Em Beautiful Chaos, KATSEYE transforma o caos em beleza pop

As integrantes de KATSEYE posam sobre cinco carros antigos, vistos de cima, em um cenário de ferro-velho ao ar livre. Cada uma está em uma posição diferente: deitadas no capô, sentadas ou reclinadas. O contraste de cores dos carros (verde, amarelo, prata, azul e rosa) e o solo cru transmitem a ideia de desordem estética. “Beautiful Chaos” aparece em amarelo no canto esquerdo, enquanto no direito está também em amarelo o nome do grupo
Beautiful Chaos é o segundo EP do KATSEYE e já nos mostra o porquê do grupo ser uma promessa no pop (Foto: HYBE)

Stephanie Cardoso

Se você esteve online nos últimos meses, com certeza já ouviu alguma música do EP Beautiful Chaos. Com letras viciantes e batidas barulhentas, as canções do projeto vem tomando conta das redes sociais e conquistando cada vez mais espaço no cenário musical. Mostrando que o KATSEYE não quer apenas pertencer ao pop global quer moldá-lo.  Continue lendo “Em Beautiful Chaos, KATSEYE transforma o caos em beleza pop”

Há 25 anos, Radiohead desconstruía um século inteiro para o nascimento de um novo paradigma musical com Kid A

Capa do álbum musical da banda Radiohead. A arte apresenta uma paisagem montanhosa digitalizada em tons de branco e azul, com céu nebuloso nos tons quentes de vermelho e preto, e um ambiente que remete a uma atmosfera futurista e enigmática. O título “Kid A” aparece em letras brancas na parte superior, enquanto o nome da banda está destacado acima em letras maiores.
De forma revolucionária, Kid A foi o processo de recuperação da Radiohead (Foto: Stanley Donwood)

Gabriel Diaz

Em 2 de outubro de 2000, o Radiohead lançou um álbum que declarou guerra às certezas da música convencional. Kid A emergiu no alvorecer do século XXI como um manifesto involuntário contra a estagnação do rock, no qual a tecnologia e alienação se colidiam. Thom Yorke, à beira do colapso criativo após a turnê de OK Computer, transformou sua crise em ambientes dissonantes e letras fragmentadas – um afastamento radical das guitarras e estruturas previsíveis. Se o término do século XX foi marcado pela nostalgia, o disco foi o primeiro grito do novo milênio: caótico, digital e profundamente humano.

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Há 15 anos, começava a caçada de ‘-A’ com a estreia de Pretty Little Liars

Cena da série Pretty Little LiarsNa imagem, estão as quatro protagonistas: Emily está com uma blusa azul e cabelo preso, Spencer e Hanna estão no meio, Spencer usa uma blusa xadrez azul e cinza, enquanto Hanna usa um vestido roxo. Aria está na direita com uma blusa branca. Todas elas olham com curiosidade para algo dentro de uma caixa de madeira aberta na frente delas.
Com o aniversário da primeira temporada da série, a showrunner confirmou a possibilidade de uma reunião com o elenco original (Foto: Freeform)

Isabela Nascimento

Baseada na série de livros de Sara Shepard, Pretty Little Liars (2010-2017) foi comandada pela showrunner Marlene King. Já no primeiro episódio, o seriado foi um sucesso, com mais de 2 milhões de telespectadores. Ao longo dos 22 capítulos iniciais, a produção juntou milhares de fãs, começando um legado que já dura 15 anos como uma das séries teens mais icônicas dos últimos tempos. Continue lendo “Há 15 anos, começava a caçada de ‘-A’ com a estreia de Pretty Little Liars”

Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Uma Batalha Após a OutraNa imagem, da esquerda para a direita, estão Perfidia, Willa e Bob, eles são uma família. Os três estão deitados em uma cama, sem roupas, Willa, um bebê, está no meio de Bob e Perfidia, chorando. Ela está deitada em uma coberta grossa. Os pais estão com a mão apoiada no corpo dela, em sinal de calma. Raios de sol atingem o peito e ombros de Perfidia, iluminando a cena. Perfidia é uma mulher negra na faixa dos 35 anos, usa cabelo curto. Bob é um homem branco, na faixa dos 50 anos, de cabelos lisos e claros.
O filme já está entre os cotados para disputar o Oscar 2026 (Foto: Ghoulardi Film Company)

