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	<title>Arquivos Seguinte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Seguinte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2024 23:22:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[27ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chegando a sua 27ª edição, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34080" aria-describedby="caption-attachment-34080" style="width: 1024px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34080" class="wp-caption-text">Imergindo no universo literário, o Persona marcou presença na maior edição dos últimos dez anos da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Texto de Abertura: Jamily Rigonatto / Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando a sua 27ª edição, a</span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;"> Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os integrantes acessaram o espaço credenciados como Imprensa para realizar a cobertura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span id="more-34063"></span></span><span style="font-weight: 400;">Com um público visitante de 722 mil pessoas no total do ano, a Bienal de 2024 se consagrou como a maior dos últimos dez anos. O evento, que é promovido a cada dois anos pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi realizado no Distrito Anhembi, região central da Grande São Paulo. O cronograma extenso se debruçou em autores nacionais e internacionais, trazendo grandes nomes como Hayley Kyoko (</span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">), Vitor Martins (</span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">), Rafael Montes (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeff Kinney (</span><i><span style="font-weight: 400;">Diário de um Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p>Divididos por blocos identificados por letras, estavam dispostos 227 expositores e mais de 500 selos editoriais para o público escolher, sendo alguns deles a <a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/">Companhia das Letras</a>, Editora Intrínseca, PANINI, <a href="https://personaunesp.com.br/tag/sesc/">Sesc</a>, Rocco e Editora Record. Em alguns estandes as filas davam voltas, com leitores animados para aproveitar promoções e descontos especiais oferecidos nas compras dos exemplares.</p>
<figure id="attachment_34066" aria-describedby="caption-attachment-34066" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283.jpg 627w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34066" class="wp-caption-text">A credencial de imprensa para a Bienal do Livro pode ser solicitada antes do evento por portais, revistas e demais veículos jornalísticos que trabalhem com cultura (Foto: Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 08, o autor Vitor Martins, dono de sucessos do nicho LGBTQIA+ e </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i><span style="font-weight: 400;">, compareceu a uma mesa da Amazon para falar sobre processos de escrita, relembrou a representatividade e destacou o lançamento de seu novo livro intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais ou menos 9 horas</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que também é tradutor, assina textos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quize dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Se a casa 8 falasse</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em suas declarações, refletiu sobre como o acolhimento nas páginas pode mudar as perspectivas de pessoas e minorias que se encontram menos em espaços de identificação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na arena cultural, o tema se voltava a outra ótica, com o autor de suspense e literatura policial Raphael Montes, que, por meio da Cia das Letras, trouxe um debate sobre os gêneros literários que escreve. Além dele, a Companhia também trouxe a vencedora do Prêmio Jabuti de Romance Literário de 2023, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Micheliny Verunsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um bate-papo sobre a herança do passado nos discursos da contemporaneidade, no Salão de Ideias. </span></p>
<figure id="attachment_34065" aria-describedby="caption-attachment-34065" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34065" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-768x1024.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-1152x1536.jpeg 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34065" class="wp-caption-text">Algumas editoras tinham mais de um estande espalhado pelo espaço (Foto: Guilherme Leal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embarcando em outro tipo aspecto do perfil de leitores e escritores, o Sesc Edições ainda promoveu a mesa “Vozes Negras na Literatura” que trazia Camilla Dias, assistente social, crítica literária e curadora literária,</span><span style="font-weight: 400;"> Mario Medeiros, autor do livro “A descoberta do insólito”, Sidney Santiago, ator e performancer, e </span><a href="https://www.instagram.com/iamidria?igsh=MWRqZXFvN3Y2eDBkMg=="><span style="font-weight: 400;">Midria</span></a><span style="font-weight: 400;">, poetisa e mestranda em antropologia. Fazendo leituras de referências como Conceição Evaristo e Mirian Alves, o debate trouxe discussões sobre espaços, pertencimento e acessos da comunidade negra.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i></i></p>
<blockquote><p>“Mas independentemente da idade, tem muita gente que se sente como se não pertencesse a essa ‘paulicéia’ desvairada. É que tem muita gente que não se apropria desse espaço – maior da América Latina, maior do Brasil – uma cidade tão grande, mas que se perde em dinheiro…” &#8211; Mídria</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os integrantes do Persona gostaram muito de encontrar a diversidade dos livros e contam um pouco mais sobre o momento especial e suas novas aquisições literárias abaixo.</span></p>
<hr />
<p><strong>Dicas do mês + relatos<br />
</strong></p>
<figure id="attachment_34067" aria-describedby="caption-attachment-34067" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-690x1024.png 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-768x1139.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1035x1536.png 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1380x2048.png 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1200x1780.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1.png 2022w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-34067" class="wp-caption-text">“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.”(Foto: Harper Kids)</figcaption></figure>
<p><b>O Pequeno Príncipe &#8211; Antoine de Saint-Exupéry</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe é um clássico da literatura e quase um clichê. É o equivalente a quando se pergunta a uma pessoa qual o filme favorito dela e ela responde </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou qual a série favorita e a resposta é</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, diferentemente desses exemplos, a história de Antoine de Saint-Exupéry não se saturou com o tempo. Ao contrário, ganha um novo significado conforme ficamos mais velhos.</span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Minha relação com este livro é engraçada. Comecei a leitura quando tinha 16 anos na biblioteca da minha cidade, mas nunca cheguei a terminar. Sempre que voltava ao lugar eu recomeçava, na esperança de ler de uma vez só. O tempo se passou e nunca mais havia sequer pensado nessa história, foi quando o encontrei novamente em um estande da Bienal e decidi levá-lo para casa com a intenção de finalmente conhecer </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Arthur Caires</b></strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_34069" aria-describedby="caption-attachment-34069" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-34069" class="wp-caption-text">Pessoas Normais disseca as inquietações que assolam todo e qualquer jovem adulto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pessoas Normais &#8211; Sally Rooney</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2023, eu li pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Kindle</span></i><span style="font-weight: 400;"> a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, da irlandesa Sally Rooney, e o meu mundo mudou. Quando fomos para a Bienal, decidi comprar a versão física para voltar ao mundo criado pela autora. A trama se concentra em Connell e Marianne, dois jovens que estão em grupos diferentes no que se relaciona à pirâmide social do ambiente escolar. Enquanto ela é a odiada do colégio, o jovem é querido por todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na universidade, os papeis se invertem: o rapaz se torna um mero estudante, e a garota encontra um grupo de amigos e se torna conhecida e amada. Muito mais do que apenas amigos, Connel e Marianne são a pessoa da vida um do outro. O que torna o romance tão único é a forma como, de alguma maneira, eles sempre se desencontram. Não se limitando a tópicos amorosos, o livro também aborda situações mais sensíveis, como depressão, ansiedade e abuso. O maior feito de Rooney ao escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original) é comprimir em 262 páginas todo o medo, insegurança e excitação que vêm com a chegada da vida adulta. </span><b>&#8211; Guilherme Leal</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34071" aria-describedby="caption-attachment-34071" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-695x1024.jpg 695w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-768x1132.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1042x1536.jpg 1042w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1200x1768.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-34071" class="wp-caption-text">Um bom suspense é escolher pelo acaso (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><strong>Fumaça Branca &#8211; Tiffany Jackson</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem disse que um livro não pode ser escolhido pela capa? Na minha primeira vez visitando a Bienal Internacional do Livro em São Paulo, as capas brilhantes e cheias de ilustrações instigantes com certeza foram um dos principais motivos de um colapso no meu cartão de crédito, que não pode deixar de ser usado para um bem maior. Em uma dessas armadilhas envoltas em boa estética, encontrei </span><i><span style="font-weight: 400;">Fumaça Branca</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Tiffany D. Jackson e traduzido por Solaine Chioro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A escolha foi certeira, já que o texto repousa sobre meu gênero literário favorito: o suspense. Em uma reinvenção da ideia clássica dos filmes e contos do nicho, a narrativa escolhe retratar o conceito de casa mal assombrada com elementos de reviravolta e mistério. Assim, ir contra o famoso ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não escolha o livro pela capa”</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido uma das melhores ideias que uma leitora poderia ter no maior festival literário da América Latina. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<p><strong>Na Ponta da Língua: Reflexões sobre Linguagem e Sentido &#8211; Peter Brook</strong></p>
<figure id="attachment_34072" aria-describedby="caption-attachment-34072" style="width: 484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg" alt="" width="484" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg 484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook.jpg 605w" sizes="auto, (max-width: 484px) 85vw, 484px" /><figcaption id="caption-attachment-34072" class="wp-caption-text">“Todas as formas são degraus para se chegar ao sentido. E o sentido é o eterno graal que inspira a busca” (Foto: Edições Sesc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estande das </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/sesc-na-bienal-e-sinonimo-de-livros-e-tambem-de-programacao/"><span style="font-weight: 400;">Edições Sesc</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Bienal é uma constante: todo ano vale a pena entrar. As prateleiras se enchem de Arte, Cultura, História, Política, Filosofia e tudo que é humano. Para cada cantinho que você olha, tem joias escondidas, e foi nessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Na ponta da Língua</span></i><span style="font-weight: 400;"> me chamou a atenção. O livro é definido em sua contracapa como uma investigação da relação entre a palavra e seu verdadeiro sentido, por </span><a href="http://issocompensa.com/teatro/peterbrook"><span style="font-weight: 400;">Peter Brook</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande nome do teatro contemporâneo europeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O senhor inglês, de 94 anos na época, traz uma perspectiva única sobre a linguagem, a partir de sua </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/07/peter-brook-influenciou-o-teatro-com-sua-ideia-de-palco-nu-voltado-ao-ator.shtml"><span style="font-weight: 400;">carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vivências internacionais. Nascido na Inglaterra, mas residente da França há meio século, o artista explora no livro as diferenças e semelhanças entre sua língua materna e a segunda língua. Sobretudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Ponta da Língua </span></i><span style="font-weight: 400;">é um depoimento e uma análise dos elementos mais básicos da comunicação humana, que exercemos todos os dias. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<p><strong>Holocausto Brasileiro &#8211; Daniela Arbex</strong></p>
<figure id="attachment_34073" aria-describedby="caption-attachment-34073" style="width: 556px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg" alt="" width="556" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro.jpg 695w" sizes="auto, (max-width: 556px) 85vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-34073" class="wp-caption-text">“Se existe inferno, o Colônia era esse lugar” (Foto: Editora Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou apaixonada pela escrita da Daniela Arbex há anos, li o </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o meu primeiro ano de faculdade e logo me senti no caminho certo da graduação. Talvez o fato dela ser uma excelente jornalista investigativa tenha me incentivado a continuar acompanhando, também, suas outras produções. Quando soube que iríamos à Bienal, logo pensei em comprar seu livro físico para ler novamente e (quem sabe um dia) conseguir seu autógrafo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a jornalista reporta, por meio de entrevistas, documentos e relatos, a chocante realidade do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, onde cerca de 60 mil pessoas foram mortas. O livro denuncia o tratamento impiedoso e a negligência extrema com que os internos foram submetidos, de maneira surpreendente, Arbex reconstrói a história de um dos maiores fatos cruéis, trazendo à tona um capítulo tão sombrio da história brasileira. </span><b>&#8211; Vitória Borges</b></p>
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		<title>Os Melhores Livros de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 23:22:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no Persona. A parceria com a Companhia das Letras recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30219" aria-describedby="caption-attachment-30219" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30219 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_livros22-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30219" class="wp-caption-text">Entre o melhor da Literatura em 2022, tivemos a tradução da obra póstuma de David Foster Wallace, novas edições de Shirley Jackson e o romance de estreia de Jarid Arraes (Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No último ano, a editoria de Literatura foi uma das áreas que se consolidou no </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. A parceria com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu uma melhoria, nos tornando Parceiros Fixos. Como resultado, mais de 30 livros foram resenhados em 2022, e a grande maioria foram obras lançadas pela editora. Nós também ficamos de olho em eventos literários, como o Nobel de Literatura, e nosso Clube de Leitura e Estante do Persona se revitalizaram. Como um balanço do que foi o ano passado para o projeto – e para a Literatura no mundo –, chegamos com </span><b>Os Melhores Livros de 2022</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos dias 2 ao 10 de Julho, membros da nossa Editoria cobriram a 26ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andréa Del Fuego</span></a><span style="font-weight: 400;">, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de Paulina Chiziane e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento, na verdade, teve dupla celebração: além do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">centenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do único escritor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura, 2022 também marcou o bicentenário da Independência do Brasil. Dessa forma, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum, e contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Maio, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">publicou a tradução</span><i><span style="font-weight: 400;"> O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance póstumo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2012 e que estava em processo de tradução desde 2014. Pela mesma casa editorial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">, do húngaro László Krasznahorkai, finalmente chegou ao mercado editorial brasileiro. Eterno favorito ao Nobel de Literatura, esse é o primeiro livro do autor publicado no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, falando da premiação, 2022 foi o ano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escritora francesa foi a grande vencedora do Nobel de Literatura, e foi tema do nosso Clube do Livro meses antes de sua consagração. Em Novembro, ela veio ao Brasil para participar da Festa Literária de Paraty (Flip), onde dividiu uma mesa com Geovani Martins, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além das entrevistas com os escritores </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/"><span style="font-weight: 400;">Tobias Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> também foi representado no </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i> <a href="https://open.spotify.com/episode/1dOTIWtNNlDelSVX5VXmVd?si=5c66a84ee3a34f81"><i><span style="font-weight: 400;">Clube</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Rádio Companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, no papo sobre os 10 anos de lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Galera.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você confere a lista das obras que marcaram os membros da Editoria e nossos colaboradores no ano de 2022, com gêneros e estilos para todos os gostos. Seja qual for a sua escolha, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> segue defendendo a pluralidade, irreverência e emancipação propiciada pelos livros. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-30157"></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30182" aria-describedby="caption-attachment-30182" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30182 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/oacontecimento.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30182" class="wp-caption-text">Chegando ao Brasil em 2022 pela editora Fósforo, O Acontecimento foi primeiramente publicado na França nos anos 2000 (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux – O Acontecimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que vale é a qualidade e não a quantidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa frase serve para definir a ponta do </span><i><span style="font-weight: 400;">iceberg</span></i><span style="font-weight: 400;"> da catarse que Annie Ernaux provoca com suas meras 80 páginas na obra </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambientado em 1963, o livro possui caráter autobiográfico, trazendo a passagem de quando, aos 23 anos, a autora engravidou, contra seu desejo, de seu namorado à época. Quarenta anos depois, Ernaux usa toda a força para destrinchar o capítulo de vida em que, sozinha, buscou meios para realizar o aborto de maneira clandestina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma mulher faz aborto sorrindo, e </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das principais vozes feministas da contemporaneidade, para esclarecer toda a profundeza de sentimentos envolvidos, se arma de seu bem maior: as palavras. Aqui não existe a intenção de criar um teatro ou trazer subjetividade em relação às escolhas feitas sob o próprio corpo; a autora é direta e honesta em contar publicamente sua história. Acima disso, a imersão criada pela análise de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva o leitor a refletir sobre como as leis imperam nos corpos femininos. Esse dom e coragem de Annie Ernaux na produção de textos tão crus e carregados de uma verdade ímpar, ao mesmo tempo comum a sociedade, a tornou vencedora do </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/10/06/escritora-francesa-annie-ernaux-ganha-nobel-de-literatura.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30166" aria-describedby="caption-attachment-30166" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30166 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Manifesto. A capa mostra uma pintura da autora Bernardine Evaristo do peito para cima. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 50 anos, com cabelos pretos, vestindo uma camisa rosa clara e uma jaqueta vinho. Na parte superior central, vemos as palavras “da autora de garota, mulher, outras”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Na parte inferior central, vemos as palavras “manifesto” e, abaixo, “sobre nunca desistir”, em uma letra sem serifa e em caixa alta, em branco. Abaixo, alinhado à esquerda, vemos as palavras “bernardine evaristo”, em uma fonte sem serifa, em caixa alta e em um tom esverdeado claro. À direita, vemos o logo da Companhia das Letras em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91GUAuE16lL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30166" class="wp-caption-text">Pela tradução de Camila von Holdefer, um diário de Bernardine Evaristo ganha corpo em Manifesto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Manifesto: Sobre nunca desistir</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consolidada autora de ficção e não-ficção, professora de escrita criativa e presidente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Royal Society of Literature</span></i><span style="font-weight: 400;">, a principal organização literária da Grã-Bretanha, em 2019 Bernardine Evaristo se consagrou no mercado editorial com o troféu do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/10/15/margaret-atwood-e-bernardine-evaristo-recebem-booker-prize.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o maior prestígio da literatura inglesa, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota, Mulher, Outras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Muito antes da fama e dos louros, a escritora britânica era uma iniciante como qualquer autor, o que ela narra no livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto: Sobre nunca desistir</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Evaristo percorre os caminhos que a levaram a sua literatura atual: seu modo de escrita, suas convicções acerca do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/entenda-como-bernardine-evaristo-ganha-o-mundo-com-livros-sem-se-curvar-a-regras.shtml"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas inspirações mudaram desde que saiu da casa de sua grande família, e a influenciaram a compor sua prosa como é hoje. Atingindo seu ápice ao mergulhar mais profundamente do que o leitor testemunha na leitura, a inglesa perpassa o que, antes de pegar o papel e caneta, a formou como pessoa.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, literalmente, o manifesto de Bernardine Evaristo. De origem nigeriana, a autora repassa seus anos de criança e adolescência, vivendo em uma casa com muitos irmãos e pouca individualidade, e descobrindo sua própria identidade &#8211; aqui, tanto como mulher negra, filha de mãe branca, quanto sua orientação sexual, ideologia política e social. Sensível, sincero e direto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Manifesto: Sobre nunca desistir </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece uma janela aberta a vida de uma das mais importantes e </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-06-12/bernardine-evaristo-o-black-lives-matter-e-o-metoo-ja-mudaram-a-sociedade.html"><span style="font-weight: 400;">relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escritoras contemporâneas vivas. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30197" aria-describedby="caption-attachment-30197" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30197 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg" alt="Capa do livro A Vergonha. Na capa está uma foto em preto e branco dos pais de Annie. Ao redor há blocos retangulares coloridos em azul, roxo, vermelho, amarelo e verde. Cada um desses blocos abriga uma palavra: A está no azul; Vergonha está no roxo; Annie está no vermelho; Ernaux está no amarelo; e Fósforo, o nome da editora, está no verde" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71GoOoh2K1L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30197" class="wp-caption-text">Em A Vergonha, a ganhadora do Nobel de Literatura de 2022 desvenda as próprias relações familiares (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; A Vergonha</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criadora da </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/o-reconhecimento-as-autossociobiografias-de-annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">autossociobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">, Annie Ernaux, já se mostrou uma mestre em contar histórias da própria vida de um jeito cru e subversivo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora não abandona esse viés e traduz milimetricamente os eventos que rodearam sua infância. Vivendo na Normandia com 12 anos, o livro começa com um evento traumático ocorrido em uma tarde de domingo na casa dela e, a partir disso, somos expostos a desenrolares absurdos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é contado com ritmo permanente e com uma clássica mistura de reflexão e literalidade, já conhecidas em outros textos de Annie, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Lugar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem precisar de recursos dramáticos, a obra – traduzida por Marília Garcia – nos coloca no cerne das coisas que constróem a tal </span><i><span style="font-weight: 400;">vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">na forma de um constrangimento acerca do próprio existir. Assim, a leitura das 88 páginas nos dói, mesmo sem tal intenção. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um tiro, rápido e fatal. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30161" aria-describedby="caption-attachment-30161" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30161 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg" alt="" width="697" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-697x1024.jpg 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-545x800.jpg 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-768x1128.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L-1046x1536.jpg 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dnNIG0p1L.jpg 1731w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30161" class="wp-caption-text">O livro recebeu uma edição comemorativa de 10 anos, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (Edição Especial de 10 anos)</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211289/barba-ensopada-de-sangue-edicao-especial-de-10-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Barba Ensopada de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um professor de Educação Física sem nome, que viaja para Garopaba em busca de seu avô desaparecido, após o suicídio do pai. Essa história, porém, já possui mais de 10 anos. Em 2022, em comemoração a data, a obra recebeu uma edição especial comemorativa, com apresentação de Carol Bensimon e posfácio de Júlio Pimentel. O interessante é perceber que, uma década depois, continua a ser um livro instigante e potente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temas como identidade, família, memória e morte são amplamente abordados na trama, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizando uma linguagem rica e poética para descrever as paisagens costeiras do sul do Brasil e a atmosfera opressiva e enigmática da história – seja com h minúsculo ou maiúsculo. Ao mesmo tempo, o romance também apresenta uma reflexão profunda sobre as relações humanas e as consequências do passado em vidas presentes. Leitura essencial para quem deseja se aprofundar na Literatura brasileira contemporânea. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30178" aria-describedby="caption-attachment-30178" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30178 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61WPG3OBBML.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30178" class="wp-caption-text">O livro desmente muitos dos valores absolutos defendidos na sociedade capitalista (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Graeber &amp; David Wengrow &#8211; O despertar de tudo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse livro fascinante, escrito pelo antropólogo David Graeber e pelo arqueólogo David Wengrow, os autores propõem uma nova visão da história da humanidade. