
Vitória Mendes
Ao crescer e encarar os próprios conflitos internos, as despedidas deixam de ser eventos isolados e se tornam parte do processo. Surge então aquela sensação contraditória de sentir falta e odiar a pessoa antes mesmo que ela parta, um ressentimento que se esconde sob camadas de palavras encorajadoras. Como uma mãe vendo os filhos deixarem a cidadezinha na qual cresceram em busca de uma vida maior, o retrato que fica é do luto por alguém que ainda está vivo, mas ausente. Há uma dolorosa ironia em desejar que o ser amado vá embora e, depois, precisar lidar com o vazio deixado por ele. Esse é o sentimento que ancora The Great Divide, obra que, em meio às frustrações e expectativas, reflete a complexa jornada de seguir em frente, mesmo quando tudo que se quer é desistir ou descontar a raiva em alguém.
