Diário da Queda: uma construção do sujeito

Edição Lançada em 2011 pela Companhia das Letras (Foto: Reprodução)

Isabella Siqueira

O escritor e jornalista brasileiro Michel Laub traz em seu livro Diário da Queda um retrato comovente de três gerações marcadas pelo passado, junto de uma reflexão dos acontecimentos que constroem o que somos. Lançado em 2011 pela editora Companhia Das Letras, o livro escrito na forma de diário apresenta personagens não nomeados e uma questão central, “E como um indivíduo se torna aquilo que é?”.

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História de um Casamento é quase um pesadelo

O filme é uma das grandes apostas da Netflix para a temporada de premiações (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

O novo filme de Noah Baumbach pode ser caracterizado como o reflexo honesto de um grande pavor do ser humano: o de acabar ciclos. A grande estrutura familiar que desmorona, a mudança entre cidades e o fim de uma relação que se constrói em diversas facetas e camadas, aqui temos amor, amizade, dor, medo. O diretor cria um ‘pesadelo’ à luz do dia quando conta o fim do matrimônio entre Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver). História de um Casamento é, acima de tudo, sobre como lidamos com sentimentos que não cabem mais onde estavam.

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O Irlandês assusta pela comodidade

O Irlandês é o filme mais importante lançado pela Netflix até hoje, tanto pelo orçamento astronômico quanto pelos nomes por trás do projeto (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Martin Scorsese é um diretor de excessos. O gênio do cinema já se aventurou por uma série de gêneros e estilos, todavia, foi contando histórias de mafiosos e italianos que ele encontrou louros. É claro que não podemos definir e limitar seu cinema a isso, algo assim seria um equívoco sem igual. Mas o imaginário popular e qualquer busca rápida sempre leva o nome de Scorsese casado à produções como Os Bons Companheiros (1990) ou Cassino (1995). O elemento que amalgama a arte de Martin, e seu discurso cinematográfico como um todo, é também o cerne das aventuras que decide contar: o legado que os homens deixam para o futuro. E em O Irlandês, no terreno conhecido de caras maus e crimes à luz da lua, Scorsese maquina seu primoroso pedaço de arte.

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AHS 1984 é a antítese perfeita dos anos oitenta

As principais inspirações para a temporada são Sexta Feira 13, Halloween e A Hora do Pesadelo (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Ryan Murphy é uma fábrica de fazer séries. Apenas listando as produções que ele idealizou nos últimos meses, a lista é extensa. Seja com Pose, drama sobre a comunidade trans nos anos oitenta, onde ele toca em pontos sensíveis e brutos de uma realidade humana, ou na sátira engravatada de The Politician, que não fede nem cheira, em American Horror Story, o produtor brinca com elementos de terror e medo para contar fábulas táteis a quem assiste.

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A Lavanderia é uma bagunça

A Lavanderia é uma das apostas da Netflix para a temporada de premiações (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

‘Quando se tem olhos, é impossível olhar para o nada. Você sempre está perante alguma coisa, baleias, o mar.’ Quando Barb (Jane Morris) diz isso antes de morrer no trágico acidente que enviuvou Ellen (Meryl Streep), A Lavanderia cria uma inusitada e pessimista dicotomia dentro da estranha narrativa que quer contar. Passados os créditos do longa de Steven Soderbergh, é possível afirmar que sim, mesmo tendo olhos, acabamos de olhar para 96 minutos de nada. 

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Série Napolitana: uma turbulenta e sincera amizade

Tetralogia Napolitana é composta por quatro livros editados no Brasil pela Biblioteca Azul (Foto: Reprodução)

Isabella Siqueira

A Série Napolitana, escrita pela autora italiana que atende pelo pseudônimo de Elena Ferrante, é a história de uma amizade entre duas mulheres durante toda a vida. A autora que permanece em segredo conseguiu apresentar uma relação tão complexa quanto as próprias protagonistas. Os quatro livros que compõe a série são: A Amiga Genial (2011), História do Novo Sobrenome (2012), História de Quem Foge e de Quem Fica (2013), e História da Menina Perdida (2014). Eles narram a intensa amizade entre Lenu e Lila da infância até a velhice. 

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Quem é Quem: quando o nonsense encontra o riso fácil

Viviane Araújo e Eri Johnston, as estrelas de Quem é Quem (Foto: Assessoria)

Mateus Conte

A peça Quem é Quem, protagonizada por Eri Johnson e Viviane Araújo e encenada no dia 22 de setembro no Teatro Municipal de Bauru, representa bem as comédias de relacionamento que vemos frequentemente nos palcos brasileiros.

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Zeca Pagodinho está ainda ‘Mais Feliz’

“Anjo do Samba” foi como sua madrinha Beth Carvalho apelidou o sambista (Foto: Reprodução)

Rayanne Candido

“Nós somos feitos um pro outro de encomenda/ Como a chave e a fenda, como a luva e a mão/ O nosso amor é kama sutra, é juventude/ É demais, parece um grude/ Corpo, alma e coração”. Esse trecho faz parte de Mais Feliz, composição de Toninho Geraes regravada por Zeca e usado na abertura de seu novo álbum. Um lançamento de uma das maiores figuras do Brasil é muito mais do que somente uma coleção de canções, é um convite a relembrar toda a trajetória que marcou o país. É sinônimo da genuína brasilidade.

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Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão

Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas.

Cena do filme Elena. A imagem mostra duas mulheres flutuando num rio de águas escuras. As duas mulheres estão do lado esquerdo da imagem, e a primeira está na parte de baixo, na horizontal, com a cabeça para o lado direito e os pés em direção ao centro da imagem, virados para o lado esquerdo; e a segunda na parte de cima, de cabeça para baixo, na diagonal. As duas usam vestidos longos em tons de bege. O fundo é preto.
O documentário Elena mistura realidade e ficção para contar a história de vida da irmã da cineasta Petra Costa, diretora de Democracia em Vertigem (Foto: Busca Vida Filmes)

Raquel Dutra 

O segundo longa-metragem de Petra Costa leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, Elena toca em debates ultra sensíveis acerca de suicídio e depressão, ao mesmo tempo em que carrega o valor de ser considerada como uma obra marcante da documentarista. No filme, tudo tem um único fim: construir um retrato íntimo e profundo da vida de Elena, que aos vinte anos, tratando de doenças psicológicas e tentado se reerguer de desilusões profissionais, findou a sua própria vida.

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Dor e Glória molda arte ao redor do passado e do cinema

Dor e Glória foi o filme escolhido para representar a Espanha no Oscar 2020 (Foto: Reprodução)

Vitor Evangelista

Não, Dor e Glória (Dolor y Gloria, no original) não é um filme autobiográfico. Seu realizador, o notório Pedro Almodóvar, prefere o termo autoficção. Caminhando em território poético, o cineasta conta uma história íntima sobre amores, perdas e sobre o passado de um diretor de cinema, brilhantemente vivido por Antonio Banderas.

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