Nota Musical – Fevereiro de 2021

Destaques do mês de fevereiro: Gal Costa, Taylor Swift, Isaac Dunbar e Daft Punk (Foto: Reprodução)

No mês que antecede o evento mais importante da música ocidental, alguns dos grandes nomes do Grammy 2021 aproveitaram para agitar a campanha para a premiação, que acontece no dia 14 de março. A dupla Chloe x Halle vestiu tons frios para Ungodly Hour (Chrome Edition) e para o clipe futurista da canção-título. Dua Lipa juntou novos singles com a tracklist mais famosa de 2020 em Future Nostalgia (The Moonlight Edition). Doja Cat e Megan Thee Stallion comandaram um remix de Ariana Grande, e a banda HAIM cantou mais uma vez – e agora pra valer – com Taylor Swift.

Falando nela, a artista que protagonizou a maior polêmica do mundo pop dos últimos anos iniciou sua volta por cima. Depois de jogar a ***** no ventilador e suscitar uma discussão importante sobre a relação complicada que existe entre direitos autorais, artistas jovens e a indústria musical, Swift alertou que não deixaria barato e que faria o possível para tornar seus trabalhos, que foram vendidos sem a sua permissão, obsoletos, regravando-os. É fato que a cantora de reputation é firme com sua palavra, e assim ela apresentou ao mundo Love Story (Taylor’s Version), anunciando que a nova versão de Fearless, seu segundo álbum, também chegará aos nossos ouvidos em breve.

O maior injustiçado da temporada, por sua vez, brilhou forte em sua performance no intervalo do Super Bowl promovendo The Highlights. A coletânea reforça a relevância e impacto do trabalho de The Weeknd, que não engoliu a desonestidade da Recording Academy. Quem também superou cenários hostis foi Rebecca Black, o assunto da internet e alvo de um episódio de cyberbullying massivo em 2011, que dez anos depois do fatídico clipe de Friday, retorna àquele lugar para um remix da música original.

Ascensão também é uma palavra que se aplica aos artistas brasileiros, que mantiveram a atividade em um fevereiro sem carnaval. Pabllo Vittar voou alto ao interpretar o remix de Man’s World com MARINA e Empress Of. Ludmilla, que sabe pregar o funk como ninguém, colaborou com o trio Major Lazer e ainda encontrou espaço para trazer visibilidade ao grupo baiano ÀTTOOXXÁ e ao artista jamaicano Suku Ward. Luísa Sonza mostrou mais uma vez sua versatilidade num pagode ao lado de Thiaguinho, e Papatinho fez o mesmo ao misturar samba, funk e rap com Seu Jorge e Black Alien.

Já na MPB, celebramos a vida e a carreira de Gal Gosta. Não exatamente como gostaríamos, num show ao vivo lotado de apaixonados por uma das maiores vozes do Brasil, mas da melhor maneira que os moldes pandêmicos podem nos proporcionar, com o disco Nenhuma Dor. Assim como nossa musa, sempre atento e forte, Gilberto Gil se uniu aos seus filhos e netos em Refloresta para fortalecer uma campanha a favor da conservação de nosso bem mais precioso.  

A notícia triste foi o fim de Daft Punk. Depois de 28 anos de carreira, o duo composto por Guy-Manuel de Homem Cristo e Thomas Bangalter deixa um legado incalculável e uma influência que vai muito além da música eletrônica, lar da dupla. Tudo isso e muito mais sobre as movimentações do mundo da música foi registrado no Nota Musical de Fevereiro pela Editoria e colaboradores do Persona, que dessa vez, além de CDs, EPs, singles, clipes e performances, inventaram de falar também sobre as trilhas sonoras de alguns dos filmes mais importantes do mês.

CDs

Capa do disco Good Woman, da banda The Staves. Na foto, vemos as 3 irmãs, próximas e olhando para a câmera. As três são brancas, tem cabelos pretos brilhosos e vestem branco. No canto superior direito, está escrito The Staves em fonte branca e Good Woman abaixo, em letras cinzas.
“Não é justo, por que você não se importa?” (Foto: Reprodução)

The Staves – Good Woman 

Falar sobre Good Woman é um desafio e tanto. De cara, é um álbum sobre o luto compartilhado das 3 irmãs pela morte súbita da mãe. Além disso, esse é o terceiro registro da banda The Staves, que não lançava nada em seis anos. Good Woman veio em ebulição por vários fatores: ele documentou um período de distância entre Emily, Camilla e Jessica. O trio de britânicas tirou tempo para focar na vida pessoal, longe do eixo de Watford, onde nasceram. Quando a mãe faleceu, elas se recolheram em proteção

Mais que uma banda, elas eram uma família naquele momento de dor extrema. Elas se tornaram as ‘boas mulheres’ que Good Woman alude no título. Suas vozes harmonizam sentimentos de dor, perda, clausura e reconstrução. As letras, compostas em sua maioria antes da tragédia de 2018, se ressignificam após os temores e a superação, uma porção de cenários são construídos ao longo das 12 faixas.

Paralysed, o melhor que 2021 ofereceu no campo musical, destroça pelas nuances de silêncio e protesto. É uma canção ciente de onde quer chegar, emocionando pela honestidade bruta. Good Woman é o amadurecimento das irmãs Staves na vida, na carreira e no modo de lidar com o mundo. Emily, que teve uma filha, agora entende o papel da mãe do outro lado da equação. Elas continuarão cantando harmonias familiares. O que é o luto, se não o amor que persevera? – Vitor Evangelista


Life Support foi o suporte de vida que todos nós precisávamos (Foto: Reprodução)

Madison Beer – Life Support

Mostrando mais uma vez que não está na indústria apenas para produzir músicas superficiais e de qualidade questionável, Madison Beer lança seu debut album. Com 17 faixas que prometem te fazer dançar, chorar e refletir sobre a vida, Life Support atinge o ouvinte de uma forma que apenas os vocais impecáveis da cantora junto com a produção maravilhosa da sua equipe conseguem fazer.

Navegando entre os diversos aspectos de viver um relacionamento tóxico e lidar com transtornos mentais, Madison compõe letras tão nuas que possilitam-nos sentir cada um de seus traumas enquanto escutamos a obra. Não tem como não se emocionar com Effortlessly, onde a cantora se abre sobre a dificuldade de fazer coisas do cotidiano que antes conseguia sem nenhum esforço.

E entre as composições melancólicas, há também as felizes e agitadas. Os singles Baby e Boyshit contam com uma batida altamente contagiante e versos sobre autoestima. E em ambas as partes mais alegres ou tristes do álbum, Madison Beer entregou um trabalho que valeu a pena a longa espera. – Mariana Chagas


Capa do disco Future Nostalgia (The Moonlight Edition), de Dua Lipa. A artista é branca, tem cabelos longos, lisos e castanhos, é magra e ocupa o centro da imagem. Ela está posicionada de lado, olhando para a câmera mas com o corpo virado para o lado esquerdo da imagem. Ela veste uma blusa roxa de mangas longas em cima de um body preto cavado, meia-calça preta trasnparente e uma bota preta de salto alto, fivela no tornozelo e bico fino. A mão direita de Dua está apoiada sobre a testa e seu joelho esquerdo está flexionado para cima, posicionando assim seu pé esquerno na altura do joelho direito. Atrás dela, existe uma lua cheia grande que ocupa toda a imagem, tingida em tons de azul acinzentado. Na lateral esquerda da capa do disco, está o nome da artista em uma fonte grande, cursiva e colorida em tons de prata. No canto inferior direito da imagem, o nome do disco está escrito, em uma fonte pequena e caixa alta.
No dia 12 de fevereiro, um mês antes do Grammy 2021, Dua Lipa lançou a segunda edição do aclamado Future Nostalgia, que concorre às principais categorias da premiação (Foto: Reprodução)

Dua Lipa – Future Nostalgia (The Moonlight Edition)

Dua Lipa ainda tem o que dizer sobre a viagem no tempo que fez em Future Nostalgia. Mesmo que o hit Don’t Start Now já tenha passado da data de validade e que as demais canções do disco tenham sido alvo de remixes não tão bem-sucedidos em Club Future Nostalgia, algumas delas conseguiram resistir, como Pretty Please, Break My Heart, Hallucinate e Cool. Assim, Dua juntou a tracklist do disco original – que também concorre às principais categorias do Grammy 2021 – com novos singles e três faixas inéditas para compor a segunda edição do álbum, o Future Nostalgia (The Moonlight Edition).

Diluindo a personalidade marcada de Future Nostalgia com a identidade de Dua em seu primeiro disco, o álbum não é um experiência musical como foi com o lançamento do ano passado, até mesmo por ter pouca novidade. O que vemos é a exploração de algumas nuances, como algo mais dark que vem de Love Again em That Kind Of Woman, que destaca as influências de Madonna na música de Dua, e Prisioner, a colaboração de Dua Lipa com Miley Cyrus que também compõe Plastic Hearts, o último álbum da artista. Ela também aproveita as brincadeiras no tempo para retroceder um pouco mais até chegar nos 60’s com We’re Good e Not My Problem.

Ao mesmo tempo em que explora um pouco mais a identidade disco de Dua Lipa, The Moonlight Edition inicia um avanço para trabalhos futuros mais contemporâneos com um o reggaeton Un Día (One Day) e o dance de If It Ain’t Me, que podem brigar um pouco com o resto do disco. Refrescando a música de Dua ao lado da estrela pop belga Angèle, Fever é uma faixa que já poderia servir como single para uma próxima era, mas ao inseri-la junto desse material, a nossa viajante do tempo parece guardar outras coisas para o futuro. Já tendo explorado tudo o que pôde da safra de Future Nostalgia, esperamos que ele não seja mais tão nostálgico assim. – Raquel Dutra


Capa do disco Music (Songs From and Inspired By The Motion Picture) da cantora Sia. A capa é amarela mostarda. No topo da imagem, vemos Sia e Music escritos em fonte preta. O desenho do centro da imagem é um prato branco com dois ovos formando os olhos, e um risco de catchup formando a boca. Na parte de baixo está escrito Songs From and Inspired By The Motion Picture.
Music é nojento, e o mesmo vale para a Trilha Sonora de Sia (Foto: Reprodução)

Sia – Music (Songs From and Inspired By The Motion Picture) 

Em casos comuns, mesmo filmes ruins podem ter partes boas. Mas Music não é um filme ruim, ele extrapola qualquer limite de gosto pessoal, boa vontade ou produto artístico. É uma atrocidade filmada, um assassinato de direitos, é um crime por existir e não ter havido qualquer tipo de impedimento na concepção e lançamento. Todo o potencial destrutivo e porco do filme de Sia é transferido para a Trilha Sonora.

A australiana canta feliz, como se estivesse fazendo algo bom liberado ao mundo esse arroto atroz que dá vida ao pior filme de 2021. É ridículo, é asqueroso e combina com primazia com a imagem que Sia ajudou a criar nos últimos anos. Irresponsável, uma imundice sem tamanhos. Nada se salva e, por conta disso, não haverá clipe anexado ao texto. Music é desumano e deve ser tratado como tal.  – Vitor Evangelista


Capa do álbum “Death By Rock And Roll”, do The Pretty Reckless. Taylor Momsen, líder e vocalista da banda, está sendo vista de cima, nua, prostrada em cima de um túmulo de pedra coberto por musgo, com uma luz branca vindo da direita e uma luz azulada da esquerda. Na parte de cima do túmulo é possível ler “THE PRETTY RECKLESS” e na parte de baixo, a abreviação do nome do álbum, “DXRNR”.
O novo disco do The Pretty Reckless se apresenta como uma homenagem fúnebre ao rock’n’roll e os seus ícones (Foto: Reprodução)

The Pretty Reckless – Death By Rock And Roll

Quase cinco anos após o blues de Who You Selling For (2016), Taylor Momsen e os outros membros do The Pretty Reckless voltam às raízes com Death By Rock And Roll, seu quarto álbum de estúdio. Inspirado por um período de auto reflexão após tragédias como o suicídio do vocalista Chris Cornell, da banda Soundgarden, depois de um show que eles abriam em Detroit e a morte inesperada do produtor da banda, Kato Khandwala, o disco vem carregado de alegorias nada sutis sobre a efemeridade da fama e da morte dos ícones do rock.

