A bagunça de quem só queria ser um dos Strokes

Foto: Reprodução

Maria Carolina Gonzalez

A bagunça começou em janeiro de 2016, quando Alex Turner ganhou um piano Steinway Vertegrand no seu aniversário de 30 anos. Acostumado com o caminho certeiro que a guitarra o levava desde sua adolescência, Turner – agora com mais experiência, mais barba e a maturidade dos anos – precisava se reinventar diante daquilo que não era comum ao estilo que o Arctic Monkeys criou por muito tempo. Com esse tiro no escuro, o quarteto de Sheffield lançou seu sexto álbum de estúdio: Tranquility Base Hotel + Casino.

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Hard Candy: a doce pitada egóica de Madonna

Leandro Gonçalves e Leonardo Oliveira

De beleza estonteante e orgulho não comedido, Narciso encontrou sua ruína na admiração exagerada pela própria imagem. Ao ver a si mesmo refletido nas águas de um bosque, o jovem filho do deus Cefiso apaixonou-se pelo seu respectivo eu e, hipnotizado, definhou diante da representação de seu rosto.

Em Hard Candy (2008), Madonna encarna a figura narcisista exemplificada pela fábula grega. Porém, diferentemente do pobre menino que sequer conhecia a si próprio, a material girl comprova ter completo domínio sobre a personagem que construiu durante sua carreira. Não intimidada pelo próprio poder, Madonna canta sobre ainda ser a melhor.
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Melhores discos de Abril/2018

#Beychella

Egberto Santana, Guilherme Hansen, Leonardo Teixeira e Nilo Vieira 

Não deu outra: o mês foi delas. A volta triunfal de Beyoncé aos palcos (no que provavelmente foi a melhor performance de sua carreira) representou apenas o apogeu de um momento quase que dominado para mulheres e seus trabalhos fortíssimos. Por outro lado, o falecimento de Dona Ivone Lara, a Rainha do Samba, adicionou nota agridoce aos últimos dias. Vamo que vamo.

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Third, do Portishead, foi escrito para mim

Adriano Arrigo

O trio inglês Portishead foi achado em um momento de transição quando eu tinha, mais ou menos, 18 anos. Minha transição foi religiosa. A típica frase “minha religião não permite” era bem clara para mim, mas isso não deixava que eu tivesse no meu Winamp hits como “Glory Box”, “It Could be Sweet” e “Roads”. Por incrível que pareça, esta última me foi apresentada por um menino neopentecostal. Os primeiros toques pesados e melancólicos de Beth Gibbons cantando “Oh, can’t anybody see?” já eram o suficiente para cultivar uma melancolia que eu fazia ligação com o que me acontecia naquele momento. Mas ao final, eu nem sabia exatamente sobre que ela estava falando.

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Em São Paulo, o Radiohead transformou falhas em arte

“Corações partidos fazem chover” (Foto: Rafael Tassio)

Gabriel Leite Ferreira

Eram pouco mais de oito horas da noite quanto Thom Yorke, Jonny Greenwood, Ed O’Brien, Colin Greenwood e Philip Selway adentraram o palco da Allianz Arena, no último domingo. O Radiohead não pisava em terras brasileiras desde 2009. As vendas aquém do esperado deixou certo gosto de decepção, mas, aos primeiros acordes de “Daydreaming”, falhas humanas foram esquecidas – ou quase.

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Melhores Discos de Março/2018

Marina Diamandis, FKA twigs, Florence Welch e Lana del Rey: o squad reunido (Reprodução)

Gabriel Leite Ferreira, Leonardo Teixeira e Nilo Vieira

Março repetiu a tendência dos meses passados: o underground dominou, enquanto o mainstream marcou presenças pontuais. Do metal mais fúnebre ao r&b dor de cotovelo, enfim, tem pra todos os gostos! Confira:

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Os Beatles quebrando a cebola de vidro

Gabriel Rodrigues de Mello e Maria Carolina Gonzalez

Em 22 de março de 1963, o mundo passaria a conhecer a potência e a ambição do famoso quarteto de Liverpool em apenas 32 minutos. Apesar da pouca duração, o impacto que Please Please Me trouxe para o rock e para a evolução da indústria musical ainda é modelo para várias gerações.

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PAESE Corp., Mitolorgia e a periferia na cena cultural

Logo da PAESE (Foto: Divulgação/PAESE)

Egberto Santana Nunes

Há 21 anos, o grupo de rap RZO lançava o clássico single O Trem, cujo seguinte trecho “Pegar o trem é arriscado, Trabalhador não tem escolha, Então enfrenta aquele trem lotado”  iria grudar nas mentes do público, chegando até a virar sample da banda de hardcore paulistana Discarga. Quando o problema nos trens descrito na letra se agrava, a Companhia de Transportes Metropolitano (CPTM) invoca a PAESE – Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência. Além disso, é também o nome pensando entre quatro amigos para designar a mais nova produtora musical independente da Zona Leste.

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Com Lenine, público definitivamente não saiu só

Nada de solidão: Lenine cantou para todos (Foto: Heloísa Manduca)

Esbanjando bom humor, Lenine trouxe fusão entre ótimo repertório e crítica social

Guilherme Hansen e Heloísa Manduca

Enquanto a cidade de São Paulo viveu o festival de música Lollapalooza, Bauru não ficou de fora do agito. Aconteceu no último sábado, 24, no ginásio do Sesc, o show do cantor pernambucano-carioca Lenine. Com uma retrospectiva ao longo da sua carreira e menção em defesa do caso Marielle Franco, Lenine trouxe música boa para quem sabe ouvir.

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O prazer sombrio do Roxy Music

Estileira completamente foda: imagem do gatefold original de For Your Pleasure (Reprodução)

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O grupo britânico Roxy Music quiçá seja a encarnação máxima do glam rock. David Bowie pode ter surgido antes, mas a trupe comandada pelo vocalista Bryan Ferry elevou os arranjos coloridos e roupas chavosas do estilo a outro patamar na década de setenta. Interessante notar, porém, que sua obra-prima utiliza dessa estética sob perspectiva sombria, às vezes beirando o desconfortável.

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