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211722/o-despertar-de-tudo"><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma crítica às teorias convencionais sobre a evolução humana, que supõem uma trajetória linear e progressiva rumo à civilização. Segundo os autores, a história da humanidade é muito mais complexa e multifacetada do que se imagina. Eles argumentam que a noção de &#8220;primitivismo&#8221; é equivocada e que as sociedades &#8220;primitivas&#8221; possuem formas de organização social e conhecimento que são tão complexas quanto as sociedades ocidentais modernas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/desigualdades/novas-historias-da-humanidade"><span style="font-weight: 400;">Graeber e Wengrow</span></a><span style="font-weight: 400;"> defendem que as sociedades humanas possuem uma capacidade inata de inovação e criatividade, e que a história da humanidade é marcada por momentos de despertar coletivo, nos quais novas ideias e práticas surgem e transformam a sociedade. Por meio de uma análise profunda da história da humanidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">O despertar de tudo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos convida a repensar nossas concepções sobre a natureza humana e a sociedade. Com uma visão mais plural e diversa da história, que valoriza as contribuições de todas as sociedades humanas, o livro nos inspira a buscar novas formas de convivência e desenvolvimento. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30177" aria-describedby="caption-attachment-30177" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30177 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo o Que Eu Sei Sobre o Amor. A capa é amarela e possui o título escrito em letras vermelhas. Alinhado à esquerda lê-se o título “tudo o que eu sei sobre festas, encontros, amigos, trabalho, a vida, o amor”, porém, as palavras “festas”, “encontros”, “amigos”, &quot;trabalho&quot;, “a vida” estão rabiscados por linhas azuis, de forma que “o amor” fica em evidência. Esse escrito ocupa quase toda a capa. Abaixo do título está escrito o nome da autora, Dolly Alderton em letras azuis. No canto inferior direito está o logotipo da editora intrínseca." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61TxfU5rDL-e1678197875366.jpg 813w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30177" class="wp-caption-text">O livro Tudo o que eu sei sobre o Amor chegou no Brasil pela editora Intrínseca, traduzido por Ana Guadalupe (Foto: Anderson Junqueira/Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Dolly Alderton &#8211; Tudo o que eu sei sobre o Amor</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o que eu sei sobre o Amo</span></i><span style="font-weight: 400;">r é a autobiografia de </span><a href="https://dollyalderton.com/about/"><span style="font-weight: 400;">Dolly Alderton</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritora e jornalista britânica, que conta de forma divertida sua jornada de amadurecimento. O livro começa provocando a indagação “</span><i><span style="font-weight: 400;">que vidas malucas são essas?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas, ao longo dos capítulos, desperta a mais profunda identificação com aqueles que já foram, ou ainda são, jovens perdidos e </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/06/fenomeno-do-tiktok-tudo-o-que-eu-sei-sobre-o-amor-chega-as-livrarias-em-julho/"><span style="font-weight: 400;">apaixonados</span></a><span style="font-weight: 400;">. A leitura, que pode começar um pouco intrincada, adquire ritmo paulatinamente, até envolver o leitor numa história tão relacionável sobre as dores e as delícias de ser adulto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora registra todos os seus vacilos, egoísmos e aprendizados ao longo de seus vinte e poucos anos, de maneira sincera e irreverente, tal qual a personagem </span><a href="https://play.acast.com/s/sentimentalgarbage/introducing-sentimentalinthecity-withdollyalderton"><span style="font-weight: 400;">Carrie Bradshaw</span></a><span style="font-weight: 400;">, de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sex and the City</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra também guarda semelhanças com o romance de Helen Fielding, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Bridget Jones </span></i><span style="font-weight: 400;">(1996), cuja diferença consiste no diário de Alderton não ter nada fictício. As crônicas da britânica, além de registrarem o que ela sabe sobre o amor, expõe os medos que acompanham a chegada da vida adulta. Em determinado ponto da narrativa, a autora assume o papel de amiga do leitor e o consola com o seu melhor ensinamento: “</span><i><span style="font-weight: 400;">pare de esperar as coisas acontecerem e preste atenção nas pessoas que já estão na sua vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O grande amor pelo qual você procura pode ser uma amizade, um parente, um trabalho e até mesmo o amor próprio. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_30190" aria-describedby="caption-attachment-30190" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30190 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro A Hipótese do Amor. Na capa há a ilustração de um casal se beijando. Ela é branca de cabelos castanhos claros, está vestindo um jaleco branco. Ele é branco, tem cabelos pretos e veste uma camisa social azul com gravata rosa. Ao fundo há materiais de laboratório. O título está centralizado em rosa na porção superior da capa. Na parte inferior há o nome da autora em letras azuis marinho." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/712x9dUpZFL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30190" class="wp-caption-text">A Hipótese do Amor foi publicado em 2022 no Brasil, sob a tradução de Thaís Britto (Foto: Arqueiro)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Hazelwood &#8211; A Hipótese do Amor</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas coisas são calculáveis, tem suas respostas numericamente exatas prontas para serem registradas rotineiramente em um bloco de notas. Com os sentimentos não funciona assim, e as reações químicas do cérebro atuam como um segredo só dele. Com isso em mente, Ali Hazelwood retoma o clichê do </span><a href="https://capitulotreze.com.br/web-stories/romances-com-fake-dating/"><i><span style="font-weight: 400;">fake dating</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> diretamente das </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz isso da maneira mais doce possível em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma protagonista que não sabe afirmar o próprio potencial e um professor universitário em busca de aprovação, a conta dá resultados cientificamente surpreendentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olive Smith é estudante de doutorado em Biologia em </span><a href="https://personaunesp.com.br/legalmente-loira-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Stanford</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vê a Ciência como uma cadeia pronta e totalmente presa às probabilidades. Em uma tentativa inocente de juntar a melhor amiga, Anh, e Jeremy, é feito um combinado com o jovem professor Adam Carlsen. O romance é narrado em terceira pessoa e nos conta as perspectivas da personagem, enquanto todo o seu controle é perdido e ela acaba completamente apaixonada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar previsível, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g2wTXXjY1sg"><span style="font-weight: 400;">Ali</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue impor toda a sua originalidade em uma narrativa escrita de forma leve e muito fluida. Olive é demissexual e isso torna sua trajetória uma experiência intimista e completa. Outro destaque da obra é o jeito de construir os laços entre os personagens, pois a autora escolhe os caminhos que tornam as relações mais firmes.</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Hipótese do Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma leitura animadora para os dias nublados, um jeito de reconfortar o imaginário de quem navegava no </span><i><span style="font-weight: 400;">wattpad</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30165" aria-describedby="caption-attachment-30165" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30165 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última parada. A capa é uma ilustração de um vagão de metrô em tons de rosa, roxo e amarelo. Na parte superior, ao centro, vemos o logotipo da editora Seguinte. Abaixo, no centro, vemos as palavras “Última parada” escritas em branco, em uma fonte sem serifa estilizada. No centro da capa, vemos, à esquerda, a ilustração de uma jovem mulher asiática, de cabelos castanhos curtos e arrepiados, vestindo uma jaqueta de couro e camiseta branca. Do lado direito, vemos uma jovem mulher branca, de cabelos longos e castanhos claros, usando óculos escuros, jardineira preta e camiseta branca, e segurando um copo de café. As duas se encaram. Logo abaixo, na parte inferior central, vemos as palavras “da autora de Vermelho, branco e sangue azul” em uma letra sem serifa em caixa baixa, na cor amarelo. Abaixo, vemos as palavras “Casey McQuiston”, em um tom amarelado claro, em uma fonte sem serifa e em caixa alta." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81UXlJUcQ9L.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30165" class="wp-caption-text">Pelas palavras do The New York Times, Última parada é “absolutamente brilhante” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jovem, cética e recém-chegada a Nova Iorque, August é confrontada com seus colegas de quarto calorosos e espirituosos. Quando se afeiçoa por Jane, com quem diariamente divide o mesmo vagão de metrô, a vida da garota vira &#8211; ainda mais &#8211; de cabeça para baixo. Isso porque a conhecida está presa no subterrâneo desde os anos 1970, sem escapatória e sem lembranças de suas aventuras passadas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">histórias de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> não são só românticas, tampouco passageiras quanto o ritmo do metrô.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de Casey McQuiston, responsável pelo sucesso </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repete o feito da autora na obra anterior: ainda que por caminhos intensos, conduz os pensamentos de August de forma leve e divertida, identificável com quem, jovem adulto como ela, encara o mundo e as adversidades à frente. Os toques de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão um tom ainda mais renovador à trama: cheio de </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/07/12/a-diversidade-no-topo-da-lista"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sexualidade e os modos de vida </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial </span></i><span style="font-weight: 400;">dos personagens são subtextos animadores, que agregam à identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Última parada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para uma experiência ainda mais envolvente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30191" aria-describedby="caption-attachment-30191" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30191 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Romance real. A capa é dividida em vários blocos retangulares coloridos, em cada um está ilustrado um elemento da narrativa. No primeiro está Diana fazendo sinal de guardar segredo, ela é branca com cabelos ruivos e veste um casaco caramelo sobre uma blusa verde água. Nos dois seguintes há uma coroa dourada e um avião. No próximo está Dayana, ela é negra de cabelos cacheados escuros, veste um casaco rosa e azul e usa fones de ouvido brancos. Abaixo há um bloco azul com o nome do livro escrito em branco. No primeiro espaço da porção inferior há um ônibus vermelho passando por Londres. O último é amarelo e tem o nome de Clara Alves grafado em azul." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81nxnpZqsSL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30191" class="wp-caption-text">Já conhecida por Conectadas, Clara Alves voltou com mais um show de representatividade em Romance real (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Alves &#8211; Romance real</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realeza está batida e já saturou todas as partes do mercado cultural com suas narrativas, mas quando se fala no universo </span><a href="https://personaunesp.com.br/joyland-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> todos os clichês têm passe livre para tomar lugar na mente de um público cujas possibilidades de amar sempre foram restringidas. Assim, Clara Alves chegou às livrarias com </span><i><span style="font-weight: 400;">Romance real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o chavão merecido pelos amores de contos de fadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dayana é fã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/take-me-home-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">One Direction</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e conhecer Londres é um dos seus sonhos, no entanto, as circunstâncias não são as melhores. A jovem acabou de perder a mãe e vai ter que fazer um reencontro com o pai que a abandonou 10 anos antes. Mas como a vida é uma caixa de surpresas, os caminhos ganham novos ares quando uma ruiva um tanto misteriosa chamada Diana cruza seu caminho e as duas passam a se desvendar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe da futilidade, abandono parental e luto são temáticas trabalhadas por toda a narrativa. </span><a href="https://personaunesp.com.br/clara-alves-conectadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clara</span></a><span style="font-weight: 400;"> também explora em Dayana a representatividade negra, gorda e bissexual, partindo por um rumo que salienta a importância de que personagens de todas as características merecem seu final feliz. Leve e encantador, o livro é um presente para o cenário nacional e mostra que “</span><i><span style="font-weight: 400;">real</span></i><span style="font-weight: 400;">” tem mais de um significado.</span><b> – Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_30162" aria-describedby="caption-attachment-30162" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30162 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81LnNXFBPL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30162" class="wp-caption-text">Traduzido por Caetano Galindo, O rei pálido foi finalista do prêmio Pulitzer de Ficção (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Foster Wallace &#8211; O rei pálido</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se ouve que </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/exibicionismo-a-contragosto"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a voz de uma geração, há um fundo de verdade quase cientificamente provável. A obra de um escritor é, geralmente, resultado da mistura entre o talento individual e a sociedade que o produz. Essa é a forma como a Literatura é feita – talvez seja até mesmo a maneira como toda a Arte é produzida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-palido-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, romance póstumo do autor, guarda, naturalmente, semelhanças com </span><i><span style="font-weight: 400;">Oblivion </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004), última coletânea de contos lançada por ele ainda em vida, em que explora a natureza da realidade, sonhos, traumas e a dinâmica da consciência. Dessa maneira, o livro de 2011 (que chegou às prateleiras brasileiras em Maio de 2022) também examina a atividade da mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalista do </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2012/apr/17/pulitzer-prize-fiction-2012-withheld"><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2012, quatro anos depois do falecimento do autor, o robusto romance de 608 páginas narra a história de um grupo de pessoas que trabalham em um centro de processamento de declarações do imposto de renda em Illinois. Alguns dos personagens (Claude Sylvanshine, David Cusk, Lane Dean Jr. e Leonard Stecyk) se envolvem uns com os outros de várias maneiras, não obviamente consequentes. Dois deles se chamam David Wallace, e essa é toda a trama. Mas, embora seja previsível pensar que, tendo como ponto de partida uma investigação sobre o tédio, o romance possa oferecer um enredo tão tedioso, </span><i><span style="font-weight: 400;">O rei pálido</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é, propriamente, “sobre” nada, pois Wallace não escreve sobre seus personagens, mas “através” deles. Levando a empatia explorada em suas obras anteriores a outros níveis, o romance é uma das melhores coisas já escritas na Ficção. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30174" aria-describedby="caption-attachment-30174" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30174 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg" alt="capa do livro Solitária, o título se encontra no meio, abaixo há uma xícara de chá e acima um livro de capa laranja" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61dXwdPOY0L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30174" class="wp-caption-text">Eliana Alves Cruz traz reflexões sobre a relação do Brasil moderno e o escravagista (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Eliana Alves Cruz &#8211; Solitária</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas conquistam seu protagonismo em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212347/solitaria"><i><span style="font-weight: 400;">Solitária</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Eliana Alves Cruz. Eunice, que trabalha e mora em um condomínio de luxo, presenciou uma tragédia: a morte de uma criança. Com testemunho decisivo na solução do crime, ela conta com sua filha Mabel para colocar um ponto final no caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita com força e esmero, as vivências das domésticas são o grande foco da trama. Eliana usa seu texto bem construído para debater temas atuais e históricos, como as relações trabalhistas, diferenças de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-04/mulheres-negras-sao-65-das-trabalhadoras-domesticas-no-pais"><span style="font-weight: 400;">classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o papel de gênero. A autora não tem medo de ser direta, mas constrói uma narrativa doce quando necessário. </span><i><span style="font-weight: 400;">Solitária </span></i><span style="font-weight: 400;">traz não só uma boa história, como também amplia a reflexão. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30195" aria-describedby="caption-attachment-30195" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30195 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Corpo Desfeito. Na imagem há um fundo branco com bolinhas azuis e um chão roxo. Em pé aparece o corpo de uma mulher com meias vermelhas, vestido amarelo e casaco preto. Suas mãos mostram a pele negra descoberta. A ilustração parece estar se desfazendo.O título está na porção superior e o nome da autora na inferior, ambos estão grafados em branco" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81neHt3DHL.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30195" class="wp-caption-text">Em seu romance de estreia, Jarid Arraes, vencedora do Prêmio Biblioteca Nacional e finalista do Prêmio Jabuti, dilacera os efeitos da violência (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Jarid Arraes &#8211; Corpo Desfeito </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amanda vive em Juazeiro do Norte no interior do Ceará e faz parte da terceira geração de uma família cercada de abusos. Sua mãe Fabiana, a avó Marlene e o avô Jorge representam uma cadeia de processos violentos, capazes de afetar suas experiências por completo. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vJuQG5HTXr8"><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Desfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, esses personagens compõem uma história dolorosa e cheia de eventos absurdos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se antes da morte da mãe a convivência já era ruim, depois da partida de Fabiana e Jorge as coisas ficam insustentáveis. Presa a uma ideia </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">fanática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida, Marlene passa a cultuar a filha morta como se fosse uma santa e, assim, as abstenções se tornam a regra. A matriarca passa a propor comportamentos distantes das características mundanas e obriga Amanda a estar na mesma caixa, tornando a vida da jovem um grande fardo cheio de pressão e medo. </span></p>
<p><a href="https://jaridarraes.com/"><span style="font-weight: 400;">Jarid</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreve a narrativa com destreza e prende o leitor em cada um dos trechos. Apesar de abordar tópicos sensíveis, a curiosidade para entender até onde isso vai se mantém constante. Ainda é possível encontrar a leveza e equilíbrio no texto com a relação entre a protagonista e a amiga Jéssica, um laço transformado em sentimentos amorosos que ensolaram o enredo. Passeando sobre as consequências da violência na infância e adolescência, o fanatismo religioso e os limites das relações familiares,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Corpo Desfeito</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta uma história fictícia que poderia estar estampada em qualquer manchete de jornal. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30176" aria-describedby="caption-attachment-30176" style="width: 732px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30176 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg" alt="Capa do livro Estou Feliz que Minha Mãe Morreu, de Jennette McCurdy, publicado pela editora nVersos. Em um fundo de cor amarelo pastel, o título do livro se encontra no topo da capa na cor rosa pastel; logo em seguida, há uma linha incompleta na mesma cor. O nome da autora está em destaque e se encontra abaixo dessa linha na cor rosa bebê, com um sombreado na cor preta. Abaixo há um pequeno quadrado rosa centralizado na capa e, dentro dele, está uma imagem da autora. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo, deixando apenas a franja e alguns fios ao lado soltos. Ela veste um conjunto de camisa manga três-quartos e calça social na cor rosa bebê e segura uma urna para cinzas na mesma cor que o quadrado. Seu olhar está direcionado para o lado direito enquanto sorri com a boca fechada. No lado inferior da capa, está escrito o nome da editora na mesma cor que o título" width="732" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-732x1024.jpg 732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-572x800.jpg 572w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL-768x1074.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61qkmlVFMEL.jpg 971w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30176" class="wp-caption-text">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu não é um livro para ser julgado pelo seu título (Foto: nVersos Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Jennette McCurdy &#8211; Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</b></p>
<p><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2022/sep/10/jennette-mccurdy-interview-memoir"><span style="font-weight: 400;">Jennette McCurdy</span></a><span style="font-weight: 400;"> se inseriu no mundo da atuação aos seis anos de idade, na esperança de se tornar uma estrela e, assim, realizar o sonho de sua mãe. Tornando-se conhecida apenas anos mais tarde, por seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">iCarly</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007-2012), da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nickelodeon</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua vida atrás das telas era muito mais complicada do que qualquer pessoa que a visse brilhar como a personagem Sam Puckett pudesse imaginar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse contexto, </span><a href="https://www.nversoseditora.com/product-page/estou-feliz-que-minha-mae-morreu"><i><span style="font-weight: 400;">Estou Feliz que Minha Mãe Morreu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um livro de memórias de uma vulnerabilidade surpreendente, destacando as lutas da autora com sua mãe abusiva, seus distúrbios alimentares, vícios e as dificuldades que acompanham o fato de ser uma estrela infantil. Ela revela sua criação perturbada em detalhes inabaláveis com um humor e tom encantador, fazendo com que a obra tenha uma leitura envolvente, embora difícil de ser digerida em muitos pontos. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30179" aria-describedby="caption-attachment-30179" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30179 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg" alt="Capa do livro Bright da escritora Jessica Jung. Na imagem, a arte de uma jovem cantora revela o contorno de um casal de mãos dadas ao longo de seu desenho. As cores predominantes na capa são: branco, roxo, rosa e azul. Na parte superior direito está escrito o nome do livro “Bright” em letra cursiva e prata. Um pouco abaixo está escrita a frase em inglês “Never give up your light” também em letra cursiva e prata. Na parte inferior e central está escrita a identificação da carreira de Jung em inglês “A novel from international K-pop star and New York Times bestselling author of Shine”, em letras prateadas. Logo abaixo, o nome da escritora, “Jessica Jung” está colocado em evidência com letras garrafais e prateadas." width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61yPR6iQZOL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30179" class="wp-caption-text">Bright deverá chegar às prateleiras brasileiras em 2023 pela Intrínseca (Foto: Simon &amp; Schuster)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Bright</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas 1 ano e meio depois do lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jessica Jung, a cantora, escritora e vendedora de jóias nas horas vagas voltou com o sucessor </span><a href="https://www.teenvogue.com/story/jessica-jung-shine-sequel-bright-exclusive-first-chapter"><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2022, a publicação foi responsável por dar continuidade ao frenesi causado na indústria da Música sul-coreana pelo seu romance de estreia, recheado de revelações pouco discretas acerca dos bastidores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta vez, a protagonista Rachel finalmente encara as decepções envolvendo a sua participação no grupo nada amigável Girls Forever, e o seu relacionamento com Jason, o maior babaca do </span><a href="https://popasiaticojpg.com/2022/05/10/jessica-jung-revive-os-rumores-de-sua-saida-do-snsd-atraves-da-sua-nova-ficcao-bright/"><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Entregando um desenvolvimento digno das melhores </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jung novamente não exitou em escrever a sua verdade por meio do disfarce da ficção e reviveu no público a empatia pelos momentos cruciais que passou durante a sua estadia nessa indústria tão letal.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30189" aria-describedby="caption-attachment-30189" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30189 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Humanos Exemplares. Na imagem há uma porta branca e uma janela com vidro meio fosco ao lado. Da janela é possível ver um pássaro vermelho. Em frente a porta está um vaso de rosas cor de rosa com seus caules submersos. O nome do livro ocupa a porção inferior e o da autora a superior, ambos estão grafados na cor branca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/813t3nH1vNL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30189" class="wp-caption-text">“A quantidade de ossos que uma velha possui é um espanto, um assombro, porque afinal alguns humanos como ela sumiram, muitos já sumiram” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Leite &#8211; Humanos Exemplares</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para onde vão nossos testemunhos quando o gosto sombrio da morte chega aos nossos lábios? Por mais que não nos pergunte diretamente, essa é a questão por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Humanos Exemplares</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrita por </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/381899/humanos-exemplares-novo-romance-de-juliana-leite-a.htm"><span style="font-weight: 400;">Juliana Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a obra nos apresenta Natália, uma mulher de 100 anos com muito a contar, mas sem plateia para ouvir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A senhora guarda em si grandes relatos sobre o período ditatorial, o medo que a afligiu e os sonhos que construiu, entretanto, quando ela morrer as coisas vão acompanhá-la aos planos intocáveis. Enquanto trata da fragilidade da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> e gera reflexões sobre como isso afeta universos particulares e grandes eventos históricos, a autora também nos leva a um passeio sobre as angústias da terceira idade e o valor da velhice. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheia de personagens bem desenvolvidos e diversas declarações valiosas, a narrativa é um deleite apaixonante, mas devastador. Natália e Vicente, seu marido já falecido, são resultados diretos de um país tomado pelas chamas de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a forma como isso se reflete em seus comportamentos e desejos é explosiva. Entre as ruínas das lembranças, os arquivos perseguidos pelo tempo são os mais raros. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30167" aria-describedby="caption-attachment-30167" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30167 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg" alt="" width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/711tDOx3KL.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30167" class="wp-caption-text">Originalmente publicado em 1985, o romance de estreia do húngaro László Krasznahorkai chegou ao Brasil em 2022, sob tradução de Paulo Schiller (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>László Krasznahorkai &#8211; Sátántangó</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora escrito nos anos 1980, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211159/satantango"><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não está especificamente ancorado em sistemas ou governos da época. Na verdade, o húngaro László Krasznahorkai dá tratamentos “míticos” à obra, na qual o universo sombrio de uma pequena comunidade dá as formas desse romance monstruoso, que já nasceu clássico. Muito do que se conhece da obra vem de sua adaptação cinematográfica, feita pelo diretor </span><a href="http://43.mostra.org/br/filme/6451-SATANTANGO"><span style="font-weight: 400;">Béla Tarr</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1996, com roteiro adaptado pelo próprio Krasznahorkai e mais de 7 horas de duração. Na história do livro – que está dividido em duas partes, primeiro de 1 a 6 e, depois, de 6 a 1, como no </span><i><span style="font-weight: 400;">tango</span></i><span style="font-weight: 400;"> –,  há a chegada de um homem misterioso à vila. Chamado Irimias, ele pode ser um profeta, um cético ou o próprio diabo, visto que retorna após ser dado como morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita de László – representada, aqui, na tradução de Paulo Schiller –, ao mesmo tempo em que alimenta o mistério, nos põe em um transe vertiginoso no qual somos embalados. Influenciado por Friedrich Nietzsche, Fiódor Dostoiévski e Franz Kafka, a quem pertence a epígrafe da obra, o escritor promove em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó </span></i><span style="font-weight: 400;">uma discussão extremamente interessante sobre os falsos profetas e os sentidos da alienação. Em retrospecto, também se percebe um rigoroso cuidado na escolha das palavras – o que pode explicar a demora que o livro teve no processo de tradução –, visto que, para o autor, as palavras são tudo. A parte surpreendente deste livro é a mistura interessante entre o estilo “modernista” e “pós-modernista”. Em determinados trechos, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/05/laszlo-krasznahorkai-da-hungria-recebe-o-man-booker-international.html"><span style="font-weight: 400;">László Krasznahorkai</span></a><span style="font-weight: 400;"> soa como um modernista clássico, mas o estilo fragmentado da obra, em que os capítulos começam com tramas subdesenvolvidas que vão se encorpando ao longo das páginas, dá ainda mais profundidade a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sátántangó</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30160" aria-describedby="caption-attachment-30160" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30160 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg" alt="capa do livro A filha única, capa em cor vinho com manchas redondas cor de rosa. Na parte superior esquerda está escrito A filha única, e à direita está o nome da autora, Guadalupe Nettel." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71te3XuqYYL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30160" class="wp-caption-text">A filha única é o terceiro romance da escritora mexicana Guadalupe Nettel (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Guadalupe Nettel &#8211; A filha única</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Doce e discreto. Não há melhor forma de descrever o texto de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cultura/12-09-2022/a-filha-unica-de-guadalupe-nettel-e-lancado-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Guadalupe Nettel</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja calma em descrever situações emocionalmente fortes é um dos grandes destaques da sua escrita. A maternidade, sem qualquer clichê, é o grande pilar desse livro: a narradora, Laura, não quer ter filhos, e desde o início contextualiza sua opção em não gerar um novo ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alina e Doris compartilham com Laura o circuito central da trama, e exploram as múltiplas camadas em torno de “ser mãe”, apontando para a condição não como uma experiência, mas sim um mosaico de sensações que não podem ser descritas de modo raso. Para Nettel, não é um presente ou castigo, mas algo que transcende um ser e transborda para todos os lados. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-filha-unica"><i><span style="font-weight: 400;">A filha única</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imerge os leitores em uma experiência que nem todos são capazes de viver. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30163" aria-describedby="caption-attachment-30163" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30163 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Via Ápia, de Geovani Martins, publicado pela editora Companhia das Letras. O fundo da capa é composto por tons de cinza; a base é no tom de cinza mais claro, mas há algumas manchas em tons mais escuros, e algumas delas possuem rastros, como se a tinta tivesse escorrido. No topo, dentro de um retângulo, há o desenho de cinco pessoas negras, todas sem rosto, em posições diferentes. Algumas das cores do desenho também possuem rastros. Um pouco abaixo, do lado esquerdo, está escrito a palavra “romance” em letras maiúsculas na cor preta. Do lado direito, está escrito o título da obra, também em letras maiúsculas, na cor transparente com a margem na cor preta. O nome do autor está logo abaixo, em letras maiúsculas na cor preta. No canto inferior direito, há o símbolo da editora, que consiste em uma bicicleta seguida do nome da mesma." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81MRQLXSOqL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30163" class="wp-caption-text">O primeiro romance de Geovani Martins joga luz sobre a dura realidade daqueles que são assombrados pela violência policial (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Geovani Martins &#8211; Via Ápia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a forte repercussão nacional e internacional de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535930528/o-sol-na-cabeca"><i><span style="font-weight: 400;">O sol na cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), a coletânea de contos que marcou sua estreia na literatura brasileira, Geovani Martins lançou seu primeiro romance, intitulado </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211180/via-apia"><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra explora os impactos da instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na vida dos moradores da Rocinha, mais intimamente no cotidiano de cinco jovens negros, em três momentos diferentes: antes, durante e depois da ocupação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais tocante da ficção, sem dúvidas, é o quão real ela é. Martins cria um enredo que perpassa temas como violência, esperança, luto e amor análogo àquilo que é vivido fora das páginas. Com uma linguagem repleta de gírias e vícios de concordância, típicos da oralidade, o autor consegue construir a realidade da favela e desconstruir o imaginário da homogeneização de forma muito fluida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Via Ápia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma leitura necessária em memória de todos que foram e são vítimas do sistema de segurança brasileiro, além de ser um livro que consagra </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/livros/noticia/2022/09/via-apia-segundo-livro-de-geovani-martins.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Geovani Martins</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um dos principais nomes da Literatura marginal. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30164" aria-describedby="caption-attachment-30164" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30164 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, predominantemente vermelha. No topo da capa está o título do livro escrito em preto e branco, embaixo há Severino, o personagem principal, um homem negro que tem um artefato tecnológico vermelho no lugar do olho esquerdo, ele usa uma camisa vermelha desabotoada e tem o braço esquerdo metálico. Embaixo dele há o nome do autor, Ian Fraser escrito em amarelo, e mais abaixo há a silhueta de prédios. Ao redor da capa há vários retângulos abrigando itens do livro: foguetes, um pato, uma faca, uma palmeira, um robô, e outra personagem; Filomena." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81TuIrXCZ8L.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30164" class="wp-caption-text">“A indiferença é mais cruel que a morte” (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Ian Fraser &#8211; A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ian Fraser é um romancista nascido e criado em Salvador, na Bahia, e é conhecido por algumas de suas principais obras &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Araruama, Noir Carnavalesco </span></i><span style="font-weight: 400;">e seu mais recente lançamento, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/severino-olho-de-dende/"><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê.</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Todos os seus livros, apesar de divergirem no enredo, se assemelham na retratação do cenário nordestino brasileiro; no entanto, Fraser se supera ao representar o sertão das maneiras mais inusitadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê, </span></i><span style="font-weight: 400;">a narrativa acompanha Severino, um humano que trabalha como investigador em uma galáxia distante e que, no lugar do olho esquerdo, possui um artefato tecnológico que permite ver os últimos momentos de uma pessoa antes de morrer. Ao longo de sua jornada investigando um assassinato junto ao fiel companheiro Bonfim, Severino passa por elementos inspirados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/star-wars-sem-inspiracao-na-forca/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">unindo perfeitamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a vivência nordestina. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30201" aria-describedby="caption-attachment-30201" style="width: 709px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg" alt="" width="709" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81dKTeqfJ9L.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30201" class="wp-caption-text">“Na vida, às vezes a gente tem que bater de frente, Lindo. A gente não tá errado em existir” (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ilustralu &#8211; Arlindo</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro </span><a href="https://saibamais.jor.br/2022/07/ccxp-awards-ilustralu-artista-do-rn-ganha-premio-de-quadrinho-com-hq-arlindo/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do <em>CCXP Awards</em> de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz a história de um rapaz homossexual que mora no interior do Rio Grande do Norte e que, como a maioria das histórias desse gênero, reflete sobre a descoberta e a aceitação, principalmente em cidades pequenas e religiosas. A obra, escrita por Ilustralu inicialmente como uma </span><a href="https://twitter.com/ilustralu/status/1499360719921418254"><i><span style="font-weight: 400;">webcomic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mostra a vida do personagem homônimo, que é um menino ainda “no armário”, e que está passando pela experiência de primeiros amores. A pessoa mais próxima a ele, também </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, era sua tia, que, depois de criticada por ser uma mulher lésbica, decide se afastar da família e da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias retratadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Arlindo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não focam apenas no personagem, mesmo que seja o protagonista, mas também comentam sobre outros adolescentes com outros problemas e que passam por dificuldades em casa ou com as tradições locais, muitas vezes inseridos em situações sufocantes. Mesmo que nem todos os personagens tenham ‘finais felizes’, a obra mostra que é necessário coragem e que </span><a href="https://valkirias.com.br/arlindo-ninguem-precisa-existir-sozinho/"><span style="font-weight: 400;">a solidão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">não dura para sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30193" aria-describedby="caption-attachment-30193" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30193 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/A1uCIKkil4L.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30193" class="wp-caption-text">Nesse livro, Fisher olha para as implicações culturais subjetivas imediatas (Foto: Autonomia Literária)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Fisher &#8211; Fantasmas da minha vida</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado originalmente em 2014 mas que chegou ao território brasileiro em 2022, Mark Fisher explora a relação entre a cultura, a política e a saúde mental. Fisher argumenta que a cultura popular, em particular a Música Eletrônica, é um reflexo dos sentimentos de alienação e desesperança que muitos jovens experimentam em uma sociedade neoliberal cada vez mais individualista e fragmentada. Ele também sugere que as possibilidades de futuro estão sendo dinamitadas por um presente contínuo, sendo a cultura popular um meio de resistência contra essas forças opressivas, mas apenas quando pensada de maneira crítica e consciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do livro, Fisher utiliza sua própria experiência com a depressão para ilustrar seus argumentos sobre a saúde mental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasmas da minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é também um livro de crítica cultural na forma mais ampla do termo: o filósofo britânico utiliza elementos da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> para discutir sobre as condições de vida na contemporaneidade. De Arctic Monkeys e Joy Division a Drake e Christopher Nolan, </span><a href="https://jacobin.com.br/2023/01/mark-fisher-nos-ajudou-a-pensar-para-alem-do-realismo-capitalista/"><span style="font-weight: 400;">Mark Fisher</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói um livro desafiador, sombrio e provocativo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30169" aria-describedby="caption-attachment-30169" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30169 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg" alt="Capa do livro Não fossem as sílabas do sábado, de Mariana Salomão Carrara, publicado pela editora Todavia. Ele se baseia na fotografia de uma janela de um prédio na cor branca. A janela está aberta e, dela, por causa do vento, sai uma cortina branca, que fica do lado esquerdo e na parte de cima da mesma. É possível ver um varal com algumas roupas penduradas por uma fresta da janela. O título da obra se encontra no lado superior direito da capa; ele está escrito em letras maiúsculas e na cor preta, e cada palavra está em uma linha. O nome da autora está no canto inferior esquerdo da capa, também em letras maiúsculas e na cor preta, com cada palavra em uma linha. No canto inferior direito está o logo da editora, que consiste em quatro formas geométricas circulares, representando o movimento que a boca faz ao dizer cada sílaba da palavra “todavia”." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/917kYrvmlGL.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30169" class="wp-caption-text">Contando sobre a vida e a morte, a autora nos guia pelo caminho da dor, da descoberta e, principalmente, do tempo (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Salomão Carrara &#8211; Não fossem as sílabas do sábado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para morrer, basta estar vivo. É o que diz o senso comum, e se encaixa no caso de André, marido de Ana: bastou ele sair de casa no exato momento em que um homem (Miguel, marido de Madalena) caía da janela para que o seu fim chegasse. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/nao-fossem-as-silabas-do-sabado"><i><span style="font-weight: 400;">Não fossem as sílabas do sábado</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">conta a história de duas mulheres que, para sempre, estarão unidas pelo trágico acidente que resultou na morte de seus maridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, trata-se de um livro sobre o luto – e, portanto, sobre a vida. </span><a href="https://marianacarrara.com/sobre-a-autora/"><span style="font-weight: 400;">Mariana Salomão Carrara</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesta obra delicada e dura, aborda a dor ocasionada por uma morte que não deveria ocorrer, e por uma vida que deve ser encarada a partir de então. A luta e o luto, aqui, andam praticamente de mãos dadas, na tentativa de superar o inexplicável e de tentar entender a ausência de quem não deveria estar ausente. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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<figure id="attachment_30171" aria-describedby="caption-attachment-30171" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30171 size-large" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1-1200x1752.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/michelle-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30171" class="wp-caption-text">Estreia literária da vocalista de Japanese Breakfast, o livro é um mergulho nas formas singulares do luto (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Michelle Zauner &#8211; Aos prantos no mercado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas memórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;">, ter uma dupla origem é como viver uma fratura. Sendo a comida sua principal ligação com a Coréia do Sul, é também nela que Zauner encontra uma das bases na educação sentimental, superando traumas da infância que dão lugar a uma nova responsabilidade sobre as escolhas da vida adulta. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/aos-prantos-no-mercado/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora aborda o amor e a saudade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido a partir de seu ensaio publicado na revista </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro conta com uma linguagem poética e envolvente, que põe a vocalista de Japanese Breakfast em momentos marcantes de sua formação intelectual, como o relacionamento com seu pai e o processo de descoberta da Música, ao ganhar sua primeira guitarra da mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Prantos no Mercado</span></i><span style="font-weight: 400;"> também traz reflexões importantes sobre a cultura coreana e o impacto da imigração na formação da identidade, mas tudo envolto em capítulos concisos e sentimentalmente potentes. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30170" aria-describedby="caption-attachment-30170" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30170 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O último endereço de Eça de Queiroz do escritor Miguel Sanches Neto. Na imagem, a cor predominante é azul, presente em todo o fundo da arte. No centro, uma enorme porta fotografada em preto e branco sobrepõe uma fotografia de Eça de Queiroz, um homem branco, também em preto e branco. Na parte superior esquerda está escrito o nome do escritor “Miguel Sanches Neto” em letras pretas. Um pouco abaixo, ainda na esquerda, está o logo da editora “Companhia das Letras” em branco. Na parte inferior e central, está escrito o título do livro “O último endereço de Eça de Queiroz” em letras garrafais e na cor preta" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81880ov8InL.jpg 1708w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30170" class="wp-caption-text">O último endereço de Eça de Queiroz é o oitavo romance de Miguel Sanches Neto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Miguel Sanches Neto &#8211; O último endereço de Eça de Queiroz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crítico, poeta, cronista, romancista e contista, Miguel Sanches Neto tem longa passagem pelas diferentes formas da Literatura. Em 2022, </span><a href="https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-a-literatura-ao-avesso-3224238e.html"><i><span style="font-weight: 400;">O último endereço de Eça de Queiroz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe o melhor de sua escrita com o uso excepcional da ironia para abordar os conflitos internos de um autor frustrado com a constante busca pelo sucesso comercial. No livro, o narrador é protagonista e assume o pseudônimo de Rodrigo S. M., nome que aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">A hora da estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977), de Clarice Lispector.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ilustrar a jornada peculiar de seu personagem, </span><a href="https://omaringa.com.br/coluna/estampado/o-ultimo-endereco-de-eca-de-queiroz-e-o-novo-livro-do-paranaense-miguel-sanches-neto/"><span style="font-weight: 400;">Miguel Sanches Neto</span></a><span style="font-weight: 400;"> contou com a ajuda dos fantasmas de clássicos da Literatura portuguesa. Fernando Pessoa, José Saramago e, obviamente, Eça de Queiroz, são algumas das personalidades que fazem parte do delírio. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, assim como o escritor de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1887), a narrativa do livro buscou o real através da ficção. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30183" aria-describedby="caption-attachment-30183" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30183 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg" alt="Capa do livro Parque Industrial, de Pagu. A imagem é uma ilustração chapada de uma indústria e usa apenas a cor preta, sob um fundo azul celeste. No canto superior direito, está escrito o nome da autora em letra de forma. Na lateral esquerda do livro, se estendendo para a linha inferior, está escrito o título, na mesma estilização." width="676" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1014x1536.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL-1352x2048.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61RDLeRGfTL.jpg 1466w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30183" class="wp-caption-text">Aos 100 anos do Modernismo no Brasil, a principal obra de um dos principais nomes do período retornou às livrarias em nova edição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pagu – Parque Industrial</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção literária do ano que marca o centenário do </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> guarda um lugar especial para as palavras daquela que é uma das principais referências do tema. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de Pagu, que escreveu sobre a transformação cultural que montava e desmontava o Brasil desde 1922 quando tinha exatamente 22 anos. Em 2022, então, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">recuperou o clássico, que, desde o seu lançamento original em 1933, traça um caminho precursor na Literatura brasileira, sendo compreendido hoje como o marco inicial do gênero “Romance proletário”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na mecânica industrial de São Paulo na década de 1930 que Patrícia Galvão retrata as transformações que definiram o início do século XX no país, contraditoriamente iniciada na capital paulista, e irregularmente desenvolvida pelos demais centros do Brasil. Ao contrário das perspectivas abstraídas que originam boa parte das reflexões sobre o Modernismo no Brasil, porém, Pagu encarna seu olhar intrínseco à crítica sócio-cultural no ponto de vista singular de quem sempre está, simultaneamente, ao centro e às margens da sociedade: </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">a mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212613/parque-industrial"><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pintado pelo pseudônimo Mara Lobo é completamente entrelaçado e fragmentado pelas dinâmicas das relações vivenciadas por mulheres nos âmbitos de gênero e classe. Pagu viu de perto o momento em que o tempo se transformou em dinheiro. A reação daquela jovem, sempre tão perto e embora ainda longe de todos os méritos revolucionários que a história recente do país lhe atribuiria, foi criar uma obra urgente e perene, como uma denúncia do capitalismo em avanço que mudou a vida no Brasil para sempre. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30172" aria-describedby="caption-attachment-30172" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30172 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg" alt="a capa do livro mostra um hotel de cor branca cercado de montanhas e árvores cobertos por neve, e o título se encontra acima da imagem, de forma centralizada, em fonte de cor amarela." width="700" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-700x1024.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-768x1124.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio-1050x1536.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/o-sanatorio.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30172" class="wp-caption-text">Em seu livro de estreia, Sarah Pearce sabe como criar um grande suspense (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Sarah Pearse &#8211; O sanatório</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de</span> <a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/1128/"><i><span style="font-weight: 400;">O sanatório</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa em um hotel nos alpes suíços que, em um passado sombrio, foi um hospital psiquiátrico. O protagonista Elin Wagner vai ao encontro do irmão, Isaac, que está comemorando um noivado. Desde o início, ele sente a tensão ao se encontrar na hospedagem, e o desaparecimento da noiva de seu irmão serve como um catalisador de seu desespero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia de </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/581/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Pearce</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma escrita instigante que prende até o leitor mais distraído. Já comparado às obras de suas inspirações literárias &#8211; Agatha Christie e Stephen King -, o suspense de Pearce é intenso desde a primeira página, refletido na personalidade e nos comportamentos de seus sujeitos. É definitivamente uma experiência eletrizante. &#8211; </span><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
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<figure id="attachment_30175" aria-describedby="caption-attachment-30175" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30175 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Sempre vivemos no castelo. A capa é uma ilustração. Na parte superior direita, vemos as palavras “shirley jackson” escritas em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco. Na parte central, à esquerda, vemos o desenho de uma menina, aparentando cerca de 18 anos, branca de cabelos castanhos longos e lisos, vestindo um vestido preto, e descalça. Ao seu lado, vemos um pássaro voando. Na parte da direita, ao centro, vemos as palavras “sempre”, “vivemos” e “no castelo”, em caixa baixa, em uma fonte sem serifa em preto. Abaixo, vemos o desenho de um gato preto. Na parte inferior à direita, vemos o logo da Alfaguara, em amarelo." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/61h-WqSPySL.jpg 886w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30175" class="wp-caption-text">A vida de Shirley Jackson foi adaptada para o filme Shirley e uma das principais obras da autora, A Assombração da Casa da Colina, inspirou A Maldição da Residência Hill (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Shirley Jackson &#8211; Sempre vivemos no castelo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Importante expoente do Horror, as obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shirley</span></a><span style="font-weight: 400;"> Jackson influenciaram grandes nomes da Literatura e do Audiovisual, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Neil Gaiman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mike Flanagan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Suas vastas produções, porém, </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/os-eua-profundos-de-shirley-jackson"><span style="font-weight: 400;">não são tão conhecidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto as de seus pares de gênero: apesar da falta de reconhecimento, o Terror de Jackson inspira o medo através do próprio  cotidiano, tornando o real, sobrenatural. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou uma nova edição pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, a dúvida se mistura ao macabro, com um toque de humor tenso e envolvente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, originalmente publicada em 1962, as irmãs Blackwood vivem isoladas em uma residência com o tio, após a morte de todos os familiares e os rumores de um assassinato dentro da própria família. Pelos olhos de Merricat, a caçula, os eventos do dia a dia ganham um tom místico, ao mesmo tempo que mágico e infantil, e as suspeitas quanto a veracidade da narração são constantes. Com a chegada de um primo da família e o mistério acerca do que realmente aconteceu na propriedade, o </span><a href="https://deliriumnerd.com/2022/02/02/sempre-vivemos-no-castelo-e-a-genialidade-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">Horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> desponta justamente a partir da dúvida e da falta de confiança na narradora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Sempre vivemos no castelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_30218" aria-describedby="caption-attachment-30218" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30218 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg" alt="" width="1000" height="901" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-800x721.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/610VT-c-LWL-768x692.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30218" class="wp-caption-text">Como se fosse um episódio de Black Mirror ilustrado, a HQ está em adaptação pela Netflix (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Simon Stålenhag &#8211; Estado elétrico</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><a href="https://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Passagen</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As artes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Estado elétrico</span></i><span style="font-weight: 400;"> são cheias de detalhes, e a temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da ficção científica, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico"><span style="font-weight: 400;">Stålenhag</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo, que se unem ao seu talento para narrar. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30196" aria-describedby="caption-attachment-30196" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30196 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Contos de Fadas. A imagem representa um poço visto de cima, ao lado há um menino com um lampião de chama laranja. Do outro lado está a cachora. É noite e o tom do espaço é azul escuro. O nome do autor está na porção superior e o do livro na inferior, ambos estão grafados em dourado." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91XBIxb9c4L.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30196" class="wp-caption-text">Em mais uma cartada do Rei do Terror, Conto de Fadas foge do habitual e explora um mundo fantasioso (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Conto de Fadas</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito na voz do adolescente Charlie Reade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é fiel ao título e, literalmente, performa uma narrativa encantada. Aos 75 anos, Stephen King não cansa de inovar e, com suas próprias referências, isso não é diferente. Disposto a se aventurar por novas possibilidades literárias, o autor dos clássicos do terror</span> <a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">It: a Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;"> agora escolhe se aprofundar na fantasia. O protagonista é um jovem normal com uma vida irritantemente comum: vive em uma pacata cidade fictícia, cuida de casa, tem uma boa relação em casa e vai para a faculdade. Mas, como o comodismo não é um dos favoritos do autor, tudo isso muda até chegar no inacreditável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de transição é o acidente doméstico do vizinho. Com o misterioso Howard Bowditch machucado, Charlie passa a cuidar dele e da cachorra Radar. Nessa interação, um carinho muito bonito se desenvolve entre os personagens, o sentimento é descrito de uma forma tão bem ritmada que até nos faz esquecer do vindouro lado </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2013/06/10/o-surrealismo-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">surrealista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essas ligações encaixadas também são algo que frequentemente vemos entre o garoto e o pai. Os paralelos começam a aparecer quando o senhor morre e o jovem encontra os motivos dos boatos sobre ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um poço que liga o mundo humano com um universo repleto de seres mitológicos de todas as categorias é encontrado atrás da casa e, a partir disso, o cotidianismo dá lugar ao surreal. Apesar de deixar o horror para segundo plano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">King</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantém seus característicos elementos nos seres que vivem nesse outro espaço. Entretanto, o que toma conta são os efeitos iluminados e as motivações puras da narrativa. Aos poucos Charlie ganha um tom de herói, e a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Conto de Fadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna mágica. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30203" aria-describedby="caption-attachment-30203" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30203 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg" alt="" width="748" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-748x1024.jpg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-585x800.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-768x1051.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1122x1536.jpg 1122w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL-1496x2048.jpg 1496w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/810pTeLV1uL.jpg 1571w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30203" class="wp-caption-text">Força, Nakamura!! é uma representação próxima de estar apaixonado e não saber para onde correr ou o que fazer (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>Syundei &#8211; Força, Nakamura!!</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ganbare! Nakamura-kun!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como conhecido no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Força, Nakamura!!</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um mangá que possui representatividade LGBTQIA+, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">NewPOP</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua fama se consolidou, entre outros fatores, através das </span><a href="https://twitter.com/unterrrrrror/status/1370723874413801472"><span style="font-weight: 400;">paródias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sua capa colorida recebeu, fazendo com que o conhecimento da história logo se tornasse de fácil acesso. A obra retrata, de forma leve e divertida, as descobertas amorosas de Nakamura, um jovem de 16 anos que é tímido e não consegue se expressar muito bem. Essa característica é contrastada com Hirose, o rapaz animado pelo qual se apaixona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra traz consigo um ar gostoso de aceitação e entendimento dos primeiros romances, ampliando a vontade de viver um amor, por mais difícil que seja dar o primeiro passo ou, até mesmo, passar por uma primeira rejeição. Em tempos nos quais discursos de ódio a minorias foram proferidos, a </span><a href="https://www.autostraddle.com/all-65-dead-lesbian-and-bisexual-characters-on-tv-and-how-they-died-312315/"><span style="font-weight: 400;">falta de histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com personagens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vivem finais felizes faz falta, e conteúdos como o apresentado por Syundei acabam refrescando e dando esperança para que mais obras com bons finais surjam no futuro, mesmo que retratem um relacionamento </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">platônico. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30184" aria-describedby="caption-attachment-30184" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30184 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Balada de Amor ao Vento, de Paulina Chiziane. A capa tem uma arte colorida de fundo, que apresenta traços horizontais de espessura irregular em tons de verde, rosa, amarelo, roxo e preto. Ao centro, em fonte grande e em caixa alta, o nome do livro e o nome da autora estão escritos em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/paulina-chiziane-balada-de-amor-ao-vento.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30184" class="wp-caption-text">“Tenho uma filha crescida que ainda estuda, embora já tenha estudado muito. Um dia disse-me que a Terra é redonda. Por fora é toda verde e lá no fundo tem um centro vermelho. Que a Terra é a mãe da natureza e tudo suporta para parir a vida. Como a mulher” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Paulina Chiziane – Balada de Amor ao Vento </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prosa poética é a melhor amiga da língua portuguesa – e ao compreender tudo o que significa existir sob uma influência colonialista, Paulina Chiziane sabe contornar os limites da Literatura assim como todos os outros autores que se consagraram por desenvolver a língua para além da concepção europeia. Influenciada pela lírica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mia Couto</span></a><span style="font-weight: 400;">, iniciada à autocrítica inventiva de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">José Saramago</span></a><span style="font-weight: 400;"> e perturbada pela mesma entidade feminina de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escritora moçambicana alcançou </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">o prêmio mais importante</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura de língua portuguesa em 2021, com a mesma audácia espiritual que a fez a primeira mulher a publicar um livro no país em 1990 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor Ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211555/balada-de-amor-ao-vento"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo começa no dia mais bonito do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a história de Sarnau e Mwando se inicia com os suspiros mais apaixonados da protagonista narradora. O desenrolar, no entanto, acontece na sociedade que não só recusa às mulheres o seu direito à autonomia, como também ameaça sua mera sobrevivência. O amor, para Chiziane, é a coisa mais bela e a arma mais violenta. Assim, a autora se mistura às brisas de verão, festividades religiosas, tradições locais e laços de família e amizade para descascar as camadas de violência, desamparo, solidão e privilégios que sustentam os sistemas em que vivemos, cuja complexidade se dá na exata relação existente entre o tradicionalismo e a modernidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a semente de todo o pioneirismo e revolução que consagra o nome de Paulina Chiziane na língua portuguesa de origem não-europeia. Para além de sua estreia precursora no que diz respeito à história das mulheres na Literatura africana, o livro é também floresce todos os temas que a autora aborda com mais ferocidade em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211814/niketche-nova-edicao"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: uma história de poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Publicada originalmente em 2001, a obra de maior visibilidade de Chiziane foi difundida mundo afora depois de sua vitória no Prêmio Camões, propagando também as discussões mais contemporâneas sobre a condição da mulher no mundo globalizado. – </span><b>Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_30202" aria-describedby="caption-attachment-30202" style="width: 743px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg" alt="" width="743" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-743x1024.jpg 743w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-580x800.jpg 580w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-768x1059.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1114x1536.jpg 1114w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1485x2048.jpg 1485w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL-1200x1655.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911RyEcltjL.jpg 1559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30202" class="wp-caption-text">Os papéis de gênero são amplamente discutidos dentro do volume único de Boy Meets Maria (Foto: NewPOP)</figcaption></figure>
<p><b>PEYO &#8211; Boy meets Maria</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tons pastéis em sua capa, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Boy-meets-Maria-PEYO/dp/8583623341"><i><span style="font-weight: 400;">Boy meets Maria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retrata a juventude, a autodescoberta e a tentativa de superação de abusos passados. O mangá, que pertence ao gênero </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-03/series-sul-coreanas-boys-love-fenomeno.html"><i><span style="font-weight: 400;">Boys Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresenta a visão de Taiga, um rapaz que acaba de se mudar para uma escola nova para começar seus estudos de ensino médio, e que tem uma grande admiração por heróis. O ideal do menino, até certa forma, se enquadra nos padrões de gênero que são esperados de pessoas do sexo masculino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, temos Maria, pessoa que ele conhece e se apaixona à primeira vista, após vê-la dançando em um palco. Para a surpresa de Taiga, há a descoberta de que Maria, na verdade, é um homem, o que o deixa confuso sobre seus sentimentos e sobre o uso de nomes e pronomes que pessoas optam por usar. Toda a trama gira ao redor do “</span><i><span style="font-weight: 400;">ser um homem</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou, de certa forma, do que é </span><a href="https://www.yaoibrasil.com/post/boy-meets-maria-genero-e-sexualidade"><span style="font-weight: 400;">não se identificar em um corpo que é seu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com seus traços delicados e cores claras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys meets Maria </span></i><span style="font-weight: 400;">traz assuntos como abuso sexual, infantil e negligência familiar de forma brutal. Trata-se de um mangá </span><a href="https://www.cinemaepipoca.com.br/o-que-e-genero-coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que tenta reforçar mensagens de apoio a vítimas de abusos passados, representadas na trama por Maria. Além de trazer uma forte representação não-binária, o mangá problematiza o sentir nos moldes binários que muitas vezes a sociedade nos coloca. </span><b>&#8211; Dante Zapparoli</b></p>
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<figure id="attachment_30192" aria-describedby="caption-attachment-30192" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30192 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Carrie Soto Está de Volta. A imagem é uma quadra de tênis laranja vista de cima. No meio dela há uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo, ela veste roupa branca e está segurando uma raquete. No chão há várias bolas de tênis amarelas espalhadas. O nome do livro está escrito em letras amarelas na porção inferior e o da autoras em letras azul bebe na porção superior direita." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/91eGWUH9QtL.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30192" class="wp-caption-text">Conhecida pelo sucesso de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Dayse Jones and the Six, Taylor Jenkins retoma sua fórmula singular em Carrie Soto Está de Volta (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Carrie Soto Está de Volta</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;"> já provou ser mestre quando o assunto é criar personagens tão reais que chegamos a ser tentados a buscar os nomes na internet e encontrar textos jornalísticos sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Carrie Soto Está de Volta </span></i><span style="font-weight: 400;">a escritora retorna com toda a excelência e nos leva a mais uma aventura pela complexidade humana, apresentando a atleta Carrie Soto e seu desejo de se mostrar inabalável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de 5 anos longe das quadras, a protagonista vê Nicki Chan bater seu recorde de vinte títulos Grand Slam no tênis e se sente prontamente ameaçada. Assim, ela passa a retomar a rotina esportiva com a ajuda do pai, o também ex-tenista Javier. Carrie já havia aparecido em outro escrito da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/03/02/daisy-jones-and-the-six-conheca-a-autora-do-best-seller-que-virou-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;">, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Malibu Renasce</span></i><span style="font-weight: 400;">, e se em um primeiro momento a ideia que tivemos dela era negativa, aqui a humanidade reforça sua dualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das páginas o texto, traduzido por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02842"><span style="font-weight: 400;">Alexandre Boide</span></a><span style="font-weight: 400;">, caminha pelas complexidades da personalidade e esmiúça seus desejos e vivências. A tenista é uma personagem apaixonante e extremamente forte, ler sua história é um grande prazer. Com diversas facetas plurais, o esforço é uma de suas características mais marcantes. Já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie Soto Está de Volta</span></i><span style="font-weight: 400;">, vale a pena conhecê-la. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30168" aria-describedby="caption-attachment-30168" style="width: 671px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30168 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg" alt="A foto é a capa do livro A Mandíbula de Caim, a ambientação é uma biblioteca desorganizada, todas as prateleiras de livros são cinzas, e a que está a esquerda contém uma folha branca escrito “Livro Enigma”, embaixo dela há uma garrafa com um líquido derramado e ao lado outra folha branca escrito “Torquemada”, pseudônimo do autor Edward Powys Mathers. No centro há o nome do livro escrito em verde neon, embaixo há um círculo da mesma cor com os escritos “‘Se Agatha Christie e James Joyce tivessem um filho literário bastardo, seria esse livro’ - Daily Telegraph”. Embaixo do círculo há um corpo no chão, apenas as pernas estão visíveis, o resto do corpo está atrás de uma estante de livros." width="671" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-671x1024.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-768x1172.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/911eZu59ZiL-e1678198425267.jpg 1185w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30168" class="wp-caption-text">Diferentemente das outras edições do livro, a brasileira conta com páginas destacáveis, o que ajuda na organização do mistério (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Torquemada &#8211; A Mandíbula de Caim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito originalmente em 1934 por Edward Powys Mathers, compilador de palavras cruzadas do jornal britânico </span><i><span style="font-weight: 400;">The Observer</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob o pseudônimo de Torquemada,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Mandíbula de Caim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o suspense policial mais </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2022/12/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-mandibula-de-caim/"><span style="font-weight: 400;">intrigante </span></a><span style="font-weight: 400;">que você já viu. Ao longo de 100 páginas, são descritos seis assassinatos, todos cometidos por assassinos diferentes, e o objetivo atribuído ao leitor é solucionar o crime. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, as possibilidades são quase infinitas, e é por isso que, até o momento de sua edição mais atual, de 2022, apenas </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/nov/23/cain-enabled-tiktok-helps-reissued-literary-puzzle-fly-off-the-shelves"><span style="font-weight: 400;">quatro pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> teriam conseguido resolver o enigma. Recentemente o livro viralizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">BookTok </span></i><span style="font-weight: 400;">e fez com que milhares de leitores assíduos se mobilizassem para resolver o mistério proposto pelo escritor britânico. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30159" aria-describedby="caption-attachment-30159" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30159 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça da escritora Warsan Shire. Na imagem, as cores predominantes são: branco, preto e azul. Grande parte da arte de capa é composta pelo contorno, desenhado em preto no fundo branco, de uma mulher com o rosto apoiado em uma das mãos. Na parte inferior direita está escrito o título do livro “Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça” em letras garrafais azuis. Logo abaixo está escrito o nome da autora “Warsan Shire” em letras garrafais brancas. Na extrema esquerda está posicionado o logo da “Companhia das Letras” em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71dOIKpC2nL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30159" class="wp-caption-text">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça é o livro de estreia de Warsan Shire (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Warsan Shire &#8211; Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada ao sucesso por Beyoncé, </span><a href="https://notaterapia.com.br/2022/08/19/5-melhores-poemas-de-warsan-shire-a-poeta-lancada-por-beyonce/"><span style="font-weight: 400;">Warsan Shire</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicou o seu primeiro livro em 2022. Intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i><span style="font-weight: 400;">, o conjunto de poemas trouxe à tona a vivência de Shire como uma mulher negra. O resultado final fez jus a expectativa deixada por ela ao colaborar com escolhas brutais de palavras no aclamado álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/7dK54iZuOxXFarGhXwEXfF"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), e, através de uma sensibilidade única, colocou o leitor para refletir sobre tudo e todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A manicure empurra minhas cutículas, vira minha mão, estica a pele da palma e diz: eu vejo suas filhas e as filhas delas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Poeta mais jovem a integrar a Sociedade Real da Literatura, Warsan Shire nasceu no Quênia e foi criada em Londres. Autêntica e dona de um movimento próprio, ela fez de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/warsan-shire-alavancada-por-beyonce-supera-seus-traumas-em-poemas.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Bendita seja a filha criada por uma voz em sua cabeça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma obra completa, coesa e que não deixa nenhuma ponta solta para trás.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2022/">Os Melhores Livros de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Estante do Persona – Setembro de 2022</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2022 19:38:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Ainda é tempo de morrer amanhã, que será o ontem de depois de amanhã, se eu então continuar vivo.&#8221;  &#8211; Javier Marías O primeiro ano do Clube do Livro está chegando: em Setembro, completamos nossa 12ª edição, preparados para encerrar um ciclo que nos fez próximos da Literatura como nunca antes havia acontecido. Iniciando as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Setembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28990" aria-describedby="caption-attachment-28990" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28990 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/ESTANTE_SETEMBRO_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/ESTANTE_SETEMBRO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/ESTANTE_SETEMBRO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/ESTANTE_SETEMBRO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28990" class="wp-caption-text">Em Setembro, o Clube do Livro do Persona completou sua 12ª leitura sob os cuidados da Pediatra, de Andréa del Fuego (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Ainda é tempo de morrer amanhã, que será o ontem de depois de amanhã, se eu então continuar vivo.&#8221;</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Javier Marías</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro ano do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> está chegando: em Setembro, completamos nossa 12ª edição, preparados para encerrar um ciclo que nos fez próximos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> como nunca antes havia acontecido. Iniciando as comemorações desse marco tão especial, trouxemos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pediatra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Andréa del Fuego, para deixar suas impressões sobre o tão saudável projeto caçula do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que encontramos a partir daí, no entanto, foi um procedimento nada convencional. A obra da autora paulistana se concentra em </span><a href="https://valkirias.com.br/a-pediatra-de-andrea-del-fuego-e-o-fascinio-pelo-detestavel/"><span style="font-weight: 400;">Cecília</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma pediatra que é o exato oposto do estereótipo que lhe é associado. Longe da imagem maternal e paciente evocada pela sua profissão, a personagem é munida de uma frieza incorrigível, o que a faz, nem tão surpreendentemente assim, uma médica muito bem-sucedida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essa narrativa peculiar, as palavras concisas de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/03/18/entrevista-andrea-del-fuego-a-pediatra.htm"><span style="font-weight: 400;">Andréa del Fuego</span></a><span style="font-weight: 400;"> permeiam um humor perspicaz no cenário da classe média alta de São Paulo. Pelo fluxo de consciência de Cecília e suas peripécias cirurgicamente calculadas, a autora não precisa de mais de 160 páginas para propor reflexões nada pretensiosas sobre papéis de gênero, relacionamentos familiares e desigualdades sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pediatra</span></i><span style="font-weight: 400;"> é somente a mais recente demonstração dos méritos da mestra em Filosofia laureada com o prêmio José Saramago em 2011. Na ocasião, a obra tratava-se apenas de seu primeiro romance: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/andrea-del-fuego-e-a-convidada-de-setembro-do-encontro-de-leituras.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Os Malaquias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama familiar que carrega a referência do Nobel de Literatura português, tido como </span><a href="http://artecult.com/ac-encontros-literarios-andrea-del-fuego/"><span style="font-weight: 400;">a principal referência</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora. Enquanto a nova edição do livro integra novamente o título ao catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, o último romance de Andréa del Fuego faz seu nome integrar novamente a lista do </span><a href="https://www.premiojabuti.com.br/10-finalistas/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/aline-bei-e-silviano-santiago-sao-finalistas-do-premio-sao-paulo-de-literatura-veja-lista.shtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio São Paulo de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://associacaooceanos.pt/premio-oceanos-2022/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Oceanos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem só de comemorações são feitos os inícios e fins de ciclos. No 9º mês do ano, também houve a despedida de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/morre-javier-marias-escritor-espanhol-de-coracao-tao-branco-aos-70.shtml"><span style="font-weight: 400;">Javier Marías</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor, tradutor e editor espanhol considerado um dos contemporâneos mais importantes da língua. Com apenas 20 anos, iniciou seus trabalhos literários com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os domínios do lobo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1971), se consolidando na Literatura da Espanha com os romances </span><i><span style="font-weight: 400;">O homem sentimental</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1986) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as almas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989). O cenário internacional veio em 1992, quando </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rompeu todas as barreiras ao vender 1 milhão de exemplares e ser traduzido para mais de 40 idiomas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de se destacar entre os romances, cujo </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sucessos ainda engloba </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13196"><i><span style="font-weight: 400;">Os enamoramentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011) e a trilogia – considerada sua obra-prima – </span><i><span style="font-weight: 400;">Seu rosto amanhã</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2002-2007), o autor também era conhecido pelos seus contos e artigos, sempre alinhados pela sua perspectiva de formação e experiência como docente em Filosofia e Letras, primeiro pela Universidade Complutense de Madrid, depois na Universidade de Oxford. No dia 11 de Setembro, Javier Marías faleceu aos 70 anos, em decorrência de uma pneumonia. Sua extensa produção literária angariou respeito e admiração pela crítica e pelos leitores, sendo um eterno favorito ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/10/saiba-as-principais-apostas-ao-nobel-de-literatura-de-rushdie-a-murakami.shtml#:~:text=Com%20o%20trof%C3%A9u%20mais%20prestigioso,Murakami%20e%20o%20franc%C3%AAs%20Michel"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> – mas isso é assunto para o mês que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as idas e vindas do meio, parte fundamental do nosso radar afiado desde </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Outubro de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, introduzimos mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Na companhia de outros trabalhos literários louváveis que a nossa Editoria selecionou para as indicações do mês, finalizamos o primeiro ano do Clube do Livro de olho no que vai terminar de definir a Literatura em 2022.</span></p>
<p><span id="more-28956"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28981" aria-describedby="caption-attachment-28981" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28981 size-large" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2-681x1024.jpg" alt="" width="681" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2-681x1024.jpg 681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2-532x800.jpg 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2-768x1155.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2-1021x1536.jpg 1021w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-pediatra-1-2.jpg 1702w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28981" class="wp-caption-text">Publicado em 2021, A pediatra é finalista na categoria Romance Literário no Prêmio Jabuti deste ano (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Andréa del Fuego &#8211; A pediatra (160 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559213481/a-pediatra"><i><span style="font-weight: 400;">A pediatra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, terceiro romance de Andréa del Fuego, a superficialidade das relações e a ética envolta no cotidiano são colocadas em xeque. Cecília, a protagonista, é o oposto do que se imagina de uma pediatra: uma mulher sem “espírito maternal”, quase nenhum interesse por crianças e mínima paciência para outros adultos. Ao desenrolar da trama, ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, Celso, cujo filho, Bruninho, ela acompanhou o nascimento como neonatologista. É esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados por ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://escotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/livro-a-pediatra-andrea-del-fuego-companhia-das-letras-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andréa del Fuego</span></a><span style="font-weight: 400;"> retoma, com este romance, sua escrita áspera, direta e seca. Nesse livro, o seu cuidado com a linguagem reflete a personalidade de Cecília, que tende a ser pragmática e realizar seus interesses acima dos demais. Ironicamente, é toda essa sua força, sarcasmo e ironia que demonstram, posteriormente, o quanto é uma pessoa frágil. Como um dos fortes concorrentes ao </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/25/premio-jabuti-divulga-finalistas-de-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2022, o romance evidencia toda sua força através de uma escrita intensa. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não estava livre do Bruninho, como tinha me livrado de tudo que ousava me extorquir</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: A pediatra - Clube do Livro Setembro de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/2M1IJ7NhlH2N6dtrxa3QOX?si=LWDoLX6NSY6oLgA216tYkw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28978" aria-describedby="caption-attachment-28978" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28978 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/gurnah-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28978" class="wp-caption-text">Marcado pela voz dos oprimidos através da colonização, Sobrevidas foi um dos recebimentos do Persona através da parceria com a editora Companhia das Letras em 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Abdulrazak Gurnah &#8211; Sobrevidas (336 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao Brasil em Março de 2022, sob tradução de Caetano W. Galindo, e graças a parceria com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> pôde ter acesso ao primeiro livro do tanzaniano Abdulrazak Gurnah – vencedor do prêmio </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021 – a ser publicado por aqui. O lançamento deu início a série de publicações do autor que a editora deve entregar futuramente. Entre elas, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Paradise </span></i><span style="font-weight: 400;">(finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">Desertion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://loja.taglivros.com/kit-tag-curadoria-a-beira-mar-abdulrazak-gurnah-jul-22/"><i><span style="font-weight: 400;">À beira-mar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(já entregue através da </span><i><span style="font-weight: 400;">TAG Curadoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos seus assinantes em Julho). </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, é a obra mais recente de Gurnah, publicada originalmente em 2020, e trata-se de uma narrativa apoteótica dos </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/a-narrativa-dos-sobreviventes"><span style="font-weight: 400;">sobreviventes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada no começo do século XX, sob a África Oriental Alemã – no interior do que hoje é a Tanzânia –, a obra centra-se em Ilyas, Khalifa e Hamza – centra-se principalmente nos dois últimos –, que se encanta por Afiya (irmã de Ilyas) após chegar na cidade em busca de emprego, depois de ser vendido pelo próprio pai a um fazendeiro e fugir. Ao mesmo tempo em que Gurnah cria personagens fortes, ele evidencia suas vulnerabilidades originadas na opressão do colonialismo – a qualquer momento, tudo pode ruir. Partindo de histórias comuns, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/abdulrazak-gurnah-em-sobrevidas-destaca-o-humano-ante-o-colonial.shtml"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;"> joga luz sobre as consequências devastadoras da violência na vida cotidiana de todo um continente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo escrito originalmente em inglês, o escritor mantém elementos de uma abordagem descolonial ao inserir palavras “não traduzidas” para o idioma (</span><i><span style="font-weight: 400;">schwein </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">washenzi</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo). Essa estranheza é um dos objetivos estéticos do autor, e é respeitada na tradução de Galindo, que as mantém como a forma original. É, porém, ao fim que toda a potência de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212286/sobrevidas"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é catarticamente revelada: o encontro entre Hamza e Khalifa humaniza indivíduos que foram massiva e historicamente desumanizados. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_28982" aria-describedby="caption-attachment-28982" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28982 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-680x1024.jpg" alt="Capa do livro A Seleção da escritora Kiera Cass. A capa é composta pela fotografia de uma mulher branca e ruiva. Ela veste um enorme vestido azul que a encobre do torso até os pés. Ela posa de perfil para a câmera, enquanto posiciona os braços de uma forma que encobre metade de seu rosto. Ao fundo, uma série de espelhos refletem a sua imagem, mas em posições diferentes. Na parte superior da capa está escrito em azul escuro: “Trinta e cinco garotas e uma coroa”. Do meio da capa até a parte inferior há alguns elementos, são eles: um desenho de uma coroa em branco; o título do livro “A Seleção” em branco; o nome da autora “Kiera Cass” em branco e o logo em preto e branco da editora “Seguinte”." width="680" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-680x1024.jpg 680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-532x800.jpg 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-768x1156.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-1021x1536.jpg 1021w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-1361x2048.jpg 1361w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1-1200x1806.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-selecao-1.jpg 1648w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28982" class="wp-caption-text">10 anos desde o seu lançamento, A Seleção continua na <a href="https://www.publishnews.com.br/ranking/anual/0/2021/20/0">lista anual</a> dos livros mais vendidos pelo Grupo Companhia das Letras (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Kiera Cass &#8211; A Seleção (363 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">America Singer é aquela menina diferente que nunca sonhou em ser princesa ou disputar o coração de um homem pela coroa, mas ela também é alguém que faria qualquer coisa para agradar a sua mãe, até mesmo se inscrever em um concurso ao lado de 34 garotas ambiciosas pela chance de se tornar a esposa de um futuro rei. Sem acreditar na possibilidade de ser escolhida como participante, a protagonista de </span><a href="https://capricho.abril.com.br/comportamento/blog-da-galera-8-questoes-atuais-e-relevantes-nos-livros-de-a-selecao/"><i><span style="font-weight: 400;">A Seleção</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vive um dos melhores clichês da Literatura juvenil que, com a sagacidade de </span><a href="https://g1.globo.com/sao-paulo/bienal-do-livro/2014/noticia/2014/08/autora-do-best-seller-selecao-kiera-cass-anuncia-mais-dois-livros.html"><span style="font-weight: 400;">Kiera Cass</span></a><span style="font-weight: 400;">, impactou permanentemente uma </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/dia-nacional-da-leitura-relembre-10-livros-que-marcaram-os-anos-2000-e-2010-144540650.html"><span style="font-weight: 400;">geração</span></a><span style="font-weight: 400;"> de leitoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2012, o livro completa 10 anos de ampla presença no mercado editorial, afinal, graças ao grande público, o feito de Cass se tornou uma </span><a href="https://muraldoslivros.com/ordem-dos-livros-a-selecao/"><span style="font-weight: 400;">saga</span></a><span style="font-weight: 400;"> composta por 9 livros e alguns contos, todos ambientados no mesmo contexto utópico pós-Quarta Guerra Mundial. Ainda que as obras sucessoras não tenham o mesmo mérito de seu original ou que a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUZ71EMdHuk"><span style="font-weight: 400;">adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o audiovisual seja uma incógnita constante, uma coisa é certa: com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Seleção</span></i><span style="font-weight: 400;">, histórias de princesa nunca foram tão populares e, depois dela, as trajetórias de jovens leitoras pela Literatura não foram mais as mesmas. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28984" aria-describedby="caption-attachment-28984" style="width: 677px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28984 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/71UTMmVlc0L-677x1024.jpg" alt="Capa do livro Meu coração &amp; outros buracos negros. Na imagem, um fundo branco guarda as palavras “Meu coração &amp; outros buracos negros”. As letras são grandes e estão grafadas em preto. No lugar do coração e da última letra “O” há as cores rosa, amarelo, laranja e azul para representar o buraco negro. Na parte inferior está o nome da autora em vermelho. No canto inferior direito está o nome da editora." width="677" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/71UTMmVlc0L-677x1024.jpg 677w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/71UTMmVlc0L-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/71UTMmVlc0L-768x1162.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/71UTMmVlc0L.jpg 857w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28984" class="wp-caption-text">Falando sobre a depressão com empatia e delicadeza, Meu coração &amp; outros buracos negros mostra que pequenas coisas mudam caminhos inteiros (Foto: Rocco Jovens Leitores)</figcaption></figure>
<p><b>Jasmine Warga &#8211; Meu coração &amp; outros buracos negros: Uma faísca pode mudar tudo (312 páginas, Rocco)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Meu coração &amp; outros buracos negros</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de Aysel, uma adolescente de 17 anos que não consegue mais ver sentido na vida. Oprimida por um crime cometido pelo pai há anos, a personagem sente culpa e medo por um erro que não é seu. Encurralada por caminhos sem saída, a jovem vê no </span><a href="https://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> a resposta para todos os seus problemas. Na busca por um jeito de morrer, sua trajetória acaba sendo iluminada por sentimentos doces e uma nova perspectiva. Traduzido no Brasil por Petê Rissatti, a obra traz a tona tópicos sensíveis do cuidado com a saúde mental, enquanto deixa um rastro de esperança no coração dos leitores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em um fórum de internet que Aysel encontra Ronan, e os dois definem uma data para cometerem o ato juntos: 7 de abril. A partir disso, a narrativa começa uma contagem regressiva em que os dois se encontram regularmente. Os encontros são marcados pelas confissões de Ronan e, para Aysel, ver um garoto bonito e popular com dores tão profundas quanto as dela é um impacto. Quando a personagem finalmente se sente confortável para expor seus fantasmas, os dois acabam em uma aventura para resolver histórias mal terminadas. O clichê dos protagonistas se apaixonando toma conta do enredo, mas mantém o foco nas transformações íntimas e essencialistas de cada um. Com um texto leve e sensível, o livro de </span><a href="https://lithub.com/jasmine-warga-the-relationship-between-language-and-her-hyphenated-identity/"><span style="font-weight: 400;">Jasmine Warga</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que em volta de todo buraco negro existem milhares de estrelas brilhantes. </span><b>&#8211;</b> <b>Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_28985" aria-describedby="caption-attachment-28985" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28985 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-701x1024.jpg" alt="" width="701" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-701x1024.jpg 701w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/lugar1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28985" class="wp-caption-text">O lugar foi um dos livros que lançou a autora, laureada pelo <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/annie-ernaux-escritora-francesa-ganha-premio-nobel-de-literatura-2022.ghtml">Prêmio Nobel de Literatura</a> e presença confirmada na 20ª edição da <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/flip-traz-annie-ernaux-e-tem-maria-firmina-dos-reis-como-1a-homenageada-negra.shtml">Flip</a>, ao cânone literário francês</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; O lugar (72 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem um compromisso visceral com a memória. Em um exercício que ressoa em sua prática de revisitação de arquivos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Anos de Super 8</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> — </span></i><span style="font-weight: 400;">sua estréia enquanto co-diretora</span><i><span style="font-weight: 400;"> — </span></i><span style="font-weight: 400;">inaugurado nas telas brasileiras graças à </span><span style="font-weight: 400;">46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo,</span> <span style="font-weight: 400;">o romance </span><i><span style="font-weight: 400;">O lugar </span></i><span style="font-weight: 400;">repassa fotografias, corrige-se e remonta-se diante do leitor em uma tentativa da autora de destrinchamento de uma relação após a sua morte de seu pai. Ernaux e seu estilo autosociobiográfico já passaram pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">radar do Persona</span></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">La Place — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original do livro — tal estilística é intensificada na análise do abismo de classe que a separa do patriarca, um homem da classe operária francesa. Com seus parágrafos curtos, o texto é uma visualização não linear de diversas imagens que constituem um </span><i><span style="font-weight: 400;">supercut </span></i><span style="font-weight: 400;">literário de memórias e reflexões sobre os mundos que apenas alguns podem pertencer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escolha por uma narração que se intercede o tempo inteiro no seu próprio contar, para se esclarecer de uma metodologia da qual utiliza — de imparcialidade e sem intromissão de nostalgia —, surge em um ímpeto não de inibir a emoção, como pode parecer. Mas sim de tentar ao máximo não contornar a verdade, e trazê-la com toda sua potência para tentar capturar o espaço vazio que assola as principais personagens, mesmo com a ação antagônica do esquecimento. No livro, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/06/annie-ernaux-faz-da-memoria-um-admiravel-prazer-literario.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> discursa sobre a intersecção das relações de classe com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">esfera íntima</span></a><span style="font-weight: 400;">, psicológica e emocional; algo não comum diante de uma atual generalização de perspectivas macroscópicas no pensar dessas tensões. Em </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-lugar-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O lugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> reside uma brutal incomunicabilidade, onde a escrita se constrói enquanto uma prática de se dizer no silêncio, um não-diálogo entre dois mundos distantes em tortuosa tentativa de aproximação. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28986" aria-describedby="caption-attachment-28986" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28986 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Manifesto: Sobre nunca desistir. O fundo da capa é uma pintura de Bernardine Evaristo, do peito para cima. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos cacheados e vestindo uma camisa rosa e um casaco vinho. Na parte superior central, lemos as palavras &quot;da autora de garota, mulher, outras&quot; em uma fonte sem serifa, em caixa alta e em branco. Na parte inferior , ao centro, lemos &quot;MANIFESTO&quot; e &quot;SOBRE NUNCA DESISTIR&quot; na linha de baixo, ambas frases em caixa alta e em branco. Abaixo do título, lemos &quot;BERNARDINE&quot; e, na linha de baixo, &quot;EVARISTO&quot;, ambas palavras alinhadas à esquerda na capa, em caixa alta, em uma fonte sem serifa esverdeada. Alinhado ao canto inferior direito, vemos o logo da Companhia das Letras em branco." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/manifesto-sobre-nunca-desistir-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28986" class="wp-caption-text">Em 2019, Bernardine Evaristo se tornou a primeira mulher negra a vencer o Booker Prize, importante prêmio da Literatura a nível mundial (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Manifesto: Sobre nunca desistir (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Bernardine Evaristo levou para casa o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2019, dividindo o troféu com Margaret Atwood, a vitória era mais do que sonhada: a escritora sempre desejou ganhar a honraria, mas nunca deixou seus trabalhos se </span><a href="https://br.noticias.yahoo.com/entenda-como-bernardine-evaristo-ganha-001300899.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAACyFQuZiQhxcv6m4bUUIGoGvgpLkkCaqEiKkM7X_c3hmHB45PpQjau18i2uD0a2QvkrmBFjIY7UsUvOnFXfMPHATaXpKDg8j4cy9ey2Ku5ahL-XsLh0aOEPC6a1JVjgA8jBPSGr-oN70JEOgUtj7HAZxFgn8tI8_ifskzrgNe1nW"><span style="font-weight: 400;">encaixarem em um molde</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas para fazê-lo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto: Sobre nunca desistir</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2022, a autora remonta sua trajetória da infância até se encaixar nos mais altos escalões da Literatura mundial, em um livro de memórias que mistura relatos pessoais e suas conclusões práticas, baseadas em suas vivências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de mãe inglesa e pai nigeriano, e vivendo em uma casa de classe média baixa em uma vizinhança branca na Inglaterra, Bernardine narra seu processo de amadurecimento, experienciando a vida apesar do racismo e do machismo, e refletindo sobre sua própria origem e identificação. Os sete capítulos de </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/trechos/2022/09/09/%E2%80%98Manifesto%E2%80%99-a-trajet%C3%B3ria-de-uma-escritora-negra"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se dividem entre os temas que norteiam a trajetória da autora. Construindo pontes entre os tópicos que levanta, a responsável pelo elogiado </span><a href="http://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota, Mulher, Outras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> destrincha a história de sua família e infância, os lugares pelos quais passou e morou e “</span><i><span style="font-weight: 400;">as mulheres e os homens que vieram e se foram</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em uma seção dedicada a explorar a descoberta da sexualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, Evaristo adentra o terreno do seu próprio trabalho. Arte e política, sua própria Literatura não convencional e em constante transformação, educação e influências, </span><a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-06-12/bernardine-evaristo-o-black-lives-matter-e-o-metoo-ja-mudaram-a-sociedade.html"><span style="font-weight: 400;">ativismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu Eu após os anos de caminhada fazem da obra um verdadeiro panorama de quem é e o que pensa uma das escritoras mais importantes da contemporaneidade. Com a tradução de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211616/manifesto"><span style="font-weight: 400;">Camila von Holdefer</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto: Sobre nunca desistir </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece mais uma das camadas da linguagem da inglesa, que, tendo passado pela ficção e pela poesia, encontra solo fértil em suas memórias, tão reais quanto podem ser. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_28987" aria-describedby="caption-attachment-28987" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28987 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/fogo-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Fogo &amp; Sangue - Volume 1, do autor George R. R. Martin. A capa é laranja e mostra a ilustração de um grande dragão cinzento cuspindo fogo em um exército. Ao fundo, vemos a sombra vermelha de um castelo. Em letras brancas, no topo da capa está o nome do escritor, George R. R. Martin, e o nome do livro, Fogo &amp; Sangue. Em letras menores, no meio à esquerda, lemos “300 anos antes de A Guerra dos Tronos, dragões governavam Westeros”. No canto inferior direito, está o logo da editora Suma." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/fogo-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/fogo-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/fogo-1.jpg 751w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28987" class="wp-caption-text">A Dança dos Dragões, período coberto pela adaptação da HBO, é contada na íntegra no livro, ao longo de duzentas páginas recheadas de labaredas dos monstros voadores (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>George R. R. Martin &#8211; Fogo &amp; Sangue &#8211; Volume 1 (664 páginas, Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2018, pouco antes da adaptação televisiva de sua grande saga literária chegar ao fim, George R. R. Martin resolveu reeditar um material já publicado: a história da dinastia Targaryen. Antes reunida no enciclopédico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo de Gelo e Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">, os pormenores do reinado dos valirianos, que durou duzentos anos, ganham roupagem mais encorpada em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sdRE-73Nb9M"><i><span style="font-weight: 400;">Fogo &amp; Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro que cobre a ascensão de Aegon, o Conquistador até o início do governo de Aegon III, Desgraça dos Dragões. Uma eventual continuação já está nos planos do escritor, dando seguimento aos anos históricos até a morte de Aerys II, o Rei Louco e a Rebelião de Robert, que dá o pontapé para </span><i><span style="font-weight: 400;">As Crônicas de Gelo e Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo adaptado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> através do seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa do Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">House of the Dragon</span></i><span style="font-weight: 400;">), o livro voltou à boca do povo, em especial pelas </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/mudancas-livro-serie-fogoesangue/"><span style="font-weight: 400;">mudanças na produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas. Acontece que, como bom compilado histórico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fogo &amp; Sangue </span></i><span style="font-weight: 400;">é contado pela narração de uma quantidade pequena de fontes, longe do material denso que Martin despeja na </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra dos Tronos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seus capítulos em ponto de vista. Aqui, sob tradução de Leonardo Alves e Regiane Winarski, os acontecimentos são contados como numa apostila de História, sem a emoção e a garra de eventos memoráveis da saga mãe. Martin faz uso da impessoalidade para enriquecer sua vasta mitologia e, no caminho, brincar com os dragões que criou no passado que, na </span><a href="http://personaunesp.com.br/game-of-thrones-setima-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">trama de Dany, Jon e Cersei</span></a><span style="font-weight: 400;">, não passam de lendas distantes. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Julho de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 19:38:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.” — Franz Kafka Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu no Expo Center Norte. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Julho de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28385" aria-describedby="caption-attachment-28385" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28385 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg" alt="Arte retangular de cor lilás escuro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris roxa. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Acontecimento” ao lado de 8 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘julho de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28385" class="wp-caption-text">Em Julho, o Clube do Livro do Persona se infiltrou na narrativa intimista de Annie Ernaux e seu O Acontecimento (Foto: Fósforo Editora/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>— Franz Kafka</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por Andréa Del Fuego, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2022/07/paulina-chiziane-que-veio-a-bienal-do-livro-reforca-laco-entre-brasil-e-africa.shtml"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, o evento teve dupla celebração: além do centenário do único escritor de língua portuguesa a receber o </span><a href="https://agenciaincomparaveis.com/saramago-e-universal-diz-presidente-de-portugal-durante-bienal-do-livro-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 também marca o bicentenário da Independência do Brasil. Assim, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum. O evento contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, Julho também foi um período de indigestas – porém necessárias – reflexões. Após a repercussão nacional dos absurdos que envolveram o direito ao </span><a href="https://theintercept.com/2022/07/06/aborto-menina-de-sc-promotora-manda-buscar-feto/"><span style="font-weight: 400;">aborto legal de uma menina de 11 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Santa Catarina, a questão ganhou ainda mais enfoque quando, ao final de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão judicial de 1973 que </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/06/24/aborto-nos-eua-entenda-o-que-era-a-decisao-que-garantia-direito-ao-procedimento-e-como-foi-derrubada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">garantia a legalidade do aborto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o território nacional. As discussões se nortearam no aspecto de direitos fundamentais que, a princípio, pareciam resguardados, mas que, a bem da verdade, precisam de constante vigilância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que o filme dirigido por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml"><span style="font-weight: 400;">Audrey Diwan</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a mesma temática, chegou aos cinemas brasileiros integrando o Festival Varilux de Cinema Francês, em uma adaptação cinematográfica do marcante relato da francesa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/o-acontecimento-revela-o-aborto-de-forma-nua-como-angustia-solitaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, não foi difícil escolher para o Clube do Livro do Persona a obra </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-acontecimento-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em um episódio biográfico, o livro conta a história de uma jovem de 23 anos que engravida e, sem poder contar com o apoio do namorado ou da própria família, precisa fazer um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml">aborto</a>. Ilegal na França da época, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que, quarenta anos depois, revive no livro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre os corpos femininos, Ernaux mostra uma faceta literária que mistura a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção com a não-ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar – ou ampliar – um importante momento de reflexões, deixamos as indicações de mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28370"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28371" aria-describedby="caption-attachment-28371" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28371 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1200x1751.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1.jpg 1754w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28371" class="wp-caption-text">O Acontecimento foi adaptado para o audiovisual em 2021, e a produção é dirigida pela roteirista francesa Audrey Diwan (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; O Acontecimento (80 páginas, Fósforo Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito com propósitos confessionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a narrativa nua e crua da história biográfica de </span><a href="http://saopauloreview.com.br/annie-ernaux-entre-a-memoria-dos-outros-e-a-escrita-de-si-mesma/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o aborto clandestino. Prorrogado pelos 40 anos subsequentes de uma gravidez indesejada aos 23 anos, o tom do texto é dado em estalos urgentes que redesenham aquilo que a autora classifica como a &#8220;experiência completa da vida&#8221;. O texto, publicado pela primeira vez na França nos anos 2000, chegou ao Brasil em maio deste ano pela <em>Fósforo,</em> e ganhou tradução nas escolhas lexicais de Isadora de Araújo Pontes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo em um momento em que o aborto era </span><a href="https://catolicas.org.br/notas/aborto-na-franca/"><span style="font-weight: 400;">ilegal</span></a><span style="font-weight: 400;"> na França, a jovem Annie encontra na gravidez o desespero de ser ameaçada pela ruína de tudo que é e do que espera para o futuro. Vinda de uma família de trabalhadores de camada social baixa, ela é a primeira a adentrar uma universidade e carrega consigo todas as expectativas do sucesso. Para além das hipóteses, são as certezas que a assombram, sua natureza livre e ciente da própria autonomia não mensura riscos para devolver ao próprio corpo a integridade que o pertence. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da longevidade entre o momento do acontecimento com o registro do mesmo nas páginas da publicação, a autora se mostra tão fiel a sua verdade que não são necessárias ressalvas. O fato se insere com uma legitimidade imponente, fazendo as marcas se gravarem nos leitores como se fossem capazes de transmitir partes das cicatrizes de Annie. Assim, </span><a href="https://variluxcinefrances.com/2022/filmes/o-acontecimento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> resiste em paradoxos: do tudo ao nada, do simples ao complexo, da superfície a profundidade… Na metonímia do corpo de uma mulher, fica difícil entender como tantas transgressões podem ganhar lar em apenas 80 páginas. <b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: O Acontecimento - Clube do Livro Julho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0oC4H6G2NI0zlBNF6UVjoy?si=6905bd4a4a394c01&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28372" aria-describedby="caption-attachment-28372" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28372 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última Parada. A capa é uma ilustração. O cenário é o vagão de um metrô, pintado em tons de roxo, rosa e laranja. Ao centro, no topo da capa, vemos o logo da editora Seguinte. Abaixo, ocupando a parte superior da capa, vemos as palavras &quot;última&quot; e abaixo, &quot;parada&quot;, escritas em uma fonte branca que imita giz-de-cera. Abaixo, à esquerda, vemos a ilustração de uma mulher amarela, de cabelos castanhos curtos espetados, aparentando cerca de 25 anos e vestindo uma camiseta branca e casaco preto de couro. Do lado direito, vemos a ilustração de uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, longos e ondulados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um macacão preto e uma camiseta branca e segurando um copo de café. Elas se olham. Na parte inferior central, vemos a frase &quot;da autora de Vermelho, branco e sangue azul&quot;, em uma fonte sem serifa em amarelo. Abaixo, vemos as palavras &quot;Casey McQuiston&quot; em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1424x2048.jpg 1424w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1200x1726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28372" class="wp-caption-text">Autora de Última Parada, a estreia de Casey McQuiston foi com o best-seller Vermelho, Branco e Sangue Azul (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada (400 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cética August se mudou para Nova Iorque, o que ela menos esperava era criar laços. Ainda mais com uma garota presa ao metrô há 40 anos. Em seu segundo livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://portalpopline.com.br/casey-mcquiston-set-vermelho-branco-sangue-azul/"><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Casey McQuiston segue os passos da jovem de vinte e poucos anos em sua nova vida como adulta independente na cidade grande. À princípio desapegada e desconfiada, a jovem </span><a href="https://portalpopline.com.br/ultima-parada-tudo-sobre-livro-novo-casey-mcquiston/"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> se permite se abrir e descobre que o companheirismo e amizade de seus companheiros de apartamento, Niko, Myla, Wes e o cão Noodles, são elos mais fortes do que imaginava. Também, percebe que Jane, a garota que sempre encontra no metrô e por quem tem uma quedinha, está, na verdade, impossibilitada de sair dali há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturando ficção científica e romance, o </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">cria uma narrativa no mínimo divertida e intrigante. August passa seus dias entre a faculdade e trabalhar para pagar o aluguel, mas, nas horas vagas, dedica seu tempo a negar seus sentimentos por Jane e achar formas de como libertá-la do metrô. Mesmo a premissa peculiar permite </span><a href="https://www.thecut.com/2021/06/casey-mcquiston-one-last-stop-interview.html"><span style="font-weight: 400;">McQuiston</span></a><span style="font-weight: 400;"> recriar situações comuns à </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-sucesso-da-bienal-do-livro-de-sao-paulo-e-culpa-do-tik-tok-100056008.html"><span style="font-weight: 400;">nova juventude</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma trama cheia de representatividade LGBTQIA+ e de um linguajar </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e atraente &#8211; afiadamente traduzidos por Guilherme Miranda -, que envolve o leitor principalmente pela abordagem dos laços de amizade modernos. Tendo seu ponto alto na forma como retrata as vivências e a cabeça da nossa geração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada </span></i><span style="font-weight: 400;">vai querer te fazer não parar. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_28373" aria-describedby="caption-attachment-28373" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28373 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png" alt="Capa do livro O caderno rosa de Lori Lamby. O fundo é inteiramente colorido, com o que parecem ser manchas ou respingos de tinta. Prevalece, do lado esquerdo inferior, manchas rosas e pretas, enquanto do lado direito, roxas, rosas, amarelas, pretas. Na parte superior e central, há manchas roxas, amarelas, laranjas e verde água. No topo, encontram-se, em letras garrafais, as iniciais da autora Hilda Hilst – HH – com uma grafia transparente, ainda mostrando o fundo. Abaixo, em letras de forma branca, diagramadas à direita, se lê o nome da autora. Logo abaixo disso, o título do livro, em letras de forma branca. No canto inferior direito, o selo da Companhia das Letras" width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1.png 988w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28373" class="wp-caption-text">Um dos principais nomes da poesia e da prosa brasileira, Hilda Hilst foi a autora homenageada na 16ª edição da Festa Literária de Paraty (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Hilda Hilst &#8211; O caderno rosa de Lori Lamby (80 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.angelfire.com/ri/casadosol/drummond.html"><span style="font-weight: 400;">Hilda girando boates, Hilda fazendo chacrinha.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Seja pelo abalo que sua presença provocava na cena paulistana ou pelo choque em sua decisão de isolar-se em </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/galerias/literatura,casa-do-sol-a-mitica-morada-de-hilda-hilst,31452"><span style="font-weight: 400;">um sítio no interior</span></a><span style="font-weight: 400;">; olhar para a Hilda Hilst era entrar em um jogo. Um jogo de imprevisibilidades de uma escrita que apunhalava pelas costas todos os gêneros em que se aventurava. No entanto, mesmo com os elogios da crítica especializada, </span><a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/hilda-hilst-e-a-poesia-em-estado-de-urgencia/"><span style="font-weight: 400;">a obra da poeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha um grande alcance entre os leitores brasileiros. Lida em banheiros, lida em trens, lida para passar o tempo, o desejo de Hilst era </span><i><span style="font-weight: 400;">ser lida.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210558/o-caderno-rosa-de-lori-lamby"><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora dá seu xeque-mate. Ora </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/poesia/hilda-hilst-duela-com-deus"><span style="font-weight: 400;">complexa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1201200207.htm"><span style="font-weight: 400;">louca</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hilst compõe, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lori Lamby, </span></i><span style="font-weight: 400;">um texto fácil e </span><a href="https://soundcloud.com/companhiadasletras/150-o-caderno-rosa-de-lori-lamby-um-bate-papo-com-vera-iaconelli-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">tão polêmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não teria como </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">ser lido. No diário de uma garota de 8 anos que relata sua prostituição, com uma linguagem que chega a ser ridícula de tão infantil, ao mesmo tempo que enquadra as dificuldades de seu pai, um escritor falido, a conseguir atenção do mercado editorial, a escritora constrói o absurdo da prostituição infantil e de um pai neurótico como um recurso metafórico de sua própria situação, enquanto mulher no </span><a href="https://leiturascontemporaneas.org/2019/04/18/e-metafisica-ou-putaria-das-grossas-hilda-hilst-e-o-mercado-de-livros-anotacoes-iniciais/"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em entrevistas, estranhamente frequentes na época de lançamento do livro, ainda mais para quem escolheu estar longe dos tablóides, Hilst brinca com o </span><a href="https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2017/12/05/lado-pornografico-de-hilda-hilst-pode-colocar-fogo-nos-debates-sobre-a-arte/"><span style="font-weight: 400;">impacto</span></a><span style="font-weight: 400;"> moral do </span><a href="https://blogdoims.com.br/uma-senhora-pornografica-e-por-que-nao/"><span style="font-weight: 400;">pornô</span></a><span style="font-weight: 400;"> para desafiar e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5yeFhO4G2OQ"><span style="font-weight: 400;">dar uma banana</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mercado editorial, que a levava a sério demais para incentivar sua produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao parodiar grandes nomes da literatura erótica, como Henry Miller e Georges Bataille, a poeta constitui, com um humor muito característico  – quase que tirado de um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://newronio.espm.br/john-waters-subversao-contracultura-e-cinema-trash/"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um desafio para ser lida para além do que estava em suas páginas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma bandalheira de uma escritora no ápice de sua irreverência, </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/05/31/toda-a-ousadia-de-hilda-hilda"><span style="font-weight: 400;">tudo para pegar nos nervos dos caretas</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28374" aria-describedby="caption-attachment-28374" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28374 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg" alt="" width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1350x2048.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28374" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil sob tradução de Paloma Vidal, a obra foi finalista do International Booker Prize em 2021 (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Benjamín Labatut &#8211; Quando deixamos de entender o mundo (176 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não seria loucura pensar a ciência como uma outra faceta do pensamento mágico? A bem da verdade, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer defenderam a ideia em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571104143/dialetica-do-esclarecimento"><i><span style="font-weight: 400;">Dialética do Esclarecimento</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1947), apontando para a “razão” como uma espécie de misticismo, na qual impera nos entremeios sociais um culto aos números e formas precisas. O que se mantém oculto, porém, é a forma como as mais exatas das ciências estão ancoradas no extraordinário: na ideia absurda e abstrata de provar uma hipótese. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/quando-deixamos-de-entender-o-mundo"><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é composto por quatro narrativas, que são interligadas magistralmente por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-10/o-chileno-benjamin-labatut-novo-fenomeno-editorial-da-america-latina.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamín Labatut</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao apontarem para os sonhos e desejos místicos que nortearam grandes revoluções científicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro</span> <span style="font-weight: 400;">é vendido como um “romance de não-ficção” – uma contradição entre termos que soa absurda –, cuja principal característica é justamente a forma como aponta para a quantidade imaginativa e “mágica” que circunda o nosso mundo “real”. As descobertas científicas, muito bem estabelecidas e respeitadas por seus mecanismos técnicos, não se distanciam dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/?fbclid=IwAR2cSE-xjAKh8ZsytbCoK22s2ja_8MBabdnOlxf3vKRWzZM81uWv5jCZgaI"><span style="font-weight: 400;">aparatos fantásticos</span></a><span style="font-weight: 400;">: todas essas surgiram de uma hipótese, até mesmo de um sonho, e as verdadeiramente impactantes – como Schrödinger e sua mecânica quântica, o “Princípio da Incerteza” de Werner Heisenberg e os ideais matemáticos-anarquistas de </span><span style="font-weight: 400;">Alexander Grothendieck</span><span style="font-weight: 400;"> – foram contra tudo o que se havia estabelecido como “ciência exata” até aquele momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possível “loucura” da obra não soa tão estranha aos leitores de Thomas Pynchon, que desenvolveu em seus livros – em especial </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571647992/o-arco-iris-da-gravidade"><i><span style="font-weight: 400;">O Arco-Íris da Gravidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973) – uma mistura pitoresca entre fato científico e invenção artística. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova, assim como Adorno e Horkheimer fizeram, que as invenções científicas ancoradas na ideia de progresso estão sempre fadadas ao fracasso. Como escreveu </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/o-jovem-benjamin/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a técnica, por si só, é a junção da Arte e da Tecnologia. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_28375" aria-describedby="caption-attachment-28375" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28375 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg" alt="Capa do livro Shine: Uma chance de brilhar da escritora Jessica Jung. A arte da capa é um desenho estruturado em tons de rosa e roxo. O cenário é o quarto de uma jovem garota decorado com pôsteres e um enorme espelho. A jovem está de frente para o espelho e de costas para o leitor. Ela veste uma camiseta rosa e um shorts azul enquanto se imagina em cima de um palco. Na parte inferior, o nome do livro está escrito em roxo e branco, e o nome da autora está escrito em branco." width="606" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1-517x800.jpg 517w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28375" class="wp-caption-text">No Brasil, a <a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2020/10/saiba-tudo-sobre-o-lancamento-de-shine-livro-de-jessica-jung/">arte de capa</a> do livro foi escolhida por Jessica Jung em um concurso (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Shine: Uma chance de brilhar (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jessica Jung é uma artista sul-coreana conhecida por ter integrado o grupo feminino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ"><span style="font-weight: 400;">Girls Generation</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, ela estreou como escritora com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bv-eomSjDGw"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma narrativa que reflete a sua trajetória pessoal na indústria do </span><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A protagonista de Jung é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPpd9b5AiC4&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">Rachel Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem garota que sonha em ascender aos palcos e acaba descobrindo o quanto os bastidores do entretenimento são extremos e cruéis. São muitas as similaridades entre autora e obra: desde a xenofobia sofrida por Kim até a doçura de sua irmã mais nova, a história parece convergir para uma biografia não autorizada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre romances escondidos dos fãs, jornadas de trabalho exaustivas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wq7ftOZBy0E"><span style="font-weight: 400;">colegas de trabalho malvadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jessica Jung ilumina a misoginia da Música sul-coreana e continua o debate sobre as condições nada humanas que as empresas de </span><i><span style="font-weight: 400;">idols</span></i><span style="font-weight: 400;">, celebridades asiáticas, impõem sobre os seus produtos: crianças e adolescentes ainda em fase de formação. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficção criada por fãs, mas pode ser considerada uma </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/jessica-jung-revela-detalhes-sobre-seu-livro-shine-uma-chance-de-brilhar/"><i><span style="font-weight: 400;">idolfic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, enquanto Jung não se sente confortável em contar a sua vida a partir da primeira pessoa do singular, os leitores podem decifrar </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sequência lançada em 2022. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28377" aria-describedby="caption-attachment-28377" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28377 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-escafandro-e-a-borboleta-1-1.jpg" alt="Capa do livro O Escafandro e a Borboleta. A capa tem um fundo branco com o nome do livro centralizado na parte de cima e escrito em vermelho. Abaixo do título há uma linha vermelha pontilhada e logo após o nome do autor. Mais abaixo, há letras dispostas em 6 linhas e 6 colunas, em uma espécie de caça-palavras. Ao fundo deste caça-palavras, há quatro letras maiores e em formato minúsculo, são elas “m”, “g”, “c” e “e”" width="334" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-28377" class="wp-caption-text">A obra ganhou uma adaptação francesa em 2007 por Julian Schnabel (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>Jean-Dominique Bauby: O Escafandro e a Borboleta (144 páginas, WMF Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando as palavras, maior instrumento do seu trabalho, não podem mais ser vocalizadas? É assim que Jean-Dominique Bauby analisa sua história de vida. Após um derrame, Bauby, que era editor da revista francesa <em>Elle</em>, se encontra em uma condição chamada de </span><a href="https://www.lecturio.com/pt/concepts/sindrome-de-locked-in/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Locked-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Síndrome do Encarceramento), na qual perde o movimento de quase todo seu corpo, podendo apenas movimentar o olho esquerdo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><a href="https://www.google.com/amp/s/aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/personagem/jean-dominique-bauby-a-impressionante-saga-do-homem-que-escreveu-um-livro-com-a-palpebra.phtml"><span style="font-weight: 400;">apenas piscando o olho</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com a ajuda de uma fonoaudióloga, que Bauby cria <em>O Escafandro e a Borboleta</em>, uma sincera e tocante análise da vida pelos olhos de alguém que vê sua vida passar enquanto está preso dentro do próprio corpo. Mesmo nessa condição, o autor traz um humor sarcástico para a obra, sem deixar que a história caia no nicho da auto-ajuda. Porém, a história do Escafandro, armadura de mergulho pesada que dificulta seus movimentos (seu corpo) e a Borboleta, animal leve e que voa livre (sua mente) tem o poder de trazer uma nova perspectiva para como enxergamos nossa própria existência. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28378" aria-describedby="caption-attachment-28378" style="width: 446px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28378 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-milesimo-andar-1.jpeg" alt="Capa do livro O Milésimo Andar. O fundo é completamente preto, com apenas alguns pequenos pontos luminosos, como estrelas. Ao centro, vê-se um grande prédio dourado, com o título da obra escrito na frente. Na parte superior há a frase “Quanto mais alto você está, pior é a queda”, e na inferior estão o nome da autora e a informação de que o livro é um best seller do The New York Times. Na lateral, perto do canto inferior direito, está o nome da editora" width="446" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-28378" class="wp-caption-text">O Milésimo Andar mostra que a vida nas alturas pode não ser tão maravilhosa assim (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Katharine McGee &#8211; O Milésimo Andar (420 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>“Em apenas três minutos, ela iria colidir com o cimento implacável da East Avenue, mas agora, neste exato momento, ela estava mais linda do que nunca”</em>. Assim se inicia</span> <a href="https://www.amazon.com.br/mil%C3%A9simo-andar-Katharine-McGee-ebook/dp/B079XCWG5N/ref=sr_1_2?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-2"><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra lançada em 2018 e escrita por Katharine McGee, que aborda a vida, os segredos e os fardos de cinco jovens ー Avery Fuller, Leda Cole, Rylin Myers, Watt Bakradi e Eris Dodd-Radson ー no futuro distópico e tecnológico de Manhattan em 2118, pós aquecimento global, onde toda a população da cidade é obrigada a morar em um prédio de mil andares para viver em condições normais após o colapso da natureza.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro possui uma leitura fluida e não muito complexa. Além disso, é muito interessante para quem gosta de histórias com diversos pontos de vista, já que cada capítulo é narrado por um dos personagens principais. O ponto alto da obra são os temas fortes que são abordados com muita maestria e cuidado, como incesto, pressão familiar, desigualdade social, depressão, vício em drogas e outros. Apesar da temática delicada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de ser leve e divertido de se ler, e é impossível não ficar envolvido com o mistério apresentado, sendo sua única opção ler até o final para receber uma reviravolta surpreendente. E para quem gostar deste título, ainda há as sequências </span><a href="https://www.amazon.com.br/altura-deslumbrante-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B07S2T15QD/ref=sr_1_4?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Altura Deslumbrante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/vista-infinita-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B08H5NQ4B3/ref=sr_1_3?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-3"><i><span style="font-weight: 400;">A Vista Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28379" aria-describedby="caption-attachment-28379" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28379 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg" alt="Capa do livro O Rei de Havana. O fundo é verde, na parte superior está escrito o nome do autor Pedro Juan Gutiérrez em letras pretas. Ao lado de seu nome, está o nome da editora Alfaguara e seu logo, arabescos entrelaçados, tudo em preto. Na parte inferior há o desenho de um corvo em preto, e o nome do livro &quot;O Rei de Havana” está escrito em branco, sobrepondo o desenho" width="660" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg 660w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-768x1192.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-990x1536.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1320x2048.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1200x1862.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1.jpg 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28379" class="wp-caption-text">E diz Pedro Gutiérrez que “ao cubano só resta o rum, a salsa e o sexo” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Juan Gutiérrez &#8211; O Rei de Havana (184 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Juan Gutiérrez escreve para os fortes de estômago, aqueles estupidamente curiosos em conhecer uma parte da vida em Cuba nos anos 1990. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei de Havana </span></i><span style="font-weight: 400;">atravessa toda a triste clareza com que seu protagonista Reynaldo enxerga a vida marginalizada na capital cubana. De maneira brilhante e obscena, a obra não só </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/23/cultura/1419361987_114715.html"><span style="font-weight: 400;">enxerga o submundo do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas descreve as particularidades das pessoas que a ele pertencem com um objetivo: questionar até que ponto há dignidade na vida de um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É maluco, né? Imaginar como alguém se acostuma tanto à margem da sociedade, à pobreza, à sujeira, que se sente intrínseco àquilo. É assim que </span><a href="https://homoliteratus.com/a-literatura-suja-do-escritor-cubano-pedro-juan-gutierrez/"><span style="font-weight: 400;">o protagonista de Gutiérrez</span></a><span style="font-weight: 400;"> vê a si mesmo, sem compreender como alguém prefere água corrente na torneira e comida no prato todos os dias. Rey é só um adolescente despreocupado, com uma vida arruinada, um passado traumático, e a vontade de permanecer não pensando em nada, nunca. E só se sente um verdadeiro rei quando está transando bêbado, sujo, sem tomar banho, em um lugar qualquer que cheire a xixi. O rei de Havana. </span><b>&#8211; Nathália Mendes </b></p>
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		<title>Estante do Persona – Abril de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2022 21:18:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” &#8211; Lygia Fagundes Telles O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de Lygia Fagundes Telles, uma das maiores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Abril de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27522" aria-describedby="caption-attachment-27522" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27522 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg" alt="Arte retangular de cor rosa pastel. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris magenta. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “A estrutura da bolha de sabão”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘abril de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27522" class="wp-caption-text">Em abril, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre os conscientes e inconscientes da antologia de contos A Estrutura da Bolha de Sabão, da eterna Dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” </span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Lygia Fagundes Telles</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das maiores escritoras do país. A autora é considerada uma referência na Literatura pós-</span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e usou as vozes de personagens femininas e suas múltiplas nuances como protagonistas em muitos de seus escritos. Lygia foi a terceira mulher a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras), recebeu o Prêmio Camões em 2005 e chegou a ser a primeira mulher brasileira indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, aos 96 anos de idade. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ciranda-de-pedra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ciranda de Pedra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão no Aquário</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Seminário dos Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos títulos mais conhecidos da escritora, e apesar de sua destreza como romancista, os contos foram o grande destaque de sua carreira. Diante da grandeza de Lygia Fagundes e seu recente falecimento, a atual leitura do Persona não poderia ser diferente. Por isso, o escolhido da vez foi o compilado de contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado pela primeira vez sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1978, o livro junta oito contos narrados por personagens variados, em que a grande brincadeira fica por conta das transições entre realidade e pensamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube discutiram as entrelinhas do texto e tentaram desvendar os encantos por trás do ar enigmático da </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2022/04/11/lygia-fagundes-telles-paixao-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizada pela autora. Entre os comentários, a sutileza ao emparelhar o intrínseco dos personagens e o mundo externo a suas individualidades, os leitores do Persona destacaram a objetividade com a qual Lygia especulava a complexidade humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade de organizar as palavras como charadas condutoras de uma narrativa particularmente imprevisível e aberta a tantas possibilidades também foi um dos destaques da discussão. Além disso, as reflexões sobre o fator que unia tantas histórias diferentes em um produto só deu espaço para os leitores criarem suas próprias teorias. E seja pela tensão que ronda as relações interpessoais e intimistas ou pela certeza dos desenlaces decepcionantes, a conclusão foi que, se Lygia descobriu os segredos da estrutura da bolha de sabão, ela não pretendia deixá-la às claras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política e discussões socioculturais abraçadas pela obra não foram esquecidas, e os retratos de conflitos, preconceitos e desigualdade reafirmaram a imagem de uma autora ousada e sabiamente desafiadora. Ainda, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">resgatou nas memórias as narrativas de Hilda Hilst e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando como mesmo seus pontos em comum se exprimem com uma singularidade incomparável.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura do mês expulsou a temida Lygia dos vestibulares e deu a sua obra um passe para a imortalidade. Nesse cenário tomado por despedidas e eternização, a Literatura não pretende deixar saudade, então fique agora com as indicações dos membros do Clube do Livro para o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> de Abril.</span></p>