Musicalmente, ele não agrega muito à discografia da banda, oferecendo poucas notas originais ou surpreendentes, mas mesmo assim entrega o que os fãs de longa data já esperam: vocais e melodias épicas feitos para serem sentidos ao vivo. A energia que Momsen e o resto dos músicos carregam continua excelente, mas parece faltar algo que separe o novo disco de seus trabalhos anteriores, por mais energizantes que as músicas sejam.

O destaque vai para faixas como 25, em que Momsen canta sobre sua trajetória na música e na vida, e And So It Went, colaboração com o lendário Tom Morello, do Rage Against the Machine, e que parece visada em confrontar a autoridade e o status quo. É um disco recheado de letras simples e honestas, mas que não parecem realmente revelar algo de novo sobre a banda. Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do disco Nenhuma Dor. A arte é uma montagem de fotos da cantora Gal Costa. Nos quatro cantos temos pedaços de fotos dela em preto e branco. Na parte central vemos uma foto do rosto de Gal em preto e branco, ela tem expressão séria e seu cabelo está armado. No canto esquerdo lê-se em vermelho “NENHUMA DOR”. Na parte superior lê-se em vermelho “Rodrigo Amarante, Silva, Criolo, António Zambujo, Zé Ibarra, Seu Jorge, Tim Bernardes, Rubel, Jorge Drexler, Zeca Veloso” também lê-se em preto “GAL”. No lado esquerdo lê-se em vermelho “Avarandado, Só Louco, Paula e Bebeto, Pois É, Meu Bem Meu Mal, Juventude Transviada, Baby, Coração Vagabundo, Negro Amor, Nenhuma Dor”. Na parte inferior nota-se manchas de aquarela nas cores vermelho, laranja e amarelo”
Mi corazón juvenil pensó: “ya entiendo Brasil: Brasil es la voz de Gal” – Jorge Drexler (Foto: Reprodução)

Gal Costa – Nenhuma Dor 

Uma das vozes mais potentes do Brasil comemorou seu aniversário de 75 anos de idade e 55 de carreira. Referência nacional e internacional, Gal influenciou músicos de sua época e continua inspirando a nova geração. O reluzente brilhantismo da cantora faz com que nomes como Rodrigo Amarante, Criolo, Rubel, Tim Bernardes, o uruguaio Jorge Drexler e o português António Zambujo se espelhem nela para cantar e compor. Em uma homenagem mútua, Gal convidou vozes masculinas para gravarem ao seu lado grandes clássicos de sua discografia. 

O projeto, que recebeu o nome de Nenhuma Dor, vem para curar o mal estar que perpetua em tempos de isolamento. Recheado de músicas de Caetano Veloso, compositor mais interpretado pela mãe de todas as vozes, o álbum contou com a presença de Zeca Veloso, filho do cantor. Foi ele que de maneira intimista, deu vida a canção que batiza o disco. Em cada faixa, Gal reafirma sua grandiosidade, dando a liberdade de cada qual criar seu próprio arranjo, transformou canções imortais, como Baby e Juventude Transviada, em regravações inesquecíveis. – Ana Júlia Trevisan


Capa do álbum For the first time, da banda Black Country, New Road. Vemos uma foto de 3 homens brancos subindo um morro com grama verde, está de dia e o céu está azul claro. A câmera olha eles de baixo, fotografando a subida. 2 deles estão subindo e o terceiro já está no topo. No topo, na parte direita, está escrito For the first time, em letras brancas. Na parte de baixo, na extremidade esquerda da foto, está escrito Black Country, em branco e New Road abaixo, em fundo branco e letra preta.
For the first time marca a estreia do Black Country, New Road que, desde 2018, vinha lançando apenas singles (Foto: Reprodução)

Black Country, New Road – For the first time

O grupo Black Country, New Road vive abraçado num invólucro de mistério. Dessa vez, eles lançaram seu primeiro registro de estúdio, intitulado For the first time. São mais de 40 minutos divididos sabiamente em seis longas canções espetaculares. Os instrumentos dominam a essência de rock e punk que a banda imprime nas extensas composições dos 7 jovens que formam o BC,NR, todos com menos de vinte e dois anos.

De fato, o vocalista Isaac Wood passa um bom tempo em silêncio, absorvido pela atmosfera de saxofones e violinos. A abertura com Instrumental aclima quem ouve, e os quase dez minutos de Sunglasses (agora com pinceladas da voz rouca de Wood) oscilam no medo, na angústia e na súplica dos londrinos.

O trabalho se inspira em tudo um pouco: desde ritmos judaicos até Arlindo Cruz. É como ouvir uma interpretação punk da Biblía Sagrada, com pitadas de pop americano e muitas referências da Geração Z. Para o futuro, aguardemos mais do material precioso que sai da mente do Black Country, para agora, For the first time ainda tem muito a dizer. – Vitor Evangelista


Capa da versão deluxe do álbum Positions., de Ariana Grande A capa revela o rosto de Ariana Grande, que posiciona sua mão esquerda sobre seus lábios, enquanto sua mão direita encosta em seu pescoço. Seu rosto está direcionado para o lado esquerdo, e seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo. A capa está tonalizada em cinza-esverdeado, e uma borda quadrada com cantos arredondados revela as palavras 'POSITIONS' e 'DELUXE' em cada canto.
positions (deluxe) é um emaranhado de descartes (Foto: Dave Meyers)

Ariana Grande – positions (deluxe)

As plataformas de streaming transformaram o jeito que se lança música – a rapidez de se consumir conteúdo abrevia grandes eras, e também faz com que as gravadoras tenham que se desdobrar para estender campanhas promocionais de um álbum. Um dos jeitos de contornar esse problema e tornar uma era mais memorável é se render a relançamentos, o que foi o caso de Ariana Grande com o positions (deluxe).  Com cinco novas canções, o relançamento não surpreende, mas é uma ótima manobra publicitária.

Escutar a versão deluxe é uma experiência frustrante. Claro que a produção musical deve se adaptar a novas formas de consumo, mas lançar músicas tão curtas parece mais uma tentativa de lucrar com uma junção duvidosa de descartes. test drive mal engata e já vai embora com seus humildes dois minutos de duração; main thing parece uma versão menos interessante de pov e someone like u (interlude) tenta ser tudo que Pete Davidson foi no passado. O destaque do álbum é de worst behaviour, que traz o sensual R&B dos anos 90 à tona e é uma suave amostra do que Ariana pode atingir como artista. A artista que, nos últimos tempos, ela parece não tentar ser. – Laís David


Capa do álbum Ex:Re with 12 Ensemble, de Ex:Re. A capa retrata um canto da parte superior do espaço Kings Place, onde as músicas foram gravadas. A parte de cima está iluminada por uma luz púrpura que destaca o espaço entre as colunas e os quadrados concêntricos no teto. A metade inferior está completamente preta, com o nome “Ex:Re with 12 Ensemble” centrado. O nome “Ex:Re” está dentro de um retângulo do mesmo tom púrpura que a parte de cima.
Elena Tonra e o grupo 12 Ensemble nos oferecem uma releitura orquestral de seu projeto solo, Ex:Re (Foto: Reprodução)

Ex:Re – Ex:Re with 12 Ensemble

Ex:Re, o projeto solo de Elena Tonra, vocalista da banda britânica Daughter, ganhou uma regravação com novos arranjos da compositora Josephine Stephenson tocados pela orquestra de cordas 12 Ensemble. O álbum captura a colaboração dos artistas gravada em 2019 no espaço musical Kings Place.

Os novos arranjos ajudam a alterar quase completamente a composição musical de Ex:Re, transformando um som que já era sofisticado em algo mais próximo do etéreo. Canções como Crushing e The Dazzler se beneficiam bastante da nova abordagem, elevando o ritmo e criando um senso de urgência que não existia no original. No entanto, Elena e o resto dos músicos sabem exatamente quando desacelerar para que o impacto das músicas caia no ouvinte, como na excepcional e devastadora Romance, que permanece uma das melhores do disco.

É uma regravação notavelmente bem feita, mantendo todo o espírito do original e ao mesmo tempo fornecendo uma nova perspectiva sobre cada faixa. Essa não é a versão definitiva de Ex:Re, porque nunca vai existir algo assim. Essa versão existe apenas no momento em que cada música é tocada e ouvida, seja no álbum original, no novo ou numa apresentação ao vivo. Se tem uma coisa que Ex:Re with 12 Ensemble deixa abundantemente claro, é a capacidade que cada faixa tem de se conectar com quem a ouve. Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do disco Ignorance, da banda The Weather Station. Na foto, está de noite, mas vemos Tamara Linderman, uma mulher branca, loira e de roupas jeans, sentada no matagal. A luz foca nela e mostra um pouco do mato verde ao seu redor, ao fundo vemos sombras de floresta, árvores e arbustos.
Tamara Lindeman, a voz por trás do projeto The Weather Station, usou da tristeza pela situação do meio ambiente para renascer sua visão artística de como a música pop afetar o mundo real (Foto: Reprodução)

The Weather Station – Ignorance 

Um minuto se passa antes da voz de Tamara Lindeman rasgar a atmosfera vibrante e arisca de Robber, a faixa que abre o mais recente registro de estúdio da canadense. O que sucede Ignorance é um conjunto de batidas hipnóticas que permeiam a vibe folk do The Weather Station, projeto que surgiu anos atrás experimentando o alternativo em tons terrorosos. 

Agora, quase 10 anos depois do lançamento do debut All of It Was Mine, a atriz e cantora de Toronto brinca com sua composição literal e profundamente ligada ao interior da tristeza, dessa vez batendo na tecla das mudanças climáticas. É o encontro do folk com o rock, com singelos respiros pops (Separated cria essa ponte com facilidade). 

A capa do disco fotografa uma Lindeman acuada no matagal, iluminada apenas por um único foco de luz. Essa luz, ela prova nos quarenta minutos do CD, é sua fonte de desejos para criar algo único e sincero como Ignorance. – Vitor Evangelista


Capa do álbum Who Am I?, da banda Pale Waves. Um corredor visto de frente, com um lampadas incandescentes no teto o iluminando. Andando pelo corredor estão três membros da banda: Ciara Doran (bateria), Hugo Silvani (guitarra principal, teclado) e Charlie Wood (baixo, teclado). Todos usam roupas escuras e estão fora de foco. No centro do corredor, parada e em foco, a vocalista Heather Baron-Gracie, de braços cruzados, calça preta e uma camiseta escura de mangas vermelhas. Abaixo dela, o nome da banda e do álbum.
Em Who Am I?, Pale Waves se expande além da melancolia e da necessidade de aceitação (Foto: Reprodução)

Pale Waves – Who Am I?

O segundo álbum de estúdio da banda inglesa Pale Waves, intitulado Who Am I?, chega no embalo de seu antecessor, My Mind Makes Noises (2018), com a vocalista Heather Baron-Gracie cantando sobre relacionamentos fadados ao fracasso e sentimentos não correspondidos. Mas, contrariando as expectativas, não demora muito para que a banda se liberte do passado e passe a cantar sobre um tipo de amor mais corajoso, arriscado e, apesar de tudo, acolhedor.

É um álbum sobre excluídos feito por excluídos, o que fica evidente em faixas como Tomorrow e You Don’t Owe Me:Porque eu vou ser o que eu escolher/E o que te faz pensar/Que você tem o direito de dizer?/Então é melhor sair do meu caminho”. Mas também é sobre paixão e comunidade, como na maravilhosa She’s My Religion, onde Heather explora seu próprio relacionamento como se fosse uma atriz coadjuvante, fornecendo suporte e carinho em face aos demônios alheios. É um disco de letras honestas e vulneráveis sobre sentimentos universais.

