A melancolia e a esperança em Circles, de Mac Miller, completam cinco anos

Capa do álbum "Circles", do cantor Mac Miller. São duas fotos sobrepostas, criando um efeito de movimento. Nas duas, o rapper aparece ao centro, usando uma blusa de frio preta, com a mão na cabeça. Em uma das fotos, Mac está de olhos fechados e com a cabeça tombada para o lado direito; na outra, com a cabeça parada ao centro e olhos abertos.
Circles, primeiro álbum póstumo de Mac Miller, completa 5 anos (Foto: Warner Records)

Ana Beatriz Zamai

O primeiro dos, até o momento, quatro álbuns póstumos de Mac Miller, foi lançado cinco anos atrás. Circles foi gravado em 2018, mesmo ano de lançamento de Swimming, quinto álbum do estúdio de Mac, e após a morte do rapper.  Contudo só foi divulgado em janeiro de 2020, quando a família pediu para o produtor Jon Brion finalizar a obra. Se destacando como um dos poucos rappers brancos – e bons – desse meio, Miller se afasta um pouco do rap para se misturar com o R&B.

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How Big, How Blue, How Beautiful: Há 10 anos, Florence Welch mergulhava em sua linda e triste imensidão

Capa de How Big, How Blue, How Beautiful. Nela vemos Florence Welch, uma mulher branca de cabelos ruivos. Ela veste uma camisa preta de manga comprida. Ela está arcada para frente com o ombro esquerdo um pouco abaixo da linha do direito. Sua mão direita está levantada, fazendo com que seu dedo direito apoie levemente seu queixo enquanto ele olha fixamente para frente. A foto está em preto e branco.
Terceiro álbum do grupo traz a versão mais pés no chão (mas não menos megalomaníaca) de sua frontwoman [Foto: Island Records]
Guilherme Veiga

Florence Welch sabe enganar muito bem. Quem ouve sua voz angelical ou já a escutou seus trabalhos anteriores, como Lungs e Ceremonials, de relance nem imagina que a frontwoman do Florence + The Machine reivindica todas as desgraças sentimentais existentes para si. A princípio pode até soar prepotente e egoísta uma pessoa achar que só ela detém de todo o sentimentalismo do mundo, mas é justamente na ignorância de que nenhuma experiência é única que How Big, How Blue, How Beautiful se torna tão singular.

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Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual

Na capa do álbum, Kali Uchis, mulher latina de 30 anos, aparece deitada sobre uma superfície rosa e brilhante que se assemelha a uma flor. Ela usa uma lingerie de cetim e sapatos que lembram sapatilhas de bailarina. Está com o cabelo solto. Ao fundo, uma tela exibe uma versão ampliada de sua expressão facial no momento da foto, como um reflexo projetado.
“Sincerely”, álbum lançado dia 9 de maio de 2025 (Foto: Capitol Records)

Talita Mutti

Uma garota que, aos 17 anos, foi expulsa de casa pode não ter muitas perspectivas de um futuro de sucesso. Afinal, viver sem a família, dormindo no banco de trás de um carro, não parece uma situação propícia para formar um gênio da música. No entanto, para quem sonha e entende seu propósito no mundo, isso pode ser apenas mais um obstáculo da vida. Se Kali Uchis, aos 23 anos, disse em Isolation, álbum lançado em 2018, que precisamos ser nossos próprios heróis e esperar o sol nascer depois da tempestade, hoje, aos 30, com uma carreira consolidada e sua própria família formada, ela prova que as flores cresceram em Sincerely, lançado em 9 de maio de 2025. Continue lendo “Em Sincerely, Kali Uchis expõe suas vulnerabilidades com lirismo denso, mas não foge da estética habitual”

JPEGMAFIA e Flume mergulham na experimentação musical e flertam com o delírio em We Live In A Society

Aperto de mão entre duas pessoas, uma de pele preta e outra de pele branca, com fundo branco.
“We Live In A Society”, lançado dia 2 de maio (Foto: Flume)

Talita Mutti

O processo de construção de um projeto musical pode levar tempo e exigir muito estudo, principalmente quando se trata de um álbum que precisa carregar um conceito e coerência entre as faixas. Em um EP (Extended Play), há apenas a junção de algumas músicas que não necessariamente seguem um sentido conceitual, mas que apresentam um novo estilo ou funcionam como um teste fora do habitual do artista. JPEGMAFIA e Flume parecem ter brincado um pouco com essa definição em ”We Live In A Society”, lançado em maio de 2025. Os dois já haviam colaborado anteriormente em “How To Build A Relationship, para uma das faixas da mixtape Hi This Is Flume. Mas, desta vez, encontramos uma curta sessão musical entre dois artistas que pode ser proveitosa, peculiar e altamente experimental.

