Assim como nos quadrinhos, o filme se passa em Toronto, no Canadá (Foto: Universal Pictures)
Lara Fagundes
Em um mundo em que adaptações costumam significar apenas copiar e colar o enredo na tela, Scott Pilgrim Contra o Mundo fez muito mais do que isso. O longa-metragem não apenas levou o enredo de Bryan Lee O’Malley para o cinema, como também trouxe consigo a linguagem visual da história em quadrinhos. Por isso, 15 anos após sua estreia, o filme ainda é um marco cinematográfico na indústria de mixed media. Embora subestimada, sua proposta estética traduz com precisão o universo das HQs em uma obra cheia de originalidade.
Dentre os rostos marcados pela neve e pela culpa, o horror de O Telefone Preto 2 é mais psicológico do que físico (Foto: Universal Pictures)
Gabriel Diaz
Após quatro anos do primeiro longa, o horror já não está apenas à espreita no porão claustrofóbico, mas se instala na mente, no sonho, no limiar entre o que se vê e o que se teme. Scott Derrickson retorna ao universo da obra original de Joe Hill, tentando expandir uma história que, no primeiro filme, parecia já ter alcançado seu fim natural. Conhecido por unir fé e medo em clássicos como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012),o diretor retoma aqui temas que o fascinam: o trauma, o sagrado e o invisível. O Telefone Preto 2 é, ao mesmo tempo, uma continuação e uma reflexão sobre o que resta do terror quando o monstro morre, porém o medo permanece. O resultado é uma produção ambiciosa e visualmente intrigante, embora irregular no equilíbrio entre simbologia e narrativa.
Aviso: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis.
O filme teve uma sessão na Mostra em SP antes mesmo de sair o trailer (Foto: Universal Pictures)
Guilherme Moraes
Um dos longas mais aguardados da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Brutalista, que fez parte da seção Perspectiva Internacional, é o clássico filme que recebe indicações na temporada de premiações. O teor biográfico, as atuações sisudas, os movimentos de câmeras sutis e uma trilha sonora pensada previamente para tomar a sala de cinema e criar algo mais sensorial são exemplos disso. No entanto, eles não foram usados de maneira vazia. Brady Corbet consegue aderir a todos os elementos que a Academia gosta para contar um épico sobre a desconstrução dos Estados Unidos como um país grandioso e terra da liberdade.
O filme foi vencedor da Palma de Ouro da 77ª edição do Festival de Cannes (Foto: Universal Pictures)
Davi Marcelgo
No pódio dos filmes mais aguardados pelo público da programação da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Anora só fica atrás de Ainda Estou Aqui. O novo longa de Sean Baker (Projeto Flórida) faz parte da seção Perspectiva Internacional e narra a história de Anora (Mikey Madison), uma prostituta que é pedida em casamento por Ivan (Mark Eidelstein), um jovem russo podre de rico que está em temporada de férias nos EUA. Não demora muito para o sonho cor-de-rosa da personagem começar a desbotar.
Em algum momento você não está mais crescendo, você está envelhecendo, mas ninguém consegue identificar exatamente esse momento (Foto: Universal Studios)
Leticia Stradiotto
A primeira cena de Boyhood: Da Infância à Juventude é um céu nublado, mas muito azul. Yellow, do Coldplay, toca ao fundo. Logo, somos apresentados a um menino que observa o céu, deitado na grama com o braço dobrado sob a cabeça. Essa criança nos introduz a um rosto que não conhecemos e se torna familiar em pouco tempo, pois enquanto ela observa o céu, nós a observamos crescer e abraçar o mundo – entre os céus claros e escuros.
Você já se perguntou como as pessoas envelhecem nos filmes? Normalmente, essas impressões são realizadas através de maquiagens bem elaboradas, técnicas avançadas de edição e efeitos especiais para simular a passagem do tempo. No entanto, em Boyhood (no original), Richard Linklater optou por uma abordagem radicalmente diferente e autêntica: a obra foi gravada ao longo de 12 anos consecutivos, permitindo que o envelhecimento dos personagens acontecesse de forma completamente natural.
O que faz uma ceia de Natal? A comida ou a companhia? (Foto: Universal Pictures)
Laura Hirata-Vale
Dezembro de 1970. Nos dormitórios da Barton Academy, os estudantes fazem suas malas para o tão aguardado recesso de Natal. É hora de voltar para a casa, rever a família e usufruir das festas de fim de ano. Porém, um grupo seleto de estudantes fica na escola: esses poucos alunos – conhecidos como Os Rejeitados – ficam sob os cuidados do difícil professor Paul Hunham (Paul Giamatti) e da enlutada cozinheira-chefe Mary Lamb (Da’Vine Joy Randolph). Em The Holdovers, lançado em 2023, vemos como o feriado natalino mexe com os sentimentos, e como a saudade, a dor e a felicidade se revelam – seja por meio de milagres ou por meio da força.Continue lendo “Um feliz Natal… até para Os Rejeitados!”
Herói ou vilão? Algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio (Foto: Universal Pictures)
Pâmela Palma
O novo filme de Christopher Nolan (Tenet) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. Oppenheimer chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção de retratar biograficamente a vida do físico e cientista J. Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan e pelas duas grandes bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki como ultimato para cessar a Segunda Guerra Mundial em 1945.
A Universal Studios pagou US$ 400 milhões pelos direitos de O Exorcista (Foto: Universal Pictures)
Davi Marcelgo
O Exorcismo de Emily Rose (2005), Exorcistas do Vaticano (2015), O Exorcismo da Minha Melhor Amiga (2022),O Exorcista do Papa (2023): existem mais filmes de esconjuração do que demônios na vida real. Muitos tentaram replicar o sucesso do clássico de 1973, O Exorcista, outros preferiram distanciar-se e fizeram terror do seu próprio jeito; mas ano vai, ano vem e o ato profano de William Friedkin continua irretocável. Em 2023, com a mais nova sequência, o dogma não muda.
Quem não ama uma boyband? (Foto: Universal Pictures)
Agata Bueno
O terceiro filme da saga Trolls não é só para crianças e nem para quem chegou de paraquedas na relação entre os Bergens e as pequenas criaturas de cabelo colorido. A terceira animação da franquia acerta, mais uma vez, em abordar situações complexas do mundo real a partir do ponto de vista dos seres fãs de abraços. Com trocadilhos bem colocados entre as aventuras dos personagens e um amadurecimento das relações vistas inicialmente, Trolls 3 – Juntos Novamente mescla um humor um tanto mais crescido com cores vibrantes.
Richard Curtis é o roteirista de comédias românticas famosas como Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) e Simplesmente Amor (2003) [Foto: Universal Pictures]Henrique Marinhos
Lançado em 2013, Questão de Tempo foi um experimento muito bem-vindo. Dirigida e roteirizada por Richard Curtis, a comédia romântica, que completa uma década em 2023, explora as possibilidades e os limites das viagens no tempo, tanto como um recurso narrativo quanto uma metáfora para as escolhas e os arrependimentos da vida. O maior acerto do clássico moderno e despretensioso é não se preocupar em explicar mirabolantemente as ciências da viagem no tempo, mas usar seu espaço para relacionar a temporalidade – que quase se personifica – aos afetos dos personagens e suas relações com o mundo.