Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez

Cena do filme Madagascar. Na imagem, os quatro personagens principais — Alex, o leão; Marty, a zebra; Melman, a girafa; e Gloria, a hipopótamo — estão em uma praia tropical. Eles estão lado a lado, parecendo surpresos e confusos. Ao fundo, há um mar azul brilhante e céu limpo. A areia é clara, a iluminação é forte e ensolarada, transmitindo o clima de um ambiente quente. Os personagens estão posicionados de frente, encarando algo fora da imagem.
Madonna, Jennifer Lopez e Gwen Stefani chegaram a ser cotadas para dar voz à personagem Glória. (Foto: DreamWorks Animation)

Marcela Jardim

Em 2005, Madagascar chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e aplausos diários. Mas quando Marty decide fugir do seu lar para conhecer o mundo real, a sua fuga desencadeia uma série de eventos que os levam até a ilha de Madagascar. Lá, eles têm contato com seu habitat natural pela primeira vez e começam a repensar o que é ter uma vida ‘normal’. O filme, com sua leveza, toca em temas mais profundos do que aparenta. Continue lendo “Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez”

O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente

Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra cinco personagens coloridos que estão de costas, observando através de janelas amplas que mostram ilhas flutuantes no mundo da mente. À esquerda, aparece uma ilha com um monumento familiar e casas aconchegantes; em seguida, uma ilha rosa com arcos e corações; após, uma ilha com elementos de hockey, como tacos e um ringue; à direita, uma ilha com brinquedos e mecanismos coloridos. Os personagens representam emoções: Raiva (vermelho, robusto), Medo (roxo, esguio), Alegria (amarela, iluminada), Tristeza (azul, encurvada) e Nojinho (verde, com braços cruzados). O cenário é vasto e imaginativo, com tons pastel e estruturas surreais.
Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes, mas decidiram por cinco – Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva – para tornar o filme menos complicado (Walt Disney Pictures)

Marcela Jardim

Lançado em 2015, Divertida Mente rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — uma transição que evoca o desconforto das primeiras vezes e a instabilidade emocional que costuma acompanhá-las. Dentro de sua mente, cinco emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – disputam o controle de suas reações, refletindo os conflitos internos que surgem diante do desconhecido. O filme cativou o público infantil com sua estética vibrante e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que conquistou os mais velhos na maneira que trata com delicadeza temas como amadurecimento e saúde mental.

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5 anos de Punisher: O fim está longe de ser aqui

Capa do álbum Punisher, de Phoebe Bridgers. Nela, vemos Phoebe, uma mulher branca de cabelos platinados. Ela veste um macacão preto com estampa de esqueleto. Ela está centralizada na parte inferior enquanto olha para cima. Ela está em um deserto, com uma montanha de fundo e uma noite estrelada. A imagem está tratada de forma que o chão está na cor vermelha e o fundo na cor azul
Olof Grind, fotógrafo responsável pela identidade visual do álbum, disse que o tom soturno da capa foi ideia de Phoebe, que queria a imagem mais assustadora possível (Foto: Dead Oceans)

Guilherme Veiga

Phoebe Bridgers talvez seja uma das artistas mais sinestésicas dessa nova safra do indie folk. Desde Strangers in the Alps, seu álbum de estreia, sua música tem cheiro, clima e cor de interior e isolamento. A voz serena e a harmonia calma de uma produção muita das vezes composta só por guitarra e violinos presente em sua discografia na carreira solo, dão a impressão de estarmos sozinhos em um ambiente em que gritar nosso sentimentos resultam neles te atingindo em forma de eco, por isso, a escolha de se recolher em sua própria autopiedade e depreciação.

É uma linha recorrente nos versos de artista o desejo de querer desaparecer, seja no sentido material da palavra ou até mesmo em ser abduzida por uma nave espacial. Ironicamente, Punisher, que completa cinco anos, veio no cenário favorável para que isso acontecesse. Com a pandemia de covid-19, grande parte do mundo tinha sumido para seu próprio universo particular. Porém, em efeito contrário, o fato de estarmos vivendo a reclusão e desconexão com si próprio já cantada por Phoebe só fez com que nos aproximássemos de sua obra no momento em que ela justamente transitava entre otimismo e esperança.

