O álbum parte da experiência da dor para construir um espaço de cura (Foto: Carlota Guerrero)
Victor Hugo Aguila
Com uma carreira artística consolidada, Solange é a prova de que a maturidade é uma raiz protuberante do sucesso. Através das objeções delicadas presentes no processo de crescimento pessoal, é desabrochado o trabalho mais emblemático e auspicioso da caçula da família Knowles, visto seu contato direto e familiar com a indústria fonográfica. A Seat at the Table, que completa 10 anos em 2026, rompe com a temporalidade, uma vez que as questões abordadas e o talento que o permeia são acrônicos.
Na arte oficial do álbum, Arca desmonta e reconstrói a sua essência, com uma referência estética e conceitual à capa de seu single @@@@@ (Foto: Frederik Heyman e Alejandra Ghersi Rodriguez)
Bruno Alvarenga
Alejandra Ghersi Rodriguez moldou sua carreira como Arca de forma selvagem e extrema. Seu estilo característico envolve texturas eletrônicas distorcidas projetadas para engolir e incomodar, além de visuais igualmente extravagantes, cuja temática mistura tecnologia e androginia de forma majestosa. Mesmo antes de dar à luz ao seu primeiro trabalho de estúdio, o disforme Xen (2014), a cantora, compositora e produtora de Caracas já vinha dominando seu território com outras composições autorais, além de parcerias com grandes nomes da indústria musical, como Kanye West, FKA twigs, Björk e Kelela.
No entanto, de maneira surpreendente, após o lançamento de KiCk i (XL Recordings, 2020), álbum que contou com as parcerias de SOPHIE, Shygirl, ROSALÍA e novamente Björk, Arca revelou o lançamento de outros quatro álbuns, completando o grandioso Kick. O projeto completo foi concebido como uma quebra explosiva contra a categorização e uma formulação artística da existência não-binária. Em KICK ii (XL, 2021), segundo capítulo da série, Arca segue o caminho a partir do seu álbum anterior.