O som da banda também se expande, ampliando seu indie pop com algumas canções acústicas e homenagens bem colocadas ao pop dos anos 2000, acompanhando bem o ritmo das narrativas, mas que ainda retém a identidade musical desenvolvida nos álbuns e EPs anteriores. Enquanto em seu primeiro trabalho Pale Waves ansiava por aceitação, em Who Am I? eles parecem ter entendido que se o amor é capaz de nos salvar, nós primeiro temos de entender que merecemos ser salvos. Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do CD Ungodly Hour (Chrome Edition), da dupla Chloe x Halle. Na foto, vemos as irmãs Chloe e Halle abraçadas de costas no centro da imagem. Elas são jovens, negras, tem cabelos cabelos trançados rentes ao corpo e na altura da nuca, vestem vestidos de látex preto e colado. Elas possuem asas saindo das costas, asas cromadas de prata brilhante. Da mesma cor é o redor delas, composto de desenhos bíblicos, pessoas, cobras, arcos, todos na mesma cor de prata cromado.
A versão normal do Ungodly Hour está indicada ao Grammy 2021, que acontece em março (Foto: Reprodução)

Chloe x Halle – Ungodly Hour (Chrome Edition)

Estamos vivendo a era dos relançamentos, e chegou a hora do maior trabalho em pop/R&B de 2020 ganhar a Chrome Edition. A hora ímpia, claramente longe de acabar, foi turbinada com duas novas canções e um clipe estiloso de Ungodly Hour que, depois de render apresentações estupendas, demorou a ganhar um vídeo próprio.

As princesas Chloe e Halle Bailey ainda derramaram o conceito cromado na capa de Ungodly Hour (Chrome Edition), revitalizando o propósito original de anjos e já entregando a visão madura das irmãs. Hazy, a primeira adição do Deluxe, fez valer seu papel de descarte na versão Standard, mas não diminui o impacto artístico das cantoras, enquanto 80/20 cai na armadilha da curtíssima duração. Não há muito a ser dito de inédito sobre o material, fora a parte visual que (como virou costume do duo) é impecável. – Vitor Evangelista


Capa do álbum El Madrileño, de C. Tangana. A imagem é em estilo de pintura e possui um fundo vermelho. No centro, está o artista C. Tangana, um homem branco de olhos e cabelos castanhos escuros. Ele veste uma camisa branca de gola e seu cabelo está raspado nas laterais. C. Tangana está inclinado para o lado esquerdo da imagem e olha para a 'câmera' sem sorrir. No linha inferior da imagem, está escrito o nome do disco numa fonte em caixa alta preta.
O último trabalho da estrela da música espanhola C. Tangana é uma recomendação certeira pra quem gosta do pop de Duda Beat e Jão, do rock característico de BaianaSystem e do new flamenco de ROSALÍA (Foto: Reprodução)

C. Tangana – El Madrileño

O terceiro disco de C. Tangana, artista espanhol que nasceu no rap em 2006, é tudo. Experimental, pop, plural, livre, transgressivo e divertido, El Madrileño é um exagero de elementos e um exagero de bom. Entre gêneros regionais, misturas do épico com o eletrônico, muita referência da música brasileira e uma videografia grandiosa, o álbum fascina pela habilidade que seu criador tem para traçar qualquer caminho que desejar com a sua música. Para isso, ele conta com a ajuda de muita gente, e o ouvinte pode até se assustar com o tanto de nome que tem na tracklist composta por 14 faixas, das quais apenas duas são solo.

Quando sozinho, C. Tangana interpreta canções mais urbanas que revelam sua raiz do rap e influências do funk brasileiro como em Nunca Estoy, balada romântica que ainda surpreende e experimenta. Quando acompanhado, ele chega ao ápice com as pitadas de flamenco de Tu Me Dejaste De Querer, o evento teatral Un Veneno e com o violão de Toquinho – cantando obscenidades em espanhol –  amarrado às modulações de voz, beats e samples de funk em Comerte Entera. Não satisfeito, C. Tangana traz o maestro Jorge Drexler para a enérgica Nominao e brinca até com o tempo na moderna e sentimental Cuando Olvidaré junto do falecido cantor espanhol Pepe Blanco que, imerso na aura épica e de suspense da canção, declara a paixão que sente pela sua cultura e pela música de seu povo.

Um álbum demais tem destaques demais, brilha demais e impressiona demais. A abertura Demasiadas Mujeres é um encontro de gêneros, Muriendo de Envidia explode regionalidade, Ingovernable é o new flamenco perfeito e CAMBIA! dá vontade de viver. Ao finalizar o trabalho com Hong Kong, C. Tangana desvia para o rock e confirma pra quem, depois das 15 faixas, ainda tinha dúvidas quanto às suas ambições, deixando bem claro que não vive para respeitar nenhum limite, mas sim quebrá-los. Tudo é harmônico, coeso e surpreendente e a mistura doida do álbum – que já é um dos destaques do ano – não tem nada de improvisação. A música de El Madrileño é gloriosa e só ouvindo pra entender o motivo da aclamação. – Raquel Dutra


Capa da trilha sonora do filme Nomadland. A imagem possui um fundo branco, e no centro uma montagem feita com placas de carro diferentes com as letras do nome do filme dispostas em fundos diferentes. Na primeira está a letra N, com um fundo azul, branco e amarelo. Na segunda, as letras OM estão em um fundo branco. A letra A está em um fundo branco e azul arredondado. As letras DL estão em um fundo branco, amarelo e vermelho com o final da palavra “Alaska” na parte de cima. Por último, as letras AND estão dispostas em um fundo degradê de azul, branco e amarelo, com a frase “Grand Canyon State” na parte inferior.
As faixas Day One e Day Three são os destaques da trilha, pertencendo ao álbum do compositor e pianista italiano Ludovico Einaudi, Seven Days Walking (Foto: Reprodução)

Vários Artistas – Nomadland (Original Motion Picture Soundtrack)

Marcando presença na temporada de premiações, Nomadland já pode ser considerado um dos melhores filmes do ano. Sua trilha sonora calma complementa perfeitamente o que vemos na tela, as angústias da solidão e da liberdade envoltas pela natureza. O longa permite uma imersão total não apenas nos sentimentos de Fern, vivida pela brilhante Frances McDormand, mas também nos instrumentais que enriquecem as cenas sensíveis propostas pela diretora Chloé Zhao.

Ólafur Arnalds, Federico Mecozzi e, principalmente, Ludovico Einaudi são alguns dos nomes que compõem melodias suaves que dão o ritmo melancólico que percorre a trama. E, apesar de não ser elegível para um Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, a história por trás da escolha das músicas de Einaudi para Nomadland impressionam pela semelhança com a narrativa da protagonista. Sendo retiradas de trabalhos anteriores do artista, com foco para o álbum Seven Days Walking (2019), onde o cantor obteve inspiração a partir das emoções oriundas de uma caminhada pelos Alpes Italianos.

Percorrendo o país com uma van, a personagem encontra cenários impressionantes, com algumas paisagens únicas e até um nascer/pôr-do-sol aqui e ali. Ambas as primeiras faixas da trilha, Oltremare e Day One: Golden Butterflies, além de mais longas se destacam pela serenidade que acompanha toda a produção. Assim, fica claro como a beleza do aspecto visual encaixa com a trilha sonora de Nomadland, pois como dito pela diretora, ela foi formada justamente por músicas inspiradas pela natureza. – Isabella Siqueira


Capa do CD Super Monster, da artista Claud. A capa é um desenho maluco, cheio de cores e detalhes neon. As cores predominantes são verde, azul e amarelo. Podemos ver claramente uma pessoa de pele amarela e cabelo meio a meio azul e verde olhando para cima e sorrindo. Super escrito em verde e Monster em azul estão ao lado da figura. Acima dela, 5 estrelas amarelas escrevem Claud.
Claud atende pelos pronomes neutros “they/them”, como revelou no Twitter (Foto: Reprodução)

Claud – Super Monster

No susto, Claud ganha nossa atenção por conta de seu álbum de estreia, Super Monster, ser o primeiro lançamento da Saddest Factory, recém-nascida gravadora de Phoebe Bridgers. A música de Claud cai, como a maioria das jovens estrelas em ascensão, no campo do bedroom pop. O que no passado era sinônimo de simplicidade, agora cresce em gênero e grau. O dedo de Bridgers no trabalho de Claud é o toque de Midas que a alma de 21 anos, cheia de frustração acumulada, precisava para libertar seu eu lírico tão cheio de confiança

Gold é o carro-chefe do registro. A faixa rebola em um arranjo eficaz, e a letra é repleta de rimas deliciosas de cantarolar. Soft Spot suaviza o impacto do amor adolescente e Jordan ecoa além dos três minutos e quarenta de duração. Mais do que uma promessa, a geração de Claud, Isaac Dunbar e tantos outros artistas queer agora passou a ser sinônimo do presente da música. Amplificada, multifacetada e com espaço para todas as minorias antes silenciadas. – Vitor Evangelista 


Capa do álbum The Highlights. The Weeknd está no centro da capa, focado do busto para cima. Ele olha levemente para baixo. Há sombras em seus rosto, e ele usa um paletó vermelho e uma camise preta. Há um brinco na sua orelha esquerda. Seu cabelo é preto e crespo. O fundo da imagem é preto. No alto, está as palavras THE WEEKEND e THE HIGHLIGHTS em letras brancas. Abaixo, estão o nome de todas as músicas do CD, em fontes menores.
As 18 faixas de The Highlights passeiam pelas melhores músicas do cantor (Foto: Reprodução)

The Weeknd – The Highlights

Como se a peça final de um grande quebra-cabeça universal fosse enfim colocada, The Weeknd, uma das maiores vozes da indústria da música atual, lançou um compilado dos grandes sucessos da sua carreira. O disco foi disponibilizado em 5 de fevereiro, dois dias antes da performance de tirar o chapéu do cantor no intervalo do Super Bowl. A coletânea conta com 18 hits que flutuam entre suas músicas mais icônicas, tocadas sagradamente nas rádios de todo o mundo, e seus feats mais famosos – o canadense escolheu incluir Ariana Grande, Kendrick Lamar e o recém-separado Daft Punk na sua lista.

Escutar The Highlights é fazer uma viagem pela mente genial do cantor, que possui mais de 67 milhões de streams mensais no Spotify, e dar de cara com todos os ritmos e sutilezas que Abel nos entregou em seus 10 anos de história. Enquanto não conseguimos nos cansar de Blinding Lights, ele nos relembra de Can’t Feel My Face para provar o poder irresistível que é capaz de criar. Quando achamos que já superamos The Hills, ela vem acompanhada de Pray For Me e joga a última pá de terra na cova do nosso coraçãozinho que não aguentou tamanho baque.

E é claro que o globo responderia ao presente: The Highlights foi o disco mais reproduzido na história do Spotify em seu dia de estreia. The Weeknd prova, dia após dia, que merece sua popularidade arrebatadora – que venham mais álbuns! – Caroline Campos


O filme retrata a época da vida de Billie Holiday na qual ela foi perseguida por cantar Strange Fruit (Foto: Reprodução)

Andra Day – The United States vs. Billie Holiday (Music From The Motion Picture)

Lançado em 26 de fevereiro pela Hulu, o filme Estados Unidos Vs Billie Holiday conta com uma trilha sonora impecável para o conjunto da obra. A protagonista é interpretada pela vencedora do Globo de Ouro, Andra Day, que, brilhantemente, encaixa sua voz aos arranjos feitos para homenagear Billie Holiday, uma das maiores ícones do jazz.

Andra realiza um profundo mergulho nos versos cantados. Strange Fruit, uma das músicas mais fortes do filme e da carreira de Billie, é interpretada de forma impactante, transpassando todo contexto de medo, agonia e revolta presentes na cena. All of Me também tem seu destaque a capella, mostrando que o vocal da cantora independe dos instrumentos mas que, em cima do palco, o universo se transforma em pura canção. Solitude traz uma performance com tamanha destreza que a escolha de Andra Day para o papel se prova formidável.

