Um espelho quebrado por expectativas: A complacência de Taylor Swift em The Life of a Showgirl

Capa de álbum com a cantora Taylor Swift submersa em uma água de cor turquesa. Ela está olhando diretamente para a câmera com uma expressão confiante e usa um traje prateado e brilhante, cravejado de joias, no estilo de uma showgirl. A imagem tem um efeito de colagem ou de espelho quebrado, com pedaços da cena repetidos nas bordas. Sobreposto à imagem, o texto "THE LIFE OF A SHOWGIRL" aparece em uma fonte grande, laranja e com textura de glitter.
O novo trabalho de Taylor Swift retorna com produções pop e colaborações familiares (Foto: Mert Alas & Marcus Piggott)

Arthur Caires

O principal objetivo do marketing pode ser ao mesmo tempo o seu maior erro: as expectativas. Quando o público recebe algo diferente do que imaginava, a frustração se torna a primeira e mais duradoura impressão, exatamente o que ocorreu com The Life of a Showgirl, décimo segundo álbum de estúdio de Taylor Swift. Ao evocar 1989 (2014) e reputation (2017) como referências e complementar a campanha com ensaios fotográficos deslumbrantes, a artista criou a promessa de um retorno grandioso. Ao deixar Jack Antonoff e Aaron Dessner de lado, a reunião com Max Martin e Shellback apenas intensificou essa expectativa. Swift já provou que sabe juntar batidas intensas com letras inteligentes, o que torna ainda mais evidente a sensação de decepção diante da simplicidade e falta de senso do novo disco.

Continue lendo “Um espelho quebrado por expectativas: A complacência de Taylor Swift em The Life of a Showgirl”

Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia

Capa do álbum Man’s Best Friend. Na imagem, Sabrina Carpenter está de quatro, remetendo a um cachorro, ocupando o centro da composição. Ela olha diretamente para a câmera, transmitindo confiança e serenidade. Seus cabelos loiros claros, soltos e levemente ondulados, caem sobre os ombros e um punhado é segurado por um homem que aparece de relance no canto da imagem. A pele é clara, com maquiagem suave que destaca os olhos e os lábios em tom neutro. O cenário é minimalista: um fundo claro uniforme que isola sua figura, enfatizando seu rosto e sua postura. A iluminação é suave e focada, sem sombras marcantes, criando um retrato moderno, elegante e intimista.
Man’s Best Friend é o sétimo álbum de estúdio da cantora (Foto: Island Records)

Marcela Jardim

Com Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um espelho invertido: se o ‘melhor amigo do homem’ costuma ser o cão fiel, aqui ela se oferece como companhia indomada, que late, morde e brinca, porém jamais se submete. Essa ambiguidade é o eixo central da obra: entre risos debochados e melodias cintilantes, ela tensiona a linha que separa prazer e frustração, amor e desapego, provocação e vulnerabilidade.

Continue lendo “Man’s Best Friend reúne o melhor de Sabrina Carpenter: humor ácido, tensão sexual e melancolia”

10 anos de Eyes Wide Open: o início da carreira musical promissora de Sabrina Carpenter

Capa do álbum Eyes Wide Open de Sabrina Carpenter, apresentado em duas cores principais, azul e laranja, presentes no título e na imagem da cantora deitada olhando para a câmera em um suéter off-white e atrás uma janela iluminada com discos, uma vitrola em maleta e uma caixa de som.
A cantora Meghan Trainor é autora de duas músicas do primeiro álbum de Sabrina Carpenter: Can’t Blame A Girl For Trying e Darling I’m A Mess (Foto: Hollywood Records)

Livia Queiroz 

Você é do tipo de pessoa que vive juventude de forma leve e que preza pelo maior número de experiências possíveis, de certo modo, inconsequente, ou do tipo que se vê preocupada com o presente e o futuro, parecendo muito madura para sua própria idade? Não se preocupe, ambas situações são normais na vida de um adolescente. É sobre essa fase memorável que Sabrina Carpenter canta em seu debut. Eyes Wide Open te leva em uma jornada pela adolescência em sua essência: erros, acertos, paixões, amizades e inseguranças. 

Continue lendo “10 anos de Eyes Wide Open: o início da carreira musical promissora de Sabrina Carpenter”

Os Melhores Discos de 2024

2024 foi o ano das mulheres, seja no pop, no rap ou no country (Texto de abertura e edição: Guilherme Veiga e Laura Hirata-Vale/Arte: Rafael Gomes)

Por mais impossível que pareça, até que dá para passar um ano inteiro sem ver filmes, ou até mesmo perder a temporada daquela única série que você assiste, mas experimenta ficar esse mesmo período sem Música? É praticamente impensável. E não há como fugir disso, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ela está lá, no carro da rua que passa tocando o hit do carnaval; no verão ensolarado é ela quem dá o clima; nos corações partidos, o primeiro ombro amigo vem de seus acordes e nas comemorações; é ela que intensifica a euforia.

Em 2024 não foi diferente, pra onde você olhava, havia Música, e melhor, ela fazia história. No ano marcado pela ‘treta’ de Drake e Kendrick, ponto para o rapper de Compton, que, além de fazer o mundo inteiro trucidar seu oponente, ainda teve as honrarias máximas reconhecidas pela indústria. Em outra briga, dessa vez, menos sanguinária, Taylor Swift e suas várias versões do antológico THE TORTURED POETS DEPARTMENT batia de frente com quem ameaçasse seu pódio nos charts.

Mas não há como negar que foi o ano delas. O mundo foi pintado de verde pela efervescência de Charli xcx. A própria Swift ampliou ainda mais seu império, mas foi outra ‘loirinha’ – mais irônica e com intenção de instigar – que mostrou seu lado curto e doce para os holofotes. Foi o ano das também das voltas; uma veio a galope para reivindicar a música country, enquanto outra saiu do crepúsculo de seu hiato para alvorecer com sua voz de fada e pop de gente grande; enquanto o terror dos primos nos almoços de família, Billie Eilish, chegou como quem não quer nada e nos afogou em suas questões e genialidade.

Como em todo ano e já de praxe nessa Arte, foi a diversidade que dominou. Enquanto POCAH reconta sua história através de todas as suas versões, Twenty One Pilots dava um fim (?) para a sua. Se o The Cure voltou depois de 16 anos para o reino da tristeza com um álbum de inéditas, Rachel Chinouriri estreou abordando a mesma tristeza quase que com uma autopiedade cômica. Tyler, The Creator voltou com o pé na porta, já Gracie Abrams chegou com tudo. Luan Santana cantou amor, enquanto Duda Beat cantou tesão. Linkin Park entoou novamente o gutural típico do nu metal, diferente de Adrianne Lenker, que murmurou sentimentos doloridos.

Mas uma coisa é certa, mais uma vez a já tradicional lista de Melhores Discos retorna do jeito que é. No ano em que perdemos Liam Payne, o Persona segue uma direção: usar da Música e das Artes no geral para lembrar quem somos e discutir quem podemos ser.

Continue lendo “Os Melhores Discos de 2024”

A Nonsense Christmas abraça o absurdo e entrega um especial natalino engraçado e caótico

A imagem mostra Sabrina Carpenter, que é uma jovem mulher loira de olhos azuis, segurando um microfone e sorrindo para a câmera. Ela veste um vestido vermelho justo, decorado com pequenas pedrarias brilhantes e detalhes de plumas brancas na parte superior. Seu cabelo é longo, liso e tem franja, emoldurando seu rosto de traços delicados. Sua maquiagem inclui blush rosado, batom suave e olhos destacados com delineador e cílios volumosos. O cenário ao fundo sugere um ambiente de bastidores, com equipamentos de produção e iluminação. A luz quente do ambiente realça sua expressão animada e carismática.
“É uma hora de absurdo literal”, disse Carpenter à revista TIME sobre o especial em Outubro de 2024 (Foto: Netflix)

Marcela Jardim

Em meio a uma avalanche de clichês típicos das produções de fim de ano, A Nonsense Christmas, estrelado por Sabrina Carpenter, aposta em uma abordagem irreverente que subverte as expectativas do gênero. Apesar de seu charme inegável e do carisma da intérprete de Espresso, que transita com facilidade entre a atuação e sua persona musical, a produção levanta a questão: até que ponto o ‘nonsense’ pode sustentar uma narrativa? Enquanto alguns momentos brilham pela originalidade e criatividade, outros escorregam no excesso, deixando um ‘gostinho’ agridoce para o público.

