Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar

Cena de Vestida para Matar. Retrato em close-up de Liz, uma mulher loira com cabelos volumosos e cacheados, adornados com uma presilha brilhante. Ela veste um casaco de textura felpuda na cor roxa vibrante. A iluminação é dramática, destacando seus olhos claros e lábios pintados, com luzes de cidade desfocadas ao fundo.
Nancy Allen e Brian De Palma já foram casados (Foto: Filmways Pictures)

Guilherme Moraes

No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas histórias exatamente, mas os diretores partiam de um filme já concebido e o deformavam. Nesse sentido, um dos artistas que mais chamou a atenção foi Brian De Palma, grande fã de Alfred Hitchcock. Se Trágica Obsessão (1976) foi a sua versão de Vertigo (1958), então Vestida para Matar (1980) é seu próprio Psicose (1960).

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15 anos, 7 ex-namorados e uma estética inconfundível em Scott Pilgrim Contra o Mundo

Assim como nos quadrinhos, o filme se passa em Toronto, no Canadá (Foto: Universal Pictures)

Lara Fagundes

Em um mundo em que  adaptações costumam significar apenas copiar e colar o enredo na  tela, Scott Pilgrim Contra o Mundo fez muito mais do que isso. O longa-metragem não apenas levou o enredo de Bryan Lee O’Malley para o cinema, como também trouxe consigo a linguagem visual da história em quadrinhos. Por isso, 15 anos após sua estreia, o filme ainda é um marco cinematográfico na indústria de mixed media. Embora subestimada, sua proposta estética traduz com precisão o universo das HQs em uma obra cheia de originalidade.

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15 anos de Shrek para Sempre: revolução, família e amor são tudo aquilo que Shrek oferece

Fotografia de Shrek, ogro verde careca, Fiona, uma ogra de cabelo vermelho trançado e seus três filhos, bebês também ogros, dois meninos nas pontas e uma menina no centro. Shrek e Fiona vestem roupas marrom e bege, respectivamente. Ambos sorriem um para o outro enquanto seus filhos interagem entre si, também sorridentes.
A saga é uma adaptação do livro infantil Shrek, publicado pelo autor norte-americano William Steig (Foto: DreamWorks Animation)

Alice Burégio 

Toda criança já assistiu Shrek para Sempre. Dirigido por Mike Mitchell e escrito por Josh Klausner e Darren Lemke, é perceptível o impacto cultural e social que esse filme tem, mesmo depois de 15 anos de seu lançamento. De certa forma, a obra traz algumas lições de moral ao longo de sua extensão, sobre como as aparências não descrevem aquilo que arde no interior da pessoa, por exemplo, ideia muito explorada na saga da DreamWorks. 

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Após eternizá-lo na história, Senna: O brasileiro, O herói, O campeão, completa 15 anos

A foto evidencia um piloto sentado dentro de um carro de corrida, com expressão séria e concentrada, enquanto um membro da equipe ajusta algo próximo ao cockpit e segura um capacete colorido. O veículo exibe patrocínios em destaque, e o ambiente ao redor sugere os preparativos intensos antes de uma prova.
Senna conquistou 80 pódios na F1, sendo mais da metade deles no primeiro lugar (Foto: Paramount Pictures)

Livia Queiroz

Em abril de 1994, o Brasil abriu uma ferida que nunca mais se fecharia, da qual apenas poderia ser amenizada pelo passar do tempo. Ayrton Senna da Silva, o herói do Brasil, morreu em um trágico acidente no Grande Prêmio de Ímola, na Itália. O piloto era um dos maiores – se não o maior – nomes do esporte brasileiro na época, e querido por todo o seu país. E para relembrar e aquecer a saudade que o povo carrega, há 15 anos, foi lançado o documentário Senna: O brasileiro, O herói, O campeão. A obra, dirigida por Asif Kapadia, venceu em 2010 o BAFTA por Melhor Documentário. 

