A minha, a sua e, principalmente, a Willard R. Abbott de Janine Teagues (Foto: ABC)
Agata Bueno
Quem diria que um roteiro bem feito e um elenco de peso teria, mais uma vez, nota máxima no boletim? Após duas temporadas de funcionários que entregam o melhor de si com o pouco que recebem do falho sistema educacional norte-americano, o terceiro ano de filmagens dentro da Abbott Elementary rendeu mais uma excursão para a escola toda no Emmy. Dessa vez, além de terem o apoio do Distrito Escolar, a equipe do instituto chega na premiação com personagens muito mais maduros, humanizados e, claro, com nove chances de levar a estatueta para o colégio… ou melhor, para a casa do time de futebol norte-americano Eagles.
Jean Smart e Hannah Einbinder estão indicadas ao Emmy de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia, respectivamente, na edição de 2024 (Foto: Max)
Guilherme Moraes
A terceira temporada de Hacksmantém o script das anteriores, com uma comédia metalinguística ancorada na amizade de Deborah Vance (Jean Smart) e Ava Daniels (Hannah Einbinder) que encontra, no drama pessoal da protagonista, a própria forma de fazer humor profissionalmente. Apesar das dinâmicas entre a dupla e das questões internas dos personagens funcionarem, a temporada demora para engrenar. Na dúvida se mantinham a fórmula vazia para gerar comicidade ou exploravam um caminho mais arriscado e profundo, os roteiristas deixaram boa parte da season inconstante. Por sorte, Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky reencontram o caminho do sucesso nos últimos episódios, o que garantiu várias indicações ao Emmy 2024, incluindo ao prêmio de Melhor Série de Comédia.
X-Men ’97 foi indicado ao Emmy Awards 2024 (Foto: Disney+/Marvel Animation)
Davi Marcelgo
Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine… a principal equipe da Marvel Comics, os X-Men,estreou seu primeiro projeto dentro da Marvel Studios no começo de 2024, quebrando recordes e conquistando a indicação ao Emmy de 2024 na categoria Melhor Programa de Animação. Escrita pelo showrunner Beau De Mayo, a série X-Men ’97 é a mutação do gene do estúdio que, por muito tempo, esqueceu a singularidade de seus personagens. A animação é recheada de cenas de ação incríveis, mas não deixa de fora os dramas, romances e ‘picuinhas’ do dia a dia dos mutantes.
Nasty foi nomeado a categoria Melhor Vídeo Viral no MTV Video Music Awards (Foto: Nice Life Recording Company)
Henrique Marinhos
Quantas vezes nos pegamos pensando em como nossas vidas poderiam ser diferentes se tivéssemos feito outras escolhas? A teoria quântica sugere que todos esses possíveis caminhos coexistem até o momento em que tomamos uma decisão, colapsando todas as outras possibilidades em uma única realidade. Em entrevista à revista ELLE, Tinashe associa Quantum Baby ao seu terreno pessoal, onde todas essas expectativas se concentram em uma única obsessão: o amor.
Longe do ninho é um livro triste, mas necessário (Foto: Intrínseca)
Marcela Lavorato
Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol é um livro que honra as memórias daqueles se foram e dos dezesseis jovens que sobreviveram. Daniela Arbex, jornalista investigativa, não falha em trazer – assim como em Holocausto Brasileiro (2013), Cova 312 (2015) e Todo dia a mesma noite (2018) – o desrespeito dos responsáveis pelo incêndio que vitimou Arthur Vinícius, Athila Paixão, Gedson Santos, Pablo Henrique de Souza, Vitor Isaías, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Samuel Rosa, Rykelmo de Souza e seus sonhos.
Com uma escrita impactante, a autora se debruça em dez mil folhas de arquivos sobre o caso para trazer à tona a imprudência da instituição do Flamengo e seus dirigentes. Durante as 266 paginas, acompanhamos a reconstituição do caso e nos é revelado que o local de ‘moradia’ – contêineres totalmente inadequados nunca deveriam ser chamados pelo termo –, localizado no centro de treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, não tinha alvará como alojamento. Determinado como estacionamento em um dos documentos, as famílias confiaram seus filhos à instituição, pensando que a mesma iria tratá-los com respeito e decência, mas o que é mostrado indica o contrário.