Davi Marcelgo

A relevância e a qualidade de uma obra costumam ser medidas pelos temas abordados. Durante a temporada do Oscar 2025, a vitória de Anora sobre Ainda Estou Aqui e A Substância fez com que algumas esferas de cinéfilos e de fervorosos com a presença do Brasil na cerimônia, menosprezassem, em redes sociais, a conquista por considerarem os filmes de Salles e Fargeat dotados de tópicos mais importantes — um julgamento sem argumentos sólidos, centrado no olhar de quem falava. Entre o campo de guerra do que é mais ou menos significativo, se esqueceu de que Arte não é um produto feito para agradar o consumidor, tampouco deve ser considerado posicionamento político como a principal forma de se relacionar com ela. Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, surge como um trabalho artístico politizado, mas que preserva aspectos do fazer Cinema.  Continue lendo “Ver nunca foi tão político em Uma Batalha Após a Outra”

Juntos viola o body horror em metáfora covarde

Aviso: este texto contém spoilers

Cena do filme JuntosNa imagem, os personagens Tim e Millie estão de pé, abraçados. Ela, à esquerda, está com o braço direito apoiado atrás do pescoço dele, parte do punho está enfaixado. Ambos os rostos estão próximos. Enquanto ela fala, Tim a encara com ternura. Ambos vestem camiseta branca e possuem pele clara. Tim é um homem na faixa dos 40 anos, de cabelos claros e corte que parece um mullet. Sua roupa e rosto estão manchados de sangue. Já Millie é uma mulher na faixa dos 40 anos, de cabelos escuros e longos. Ela usa franja na testa.
O filme enfrenta acusações de plágio, pois sua premissa é semelhante a de outros roteiros (Foto: Diamond)

Davi Marcelgo 

É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade”, Luís Vaz de Camões já tinha cantado a bola sobre o amor ainda no século XVI com seu mais célebre soneto. É um sentimento intenso, conflitante, de oposição, que o Cinema normalmente representa como uma experiência melancólica e que leva às nuvens. Contrariando outros gêneros, não é nenhuma novidade que o Terror vai se apoderar de pessoas e núcleos da realidade que não são assustadores, exceto se os deturpar — crianças, cachorros e, no caso de Juntos (2025), um casal.  Continue lendo “Juntos viola o body horror em metáfora covarde”

A 4ª temporada de The Bear pergunta quem somos quando paramos de cozinhar no automático

Foto de Carmy, da série The Bear, em um ambiente urbano. Ele é um homem branco com cabelo escuro e bagunçado, vestindo uma camiseta branca e um avental azul. Ele está ao ar livre, em uma rua com prédios altos ao fundo, e segura uma pequena xícara ou tigela preta. Carmy olha para o lado com uma expressão pensativa.
The Bear é o resultado de caos e relações familiares que queimam igual as chamas do fogão (Foto: FX Studios)

Arthur Caires

Se nas duas primeiras temporadas The Bear foi apresentada ao público como a série que deixava a gente em apneia, vivendo cada grito de “ATRÁS” como se estivesse dentro da cozinha, agora o prato servido é outro. O que começou como uma dramédia caótica, com planos-sequência sufocantes e diálogos atropelados, virou, ao longo dos anos, um fenômeno crítico que transcende a culinária. A produção deixou de ser só sobre um restaurante em crise para se tornar um retrato íntimo sobre saúde mental, sobre o peso e a cura que vêm da família, e sobre o que significa continuar vivendo quando tudo ao redor parece desmoronar.

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BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH

Capa de álbum da banda BABYMETAL. Na imagem, o logotipo metálico estilizado da banda, com asas prateadas e letras em destaque, aparece no centro sobre um fundo preto estrelado. Ao redor, há fragmentos brilhantes que lembram vidro quebrado, criando um efeito dinâmico.
Precursoras do gênero heavy metal com a estética kawaii, BABYMETAL lança seu quinto álbum de estúdio (Foto: Capitol Records)