Day ainda prova que não usou apenas técnica para ser intérprete, seu talento ímpar guia o tom da apresentação de maneira impecável, seguindo as emoções da personagem. Prova disso é a marcante Tigress & Tweed que foi composta especialmente para o filme. Inspirada em Strange Fruit, a música que concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original, mas injustamente está fora da categoria do Oscar, deixa a mensagem de que temos poder para fazer as coisas seguirem em frente.  – Ana Júlia Trevisan


Capa do disco An Overview on Phenomenal Nature, da cantora Cassandra Jenkins. A foto é uma paisagem marinha. O céu é rosa, o mar, azul. Vemos as pedras marrons tomarem parte da imagem e um esguichar branco forma um S deitado acima do mar. Está de dia.
“Vá para o Oceano, a água cura tudo” (Foto: Reprodução)

Cassandra Jenkins – An Overview on Phenomenal Nature

Um mergulho no mar de manhã. Ou molhar os pés num rio gelado. Na verdade, qualquer sensação ligada à pureza da água serve de comparativo à An Overview on Phenomenal Nature. O segundo CD de Cassandra Jenkins toca notas semelhantes ao trabalho do The Weather Station em Ignorance (também presente nesta lista). O que se torna fator comum é a permanência do estado de tristeza e seu caráter metamórfico. Não estamos mais tristes: a partir de agora, nós somos tristes

A atmosfera do disco cura pelo cintilar, mas agride pela dor de Jenkins cantando letras cruas e sem filtros. New Bikini veste o oceano como remédio, Hard Drive martela constatações futuras (e lembra o terceiro disco do The 1975) e Michelangelo desenrola o limbo que a nova-iorquina escolhe como farol. A etérea capa de An Overview on Phenomenal Nature nos dá o spoiler do conteúdo aniquilador que se prosseguirá por 7 faixas em trinta e um minutos. – Vitor Evangelista


EPs

Capa do EP the "ladies lunching" chapter. Mostra Taylor Swift sentada e apoiando o cotovelo direito sobre uma mesa, e mão segurando seu rosto. Ela é uma mulher branca e tem os cabelos loiros trançados. Ela usa uma blusa de manga comprida preta. Ao topo da imagem está escrito the "ladies lunching" chapter em cinza. A imagem é em preto e branco.
“Nunca seja tão gentil/Que você se esqueça de ser inteligente/Nunca seja tão inteligente/Que você se esqueça de ser gentil” (Foto: Reprodução)

Taylor Swift – the ladies lunching” chapter

Nada que Taylor Swift lance jamais poderá ser chamado de desperdício, porque ela faz com que estejamos sempre buscando por mais. Do compilado de músicas de folklore e evermore nasce o mais novo EP da cantora intitulado the ladies lunching” chapter. E sim, ele não traz absolutamente nada novo, mas do mesmo jeito permite que nos deleitemos com sua perfeição ao reunir todas as mulheres que protagonizaram as histórias de Swift no decorrer de 2020.

Na coletânea acompanhamos cada uma das narrativas e perspectivas femininas, trazidas em seus dois últimos lançamentos, sem pretensão alguma de inovar. Como um chá da tarde inglês, é fácil imaginar Dorothea, Betty, Augustine, Marjorie, Este e Taylor sentadas em volta de uma mesa debatendo sobre amigos que se separaram e amigos que se casaram. Imersivo e aconchegante, o protagonismo feminino se torna implacavelmente significativo ao que a cantora traz ainda mais luz para as essas tramas entrelaçadas e tecidas por ela. – Ana Laura Ferreira


Capa do EP Remote (Deluxe), da banda Wallows. Sob um fundo branco, temos, no canto superior esquerdo, a palavra “Remote” escrita em uma fonte arredondada e com um efeito distorcido que dá o aspecto de “glitch”, cada letra com uma cor diferente. No centro, dando voltas e cobrindo quase toda a extensão da capa, uma linha preta, fina e falhada liga a palavra a um retângulo no canto inferior direto. No retângulo, temos formas geométricas e texturas em cores em tons chamativos, dispostas aleatoriamente, e as palavras “Wallows” e “Deluxe” em fontes geométricas e distorcidas.
“Eu não quero me perder em todas as minhas inseguranças/Se eu te contasse todas elas, a quem machucaria mais, eu ou você?” (Foto: Reprodução)

Wallows – Remote (Deluxe)

Depois do coming of age musical Nothing Happens, o primeiro álbum do Wallows, a banda norte-americana retorna com o EP Remote, que recentemente ganhou uma versão Deluxe com cinco faixas, sendo três inéditas. No novo trabalho, que foi concebido e lançado na pandemia, Cole Preston, Braeden Lemasters e Dylan Minnette se recusam a deixar o isolamento impedi-los e continuam cantando suas composições identificáveis à juventude, que escuta sobre seus desafios românticos, anseios e inseguranças nas vozes moduladas do trio.

Resilientes aos desafios do distanciamento, membros discutiram a criação do EP via Zoom e testaram possibilidades ao gravarem remotamente, separadamente e em aplicativos de celular. Com os efeitos eletrônicos divertidos, como no primeiro single Virtual Aerobics e na inserção ao final de Talk Like That; as guitarras grunge distorcidas, como nas animadas Nobody Gets Me (Like You) e Dig What You Dug; e as batidas sintéticas, como nas reflexivas Wish Me Luck e Quarterback, o trio experimenta sonoridades. 

Mesmo sem se consagrar como o melhor trabalho da banda, o EP Remote (Deluxe) mostra que a Wallows não tem medo de explorar e sair da ‘caixinha’ de um só gênero. Combinando letras sobre temas comuns, mas que não soam repetitivas, a melodias indie pop, a banda cria uma identidade, tanto sonora quanto visual, que torna qualquer trabalho divertido de se escutar – ou assistir. A expectativa para o que virá no segundo álbum só aumenta. –  Vitória Lopes Gomez


Capa da mixtape A Vida Ainda Pode Ser Bela, do artista Diomedes Chinaski. Uma ilustração do deserto com a cor saturada e uma pessoa na centro-direita. Há pegadas desde a parte inferior até a posição da pessoa, que veste laranja e branco. Bem no centro, temos um sol nascendo. E na parte superior um céu clareando e podemos ler “A vida ainda pode ser bela” e abaixo “Diomedes Chinaski” na cor branca.
Capa da mixtape A Vida Ainda Pode Ser Bela (Foto: Reprodução)

Diomedes Chinaski – A Vida Ainda Pode Ser Bela

O aprendiz trouxe seu novo trabalho como um reflexo de sua nova fase. “A vida ainda pode ser bela se eu fizer dinheiro” é o verso que sustenta o EP, com um misto de pedido de socorro, frustração e desabafo. Após um período conturbado, Diomedes afirma que está mais próximo de sua família, com a vida mais tranquila e conseguiu entender que A Vida Ainda Pode Ser Bela.

Apesar de ser uma produção de 20 minutos, temos uma grande variedade de assuntos e mudança de ritmo nas faixas. Poucas participações, mantendo o protagonismo em Chinaski e nos permitindo apreciar cada letra. Uma mixtape cirúrgica e que cria uma expectativa muito boa para os próximos lançamentos do artista. O processo de amadurecimento de Diomedes é nítido e promissor, essa facilidade em ser versátil é o que o torna um bruxo lendário. – Elder John


Capa do EP Real To Me, de Callista Clark. A imagem conta com uma foto da cantora, uma mulher branca, de cabelo loiro, que está jogado para a esquerda com uma trança do lado direito. O fundo da foto está com uma coloração azul-esverdeada e no canto superior direito pode-se ler “Callista Clark” e “Real To Me” escrito em preto numa fonte cursiva.
A jovem que acaba de estrear na indústria da música promete encantar o público com músicas que discutem sobre questões da vida de uma garota de 17 anos (Foto: Reprodução)

Callista Clark – Real To Me

Com apenas 17 anos, Callista Clark lança seu primeiro EP, Real To Me. Trabalhando com Scooter Braun, a cantora segue um estilo parecido com início da carreira de Taylor Swift, composto por músicas country com letras verdadeiras e emotivas, mas também divertidas. Sua voz forte e vocais potentes também lembram os primeiros anos da loirinha.

O primeiro track do EP, It ‘s Cause I Am, é o que carrega a energia mais animada. Com uma letra sobre confiança e singularidade, Callista diz que não é e nunca será uma garota simples. A batida acompanha o tom da composição ao contar com uma produção agitada e vibrante.  A música é um contraste com a melancolia presente em Heartbreak Song, Don’t Need it Anymore e Real To Me.

E dentre as 5 faixas, a terceira, que foi a escolhida para nomear o EP, é um resumo de tudo que a obra retrata. A letra é um desabafo da cantora que diz que apesar de ser nova e saber que muito ainda há por vir, tudo que ela sente é real para ela. O lyric video retrata perfeitamente esse conceito ao parecer que ela está escrevendo em um diário, que resolveu ler em voz alta para o mundo. – Mariana Chagas


Capa do EP MUSIC FOR THE FELLOW WITCHES OUT THERE da cantora AURORA. No centro da imagem, vemos a cantora, uma mulher branca de cabelos loiros e olhos azuis, sentada de pernas cruzadas com os braços e mãos à frente do corpo, com o olhar fixado à sua frente. Ela está com os cabelos presos para trás e usando uma tiara com flores e joia ao centro. Vestindo uma blusa de renda, luvas compridas e calça, ambas as peças na cor preta, além de uma saia de tule branco.
AURORA tem realizado lives em seu canal oficial do Youtube, onde interage com seu público lhes apresentando suas playlists e contando mais sobre suas conexões pessoais com sua carreira e produções musicais (Foto: Reprodução)

AURORA – MUSIC FOR THE FELLOW WITCHES OUT THERE

Após o sucesso do seu último single, Exist for Love, que será a faixa principal do seu quarto álbum ainda em produção, a cantora norueguesa AURORA embarca agora em um novo projeto que traz ao seu público compilados de suas músicas em EPs temáticos organizados pela compositora. Segundo o que a cantora declarou em live, essas coleções representam o vínculo que há entre suas faixas, são como músicas irmãs de álbuns distintos, mas que de alguma forma estão conectadas por seus significados e elementos espirituais.