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A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo

Ellie é uma mulher branca de 19 anos com os cabelos morenos parcialmente presos em um coque. A mulher, localizada na extremidade direita da foto, utiliza uma blusa de frio preta e carrega, na mão esquerda, uma fonte de luz em formato de cano, que se assemelha a uma lanterna, apontada para o lado esquerdo do quadro. Ao lado esquerdo, fungos em formatos cilíndricos “agarram” um cadáver destruído e tomado pelo mesmo ser vivo, que é iluminado pela lanterna da personagem à direita.
A segunda temporada de The Last of Us diminui o ritmo do seriado (Foto: MAX )

Isabela Pitta

Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias pessoas são a principal fonte das atrocidades consideradas, desumanas. Porém, sem o ódio e o amor, o que sobra na essência humana? A segunda temporada de The Last Of Us chegou, em abril deste ano, às telas dos assinantes da MAX com medo de mergulhar de cabeça na essência dual e complexa de Ellie.  Continue lendo “A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo”

Em fase de libertação, MARINA substitui a profundidade pela diversão em PRINCESS OF POWER, mas às vezes beira o caricato

Capa de álbum musical com a cantora Marina Diamandis, 39 anos e pele branca, com penteado preto de coque alto despojado, sentada de costas e vestida de cropped corset branco, em que seus laços escrevem o título “Princess of Power”
Após quatro anos longe dos estúdios, MARINA retorna com seu sexto álbum PRINCESS OF POWER (Foto: Queenie Records)

Gabriel Diaz

Se o enfraquecimento comercial das últimas composições fez com que MARINA se dedicasse ao universo literário e à escrita de poemas em Eat the World: A Collection of Poems durante seu hiato musical, essa experiência transborda para PRINCESS OF POWER em versos imagéticos e cortantes — ou talvez não. O novo álbum marca o retorno de Marina Diamandis, não como uma artista que trocou a música pela literatura, mas como alguém que se reinventou e fundiu ambas linguagens para se manifestar como uma autonomia disfarçada de subversão criativa, ainda que o padrão da dualidade entre o senso crítico e o pop de sua carreira musical se mantenha.  Continue lendo “Em fase de libertação, MARINA substitui a profundidade pela diversão em PRINCESS OF POWER, mas às vezes beira o caricato”

Depois de 15 anos, Diamond Eyes ainda carrega a genuinidade de um álbum inesperado.

Texto Alternativo: Uma coruja branca de braços abertos, está em frente a um fundo preto. Ao lado esquerdo está o nome da banda junto ao nome do álbum, no canto inferior direito está o selo de restrição de idade.
O nome Diamond Eyes é uma tentativa de celebração a vida e ver a beleza que ela tem (Foto: Reprise Records)

Lucas Barbosa

Para alguns, Deftones tem certos períodos primordiais ao longo da sua trajetória. Primeiramente com Around the fur e todo seu som pesadíssimo que era condizente com o Nu Metal da época; White Pony, um dos álbuns que revolucionaria o Metal de sua época, e o período entre Saturday Night Wrist e Diamond Eyes, onde a banda faria uma revolução, mas na sua própria maneira de fazer Música. 

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A melancolia e a esperança em Circles, de Mac Miller, completam cinco anos

Capa do álbum "Circles", do cantor Mac Miller. São duas fotos sobrepostas, criando um efeito de movimento. Nas duas, o rapper aparece ao centro, usando uma blusa de frio preta, com a mão na cabeça. Em uma das fotos, Mac está de olhos fechados e com a cabeça tombada para o lado direito; na outra, com a cabeça parada ao centro e olhos abertos.
Circles, primeiro álbum póstumo de Mac Miller, completa 5 anos (Foto: Warner Records)

Ana Beatriz Zamai

O primeiro dos, até o momento, quatro álbuns póstumos de Mac Miller, foi lançado cinco anos atrás. Circles foi gravado em 2018, mesmo ano de lançamento de Swimming, quinto álbum do estúdio de Mac, e após a morte do rapper.  Contudo só foi divulgado em janeiro de 2020, quando a família pediu para o produtor Jon Brion finalizar a obra. Se destacando como um dos poucos rappers brancos – e bons – desse meio, Miller se afasta um pouco do rap para se misturar com o R&B.

