Zootopia 2 e o peso de existir: uma continuação ansiosa, política e necessária

Aviso: O texto contém alguns spoilers

Cena de Zootopia 2. A cena mostra Nick Wilde e Judy Hopps em um ambiente noturno elegante, vestidos formalmente e voltados um para o outro em um plano médio que destaca sua interação. Nick, em um terno preto e com seu olhar charmoso e irônico, contrasta com Judy, que usa um vestido amarelo vibrante e exibe uma expressão atenta e confiante. O fundo desfocado com luzes festivas e neve cria uma atmosfera romântica e acolhedora. A arte digital, com estilo próximo ao da animação 3D da Disney, apresenta cores vibrantes, texturas cuidadosas e iluminação suave, reforçando o clima íntimo e celebrativo do momento.
A versão brasileira do filme conta com o retorno de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi como os protagonistas (Foto: Walt Disney Animation Studios)

Marcela Jardim

Depois de quase uma década da primeira produção, Zootopia 2 chega como uma continuação que entende a própria pressão de existir, e faz disso um tema, uma ferramenta narrativa e um comentário metalinguístico. Desde o primeiro ato, o filme assume uma necessidade que é necessário se provar a todo tempo, ecoando o dilema dos próprios protagonistas, Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman), que continuam carregando a tensão entre ser reconhecidos e ser suficientes. Esse jogo reflexivo de evidencia quando o novo prefeito, um ator vaidoso e caricatural, surge como sátira da política-espetáculo: um líder cuja função é performar confiança, não construí-la. A piada é ácida e evidente, mas funciona como crítica ao modo como celebridades e figuras públicas ocupam cargos de poder numa sociedade que trata governar como entretenimento.

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Marcel the Shell with Shoes On: Nos menores frascos, estão os maiores corações

Cena do filme Marcel the Shell With Shoes On. Nela, vemos um personagem Marcel, uma concha do tamanho de uma polegada em cor nude com um olho onde era para ser sua abertura, uma boca e sapatos com a ponta vermelha. Ele está sobre um computador, olhando para a tela e boquiaberto.
Marcel the Shell with Shoes On é o resultado de mais de 10 anos de amor pelo personagem mais amoroso do audiovisual recente (Foto: A24)

Guilherme Veiga

Desde que o gênero mockumentary caiu nas graças do público, a vertente buscou explorar os contextos mais improváveis, indo de uma empresa de papel da Filadélfia, passando por um grupo de vampiros em Staten Island e chegando na vida de um excêntrico repórter cazaque aterrissando nos Estados Unidos. Naturalmente vinculado à comédia, é de praxe que falsos-documentários abracem o nonsense e joguem fora toda a busca por credibilidade. Porém, é da premissa mais absurda que o produto é tratado de forma mais séria.

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Venom: um filme perdido no tempo

Num nebuloso narrativo e visual, Venom não enriquece o gênero de heróis e termina se mostrando mais do mesmo (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Onze anos já se passaram desde que o mundo assistiu à finalização da trilogia do Homem-Aranha, dirigida por Sam Raimi, e foi apresentado ao alienígena parasita que antagoniza as aventuras do Amigão da Vizinhança. Agora, Venom rouba o holofote para si, protagonizando uma aventura solo cinematograficamente dispensável. Numa sucessão de blocos narrativos sem consistência no roteiro frágil e na direção caduca de Ruben Fleischer, a coprodução Sony e Marvel patina ao tentar contar a história de origem do (anti-herói?) vilão do Homem-Aranha. Herói, inclusive, que nem citado é. Venom funcionaria perfeitamente como um derivado dos filmes de Sam Raimi, quinze anos atrás.

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