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Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa

Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente.
Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)

Marcela Jardim

Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.

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Em Marty Supreme o jogo é secundário e a jornada é tortuosa

Cena de Marty Supreme. O cenário é de um ginásio com iluminação dramática. O ator Timothée Chalamet, caracterizado com bigode e óculos de grau, está em foco no centro da imagem. Ele veste uma camisa polo preta com um escudo bordado no peito e calças sociais cinzas. Ele segura uma raquete de tênis de mesa vermelha, apontando-a para a frente em uma pose de ação. O fundo está desfocado, mostrando uma plateia em uma arena esportiva escurecida.
Timothée Chalamet tem construído uma carreira interessante com projetos diferentes entre si, como Duna, Me Chame Pelo Seu Nome e Wonka (Foto: A24)

Guilherme Moraes

Josh Safdie chamou muito a atenção em 2019 com o lançamento de Joias Brutas, ao trazer Adam Sandler sobre um papel mais ‘sério’ em um filme em que as ações e acontecimentos se engolem de tanta velocidade. Em Marty Supreme o diretor repete a dose, mas desta vez colocando um dos nomes mais interessantes da geração sob os holofotes: Timothée Chalamet. O intérprete se cria como um trambiqueiro que busca fazer sucesso no ping-pong, porém, mostra que o mais importante no esporte está fora dos ginásios.

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Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator

Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada.
O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.

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No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto

Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras.
A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)

Arthur Caires

A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no Festival do Rio – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.

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Os Dardenne e o olhar de dignidade sobre a maternidade precoce em Jovens Mães

Uma cena em plano médio mostra uma área comum de um abrigo. Uma mulher vestindo um jaleco branco segura uma prancheta e conversa com uma jovem negra de jaqueta vermelha. Ao fundo, outras três jovens brancas estão presentes: uma sentada segurando um bebê no colo, uma em pé visivelmente grávida, e outra sentada à mesa olhando para a direita. O ambiente é doméstico e iluminado por luz natural.
O filme observa o cotidiano do abrigo em Liège, onde o cuidado profissional e as políticas públicas oferecem suporte à realidade complexa (Foto: Vitrine Filmes)

Arthur Caires

A câmera dos irmãos Dardenne se aproxima com discrição em Jovens Mães. O objetivo não é espetacularizar a maternidade precoce, mas acompanhá-la. O filme observa adolescentes que ainda estão aprendendo a existir enquanto já assumem a responsabilidade de cuidar de outra vida. O cotidiano do abrigo, os choros, os silêncios e os olhares cansados constroem uma história que prefere escutar do que impactar. Não há esforço em emocionar o espectador; há a escolha de permanecer próximo dessas jovens.

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Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir

Cena do filme Avatar: Fogo e Cinzas. Na imagem, Neytiri está furiosa, apontando um arco e flecha para um adversário. Ela possui pele azul escuro, mas está utilizando maquiagem de guerra, que consiste em faixas uniformes nas cores branca, amarela e verde. Neytiri usa tranças escuras na cabeça e alargadores nas orelhas. A iluminação é noturna com luminosidade laranja, causada pela presença de fogo no ambiente. O fundo está desfocado.
Este é o terceiro capítulo da longa história arquitetada por James Cameron (Foto: Disney)

Davi Marcelgo

Se James Cameron fosse ao médico, o profissional indicaria que ele não fizesse ego search no Google ou em redes sociais, pois ele esbarraria com duas possibilidades: as publicações que fazem a ingrata equivalência de roteiro versus visual e aquelas que especulam se o longa vai se pagar. Poucos críticos e entusiastas de Cinema querem comentar sobre o filme fora destes escopos. O cineasta não tem que provar para ninguém, exceto aos acionistas da Disney, o porquê de precisar filmar o próximo conto de Pandora. Para além disso, qual é a de Avatar: Fogo e Cinzas Continue lendo “Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir”