriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">IMS</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de Livia Deorsola. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Apoio minha mão adormecida na parede e não sinto nada. Já não sinto absolutamente nada.”</span></i></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Jamais o fogo nunca - Clube do Livro Novembro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/5tmUJWDu1GOWavKeSEW7oW?si=2005c11df2894ac1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_25067" aria-describedby="caption-attachment-25067" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-557x800.jpg" alt="A capa é bege e mostra o desenho de um monstro em forma de minhoca saindo do deserto. A parte de cima do seu corpo tem um buraco, sua boca, com dentes pontiagudos. Abaixo dele, vemos montes de areia e várias silhuetas pretas olhando o monstro. Na parte de cima da capa, em letras brancas, lemos o nome do autor, Frank Herbert. No meio da capa, logo na cara do monstro, também em fonte branca, lemos Duna" width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/duna-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-25067" class="wp-caption-text">Que calor, que sede! (Foto: Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Frank Herbert &#8211; Duna (680 páginas, Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definir a complexidade e o alcance de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">em apenas um par de parágrafos é uma tarefa que nem o Barão Harkonnen merece enfrentar. A obra de Frank Herbert foi publicada em 1965, quando a ficção científica de Isaac Asimov olhava para um </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-fundacao-de-isaac-asimov-1951/"><span style="font-weight: 400;">futuro robótico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e metálico, enquanto o desértico planeta Arrakis, por outro lado, buscava uma visão menos computadorizada do amanhã. Os dróides dão espaço para a ecologia, a religião e a política. Na trama, primeiro livro de uma longeva coleção, o jovem Paul Atreides vê seu mundo virar de ponta-cabeça quando o pai, o Duque Leto, é ordenado a comandar Duna, um planeta que em nada se assemelha com a terra natal da família real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa fina premissa, as quase setecentas páginas se enroscam em reviravoltas políticas, amores capciosos e uma execução e visão de mundo avançadas para a mente de um norte-americano nos anos sessenta. Ágil, empoeirado, extremamente envolvente e envelopado por um glossário que deixa os cabelos em pé, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">se beneficia do caráter disruptivo de sua narrativa linear, mas não presa ao cotidiano. Entre um capítulo e outro, Herbert faz questão de viajar anos pelo tempo, sem ao menos avisar o leitor que o protagonista até então magrinho e confiante agora era um homem resiliente e altivo. Acompanhado da cuidadosa e apaixonada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dnBpZuSUISQ"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Denis Villeneuve, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">de Frank Herbert (traduzido para cá por Maria do Carmo Zanini) tem tudo para continuar sua jornada atemporal de sucesso e aclamação. Mas esteja avisado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">é tão seco, que dá sede. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<p><figure id="attachment_25072" aria-describedby="caption-attachment-25072" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25072 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-557x800.jpg" alt="Capa do livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. A imagem tem uma foto com um filtro verde água de uma mulher usando um vestido longo brilhante , com um colar de pérolas e pulseiras no braço direito. É possível ver apenas sua silhueta e a parte da boca para cima do seu rosto. Sob seu corpo, está escrito Os sete maridos de Evelyn Hugo em letra cursiva na cor rosa." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/evelyn-1.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-25072" class="wp-caption-text">Taylor Jenkins Reid também é autora de Daisy Jones &amp; The Six e Amor(es) Verdadeiro(s) [Foto: Paralela]</figcaption></figure><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (360 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode soar um pouco batido ser mais uma das milhares de pessoas a falar de O</span><i><span style="font-weight: 400;">s Sete Maridos de Evelyn Hugo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que todo dia tem uma porção considerável de </span><i><span style="font-weight: 400;">tweets</span></i><span style="font-weight: 400;"> com comentários dedicados ao livro (e o famoso vestido verde da protagonista). Mas a obra de Taylor Jenkins Reid merece mesmo todos os holofotes que tem ganhado nos últimos meses. A autora, que já se mostrou </span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/"><span style="font-weight: 400;">craque em criar celebridades inexistentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe um romance viciante do início ao fim, percorrendo os bastidores mais perversos da vida do </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evelyn Hugo é um dos nomes mais marcantes de Hollywood. Prestes a completar 80 anos de idade, a atriz <em>Oscarizada</em> decide que quer lançar uma biografia sobre sua vida e carreira, e curiosamente escolhe a jornalista Monique Grant para ser a autora da obra. A partir dessa premissa, o livro revisita a história da super estrela desde seus primórdios, percorrendo todos os percalços necessários para se tornar uma figura renomada, em paralelo com cada um de seus casamentos. Entre esses obstáculos, a repressão de suas origens latinas, sua fisionomia e até mesmo sua sexualidade para deixar seu nome cravado na calçada da fama. Em uma escrita que estampa um caráter quase documental, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Maridos de Evelyn Hugo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma das ficções mais verdadeiras que poderíamos ter. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_25073" aria-describedby="caption-attachment-25073" style="width: 527px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-527x800.jpg" alt="Capa do livro Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour — Uma introdução. Na imagem, há um fundo verde com uma borda de cor branca. Ao centro, há uma letra S de cor preta com detalhes em cor branca e cinza. Acima da letra S, está escrito Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour — Uma introdução, em fonte de cor preta. Abaixo do S, está escrito J. D. Salinger, também em fonte de cor preta." width="527" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/erguei-bem-alto-1.jpg 1620w" sizes="auto, (max-width: 527px) 85vw, 527px" /><figcaption id="caption-attachment-25073" class="wp-caption-text">Com tradução de Caetano Galindo, Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução fecha a cortina da carreira literária de Salinger, sendo esse seu último livro publicado em vida, e, até os dias atuais, sua última obra inédita (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>J.D. Salinger &#8211; Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução (184 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final dos anos 1940, precisamente em 1948, o nome de um ex-veterano da </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><span style="font-weight: 400;">Segunda Guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos poucos sobreviventes norte-americanos do </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/20/album/1558364074_276724.html"><span style="font-weight: 400;">Desembarque da Normandia</span></a><span style="font-weight: 400;">, apareceu pela primeira vez na renomada revista </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto que dava início a uma das carreiras literárias mais brilhantes de todos os tempos – apesar de sua curta extensão, considerando que o autor publicou apenas um romance (mas foi </span><i><span style="font-weight: 400;">“o” </span></i><span style="font-weight: 400;">romance), e sagrou-se através de novelas e contos – se chamava </span><a href="https://img.travessa.com.br/capitulo/TODAVIA/NOVE_HISTORIAS-9786580309436.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Um dia perfeito para peixes banana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O nome do autor? Jerome David Salinger, ou, como ficou conhecido, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J. D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto apresenta Seymour Glass, irmão mais velho de uma família de mentes geniais; é uma figura icônica, misteriosa e profundamente comprometida em entender o mundo. Ao longo da carreira de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/02/jogos-de-linguagem-de-salinger-tornam-infernal-o-trabalho-do-tradutor.shtml"><span style="font-weight: 400;">Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, a disfuncional </span><a href="https://revistapolen.com/a-familia-glass/"><span style="font-weight: 400;">família Glass</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi sendo traçada, e, à tangente, Seymour (morto desde sua aparição) transformou-se em um guru, a referência silenciosa para os irmãos – ele era </span><i><span style="font-weight: 400;">“o imbatível”</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo Buddy Glass. Não ironicamente, a carreira de Salinger foi se solidificando junto a consolidação do nome de Seymour, sendo esse um de seus personagens mais geniais. A última obra publicada por Jerome – antes de cessar suas publicações e iniciar a reclusão que durou até o fim de sua vida, em 2010 – foi </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/erguei-bem-alto-a-viga-carpinteiros-seymour-uma-introducao"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1963). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É engraçado enxergar que, desde o surgimento de Seymour, tentamos entender sua mente e o que levou a fazer o que fez, mas, somente 15 anos depois, Salinger apresentará um livro para contar, propriamente, a história do personagem, mesmo que narrada pelo irmão. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma introdução</span></i><span style="font-weight: 400;"> temos duas novelas, ambas narradas por Buddy, o escritor da família e alter ego de </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2020/12/07/montando-o-quebra-cabeca-de-j.-d.-salinger"><span style="font-weight: 400;">Jerome Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, acompanhamos a cerimônia de casamento frustrada entre Seymour e Muriel, na qual Buddy Glass se vê enroscado com a família da noiva, enquanto a segunda apresenta um esforço genuíno em reconstruir a mente desse personagem ausente, através de memórias e fragmentos que ele deixou para trás. O livro todo é o clímax da história da família, considerando, ainda, que essa cerimônia inusitada de casamento foi pincelada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Um dia perfeito para peixes banana</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra encerra com maestria – e de forma cíclica – a carreira literária de Salinger, e representa o fracasso que pode ser a reconstrução do passado, à medida que a tentativa, mesmo no escuro, já demonstra uma vitória. </span><b>&#8211;</b> <b>Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_25071" aria-describedby="caption-attachment-25071" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro The Love Hypothesis, da autora Ali Hazelwood. Na alto da capa, centralizado em letras rosas, o título do livro, sob fundo azul, com “The Love” em letras cursivas e “Hypothesis” em uma fonte formal. Abaixo dele, uma ilustração de Olive (à direita) agarrando o jaleco de Adam (à esquerda) e puxando-o para um beijo. Olive é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos presos num coque bagunçado, usando um jaleco branco com um crachá visível na gola esquerda. Adam é um homem caucasiano, mais alto que Olive, tem cabelos pretos até os ombros e usa um jaleco azul bebê por cima de uma camiseta rosa. Enquanto Olive está de olhos fechados, Adam está com os dele arregalados de surpresa. Atrás deles, uma série de frascos e vidros de laboratório com líquidos rosa sob uma bancada de trabalho azul, com o nome da autora no canto inferior direito em letras azuis-escuras e maiúsculas." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/the-love-hypothesis-1.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-25071" class="wp-caption-text">Os melhores clichês do gênero, organizados da maneira mais refrescante possível (Foto: Berkley)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Hazelwood &#8211; The Love Hypothesis (383 páginas, Berkley)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma coisa fica clara assim que começamos a ler </span><i><span style="font-weight: 400;">The Love Hypothesis</span></i><span style="font-weight: 400;">: Ali Hazelwood não se envergonha nem um pouco das origens de seu livro. O fato da obra ter nascido como uma </span><a href="https://collider.com/the-love-hypothesis-ali-hazelwood-interview/"><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é celebrado desde sua capa (ilustrada pela paraguaia </span><a href="https://twitter.com/lilithsaur"><span style="font-weight: 400;">@lilithsaur</span></a><span style="font-weight: 400;">), que evoca a semelhança dos atores dos filmes, até os agradecimentos, em que a autora ressalta a importância do apoio da comunidade para que a obra se tornasse um livro publicado. Na trama, a candidata a PhD Olive busca convencer sua melhor amiga de que está em uma relação romântica, e acaba tascando um belo de um beijo no Dr. Adam Carlsen, um professor linha-dura odiado pela maioria dos estudantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">campus</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance de estreia da autora não é nada menos do que um triunfo, tanto em gênero como em prosa. A caracterização romântica de suas personagens principais proposta dentro de um relacionamento falso (um dos clichês mais deliciosos do gênero) é primorosa, e não desperdiça nenhum momento entre as duas, forçando-as em situações cada vez mais comprometedoras, mas sem nunca tomar por garantido nenhuma das personagens secundárias ou a importância delas para a trama principal. Com a promessa de ser publicado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Arqueiro</span></i> <a href="https://impagine.online/the-love-hypothesis-entrevista-exclusiva-com-ali-hazelwood/"><span style="font-weight: 400;">no Brasil em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Love Hypothesis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um romance de peso e conteúdo que vai muito além de suas humildes origens. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_25068" aria-describedby="caption-attachment-25068" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25068" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gavia-arqueira.jpg" alt="Capa do livro Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste. A capa tem o fundo branco. No canto superior esquerdo, vemos a frase “Gavião Arqueiro do Matt Fraction é seu melhor trabalho até agora - PopMatters.com” em preto. Abaixo, vemos o logo da série de quadrinhos “gaviã arqueira”, que consiste nas duas palavras escritas em uma fonte preta, com setas nas extremidades das letras “g”, “v” e “i”, e um ponto vermelho, como se fosse um alvo, dentro do primeiro “a”. Na parte superior direita e em toda a extensão da capa, vemos ilustrações em tons de laranja. À esquerda, vemos a silhueta alaranjada de uma mulher com uma máscara e segurando uma arma. Ao lado dela, vemos a silhueta alaranjada de uma outra mulher, usando óculos que refletem palmeiras. À direita, vemos a silhueta alaranjada de um homem usando um casaco e uma gravata preta. Na parte inferior da capa, vemos as silhuetas brancas de palmeiras. Espalhados por toda a capa, vemos círculos imitando alvos, em tons de amarelo, laranja e em branco." width="500" height="769" /><figcaption id="caption-attachment-25068" class="wp-caption-text">Gaviã Arqueira: Vingadora do Oeste acompanha a personagem Kate Bishop antes de ela entrar para o Jovens Vingadores (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Wu, David Aja, Javier Pulido e Matt Fraction &#8211; Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste (120 páginas, Panini)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hawkeye</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">! A série </span><a href="https://variety.com/shop/hawkeye-marvel-comic-book-1235063311/"><span style="font-weight: 400;">inspirada nos quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Gavião Arqueiro foi a responsável por introduzir Kate Bishop ao </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, antes de chegar ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Gaviã Arqueira já viveu outras aventuras. No livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira: Vingadora da Costa Oeste</span></i><span style="font-weight: 400;">, a personagem não só já está devidamente aclimatada ao mundo heroico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, como também </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/hawkeye-origem-relacao-kate-bishop-clint-barton-quadrinhos.html"><span style="font-weight: 400;">está familiarizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e de saco cheio &#8211; de Clint Barton. E é procurando tirar férias dele e das turbulências da vida em Nova York que a arqueira, seu cachorro e seu arco e flecha viajam para Los Angeles… só que nem lá ela vai conseguir escapar dos problemas de ser uma heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito por Matt Fraction, com as capas feitas por Javier Pulido e David Aja, o livro em quadrinhos reúne as edições 14, 16, 18 e 20 da série </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/gaviao-arqueiro-como-uma-hq-sem-historia-virou-fenomeno-e-foi-parar-no-mcu/"><i><span style="font-weight: 400;">Hawkeye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Logo de cara, as ilustrações de Annie Wu são um atrativo por si só: cheias de cores, com desenhos bem dispostos, repletos de detalhes e perspectivas, e um </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">moderno, que combina com a protagonista, o visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira </span></i><span style="font-weight: 400;">é deslumbrante. Mas as ilustrações não são tudo e, graças a </span><a href="https://www.aficionados.com.br/kate-bishop-a-gavia-arqueira-jovens-vingadores/"><span style="font-weight: 400;">Kate Bishop</span></a><span style="font-weight: 400;">, a narrativa também dá certo: seguindo as aventuras da heroína, nos aproximamos dela e conhecemos mais da sua personalidade generosa e corajosa, e também engraçada, despojada, irreverente e rebelde. Seja ajudando o casal vizinho a conseguir flores para um casamento, seja protegendo Los Angeles da Madame Máscara, a divertida </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaviã Arqueira</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra porque, muito antes de ter de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/gaviao-arqueiro-diferencas-kate-bishop.html"><span style="font-weight: 400;">se encaixar ao universo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, já se considerava “</span><i><span style="font-weight: 