Quando seguir em frente dói em quem fica: o ressentimento de Noah Kahan em The Great Divide

Um homem está em pé atrás de uma porta branca de madeira com uma tela quadriculada em formato de um rosto. O homem é branco, tem cabelos castanhos lisos na altura do ombro e bigode. Ele veste uma jaqueta bege, uma calça vinho e um boné azul escuro. Ele tem a expressão séria e o rosto encara levemente o lado direito da imagem. A fachada possui tons desgastados de branco, vermelho e laranja. Há uma luminária antiga na parede e um pedaço de uma estrutura de madeira no chão.
O artista documentou seu processo criativo, vulnerabilidades e saúde mental no documentário Noah Kahan: Out of Body, gravado após o sucesso de Stick Season (Foto: Pooneh Ghana)

Vitória Mendes

Ao crescer e encarar os próprios conflitos internos, as despedidas deixam de ser eventos isolados e se tornam parte do processo. Surge então aquela sensação contraditória de sentir falta e odiar a pessoa antes mesmo que ela parta, um ressentimento que se esconde sob camadas de palavras encorajadoras. Como uma mãe vendo os filhos deixarem a cidadezinha na qual cresceram em busca de uma vida maior, o retrato que fica é do luto por alguém que ainda está vivo, mas ausente. Há uma dolorosa ironia em desejar que o ser amado vá embora e, depois, precisar lidar com o vazio deixado por ele. Esse é o sentimento que ancora The Great Divide, obra que, em meio às frustrações e expectativas, reflete a complexa jornada de seguir em frente, mesmo quando tudo que se quer é desistir ou descontar a raiva em alguém.

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