Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada

Cena do filme Frankenstein Na imagem, o personagem Frankenstein está no canto direito, olhando para a mesma direção, com o rosto virado. Ele veste um casaco de pele escura e capuz. No rosto, ele usa uma faixa que cobre boca e nariz. Pequenos flocos de neve caem. Sua pele tem tom esverdeado e possui costuras. Na esquerda, uma luz laranja ilumina o personagem, que está em um cenário noturno.
O filme foi exibido no Festival de Veneza e recebeu 14 minutos de aplausos (Foto: Netflix)

Davi Marcelgo

O diretor mexicano tem afinidade com temas e estilos: a criatura que não é aceita pela humanidade, o trabalho artesanal (do stop motion à criação de equipamentos) e a influência de movimentos artísticos, como o gótico, o ultraromântico e o neoclássico. Frankenstein, que faz parte da seção Apresentação Especial na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, prossegue a parceria de Guillermo del Toro com a Netflix em mais um filme que adapta um clássico da literatura sobre um ser trazido à vida com todos os símbolos que remetem ao Cinema do artista.  Continue lendo “Frankenstein, de Guillermo del Toro, é uma invenção eclesiástica demais para ser eternizada”

Há 5 anos, Dua Lipa homenageava quem veio antes com Future Nostalgia

Capa do CD Future Nostalgia, Finda a Viagem. Fotografia quadrada com o fundo preto. Na parte central está a cantora Dua Lipa. Uma mulher branca, de cabelo louro. Ela veste uma blusa rosa com botões pretos e utiliza luvas brancas com anéis em alguns dos dedos. A cantora está dentro de um carro e a mão esquerda dela segura um volante da cor marrom. Ela apresenta uma expressão séria, olhando para frente. Ao canto esquerdo superior, há uma lua da cor azul.
A cantora não apenas revisita o que já foi feito; essa é, na verdade, a versão de Dua Lipa das décadas de ouro da música pop (Foto: Hugo Comte/Warner Music)

Guilherme Machado Leal

Após o lançamento de Don’t Start Now, faixa que iniciou os trabalhos de seu segundo álbum, Dua Lipa utilizou uma das melhores plataformas de divulgação para uma artista pop: a performance em uma premiação com alcance mundial. Ato de abertura do MTV Europe Music Awards, em novembro de 2019, a artista mostrou que havia feito a lição de casa depois das críticas que recebeu no ano anterior pela sua dança em One Kisshit com Calvin Harris – no Lollapalooza de Berlim. Como tudo que dita a era Future Nostalgia, a cantora dividiu com o público o avanço em direção à estrela que gostaria de se tornar. A cada lançamento que antecipava a chegada do projeto, a albanesa preparava o terreno para aquele que se tornaria o seu trabalho mais aclamado.

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Por meio do voyeurismo, Animais Perigosos manifesta seu olhar sobre o Terror

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena do filme Animais PerigososNa imagem, do ponto de vista de cima para baixo, o personagem Moses está, de costas para a câmera, preso em um gancho, servindo de isca para tubarões. Ele está pendurado, acima do mar, balançando as pernas em desespero. Na água há sangue e um tubarão nadando. No canto superior direito da foto, há a popa de um barco.
50 anos após o clássico Tubarão de Spielberg, Sean Byrne cria sua própria caçada (Foto: Diamond)

Davi Marcelgo

Sentir medo não é a única forma de se conectar com um filme de Terror. Ora, podemos ser atingidos por outras facetas, do prazer à indiferença. Essa relação é guiada por particularidades de quem assiste, como crenças, familiaridade com o gênero e sensibilidade. O Terror Frontal, aquele que dispensa a construção psicológica para assustar, parte do que está no plano para apavorar ou causar nojo. Animais Perigosos parte do voyeurismo para criar catarse e prazer – características intrínsecas do slasher mainstream.   Continue lendo “Por meio do voyeurismo, Animais Perigosos manifesta seu olhar sobre o Terror”

Um espelho quebrado por expectativas: A complacência de Taylor Swift em The Life of a Showgirl

Capa de álbum com a cantora Taylor Swift submersa em uma água de cor turquesa. Ela está olhando diretamente para a câmera com uma expressão confiante e usa um traje prateado e brilhante, cravejado de joias, no estilo de uma showgirl. A imagem tem um efeito de colagem ou de espelho quebrado, com pedaços da cena repetidos nas bordas. Sobreposto à imagem, o texto "THE LIFE OF A SHOWGIRL" aparece em uma fonte grande, laranja e com textura de glitter.
O novo trabalho de Taylor Swift retorna com produções pop e colaborações familiares (Foto: Mert Alas & Marcus Piggott)

Arthur Caires

O principal objetivo do marketing pode ser ao mesmo tempo o seu maior erro: as expectativas. Quando o público recebe algo diferente do que imaginava, a frustração se torna a primeira e mais duradoura impressão, exatamente o que ocorreu com The Life of a Showgirl, décimo segundo álbum de estúdio de Taylor Swift. Ao evocar 1989 (2014) e reputation (2017) como referências e complementar a campanha com ensaios fotográficos deslumbrantes, a artista criou a promessa de um retorno grandioso. Ao deixar Jack Antonoff e Aaron Dessner de lado, a reunião com Max Martin e Shellback apenas intensificou essa expectativa. Swift já provou que sabe juntar batidas intensas com letras inteligentes, o que torna ainda mais evidente a sensação de decepção diante da simplicidade e falta de senso do novo disco.

