Springsteen: Salve-me do Desconhecido foge do clichê de cinebiografias e mostra como nunca é tarde demais para procurar ajuda

Homem branco com cabelos escuros, sentado no chão apoiado na cama com um violão de frente para uma janela
Abertura com Jeremy Allen White como Bruce Springsteen, sentado diante de um violão olhando para horizonte (Foto: 20th Century Studios)

Clara Morais

O filme Springsteen: Salve-me do Desconhecido, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é dirigido por Scott Cooper e inspirado no livro de Warren Zanes, Deliver Me from Nowhere (2023). A obra se inicia com o fim da turnê The river do disco que estava colocando Springsteen ao estrelato. Mesmo estando no auge da sua carreira Bruce decide que é o momento para fazer uma pausa e se concentrar no processo de criação de Nebraska, álbum de 1982 gravado em sua residência e com um gravador caseiro, o longa transforma esse recorte íntimo da vida do cantor em um drama sobre memória, dor e reinvenção. A narrativa se ancora em um período contraditório de sua vida: o auge do reconhecimento público e, simultaneamente, o aprofundamento de suas crises emocionais.

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A 4ª temporada de The Bear pergunta quem somos quando paramos de cozinhar no automático

Foto de Carmy, da série The Bear, em um ambiente urbano. Ele é um homem branco com cabelo escuro e bagunçado, vestindo uma camiseta branca e um avental azul. Ele está ao ar livre, em uma rua com prédios altos ao fundo, e segura uma pequena xícara ou tigela preta. Carmy olha para o lado com uma expressão pensativa.
The Bear é o resultado de caos e relações familiares que queimam igual as chamas do fogão (Foto: FX Studios)

Arthur Caires

Se nas duas primeiras temporadas The Bear foi apresentada ao público como a série que deixava a gente em apneia, vivendo cada grito de “ATRÁS” como se estivesse dentro da cozinha, agora o prato servido é outro. O que começou como uma dramédia caótica, com planos-sequência sufocantes e diálogos atropelados, virou, ao longo dos anos, um fenômeno crítico que transcende a culinária. A produção deixou de ser só sobre um restaurante em crise para se tornar um retrato íntimo sobre saúde mental, sobre o peso e a cura que vêm da família, e sobre o que significa continuar vivendo quando tudo ao redor parece desmoronar.

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O enferrujar da Garra de Ferro

Cena do filme Garra de Ferro. Na imagem, vemos cinco homens se abraçando dentro de um ringue. Dois deles usam camisetas, calças e sapatos, enquanto os outros três estão apenas com calções, e dois deles utilizam meias de cano alto e tênis. Um deles possui um cinturão dourado pendurado e outro em uma das mãos. O ringue possui cordas vermelhas e o chão é azul. Ao fundo, diversas pessoas estão na torcida com semblantes alegres, comemorando a vitória. É possível ver uma cartolina laranja escrito “KILL’EM KERRY”.
Lançado em Dezembro de 2023 nos Estados Unidos, Garra de Ferro chegou aos cinemas brasileiros em Março de 2024 (Foto: Califórnia Filmes)

Raquel Freire

Se fôssemos os mais durões, os mais fortes, os mais bem-sucedidos, nada poderia nos atingir”. Esse é o mantra no qual os irmãos Von Erich foram criados. Entre a sala de estar, em que o espaço dedicado às armas do pai é protegido por uma cruz pendurada na parede, e o ringue, onde a pressão e a tensão são duas constantes, não há lugar para a vulnerabilidade. É por isso que esses homens encontram refúgio uns nos outros – e é por isso, também, que eles perdem o controle quando infortúnios acontecem e esse apoio não é o suficiente.

Garra de Ferro, terceiro longa do diretor Sean Durkin, é baseado em uma história real. Von Erich é um sobrenome clássico no ramo da luta livre nos Estados Unidos e a trajetória da família iniciou-se na década de 1950, quando o patriarca fez sua estreia no esporte. Apesar de ter traçado uma jornada de sucesso, Fritz Von Erich (nome comercial de Jack Adkisson) não conquistou seu principal objetivo: o título de maior lutador do país. Então, a forma como ele reage a essa frustração é treinando todos os seus filhos para que eles, ao seguirem seu legado, consigam o que nunca pôde quando jovem.

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Entre a panela de pressão psicológica e a sutileza humana, The Bear segue longe de queimar

Cena da série The Bear. No canto esquerdo, temos o ator Jeremy Allen White, um homem branco de cabelos loiros escuros. Ele está virado com a cabeça para baixo e os olhos fechados. Ao fundo, temos luzes azuis em neon e outras luzes amareladas, que indicam o cenário de uma conveniência. A cena acontece durante a noite.
O retorno de The Bear ocorreu antes da série ser reconhecida com 10 vitórias no Emmy 2023, por sua primeira temporada (Foto: Star+)

Nathan Nunes

AVISO: Este texto contém spoilers

Beef, episódio que marca o retorno de The Bear, abre com Marcus (Lionel Boyce, de Hap and Leonard) tomando conta da mãe acamada em um hospital. Seus gestos são pequenos, mas simbólicos. Uma toalha molhada na testa da senhora, para abafar o calor. O esforço em contar sua rotina para mantê-la informada. Tudo isso sem obter reações, pois, para o confeiteiro, pouco importa a recompensa. Ele se contenta fazendo o que pode e, dessa forma, encontra um propósito. A cena pode parecer simples, mas carrega as principais temáticas que permeiam toda a segunda temporada: o cuidado, a sutileza e a humanidade. 

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The Bear: Como assim tem um urso na cozinha do Star +?

Cena da série The Bear. No canto inferior esquerdo, temos o ator Jeremy Allen White, um homem branco de cabelos loiros escuros, vestindo camisa branca e avental azul. Ele tem tatuagens difíceis de identificar em seu braço esquerdo. No centro, temos o ator Lionel Boyce, um homem preto vestindo gorro vermelho, camisa preta e avental branco. No canto inferior direito, temos o ator Ebon Moss-Bachrach, um homem branco de cabelos curtos pretos, barba por fazer, vestindo uma camisa azul com um logotipo branco estampado no peito direito e uma blusa branca amarrada em sua cintura. Ao fundo, temos o cenário de uma despensa de alimentos de metal acinzentado, a qual Lionel está segurando a porta e Jeremy está na frente de uma estante com alimentos em caixas. A cena acontece durante o dia.
Assim como qualquer edição do MasterChef, The Bear mostra que a cozinha também pode ser um inferno (Foto: Star+)

Nathan Nunes

Um dos reality shows mais famosos do canal Food Network é o S.O.S. Restaurante, apresentado pelo chef de cozinha Robert Irvine. Nele, o anfitrião tenta salvar restaurantes em situação crítica, seja financeira, sanitária ou emocional. O grande charme do programa é a possibilidade de imersão no cotidiano da gastronomia, nem sempre tão atrativo e tampouco saudável para os profissionais quanto os pratos de comida são para nós. Felizmente, tudo dá certo ao final de cada episódio e Irvine consegue cumprir sua missão de mudar a rotina dentro desses estabelecimentos, coisa que os trabalhadores da casa de sanduíches The Beef provavelmente sonham desde os minutos iniciais de O Urso

Tendo Christopher Storer (Bo Burnham: Make Happy) como showrunner, a série, original da Hulu nos Estados Unidos e do Star+ no Brasil, é figurinha carimbada nas premiações do começo desse ano, com projeções até mesmo para o Emmy. Além da indicação na categoria de Melhor Série de Comédia ou Musical, o projeto se destacou principalmente através de seu único membro vitorioso: Jeremy Allen White (Shameless e Homecoming), vencedor do Globo de Ouro e do Critic’s Choice como Melhor Ator em Série de Comédia pelo desempenho como o protagonista Carmy.

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Shameless: essa família é muito unida e também muito ouriçada

William H. Macy é o único ator de Shameless nomeado no Emmy 2021 (Foto: Showtime)

Ana Júlia Trevisan

Não vamos mais contar o que rolou semana passada” “Acabou”, “Não vai rolar”, “É um insulto”: dessa maneira se encerra o ciclo de onze anos da série que recepcionava com um atrativo recap e finalizava seus episódios com uma cena pós-créditos nível Marvel. Shameless é uma comédia com todos os modos de um bom drama. A produção gira em torno dos Gallagher: uma família disfuncional de seis irmãos, onde a mãe tem bipolaridade e abandonou o lar e o pai é um bêbado, drogado e negligente. Assim como grandes séries vide The Office e Skins, Shameless é um remake americano da série britânica de mesmo nome.

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