O primeiro EP lançada foi MUSIC FOR THE FELLOW WITCHES OUT THERE, que AURORA descreve como um convite às almas livres para celebrarem juntas os elementos místicos da natureza e do luar. Reunindo seis músicas dos seus três álbuns já emplacados, sendo All My Demons Greeting Me as a Friend (2016), Infections of a Different Kind of Human – Step 1 (2018) e A Different Kind of Human – Step 2 (2019), a artista mostra a sintonia que há entre suas produções e conosco, seus ouvintes, nos lembrando do significado que cada música tem para si e despertando a nossa conexão com suas obras. – Gabriel Brito de Souza


Capa do EP evil twin de Isaac Dunbar. Na imagem, vemos 4 vezes o rosto do cantor. Ele é um jovem de 17 anos, negro e de cabelos crespos curtos. A imagem é azul e tem contrastes do preto do cabelo, dos olhos e das roupas de Isaac. Em sentido horário, no topo na direita, ele está de chapéu, olhos revirados e com a língua de fora, com a cabeça arqueada para trás. Abaixo, ele usa um casaco com gola volumosa e olha para a câmera com cara de deboche. Ao lado, Isaac está com o rosto apoiado no ombro do outro, seu olhar é calmo. Acima, à esquerda, ele encara a câmera com cara de desagrado.
É até difícil listar os destaques de evil twin sem citar as 7 músicas, então a dica é pra ouvir tudo e, quando acabar, ouvir de novo (Foto: Reprodução)

Isaac Dunbar – evil twin 

Isaac Dunbar é um artista muito singular. Suas letras recorrem aos clichês, mas todo o tratamento além das composições colocam o jovem de 18 anos num patamar específico. O bedroom pop do cantor do Massachussets só cresce desde que surgiu, em 2018. Dunbar integrou a trilha sonora de Love, Victor, lançou alguns EPs e chegou em 2021 gritando evil twin para todos os interessados em ouvir música boa.

pink party surpreende pelos vocais distorcidos e pela sensação de escutar a sonoplastia de um filme de terror envelopado na aura adolescente queer característica do artista. O material é curtíssimo, mas as 7 canções pedem morada no Repeat. Isaac não tem dificuldade de imprimir detalhes nas batidas chicletes: rendezvous é uma delícia por não saciar de cara a sede de quem ouve, e kissy kissy faz o rolê do primeiro crush ainda soar interessante. Ele cria instigantes ganchos sonoros e suas rimas se seguram pela familiaridade dos sentimentos.

intimate moments é o destaque de evil twin. “Eu tenho medo de momentos íntimos, se você está por perto, por que estou triste?”, ele lamenta. Sua música é o cume de emoções brutas cantadas por um jovem queer que se sente confiante o suficiente para fazer isso. Não há espaço para medo de experimentar e ousar, quando o assunto é Isaac Dunbar, a barra de expectativas e nível de entrega não param de subir. – Vitor Evangelista


Em fevereiro o inesquecível show em Londres chegou as plataformas digitais (Foto: Reprodução)

Amy Winehouse – I Told You I Was Trouble: Live In London

No doloroso ano que completa uma década da partida de uma das maiores e mais inconfundíveis vozes do planeta, chega ao Spotify o áudio da gravação de I Told You I Was Trouble: Live in London. Lançado em 2007, após Amy Winehouse verdadeiramente brilhar no Grammy de 2006, o show é um dos mais vivos no consciente coletivo daqueles que conhecem o trabalho da cantora. A versão em DVD ainda traz um documentário sobre a vida, a carreira e turnê na Europa e Estados Unidos.

O setlist reúne os grandes clássicos do irretocável repertório de Amy Winehouse. Produzido ao vivo, é um selo de qualidade na potência vocal da sublime cantora que é ovacionada durante o espetáculo. As músicas de seu maior álbum – Back to Black – se fundem aos hits de Frank, seu disco de estreia. A canção homônima ao CD de 2006 é um dos pontos mais fantásticos da gravação, Amy canta Back to Black com tamanha facilidade que parece apenas estar brincando com a composição. Não é atoa que sua interpretação é imortal. – Ana Júlia Trevisan


Músicas

Com fãs famintos pelo Deluxe, Jessie Ware serve talento (Foto: Reprodução)

Jessie Ware – Remember Where You Are – Single Edit 

A lista de coisas boas de 2020 é quase ínfima, mas no topo está o precioso What’s Your Pleasure?, quarto álbum de estúdio de Jessie Ware. O sucesso de seu disco e a grandiosa coerência do repertório nos deixa ansiosos pela versão Deluxe que está por vir. Para retornar o disco às paradas de sucesso, a cantora lançou o single, após o alvará de Barack Obama, de um dos maiores hinos, Remember Where You Are, que encerrou o trabalho com chave de ouro.

Com a encantadora apresentação no The Graham North Show, Jessie Ware serviu arranjos vocais luxuosos, com backing vocals envolvidos a fundo à performance e sentimentos da cantora. Sentimentos esses de esperança que sempre ressoam ao ouvir a familiar Remember Where You Are. Jessie também revelou sua terceira gravidez, exibindo a gestação durante o show, dando um visual ainda mais belo e intimista para o lançamento do single, que também ganhou um short film onde a atriz caminha, visivelmente emocionada, pelas iluminadas ruas da cidade. Além de esperança, o clipe também tem gosto de recomeço. – Ana Júlia Trevisan


Capa do single Coringa, de Jão. A imagem tem fundo branco e o artista, um homem branco de cabelos castanhos, curtos com um desenho de raio na lateral direita, está inclinado para o lado esquerdo da imagem. Jão veste um terno preto, camisa branca e gravata borbolata preta e está cuspindo para fora da imagem, em dirção ao lado esquerdo, para onde ele também olha. No canto inferior direito, existe o nome da canção numa fonte preta e em caixa alta.
Jão novamente entrega um trabalho que não decepciona os fãs (Foto: Reprodução)

Jão – Coringa

Se no clipe de Vou morrer sozinho um Jão-zumbi invade um casamento para tacar o terror, em Coringa seu alvo é uma festa de pessoas ricas. Com uma dupla de cúmplices, Jão vive uma aventura tão perigosa quanto se apaixonar. A música é uma mensagem para o seu amor coringa, confessando que o crime só compensa se tiver a companhia daquela pessoa.

A letra viciante sobre relacionamentos é marca registrada do cantor, e ele parece ter decidido seguir esse mesmo estilo em sua nova era. Assim como várias outras músicas de Lobos e Anti-herói, Coringa é uma faixa contente sobre uma situação nem tão contente assim. No final do clipe, Jão é traído por um de seus parceiros e acaba machucado. A visão dele jogado no chão, sangrando, é uma ótima alusão a como ele pode ficar quando perder essa paixão. Seja como for, o cantor parece estar sempre disposto a correr os riscos de se relacionar, se pelo menos no final isso render conteúdo para suas ótimas músicas. – Mariana Chagas


Fotografia de divulgação do clipe oficial em tons rosados e azulados. Demi Lovato e Sam Fisher estão de costas um pro outro, olhando para a câmera, dentro de um vagão de metrô de bancos azuis. Ela está do lado esquerdo e veste um casaco marrom de gola. Ela possui cabelo curto rosa, de franja, maquiagem rosada nos olhos e um gloss tom nude nos lábios semiabertos. Ela usa um brinco em forma de gota vazada e tem uma tatuagem de borboleta no lado esquerdo do pescoço. Ele está no lado direito e veste uma camiseta branca por baixo de um casaco xadrez em tons de verde, preto e branco e uma calça jeans. Ele possui cabelos escuros, barba com cavanhaque e usa um óculos de armação preta. Ele está com os lábios fechados.
Além de um novo álbum, Demi prometeu lançar um documentário no Youtube (Foto: Divulgação)

Sam Fisher e Demi Lovato – What Other People Say

Entregar-se de corpo e alma é algo que Demi Lovato sempre alimentou em suas performances. É inegável notar que seu poderoso alcance vocal combinado com notas ritmadas geram uma melodia marcante. Depois de muitos anos conturbados, a cantora renasce como uma fênix e mostra seu maravilhoso potencial em uma nova era. 

Cada vez mais, ela aposta suas fichas em oferecer canções que transmitem seus próprios sentimentos e experiências. Foi o caso de I Love Me e Ok Not To Be Ok, sendo essa última lançada no Dia de Prevenção ao Suicídio. What Other People Say segue a mesma linha, porém une piano, violão e a percussão de uma maneira totalmente diferente. Uma batida enérgica e amarga aperta o coração quando se apoia nos versos, especialmente os mais íntimos de Demi (creditada na composição), como “Eu não iria desistir, não iria fazer parte/Das mesmas velhas drogas que todo mundo usa”

O lyric video é a forma mais bonita de traduzir o duo com Sam Fisher. Baseando-se num jogo de cara-a-cara, várias personalidades dos dois compõem os tabuleiros. Com o passar dos minutos, as teclas se abaixam e evidenciam a única que realmente importa. Ambos não querem ser reduzidos a um conceito (“mandão”, sozinho, encantador, confiante), mas sim ser o compilado de particularidades que os tornam únicos. Pode até ser clichê, mas se Demi caminhar com esse pensamento, é fato que ela encontre seu verdadeiro this is me. – Júlia Paes de Arruda


Capa do single Carried Away. Acima de um fundo branco, encontram-se suas polaroids. A da esquerda é uma foto de Surf Mesa, com suas iniciais escritas na borda, e a da direita é Madison Beer, também com suas iniciais. O nome da música, Carried Away, está escrito em preto em baixo das polaroids.
Surf Mesa e Madison Beer se juntam em uma música sobre o amor (Foto: Reprodução)

Surf Mesa e Madison Beer – Carried Away

Dentre as tantas músicas de amor escritas, Carried Away consegue, de forma magnífica, nos passar o sentimento de estar apaixonado, mostrando o lado positivo e a leveza do sentimento. Escrita por DJ Surf Mesa, conhecido por sua música ILY (cover e remix de Can’t Take My Eyes Of You) a canção é cantada por Madison Beer, dona do hit Selfish, que foi viral no TikTok no ano de 2020.

Começando com uma batida suave, a voz de Madison é o que prende o ouvinte nos primeiros segundos da faixa. É no refrão que o ritmo se intensifica e a música se torna mais animada, tornando difícil ficar parado. Já a letra descreve lindamente o sentimento de amar alguém, e ser carregado por essa paixão. Na canção, Madison conta que vê o amor como um fogo, uma cura e uma luz. Apaixonado ou não, o ouvinte se encontra amando também.

No meio de todos os fatores que fazem um feat funcionar, a harmonia entre os participantes é um dos pontos mais importantes, se não o principal. E é com a combinação perfeita da voz de Madison Beer com o trabalho do DJ Surf Mesa que Carried Away virou uma canção tão mágica, que faz o ouvinte se sentir carregado pela música.  -Mariana Chagas


Capa do single Blister in the Sun. No desenho, vemos pernas de mulher usando salto alto rosa, mas o tronco é a cabeça de um cogumelo roxo com bolas avermelhadas. O fundo da imagem é lilás claro, na parte de cima está escrito Blister in the Sun em fonte laranja, e na parte de baixo vemos um arco-íris e as palavras Trixie Mattel em rosa claro.
Depois de entregar o lado country à Video Games de Lana Del Rey, chegou a vez de Trixie interpretar o sucesso de Violent Femmes (Foto: Reprodução)

Trixie Mattel – Blister in the Sun 

Na mesma semana em que se tornou uma das donas do This Is It!, o bar gay mais velho de Wisconsin, a super estrela Trixie Mattel lançou o cover de Blister in the Sun. A canção é original da banda Violent Femmes, cria de Milwaukee, terra natal da drag queen. A faixa cai como uma luva na vibe country despojada de Mattel, e funciona tanto como renovação quanto homenagem.

Em tempos de pandemia e estabelecimentos fechados, a vencedora por direito do All Stars 3 salvou o This Is It! de sua iminente ruína e decidiu comemorar usando vestido branco com quadrados pretos no vídeo de Blister in the Sun. É cool, é camp e é a cara do legado de Trixie, uma artista interessada nas causas em que lucra e consciente de seu papel como alguém com privilégios. Quer heroína melhor que essa? – Vitor Evangelista


Capa do single Love Story (Taylor's Version), de Taylor Swift. Na imagem, existe uma fotografia da artista de quando ela tinha 16 anos posicionada no lado esquerdo da imagem. Na foto, Taylor, uma jovem branca, tem os cabelos loiros cacheados num comprimento médio enfeitados com um acessório prateado e usa um vestido de alças finas branco. Ela está inclinada para o lado direito da imagem, com o braço esquerdo estendido, usando uma pulseira na mão, e seu dedo indicador está apontado para fora da imagem. Na outra mão, que está junto ao seu corpo, Taylor segura um microfone branco. A artista sorri levemente e a imagem é um pouco esmaecida, com uma fumaça branca surgindo na linha inferior. No canto inferior direito, está escrito em uma fonte serifada clássica o nome da música em tons de bege amarelado.
“Essa é a única maneira de recuperar o orgulho que já tive de ouvir as músicas dos meus primeiros seis álbuns e de permitir que meus fãs os ouçam sem o sentimento de culpa”, escreveu Taylor na carta enviada para a gravadora que agora possui os direitos sob seu catálogo musical, notificando-os sobre a regravação de seus antigos álbuns (Foto: Reprodução)

Taylor Swift – Love Story (Taylor’s Version)

A maior treta do mundo pop nos últimos anos parece estar chegando ao fim. Conforme informou Taylor Swift em julho de 2020, depois da implosão de toda confusão envolvendo seu catálogo musical em novembro de 2019, ela, junto à sua nova gravadora, decidiram por regravar seus antigos trabalhos, de forma que as gravações antigas, cujos direitos não pertecem à ela, se tornassem obsoletas. No dia 12 de janeiro, conhecemos o primeiro material regravado, o lead single de Fearless, seu segundo álbum originalmente lançado em novembro de 2008, Love Story (Taylor’s Version)

Com o terreno muito bem preparado pela estética de seus últimos álbuns, folklore e evermore – e o primeiro na corrida das principais categorias do Grammy 2021 -, a veterana da indústria musical sabia que não tinha momento melhor para iniciar seu projeto de regravações. O contexto atual, inclusive, parece ter sido muito bem utilizado por Swift na concepção da nova versão da canção. Cercada pela energia pesada da confusão que a envolveu nos últimos anos, a aura juvenil do amor inocente e shakespeariana agora se revela nostálgica e folclórica – risos -, que tem seu caráter de história ainda mais demarcado, especialmente pelo lyric video que retoma algumas memórias do início da carreira de Taylor e pelo estilo narrativo que a artista empregou nas composições dos últimos discos. 