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No aniversário de 80 anos, Laura, de Otto Preminger, mostra o poder da imagem

Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson, ele usa um sobretudo claro e um chapéu escuro. Ele está olhando para o quadro na esquerda da tela, pendurado na parede, com o rosto impassível. O quadro é uma pintura da personagem Laura. Ela está usando um vestido preto até a altura do peito, deixando seus ombros e braços expostos. Sua cabeça está um pouco inclinada para o ombro esquerdo. O fundo da imagem é um degradê preto e branco, com o preto ao fundo e o branco contornando Laura, dando um aspecto dramático.
Laura foi lançado em 1944, porém chegou ao Brasil em Janeiro de 1945 (Foto: 20th Century Studios)

Guilherme Moraes

O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt (Gene Tierney). Laura (1944), de Otto Preminger, é mais um dos grandes filmes da história que, apesar de ser inevitavelmente uma representação de seu tempo, se torna mais atual a cada revisão.

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Hot Milk mostra a importância de abraçar a vida

Hot Milk, disponível na plataforma da MUBI, fotografa Sofia em um abraço com a liberdade (Foto: MUBI)

Isabela Pitta

Entre súplicas veladas e lutas diárias, o ser humano busca, a cada dia, definir e alcançar a liberdade em suas múltiplas facetas. Apesar de viver uma vida flexível e passível de mudanças, muitas pessoas caem na característica elástica da existência e, por fim, voltam para onde estavam ao início da caminhada ‘transformadora’. Em Hot Milk, padrões, traumas e uma pitada de esperança guiam a trajetória incansável em direção à libertação.

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O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo

Cena de O Mensageiro do Diabo. O cenário é de um quintal. No centro da imagem está Harry Powell, com seu chapéu preto, uma camisa branca por baixo do terno preto. Ele está com as mãos em um corrimão de madeira. A esquerda está na parte inclinada e a direita na divida entre a parte inclinada e reta. Na sua mão direita está escrito LOVE, com uma letra em cada dedo, e na esquerda está escrito HATE, também com uma letra em cada dedo.
O Mensageiro do Diabo foi o único filme de Charles Laughton como diretor (Foto: United Artists)

Guilherme Moraes

O Mensageiro do Diabo (1955) de Charles Laughton é uma obra estranha dentro da Era de Ouro de Hollywood. Criado na transição para o Cinema Moderno, o filme preserva certos elementos que podem caracterizá-lo como Cinema Clássico, mas também conserva particularidades capazes de colocar isso em questão. Há fortes inspirações no Expressionismo Alemão, além de não conseguir se eternizar como seus pares de Hollywood – muito provavelmente porque o diretor não seguiu carreira atrás das câmeras após o fracasso de público e crítica. Em um mar tomado por John Ford, Orson Welles e Howard Hawks, não houve espaço para Charles Laughton. Entretanto, 70 anos depois, é preciso reconhecer a obra-prima única do inglês sobre dois orfãos, uma boneca, um padre e dez mil dólares. Continue lendo “O Mal não dorme no aniversário de 70 anos de O Mensageiro do Diabo”

Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado

Capa do álbum Sunflowers and Leather. Um trailer prateado está estacionado em um campo escuro sob um céu noturno profundo. O interior do veículo está iluminado com luz amarela e faz um contraste com o céu azul intenso. A lua brilha no céu. Ao fundo da paisagem, há montanhas. Na parte inferior, há o nome do artista e o título do álbum em letras amarelas.
“Nenhuma cicatriz que ficou no meu coração / Foi deixada por um inimigo / Apenas velhas histórias familiares e coisas preciosas / Todas que tiraram o melhor de mim” (Foto: Sony Music Entertainment)

Vitória Mendes

Já pensou em como seria a vida se você deixasse tudo para trás, entrasse em um trailer e desaparecesse no mundo? Jonah Kagen não só fez isso como também transformou essa experiência em Sunflowers and Leather, seu primeiro álbum de estúdio. Lançada em setembro pela Arista Records, uma divisão da Sony Music Entertainment, a produção narra uma jornada de independência geográfica e, principalmente, emocional. Entre medos, aventuras e descobertas, há o esforço constante de aprender a viver e amar, mesmo que signifique se machucar no caminho. Consolidando o público que já o acompanhava nos EPs anteriores, o artista surpreende e traz uma nova percepção que une o country folk e o soft country. Continue lendo “Em Sunflowers and Leather, Jonah Kagen deixa sua marca e busca pelo legado”

50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd

 

Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas.
A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)

Eduardo Dragoneti

Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma homenagem profunda dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro Syd Barrett (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.

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Tron: Ares comete o mesmo erro da franquia e entrega uma trama mediana

Cena do filme “Tron: Ares”. Na imagem vemos uma pessoa vestida com uma espécie de macacão e capacete ambos pretos. Ela encontra-se ao centro da foto, em cima de uma moto também na cor preta com rodas avermelhadas. Em sua mão carrega um triângulo preto e vermelho, ao fundo é possível ver grandes prédios representando uma cidade.
Tron: Ares brilha em vermelho neon com sua estética futurista (Foto: Disney)

Vitória Borges

Tron: Ares é o terceiro filme da franquia de ficção científica iniciada nos anos oitenta pelo cineasta Steven Lisberger, que revolucionou e introduziu a tecnologia e o universo digital para as telas do cinema. Agora em 2025, a nova produção do diretor norueguês Joachim Rønning marca uma nova fase da trama, abordando a interação entre o ser humano e a Inteligência Artificial nos dias de hoje.

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