Aniquilação e o papel do “eu” num mundo repleto de cópias

Dirigido por Alex Garland, ficção científica traz Natalie Portman comandando um elenco de respeito (Foto: Netflix)

Vitor Evangelista

A fusão entre ficção científica e filosofia está presente na Sétima Arte desde muito antes dos filmes de Stanley Kubrick ou James Cameron. A maneira como essa arte apresenta aspectos íntimos do ser humano e os debate em ambientes místicos e distantes da realidade vivida pelo homem ecoa na mente do espectador, brindando a ele obras-primas e filmes com muito significado a ser discutido.

Aniquilação, distribuído pela Netflix, dirigido por Alex Garland e protagonizado por Natalie Portman, faz jus ao gênero cientifico-filosófico ao narrar a história de um grupo de cientistas que partem numa missão secreta. Essa que acaba por culminar num território vivo que desafia as leis de natureza e oferece perigos ao mundo.

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O niilismo divertido de The End of the F***ing World

Gabriel Leite Ferreira

A casualidade às vezes nos reserva boas surpresas. Foi sem muito entusiasmo que comecei a assistir ao primeiro episódio de The End of the F***ing world, série em oito partes disponibilizada pela Netflix no começo do mês. Tiro e queda: devorei os sete episódios que restavam de uma tacada só, sem intervalos.

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Stranger Things 2 mostra que seu sucesso não foi passageiro

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(Foto: Netflix)

Gabriel Soldeira

Quando foi lançada, em julho de 2016, ninguém poderia imaginar o sucesso estrondoso que Stranger Things faria. Com apenas oito episódios, a série entrou quase instantaneamente para a cultura pop, criando uma legião de fãs de todas as idades. Os mais velhos viram a série como um raio de nostalgia, tendo incontáveis referências a filmes, livros e músicas dos anos 80. Já os mais jovens foram introduzidos a essa cultura da forma mais amigável possível.

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A Castlevania de Netflix é um brinde de sangue às séries animadas

netflix castlevania logo

Adriano Arrigo

Existe uma linha de desenhos animados que foram esquecidos na virada do século mas que parecem ter sido recuperados em Castlevania, a nova série do Netflix, baseada na série homônima de games iniciada em 1986. Tratam-se de obras televisas vindas principalmente do Japão, como Angel Cop (1989) e Gynocyder (1993). Nesses desenhos, qualquer deslize besta da protagonista é motivo para que seu cérebro possivelmente exploda e espirre em uma parede banhada com seu próprio sangue. Continue lendo “A Castlevania de Netflix é um brinde de sangue às séries animadas”

Para além do gênero, Laerte-se

laerteseAdriano Arrigo

Laerte é uma ótima representação de como as HQs se comportaram nos últimos 30 anos no país. Ácidos e meio desengonçados, seus inúmeros quadrinhos também são palco para inúmeros personagens carismáticos em traços simples que sempre revelaram seu lado humorístico, surreal e onírico, típico do universo das tirinhas brasileiras. Com mais de 30 anos de carreira, foi somente nos últimos anos que Laerte tomou os holofotes brasileiros, porém não por causa de seu talento inquestionável, mas sim pela sua identidade de gênero. Hoje temos a Laerte que, além de cartunista, é, por bem ou por mal, um dos centros das discussões de identidade de gênero. Continue lendo “Para além do gênero, Laerte-se”

The Get Down parte 2: do Bronx ao mundo

Imagem The Get Down

Matheus Rodrigo

Atualmente, o enfoque da indústria de entretenimento é atingir todos e todas. O plano é incluir, mas, às vezes, não necessariamente incluir representatividade. No momento da produção de conteúdo, procura-se atingir todos os nichos, ter demanda, falar com o público sobre assuntos complexos de forma simples. The Get Down é uma das séries da Netflix que aposta nisso. Continue lendo “The Get Down parte 2: do Bronx ao mundo”

A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade

dale-cooper-2017Bárbara Alcântara

Mistério, assassinato, violência e uma dose de nudez desnecessariamente explícita – tudo isso coroado por cenas que transitam entre o sonho, o pesadelo e uma bad trip de LSD. Esses foram os dois primeiros episódios da terceira temporada de Twin Peaks: muito Lynch e pouca nostalgia. Continue lendo “A terceira temporada de Twin Peaks: Muito além da pequena cidade”

Segunda temporada de Master of None: quando o amor é um ato político

Uma das poucas imagens de Dev com Sara
Uma das poucas imagens de Dev com Sara

Bárbara Alcântara

(Atenção: texto contém spoilers!)

Dirigida, produzida e protagonizada pelo comediante indiano Aziz Ansari, Master of None coloca o dedo nas várias feridas da sociedade. Mas ao invés de machucar, faz cócegas: assim como o “Everybody Hates Chris” de Chris Rock, usa o humor para fazer uma crítica social leve e quase didática. Na segunda temporada, lançada no dia 12 de maio, esta característica foi ainda mais explorada: as risadas arrancadas do público dialogam com questões atuais como o racismo, o sexismo e a homofobia. Continue lendo “Segunda temporada de Master of None: quando o amor é um ato político”

13 Reasons Why: os abusos sistemáticos a uma adolescente

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Gabriela Abreu e Camila Rodero

(Essa crítica contém spoilers!)

Se você frequentou redes sociais nos primeiros dias depois do lançamento de 13 Reasons Why, é possível que você tenha visto mais alertas de gatilho nesse período do que em uma vida de programas policiais sensacionalistas. O motivo, e na verdade é importante que isso esteja claro, são as temáticas de suicídio na adolescência e estupro.
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Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra

Poster

Leonardo Teixeira e Matheus Dias

“Eles estão pouco se fodendo para a Harriet Tubman!”, grita Coco Conners (Antoinette Robertson) na desesperadora cena de abertura de Cara Gente Branca (Dear White People), produção da Netflix concebida por Justin Siemen e lançada em abril deste ano. A referência à importante figura do ativismo negro é apenas um exemplo do alerta importante que a série faz: temos medo de tocar nos assuntos espinhentos. Uma festa de blackface (em que se pinta o rosto de preto, numa tentativa infeliz de incorporar uma identidade visual negra) é o ponto de partida da obra para dissecar o racismo institucional nas universidades, a militância negra e, por tabela, a sociedade pós-moderna. Continue lendo “Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra”