As Melhores Séries de 2020

A imagem é uma arte com fundo laranja. No canto superior direito, há um retângulo com fundo preto e escrito na cor laranja a frase "AS MELHORES SÉRIES DE 2020". No canto inferior direito, há o logo do Persona, que é o desenho de um olho aberto, no qual a íris possui a cor laranja e no lugar da pupila há um botão de "play" na cor preta. No canto esquerdo, há personagens de algumas séries organizados em duas fileiras. Na fileira superior, da esquerda para a direita, estão: a personagem Lúcia do seriado Amor e Sorte, interpretada por Fernanda Torres, que é uma mulher branca de cabelos castanhos escuros na altura dos ombros, Fernanda está sorrindo e veste uma blusa cinza; a personagem Marianne da série Normal People, interpretada por Daisy Edgar-Jones, que é uma mulher branca de cabelos castanhos claros compridos e franja, Daisy está com o olhar voltado para a direita; a personagem Hilda da série Hilda, que é um desenho animado de uma menina branca com cabelos longos e azuis, Hilda veste um cachecol amarelo e uma blusa vermelha de manga compridas, ela está sorrindo e com as mãos apoiadas na cintura; e o personagem David Rose da série Schitt's Creek, interpretado por Daniel Levy, que é um homem branco de cabelos castanhos escuros em formato de topete, Daniel está com uma feição assustada e veste um suéter cinza e preto. Na fileira inferior, da esquerda para a direita, estão: a personagem Devi Vishwakumar da série Eu Nunca..., interpretada por Maitreyi Ramakrishnan, que é uma jovem de traços indianos e cabelo preto comprido, Maitreyi está com o rosto virado para a esquerda e com um leve sorriso, ela veste uma regata listrada, um colar e um casaco laranja; a personagem Beth Harmon da série O Gambito da Rainha, interpretada pela atriz Anya Taylor-Joy, que é uma mulher branca com cabelos ruivos curtos e franja, Anya está com o olhar voltado para a direita, veste um casaco cinza e segura um jornal em suas mãos; a personagem princesa Margaret da série The Crown, interpretada por Helena Bonham Carter, que é uma mulher branca com cabelos castanhos escuros presos em um coque alto, Helena está com um olhar sério e usa uma coroa em sua cabeça, um colar em seu pescoço e um vestido rosa e branco; e a personagem Arabella Essiedu da série I May Destroy You, interpretada por Michaela Coel, que é uma mulher negra com cabelos rosa em tom pastel na altura dos ombros, Michaela está com um olhar sério para a frente, ela veste uma camiseta cinza e um casaco branco e vermelho.
Os destaques de 2020: Amor e Sorte, Normal People, Hilda, Schitt’s Creek, Eu Nunca, O Gambito da Rainha, The Crown e I May Destroy You (Foto: Reprodução)

A pandemia, que descarrilou a indústria do entretenimento, fez um estrago estrondoso no cinema. A TV, entretanto, conseguiu segurar as barras e teve até a premiação do Emmy meio virtual, meio presencial, mas inteiramente inovadora. Lá, Schitt’s Creek fez história: a única série a vencer todas as 7 categorias principais de comédia. Junto do hit canadense, Zendaya venceu Melhor Atriz em Drama, se tornando a ganhadora mais jovem da categoria. No campo das minisséries, narrativas fortes com enfoque em figuras femininas ditaram o tom. Teve a heroica avalanche de Watchmen, a comovente Nada Ortodoxa e a avidez de Mrs. America.

Fora dos prêmios, O Gambito da Rainha se tornou a minissérie mais assistida da história da Netflix. A série da enxadrista Beth Harmon, papel taciturno de Anya Taylor-Joy, é parte do panteão de 2020. O streaming muito se beneficiou das pessoas estarem trancadas em casa: os números de acesso e visualizações estouraram a boca do balão. Dark se encerrou com a maestria que prometeu, e The Crown finalmente nos mostrou a Lady Di. Na HBO, Michaela Coel retornou mais poderosa que o de costume com I May Destroy You, um soco no estômago empacotado em 12 episódios quase autobiográficos, discutindo o valor do consentimento e as consequências do abuso. 

Steve McQueen encontrou na Amazon o lar para sua poderosa Small Axe, antologia de filmes que lidam com racismo e luta por direitos, obras de vital importância nesse momento político em que vivemos. O sucesso foi tanto que uma porção de sindicatos da crítica está premiando Small Axe como Melhor Filme de 2020 (vai entender). Aqui no Brasil, a Rede Globo mostrou serviço produzindo, à distância, a antologia Amor e Sorte e o especial Plantão Covid, parte da fantástica Sob Pressão. Com todo esse parâmetro em mente, a Editoria do Persona se reuniu com nossos colaboradores para elencar o que de melhor a televisão nos ofereceu em 2020. 

Cena da série Normal People. Marianne, um moça branca e de cabelos pretos na altura dos ombros olha nos olhos de Connel, um homem branco que usa camiseta e jaqueta. A imagem tem tons de vermelho e eles estão sentados num banco
Marianne e Connel da série Normal People, exibida no Brasil pela StarzPlay (Foto: Reprodução)

Bruno Andrade

Foi um ano esquisito? Foi demais. Algumas séries fizeram eu me sentir menos isolado neste ano em que estar sozinho nunca foi tão penoso. Claro que numa lista, muitas séries ficam de fora e, curiosamente, a série que mais gostei em 2020 terminou em 2019 (Fleabag, de Phoebe Waller-Bridge), mas este ano também trouxe surpresas agradáveis. Normal People, por exemplo, trouxe a reflexão de que mais importante que a existência do amor é a sensação de se sentir amado (algo a se pensar em um ano como esse). Além disso, foi uma grata surpresa ver a representação de um romance entre jovens sem a versão estereotipada já recorrente nos filmes e séries do gênero.

A segunda temporada de The Boys também veio em cheio. Em um ano político, a série dialogou com questões de xenofobia e ressurgimento de grupos neonazistas. Não por acaso, a série ainda abordou questões de manipulação midiática e identidade. Destaco também a segunda temporada de The Umbrella Academy, série da Netflix baseada na HQ de Gerard Way. Quando me dei conta já estava no último episódio, seguindo os passos de Five (sem dúvida o melhor personagem desta temporada).

Ainda ressalto a série Space Force, dos mesmos criadores de The Office e que, apesar de não ser tão boa quanto, consegue se manter interessante no melhor estilo séries-para-ver-antes-de-dormir. Por fim, destaco a última e (espero que) definitiva temporada de Dark, a série que merecidamente foi eleita pelo Rotten Tomatoes como a melhor já produzida pela Netflix e ensinou como abordar de forma original um tema já desgastado na ficção científica.

Séries favoritas: 1. Normal People (Hulu) / 2. The Boys (Amazon Prime Video) / 3. The Umbrella Academy (Netflix) / 4. Space Force (Netflix) / 5. Dark (Netflix)


Cena da série Nada Ortodoxa. Vemos um homem judeu branco, de barba e cachos de cabelo caindo nos lados do rosto, ele segura o paletó no braço esquerdo. Ao seu lado, está Esty, uma mulher judia, de cabelos raspados e pele branca. Ela veste uma blusa com estampa verde e leva uma bolsa no ombro direito. Ao fundo, vemos em desfoque prédios de Berlim e um céu azul
Shira Haas foi indicada ao Emmy pelo papel de Esty (Foto: Reprodução)

Vanessa Marques

Para nós, brasileiros, 2020 foi um ano de resistência férrea. Em meio ao cenário turbulento da maior pandemia do século, nada como a arte e o entretenimento para nos trazer boas doses de conforto, ternura, humanidade e esperança. O catálogo da Netflix alcançou o seu ápice com mulheres fortes, reais, pioneiras ou até mesmo cômicas (Devi, de Eu Nunca). Houve tempo para emoção e catarse em Nada Ortodoxa, adaptação da biografia homônima de Deborah Feldman. Após fugir de uma comunidade de judeus ortodoxos no Brooklyn, a jovem Esther (Shira Haas) começa uma vida secular e quase livre de amarras para ser mulher na Alemanha. Em quatro capítulos, ‘Esty’ trilha uma jornada de bravura, autodescoberta e libertação.

O Gambito da Rainha fez história como a série mais vista do streaming. Além da memorável Anya Taylor-Joy, no papel de Beth Harmon, o elenco do hit contou com nomes de Game of Thrones e 12 Anos de Escravidão. A genialidade da atriz, que rendeu o primeiro lugar neste Top 5, também levou o público a acreditar que a trajetória da campeã enxadrista fosse real. Mas quem de fato existiu e teve o seu legado contado de forma sensível e brilhante foi a empresária negra Madame C. J. Walker. Ambientada nos Estados Unidos pós-escravidão, Self Made reafirma a importância das narrativas sobre racismo estrutural, machismo e empoderamento. Dona de um império de beleza afro-americana, Sarah (Octavia Spencer, de Histórias Cruzadas) emociona do início ao fim, travando uma luta desmedida para conquistar o seu espaço (e o da comunidade negra) num mundo ainda dominado por homens brancos. 

Um pouco de humor e pinceladas de drama tornaram Eu Nunca uma série divertida, inspiradora e leve. Exatamente como precisávamos. A criação de Mindy Kaling, de The Office, trouxe os dilemas naturais do amadurecimento através do olhar de Devi, uma garota de origem indiana. A diversidade ganhou luz como um dos pontos altos da trama adolescente. Por fim, a realeza britânica voltou para as telas em The Crown, mas, dessa vez ,com a lendária Princesa Diana. O produtor Peter Morgan manteve a qualidade dos anos anteriores, focando em eventos históricos e polêmicas conhecidas da família real na década de 1980. 

Séries favoritas: 1. O Gambito da Rainha (Netflix) / 2. Nada Ortodoxa (Netflix) / 3. Self Made ou A Vida e a História de Madame C. J. Walker (Netflix) / 4. Eu Nunca (Netflix)/ 5. The Crown (Netflix)


Cena do programa UNHhhh. À direita vemos Trixie Mattel, uma drag queen branca e de peruca loira. Ela veste um vestido branco com detalhes em preto na gola e uma linha no meio da roupa. Ela está quase tocando Katya, uma drag queen branca e de peruca loira, que usa um macacão dourado. Ao fundo, um fundo branco e no canto inferior esquerdo, está um logo preto e redondo, com as palavras World of Wonder escritas em branco. O primeiro O de World é o desenho do globo terrestre.
Em meio à pandemia, o UNHhhh está sendo filmado com medidas de distanciamento, enquanto o I Like to Watch é todo feito por chamada de vídeo, com a tela dividida ao meio (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Selecionar apenas cinco séries favoritas de 2020 é um trabalho duro, tanto é que surrupiei um pódio duplo. Antes de condecorar as produções que passaram do corte, me sinto na obrigação de enaltecer as que ficaram de fora do ranking (serei sucinto, eu prometo). Schitt’s Creek pegou todo mundo de surpresa no Emmy, mas eu já esperava uma farra daquelas. Pen15 melhorou o que já era formidável, a 2ª temporada de Sex Education fez carinho no coração, e a quarta de Big Mouth se transformou num documentário. Dark acabou e eu fiquei feliz, Modern Family acabou e eu fiquei triste.

Ozark foi o único dramão a entrar na minha lista de melhores pois, neste 2020 arregaçado, deixei a comédia reinar e me distrair da prisão do isolamento social. A série da Netflix chega no ápice de tensão e só promete coisa boa daqui pra frente. Seguindo, a maneira mais simples de definir What We Do in the Shadows é compará-la com The Office e depois adicionar vampiros. Louca o suficiente para inovar narrativas vampirescas, a obra do FX merece todos os elogios. Insecure é a série mais subestimada da HBO, e a quarta temporada continua na subida criativa e emocional de Issa e sua turma, simplesmente imperdível. Depois de muito matutar, deixei o poético romance de Normal People com a medalha de prata. A saga de Marianne e Connel, que usa e abusa do drama e do choro para narrar a história de dois jovens com problemas de comunicar o que sentem, sem dúvidas é a melhor adaptação literária do ano.

Na pole position, guardei duas vagas para Trixie Mattel e Katya, as maiores e mais engraçadas drag queens do mundo do entretenimento. Em I Like To Watch, elas sentam na frente da TV, assistem e reagem às produções da Netflix, regadas ao humor característico da dupla que nasceu em Drag Race. UNHhhh é um show próprio para as rainhas falarem sobre o que quiserem, e a quinta temporada rendeu pano pra manga: tiveram vídeos sobre literatura, sobre a etiqueta de mandar mensagem e até um react da Season 7. Depois de passar muitas noites assistindo esses programas antes de dormir, eu só poderia dar adeus à 2020 junto delas, soltando um sonoro Ding Dong.

Séries favoritas: 1. I Like to Watch e UNHhhh (Youtube) / 2. Normal People (Hulu) / 3. Insecure (HBO) / 4. What We Do in the Shadows (FX) / 5. Ozark (Netflix)


Cena da série Lovecraft Country. O cenário é uma floresta escura, com fortes tons de azul e verde. Na extrema esquerda, vemos George, um homem negro de 60 anos, de bigode e cabelos pretos, ele usa camiseta verde e calça escura. Ao meio, Tic olha para a frente assustado, ele é um homem negro de 30 anos, com uma medalha de guerra pendurada no pescoço e uma camiseta amarela justa. No lado direito, está Leti, uma mulher negra de 30 anos, ela está assustada, de batom vermelho, cabelos enrolados na altura do ombro e veste um colete vermelho por cima de uma blusa estampada em marrom e preto, ela também carrega uma câmera, com o tirante atravessado no corpo e a câmera pendurada nele
Lovecraft Country foi um dos grandes sucessos da HBO no ano (Foto: Reprodução)

Layla de Oliveira

Particularmente, eu adoro umas fofocas da família real britânica, coisa que não gosto muito de admitir; porém, isso significa que The Crown é um grande banquete pra minha necessidade histórica-investigativa. E a quarta temporada da série foi absolutamente grandiosa, eu até diria que foi a melhor até agora, com diversos conflitos envolvendo a tríade da segunda era elisabetano: a Rainha, a Dama de Ferro e a Princesa do Povo. Agora, saindo do território branco imperialista e indo para algo totalmente diferente, Lovecraft Country foi outra grande produção deste ano, com o terror cósmico perfeitamente misturado com questões raciais, te fazendo questionar a todo momento o que é mais assustador: um monstro gigante vindo do espaço ou um policial na esquina; ou talvez os dois, porque há grandes chances de serem a mesma coisa.

A segunda temporada de The Politician me ajudou a entender um pouco mais sobre o sistema eleitoral estadunidense, e acho que isso é motivo suficiente para estar entre as minhas séries do ano. Mas a sátira política teve um desempenho muito melhor no segundo ano, deixando para trás a trivialidade de uma disputa no conselho estudantil e acompanhando Payton (Ben Platt) em sua candidatura ao senado de Nova York, e, apesar de parecer ser algo chato e pouco original, os absurdos e situações exageradas deixam a trama muito divertida, e, com certeza, digna de uma maratona. Outra produção da Netflix que marcou 2020 foi a segunda parte da última temporada da produção espanhola As Telefonistas, com um enredo digno de novela das nove, e digo isso com tom elogioso. O desfecho das quatro protagonistas foi extremamente poderoso e 100% condizente com a mensagem do seriado, dignificando todo o drama e tensões vividos pelos personagens.

A última surpresa do ano foi Alice in Borderland, uma produção japonesa baseada no mangá homônimo. A trama já é maluca por natureza, por ser baseada na obra Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll; mas adicione essa loucura natural da obra original com um jogo misterioso e mortal e pronto: uma agradável desagradável experiência. Agradável por conta do enredo muito bem desenvolvido, incluindo diversos desafios para os personagens muito bem construídos em pouquíssimo tempo, e a tensão sufocante em cada episódio. E desagradável por esses mesmos motivos, já que nenhum personagem na série tem a sua vida garantida, e essa capacidade de se apegar rapidamente a eles é um ótimo método para fazer o espectador sofrer. Então, fica a dica: não se apegue a ninguém. Sério.

Séries favoritas: 1. The Crown (Netflix) / 2. Lovecraft Country (HBO) / 3. The Politician (Netflix) / 4. As Telefonistas (Netflix) / 5. Alice in Borderland (Netflix)


Cena da minissérie Mrs. America. Ao centro da imagem está a atriz Uzo Aduba interpretando a deputada Shirley Chisholm. Ela tem a pele negra, os cabelos pretos curtos, na altura da orelha e ondulados. A personagem também usa um vestido florido de fundo branco, com flores azuis, laranjas e vermelhas. Ela usa um óculos médio e quadrado dourado, e está de pé em um palco, mas nós a vemos de baixo, do quadril para cima. Ela está olhando para a frente, sorrindo levemente e acenando, e ao seu redor, estão cinco homens brancos, também acenando e vestindo ternos. No primeiro plano da imagem, na frente dos personagens mas sem foco, existem três bandeiras dos Estados Unidos.
Concorrendo com duas colegas de cena, Uzo Aduba venceu o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie pelo trabalho majestoso que fez em Mrs. America como Shirley Chisholm, a primeira deputada negra dos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Raquel Dutra

Indo na direção oposta à de alguns dos meus colegas, informo que aqui vai ter muito drama para uma lista de melhores séries de um ano tão difícil quanto 2020.  Talvez numa tentativa de me distanciar da apatia de 9 meses em isolamento social, corri para sentir as emoções do mundo ficcional, dosando as incontroláveis e desesperadoras do nosso mundo real. Tomei parte das dores e das alegrias da Nada Ortodoxa Esty Shapiro, e mergulhei no suspense dramático de Little Fires Everywhere, minisséries que ficarão de fora do meu pódio mas merecem ser mencionadas dentre as melhores de 2020.

Avisos dados, inicio com o drama mais dramático do ano. A dolorida I Know This Much Is True é um dos tesouros do ano da HBO, cuja densidade emocional sufoca a narrativa por completo na pele de Mark Ruffalo, que sofre não só uma, mas duas vezes, interpretando visceralmente dois irmãos gêmeos que são alvo de todos os infortúnios que a vida pode reservar. Para aliviar um pouquinho (um pouco mesmo) a minha lista, incluo o romance do ano Normal People, que encanta pelo realismo gentil e sensível num mar de retratos idealizados, irreais e por vezes violentos sobre sexo e relacionamentos amorosos.

História, ambientes políticos, relações de poder e dimensões sociais ligadas às individuais são alguns dos meus ingredientes favoritos, encontrados este ano na poderosa e atemporal Mrs. America , e claro, The Crown, na temporada que, provavelmente, foi a mais aguardada de 2020. Com a firmeza da Dama de Ferro Margaret Thatcher contrastando com a carga emocional que acompanha a memória coletiva da princesa Diana, o quarto ano da série é tudo o que existe de melhor na superprodução da Netflix, e uma das melhores até aqui. Pra encerrar, saio dos palácios da realeza britânica de 1980 para a vida urbana de Londres de 2020, a fim de coroar a série do ano com o primeiro lugar da minha lista, a obra-prima I May Destroy You. A genialidade da criadora, roteirista, diretora e protagonista Michaela Coel te vira do avesso, mexe com todas as emoções possíveis, nos surpreende à mesma medida em que nos abraça e é tudo o que precisamos discutir sobre sobre violência sexual, de gênero e de raça, amizade e vida na contemporaneidade, nos trazendo de volta para a realidade da qual ficamos distanciados em 2020.

Séries favoritas: 1. I May Destroy You (HBO) / 2. The Crown (Netflix) / 3. Mrs. America (FX) / 4. I Know This Much Is True (HBO) / 5. Normal People (Hulu)


Cena da série She-Ra e as Princesas do Poder. Uma mulher com traços felinos e olhos azul e amarelo estende a mão na direção da câmera
She-Ra e as Princesas do Poder chegou ao fim em 2020 (Foto: Reprodução)

Gabriel Oliveira F. Arruda

Após 5 temporadas de excelência em animação, Noelle Stevenson e os animadores da Dreamworks nos entregaram um dos finais animados mais satisfatórios dos últimos anos, sintetizando os temas e arcos narrativos de maneiras inesperadas mas inteiramente lindas, culminando em cenas que fizeram She-Ra e as Princesas do Poder entrar imediatamente para a história da televisão moderna.

Continuando, a websérie de Dungeons & Dragons do College Humor, Dimension 20 Live: Fantasy High – Sophomore Year é, assim como sua antecessora, um testamento ao poder do storytelling coletivo e como a diversidade de vozes impacta numa narrativa, criando histórias intrincadas de angústia adolescente e alta fantasia, momentos de humor histérico e de profundo impacto emocional, sob a supervisão do brilhante dungeon master Brennan Lee Mulligan.

Mesmo com menos sustos do que a Residência Hill, A Maldição da Mansão Bly é outro triunfo do terror sofisticado de Mike Flanagan, tecendo uma narrativa complexa e impactante que justifica sua longa produção da melhor maneira possível: entregando um final que permanece na sua memória muito tempo depois da série acabar. Beastars – O Lobo Bom e BNA são dois animes de premissas similares, mas que alcançam sucessos diferentes em suas respectivas tramas, através de animações excelentes e interpretações expressivas. Apesar de ambas serem sobre sociedades de animais antropomorfizados, Beastars se desenrola na profundidade da relação romântica entre um lobo e uma coelha, enquanto BNA encontra seu caminho com a animação característica e frenética do Studio Trigger e na ação exagerada de suas personagens.

Séries favoritas: 1. She-Ra e as Princesas do Poder (Netflix) / 2. Dimension 20 Live: Fantasy High – Sophomore Year (Dropout/Youtube) / 3. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 4. Beastars – O Lobo Bom (Netflix) / 5. BNA (Netflix)


Cena da série Do You Like Brahms?, vemos dois adolescentes asiáticos, eles estão na chuva, amparados por um guarda-chuva, segurado pelo menino. Ele veste jaqueta preta e mochila da mesma cor, enquanto ela, de cabelos compridos, veste moletom bege. Eles se olham nos olhos.
O K-Drama da emissora SBS foi ao ar em 31 de agosto de 2020 e teve seu encerramento em 20 de outubro, após 16 episódios estrelados pelos atores Kim Min‑jae e Park Eun‑bin (Foto: Reprodução)

Lorrana Marino

Se tem algo bom que o complexo 2020 me proporcionou, foi tempo para apreciar as diversas produções que estrearam. De longe, a sensibilidade de Do You Like Brahms?, produção sul-coreana da emissora Seoul Broadcasting System, foi um dos conteúdos que mais tocou o espectador. O enredo nos apresenta personagens reais, que se comunicam muitas vezes apenas pela música e nem sempre tomam as atitudes ideais que esperamos, e isso incomoda. Mas aí que está, a protagonista, que não tem medo de mudar o rumo da própria vida, de fazer escolhas que serão julgadas pelos outros e, principalmente, de se priorizar quando necessário, nos traz inspiração.

Continuando a linha de produções sensíveis, Normal People foi outra estreia que abraçou, beijou e apunhalou o espectador quando ele menos esperava. Sem censuras, a conexão e o medo; o ato e a consequência; a comunicação e a falta dela entre os personagens nos conecta com mágoas, alegrias e nos envolve em realidade. O que vem em contramão com a terceira temporada de Castlevania, a animação fantasiosa que consegue reunir os apaixonados por ação, vampiros e boa arte gráfica. Dividindo o enredo em quatro núcleos distintos (a solidão de Alucard, as articulações da corte de Carmilla, as aventuras de Trevor Belmont e a ascensão de Isaac), a segmentação das narrativas torna a experiência prazerosa de se acompanhar e nos faz viajar para uma realidade distópica, e nos preocupar, pelo menos por algumas horas, com problemas irreais.

Agora, que Anya Taylor-Joy brilhou na representação de Beth Harmon, todos ao menos já ouvimos falar. Mas, ainda assim, a série se torna indispensável em um top 5 de 2020. Eu jamais poderia imaginar que fosse possível dar um enfoque tão artístico e emocionante quanto a produção de O Gambito da Rainha conseguiu proporcionar ao xadrez. Mesmo que Beth seja a dama do tabuleiro, os peões a sua volta cumpriram papéis tão relevantes quanto na defesa do rei (o objetivo de vencer) contra as peças inimigas (seu vício em tranquilizantes e álcool), nos fazendo querer proteger todos os personagens envolvidos na trama. Sentimento que se estende à última queridinha da lista: Hospital Playlist, outro K-Drama que marcou o catálogo Netflix deste ano. Apesar do cenário de tensões de um centro cirúrgico e a incerteza pela vida de alguns pacientes, a produção encontra as lacunas certas para inserir leveza através de diálogos divertidos, romances sutis e flashbacks curiosos. As cenas de interação entre os cinco amigos médicos e colegas de banda esbanjam a química e a boa dinâmica entre os atores, além de servir como um elogio a autora, Lee Woo-jeong, pelos diálogos da trama.

Séries favoritas: 1. Do You Like Brahms? (SBS) / 2. Normal People (Hulu) / 3. Castlevania (Netflix) / 4. O Gambito da Rainha (Netflix) / 5. Hospital Playlist (Netflix)


Cena da série Califado. Ao centro da imagem vemos uma mulher jovem e branca. Seu cabelo é castanho e na altura do ombro. Ela veste uma roupa de lã azul, e na mão direita segura um celular. Ao fundo e ao lado dela há paredes cinzas
Califado é uma produção sueca da Netflix (Foto: Reprodução)

Bianca Penteado

Na hora de escolher algo para ver, sempre achei que os trailers revelavam muito e as sinopses (geralmente) não faziam jus à obra. Este ano, resolvi tornar o catálogo dos serviços de streaming uma roleta russa. No ramo das séries, tirando a sorte grande no acaso, encontrei Califado, que conquistou o topo da minha lista com seu roteiro nem um pouco maniqueísta. Em uma rede complexa de personagens e situações que são gradualmente construídas ao longo dos capítulos, a produção sueca da Netflix descortina uma exploração bilateral do desamparo e desenvolve uma tensão irresistível.

Com o aumento da popularidade de seriados estrangeiros, a Netflix revelou em 2020 uma ampla abertura de catálogo para essas produções. Impossível de esquecer, Bom dia, Verônica marcou presença como um seriado policial brasileiro que, com destreza e muito rock nacional, trata de questões sobre feminicídio e violência doméstica. Dando um giro de 180° tanto no gênero quanto na abordagem, esbarrei também em Start Up, uma produção sul-coreana que adocicou um ano tão amargo. Com todo o romance, comédia e contratempos que a categoria promete, a série cativa o coração de quem assiste.

Além das produções inéditas, o serviço de streaming conseguiu marcar muitos gols com suas renovações. Chegando à sua terceira temporada, Good Girls ainda não perdeu o ritmo, e entrega aos telespectadores novas reviravoltas que são suficientemente consistentes. A Maldição da Mansão Bly, por sua vez, marcou o tão esperado retorno da franquia. Trabalhando de forma muito mais madura e sensível, tornou-se, rapidamente, uma das queridinhas da plataforma.

Séries Favoritas: 1. Califado (Netflix) / 2. Bom dia, Verônica (Netflix) / 3. Start Up (tvN) / 4. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 5. Good Girls (NBC)


Cena dos bastidores da série Amor e Sorte. Fabiula Nascimento, uma mulher de cabelos encaracolados num coque segura o celular próximo ao espelho, fotografando ela e Emílio Dantas, que está ao fundo segurando uma câmera com tripé. Ela veste camiseta branca e blusa roxa estampada e ele tem cabelos comprido e barba, veste calça escura e uma camiseta cinza. Ao fundo, vemos uma toalha azul escuro pendurada
O casal Fabiula Nascimento e Emílio Dantas servindo à própria casa como cenário para a filmagem de Amor e Sorte (Foto: Reprodução)

Ana Júlia Trevisan

É inegável que 2020 foi um caos. Um ano atípico e pandêmico, me tirou o prazer em assistir seriados e atrasou várias produções do audiovisual, mas também trouxe conteúdo de qualidade, principalmente na Netflix. O Gambito da Rainha é clara prova, a série sobre uma enxadrista órfã tem a trama tão bem construída, que a fixação da audiência sobre as partidas de xadrez da jovem se refletiram no aumento de pesquisas no Google sobre o assunto, trazendo um selo de qualidade à produção. Já Emily em Paris foi um escape divertido para a dura realidade do ano. Confesso que no início não levei a sério as boas críticas em torno da série, pensando que fosse apenas uma comédia boba. Mas, ao começar assistir, cada episódio me fazia querer mais e mais de Paris e de Emily.

Se a Netflix trouxe boas produções nesse período, a série cancelada por ela e continuada por outro canal também merece espaço na lista. One Day at a Time, uma das narrativas mais injustiçadas dos últimos anos, sempre tratou assuntos sérios com um toque certeiro de humor e não perdeu seu diferencial mesmo com a mudança de emissora. A quarta temporada conseguiu prender a audiência que buscou ouvir sobre tabus de forma cômica, mantendo as características marcantes das personagens e explorando plots de potencial. A série ainda conseguiu driblar a pandemia construindo um episódio em formato de desenho animado. O único ponto negativo foi o cancelamento antes de um final digno.

O Brasil não fica de fora das produções, trazendo o seriado mais reconfortante do ano, Amor e Sorte. Concebida durante a quarentena, a série é prova da dedicação dos artistas brasileiros. Gravada inteiramente de forma remota, a produção traz um roteiro intimista e bem estruturado, com trilha sonora brilhante que nos envolve, e por vezes nos faz reconhecer na trama. A ideia em trazer atores que estão juntamente isolados é a cereja no topo do bolo para toda construção sentimental da narrativa. Unindo produções brasileiras e Netflix, temos Coisa Mais Linda fechando o Top 5. A nova temporada da série trouxe um misto de suspense e revolta para o telespectador, amarrando as pontas soltas da primeira temporada e criando novos ganchos para uma próxima. 

Séries Favoritas: 1. O Gambito da Rainha (Netflix) / 2. Amor e Sorte (Globoplay) / 3. Emily em Paris (Netflix) / 4. One Day at a Time (Pop TV) / 5. Coisa Mais Linda (Netflix)


Cena da série animada Close Enough. Vemos uma sala com dois sofás marrons, uma mesa de centro cinza e um tapete verde. O lugar está sujo e um casal limpa ele com aspirador de pó. O homem branco, tem cabelos castanhos na altura dos ombros e veste calça jeans, camisa rosa e jaqueta vermelha. Ele segura uma mulher no colo. Ela é branca, tem cabelos compridos castanhos claro presos num rabo de cavalo e veste calça escura, blusa branca e moletom azul por cima
Close Enough chegou ao Brasil pela Netflix (Foto: Reprodução)

Nathalia Franqlin

No ano de 2020 as plataformas de streaming serviram qualidade quando falamos sobre séries, não apenas por novas peças, mas também por aguardadas continuações e finais provocantes. Começando pela nossa queridinha Netflix, J. G. Quintel, criador da série animada Regular Show, nos apresentou uma peça com um traço muito familiar, mas com um enredo muito mais adulto: Close Enough. A trama discute os problemas enfrentados por pais de primeira viagem e adultos irresponsáveis em criar uma criança pequena, ainda sendo uma criança grande. Uma trama descontraída com sabor de nostalgia para aqueles que cresceram vendo a sitcom antiga do criador no Cartoon Network, e agora se identificam com os problemas de Joshua e Emily na nova produção.

Também estreando esse ano tivemos Ratched, a nova série de Ryan Murphy, estrelando Sarah Paulson como a própria enfermeira macabra Ratched. Demonstrando sucesso entre o público brasileiro já na primeira semana após seu lançamento, Ratched traz uma narrativa que conseguiu testar o estômago da audiência com sua visceralidade e, mesmo assim, segurar o interesse para as próximas temporadas. Ainda na Netflix, Big Mouth trouxe mudanças para seus personagens nesta quarta temporada. As crianças, que antes estavam em trânsito para a adolescência, já são, de fato, adolescentes. A animação levantou discussões importantes para o maior desafio dessa fase: encontrar uma identidade. Nessa temporada, assuntos importantes como a transsexualidade, o que é ser socialmente um adolescente negro, bullying e ansiedade tiveram espaço com o humor clássico da comédia..

Após três ciclos, a série alemã Dark chegou ao fim. A terceira temporada da peça seguiu num ritmo mais lento para dar descanso à mente dos espectadores e fazer as amarras do enredo. Apesar desta ter sido uma jornada relativamente curta, o final é satisfatório e provocante. Dark mantém o padrão de qualidade e fecha com um casting assustadoramente impecável, o gostinho de quero mais deixado no final faz com queiramos assistir a série em looping e, não por menos, essa é uma obra que marcou 2020. Para finalizar, a Amazon Prime Video deu segmento com a segunda temporada de The Boys. Cada vez mais distante dos quadrinhos, mas, ainda assim, com um sucesso de público invejável, o ano dois provoca justamente por tocar em temas tão polêmicos, e tão atuais, como a alienação da população pelas mídias e redes sociais e tudo isso, claro, com o tom satírico que faz a alma da série.

Séries favoritas: 1. Close Enough (HBO Max) / 2. Ratched (Netflix) / 3. Big Mouth (Netflix) / 4. Dark (Netflix) / 5. The Boys (Amazon Prime Video)


Cena da série Zoey e Sua Fantástica Playlista. Nela há uma mulher jovem e branca. Seu cabelo é ruivo e abaixo aos ombros. Ela veste uma blusa de lã laranja e uma saia preta. Ao fundo há uma parede de tijolos branca e dez quadros decorativos coloridos, separados em duas fileiras de cinco cada.
Zoey e Sua Fantástica Playlist, já renovada para a segunda temporada, foi uma agradável melodia no meio do caos de 2020 (Foto: Reprodução)

Milena Pessi

2020 foi um dos anos mais turbulentos dos últimos tempos, e foram as produções artísticas, principalmente as séries, as responsáveis por trazer um pouco de alegria e positividade, na medida do possível, à pandemia. Em sua quarta temporada, The Crown manteve sua elegância e alta qualidade para contar mais um capítulo da história da realeza: o casamento do príncipe Charles (Josh O’Connor) e Lady Di (Emma Corrin), e todas as dificuldades que ela enfrentou ao entrar para a família real.

A NBC, por outro lado, investiu em uma produção mais leve e com um toque musical em Zoey e Sua Fantástica Playlist, no qual mostra a vida da programadora Zoey Clarke, que, após sofrer um incidente em uma ressonância, ganha o poder de ouvir os pensamentos das pessoas através de números musicais, o que a torna mais empática em relação àqueles que conhece; além do incrível elenco que conta com Lauren Graham (Gilmore Girls), Alex Newell (Glee) e Skylar Astin (A Escolha Perfeita). A Amazon é uma outra produtora com grandes títulos em seu catálogo, entre eles, a série de ficção e suspense estrelada por Logan Lerman (o eterno Percy Jackson) e Al Pacino, que se juntam, na década de 70, a um time treinado com o objetivo principal de matar nazistas que vivem nos Estados Unidos com identidades falsas para esconder o passado da Segunda Guerra Mundial: Hunters.

A Netflix, em 2020, não economizou em suas produções e trouxe grandes séries para todos os gostos, como é o caso do suspense Bom dia, Verônica e da comédia Emily em Paris. A primeira, estrelada por Tainá Muller e Eduardo Moscovis, relata a triste realidade das mulheres que sofrem violência doméstica no Brasil e a tentativa da policial Verônica em ajudá-las. A segunda é aquela série rápida e gostosa de assistir, que acompanha a história da publicitária Emily (Lily Collins) e suas aventuras, paixões e amizades quando se muda para Paris por causa de uma promoção no trabalho. 2020, apesar de ter sido um ano caótico, foi capaz de produzir diversas produções cinematográficas que levou às pessoas momentos de paz e alegria. 

Séries favoritas: 1. The Crown (Netflix) / 2. Zoey e Sua Fantástica Playlist (NBC) / 3. Hunters (Amazon Prime Vídeo) / 4. Bom dia, Verônica (Netflix) / 5. Emily em Paris (Netflix)


Cena da animação The Midnight Gospel. Clancy é um homem com cor de pele rosa, ele tem cabelos roxos e veste uma saia rosa mais escura que sua pele. Ele está caindo num vazio, com fundo preto cheio de riscos coloridos e luminosos de várias cores, como amarelo, azul, e roxo
Clancy, o protagonista de The Midnight Gospel, usa um simulador de universos para encontrar personagens para suas entrevistas (Foto: Reprodução)

Nuno Amorim

Nesse ano atípico pro cinema, as séries transmitidas em streaming acabaram tomando o tempo de muita gente. Eu, por outro lado, acabei por me distanciar dos grandes lançamentos, focando meu tempo mais em desenhos animados do que qualquer outro tipo de mídia. Uma prova disso é a escolha por The Midnight Gospel, minissérie lançada em maio que chama atenção pela animação psicodélica e aparentemente sem sentido, mas é muito mais que isso, propondo discussões que passeiam por assuntos banais, como o uso de drogas, até religiões como o budismo e a relação da humanidade com a morte. Tudo regado de sensibilidade, por ser retirado de entrevistas reais do podcast de um dos criadores da série, o Duncan Trussel Family Hour.

Ainda nas animações, a quinta e última temporada de She-Ra e as Princesas do Poder, uma série que pretende ser para crianças, continua a cativar os adultos ao desenvolver ainda mais os conflitos da temporada anterior, numa história que diverte e reitera ainda mais a importância de um mundo em que a diversidade seja motivo de união, amor e esperança. Dentre as séries live-action que tratam desse tema, se destaca Sex Education, que, abordando-o de forma mais adulta, consegue, na segunda temporada, aprofundar as discussões sobre sexualidade nos processos de descoberta de Adam e Ola, além de dedicar um arco inteiro (um dos melhores da série, diga-se de passagem) para falar sobre os efeitos terríveis do assédio, direcionado à personagem Aimee.

Em questões mais subjetivas e filosóficas, o seriado live-action que se sobressai esse ano é A Maldição da Mansão Bly. Numa vibe menos aterrorizante que a sua antecessora espiritual (A Maldição da Residência Hill), a série usa do sobrenatural para narrar um conto também sobre amor, mas, principalmente, luto. O significado e a forma de lidar com a morte para cada um dos personagens é único e extremamente humano, e a forma como são tratados os romances, sejam eles saudáveis ou não, me surpreenderam positivamente. A narrativa é menos terror, mas é mais humana – e, na minha lista dos melhores do ano, é a humanidade que mais importa.

Séries favoritas: 1. The Midnight Gospel (Netflix) / 2. She-Ra e as Princesas do Poder (Netflix) / 3. Sex Education (Netflix) / 4. A Maldição da Mansão Bly (Netflix)


Cena da série I Am Not Okay With This em que vemos uma menina de olhos verdes e cabelos ruivos bem curtos sentada em um carro. Ela usa uma jaqueta verde e uma blusa azul e tem o braço esquerdo erguido para fora do veículo. Ao fundo há um menino de camisa xadrez e óculos escuros, ele está desfocado.
Mesmo tendo tido uma boa recepção pela crítica e pelo público, além de ser uma de minhas séries preferidas no ano, I Am Not Okay With This foi cancelada pela Netflix (Foto: Reprodução)

Ana Laura Ferreira

No ano de 2020, me vi revisitando séries do passado e maratonando sitcoms dos anos 1990 como se não houvesse amanhã. Mas, mesmo em meio a centenas de episódios reprisados, os lançamentos do ano se fizeram presentes e marcantes o suficiente para que o período de reclusão rendesse boas e novas experiências. Dependente dos streamings como sempre, eles trouxeram centenas de seriados, dos mais leves aos mais conturbados, fazendo valer como nunca suas assinaturas.

Mesmo escolhendo um top cinco recheado de ação, comédia e drama, muitos lançamentos tiveram de ser deixados como menções honrosas. Entre eles, Dark, que finalizou sua história mantendo o nível de complexidade do resto da trama, sem nunca se perder em meio às tentadoras possibilidades que a triquetra oferecia e que poderiam fazer a narrativa ruir. Cito também a série alemã Biohackers, que, apesar de pouco falada, edifica uma história envolvente e bem organizada, quase como um tímido suspiro de alívio para os carentes fãs de Orphan Black.

Mas falando sobre as séries citadas abaixo, justifico minha escolha nesse ranking como uma tentativa de abranger diversos gêneros e tipos de produções que, para mim, se destacaram. Desde de a atuação majestosa de Anya Taylor-Joy em O Gambito da Rainha, até a cômica interpretação de Maitreyi Ramakrishnan em Eu Nunca, passando pelo drama lindamente esculpido em Little Fires Everywhere, estas foram as produções que mais me marcaram como uma fuga da difícil realidade de 2020. 

Séries favoritas: 1. O Gambito da Rainha (Netflix) / 2. The Boys (Amazon Prime Video) / 3. Little Fires Everywhere (Hulu) / 4. Eu Nunca (Netflix) / 5. I Am Not Okay With This (Netflix)


Cena do reality show Legendary. Vemos 5 indivíduos lado a lado, eles são negros e se vestem com tema espacial. São roupas coloridas e extravagantes, neon, com caudas, renda e maquiagem em verde, roxo e rosa
Legendary chegou junto do lançamento da HBO Max, no meio de 2020 (Foto: Reprodução)

Giovanne Ramos

Em um ano marcado por contratempos, a televisão, assim como todo o mundo, foi uma das vítimas da COVID-19. Em um período de isolamentos, perdas e resiliência, as produtoras de conteúdo no geral souberam contornar os desafios impostos pelas novas regras de convivência e nos presentearam com grandes obras que trouxeram um respiro num momento tão caótico. Entre as séries, I May Destroy You com certeza figura no top 5 das minhas preferidas. Num equilíbrio do drama da realidade com o humor característico da sua autora, a série conseguiu conciliar temas importantes, como raça, gênero, sexualidade e outras diversas temáticas paralelas significantes, reforçando a potência que Michaela Coel é como atriz, roteirista, diretora e produtora.

Ainda no drama, não tem como não citar This Is Us, que, nessa altura, já se tornou um clássico do gênero. A 4ª temporada trouxe a dinâmica temporal que já conhecemos, aprofundamentos entre personagens que tanto amamos – ou detestamos também – e a introdução de novas personagens e novas tramas que mantêm o seu frescor sem deixar a história se tornar cansativa. E, falando em novos rostos, esse foi o principal destaque da 4ª temporada de The Crown. Os ricos detalhes estéticos que enchem os olhos seguem diante de novas figuras populares: Margaret Thatcher e Lady Di, a princesa Diana de Gales. Ou seja, prato cheio para quem ama uma fofoca histórica.

Os amantes de reality show foram muito bem servidos com os programas que nos fizeram vibrar, torcer e esquecer por um segundo a negatividade para fora de nossas casas. Legendary é uma das competições que trouxe uma temática não muito explorada no mainstream, o voguing e as casas da cena ballroom, em que essa dança moderna foi originada. A competição traz arte, dança, história e muito entretenimento. Saindo um pouquinho de solos gringos, uma surpresa que vale a pena ser citada foi a produção brasileira Desalma, original da Globoplay. As atrizes já conhecidas pelo público, Cássia Kiss, Cláudia Abreu e Maria Ribeiro, deram um show de atuação numa trama envolvente, mostrando que temos muito espaço para ótimas séries nacionais.

Séries favoritas: 1. I May Destroy You (HBO) / 2. This Is Us (NBC) / 3. The Crown (Netflix) / 4. Legendary (HBO Max) / 5. Desalma (Globoplay)


Cena da série The Boys. Do lado esquerdo da imagem vemos um homem branco de cabelos raspados e um óculos na cabeça. Ele veste uma jaqueta verde. Ao seu lado direito há uma mulher com traços asiaticos
The Boys é a série mais ousada do ano: rolou até uma sátira a Vingadores Ultimato (Foto: Reprodução)

Vitória Lopes Gomez

Em quase um ano em casa maratonando séries, fica difícil escolher só cinco para um “melhores do ano”. E, numa disputa acirrada, The Boys leva o meu primeiro lugar. Enquanto Os Rapazes seguem na missão suicida de derrubar a Vought, Os Sete lidam com seus próprios demônios e disputas internas. Mais sangrenta e envolvente, a segunda temporada continua a tecer críticas perspicazes ao capitalismo, populismo, marketing e fascismo, entre outras, e torna-se ainda mais próxima à realidade, mesmo ao tratar de super-heróis (que de heroicos não tem nada).

Em segundo lugar (só porque não rola um empate em primeiro), A Maldição da Mansão Bly, que já chegou com muitas expectativas, não decepcionou nem por um segundo, e me rendeu não só uma maratona, mas duas. Menos amedrontadora e mais lenta que a anterior, a sequência da antologia A Maldição abaixa o tom para explorar a dor e os traumas do luto, mas prende com seus personagens intrigantes, narrativas que se entrelaçam e relacionamentos esperançosos (e de partirem o coração). E, falando em narrativas entrelaçadas, a segunda temporada de The Mandalorian continua a nos presentear com a inusitada relação de Mando e Bebê Yoda (que não é mais Bebê Yoda). Ainda mais entrosados e com uma nova missão, os dois viajam pela galáxia e nos contemplam com visuais deslumbrantes, cenas de ação de tirar o fôlego e uma season finale indescritível, que é um verdadeiro misto de emoções.

De uma família nada tradicional para a outra, a segunda temporada de The Umbrella Academy nos faz voltar no tempo com os Hargreeves, que divertem com suas individualidades e intrigas (mais que na primeira temporada), mas mostram que unidos são melhores ainda. Em quinto lugar, mas não menos importante, Disque Amiga para Matar continua a acertar com os erros de Jen e Judy, nos fazendo torcer para que as duas amigas se safem de seus crimes e ainda mantenham a relação que, entre trancos e barrancos, criaram.

Séries favoritas: 1. The Boys (Amazon Prime Video) / 2. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 3. The Mandalorian (Disney+) / 4. The Umbrella Academy (Netflix) / 5. Disque Amiga para Matar (Netflix)


Cena da série How to Get Away with Murder. No lado esquerdo vemos a atriz Viola Davis, uma mulher negra, de cabelos preto e cacheado. Ela veste um terno azul e está sentada numa poltrona preta. Ao seu lado direto há uma mulher negra com o cabelo preso. Ela veste um terno vermelho e está sentada numa poltrona preta, com o braço esquerdo apoiada numa mesa. Nessa mesa há uma jarra e seis copos, todos de vidro. Ao fundo vemos duas janelas com cortinas verde. E um abajur ao centro.
How to Get Away with Murder chegou ao fim na sexta temporada (Foto: Reprodução)

Ellen Sayuri

O ano de 2020 foi, sem dúvidas, o que mais acompanhei séries. Quando vou assistir algo, tenho procurado por representatividade, e, dessa forma, conheci Eu Nunca, que tem uma protagonista marrom, interpretada pela Maitreyi Ramakrishnan. Me identifiquei muito com ela ao ser retratada a sua relação com a cultura indiana, pois me sinto dessa forma em relação à cultura japonesa. Little Fires Everywhere vem logo em seguida na minha lista de melhores do ano, fiquei encantada com as atuações da Kerry Washington e Reese Witherspoon. Além da Huang Lu, que também me comoveu bastante.

Sabe aquelas séries que tem reviravolta até o último minuto? Pois Hunters é exatamente assim. Assisti logo depois de assistir How I Met Your Mother (eu sei, estou um pouco atrasada, mas antes tarde do que nunca, certo?), então foi divertido e engraçado ver Josh Radnor não sendo o Ted Mosby. Falando ainda em surpresas, a próxima da lista também tem várias delas, A Maldição da Mansão Bly me proporcionou muitos sustos, mas também choros. Sou muito medrosa, mas a história me cativou de uma maneira que nem me importei com o medo. 

Infelizmente, toda série precisa acabar em algum momento, e é com um término que finalizo os melhores de 2020. A última temporada de How To Get Away With Murder foi fechada com chave de ouro e no momento certo. Dizer adeus é doloroso, mas necessário, antes que a história se perca. Viola Davis deu tudo de si, assim como o restante do elenco, para dar um fim digno. Apesar de ter personagens injustiçados, o que não é novidade visto que sempre alguém vai ter um final ruim, gostei do rumo da série.

Séries favoritas: 1. Eu Nunca (Netflix) / 2. Little Fires Everywhere (Hulu) / 3. Hunters (Amazon Prime Video) / 4. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 5. How To Get Away With Murder (ABC)


Cena da série Anne with an E. A personagem Anne, interpretada pela atriz Amybeth McNulty, é fotografada da cintura pra cima e está levemente posicionada à esquerda da imagem. Ela tem cabelos ruivos, a pele branca, sardas avermelhadas e olhos azuis. Anne usa um vestido azul escuro de época 9 e um chapéu coco no mesmo tom de azul do vestido com flores roxas, brancas e azuis claras. Ela segura uma sombrinha rendada num tom creme com detalhes azuis nas pontas. Anne olha para fora da imagem, com um olhar atento e levemente surpreso. Atrás dela, sem foco, existe um portão branco aberto e uma calçada bege.
Anne with an E é baseada no livro Anne of Green Gables, de Lucy Maud Montgomery (Foto: Reprodução)

Júlia Paes de Arruda

Apreciar o cinema e suas vertentes sempre fez parte da nossa rotina. Neste ano, com um turbilhão de sentimentos à flor da pele, acentuou-se ainda mais o prazer pela arte. Para aqueles que estimam o entretenimento sem deixar o lado social, a terceira e (infelizmente) última temporada de Anne with an E está disponível no catálogo da Netflix. Mesmo com certas lacunas durante a história, o amadurecimento de Anne Shirley nos deixou com um sentimento acalorado no coração. Como forma de recompensar o cancelamento da série, o serviço de streaming nos presenteou com o relacionamento mais aguardado das personagens. Só por esse motivo, toda a trajetória valeu a pena. 

Por falar em presentes, Julie and The Phantoms e a quinta temporada de Queer Eye são as recompensas por um ano tão caótico. A primeira começa a ser uma benção pelo fato de ser uma adaptação de uma série nacional: o orgulho de ser brasileira nunca foi tão forte. Além do mais, a trilha sonora de todo o enredo é envolvente e tocante, especialmente quando Luke canta Unsaid Emily – a menção honrosa de todas as canções. Já a segunda celebra a volta do Fab Five para os Estados Unidos depois de uma viagem pelo Japão. O reality show ‘muito mais que um makeover’ não poderia ser o mesmo sem as emoções e as discussões que apresenta cada episódio. 

Porém, como nem tudo são flores, o final de Modern Family e a renovação de Elite foram as notícias mais inesperadas para os fãs. É estranho se despedir de uma história tão divertida e aconchegante como é a da sitcom, presente há mais de dez anos e conquistando os corações dos admiradores. O cotidiano da família Dunphy-Pritchett-Tucker é absorvido pelo público, que cria um vínculo com todos os personagens. O mesmo não pode ser dito sobre a trama espanhola que, depois de três temporadas, ainda tenta manter a audiência alcançada na primeira. A saída de atores queridos, junto com tentativa de empurrar uma continuação desnecessária, só reforça a ideia de que o fruto dessa reiteração não irá atrair os olhos dos mais aficionados. 

Séries favoritas: 1. Anne with an E (Netflix) / 2. Julie and The Phantoms (Netflix) / 3. Modern Family (ABC) / 4. Queer Eye (Netflix) / 5. Elite (Netflix)


Cena da série I May Destroy You. A imagem apresenta a personagem Arabella, interpretada pela atriz Michaela Coel. Ela tem a pele negra, cabelos raspados e usa uma fantasia de Halloween da Malévola, com chifres pretos, asas e um top preto de couro. Ela está andando e sua expressão é série. Atrás dela, no lado direito da imagem, em segundo plano e desfocada, está a personagem Terry, interpretada pela atriz Weruche Opia. Ela usa um casaco de pelos brancos e está fantasiada de anjo, com uma auréola na cabeça. Seus cabelos são cacheados e longos e ela segura uma bolsa na mão direita. Ela está seguindo Arabella, também com uma expressão séria. As duas personagens caminham por um corredor que tem todas as paredes decoradas com fotos, painéis e pôsters. A imagem é toda colorida em tons de azul e rosa por conta da iluminação do local onde foi registada.
“Seu nascimento é meu nascimento, sua morte é minha morte” (Foto: Reprodução)

Jho Brunhara

Não teve para mais ninguém: 2020 foi de Michaela Coel. I May Destroy You veio como um rolo compressor, esmagando qualquer outra produção deste ano, e até de outros. A minissérie de Coel não é apenas importantíssima por tratar de assuntos extremamente necessários, como violência sexual, mas é também impecável por sua qualidade exemplar. Ainda que trate de um assunto tão delicado e pesado, Michaela usa de sua genialidade para dissecar todos os estágios de um abuso, sem perder seu talento para a dramédia.

E não para por aí: I May ainda fala sobre irmandade, homossexualidade, relações líquidas, raça, obsessão por redes sociais, liberdade criativa, bullying, vingança, família, poder, capitalismo e até menstruação. Apenas a mente de uma gênia poderia condensar tudo isso em doze episódios autorais de 30 minutos cada, te deixando igualmente ansioso e agoniado por cada próximo segundo. Não há mais espaço para séries que a representatividade seja apenas tokenística, precisamos de mais Michaelas falando o que precisa ser dito, da forma que realmente é.

A vampiresca What We Do In The Shadows também brilhou, se consolidando como uma das melhores produções de comédia que a TV tem a oferecer atualmente. Já a fantasmagórica Ghosts traz um humor britânico delicioso de se assistir, além do elenco talentosíssimo e carismático. Hilda é o desenho mais lindo do mundo, e Grimes assinar o tema da abertura é apenas um dos detalhes geniais do universo de trolls, elfos e magia. E mais uma minissérie para a lista: Luca Guadagnino nos presenteou com a grandiosa We Are Who We Are, que através de seus pequenos momentos foi capaz de capturar perfeitamente a juventude. Menção honrosa para Modern Family, que dispensa comentários.

Séries favoritas: 1. I May Destroy You (HBO) / 2. What We Do In The Shadows (FX) / 3. Ghosts (BBC One) / 4. Hilda (Netflix) / 5. We Are Who We Are (HBO)


A imagem é de uma cena da série Modern Family. Nela, podemos ver toda a família Dunphy-Delgado-Tucker-Pritchett sorrindo reunida em uma sala de hospital, em volta de uma cama, onde a personagem Haley está deitada segurando seus filhos gêmeos. Haley, interpretada por Sarah Hyland, é uma jovem branca de cabelos castanhos compridos. Em volta da cama, da esquerda para a direita, estão: Jay, interpretado por Ed O'Neil, que é um homem branco de aparentemente 60 anos, com cabelos grisalhos, óculos e que está vestindo uma blusa preta de mangas compridas; Glória, interpretada por Sofia Vergara, que é uma mulher de traços latinos, cabelos castanhos claros compridos, está vestindo uma blusa preta e abraçando seu filho Joe por trás; Joe, interpretado por Jeremy Maguire, é um menino branco de cabelos castanhos claros curtos, e que está vestindo uma blusa verde de mangas compridas; Manny, interpretado por Rico Rodriguez, é um jovem de traços latinos, cabelo castanho escuro ralo; Phil, interpretado por Ty Burrell, que é um homem branco de cabelos pretos curtos, e veste uma camisa branca com um terno cinza; Alex, interpretada por Ariel Winter, que é uma mulher branca de cabelos pretos compridos, e veste uma blusa preta, ela está fazendo carinho nos gêmeos; Claire, interpretada por Julie Bowen, que é uma mulher branca de cabelos loiros curtos, ela veste uma blusa de mangas compridas na cor vinho e está atrás de Alex; Lily, interpretada por Aubrey Anderson-Emmons, que é uma adolescente de traços asiáticos, ela está atrás de Claire; Luke, interpretado por Nolan Goud, que é um jovem branco de cabelos castanhos claros curtos, ele veste uma blusa preta de mangas compridas e está atrás de Lily; ao lado de Lily, está Cam, interpretado por Eric Stonestreet, que é um homem branco de cabelos grisalhos curtos; ao lado de Claire, está Mitchell, interpretado por Jesse Tyler Ferguson, que é um homem branco de cabelos ruivos curtos, ele veste uma blusa laranja e carrega um ursinho nas mãos; e Dylan, interpretado por Reid Wing, que é um homem branco de cabelos castanhos escuros, ele veste uma roupa azul de enfermeiro e está ao lado de Haley.
Modern Family chegou ao fim depois de 11 temporadas (Foto: Reprodução)

Vinícius Santos

É difícil se esquivar dos streamings neste ano de 2020. Assim como também não é surpresa que alguns tenham apresentado um certo carinho e dependência por séries de comédia. E como que ironia do destino, a Netflix parecia saber exatamente o que lançar e quando lançar. No começo da quarentena, por exemplo, em Eu Nunca, acompanhar a trama de Devi, uma estudante americana e descendente de indianos, enfrentando os vários clichês adolescentes do Ensino Médio, parecia o enredo perfeito para confortar os corações de milhares de almas amedrontadas com o futuro da pandemia. E não é que acertaram? 

Não muito longe disso, apostando em adaptações estrangeiras, nessa especial a brasileira, a comédia dramática musical Julie and the Phantoms provou mais uma vez que Kenny Ortega nunca decepciona. Com uma atuação confortável de Madison Reyes, as melodias cativantes e uma quantidade certa de piadas sobre fantasmas, o programa ganhou meu apreço. Aproveitando a deixa, uma série interessante que acaba de sair do forno, mas que já mostrou ter tudo para dar certo, é a dramática O Preço da Perfeição. A trama une o melhor dos dois mundos, mistério e balé, e entrega um grande espetáculo. 

Para fugir um pouco dos streamings, neste ano, a última temporada da comédia americana Modern Family deu um fim merecido e gracioso aos seus personagens. Para os fãs, é quase uma missão impossível dar adeus para o programa. O seriado, por onze anos, mostrou o crescimento de personagens aos olhos do público e esteve presente na vida de muitos ao redor do mundo. O mesmo aconteceu com Will & Grace, que, após um revival em 2017, os fãs tiveram que se despedir novamente da série. Infelizmente, em 2020, as duas séries brilharam pela última vez em tela. 

Séries favoritas: 1. Modern Family (ABC) / 2. Will & Grace (NBC) / 3. Julie and the Phantoms (Netflix) / 4. O Preço da Perfeição (Netflix) / 5. Eu Nunca (Netflix)


Cena da série Spin Out. Ao lado esquerdo vemos uma mulher jovem e branca, seu cabelo preto está amarrado. Ela veste uma jaqueta vermelha e esta voltada de frente para um ator. O homem jovem de cabelo curto e loiro, veste uma jaqueta azul. O fundo é desfocado com luzes.
Spin Out foi cancelada logo depois da primeira temporada (Foto: Reprodução)

Luize de Paula

No primeiro dia de 2020, a estreia de Spin Out na Netflix chamou a atenção de muitos quando trouxe a atriz Kaya Scodelario de volta ao mundo das séries, desta vez patinando no gelo. Apesar de ter sido cancelada após seus 10 episódios por baixa audiência, a obra é simples de assistir, e ainda aborda assuntos como a bipolaridade e o racismo, seguindo uma história delicada de patinação no gelo e superação. Essa, também abordada na minissérie Nada Ortodoxa, do mesmo serviço de streaming. ‘Maratonável’ em um dia, é outra série que com uma história cativante, apresenta realidades diferentes mas com protagonistas fortes e inspiradoras.

A Netflix ainda conseguiu produzir duas séries que merecem ser mencionadas. A estreia da primeira temporada de Eu Nunca e da última de Alexa & Katie. Ambas séries leves, uma abordando a vida de uma adolescente de origem indiana nos Estados Unidos, baseada na juventude da atriz Mindy Kaling, e outra a história de duas melhores amigas passando pelo ensino médio e indo para a faculdade após a superação do câncer de Alexa – narrado nas primeiras temporadas. As duas valem a pena serem assistidas com um balde de pipoca ao lado.

O cancelamento de uma série muitas vezes não significa que ela era ruim. Um exemplo disso é High Fidelity, que mesmo após receber críticas positivas do público e de especialistas, não foi salva pelo Hulu. Seguindo uma releitura do filme de mesmo nome lançado em 2000 e protagonizado por John Cusack, a série é completa de referências ao longa e não precisa de mais nada além da trilha sonora e da atriz Zoë Kravitz como protagonista. Apesar da mistura do moderno e do old school não ter sido suficiente para brecar o cancelamento da série, a única temporada de High Fidelity foi uma das melhores do ano.

Séries favoritas:  1. Spin Out (Netflix) / 2. Nada Ortodoxa (Netflix) / 3. Eu Nunca (Netflix) / 4. Alexa & Katie (Netflix) / 5. High Fidelity (Hulu)


A imagem contém cena da abertura da série, com os personagens principais representados por ilustrações, cada um está em um fundo colorido. Da esquerda para direita estão representados: Jayson num fundo roxo segura um saxofone, ele possui a pele negra, cabelos escuros e veste um moletom cinza. Joey num fundo vermelho veste uma blusa branca e possui cabelo castanho claro. Sidd num fundo azul, é indiano e veste uma blusa verde militar com um agasalho azul. Leila, num fundo rosa, é asiática e veste uma blusa vermelha de gola alta, por último está Dominique num fundo amarelo vestindo, ela possui a pele negra, cabelo em tranças, e veste uma blusa listrada e argolas.
Além da diversidade de alunos e contextos, a série também apostou na ilustração e nos quadrinhos para ajudar a compor de forma criativa a trama. (Foto: Reprodução)

Isabella Siqueira

Em um ano tão conturbado e cheio de incertezas, as obras culturais foram um grande consolo. Indo além das mesmas séries amadas que assisto em um looping infinito, foi difícil ignorar as produções incríveis que foram lançadas dentro e fora do streaming. Exalando sensibilidade, a minissérie Normal People não apenas conta uma história de amor que atravessa o tempo e espaço, mas também foi convincente em retratar os problemas e inseguranças do mundo jovem adulto.

Lançada no começo do ano, Into the Night é uma boa pedida para aqueles que curtem uma ficção científica absurda. Um evento solar desastroso, um avião todo lascado e personagens estrangeiros de personalidade forte compõem a receita do sucesso da viciante obra belga. Com uma pitada de Euphoria, Grand Army foge dos padrões clichês das séries adolescentes. Contando cinco histórias paralelas de jovens de uma escola pública de Nova York, a obra conquista justamente por não amenizar nenhum dos temas abordados.

Entre as produções nacionais que têm sido lançadas pela Netflix, Bom dia, Verônica passa longe de ser apenas mais uma série de suspense criminal, visto que aborda a violência contra a mulher com um roteiro inteligente e um elenco impressionante. Por fim, mas não menos importante, a série russa Cidade dos Mortos explora a pior versão de 2020, combinando uma pandemia mortal de um vírus meio zumbi, com dramas familiares intensos nos arredores de Moscou.

Séries favoritas: 1. Normal People (Hulu) / 2. Grand Army (Netflix) / 3. Into The Night (Netflix) / 4. Bom dia, Verônica (Netflix) / 5. Cidade dos Mortos (Netflix)


Cena da série Arcanjo Renegado. A imagem mostra o personagem Mikhael, interpretado pelo ator Marcelo Mello Jr., na frente de um carro forte arma e vestido com um uniforme do excército. O personagem tem a pele negra clara, cabelos raspados e olha com uma expressão séria e concentrada para fora da imagem, mirando a arma.
Arcanjo Renegado está disponível no catálogo do Globoplay (Foto: Reprodução)

Gabriel Gomes Santana

O gênero de investigação policial realmente chegou a invadir meu coração em 2020. Por isso, eu não poderia deixar de colocar Arcanjo Renegado em primeiro lugar da lista. Para os fãs de Tropa de Elite que sentem saudades de uma trama que explora os ‘podres da corrupção’ e da tão problemática ‘política contra as drogas’, a série protagonizada por Marcelo Mello Jr. é uma excelente pedida.

Bom dia, Verônica também não pode ficar de fora. A trama busca prender a atenção dos espectadores ao expor assuntos como violência doméstica, estupro, assédio e machismo. Em terceiro lugar, podemos pontuar Cobra Kai, que deu uma verdadeira aula de como reviver franquias de sucesso com as magníficas atuações de William Zabka e Ralph Maccio. Quem ama suspense ficou feliz em contemplar as narrativas de Tell Me a Story, trazendo adaptações horripilantes dos contos dos irmãos Grimm.

Por fim e não menos importante, Eu Nunca fecha a minha lista com chave de ouro. A série adolescente aborda temas como traumas, estereótipos culturais, identidade de gênero e sexualidade de maneira leve. Além disso, ela fornece o alívio cômico necessário que todos precisávamos ter para enfrentar 2020.

Séries favoritas: 1. Arcanjo Renegado (Globoplay) / 2. Bom dia, Verônica (Netflix) / 3. Cobra Kai (Netflix) / 4. Tell Me a Story (Amazon Prime Video) / 5. Eu Nunca (Netflix)


Cena da série Todas As Mulheres do Mundo. A imagem apresenta a personagem Maria Alice, interpretada pela atriz Sophie Charlotte lendo numa livraria Ela usa um vestido solto rosa claro sem mangas e seus cabelos castanhos estão presos num coque. A personagem está de pé em frente a uma estante e lê um livro. Na frente dela, do outro lado da estante, está Paulo, personagem interpretado pelo ator Emílio Dantas. Ele está encostado na estante, de lado, também lendo. O personagem usa uma camisa cinza escuro e óculos redondos pretos.
Cena clássica do filme de 1966 reproduzida na série de 2020 Todas as Mulheres do Mundo com os personagens Maria Alice (Sophie Charlotte) e Paulo (Emílio Dantas) (Foto: Reprodução)

Letícia Ramalho

Em ano pandêmico, assisti séries que me convidaram a reflexão e evitei as que poderiam me deixar tensa e estressada. Entre meus lançamentos preferidos está The Midnight Gospel, um podcast de entrevistas que virou uma animação psicodélica. A série conta com oito episódios, cada um com um tema bom pra conversar em roda, entre eles: drogas, amor, morte, meditação. A série não pretende ser profunda, mas pode despertar interesses. 

O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Letterman, outra série de conversas e entrevistas, teve sua terceira temporada lançada este ano. Um dos entrevistadores mais conhecidos dos EUA conversa com quatro figuras marcantes, uma em cada episódio. No último, Letterman recebe a cantora Lizzo para uma das entrevistas mais inspiradoras do programa. 

Com relação a produção nacional, a série que mais aguardei foi Todas as Mulheres do Mundo, inspirada no filme de 1966 de Domingos de Oliveira. A versão de 2020 é mais interessante para quem já conhece as obras de Domingos, as todas mulheres do mundo apresentadas na série são figuras e referências não só do filme de 1966, mas de quase todos os outros filmes do autor, uma bela homenagem. Já o final que me fez chorar foi o de Chicas Del Cable, ou As Telefonistas. Para quem acompanhou os 4 anos da série e as paisagens de Madri dos anos 1920, o fim foi emocionante. Um fechamento com muita união, força, luta e amizade feminina que me fez usar batom roxo como o de Lidia. 

Séries favoritas: 1. As Telefonistas (Netflix) / 2. The Midnight Gospel (Netflix) / 3. Todas as Mulheres do Mundo (Globoplay) / 4. O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Letterman (Netflix)


Cena da série Inimigo Interno. Ao lado esquerdo da imagem vemos um homem negro. Ele veste terno e calça cinza, camisa azul e gravata vermelha, na cintura tem o distintivo de policia. Ao seu lado direto a um homem branco mais velho, ele é careca, usa óculos. Ele veste calça e terno pretos, camisa branca e gravata vermelha. Ao seu lado direto está uma mulher branca. Ela veste calça e camisa cinza e suas mãos estão entrelaçadas na altura do quadril . Seu cabelo é ruivo na altura dos ombros. Ao seu lado esquerdo há um homem branco. Ele veste calça e terno azul marinho, camisa azul e gravata cinza. Seu cabelo é preto, e na sua cintura tem o distintivo de policial. O fundo da imagem é uma sala cinza
Exibida pela NBC em 2019, Inimigo Interno chegou ao Brasil este ano (Foto: Reprodução)

Nicole Saraiva

Em um ano atípico que proporcionou a muitos tempo suficiente para colocar suas séries em dia, comigo não poderia ter sido diferente. E foi buscando novidades pela Globoplay que eu encontrei Inimigo Interno (Enemy Within), uma série policial com um quê de vida real que me deixou presa em cada episódio. Dinâmica e imprevisível ela te faz duvidar de tudo e te deixa na ponta da cadeira. Assim como Little Fires Everywhere, a minissérie da Hulu fez seu nome dentre os meus grandes achados deste ano, cativante e intrigante, eu nunca vi uma história tão bem contada em tão pouco tempo e isso ganhou minha atenção. Ambas conquistaram os primeiros lugares da minha lista!

Na Netflix, a história de Gatunas (Trinkets) chegou ao fim em sua segunda temporada. Eu posso afirmar que o encerramento não decepciona nem um pouco, a série colocou todos os pingos nos is e me deixou com o coração quentinho ao ver a jornada de Tabitha, Moe e Elodie finalizada com um selo de missão cumprida. Já na Amazon, a série Alex Rider me pegou de surpresa, e que incrível surpresa ver mais uma vez o espião adolescente dos livros ser retratado nas telinhas! A série de suspense entrega uma trilha sonora de tirar o fôlego, uma fotografia impecável, cenários lindos e grandes atuações, não podia ficar de fora das minhas preferidas.

E fecho a minha lista com um dos lançamentos mais esperados de todos: As Five chegou ao Globoplay no melhor momento possível! O spin-off de Malhação Viva a Diferença (2017) conta a história de Tina, Lica, Benê, Ellen e Keyla 5 anos após o fim da novelinha. Com temas mais adultos, muitas provocações e cenas bem mais explícitas, a série de Cao Hamburguer veio para acabar com o estigma de que Malhação só entretém o público mais jovem. Além de quebrar muitos tabus da própria emissora e isso só fez com que eu me apaixonasse de novo por essa história. Aqui vai um spoiler: em breve você poderá ler a crítica dessa série comigo aqui no Persona, então se prepare!

Séries favoritas: 1. Inimigo Interno (NBC) / 2. Little Fires Everywhere (Hulu) / 3. Gatunas (Netflix) / 4. Alex Rider (Amazon Prime Video) / 5. As Five (Globoplay)


Cena da série High Fidelity. Ao lado esquerdo vemos uma mulher jovem e negra. Ela veste colete verde e jaqueta preta. Seu cabelo está com tranças e suas mãos estão apoiadas em caixas de discos. Ao centro da imagem vemos um homem branco sentado numa caixa de discos. Ele tem barba e cabelo cacheado. Veste camiseta preta e calça marrom. Há um relógio em seu braço esquerdo. No seu lado direto há uma mulher negra, ela tem cabelo liso na altura dos ombros. Veste regata preta e calça vermelha. Ao fundo é possível ver vários discos de vinil espalhados pela parede.
High Fidelity foi cancelada prematuramente pelo Hulu (Foto: Reprodução)

Leonardo Teixeira

Faz tempo que seriados já não são considerados apenas entretenimento e escapismo. Mas, nossa, como precisamos desses elementos em 2020. Acabei encontrando, sim, conforto nas produções para a TV, mas não fugindo da realidade. E sim me aproximando de sentimentos humanos, algo que perdemos quando nossos afetos se reservaram ao campo virtual. E quer experiência mais visceral e humana que I May Destroy You? A obra-prima de Michaela Coel é um testemunho do quão certeiro, triste e engraçado o texto para televisão pode ser. Foi ao ar pela HBO, canal responsável pela maioria dos shows que me conquistaram este ano.

Com We Are Who We Are, outro trunfo da emissora, senti o sabor agridoce e gostoso do litoral italiano e das descobertas da adolescência, como nunca vistas antes. Uma velha queridinha, Insecure também me arrebatou em sua quarta (e hilária) temporada, e Lovecraft Country, nas mãos de Misha Green, levou o terror social a novos níveis. Mudando de canal, High Fidelity – produção do Hulu protagonizada pela musa Zoë Kravitz – é um dos tesouros escondidos do ano. Mas seu cancelamento precoce, em agosto, nos lembra do período áspero e difícil que foi 2020. Tenho esperanças de renovação, vacinas e mais séries incríveis para o novo ano. 

Séries favoritas: 1. I May Destroy You (HBO) / 2. Insecure (HBO) / 3. We Are Who We Are (HBO) / 4. High Fidelity (Hulu) / 5. Lovecraft Country (HBO)


Cena do desenho Steven Universe. A imagem mostra 7 personagens da série que estão de frente, e a câmera está um pouco para baixo. Elas estão de olhos fechados e sorrindo. Ao fundo, há um céu azul com nuvens. As personagens estão em cima de uma plataforma azul.
Steven Universo Futuro terminou de ser exibida em 2020 (Foto: Reprodução)

Fellipe Gualberto

Ainda um pouco desprevenido com o início da pandemia (como todos estavam no começo do ano), fui pego de surpresa pelo final de Steven Universo. Em sua nova série limitada, chamada Steven Universo Futuro, Rebecca Sugar trouxe uma rápida visão sobre a adolescência de Steven, concluiu o arco de alguns personagens e emocionou os fãs com um final pautado em saúde mental. Toda a temporada teve um clima póstumo, o que não significa que não houve diversão e gratidão por parte dos fãs a todos os momentos vividos nessa série.

Quando o assunto são as produções da Netflix, posso citar duas que me chamaram a atenção esse ano. A primeira é A Maldição da Mansão Bly, continuação indireta de A Maldição da Residência Hill, a série seguiu a linha de trazer um terror mais reflexivo e com menos jump scares. A história de um cozinheiro que se apaixona por uma fantasma nos encheu de ternura. Todos os medos e monstros da produção podem ser entendidos como metáforas para situações da vida real, como famílias desestruturadas e problemas em relacionamentos amorosos. A segunda é Ratched, inspirada no universo do livro Um Estranho no Ninho, a trama conta a história da enfermeira Ratched, com uma estética atraente e a atuação consagrada de Sarah Paulson, os episódios tem um humor suave que quase passa despercebido mas, ainda assim, arranca risos.

Outra animação que vale a pena assistir é Beastars – O Lobo Bom. O anime explora uma sociedade formada por animais, com embates entre carnívoros e herbívoros, e teve coragem de ter uma trama mais adulta e com imagens mais explícitas, indo onde outras produções do gênero, como Zootopia, não tiveram coragem. No final do ano, a Netflix deu aos fãs de desenhos um presente de natal: a segunda temporada de Hilda, que conseguiu ser tão prazerosa de se assistir quando a primeira. A mitologia nórdica é tratada de maneira delicada, os cenários são deslumbrantes e o traço fluído torna a obra deliciosa de se assistir, sendo muito cativante com seus episódios muito bem encadeados.

Séries favoritas: 1. Steven Universo Futuro (Cartoon Network) / 2. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 3. Hilda (Netflix) / 4. Ratched (Netflix) / 5. Beastars – O Lobo Bom (Netflix)


Cena da série Sex Education. Na imagem, podemos observar vários personagens da série sentados lado a lado num auditório em perspectiva. O primeiro deles, posicionado do lado esquerdo da imagem, é o personagem Eric, interpretado pelo ator Ncuti Gatwa. Ele tem a pele negra, cabelos raspados e usa uma blusa colorida e com uma expressão surpresa, escondendo os lábios. Do lado direito dele, está Otis, interpretado pelo ator Asa Butterfield. Ele é branco, seus olhos são azuis e os cabelos num tom de castanho escuro. Ele usa uma camiseta listrada branca e amarela e também tem uma expressão surpresa, mista de curiosidade e constrangimento. Do lado de Otis está Ola, interpretada pela atriz Patricia Allison. Ela tem a pele negra e seus cabelos crespos e castanhos são raspados na lateral e médios na parte de cima, formando um topete. Ela conserva a mesma expressão de curiosidade, constrangimento e riso, e usa uma jaqueta verde escura. Ao lado dela, no lado direito da imagem, está a personagem Lily, interpretada por Tanya Reynolds. Ela é branca, seus cabelos castanhos estão presos e ela usa uma blusa amarela embaixo de uma camiseta laranja. Sua expressão também é de curiosidade.
A segunda temporada de Sex Education foi lançada em janeiro de 2020 (Foto: Reprodução)

Ana Marcílio

2020 foi um ano complicado e isso ninguém pode negar. Entretanto, tivemos diversas surpresas nas produções audiovisuais ao redor do mundo. Hoje, presos em casa, as séries são nosso momento de alívio e pausa. Pensando nisso, resolvi formar meu top 5 com as produções que foram além de um simples momento na frente da televisão. É preciso mais do que uma boa história. Entre romances, jovens e um pingo de história, as escolhidas trouxeram tudo o que faltava na vida real.

Começando pela segunda temporada de Sex Education, várias reviravoltas embalaram essa nova fase. Os personagens que antes eram meros adolescentes, agora estão tendo de lidar com as responsabilidades de amadurecer. Ainda nessa temática, I Am Not Okay With This tem uma boa receita: juventude, descoberta e superpoderes. Não, isso não foi um erro de digitação. Superpoderes. Confesso que, de primeira, fiquei insegura com essa temática, já que poderia dar muito errado. Mas deu certo, e é uma das séries mais interessantes desta lista. 

Em um gênero completamente diferente, A Maldição da Mansão Bly foi uma das melhores descobertas deste ano. Comecei com medo e terminei chorando – o verdadeiro significado de ‘essa série virou um enterro’. Amei o rumo que o roteiro decidiu tomar e a profundidade da história, foi uma grande surpresa. Além disso, a fotografia e as atuações são de tirar o fôlego. Com muita representatividade, diálogos sagazes e personagens apaixonantes essas produções me fizeram refletir, enquanto ria de um roteiro fluído. Algumas são obrigatórias para sair de 2020 com o pé direito, sem deixar que a realidade nos consuma por completo. 

Séries favoritas: 1. Sex Education (Netflix) / 2. A Maldição da Mansão Bly (Netflix) / 3. I Am Not Okay With This (Netflix) / 4. The Great (Hulu) / 5. Little Fires Everywhere (Hulu)


Cena dos bastidores da série The Good Place. O elenco principal está se abraçando ao redor do ator Ted Danson, que interpreta o personagem Michael na série. Ele está ao centro, usando um terno azul escuro vivo sob uma camisa branca e uma gravata borboleta azul clara de bolinhas brancas. Ele é branco, seus cabelos curtos são num tom claro de cinza, quase branco, e ele usa um óculos redondo preto. Do lado esquerdo da imagem, o primeiro personagem é Jason, vivido pelo ator Manny Jacinto. Ele é asiático, seus cabelos castanhos são curtos e ele usa uma jaqueta azul e vermelha. Ao lado dele está a atriz Jammela Jamil, que interpreta a personagem Tahani. Sua pele é negra clara e ela tem longos cabelos ondulados num tom de castanho escuro e usa uma franja sob a testa. Ela usa um vestido florido roxo que aparece pouco por conta de seu cabelo comprido e dos braços de seus colegas. Do lado direito do ator Ted Danson está a atriz D'Arcy Carden. que interpreta a personagem Janet na série. Ela usa o figurino típico de sua personagem, uma camisa florida de fundo branco com flores azuis e um colete roxo. Sua pele é branca e seus cabelos castanhos tem um comprimento médio e estão ondulados. Ao lado direito dela, está o ator William Jackson Harper, que interpreta o Chidi na série. Ele tem a pele negra, cabelos curtos e pretos. Ele usa uma camisa azul escura com bolinhas brancas e um óculos quadrado de armações grossas e pretas. Do lado direito dele, por fim, está a atriz Kristen Bell, que interpreta a protagonista da série, Eleanor. Ela é branca, seus cabelos são médios, lisos e loiros. Ela usa uma blusa de moletom rosa pink. Todos estão de olhos fechados e abraçando uns aos outros, fotografados de frente e da cintura para cima.
Os episódios finais de The Good Place foram exibidos em 2020 (Foto: Reprodução)

Pedro Gabriel

Ao fazer uma recapitulação de tudo o que eu assisti nesse ano, percebi que diferentes momentos me fizeram apreciar diferentes produtos. Me entreguei no fim da esnobada pelo Emmy, The Good Place, que teve um final digno: os caminhos que a série estava tomando não poderiam ser encerrados de uma forma melhor. Tudo tem sua hora de acabar, caso contrário, acaba se perdendo em sua grandiosidade. Ainda nas grandiosidades de início de ano, não poderia esquecer de uma das melhores séries de high school da atualidade. Sex Education teve sua segunda temporada, e abordou os temas da primeira de forma muito mais assertiva. Ela extraiu o melhor do seu elenco de peso, mostrou o adolescente como jovem que não entende tudo da vida, e emocionou com sua empatia em assuntos tão pesados. 

Mesmo que a comédia tenha sido a principal fonte de entretenimento durante o ano, as histórias fantásticas e surreais me prenderam muito. Entre elas, está The Boys, que voltou para um segundo ano muito melhor que o primeiro. Com um ritmo mais frenético, personagens marcantes, e muitas explosões de cabeças, a série proporcionou diferentes reações, e instigou seus telespectadores durante sua exibição. Vale ressaltar que foi um grande acerto a exibição semanal dos episódios. Além disso, a produção acerta em entregar os paralelos do mundo real, mostrando as atitudes absurdas que as pessoas tomam, e a hipocrisia de marcas e famosos ao engajarem em causas por conta do dinheiro, ou pelo poder. 