<p><span id="more-27520"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27523" aria-describedby="caption-attachment-27523" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27523 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, vemos diversas formas geométricas coloridas, que se sobrepõem. As cores predominantes são verde, rosa, azul, branco e amarelo. Existem quatro flores desenhadas à direita. Abaixo, mais à esquerda, está um retângulo vertical de cor branca. Dentro dele, está escrito Lygia Fagundes Telles, em fonte de cor preta, abaixo está escrito A estrutura da bolha de sabão, em fonte de cor rosa, seguido pela palavra contos, em fonte de cor cinza. Mais abaixo, ainda dentro deste retângulo e de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27523" class="wp-caption-text">Na obra, Lygia Fagundes Telles retrata a vida como algo frágil, fugaz e misterioso, tal qual uma bolha de sabão (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; A Estrutura da Bolha de Sabão (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma coleção de contos da escritora símbolo do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lygia Fagundes Telles. Guiada por um clima de tensão, não há como relaxar durante a leitura que se faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><span style="font-weight: 400;">genialmente desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> a todo o momento. Publicada pela primeira vez em 1978 sob o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra ganhou o nome do seu conto homônimo para o relançamento em 1991. Àquela época, o texto que encerra a seleção já havia se tornado um destaque na carreira de Telles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358556/lygia-fagundes-telles-por-ela-mesma-eu-luto-com-a-palavra.shtml"><span style="font-weight: 400;">dama da literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma romancista realista, quando ela se apropria da persona contista, não falta espaço para o fantasioso. Afinal, nos oito contos, através da sua constante abordagem da consciência humana, a autora aproveitou para usufruir sem medo algum do intenso fluxo de pensamentos das personagens. Para além, a sua característica visão sobre as grandes cidades e os vícios que acarretam a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-escritora-obra-importancia.htm"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu singular e atraente para o leitor, sem esquecer da tradicional sinestesia da cor verde que marcou presença em alguns trechos do livro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não conte a ninguém, mas descobri, a bolha de sabão é o amor.” </span></i><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos deixou no mês de abril e, assim como ela demorou para compreender a existência de um físico que estudava a bolha de sabão, há ainda muito a desvendar sobre uma das autoras mais importantes que o Brasil já teve. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> significa algo, esse algo é a infinitude e a eternidade do poder de suas palavras que causam sentimentos tão fortes quanto o amor.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Estrutura da Bolha de Sabão - Clube do Livro Abril 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3JxIVFMTZ7woZ8YyHSgjVY?si=db615094896a4cf1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27524" aria-describedby="caption-attachment-27524" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27524 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Construção de Mim Mesma. A capa é branca e tem uma borboleta roxa no centro. No topo da imagem, lemos o nome da autora, Letícia Lanz, e abaixo da borboleta está o título do livro: A Construção de Mim Mesma. Abaixo, está o subtítulo, em fonte menor: Uma história de transição de gênero. Abaixo, vemos o logo da editora Objetiva." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27524" class="wp-caption-text">Autora de A Construção de Mim Mesma, Letícia Lanz é psicanalista, palestrante, ativista e foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2020 (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Lanz &#8211; A Construção de Mim Mesma (112 páginas, Objetiva)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes de maior relevância para a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/leticia-lanz-e-o-complexo-mundo-transgenero"><span style="font-weight: 400;">comunidade trans no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Letícia Lanz decide por contar sua própria história no sincero </span><i><span style="font-weight: 400;">A Construção de Mim Mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o subtítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de transição de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de não-ficção transita entre o espaço e o tempo para que Letícia, uma mulher já na terceira idade, se apresente ao mundo da maneira que sempre o fez no individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A honestidade se junta à brevidade da escrita da autora, sempre buscando situar quem lê na mente de alguém que nasceu em estado de discordância do gênero a que foi atribuída no nascimento. Do </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/10/31/transicionei-aos-50-anos-apos-sofrer-um-infarto.htm"><span style="font-weight: 400;">apoio que recebeu da esposa</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a parceria que firmou com diversas amigas da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lanz faz sua rede de apoio se estender para além das páginas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27525" aria-describedby="caption-attachment-27525" style="width: 729px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27525 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg" alt=" Imagem da capa do livro O Escaravelho do Diabo. A arte de capa consiste em um fundo amarelado na parte superior e em um fundo verde a partir do meio da altura do livro. No fundo amarelado na parte superior, está escrito o nome da escritora, Lúcia Machado de Almeida, seguido do título da obra, O Escaravelho do Diabo. Ambos os nomes estão em caixa alta na cor verde. No fundo verde a partir do meio da altura do livro, está um desenho de um besouro de cor vermelha. Na parte inferior do livro, também de fundo verde, estão localizados os logos da Editora Ática em tom amarelado." width="729" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg 729w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-768x1079.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1.jpg 926w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27525" class="wp-caption-text"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/foi-um-risco-diz-diretor-sobre-adaptar-o-escaravelho-do-diabo/">O Escaravelho do Diabo</a> foi adaptado para as telas do Cinema em 2016 (Foto: Editora Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Lúcia Machado de Almeida &#8211; O Escaravelho do Diabo (128 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos meados da década de 70, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Editora Ática</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou no Brasil a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BV_0jlXFWss"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção Vaga-Lume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma série de livros voltada para o público infantojuvenil. Facilmente reconhecidos pelas artes de capa emolduradas, grande parte dos títulos se tornaram clássicos que marcaram gerações. Entre eles, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do DiaboI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da autora mineira </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/biografia-repassa-a-vida-da-escritora-e-mecenas-lucia-machado-de-almeida-1.2465632"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Machado de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi e ainda é um dos principais responsáveis por despertar o interesse pelo suspense policial na literatura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma pequena cidade do interior, a narrativa sobre a sequência de assassinatos de pessoas ruivas e a sua relação com besouros é repleta de mistério. Por se tratar de uma obra de leitura simples e por marcar presença nas estantes de leitura jovem das bibliotecas, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/04/o-escaravelho-do-diabo-veja-10-curiosidades-da-serie-vaga-lume.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sempre entrou em contato com os leitores mais precoces. Por isso, não é exagero admitir que os escritos de Almeida formam e ensinam desde a sua primeira publicação. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_27533" aria-describedby="caption-attachment-27533" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27533 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg" alt="Reprodução da capa do livro As coisas de Tobias Carvalho. A capa é de um vermelho escuro e, por apenas um traço fino e preto, se forma um desenho de um rosto. Acima do título, que encontra-se no centro da capa, em letras brancas, encontra-se o nome do autor, escrito também em branco. Abaixo, informa-se que é um livro de contos e sua vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2018. No canto inferior direito, o selo do Grupo Editorial Record." width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27533" class="wp-caption-text">As Coisas, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, tece, em inúmeros fios, as aventuras de homens gays na vivência do desejo e da identidade (Foto: Grupo Editorial Record)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho &#8211; As Coisas (144 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia do porto-alegrense Tobias Carvalho é uma abertura ao universo de encontros e desencontros de seus personagens, homens gays, moradores de Porto Alegre e engajados na negociação de suas afetividades na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em seus contos, Carvalho traz momentos da vida cotidiana enclausurados em texto, levando o leitor até mesmo a se perguntar o que ocorreu realmente ao autor ou o que foi simplesmente uma conversa de bar guardada com um preciosismo digno de um item de colecionador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o que pulsa é a vida desses homens em relação ao mundo exterior que os abraça e hostiliza simultaneamente. Desde uma discussão de relacionamento em mensagens de texto a sucessivas transas mediadas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Grindr </span></i><span style="font-weight: 400;">em um dia de tédio, as experiências gays são contempladas e esmiuçadas como pequenas joias de uma realidade muitas vezes escondida na Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que parece ainda negar as formas que pessoas homossexuais se </span><a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/#:~:text=Mas%20acho%20tamb%C3%A9m%20que%20d%C3%A1%20para%20virar%20a%20p%C3%A1gina%2C%20falar%20sobre%20o%20que%20vem%20a%20partir%20da%C3%AD%2C%20naturalizar%20que%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20homossexuais%20existem%2C%20mas%20estar%20atento%20%C3%A0s%20particularidades%20que%20elas%20trazem."><span style="font-weight: 400;">relacionam fora da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim construindo a mesma e velha estória amparada na descoberta sexual e do jogo sedutor do sigilo. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27527" aria-describedby="caption-attachment-27527" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27527 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg" alt="Capa do livro Cartas de Amor aos Mortos. A capa apresenta um degradê de cima para baixo com as cores preto, azul escuro, tons de azul mais claro, roxo, lilás e coral. Entre as cores aparecem nuvens esbranquiçadas e estrelas de tamanhos variados, representando o céu. O título está centralizado e as palavras “Cartas”, “Amor” e “Mortos” tem fontes maiores em relação às outras. “Mortos” está grafado na cor preta e há uma menina sentada na primeira letra O com os pés apoiados na letra T, ela veste uma camiseta com short jeans e está escrevendo em um caderno. Na porção inferior da capa aparece o nome da autora e a editora, já na porção superior há um pequeno texto com a opinião de Stephen Chbosky sobre o livro." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-768x1178.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1335x2048.jpg 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1200x1840.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27527" class="wp-caption-text">“Ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo” (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ava Dellaira &#8211; Cartas de Amor aos Mortos (344 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartas de Amor aos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o romance de estreia da norte- americana Ava Dellaira. Escrito em narrativa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">epistolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto nos guia pelas palavras de Laurel, uma adolescente desestabilizada lidando com o luto gerado pela misteriosa morte de sua irmã mais velha, May. Tentando se reinventar, a protagonista começa o Ensino Médio em uma escola nova, e em suas aulas de Inglês recebe a curiosa tarefa de escrever uma carta para um morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Motivada pela atividade, Laurel passa a escrever cartas para artistas como Kurt Cobain, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop e </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">. Escrever para os mortos se torna um portal, não um que desvenda os segredos da morte, mas que guarda os da vida. Entre questionamentos sobre a trajetória das celebridades e reflexões geradas pelo seu próprio dia a dia, cada carta revela uma parte do consternante amontoado de angústias residentes na personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto dedica seus monólogos letrados a uma celebridade ou outra, Laurel mostra a verdade, e seus medos, inseguranças, traumas, amores e individualidade ganham espaço nas grafias. Assim, dos dramas às conquistas, a autora entrega uma descrição moldada por palavras tão sinceras e palpáveis que permitem ao leitor a experimentação mais genuína e aflitiva da empatia. Em suma, </span><a href="https://www.meon.com.br/meonjovem/alunos/resenha-cartas-de-amor-aos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Carta de Amor aos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apaixonante ao destrinchar a controversa dor do amor. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27528" aria-describedby="caption-attachment-27528" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27528 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Barba ensopada de sangue. Na imagem, há um fundo vermelho com pequenas manchas em cor branca, simulando fios de barba. À direita, está escrito “Barba ensopada de sangue” em fonte de cor branca. Abaixo, está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor branca, e à esquerda está escrito “Daniel Galera”, também em fonte de cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27528" class="wp-caption-text">Barba ensopada de sangue é o 4º romance de Daniel Galera, e completa 10 anos em Maio de 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (424 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre, </span><a href="https://danielgalera.info/#livros"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um dos fundadores da editora </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37422"><i><span style="font-weight: 400;">Livros do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001-2004) – junto a </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13510"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pellizzari</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guilherme Pilla. Além de escritor de fôlego, é também ensaísta e tradutor literário, tendo vertido para o português obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, Zadie Smith e Chris Ware. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453"><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – seu quarto e premiado romance, que completa 10 anos de lançamento em 2022 –, acompanhamos um protagonista sem nome (por vezes chamado de “nadador”), um professor de Educação Física que, após o suicídio do pai, se muda para Garopaba, cidade litorânea de Santa Catarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse personagem possui uma condição: não é capaz de memorizar faces. Dessa forma, se esquece também de suas próprias feições, percebendo posteriormente que são similares à do seu avô, assassinado no passado, cujas circunstâncias do crime seguem obscurecidas. Ao estilo das obras de </span><a href="https://www.theguardian.com/culture/2022/mar/09/cormac-mccarthy-two-new-novels-coming-in-2022-16-years-after-the-road"><span style="font-weight: 400;">Cormac McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;">, vagamos através da história como espectros, guiados por narrações em terceira pessoa e diálogos reveladores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a observação excessiva sobre pequenos detalhes reafirma a condição do protagonista – única voz que nos apresenta a narrativa –, evidenciando aquilo que ele próprio vê: um emaranhado de acontecimentos cometidos por pessoas sem rosto, lembradas por seus gestos e particularidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é potente ao revelar as diversas situações e condições que se somam para constituir a identidade, além de apontar para uma certa hereditariedade de acontecimentos que sucedem nossas vidas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27529" aria-describedby="caption-attachment-27529" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27529 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg" alt="Capa do livro O Observador no Escritório, de Carlos Drummond de Andrade. A imagem tem fundo branco, que recebe uma fotografia em preto e branco do autor, ocupando a metade inferior da capa. Ele é um homem branco, usa óculos grossos arredondados e um terno escuro. Carlos está sentado à frente de uma mesa, com as mãos repousadas sobre uma máquina de escrever. Ele olha para o lado direito, fora da imagem. Na linha superior, está escrito o nome do livro, em fonte simples e caixa alta, num tom de verde médio. Embaixo do título, está o nome do autor, no mesmo estilo de fonte, porém em preto. No canto inferior direito da capa, existe o logo da editora, também em preto sob o fundo branco." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1336x2048.jpg 1336w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1200x1839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27529" class="wp-caption-text">Reza a lenda que por pouco os diários pessoais de Carlos Drummond de Andrade perderam-se para sempre antes de se transformarem no livro lançado em 1985, sendo um alvo desejado e material quase findado pela tesoura crítica do autor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Drummond de Andrade &#8211; O Observador no Escritório (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que os fantasticamente ordinários contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram manifestos na linguagem crua e radical de Lygia Fagundes Telles, o fundo bruto de realidade da Dama da Literatura brasileira parecia evocar uma aproximação com a capacidade analítica criativa do nosso </span><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fenômeno ainda está em fase de compreensão, mas para compor a mais recente Estante do Persona, não pude deixar de atender ao clamor de Carlos Drummond de Andrade e de sua obra diarista, que ao construir suas observações de mundo com a perspicácia de sempre e um humor refresco, se coloca, de uma forma intrigante e bem específica, mais uma vez ao lado de sua querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">parceira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Observador no Escritório</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a amizade entre </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/11/20/lygia-fagundes-telles-ele-me-estendeu-a-mao/"><span style="font-weight: 400;">Telles e Drummond</span></a><span style="font-weight: 400;"> já detém &#8211; literalmente &#8211; a licença poética necessária para esse tipo de referência. Mas algo especial acontecia quando Carlos encerrava seu hábito de tomar notas pessoais, mantido desde 1943, em setembro de 1977 &#8211; dez anos antes de sua morte e um ano antes do lançamento da referida obra de Lygia. Ela, emergindo suas palavras nas camadas profundas das relações humanas, recorria à ficção. Ele, atento e envolvido em um período de intensas mudanças no país, se encarregava de retratá-lo com sinceridade e riqueza de linguagem. E quando um dos auges da ficcionalização dela se relaciona com o centro da realidade dele, o resultado é um daqueles eventos celestes tão estrondosos quanto misteriosos, que só o universo da Literatura pode conceber. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.” &#8211;  Carlos Drummond de Andrade Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante.  O mês de outubro marcou o início do nosso Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24611" aria-describedby="caption-attachment-24611" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. Ao centro há uma estante de livros branca em formato retangular. Acima dela está escrito ESTANTE em fonte preta. Na primeira prateleira, na divisória esquerda, há o símbolo do Persona (desenho de um olho com a íris vermelha e um símbolo de play no lugar da pupila) ao lado da palavra DO em fonte preta. Na divisória da direita, está escrito PERSONA em fonte preta. Na segunda prateleira, há três divisórias, em que, na do meio, há a capa do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Na terceira e última prateleira, também há 3 divisórias, em que, na da ponta direita, há um troféu com o formato do símbolo do Persona. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24611" class="wp-caption-text">A primeira edição do Estante do Persona discute a obra A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e traz indicações dos membros do Clube do Livro (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan e Jho Brunhara/Texto de Abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211;  Carlos Drummond de Andrade</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de outubro marcou o início do nosso Clube do Livro, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de alguma obra sugerida. Ao final do mês, o Clube ainda se reúne para montar o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, com um comentário que sintetize as ideias sobre a leitura realizada e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas que se relacionem com a mesma, além de uma indicação de cada membro sobre algum livro marcante ou que mereça ser compartilhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como primeira leitura, o Clube do Livro teve a honra de poder prestigiar </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">uma das maiores autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura brasileira. </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paix%C3%A3o-Segundo-G-H-Clarice-Lispector/dp/853250809X"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Clarice Lispector, é narrado em primeira pessoa pela personagem que tem suas duas iniciais presentes no título da obra. Uma mulher, moradora do Rio de Janeiro, que, ao desempenhar a tarefa de limpar o “quartinho dos fundos” de seu apartamento, mergulha em um fluxo de pensamento contínuo simbolizado por um monólogo de reflexões existencialistas, uma das grandes marcas da escrita da autora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada mais simbólico do que estrear essa publicação especial num mês com acontecimentos tão marcantes para o meio literário. Além de no dia 29 de outubro ser celebrado o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Dia Nacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, as semanas anteriores também foram marcadas por grandes eventos. No dia 7, ocorreu a cerimônia de entrega do </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/04/premio-nobel.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Literatura 2021, que foi concedido ao autor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/de-refugiado-ao-nobel-da-literatura-quem-e-o-autor-abdulrazak-gurnah/"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, em 1948, o escritor é </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">especialista em Literatura pós-colonial e na temática de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, colecionando em sua carreira títulos como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paradise-Abdulrazak-Gurnah/dp/1565841638"><i><span style="font-weight: 400;">Paradise</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Afterlives-Abdulrazak-Gurnah/dp/1526615851"><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais ao final do mês, no dia 20, foi realizada a entrega do </span><a href="https://www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-camoes-literatura"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Camões</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a moçambicana </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/21/a-escrita-sagrada-da-romancista-mocambicana-paulina-chiziane"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tão simbólica quanto a vitória de Gurnah, Chiziane é a </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> a publicar um romance em Moçambique,</span> <a href="https://www.amazon.com.br/Balada-Amor-Vento-Paulina-Chiziane/dp/9722128159"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que o fez depois da independência. Com a figura da mulher moçambicana e africana no centro de sua escrita, a autora dedica-se a explorar os problemas enfrentados pela mesma no meio social, e tem como uma de suas obras de maior prestígio </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/niketche-uma-historia-de-poligamia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: Uma História de Poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher decide conhecer as outras esposas de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima desse mês repleto de grandes feitos na Literatura, você confere as indicações do Clube do Livro na primeira edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24591"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_24593" aria-describedby="caption-attachment-24593" style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24593 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg" alt=" A imagem é a foto da capa do livro A Paixão segundo G.H.. Com um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="538" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-24593" class="wp-caption-text">A Paixão segundo G.H. ganhou uma adaptação para o Cinema em 2020, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e com Maria Fernanda Cândido no papel principal (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; A Paixão segundo G.H. (175 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1964, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um passeio pelo mais profundo íntimo do ser humano. Em seu apartamento no Rio de Janeiro, a protagonista, reconhecida apenas pelas duas iniciais, decide limpar o quarto da empregada, logo após demitir a mesma. O que parece ser uma tarefa banal como tirar pó do armário, desencadeia uma série de reflexões existencialistas e contestações sobre decisões passadas, ao ponto que, ao esmagar uma barata em meio ao processo, G.H. engata em um relato sobre a perda da sua individualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por utilizar recursos como análise psicológica e monólogo interior, o presente livro é o mais puro suco que poderíamos ter da </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ainda se encontra com o teor de obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Franz Kafka. Os capítulos não possuem marcações definidas, mas funcionam como sequências sistemáticas, em que cada um se inicia com a frase que encerrou o anterior. Esse aspecto cíclico também é notório no início e final do livro, em que a protagonista termina a narrativa chegando ao mesmo ponto que a desencadeou inicialmente, em um retrato perfeito do que é o complexo processo do pensar humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de lançada no século passado, a obra de Clarice também dialoga com produções do presente, como, por exemplo, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma protagonista que enfrenta dilemas e conflitos internos na mesma proporção e, coincidentemente, também não tem seu nome revelado para o público. Por mais que, às vezes, seja um pouco repetitiva ou até mesmo de difícil compreensão em certas passagens, é impossível não se encontrar com pelo menos um trecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com grandes sacadas de gênia da autora, pensamentos até então nunca questionados são transpostos em simples palavras ou frases, que encontram-se poeticamente e se tornam tudo que precisávamos ler, mas ainda não sabíamos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Paixão segundo G.H. - Clube do Livro Outubro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1NT9TGmh6mbP2gnkf5cs3S?si=c6c81412a4914958&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2></h2>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_24594" aria-describedby="caption-attachment-24594" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg" alt="Capa do livro Desonra, de J.M. Coetzee. Na imagem, vemos diversas linhas em cor vermelha e verde, assemelhando-se a um labirinto. Ao centro, há uma faixa de cor verde. Dentro dessa faixa, na extremidade direita, está escrito J.M. Coetzee, em fonte de cor branca. Abaixo, também em fonte de cor branca, está escrito Desonra. Ainda dentro dessa faixa, na parte inferior esquerda, está escrito Prêmio Nobel Companhia das Letras, em fonte de cor branca. Há uma coroa de louros de cor branca desenhada entre as palavras Prêmio e Nobel." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra.jpg 1002w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-24594" class="wp-caption-text">Lançado em 1999, Desonra foi a obra citada para a vitória de J.M. Coetzee no Nobel de Literatura de 2003 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>J.M. Coetzee &#8211; Desonra (248 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/5-razoes-para-ler-Desonra-de-J-M-Coetzee-em-clubes-de-leitura9"><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 1999, e é considerado o grande clássico de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/jmcoetzee-comenta-autores-classicos-menos-conhecidos-em-ensaios-24841120"><span style="font-weight: 400;">J.M. Coetzee</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor sul-africano que recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2003. A obra foi tão impactante que fez o autor levar o prêmio </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/mia-couto-primeiro-autor-de-lingua-portuguesa-na-final-do-man-booker-international-prize-15683781"><i><span style="font-weight: 400;">Man Booker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela segunda vez — ele já havia recebido em 1983, pelo livro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2806200314.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vida e Época de Michael K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, sendo o único a ter recebido duas vezes a honraria. O título original é </span><i><span style="font-weight: 400;">Disgrace</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém o tradutor José Rubens Siqueira optou por um caminho mais amplo e, talvez, mais poético. Mas, afinal, do que se trata o livro? No mais puro sentido, trata-se de um homem que cai em desgraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos situados em uma África do Sul </span><a href="https://www.politize.com.br/nelson-mandela-e-a-luta-contra-o-apartheid/"><span style="font-weight: 400;">pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">apartheid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e enxergamos esse cenário sob a visão de David Lurie, professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. A percepção afiada de Coetzee nos faz vislumbrar como ninguém a sociedade fraturada que se desenvolveu no país, na qual qualquer relação afetiva verdadeira está fadada ao fracasso. Após uma sucessão de acontecimentos dramáticos, abalando profundamente a vida do professor Lurie, ele se vê obrigado a retornar à propriedade rural da filha, Lucy, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua formação humanista e as normas sociais pré-estabelecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente nesse cenário precário, muito distante da pacata vida acadêmica que estava habituado, ele entende o verdadeiro significado de brutalidade e sofrimento. Com uma narrativa envolvente, através de capítulos curtos — que mostram a habilidade do escritor na escolha das palavras —, o livro nos mantém presos e estimulados do começo ao fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi adaptado ao Cinema pelo diretor Steve Jacobs, no </span><a href="http://www.revistacinetica.com.br/disgrace.htm"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008, e traz </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Malkovich</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de David Lurie. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> publica a obra completa de J.M. Coetzee. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24595" aria-describedby="caption-attachment-24595" style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24595 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg" alt=" Capa do livro Amigo Imaginário. Em frente a um fundo preto, vemos, na parte superior central, as palavras “Amigo Imaginário” em caixa alta, em uma fonte branca e estilizada, e, no canto superior direito, o logo da Editora Record.. Na parte central, vemos uma árvore, com o tronco iluminado e com uma escada pendurada. À frente da árvore, vemos a silhueta preta de uma pessoa, aparentemente uma criança. Ao lado dela, vemos a frase “Autor do best-seller”, em uma fonte branca cursiva e, abaixo, a frase “As Vantagens de Ser Invisível”, na mesma fonte branca, em caixa alta e estilizada do título. Na parte inferior central, vemos as palavras “Stephen” e logo abaixo, “Chbosky”, ambas em caixa alta, na mesma fonte branca estilizada do título." width="525" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg 525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-672x1024.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-768x1171.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1343x2048.jpg 1343w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1200x1830.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario.jpg 1679w" sizes="auto, (max-width: 525px) 85vw, 525px" /><figcaption id="caption-attachment-24595" class="wp-caption-text">Com tradução de José Roberto O’Shea, Amigo Imaginário foi publicado em 2019 (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen Chbosky &#8211; Amigo Imaginário (767 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Christopher não construir uma casa da árvore no bosque da cidade antes do Natal, sua mãe e os moradores de Mill Grove morrerão. Pelo menos é o que diz a voz na cabeça do menino, que começou a acompanhá-lo desde que ele desapareceu na mata e retornou seis dias depois, intacto e sem memória do que havia acontecido. Nas quase 800 páginas de </span><a href="https://www.bibliotecadoterror.com.br/2019/12/amigo-imaginario-livro-de-horror-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as histórias de Christopher e sua mãe, Kate, se entrelaçam a dos moradores do local e do caso não resolvido que intriga a cidade há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, as semelhanças entre as </span><a href="https://themercury.com/ap/entertainment/why-dear-evan-hansen-is-a-sibling-to-stephen-chboskys-the-perks-of-being-a/article_c48071b1-1413-54b9-9775-3385dbfa3aa8.html"><span style="font-weight: 400;">obras de Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabam por aí. Diferente do sensível </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor cria uma narrativa assombrosa, cheia de suspense, terror psicológico e fantasia, com muitas metáforas e um forte simbolismo religioso. O excesso de reviravoltas prolonga o livro mais do que o necessário e faz com que o calhamaço se arraste nas páginas finais, mas a habilidade do </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/livros/autor-de-vantagens-de-ser-invisivel-stephen-chbosky-lanca-primeiro-livro-em-20-anos.phtml"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> em enganar o leitor, assim como faz com o protagonista, torna os caminhos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendentes e envolventes do início até (quase) o fim. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24596" aria-describedby="caption-attachment-24596" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg" alt="Capa do livro Cem Anos de Solidão. Na parte inferior vemos folhas verdes e azuis em um fundo rosa pink. Todo o fundo restante da capa é azul. Na parte central superior lê-se em branco PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA. Abaixo lê-se em pink GABRIEL. Abaixo lê-se em verde GARCÍA. Abaixo lê-se em verde MARQUEZ. Abaixo lê-se em branco cem anos de solidão." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1200x1855.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao.jpg 1605w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-24596" class="wp-caption-text">Para não se perder na história, recomenda-se que você tenha a árvore genealógica dos Buendía ao lado do livro (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Marquez &#8211; Cem Anos de Solidão (448 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colombiano Gabriel García Marquez é um dos escritores mais traduzidos no mundo, e, em outubro de 1982, ganhou o </span><a href="https://homoliteratus.com/solidao-da-america-latina-discurso-de-garcia-marquez-no-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo conjunto de sua obra. Entre seus manuscritos que refletem sobre os rumos políticos e sociais da América Latina, </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/conheca-a-historia-de-cem-anos-de-solidao-que-vai-virar-serie-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o livro mais monumental, sendo também considerado o mais importante de sua coleção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que uma simples narrativa, é uma experiência imersiva nas sete gerações da família Buendía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Macondo, acompanhamos a formação, ascensão e queda da cidade fundada por José Arcádio e Úrsula Iguarán, os pais da família </span><a href="https://medium.com/@torresclark853/la-familia-buend%C3%ADa-7a5e8c021b81"><span style="font-weight: 400;">Buendía</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apego pelo livro acontece exponencialmente, o passar do tempo nos faz reconhecer os fatos vividos pela estirpe condenada a cem anos de solidão. Denso de informações e acontecimentos, a obra mostra seus personagens relegados à solidão construindo um paralelo indireto com a América Latina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um início mais realista que se reflete na última metade mais fantástica, tudo construído com o empenho do autor em não perder a essência em que sua </span><a href="https://www.bonde.com.br/entretenimento/literatura/gabriel-garcia-marquez-conta-seus-segredos-38980.html"><span style="font-weight: 400;">avó materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> lhe contava histórias, tornando cada objeto ainda mais vivo. Seu final mostra que a solidão, em todos seus dobramentos, é cíclica e intrínseca ao ser humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cien Años de Soledad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, um dos melhores livros já escritos. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24597" aria-describedby="caption-attachment-24597" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/5-os-miseraveis.jpg" alt="Capa do livro Os miseráveis mostra o perfil de uma menina branca e loira de expressão triste. Ao fundo da cena há alguns lampiões e no topo da foto está escrito Os Miseráveis em dourado e Victor Hugo em baixo em branco." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-24597" class="wp-caption-text">Com tradução no Brasil de Regina Célia de Oliveira, Os Miseráveis apresenta, em suas 1511 páginas, injustiças sociais, revoluções e drama (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo &#8211; Os Miseráveis (1511 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos maiores clássicos da Literatura francesa. Publicada em 1862, a narrativa percorre a vida de várias pessoas pobres financeiramente ou de espírito, como forma de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/victor-hugo.htm"><span style="font-weight: 400;">Victor Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> denunciar a injustiça social tão presente na civilização humana. Como protagonista desta trama histórica temos Jean Valjean, um ex-presidiário condenado a 19 anos de reclusão por roubar um pão. Nesse mesmo plano temporal está Cosette, uma menina que vive em um estado deplorável na moradia dos </span><span style="font-weight: 400;">Thénardier, um casal grotesco que extorque as economias da mãe da criança que não pode criá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após presenciar a morte de Fantine, mãe de Cosette, Jean Valjean parte em busca da residência dos Thénardier para resgatar a menina. A partir daí, o ex-presidiário assume a paternidade da criança. Anos depois, a realidade dos personagens vira de cabeça para baixo. O casal avarento perde todas as suas economias, enquanto que Valjean e Cosette ascendem socialmente. No meio dessa trama de classes, eclodem diversas manifestações sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado por revoluções como </span><span style="font-weight: 400;">o evento de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-revolucao-1830.htm"><span style="font-weight: 400;">Junho de 1832</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-de-waterloo.htm"><span style="font-weight: 400;">Batalha de Waterloo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Victor Hugo relata em seu romance diversos eventos históricos marcantes e simbólicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta como ponta pé inicial personagens em situações de vida deploráveis, que se desdobram em diversas manifestações sociais. Essa teia de narrativas profundas permitiu com que fossem realizadas diversas adaptações da obra, como filmes, peças de teatro e paródias literárias. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24598" aria-describedby="caption-attachment-24598" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg" alt="Capa do livro Nomadland. A capa é azul e tem alguns escritos em branco. No topo da capa, lemos “Livro que baseou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”. Abaixo, lemos “Jessica Bruder” e “Nomadland”. Abaixo disso: “Sobrevivendo na América no século XXI”. No meio, vemos a foto de um trailer, estacionado em uma estrada de terra e mato, com o azul da capa se mesclando ao azul do céu. Na parte de baixo da capa, também em branco, está o nome da Editora Rocco. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24598" class="wp-caption-text">Anos depois de ser publicado, a belíssima história de Nomadland rendeu alguns Oscars, ressaltando a força da Literatura de Não-Ficção dentro da Arte (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Bruder &#8211; Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI (304 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras de Jessica Bruder, nasce a Terra Nômade. Resultado de um trabalho extenso e vivido na pele pela jornalista, o livro de não-ficção se centra nas pessoas que vivem à margem da sociedade, desamparadas pelo governo e invisíveis para o mundo. Sem apontar soluções ou culpados diretos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Nomadland-Sobrevivendo-Estados-Unidos-s%C3%A9culo/dp/6555321059"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ruma pelas estradas norte-americanas, na companhia de Linda May, uma senhora de idade que encontra subsídio em empregos braçais e temporários. Sem casa, mas não sem lar, a nômade moderna é um dos inúmeros objetos de estudo da autora, que chegou a viver em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, para ter a experiência completa de sua história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado originalmente em 2017, o livro-reportagem chegou ao Brasil alguns meses atrás, traduzido por Ryta Vinagre e com a célebre frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Livro que baseou </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">o vencedor do Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sensível e carregado visual e tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é leitura obrigatória para quem almeja encontrar o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56640345"><span style="font-weight: 400;">meio-termo entre a Literatura e o Jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, usufruindo de conhecimento dos dois campos e, na jornada, criando uma linguagem muito única e singular que não apenas denuncia a irresponsabilidade do Estado para com seus idosos, mas também celebra o senso de comunidade que as dificuldades podem fazer nascer nos indivíduos. Se Chloé Zhao conseguiu emocionar com a vida real ficcionalizada, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-filme-e-o-livro-sao-criaturas-bem-distintas-diz-autora-de-nomadland/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Bruder foi a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a encontrar esse tesouro. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24599" aria-describedby="caption-attachment-24599" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24599 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/7-Cafe-da-Manha.jpeg" alt="Capa do livro Café da Manhã dos Campeões exibe um drinque numa taça." width="500" height="751" /><figcaption id="caption-attachment-24599" class="wp-caption-text">Um dos maiores best-sellers de Vonnegut também é um de seus livros mais engraçados (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut &#8211; Café da Manhã dos Campeões (400 páginas, Intrínseca) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kilgore Trout é um escritor de ficção científica que descobre que Dwayne Hoover, um vendedor de carros aparentemente normal, está ficando maluco por causa de um de seus livros. Essa é a premissa inicial de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Caf%C3%A9-Manh%C3%A3-Campe%C3%B5es-Kurt-Vonnegut/dp/8551005804"><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproveita sua história nada convencional para fazer uma crítica bem-humorada e ácida dos comportamentos da sociedade norte-americana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a presença dos famosos desenhos do autor, é uma leitura extremamente divertida, fluida e repleta de metalinguagem. Kurt Vonnegut escreve com um senso de humor e uma sagacidade tão apaixonantes que é impossível parar de ler. </span><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões </span></i><span style="font-weight: 400;">insere a ampla criatividade da ficção científica em um contexto familiar, aproveitando para mostrar o quanto algumas ideias que tomamos como “inquestionáveis” na sociedade são, na verdade, bem absurdas. Não é engraçado? </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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<figure id="attachment_24600" aria-describedby="caption-attachment-24600" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24600 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg" alt="Capa do livro Alif, o invisível, da autora G. Willow Wilson. No centro da capa está o título do livro, em letras grandes e verde escuras, sob um fundo verde claro. Dentro da palavra “Alif”, escrita em letras curvadas, há pequenos circuitos eletrônicos verdes claros. Abaixo dela, “o invisível” está escrito em letras pretas e retas. Na parte inferior da capa, o nome da autora, em letras maiúsculas e verde escuras, e o logo da editora, Fantástica Rocco, com uma chave estilizada no lugar do “F”. As bordas da capa são estilizadas com padrões quadriculares verde escuros." width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1200x1734.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-24600" class="wp-caption-text">Alif é a primeira letra do alfabeto árabe, representada com um único traço vertical (Foto: Fantástica Rocco)</figcaption></figure>
<p><b> G. Willow Wilson &#8211; Alif, o invisível (349 páginas, Fantástica Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ficar conhecida como uma das co-criadoras da </span><a href="https://feededigno.com.br/curiosidades/conheca-kamala-khan-a-ms-marvel/"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína muçulmana</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, G. Willow Wilson já havia se provado uma das autoras de ficção mais indispensáveis da atualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu talento para criar mundos complexos e irresistíveis se faz presente na junção entre o moderno e o místico, na caracterização de uma distopia </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-cyberpunk/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tão palpável que desafia as distinções entre o real e o imaginário, visível e invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caçado pelo censor de um </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-mar-29/embargos-culturais-estado-excecao-anormalidade-constitucional"><span style="font-weight: 400;">estado de exceção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não-nomeado do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;"> Alif guarda consigo as chaves para a criação do aparato de repressão máximo, fruto da mágoa de seu coração partido. Após sua amada, Intisar, revelar que havia sido prometida a outro homem, Alif cria um programa para ocultar sua presença, na esperança de que ela nunca mais possa vê-lo ou contatá-lo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Intisar, então, envia um livro misterioso que abre seus olhos para o mundo oculto dos </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnio_(mitologia_%C3%A1rabe)"><i><span style="font-weight: 400;">djinn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expandindo o escopo da luta de Alif contra sua própria dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/917985-devemos-ver-o-mundo-com-nossos-olhos-diz-convertida-ao-isla.shtml"><span style="font-weight: 400;">perspectiva única</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilson, a ficção do livro se transforma junto com seu protagonista desafortunado, assumindo as muitas facetas de um mundo destinado a não se conhecer até que esteja preparado para entender suas muitas diferenças. Seu mundo é construído como um castelo de areia no meio de um deserto, na abundância de detalhes em meio ao desconhecido e na fragilidade da vida de suas personagens, capazes de serem apagadas com um sopro do destino. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ficção madura e envolvente, e o trabalho de uma escritora no pico de sua criatividade e habilidade. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24592" aria-describedby="caption-attachment-24592" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg" alt="Capa do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. Dois terços da imagem são compostos por uma ilustração, que mostra uma mulher sentada numa cama lendo um livro. Ela está inclinada para o lado esquerdo da imagem e apoia os cotovelos na cama para segurar o livro na frente dos seus olhos. A mulher ilustrada é branca, tem cabelos curtos pretos e lisos. Ela usa um vestido preto de bolinhas brancas e o livro em suas mãos é num tom de terracota, com uma flor estampando a capa. Atrás dela, existe uma parede com estampa floral de fundo azul escuro, e os travesseiros atrás das costas da mulher também são estampados, bem como a colcha da cama onde ela está. Na linha inferior da capa, existe uma faixa fina branca, onde está escrito “Penguin Companhia” em preto e caixa alta, e no meio das palavras, existe o desenho de um pinguim laranja. Abaixo, existe uma faixa maior preta, onde, primeiro, está escrito “Clássicos” em branco, e logo abaixo, está escrito o nome da autora numa fonte laranja e o nome do livro em branco. " width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-24592" class="wp-caption-text">A edição mais popular de Mrs. Dalloway no Brasil é traduzida por Claudio Alves Marcondes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Mrs. Dalloway (235 páginas, Penguin Companhia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Literatura de Clarice Lispector sabe como ninguém apreciar a companhia de Virginia Woolf. Então, farei as honras de aproximá-las na primeira Estante do Persona. A obra escolhida para figurar ao lado da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">voz marcante do Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precursora do movimento na Literatura, que ostenta as palavras da autora inglesa como uma das suas maiores e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">mais importantes obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro grande sucesso de Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Dalloway</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ficar de fora da seleção guiada pela genialidade de Lispector em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A referência de </span><a href="https://homoliteratus.com/woolf-e-lispector-o-ser-tudo-ou-ser-nada/"><span style="font-weight: 400;">Virginia em Clarice</span></a><span style="font-weight: 400;"> já deve sugerir o que esperar do romance, que, como toda boa obra moderna, não tem medo de seguir seu próprio caminho. Estamos falando de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">Literatura radical</span></a><span style="font-weight: 400;">, que extrai tudo o que pode das palavras através de técnicas narrativas como o fluxo de consciência, discurso indireto livre e narração onisciente, originando assim precisas </span><a href="https://livroecafe.com/2015/01/21/10-motivos-para-ler-mrs-dalloway/"><span style="font-weight: 400;">análises sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitos registros históricos e potentes ensaios filosóficos. Para realizar tudo isso, Virgina Woolf precisou de apenas um dia da vida de Clarissa Dalloway na cidade de Londres em 1925. O resto, é história. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24602" aria-describedby="caption-attachment-24602" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg" alt="Capa do livro Vermelho, Branco e Sangue Azul. A imagem é retangular vertical. O fundo é na cor rosa bebê. Na parte superior, lê-se em azul: “Um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham”. Abaixo, lê-se “Vermelho, Branco e Sangue Azul”. Na parte inferior, há duas ilustrações dos personagens Alex e Philip. Alex está na esquerda. Ele é um homem jovem, negro de pele clara, e veste uma roupa despojada: camisa polo branca, calça jeans, e sapato vermelho. Philip está na direita. Ele é um homem jovem branco, de cabelos ruivos, e veste uma roupa militar britânica. Entre os dois, há o nome da autora, Casey McQuiston. No canto inferior direito, há o logo da editora, “Seguinte”. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24602" class="wp-caption-text">Vermelho, Branco e Sangue Azul foi traduzido para o português por Guilherme Miranda (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; </b><b>Vermelho, Branco e Sangue Azul </b><b>(</b><b>392</b><b> páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida não deveria ser feita só de leituras sérias, e </span><a href="https://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55186"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">se encaixa perfeitamente nessa categoria. Em suas quase quatrocentas páginas, a narrativa que Casey McQuiston desenvolve é extremamente ágil e dinâmica. A história parte de encontros puramente diplomáticos entre Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos, e Philip, o príncipe britânico, que acabam se transformando em um gato e rato </span><a href="https://meowbookblog.com/2021/03/15/1-cliche-5-livros-enemies-to-lovers/"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">de inimigos para amantes</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alex e Philip é igualmente insuportável e viciante, e &#8211; entre o emaranhado de romance, sexo, drama e a burocracia desse relacionamento &#8211; acompanhamos a campanha de reeleição da mãe de Claremont-Diaz e toda a política envolvida em um movimento dessa magnitude. Ao mesmo tempo, Philip precisa se entender com uma família real extremamente tradicional e conservadora. Apesar de se encaixar como uma leitura </span><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que apenas uma história de amor entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham, é uma trama completa e instigante de sentimentos humanos tentando encontrar espaço no cenário diplomático mundial. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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<figure id="attachment_24603" aria-describedby="caption-attachment-24603" style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg" alt="A imagem é a foto da capa do livro Alucinadamente Feliz. Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis, da autora Jenny Lawson. Ao centro, sob um fundo amarelo que remete a feno, há o desenho de um guaxinim em pé, com os braços dianteiros levantados para cima e um sorriso no rosto. Em cima do seu peito, está escrito ALUCINADAMENTE FELIZ, em caixa alta e fonte branca. Logo embaixo, em Times New Roman e fonte branca, está escrito UM LIVRO ENGRAÇADO SOBRE COISAS HORRÍVEIS. Abaixo disso, está o nome da autora, JENNY LAWSON, novamente em caixa alta e fonte branca." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-24603" class="wp-caption-text">Amiga próxima do renomado Neil Gaiman, Jenny Lawson se tornou amplamente conhecida por seus relatos no blog The Bloggess (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jenny Lawson &#8211; Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis (352 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Alucinadamente-Feliz-Engra%C3%A7ado-Coisas-Horr%C3%ADveis/dp/8580579317"><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o que acontece quando uma pessoa completamente pirada (no melhor sentido da palavra) decide escrever um livro. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/307/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Lawson</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve uma das ideias mais geniais para lidar com seus diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/sociedad/1411730295_336861.html"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais e desgraças do dia a dia</span></a><span style="font-weight: 400;">: compartilhá-los com o resto do mundo. Pode se esperar que a vida de alguém depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos), seja um fardo impossível de carregar, mas Jenny consegue como ninguém fazer uso do bom e velho ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">rir para não chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2015, e traduzido para o português por Andrea Gottlieb de Castro Neves, o livro traz em cada capítulo uma história diferente sobre o cotidiano da autora. Abordando desde questões pessoais até o seu casamento, trabalho, família, afeição esquisita por animais empalhados ou qualquer outro puro e simples episódio banal da sua vida, todos carregam uma mesma característica: finais trágicos, ou no mínimo vergonhosos. Isso tudo narrado com um tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">irônico e autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> medido em doses exatas, que transformam qualquer acontecimento horrível em um bom entretenimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande prazer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lembrar a cada segundo que se tratam de relatos puramente reais. E, por mais específicos que sejam cada um deles, e por mais particular que seja a mente conturbada de Jenny, é quase natural se encontrar com as maluquices que ela descreve em um mundo em que a cada dia estamos mais malucos. Dessa forma, a moral final da história é apenas uma: você não está sozinho. </span><b>&#8211; Vitória Silva </b></p>
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