O longa foi pré-selecionado para representar a Itália na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024 (Foto: Vision Distribution)
Henrique Marinhos
EnquantoBarbie levava multidões trajadas de rosa aos cinemas em 2023, Ainda Temos o Amanhã (C’è Ancora Domani,no original) alcançou otopo das bilheterias na Itália só com o preto e branco. O debut como diretora de Paola Cortellesi encantou ao construir uma narrativaneorrealista ambientada em 1946, em uma Itália devastada após o fim da Segunda Guerra, na qual todo e qualquer homem é coadjuvante.
Em algum momento você não está mais crescendo, você está envelhecendo, mas ninguém consegue identificar exatamente esse momento (Foto: Universal Studios)
Leticia Stradiotto
A primeira cena de Boyhood: Da Infância à Juventude é um céu nublado, mas muito azul. Yellow, do Coldplay, toca ao fundo. Logo, somos apresentados a um menino que observa o céu, deitado na grama com o braço dobrado sob a cabeça. Essa criança nos introduz a um rosto que não conhecemos e se torna familiar em pouco tempo, pois enquanto ela observa o céu, nós a observamos crescer e abraçar o mundo – entre os céus claros e escuros.
Você já se perguntou como as pessoas envelhecem nos filmes? Normalmente, essas impressões são realizadas através de maquiagens bem elaboradas, técnicas avançadas de edição e efeitos especiais para simular a passagem do tempo. No entanto, em Boyhood (no original), Richard Linklater optou por uma abordagem radicalmente diferente e autêntica: a obra foi gravada ao longo de 12 anos consecutivos, permitindo que o envelhecimento dos personagens acontecesse de forma completamente natural.
Las Mujeres Ya No Lloran obteve mais de 13,4 milhões de streams no Spotify em seu lançamento (Foto: Sony Music Latin)
Vitória Borges
Carinhosamente conhecida como a ‘primeira latina do mundo’ pelo público do X, antigo Twitter, a colombiana Shakira finalmente lançou seu tão aguardado 12º álbum. No intitulado Las Mujeres Ya No Lloran,a artista traz, em suas composições, dores e vivências após o divórcio do ex-marido Gerard Piqué, que ganhou grande repercussão nas redes. A obra possui uma profundidade emocional que ressoa fortemente em cada uma das faixas.
Lançado pela gravadora Sony Music Latin, o sucessor do hipnótico El Dorado – ganhador do Grammy de Melhor Álbum Pop Latino em 2018 – compartilha o recomeço em meio ao caos, combinando sentimentos com a clássica assinatura sonora de Shakira. A produção não foge muito do estilo da cantora, que consegue ‘dar sua cara a tapa’ nas faixas da obra e fazer uma saborosa limonada com os limões que foram jogados em seu colo.
Tom Ripley é um sujeito malandro, porém, não muito sociável (Foto: Netflix)
Guilherme Dias Siqueira
Alguns tipos de pessoas nos chocam pela insensibilidade, por não apresentarem remorso e por causarem mal a qualquer um que não lhes sirva um propósito. Em Ripley, série de suspense neo-noir da Netflix, acabamos hipnotizados por um estranho sujeito que se encaixa nessas categorias. Porém, isso não significa que Thomas Ripley, um contador “difícil de se achar”, que se esgueira pelas ruas sujas de uma Nova York da década de 1960, seja um vilão carismático – para falar a verdade, ele é antipático e amargo de uma forma irremediável.
O que nos captura em Ripley são as situações que se enrolam nas pernas do protagonista, interpretado por Andrew Scott, como teias de aranha. Ele tem que dominar a situação e o faz com absoluta maestria. Desde quando é abordado por um detetive particular em um bar, Tom consegue dar todas as respostas certas. O problema é que pessoas comuns não dão apenas respostas certas. A falsidade das poucas emoções que o norte-americano consegue simular não convence a todos.
Anne Hathaway e Jessica Chastain têm uma química que deveria ter sido ainda mais explorada (Foto: Imagem Filmes)
Ana Clara Archanjo
No primeiro ato de Instinto Materno, que se passa na década de 1960, as casas vizinhas e os filhos da mesma idade são o pano de fundo para a amizade entre Céline (Anne Hathaway) e Alice (Jessica Chastain). Como ponto de tensão, ocorre um acidente que transforma a relação entre as duas e desperta o que há de mais instintivo entre essas mulheres. O desenrolar, em um suspense fraco e previsível, é pautado em desconfiança e inveja, que interferem na amizade entre as protagonistas. Não é um exercício de criatividade muito complexo imaginar o final de Mothers’ Instinct (no original). Então, é preciso se esforçar para capturar os únicos acertos do filme: as atuações.