400;">praticamente uma Vingadora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_25066" aria-describedby="caption-attachment-25066" style="width: 447px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Dias-na-Birmania-1.jpg" alt="Capa do livro Dias na Birmânia uma mulher no centro em branco e preto de costas levemente abaixada, com uma lança na mão direita, vestindo uma camiseta branca, um shorts e um chapéu. Na parte inferior há uma figura que lembra um barco. O fundo da cena é uma estampa distorcida de um céu azul com uma nuvem. No ponto superior está escrito George Orwell em branco e no canto esquerdo está escrito na diagonal Dias na Birmânia em vermelho. Todos esses elementos na capa remetem a uma colagem." width="447" height="686" /><figcaption id="caption-attachment-25066" class="wp-caption-text">George Orwell disseca o racismo estrutural em Dias na Birmânia (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>George Orwell &#8211; Dias na Birmânia (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mundo é repleto de culturas bem diferente da nossa e a Literatura nos permite viajar para conhecer essas civilizações tão discrepantes do nosso cotidiano. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;">, o primeiro romance de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/06/8-fatos-sobre-george-orwell-autor-de-revolucao-dos-bichos-e-1984.html"><span style="font-weight: 400;">George Orwell</span></a>, <span style="font-weight: 400;">publicado em 1934, o leitor é transportado para um país asiático longínquo em meados do século XX. Nesse universo somos apresentados a John Flory, um inglês que reside na Birmânia em um período em que o país era uma colônia britânica. Orwell escancara o racismo nefasto do ambiente com os privilégios de Flory por não ser nativo do lugar, porém é mal visto por outros estrangeiros devido a sua amizade com os birmaneses. Os dias na Birmânia eram inóspitos até a chegada de Elizabeth, uma jovem superficial que despertou a comunidade local de sua rotina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> já acorda o leitor para uma visão crítica sobre o colonialismo e o racismo estrutural. Orwell apresenta, logo em sua primeira obra literária, a sua análise majestosa sobre regimes autoritários, que futuramente o levou a escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa do primeiro romance do autor segue um ritmo angustiante com a autodesvalorização dos birmaneses cada vez mais acentuada e a depreciação de John Flory aumentando conforme o desenrolar da trama. A história contada por Orwell mostra um passado de um povo oprimido que reside em um país hoje conhecido como </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-11-16/junta-militar-de-mianmar-acusa-aung-san-suu-kyi-de-fraude-nas-eleicoes-de-2020.html"><span style="font-weight: 400;">Myanmar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mais revoltante de se debruçar sobre a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias na Birmânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é pensar que a realidade dessa civilização ainda é a opressão. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_25070" aria-describedby="caption-attachment-25070" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25070" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-551x800.jpg" alt="Capa do livro Leite Derramado. A imagem tem fundo laranja. No canto superior direito, está escrito o nome do autor em cor preta e fonte em caixa alta. Ao centro, alinhado à esquerda, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta branca. Embaixo do título do livro, ocupando o quadrante inferior esquerdo da capa, existe um trecho do livro escrito em fonte serifada, também em branco, num tamanho menor, comum da parte interior dos livros." width="551" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-551x800.jpg 551w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-706x1024.jpg 706w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-768x1115.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1058x1536.jpg 1058w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1411x2048.jpg 1411w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1-1200x1741.