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How Big, How Blue, How Beautiful: Há 10 anos, Florence Welch mergulhava em sua linda e triste imensidão

Capa de How Big, How Blue, How Beautiful. Nela vemos Florence Welch, uma mulher branca de cabelos ruivos. Ela veste uma camisa preta de manga comprida. Ela está arcada para frente com o ombro esquerdo um pouco abaixo da linha do direito. Sua mão direita está levantada, fazendo com que seu dedo direito apoie levemente seu queixo enquanto ele olha fixamente para frente. A foto está em preto e branco.
Terceiro álbum do grupo traz a versão mais pés no chão (mas não menos megalomaníaca) de sua frontwoman [Foto: Island Records]
Guilherme Veiga

Florence Welch sabe enganar muito bem. Quem ouve sua voz angelical ou já a escutou seus trabalhos anteriores, como Lungs e Ceremonials, de relance nem imagina que a frontwoman do Florence + The Machine reivindica todas as desgraças sentimentais existentes para si. A princípio pode até soar prepotente e egoísta uma pessoa achar que só ela detém de todo o sentimentalismo do mundo, mas é justamente na ignorância de que nenhuma experiência é única que How Big, How Blue, How Beautiful se torna tão singular.

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Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual

Na capa do álbum, Kali Uchis, mulher latina de 30 anos, aparece deitada sobre uma superfície rosa e brilhante que se assemelha a uma flor. Ela usa uma lingerie de cetim e sapatos que lembram sapatilhas de bailarina. Está com o cabelo solto. Ao fundo, uma tela exibe uma versão ampliada de sua expressão facial no momento da foto, como um reflexo projetado.
“Sincerely”, álbum lançado dia 9 de maio de 2025 (Foto: Capitol Records)

Talita Mutti

Uma garota que, aos 17 anos, foi expulsa de casa pode não ter muitas perspectivas de um futuro de sucesso. Afinal, viver sem a família, dormindo no banco de trás de um carro, não parece uma situação propícia para formar um gênio da música. No entanto, para quem sonha e entende seu propósito no mundo, isso pode ser apenas mais um obstáculo da vida. Se Kali Uchis, aos 23 anos, disse em Isolation, álbum lançado em 2018, que precisamos ser nossos próprios heróis e esperar o sol nascer depois da tempestade, hoje, aos 30, com uma carreira consolidada e sua própria família formada, ela prova que as flores cresceram em Sincerely, lançado em 9 de maio de 2025. Continue lendo “Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual”

Rua do Medo: Rainha do Baile faz pastiche de clássicos, mas sem replicar os motivos da honraria

Cena do filme Rua do Medo: Rainha do Baile Na imagem, o assassino do filme encara alguém para matar. Ele segura um machado com cabo de madeira, que está sujo de sangue na lâmina. O personagem usa uma capa de chuva vermelha e uma máscara dourada semelhante à do teatro grego.
Nova história acontece após os eventos do segundo filme da franquia (Foto: Netflix)

Davi Marcelgo 

O avassalador sucesso da trilogia Rua do Medo, em 2021, resultou na aposta de um quarto filme para a franquia: Rua do Medo: Rainha do Baile, dirigido por Matt Palmer. Inspirado em uma série de livros infantojuvenis de mesmo nome, a história em três partes concebida por Leigh Janiak era assumidamente uma homenagem ao slasher e ao folk à la A24. Ainda que as três obras tenham caído no gosto do público, nunca foram exemplares de uma boa reprodução dos códigos dos subgêneros que se inspira e esse lançamento da Netflix segue pelo mesmo caminho.  Continue lendo “Rua do Medo: Rainha do Baile faz pastiche de clássicos, mas sem replicar os motivos da honraria”