Sonoramente, quase nada mudou. A voz de Taylor soa, obviamente, mais madura, mas é tão suave ao ponto de sequer alterar o tom da música. Os arranjos suaves do country também permanecem presentes, fiéis à proposta de Taylor com as regravações: fazer com que ela e os fãs pudessem ouvir as músicas sem que os lucros por isso fossem destinados à quem ela denominou como seu “maior inimigo dentro da indústria”. Entretanto, a atitude determinada de Swift em se recusar a entregar de vez seu legado musical torna a experiência da nova canção completamente diferente – e jamais negativa -, já que é interpretada por uma artista que tem a completa certeza de que as coisas não são da forma como ela imaginou que seriam 13 anos atrás. – Raquel Dutra


Capa do single Terapia, de Luna França com parceria de Tiê. A imagem é uma edição na qual duas fotos se misturam. Em uma foto temos Luna França, uma mulher branca, com cabelos castanhos, olhos também castanhos, que se curva para frente; ela está usando uma blusa branca sem mangas. Na segunda foto temos Tiê, uma mulher branca, com cabelos com a raiz castanha e o resto descolorido em um tom de branco amarelado, e olhos também castanhos. Não podemos ver as roupas de Tiê porque a edição faz com que a imagem de Luna sobreponha a de Tiê. No topo da imagem vemos o nome das cantoras e na base temos o título do single, Terapia.
Os timbres de Luna França e Tiê se misturam na melancólica Terapia (Foto: Thany Sanches e Gabriel Dantas)

Luna França e Tiê – Terapia

Desde que lançou o single Minha Cabeça em novembro de 2020, a tecladista, compositora e produtora Luna França está abrindo seu caminho à frente das canções – sem deixar de lado os bastidores, claro. Enquanto termina a produção de seu álbum de estreia, com a parceria de André Whoong do Estúdio Rosa Flamingo,  ela leva ao público essas músicas como chamariz para sua carreira de cantora. Em fevereiro de 2021, o single Terapia, com a participação da já conhecida Tiê, integra a coleção de grandes apostas da Nova MPB.

A poesia da canção é mais um seguidor do movimento musical indie-mental health, que explora a saúde mental dentro de versos que segundo a própria cantora, foram escritos como num diário: “Só de escrever esta música, já me sinto bem melhor. Como é bom fazer canção e ao mesmo tempo… terapia”. De fato, as confissões escolhidas por Luna França são aqueles segredos que morrem no divã, que ela mesma diz ter vergonha de falar. Não é fácil admitir que não queremos ver um ex-amor mais feliz que nós, mas a compositora expõe essa sensação contraditória

A tal melancolia que faz parte da letra e do ritmo, torna a música favorável para ser ouvida repetidamente. No entanto, as palavras não são impactantes ao ponto de a canção ficar gravada em sua mente, mesmo após ouvir em looping. De qualquer forma, a experiência como produtora fica evidente: o arranjo instrumental e a harmonização de Terapia são impecáveis, assim como a participação vocal de Tiê, que contrasta muito bem com o timbre de Luna França. Devemos manter os olhos bem abertos, porque uma possível voz marcante está chegando na música brasileira. – Carol Dalla Vecchia


Capa do single Overdrive, de Conan Gray. A imagem conta uma foto de Conan Gray em cima de um carro, no meio de uma ponte durante a noite, podendo ver luzes da cidade atrás dele. O cantor está de perfil, seus cabelos pretos caem sobre o seu rosto, e ele veste uma blusa preta. O nome da música, Overdrive, está em uma fonte cursiva na cor dourado escuro. Luzes coloridas brilham dos dois lados da capa.
Em live, Conan contra que escreveu Overdrive como uma forma de escapismo para a situação que o mundo se encontra (Foto: Reprodução)

Conan Gray – Overdrive

Quase um ano após o lançamento do seu debut, Kid Krow, Conan Gray surpreende seus fãs com seu novo single, Overdrive. Completamente diferente do seu último hit, Heather, a faixa conta com uma letra contagiante e viciante sobre aproveitar a noite. Enquanto em sua era anterior Conan parecia estar constantemente lutando contra problemas e amores do passado, em Overdrive o cantor pareceu deixar de lado todas as suas preocupações. 

O ritmo da música segue o mesmo estilo animado de Maniac e Wish You Were Sober, com uma produção que, como as outras faixas, vai agitar quem estiver ouvindo. É aquele pop perfeito para quem gosta de cantar no carro, no volume máximo. O artista ainda não deu nenhum indício de que Overdrive seja o single de algum álbum ou projeto futuro, mas, se for, o fandom já aguarda ansiosamente. 

Em live, Conan comentou que a inspiração na hora de escrever foi apenas tentar criar uma forma de escapismo para o momento complicado que o mundo se encontra, dessa forma tentando levar felicidade para seus fãs. Com um clipe colorido e divertido assim como a música, o cantor conseguiu alcançar seu objetivo. – Mariana Chagas


Capa da versão deluxe do álbum forevher, de Shura. Duas mulheres nuas se abraçam intimamente em cima de uma estrutura coberta por lenços, os rostos ocultos em um beijo. A figura é banhada numa luz azul com uma borda grossa de um azul mais claro.
A capa da versão deluxe de forevher é uma expansão da original, retratando uma recriação queer de “O Beijo”, de Rodin (Foto: Reprodução)

Shura – obsession

A britânica Shura lançou seu novo single, obsession, no dia 17 e aproveitou para anunciar uma versão deluxe de seu segundo álbum de estúdio, forevher (2019), prevista para ser lançada em 19 de março. A música, que é um dueto entre Shura e a cantora Rosie Lowe, fará parte da nova versão do disco, que contará ainda com novas demos e versões acústicas.

obsession se encaixa muito bem com o clima e a ambientação de forevher, com versos melódicos sobre devoção e comprometimento que ecoam os sentimentos de outras faixas do álbum: “Você não é legal só por ser legal/E eu gosto disso em você/Eu me sinto sagrada nos seus braços”. A voz de Rosie Lowe também se encaixa muito bem com a de Shura, acompanhada pela guitarrista Anna Calvi, que invoca na faixa o pop jazz característico da cantora. Junte a isso os sintetizadores e um baixo muito bem colocado, e Shura já nos dá motivos para ficarmos (novamente) obcecados. Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do single Final de Semana, de Papatinho. Na foto estão os três artistas: Black Alien, Papatinho e Seu Jorge, respectivamente. Há uma repartição da foto em três partes e um fundo vermelho para cada um. Black Alien, um homem negro de bigode, veste uma camiseta vermelha e uma jaqueta jeans enquanto posa de braços cruzados. Papatinho, homem branco e de barba, usa um boné branco, com uma corda na frente e uma jaqueta verde água, enquanto segura o boné. Seu Jorge, um homem negro, está com cabelo e barba ruivos, usando um óculos amarelo e uma jaqueta de couro preta, fazendo uma pose pensativa com a mão no queixo. O nome da música Final de Semana está escrito em letra vermelha embaixo da foto.
O talentoso beatmaker Papatinho já trabalhou em Amor de Fim de Noite com o rapper Orochi e fez a união de Anitta, Dfideliz e BIN em Tá com o Papato (Foto: Reprodução)

Papatinho, Seu Jorge e Black Alien – Final de Semana

Sim, Papatinho conseguiu juntar Seu Jorge e Black Alien em mais um feat. Os dois já haviam trabalhado juntos em Meu Bem Querer, de 2018, mas nada que tivesse o encanto de Final de Semana. A música é uma mistura de rap, funk e samba. No dia de seu lançamento, o single ganhou um clipe autêntico e brasileiro.

A voz grave de Seu Jorge é misturada com a rima fluida de Black Alien, e é aí que está o poder. A canção é relaxante, mas também tem um toque de animação, o que a torna tão diferente. “Estou muito feliz de conseguir reunir dois monstros sagrados da música brasileira. O Seu Jorge tem uma das melhores vozes que conheço e o Black Alien é um letrista de primeira. ‘Final de Semana’ tem uma pegada diferente, uma vibe calma, mas também dançante, sabe?”, disse o beatmaker carioca.

Além da mistura dos ritmos, o produtor adicionou instrumentos clássicos nesse trabalho, o que deu ainda mais genuidade ao som. No final do clipe, é possível ver alguns violinistas, um baixista, pianista e violoncelista finalizando a canção. Papatinho garantiu que o single estará presente em seu primeiro álbum, intitulado Workaholic. Quando Seu Jorge canta “liguei pro Papatinho perguntando se ele tinha uma batida pra mim”, era praticamente impossível que a resposta fosse “não”. – Giovana Guarizo


Capa do single Up, de Cardi B. Cardi B se encontra na parte superior da imagem, sustentada por uma rede de acrílico. Seus cabelos são pretos e longos. Sob Cardi, a imagem revela uma piscina. No fundo da imagem, se mostra uma cidade e o céu azul.
Up é divertida e mostra o potencial do rap de Cardi (Foto: Reprodução)

Cardi B – Up

Coroada como Mulher do Ano pela Billboard, ficou claro que Cardi B dominou 2020. Depois de um ano liderando as paradas, dominando as plataformas de streaming e consolidando sua carreira como rapper, parecia difícil Cardi B conseguir replicar a sagacidade que tornou WAP um dos maiores sucessos de sua carreira. No entanto, ela consegue surpreender novamente com Up, segundo single de seu novo projeto.

Aqui, ela se distancia de uma melodia mais elaborada em busca um beat mais tradicional, e também se afasta da temática sexual de seus últimos singles para colocar seu poder, beleza e rivalidades como tema principal. A música é carregada pelo flow energizante de Cardi, que retrata acontecimentos de forma cômica e com sua presença inigualável (“Era uma vez, cara, eu escutei que eu era feia/Veio de uma vadia que o cara queria transar comigo”). Se o álbum da rapper for meramente parecido com os seus últimos singles, não há dúvida que será um dos maiores sucessos do ano. – Laís David


Capa do single Rainforest, da rapper Noname. Uma ilustração em preto e branco de um protesto protagonizado por manifestantes pretos. Uma multidão brande objetos enquanto o fogo ruge atrás deles. Dois manifestantes se erguem em cima de um veículo no centro da imagem. Um deles fala com a multidão usando uma máscara enquanto o outro está virado para a frente brandindo uma machadinha.
Evocando frustração e revolução, Noname começa seu novo ciclo em Rainforest (Foto: Reprodução)

Noname – Rainforest

Três anos após a estreia badalada de Room 25, a rapper e ativista Noname está preparada para embarcar em um novo ciclo musical com o lançamento do música Rainforest. Ela também confirmou que seu segundo álbum, intitulado Factory Baby, será disponibilizado mais tarde esse ano, ainda sem uma data específica.