Duas séries que me emocionaram durante o ano: primeiro foi a biografia da Hebe, que mesmo com todos os problemas, ainda mostrou o poder do audiovisual brasileiro. Andrea Beltrão, magnífica como a Rainha da TV brasileira, entregou uma performance surpreendente, junto com uma narrativa que aprofunda em muitos momentos fora da tela. A outra, foi a delicadeza na construção de Love, Victor. A produção veio para fazer um contraponto com os fatos ocorridos em Love, Simon, que, mesmo profundo e avassalador, tinha sido criticado por ser muito utópico na vida de muitos jovens. A série mostra desde o início que Victor também acha isso, e traz um retrato mais real desse processo de aceitação, e os dramas que ele traz para a pessoa em si e para as que o rodeiam. 

Séries favoritas: 1. The Good Place (NBC) / 2. Sex Education (Netflix) / 3. The Boys (Amazon Prime Video) / 4. Hebe (Globoplay) / 5. Love, Victor (Hulu)


Cena dos bastidores da série Nasce uma Rainha. Ao lado esquerdo está a drag queen Alexia Twister. Ela usa uma peruca loira lisa na altura dos ombros e franja. Ela usa brinco de argola amarelo. Sua roupa e sua maquiagem também são amarelas. No lado direito vemos a Drag Queen Glória Groove. Sua peruca é amarela e cacheada. Sua maquiagem também é amarela. Sua roupa é branca com manchas amarelas, azuis e vermelhas. Ela usa luvas brancas.
Alexia Twister e Glória Groove, as apresentadoras da série Nasce Uma Rainha, apresentam looks icônicos a temporada toda (Foto: Reprodução)

Eduarda Motta

Apesar das limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus às gravações de filmes e séries, houveram grandes lançamentos este ano, inclusive dentre as produções nacionais. A respeito das séries, podemos destacar Bom dia, Verônica e Nasce Uma Rainha, ambas disponíveis na Netflix. O destaque merecido vem pela representatividade que elas carregam: a primeira de forma a transbordar intensidade trazendo à tona o feminicídio com toda a seriedade necessária. Já o programa protagonizado por Gloria Groove e Alexia Twister é responsável por trazer ao mainstream o merecido destaque à cultura drag brasileira e mais, auxilia drags iniciantes a se profissionalizarem com um bom toque de intimidade, para além do glamour.

Internacionalmente, as séries que mais tiveram destaque, na minha opinião, foram Supernatural, pelo lançamento de sua última temporada. Junto de La Casa de Papel, que está na quarta parte da trama, e The Boys, que chegou em sua segunda temporada. Com um clima completamente diferente dos primeiros anos, a season finale de Supernatural veio com cenas intimistas entre os protagonistas e com a atmosfera mais pesada do que nunca. Pois, além de terem que, mais uma vez, tentar impedir o fim do mundo, os irmãos Winchester têm que lidar com a possibilidade de um matar o outro no final, o que eleva a tensão e o medo do futuro para eles e para os fãs, pois o desfecho nunca foi tão imprevisível. 

Já a quarta parte da série dos criminosos, La Casa de Papel, deixa a desejar em relação à sua primeira temporada, porém ainda merece destaque por mostrar ação em conjunto com um plano de roubo tão inteligente quanto o que deu início à trama. Além disso, houve um melhor desenvolvimento da personalidade de um dos personagens mais queridos pelo público – o complexo Berlim. Agora, o maior amadurecimento de enredo vai para The Boys. Em sua segunda temporada, as jornadas dos personagens, bem como seu desenvolvimento, está em primeiro plano, porém sem que as sátiras características da série fossem esquecidas. Isso mostra que a trama pode ir além do deboche sobre a cultura dos heróis e se aprofundar numa história mais rica e envolvente.

Séries favoritas: 1. Nasce Uma Rainha (Netflix) / 2. Bom dia, Verônica (Netflix) / 3. Supernatural (The CW) / 4. La Casa de Papel (Netflix) / 5. The Boys (Amazon Prime Video)


Cena da série O Preço da Perfeição da Netflix. A imagem é de um estúdio de balé com piso de madeira e iluminação natural. Há 9 meninas que formam um triângulo como estão posicionadas. Elas estão vestidas com roupas pretas idênticas com coque nos cabelos. Na fotografia também há um homem branco, jovem com barba e bigode. O homem usa camiseta cinza e calça preta.
A série O Preço da Perfeição trata da situação de uma escola de balé após um trágico acidente com uma das alunas (Foto: Reprodução)

Ana Beatriz Rodrigues

Enquanto o mundo acabava, e não passava nenhum reality show na TV para me alienar, precisei recorrer a séries e filmes para não surtar ainda mais. Por mais que tenham sido entregues várias novas oportunidades neste ano, minhas apostas para o entretenimento focaram em produções já iniciadas, e Modern Family ocupou meu coração, me fazendo viciar na comédia e sair um pouco dessa realidade. Mas o primeiro lugar do meu pódio foi ocupada pela grandíssima, e esnobada, The Good Place. A série que mistura comédia e filosofia, teve sua finalização este ano, e me fez ter mais vontade ainda de embarcar para um Bom Lugar no meio desse caos.

Em seguida, o segundo ano de The Umbrella Academy foi ainda mais emocionante do que esperava. A história dos Hargreeves  nessa temporada me fez roer as unhas e chorar pela história e para a Netflix, implorando por uma terceira parte. Embora tenha sido lançada há poucos dias, O Preço da Perfeição estreou na Netflix trazendo uma versão de Elite numa escola de Balé. Essa série com certeza foi uma das melhores produções deste ano, trazendo drama, suspense e a realidade obscura do mundo da dança com coreografias e uma história de tirar o fôlego. 

A produção que não poderia faltar no meu ranking é a segunda temporada de Sex Education, que, mais uma vez, surpreendeu e conquistou pontos com seu público. Agora, com os adolescentes amadurecendo, os assuntos tratados continuam sendo representados de forma sensata e responsável. O último lugar foi contemplado com a minha maior surpresa de 2020: a série Eu Nunca. O meu ano foi recheado de comédias e a história de Devi não poderia ficar de fora dessa lista.

Séries favoritas: 1. The Good Place (NBC) / 2. The Umbrella Academy (Netflix) / 3. O Preço da Perfeição (Netflix) / 4. Sex Education (Netflix)/  5. Eu Nunca (Netflix)


Cena da série Bridgerton. Phoebe Dynevor, à esquerda, uma mulher branca de 25 anos está de vestido azul. Seu cabelo é castanho e comprido, e ela usa luvas até depois dos cotovelos. A sua frente, está Regé-Jean Page, um homem negro de trinta anos. Ele usa um paletó preto e possui cabelo curto preot. Ele tem barba rala e bigode. Os dois se encaram, de perfil.
Julie Andrews é quem narra a série Bridgerton como Lady Whistledown, e não seria por menos… (Foto: Reprodução)

Caroline Campos

Nada como maratonar por dois dias seguidos um seriado delicioso enquanto o mundo acaba. Controle preparado, cobertor em mãos e chocolate no colo: hora de fugir de 2020. E assim seguimos desde março, sendo bombardeados pelos streamings em um clássico esquema de oferta e procura. No meio disso tudo, é quase impossível montar um ranking com os melhores produtos que nos foram apresentados, que transita de vampiros tapados até uma versão de Gossip Girl da aristocracia britânica. 

A minha primeira colocada foi um amor espontâneo e inesperado. Quem diria que, para uma leiga como eu, o xadrez pudesse ser tão atrativo. Beth Harmon roubou meu coração, e a minissérie O Gambito da Rainha foi o maior sucesso do ano – alguém mandaria um buquê de rosas para Anya Taylor-Joy por mim? Acompanhar a vida desequilibrada da enxadrista prodígio foi uma aventura angustiante, seja pelas vitórias ultra comemoradas ou pelas recaídas assustadoras. E não podemos negar que a Netflix nos encheu de obras interessantes (tanto quanto genéricas). A vida de Devi, em Eu Nunca, foi a melhor comédia-que-pode-facilmente-te-levar-a-lágrimas do meu ranking. A jovem e talentosa Maitreyi Ramakrishnan, acompanhada do elenco diverso, transformaram a série em um fenômeno, e sigo ansiosa para a continuação da história.

E, como se não fosse suficiente, Bridgerton entrou no catálogo do serviço no dia de Natal. Que presente, meus amigos, que é acompanhar uma temporada inteira das idas e vindas entre Daphne Bridgerton e o Duque de Hastings. O casal possui uma química palpável por todos os oito episódios, e o resto dos personagens, a nobreza britânica do séc. XIX, são um show à parte. Bem, se eu pudesse me alongar, vocês não sairiam daqui tão cedo… Migrando para a plataforma ao lado, a Amazon nos deu um segundo ano de The Boys caótico, quase beirando a perfeição. Capitão Pátria ganha cada vez mais camadas com o passar do tempo, como uma grande cebola psicótica. Rainha Maeve continua incrível. Eu amo a Kimiko. Essas são as informações necessárias. Próxima. Por fim, mas não em última colocada, What We Do In The Shadows foi a minha cota de saudades-de-TheOffice. Os vampiros da FX são excepcionalmente burros, curiosamente charmosos e extremamente hilários. Também na sua segunda temporada, os episódios de 20 minutos são deliciosos de assistir, e eu não me cansarei tão cedo.

Séries favoritas: 1. O Gambito da Rainha (Netflix) / 2. The Boys (Amazon Prime Video) / 3. What We Do In The Shadows (FX) / 4. Bridgerton (Netflix) / 5. Eu Nunca (Netflix)


Cena da série Dark. Do lado enquerdo há um rapaz branco de cabelo liso na altura das orelhas e loira. Ele veste jaqueta preta. Ele está abraçado com uma mulher branca de cabelo preto e franja. Ela veste jaqueta amarela e está com as mãos no pescoço dele. O fundo é uma floresta desfocada.
Há quem fale o contrário, mas Dark deu uma aula sobre como encerrar uma série de forma digna e no tempo certo (Foto: Reprodução)

Vitória Silva

Como se pode notar pelos comentários acima, as séries foram um dos melhores refúgios para a realidade assombrosa de 2020. Em minha busca incansável pelos streamings, resgatei diversas comédias, como The Office Community, que serviram como um abraço caloroso ao final de dias exaustivos. E dei continuidade a colegas do passado: The Umbrella Academy e Sex Education lançaram segundas temporadas mais que surpreendentes, enquanto The Good Place e Modern Family encerraram sua jornada de forma comovente, e já estão deixando saudades.

Mas 2020 também foi um momento de me desbravar por outros gêneros, como o da ficção científica, e nele encontrei Dark. Com certeza, foi uma de minhas maratonas mais emocionantes, algo muito coerente para uma trama que nos faz aventurar junto com os seus personagens. As minisséries foram uma ótima alternativa para aproveitar conteúdos densos de forma mais rápida. Mrs. America é uma das maiores produções deste ano, com uma narrativa atemporal e extremamente necessária. E I Know This Much Is True segue a mesma linha, ambas mais que merecedoras de terem ganhado seus Emmys de atuação.

Não poderia faltar mencionar a grandiosa The Boys, que entregou uma segunda temporada superior à sua primeira (uma tarefa não muito fácil). Os personagens caricatos e as analogias diretas à nossa realidade formaram o verdadeiro rir para não chorar. E, falando em realidade, deixo aqui uma série que diz muito sobre o cotidiano das mulheres no Brasil, e talvez a melhor produção nacional da Netflix até hoje: Bom dia, VerônicaPor fim, coloco no meu pódio não as séries que me trouxeram alegria para os dias difíceis, e sim, as que foram um soco no estômago mais que necessário. E que, talvez, se todos assistissem à essas produções e refletissem um pouco, 2021 poderia ser um ano bem melhor.

Séries favoritas: 1. I Know This Much Is True (HBO) / 2. Mrs. America (FX) / 3. Dark (Netflix) / 4. The Boys (Amazon Prime Video) / 5. Bom dia, Verônica (Netflix)

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