Minha Irmã para o mundo

A produção, pré-selecionada para representar a Suíça no Oscar 2021, é parte da seção Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)

Raquel Dutra

Uma verdade doída é experienciada em momentos de dor e luto: quando uma tragédia acontece, o mundo não para. A vida tem que continuar, o trabalho não espera, as responsabilidades e compromissos até podem ser momentaneamente adiadas, mas o buraco no peito é permanente e hora ou outra ele virá à tona. Aí, não tem muito o que fazer a não ser ceder ao choro no final do dia enquanto você só tenta não desabar no transporte público antes de chegar em casa. Mas Minha Irmã (Schwesterlein), um dos dramas familiares exibidos na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, usa seu cenário privilegiado para subverter essa experiência quase universal. Colocando todas as outras situações em segundo plano, o filme se debruça unicamente sobre a relação de dois irmãos abalados por um câncer, fisica, emocional e psicologicamente, direta ou indiretamente, cada um à sua maneira.

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O sangue é a moeda em Nova Ordem

O longa faz parte da categoria Perspectiva Internacional na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)

Jho Brunhara

A expectativa que um filme gera é uma faca de dois gumes. No caso de Nova Ordem, um dos títulos mais hypados da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é uma lâmina cega e enferrujada, mas que faz estrago. O filme do diretor mexicano Michel Franco, Nuevo Orden no idioma original, é uma exibição de 1h30 que em pouquíssimos momentos rompe a violência gratuita e apontamentos óbvios sobre a luta de classes. 

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Falta um tchan em A Herdade

Fazendo parte da seção Perspectiva Internacional, o filme está presente na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)

Isabella Siqueira

“Roubou-me metade da vida, agora não me rouba mais nada” – Leonor

O drama histórico A Herdade (2019) explora uma trama clássica, mas já conhecida, conta a história de uma importante família durante décadas, desde seu apogeu até seu declínio. Dirigido pelo cineasta Tiago Guedes, o filme é parte da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e foi a escolha de Portugal para o Oscar 2020. Contudo, apesar de ser encantador, não inova em absolutamente nada.

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A melancólica lembrança de 1986

O longa é um dos filmes que fazem parte da Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)

Ana Laura Ferreira

É na diferença entre o ‘ter’ e o ‘querer’ que se constrói a narrativa de 1986. O filme alemão, que fez sua estreia sul-americana na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, se destaca por sua sensibilidade ao tratar da melancolia e das reminiscências do acidente nuclear de Chernobyl. Concentrando-se nas repercussões emocionais e nas marcas que o desastre deixou naqueles que vivem próximos a zona radioativa, o filme tece sua trama na união do passado, do presente e da memória.

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Em As Veias do Mundo, a resistência vem da terra

A “árvore da vida”, que marca o filme presente na 44º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)

Caroline Campos

“Até hoje, um quinto da Mongólia foi delimitado para a mineração. 391 lagos, 344 rios e 760 nascentes secaram e muitos estão envenenados pela mais ativa indústria de mineração do mundo”. É com essa declaração que Byambasuren Davaa decide por encerrar seu novo filme, As Veias do Mundo, exibido na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Integrante da Perspectiva Internacional, o longa mongol-alemão é uma ode à resistência das populações nativas contra a tomada de suas terras. 

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Muito é o que parece em O Caminho para Moscou

Exibido na seção Perspectiva Internacional da Mostra de SP, o filme trata com leveza a polarização da Guerra Fria (Foto: Divulgação Imprensa)

João Batista Signorelli

Oriunda de um país com histórico político pouco convencional, a comédia suíça O Caminho para Moscou, exibida na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, não se isenta ao relembrar o vazamento de documentos da polícia que revelavam a invasão à privacidade de 900 mil pessoas. Ainda assim, a História é apenas pano de fundo para a narrativa que se destaca frente a esse cenário. 

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