Em Rainforest, Noname continua exibindo seu talento para letras íntimas e radicais e batidas precisas e pesadas. Cada verso do single é lido com uma intensidade e uma vazão de significado que ajudam a estabelece-la como uma das melhores liricistas da atualidade, como se o seu trabalho em Room 25 não fosse prova suficiente dessas habilidades.

É um rap triste, sobre o sofrimento das comunidades periféricas, racismo e capitalismo. Ela invoca revolução com um cansaço característico daqueles que passaram a vida lutando, mas com a certeza dos que deram a vida pela causa, e é isso que torna sua música tão memorável. Rainforest se encaixa como uma luva na discografia de Noname, ecoando o seu ativismo e sua visão anticapitalista em versos sagazes e muito bem produzidos. – Gabriel Oliveira F. Arruda


Capa do single GLAM!, de Allie X. A cantora aparece espelhada no centro da imagem, olhando em direção à câmera de perfil. Foi adicionado um filtro avermelhado em toda a fotografia. Ao centro, foi adicionado os escritos ALLIE X, GLAM! e palavras em japonês.
“Me ame para sempre” (Foto: Reprodução)

Allie X – GLAM!

GLAM! foi um presente para os fãs. A faixa, gravada em 2013 e vazada na internet em 2015, finalmente foi lançada oficialmente em 4 de fevereiro de 2021 para comemorar o relançamento do vinil do CollXtion I, o EP debut da canadense. Assim como muitas outras unreleaseds de Allie que nunca viram a luz do dia (oficialmente), GLAM! é sinônimo da excelência da cantora como compositora e produtora.

A faixa é do jeitinho X de ser: synthpop, chiclete e extremamente contagiante. O que mais será que Allie tem escondido no seu HD que ainda não ouvimos? Fica o mistério… Mas das que já conhecemos, vamos orar para que Alexandra disponibilize Oh Chad e Tongue Tied também de forma oficial nas lojas virtuais e streamings. – Jho Brunhara


Capa do single Cansar Você, De Luísa Sonza e Thiaguinho. Na imagem, Luísa Sonza, uma mulher loira de olhos claros está ao lado de Thiaguinho, um homem alto e negro, que está de costas enquanto ela apoia o braço em seu ombro. A cantora usa um vestido verde claro, brincos e colar prateado. Ela está com um penteado meio preso. Thiaguinho usa uma camiseta em tom bege e brincos pretos. Atrás, está a paisagem do mar no Rio de Janeiro. Em cima da imagem está escrito Cansar Você e embaixo o nome dos artistas.
Todas as escolhas criativas desse projeto tem uma energia sunset (Foto: Reprodução)

Thiaguinho e Luísa Sonza – Cansar Você

Que o Thiaguinho é do pagode o Brasil já sabe, mas e a Luisa Sonza? A cantora surpreendeu com o novo single Cansar Você, em parceria com o pagodeiro. E deu mais do que certo. A voz de ambos se conectam e trazem uma sensação gostosa ao ouvir. A primeira vez que a artista pop cantou esse gênero foi com Dilsinho em Não Vai Embora, mas dá para sentir que só dessa vez ela mergulhou de verdade no ritmo brasileiro.

O furacão Luísa Sonza já deixou claro que veio pra ficar e que gosta de desafios. Ela caiu em um ritmo completamente diferente em sua carreira e os resultados foram bons. O excepcional veterano Thiaguinho soube conduzir a cantora ao ritmo, o que resultou em uma junção musical um tanto quanto adorável. Para fazer jus à música, o clipe foi gravado com cenas da paisagem da Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Um audiovisual solar e simples, mas que dá todo o toque que a faixa precisa. 

É uma honra para qualquer artista poder cantar pagode ao lado de Thiaguinho e a dona do hit Braba soube aproveitar essa oportunidade. A voz dos dois cumpre o que promete e a música não cansa você, muito pelo contrário, foi feita para dar replay várias vezes. – Giovana Guarizo


Capa do single Man's World (Remix), de MARINA, Pabllo Vittar e Empress Of. Na imagem, em um deserto, a cantora Marina se encontra com seus braços em diagonal. Ela está trajada de um vestido verde e levanta um pano azul com seu braço direito. Seus cabelos são pretos e lisos. Ao seu lado, a DJ Empress Of está reta, com um vestido vermelho. Seu cabelo é cacheado e cai sobre seu ombro esqurerdo. Em sua direita, a artista Pabllo Vittar está posicionada de lado, com uma mão em sua cintura e outra sobre suas coxas. Ela está com um vestido rosa e seu cabelo loiro é longo.
Dando continuidade à sua quarta era, Marina divulga o remix de Man’s World (Foto: Divulgação)

MARINA, Pabllo Vittar e Empress Of – Man’s World (Remix)

Os últimos anos da carreira de MARINA foram questionáveis. De um suprassumo pop como o Froot até o decepcionante Love + Fear, as expectativas do público com o quinto disco da galesa não eram tão altas. Quando MARINA lançou a primeira versão de Man’s World, a sonoridade não era nada além do que esperado de seus trabalhos anteriores. Uma letra reflexiva, feminista e uma produção comum não impressionam um ouvinte fora do nicho musical de MARINA, já que é tudo que ela entrega desde o início de sua carreira.

No entanto, o remix da estadunidense Empress Of deixou Man’s World mais interessante. A música também prova o grande alcance de Pabllo como artista. Sua adição é muito bem vinda na canção e prova que a brasileira tem muito a oferecer em sua carreira internacional – sua naturalidade ao cantar em inglês e os vocais excepcionais a tornam destaque na canção. Longe de tentar demais, a música se transforma em um ótimo eletropop e eleva as expectativas do novo projeto de MARINA. – Laís David 


Arte da capa de Friday (Remix), de Rebecca Black. A cantora está em primeiro plano, sentada no chão vestindo uma blusa estampada azul e branca. Ela usa batom azul e olha diretamente para a câmera. Foi adicionado ao fundo o escrito FRIDAY em azul, e na frente: Remix, ft. Dorian Electra, Big Freedia e 3OH!3.
Friday foi uma benção e uma maldição para Rebecca Black (Foto: Reprodução)

Rebecca Black, Dorian Electra, Big Freedia e 3OH!3 – Friday (Remix)

O ano é 2011, e um novo meme domina a internet: o videoclipe para a música Friday de Rebecca Black. No Tumblr, só se flodam gifs do vídeo; no Twitter só se fala como a música e o clipe são terríveis; no YouTube rapidamente pipocam paródias e o upload original se torna o recordista em dislikes. Black é, sem dúvidas, uma das maiores lendas da internet e dona de um dos mais gigantescos virais que já vimos. Mas é também vítima de uma onda avassaladora de cyberbullying e também assédios na vida real.

Hoje, a recepção negativa de Friday é uma memória distante do que a carreira artística da cantora significa. Desde então, a viciante Foolish nos fez agradecer que Black não abandonou seus sonhos de cantar, e a honesta Self Sabotage mostra que por trás daquela garota de 2011 que só queria lançar uma canção e se divertir com seus amigos sempre existiu uma grande artista.

Finalmente, no aniversário de 10 anos da música original, Friday (Remix) conclui um arco da vida de Rebecca. Produzida por Dylan Brady do duo 100 gecs e com participação de Dorian Electra, Big Freedia e 3OH!3, o remix hyperpop se inspira na intensidade eletrônica do selo e conta com vocais distorcidos, sintetizadores estridentes e novos versos. Com projetos do gênero propositalmente criados para soarem como um exagero da fórmula pop, hoje podemos dizer que Friday apenas estava muito a frente de seu tempo. Quem diria que Rebecca Black inventou a PC Music– Jho Brunhara


Capa do disco Women in Music Pt III, da banda HAIM. A capa é uma foto das três irmãs vestidas como bartenders e atrás de um balcão de rotisseria. As três usam camisetas brancas, tem a pele clara e o cabelo preso para trás. No canto superior esquerdo, vemos uma placa amarela com Women in Music escrito em vermelho Pt III em preto.
“Quando você deita entre as minhas pernas, não importa” (Foto: Reprodução)

HAIM e Taylor Swift – Gasoline 

O Women In Music Pt. III não precisava de remix nenhum. Mas, já que as HAIM tomaram a decisão de expandir o conceito do disco, que bom que o trio soube muito bem quem chamar para as colaborações e como as novas versões funcionariam. Depois de sussurrarem ao fundo de no body, no crime em dezembro, Este, Alana e Danielle convocaram Taylor Swift para cantar Gasoline. Sem a adição de novos versos ou batidas, a canção ganhou a vivacidade e o espírito resiliente da loirinha. 

Swift, intitulada a quarta irmã HAIM, entra na faixa com o timbre diferente do comum e surpreende pela versatilidade de se adaptar tão facilmente no ambiente de rock melódico da banda. Fora a parceria com Taylor, o grupo ainda regravou 3am ao lado de Thundercat. A repaginação da booty call é singela, mas a original ainda grita mais alto. O Women In Music Pt. III ganhou uma Expanded Edition com os dois novos registros, o que só serve para bagunçar as bibliotecas do Last.fm mas, quando o debate é sobre material novo das HAIM, a resposta sempre será positiva. – Vitor Evangelista


A imagem é a capa do single American Cliché, do cantor FINNEAS. Ela possui um fundo preto, com American Cliché escrito em letra cursiva na cor vermelha. Por trás da letra C, há o desenho de uma mulher com vestido vermelho, colar e brinco de perolas e um cachecol de plumas em volta do pescoço.
American Cliché pode ser o sinal de uma nova fase para FINNEAS (Foto: Reprodução)

FINNEAS – American Cliché

Os irmãos O’Connell não têm tempo para descanso. Enquanto Billie Eilish lança seu primeiro documentário e trabalha no segundo álbum de estúdio, seu irmão FINNEAS também prepara o terreno para o seu próximo disco. Com o seu EP Blood Harmony lançado em 2019, e a versão Deluxe em 2020, o cantor já vem revelando novas faixas há alguns meses, como Can’t Wait To Be Dead e Where The Poison Is

A bola da vez é intitulada American Cliché, que teve o lançamento acompanhado por um lyric video. Com toques de jazz vibrantes, FINNEAS parece estar apostando em novos estilos, e que destoam cada vez mais do trabalho com sua irmã caçula (e que bom!). A própria capa do single remete à estética de cassinos e clubes noturnos, mas sem perder a vibe romântica e cada vez mais galanteadora do cantor. Enquanto o novo disco não chega, resta aguardar pelo videoclipe conceitual que pode resultar dessa grande fusão de elementos. – Vitória Silva


Capa da música Pra te Machucar, de Ludmilla. Na foto, a cantora está centralizada inclinada para frente com uma mão no joelho e outra mão para cima segurando um boneco. A cantora está numa rua de terra, onde é possível ver algumas casas atrás dela. No fundo também é possível ver o céu azul com diversas nuvens brancas, dando tridimensionalidade à foto. Ludmilla usa botas pretas com bico dourado, calça vermelha com franjas e vazadas na região da virilha, chapéu verde-oliva, short vermelho com cinto preto e blusa branca da marca Gucci. Na altura de seus pés centralizado o título da música em fontes grandes e abaixo em tamanho menor o nome dos artistas envolvidos, sendo Major Lazer e Ludmilla na parte de cima e ÀTTØØXXÁ e Suku Ward na parte de baixo.
Mais uma canetada da Ludmilla acompanhada de um clipe digno da sua videografia marcante (Foto: Reprodução)

Ludmilla, Major Lazer, ÀTTØØXXÁ e Suku Ward – Pra Te Machucar

Ela não para! 2021 tem apenas três meses e nesse curto tempo Ludmilla deixou a sua marca com o álbum Numanice (Ao Vivo), que já é um clássico do pagode e uma grande conquista para sua carreira, e o hit Deixa de Onda, parceria com o DJ Dennis e o rapper Xamã. Mas a estrela do funk mostrou que vai trabalhar duro e nos presentear com ótimos lançamentos durante todo o ano. A canetada desta vez é Pra Te Machucar, produzida pelo trio Major Lazer e com a participação do grupo baiano ÀTTOOXXÁ e do artista jamaicano Suku Ward.