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/leite-derramado-1.jpg 1764w" sizes="auto, (max-width: 551px) 85vw, 551px" /><figcaption id="caption-attachment-25070" class="wp-caption-text">Lançado em março de 2009, Leite Derramado expõe a capacidade analítica de Chico Buarque numa saga familiar decadente (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Buarque &#8211; Leite Derramado (195 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de novembro foi para acompanhar a premiação mais importante da Literatura Brasileira e apreciar a obra político-histórica de Diamela Eltit em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jamais o fogo nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">. Então, nada melhor do que relembrar também o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/824984-leia-trecho-de-leite-derramado-vencedor-como-melhor-ficcao-do-52-premio-jabuti.shtml"><span style="font-weight: 400;">Livro do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> eleito pelo Prêmio Jabuti em 2010, que se encarrega de retratar a história do Brasil durante os nossos últimos dois séculos pelas palavras sublimes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tkaXxXXKVI"><i><span style="font-weight: 400;">Leite Derramado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor tece uma narrativa ampla sobre a formação da sociedade e da política brasileira a partir das memórias de Eulálio, que está em seu leito de morte, desatando um monólogo nada confiável para quem quiser ouvir. O protagonista, membro de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kd06GcqnwZQ"><span style="font-weight: 400;">decadente família tradicional carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">, dedica seus últimos dias ao registro oral de sua linhagem, que se inicia com ancestrais portugueses, continua com barões do Império e senadores da Primeira República, e se encerra com agentes criminosos do Rio de Janeiro atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como a consagrada escritora chilena, o aclamado letrista brasileiro faz uso de uma linguagem exímia do romance moderno, repleta de digressões livres e fechada na expressão da primeira pessoa. No entanto, ao contrário da carga dramática e psicológica da Literatura de Diamela Eltit, Chico Buarque é curto e grosso em suas análises, criadas a partir da perspectiva de um de seus </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1848/1/Chico%20Buarque%20e%20a%20malandragem.pdf"><span style="font-weight: 400;">exímios malandros</span></a><span style="font-weight: 400;">. E este, por sua vez, nunca chora o tal do leite derramado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra </b></p>
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<figure id="attachment_25069" aria-describedby="caption-attachment-25069" style="width: 539px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-539x800.jpg" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1-1200x1779.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/historiasdelevesenganoseparecencas-1.jpg 1255w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-25069" class="wp-caption-text">“Escrevo o que me falam, o que capto de muitas vivências: escrevivências” (Foto: Malê)</figcaption></figure>
<p><b>Conceição Evaristo &#8211; Histórias de leves enganos e parecenças (112 páginas, Malê)</b></p>
<p><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/conceicao-evaristo.htm"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores escritoras que esse país tem a honra de possuir. Mineira, poetisa, romancista e contista, Conceição venceu o Prêmio Jabuti em 2015, por uma de suas obras mais famosas: </span><a href="https://deliriumnerd.com/2021/03/10/olhos-dagua-conceicao-evaristo-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">Olhos d&#8217;água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E foi homenageada pelo mesmo em 2019, como Personalidade Literária do Ano. Negra e de origem pobre, seus fortes versos ressoam a dura realidade vivenciada por ela, denunciando a marginalização social e opressões de gênero. Seus livros transmitem aquilo que Conceição carrega em seu interior: arte, cultura, sabedoria e beleza.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Histórias de leves enganos e parecenças</span></i><span style="font-weight: 400;">, sexta obra da autora, reúne doze contos e uma novela que dão voz a meninas, mulheres, mães e avós. Aqui, a prática de </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/09/07/conceicao-evaristo-frases-poderosas-em-entrevista-no-roda-viva.htm"><span style="font-weight: 400;">escrevivências</span></a>,<span style="font-weight: 400;"> mais uma vez, domina o lirismo poético de Conceição Evaristo, que transcreve histórias vindas de pessoas que têm a fala sufocada pela sociedade racista e intolerante. </span><i><span style="font-weight: 400;">A moça de vestido amarelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos grandes destaques do livro, fala sobre o sagrado afrodescente de maneira sutil e ao mesmo tempo potente, carregando muita graça e sabedoria. Com o sagrado em voga, contos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa Senhora das luminescências</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Fios de ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> impulsionam a oralidade feminina e a tradição de matriz africana. Retratando o cotidiano pela voz do oprimido, Conceição Evaristo faz Arte. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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