Gabriel Diaz

Desde os seus primeiros passos no cenário musical, a BABYMETAL redefiniu os limites do metal ao fundir o peso de guitarras distorcidas com a energia impulsiva do j-pop, desafiando noções puristas do gênero. No quinto álbum de sua discografia, a banda prefere arriscar com estilos diferentes do comum na música japonesa, do que apenas apropriar fórmulas derivadas da indústria ocidental. METAL FORTH não apenas consolida essa identidade híbrida, mas a empurra para territórios inexplorados, incorporando colaborações ecléticas e experimentações sonoras que transcendem o rótulo de ‘kawaii metal’. Se antes o grupo questionava o que o metal poderia ser, agora ele pergunta: “para onde o metal pode ir?” Continue lendo “BABYMETAL provoca a própria geração e questiona se o heavy metal tem a coragem de evoluir através de METAL FORTH”

A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza

Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro.
O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)

Guilherme Dias Siqueira

Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela Netflix este ano: O Eternauta, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.

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Os bastardos ainda resistem: cinco anos da distopia glam de The Bastards

Capa do álbum The Bastards, dentro de um carro antigo de aparência clássica e escura, com janelas semiabertas e interior mal iluminado, transmitindo uma atmosfera dramática e cinematográfica. À esquerda, o vocalista Remington Leith aparece com expressão melancólica, usando um casaco preto com detalhes brancos, camisa branca e gravata preta fina. Ele apoia o braço na janela com uma longa luva vermelha de couro, criando um contraste visual intenso. Seus olhos estão maquiados com delineado borrado que escorre como lágrimas negras, acentuando o estilo gótico dramático. No centro, Sebastian Danzig, o guitarrista, veste um casaco vermelho com detalhes em preto e branco e um chapéu de cartola preta com fita dourada. Seu olhar é fixo e enigmático, com maquiagem escura ao redor dos olhos, evocando uma estética teatral sombria, semelhante a personagens de um cabaré vitoriano ou filme expressionista. À direita, Emerson Barrett, o baterista, completa a cena com uma expressão pensativa e distante. Ele veste um terno vermelho com a camisa aberta, exibindo tatuagens no peito, e um lenço estampado no pescoço. Seu visual mistura o glam rock com elementos andróginos e rebeldes, criando uma imagem que remete à cultura punk dos anos 70 com um toque moderno. As janelas do carro estão embaçadas e há marcas de dedos na lataria, sugerindo um clima de tensão ou fuga. Toda a composição da imagem transmite uma aura de rebeldia, teatralidade e melancolia, característica do universo visual de The Bastards.
The Bastards é o segundo disco da banda, sucessor de Boom Boom Room (Foto: Sumerian Records)

Marcela Jardim

Lançado em maio de 2020, The Bastards é, até hoje, o trabalho mais ambicioso e conceitual do Palaye Royale. Com forte carga emocional, visual e política, o álbum surgiu como um grito em meio ao silêncio imposto pela pandemia, oferecendo uma jornada sonora que transita entre o niilismo adolescente e a necessidade de insurgência. Cinco anos depois, a obra permanece viva – tanto por sua estética barroca e intensa quanto pela coragem de tocar em feridas abertas, da saúde mental à crise social. É um disco de extremos: ora poético e vulnerável, ora explosivo e provocador, mas sempre com uma sinceridade que transcende o artifício.

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Pegue o desfibrilador, pois a primeira temporada de The Pitt irá reviver o gênero

Cena da série The Pitt. Nela, há um homem branco de cabelos castanhos escuros com barba e bigode. Ele veste um moletom azul e segura uma garrafa de inox. O homem está na área de trauma de um hospital.
O rosto de Noah Wyle não é novo aos amantes de séries médicas (Foto: Max/Warrick Page)

Guilherme Machado Leal

O dia a dia turbulento de profissionais da área de saúde se popularizou nos anos 90, com Plantão Médico. Drama procedural, o sucesso era considerado a maior série médica até 2019, quando Grey’s Anatomy ultrapassou o número de temporadas ao bater a marca de 332 episódios, antes conquistada pela trama protagonizada por George Clooney. A partir da consolidação da produção de Shonda Rhimes, inúmeros produtos televisivos focados em médicos lançaram e conquistaram o público. No entanto, o gênero se tornou obsoleto, previsível e não mais impactante como ocorria em seus anos de ouro. Dito isso, o que faz The Pitt, produção da HBO Max, ser um frescor?

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