Lançado em 19 de fevereiro, o clipe super produzido e gravado em Itu – interior de São Paulo – traz a história de uma cantora negra sequestrada por empresários e substituída por uma artista branca em uma apresentação. Nossa heroína e xerife Ludmilla vai atrás dos vilões e liberta a mocinha que chega a tempo no show desmascarando a impostora e nocauteando os aproveitadores. Tudo isso numa estética faroeste com direito a muitos tiros e é claro, a coreografia da Lud esbanjando seu ponto forte que é a sensualidade.

A obra foi dirigida por Felipe Sassi, que já trabalhou anteriormente com Ludmilla no clipe Rainha da Favela que fez bastante sucesso no ano passado. Não contente em colecionar músicas na boca do povo, a funkeira agora quer construir uma videografia caprichosa, e está conseguindo. Pra Te Machucar acaba de se juntar no altar dos clipes viciantes ao lado de Verdinha, Rainha da Favela e Cobra Venenosa – que, apesar da qualidade questionável da música, no mudo o vídeo é bem feita, vai. – Giovanne Ramos


Capa do single Spaceman, de Nick Jonas. Fotografia quadrangular de Nick saltando com os braços para cima, com o braço direito cobrindo o rosto. A perna direita está acima, levemente dobrada, enquanto a esquerda mais embaixo, levemente dobrada. Ele veste um macacão azul petróleo com os pulsos e os tornozelos em preto. Ele usa um tênis esportivo preto com detalhes em vermelho. Nick está no ar, saltando sobre rochedos que remetem a pedras espaciais. O céu está azul com muitas nuvens. Na parte superior, ao centro, está escrito "Spaceman" em preto, com a letra C em formato de lua minguante. No canto inferior direito, está escrito Nick Jonas em letras brancas e maiúsculas.
Tempos difíceis te fazem amar a vista/Neste momento, acho que estou sobrevivendo (Foto: Island Records)

Nick Jonas – Spaceman

O irmão Jonas de carinha angelical e dono do coração de muitos adolescentes da época boa da Disney não existe mais. Ele foi substituído por um galã charmoso, digno de interpretar Alex em Jumanji: Bem-Vindo à Selva. Nick Jonas ainda mantém o talento inestimável que os fãs encontraram em A Little Bit Longer, umas das suas primeiras composições. Porém, o amadurecimento musical é nítido quando comparamos a carreira atual com os primórdios solo

Seu mais recente projeto, Spaceman, é um single futurista com uma letra cheia de referências para o período atual. O cantor define seu sentimento em relação à pandemia do coronavírus como se estivesse no espaço, vivendo conforme um astronauta. A angústia e a insegurança de estarmos confinados em casa é muito clara. Talvez, a  irresponsabilidade do ex-presidente dos Estados Unidos foi a cartada final para que o cantor desse uma pequena indireta e extravasasse toda sua emoção em música, especialmente nos versos “E eu estou falando com você/Mas nunca parece que chega até aí” e “Dizem que é só uma fase, que vai mudar se nós votarmos”.

A batida estilo ficção científica, que é até mesmo robótica, acompanha um ritmo mais rápido da voz de Nick, o qual se opõe totalmente a Jealous, seu primeiro grande sucesso na carreira solo. Sua genialidade e destreza em se multifacetar em harmonias diferentes é um grande sinal de que uma nova era está a todo vapor para nos apresentar o que seu personagem Nate cantou uma vez: “Vou tentar fazer o meu melhor para impressionar/Mas é mais fácil deixar você dar um palpite para o resto”. – Júlia Paes de Arruda


É hora de ser #Refloresta (Foto: Reprodução)

Gilberto Gil, Bem Gil e Gilsons –  Refloresta

Durante a carreira, Gilberto Gil fez uma harmoniosa trilogia de álbuns que receberam o nome iniciado em “R”, são eles: Refazenda, Refavela e Realce. A família Gil é clara evidência de que o fruto não cai longe do pé. Iniciados na música com o tropicalista, os filhos e netos esbanjam talento por onde passam. E agora, o filho Bem Gil e o trio Gilsons (composto por dois netos e um filho) se juntam ao patriarca para gravar Refloresta. A belíssima canção foi produzida para uma campanha do Instituto Terra.

A música, que tem por intenção incentivar o reflorestamento, não poderia ter sido cantada por uma voz mais acalentadora do que a de Gilberto Gil. A guitarra do produtor Bem se mistura a guitarra Francisco Gil, ao baixo e cavaquinho de João Gil e à bateria e percussão de José Gil, compondo assim um verdadeiro hino conscientizador. O trabalho conta também com um sagaz clipe, onde florestas nascem na cabeça dos músicos. Ainda houve uma campanha no TikTok (entre os dias 22 e 28 de fevereiro) nomeada: #ReflorestaComGil. A cada vídeo criado com a música no aplicativo, a plataforma vai plantar uma árvore no Instituto Terra. – Ana Júlia Trevisan


Clipes

Imagem do clipe de LA NOCHE DE ANOCHE, de ROSALÍA e Bad Bunny. Na imagem, ROSALÍA, uma mulher branca de cabelos ondulados castanhos, usa um vestido leve, longo e de ombros caídos num tom de amarelo pastel. Ela está de frente para Bad Bunny, um homem branco, que usa um roupão verde suave e com textura aveludada. Ocupando o centro da imagem, o casal toca as mãos direitas, de onde surgem pequenas chamas, na altura do rosto e se olham diretamente. O cenário da imagem é parecido com um deserto, com folhas secas e pedras, e o céu é tingido em tons pastéis. A imagem tem uma iluminação suave que simula o pôr-do-sol.
A maior referência para o vídeo é o surrealismo das obras La Persistencia de la Memoria, de Salvador Dalí, e Architecture Au Clair De Lune, de René Magritte (Foto: Reprodução)

Bad Bunny e ROSALÍA – LA NOCHE DE ANOCHE

O encontro do reizinho do reggaeton com a princesa do pop espanhol e do new flamenco é algo a ser admirado, e se LA NOCHE DE ANOCHE já foi algo que agradou os nossos ouvidos ao ser lançada em novembro de 2020, seu vídeo clipe materializa no visual a química entre ROSALÍA e Bad Bunny. Nomes em vertiginosa ascensão nos últimos anos, a dupla colaborou numa canção apaixonada que abaixa a guarda das personalidade marcadas que ambos os artistas carregam em seus trabalhos, sendo uma das faixas mais suaves do repertório de EL ÚLTIMO TOUR DEL MUNDO, álbum mais recente de Bad Bunny que abriga a canção. 

No vídeo, a direção de arte de Liam Moore se esbalda de referências surrealistas e paisagens oníricas, criando ambiente perfeito para o romantismo de ROSALÍA e o timbre açucarado de Bad Bunny ecoarem. E assim como a sensualidade da letra surge sem rodeios, a predominância dos tons pastéis vez ou outra são atravessados por texturas aveludadas e um vermelho flamejante. O conjunto da obra é uma melação com toda a licença poética e a dupla – literalmente – pega fogo num romance dos bons. – Raquel Dutra


Imagem do vídeo 'Epilogue', de Daft Punk. A imagem tem fundo preto e uma ilustração de duas mãos, uma prateada e uma dourada, representando o duo. As mãos estão no centro e se encontram, formando um triângulo. No meio do triângulo, surge uma luz e embaixo das mãos está escrito 1993 - 2021, a data de duração da dupla.
Pegando todos de surpresa, no dia 22 de fevereiro, Daft Punk anunciou seu fim (Foto: Reprodução)

Daft Punk – Epilogue

Tão silencioso quanto tudo o que permeou sua existência virtual – com exceção ‘apenas’ de sua música -, Daft Punk chegou ao fim. Sem grandes despedidas e com poucas informações, o duo composto por Guy-Manuel de Homem-Cristo e Thomas Bangalter anunciou o encerramento de suas atividades em conjunto através de um vídeo disponibilizado no YouTube no dia 22 de fevereiro. Em cenas recortadas de um outro filme que a dupla fez em 2006, Epilogue coloca os fãs do duo para assistir novamente um dos membros implodindo em mil pedacinhos e se desfazendo em poeira depois de seguir um caminho diferente do de seu parceiro, transmitindo um recado que não poderia ser mais claro ao sinalizar os caminhos diferentes que a vida e a arte tomam num intervalo de quase 30 anos.

Profetas de um futuro virtual, os donos do hit Harder Better Faster fundamentaram sua música em pontuações irônicas sobre a decadência de uma sociedade cujas relações são cada vez mais superficiais. Depois de deixar a banda Darlin’, desistindo do indie rock em 1993 para cair nos braços da música eletrônica, Daft Punk construiu um lar na house music e no techno, sem nunca deixar de reverenciar clássicos do pop e do rock. Quando o mundo inteiro caiu na sua influência, o duo surpreendeu ao assinar uma música mais ‘natural’ em seu último disco, Random Access Memories.

Em hiato há oito anos, a expectativa que pairava sobre o nome Daft Punk era o nascimento de uma nova era, novos trabalhos e perspectivas para o duo, mas tudo isso se transformou na confirmação do fim. Influenciando as tendências da música massivamente em gêneros muito além do nicho eletrônico, o legado que a dupla deixa depois de 28 anos de atividade é presente, concreto e quase-humano, já que a música é um dos elementos mais vivos que existe, especialmente a que um dia surgiu de artistas que construíram uma carreira tão dinâmica quanto Daft Punk. – Raquel Dutra


Performances

The Weeknd, um homem negro de 31 anos, está no centro da imagem. Ele usa um paletó vermelho brilhante e camisa e gravta pretas por baixo. Na sua mão direita, ele segura um microfone. A foto foi tirada no meio de um show, então sua boca está aberta e sua expressão é focada. Atrás dele, encontram-se diversos dançarinos também usando um paletó vermelho e camisa preta, mas com faixas brancas que cobrem seus rostos, deixando a mostra apenas seus olhos,
A bandagem usada por The Weeknd na divulgação de After Hours é uma crítica aos procedimentos estéticos exagerados em Hollywood (Foto: Reprodução)

The Weeknd no Super Bowl LV Halftime Show

Realizar o show do intervalo de um dos momentos mais importantes dos EUA representa uma enorme consolidação na carreira de um artista. O gramado já recebeu nomes como Michael Jackson, Rolling Stones, Beyoncé e, ano passado, Shakira e Jennifer Lopez se apresentaram para o público mundial na final do maior evento esportivo televisionado. Em 2021, foi a vez do nome do momento ganhar os holofotes em um espetáculo de arrepiar – The Weeknd, em um terno vermelho brilhante, cantou seus sucessos marcantes em uma megaperformance repleta de fogos de artifício e dançarinos sincronizados, e que custou 7 milhões de dólares ao canadense.

O Raymond James Stadium estremeceu com o cenário de espelhos e letreiros neon que abrigavam um batalhão de talentosos músicos no coral da abertura. Starboy iniciou o espetáculo, seguido intimamente de The Hills. A apresentação não demorou para incluir réplicas enfaixadas com terninhos vermelhos (mas não brilhantes) ao som de Can’t Feel My Face para transitar em direção a I Feel It Coming. À essa altura, não havia mais uma garganta em plena funcionalidade no estádio da final entre Kansas City Chiefs e o Tampa Bay Buccaneers, principalmente quando Abel entoou Save Your Tears, uma das estrelas da era After Hours

Foi Earned It que preparou o terreno para o maior hit de 2020: Blinding Lights finalizou o evento de forma magnífica, com The Weeknd no centro do gramado dançando, correndo e desfilando. Foi épico, espetacular. Com muito charme, carisma, e, acima de tudo, talento, Abel Tesfaye e sua voz magnífica protagonizaram um intervalo com mais cara de atração principal do que secundária. Não há ninguém maior que The Weeknd, e isso foi deixado bem claro na noite do último dia 7 de fevereiro. – Caroline Campos


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