Continue lendo “A Nonsense Christmas abraça o absurdo e entrega um especial natalino engraçado e caótico”

Na Short n’ Sweet Tour!, Sabrina Carpenter choca a crítica e fãs com performances intensas

A fotografia mostra a cantora Sabrina Carpenter, em que aparece deitada de lado sobre um fundo rosa. Ela tem cabelos loiros longos e ondulados, maquiagem com destaque para olhos levemente delineados e batom rosa claro. Ela está vestindo uma roupa de tecido delicado com alças finas, transmitindo uma aparência suave e glamourosa.A Short n’ Sweet Tour! é a primeira turnê de arena da cantora (Foto: Sabrina Carpenter)

Marcela Jardim

Com os hits Espresso, Please Please Please e Taste, o sexto álbum da cantora Sabrina Carpenter ganhou uma turnê mundial com prováveis datas na América Latina. Short n’ Sweet foi lançado em Agosto de 2024 e conta com 12 faixas cuidadosamente produzidas, revelando uma maturidade artística impressionante. O single Taste teve um videoclipe muito bem executado, protagonizado pela artista junto a atriz Jenna Ortega, e conta com mais de 100 milhões de visualizações no Youtube em menos de três meses de lançamento. Continue lendo “Na Short n’ Sweet Tour!, Sabrina Carpenter choca a crítica e fãs com performances intensas”

Sabrina Carpenter está com os hormônios à flor da pele em Short n’ Sweet

Na imagem da capa do álbum, a cantora Sabrina Carpenter aparece em um fundo azul profundo, olhando sobre o ombro direito em direção à câmera. Ela tem cabelos longos e loiros com franja, e sua pele está levemente iluminada pelo sol. No ombro exposto, há uma marca de beijo em tom vermelho escuro, como se tivesse sido deixada por um batom. A expressão de Sabrina é confiante e suave, com maquiagem destacando os olhos claros e os lábios em um tom nude. A imagem evoca uma estética clássica e sedutor
Para Sabrina Carpenter, se uma experiência é engraçada o suficiente para fazê-la rir, então, também merece uma música (Foto: Island Records)

Arthur Caires

O início da nova era de Sabrina Carpenter começou muito antes do lançamento de Espresso. A reação positiva em cadeia se iniciou no lançamento de seu quinto álbum, emails i can’t send (2022), que possui em sua tracklist a faixa Nonsense com seu outro engraçadinho: “Acordei esta manhã pensei em escrever um hit pop/Com que rapidez você consegue tirar a roupa?”. No entanto, a piada não é nada em comparação com o que viria em seguida nos shows da cantora, que criou uma tradição de sempre mudar a letra final de acordo com o local da apresentação.

No ato de abertura da The Eras Tour de Taylor Swift, em Novembro de 2023, no Brasil, a cantora cantou: “Garoto, venha aqui, isso não é um teste/Ele disse ‘Fique por cima’, eu disse ‘Eu vou’/Aí ele me fez gozar no Brasil”. Assim, a construção dessa identidade ‘safadinha’ culminou no lançamento de seu sexto álbum de estúdio, Short n’ Sweet. O título, “Pequeno e Doce” (em tradução livre), além de poder ser uma descrição da própria cantora, reflete sobre os relacionamentos curtos, porém, intensos, que ela vivenciou.

Continue lendo “Sabrina Carpenter está com os hormônios à flor da pele em Short n’ Sweet”

Os Melhores Discos de 2023

Arte para o texto Os Melhores Discos de 2023. Nela vemos, da esquerda para a direita: Troye Sivan, um homem branco de cabelos loiros, Marina Sena, uma mulher branca de cabelos pretos, Lana Del Rey, uma mulher branca de penteado preto, Bad Bunny, um homem latino de cabelo raspado e Sabrina Carpenter, uma mulher branca de cabelos loiros. Todos estão em preto e branco. O fundo é rosa e centralizado em cores brancas está escrito "OS MELHORES DISCOS DE 2023". No canto superior direito, há o logo do Persona, um olho com o meio em roxo claro e um play no lugar da íris
No campo ou na cidade, do indie ao samba, a Música é onipresente (Arte: Henrique Marinhos/ Texto de abertura: Guilherme Veiga)

O ato de ouvir Música se tornou tão imprescindível que pode até ser confundido com uma banalidade. Banal não no sentido ruim, mas sim de algo tão essencial, que, por assumir uma parcela gigantesca de nossas vidas, à medida que cresce em escala, não consegue acompanhar o tamanho em definição. Chega um momento em que ele se torna apenas… ouvir Música. Para não cair nesse limbo chamado lugar comum, o Persona retorna com sua já tradicional lista de Melhores Discos.

Se 2023 nos reservou um retorno ao início do século graças à Saltburn e Todos Menos Você, aqui focamos essencialmente no que foi criado no ano que passou e, assim como os grandes players da indústria, deixamos o TikTok de lado para embarcar no ato arcaico de se ouvir um álbum de cabo a rabo. O resultado foram 93 produtos que embalaram e deram sentido para o ano.

Não podemos negar que foi o ano de Taylor Swift. Mesmo sem um trabalho de inéditas, o pomposo Speak Now (Taylor’s Version), o agora litorâneo na mesma medida que cosmopolita 1989 (Taylor’s Version) e os resquícios de insônia de Midnights – claro, aliados a gigantesca The Eras Tour – serviram para ecoar o sucesso estrondoso que ela calcou. Ainda na ditadura loira do pop, sua pupila Sabrina Carpenter apareceu para o mundo também com obras repaginadas: primeiro, enviando os anexos que esqueceu no corpo do e-mail e, no fim do ano, trazendo um pouco de malícia para o Natal.

Quem retornou de forma inédita foi a rival de Carpenter, Olivia Rodrigo. Após a acidez de SOUR, a artista volta a expor seus sentimentos de uma forma nada ortodoxa: arrancando suas entranhas. O sentimentalismo, dessa vez mais bonito, mas igualmente doloroso, está presente no alinhamento estelar das boygenius, ao mesmo tempo que Mitski declamava todo seu amor para as paredes de um galpão vazio.

Ao longo das 93 obras, temas conversam entre si, mas a homogeneidade é proibida. Troye Sivan e Pabllo Vittar querem festejar, mas enquanto um é a efervescência do durante, a outra é o desejo do pós. Os latinos KAROL G e Bad Bunny falam sobre o amanhã de formas diferentes: ela com esperança, ele com incerteza. Letrux abordava o reino animal e Ana Frango Elétrico se transmuta em feline. Marina Sena se viciava na selva de pedra enquanto Chappel Roan se assustava com os prédios. Jão quer ser cada vez mais superlativo, à medida que Post Malone se recolhe em suas origens. Metallica sente a passagem de tempo, diferente de Kylie Minogue, que nem o vê passar.

Tal cenário só é possível pois a Música e toda sua imensidão atuam como um espaço de diversidade e liberdade, no sentido mais amplo das palavras. E nada mais justo do que celebrá-las no ano de passagem da Padroeira da Liberdade. O Melhores Discos de 2023 é por Rita Lee, que é gente fina na Música e na eternidade.

Continue lendo “Os Melhores Discos de 2023”

Savage X Fenty Show é um espetáculo que celebra todos os tipos de corpos

Cena do Fenty X Savage Show. Uma mulher negra, gorda, de cabelos pretos e grandes, usando um sutiã e saia azuis metálicos desfilando entre dez dançarinas, usando macacões azuis. Ao lado delas há corrimões e luzes azuis ao fundo.
Savage X Fenty Show é a combinação perfeita de moda e coreografia (Foto: Amazon Prime Video)

Luisa Rodrigues

Em 2017, Rihanna fundou sua marca de beleza Fenty Beauty e passou a se dedicar ao empreendimento. Expandindo seus negócios, um ano depois, ela lançou a linha de lingerie Savage X Fenty. A partir de 2019, os desfiles da marca começaram a ser lançados pelo streaming Amazon Prime Video e, no dia 24 de setembro deste ano, o terceiro volume do show chegou ao serviço, mais uma vez com um belo desfile de Moda imersiva e inovadora, combinando Música, coreografia e performances incríveis. 

Continue lendo “Savage X Fenty Show é um espetáculo que celebra todos os tipos de corpos”