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Em Kansas Anymore (The Longest Goodbye), Role Model dá a devida despedida ao amor do passado

Capa do álbum Kansas Anymore (The Longest Goodbye) do Role Model. A imagem em preto e branco mostra um Tucker vestindo um casaco de couro e um chapéu de cowboy, de perfil, com o olhar voltado para baixo. O nome do artista e o título do álbum estão escritos em branco e amarelo.
O deluxe já acumula mais de 12 milhões de streamings nas plataformas digitais (Foto: Interscope Records)

Isabela Nascimento

Em Fevereiro deste ano, Tucker Pillsbury lançou o deluxe do seu disco mais recente, Kansas Anymore (The Longest Goodbye). A sua nova versão traz quatro músicas inéditas, colocando o ponto final na sua última história de amor.  A versão original foi lançada em Julho de 2024, como seu segundo álbum de estúdio, Kansas Anymore. Nessa produção, o cantor traz uma nova versão de si mesmo, abandonando sua persona rapper apresentada no seu primeiro disco, Rx (2022). Nesse novo projeto, o americano se apresenta como um artista de pop rock, com influências do country atual. Essa troca de estilo fez público conhecer o outro lado de Pillsbury e ajudou a chamar uma fanbase mais engajada.

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10 anos de Eyes Wide Open: o início da carreira musical promissora de Sabrina Carpenter

Capa do álbum Eyes Wide Open de Sabrina Carpenter, apresentado em duas cores principais, azul e laranja, presentes no título e na imagem da cantora deitada olhando para a câmera em um suéter off-white e atrás uma janela iluminada com discos, uma vitrola em maleta e uma caixa de som.
A cantora Meghan Trainor é autora de duas músicas do primeiro álbum de Sabrina Carpenter: Can’t Blame A Girl For Trying e Darling I’m A Mess (Foto: Hollywood Records)

Livia Queiroz 

Você é do tipo de pessoa que vive juventude de forma leve e que preza pelo maior número de experiências possíveis, de certo modo, inconsequente, ou do tipo que se vê preocupada com o presente e o futuro, parecendo muito madura para sua própria idade? Não se preocupe, ambas situações são normais na vida de um adolescente. É sobre essa fase memorável que Sabrina Carpenter canta em seu debut. Eyes Wide Open te leva em uma jornada pela adolescência em sua essência: erros, acertos, paixões, amizades e inseguranças. 

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Selena Gomez disse I Said I Love You First para Benny Blanco, mas ninguém tinha perguntado nada


Na capa de I Said I Love You First observamos Selena Gomez e Benny Blanco por meio de uma fechadura, como se estivéssemos espiando um momento íntimo (Foto: Interscope Records)

Arthur Caires

Selena Gomez tem uma carreira musical carregada de hits. Desde o começo, quando estava fazendo músicas contratuais para a Disney, ela entregava ‘farofas’ marcantes como Slow Down e Love You Like A Love Song. Já em 2015, quando conseguiu mais controle artístico com Revival, ela foi pioneira no pop ASMR com as deliciosas Hands To Myself e Good For You. Na era dourada dos singles avulsos em 2017, a cantora lançou algumas de suas melhores faixas, como Bad Liar e Fetish. Até mesmo o Rare, de 2020, tem Dance Again e Souvenir, que servem algum propósito.

Porém, ao longo dos últimos anos, foi possível perceber que a Música tratava-se mais de um hobby para Gomez do que algo que ela colocasse um esforço substancial. Logo após o lançamento de Emilia Pérez, em 2024, a atriz declarou em uma entrevista: “Será muito difícil para mim voltar para a Música algum dia”. Mesmo assim, após um período polêmico envolvendo seu namoro altamente público com o produtor Benny Blanco, a ex-Disney lançou um novo álbum.

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Os Melhores Discos de 2024

2024 foi o ano das mulheres, seja no pop, no rap ou no country (Texto de abertura e edição: Guilherme Veiga e Laura Hirata-Vale/Arte: Rafael Gomes)

Por mais impossível que pareça, até que dá para passar um ano inteiro sem ver filmes, ou até mesmo perder a temporada daquela única série que você assiste, mas experimenta ficar esse mesmo período sem Música? É praticamente impensável. E não há como fugir disso, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ela está lá, no carro da rua que passa tocando o hit do carnaval; no verão ensolarado é ela quem dá o clima; nos corações partidos, o primeiro ombro amigo vem de seus acordes e nas comemorações; é ela que intensifica a euforia.

Em 2024 não foi diferente, pra onde você olhava, havia Música, e melhor, ela fazia história. No ano marcado pela ‘treta’ de Drake e Kendrick, ponto para o rapper de Compton, que, além de fazer o mundo inteiro trucidar seu oponente, ainda teve as honrarias máximas reconhecidas pela indústria. Em outra briga, dessa vez, menos sanguinária, Taylor Swift e suas várias versões do antológico THE TORTURED POETS DEPARTMENT batia de frente com quem ameaçasse seu pódio nos charts.

Mas não há como negar que foi o ano delas. O mundo foi pintado de verde pela efervescência de Charli xcx. A própria Swift ampliou ainda mais seu império, mas foi outra ‘loirinha’ – mais irônica e com intenção de instigar – que mostrou seu lado curto e doce para os holofotes. Foi o ano das também das voltas; uma veio a galope para reivindicar a música country, enquanto outra saiu do crepúsculo de seu hiato para alvorecer com sua voz de fada e pop de gente grande; enquanto o terror dos primos nos almoços de família, Billie Eilish, chegou como quem não quer nada e nos afogou em suas questões e genialidade.

Como em todo ano e já de praxe nessa Arte, foi a diversidade que dominou. Enquanto POCAH reconta sua história através de todas as suas versões, Twenty One Pilots dava um fim (?) para a sua. Se o The Cure voltou depois de 16 anos para o reino da tristeza com um álbum de inéditas, Rachel Chinouriri estreou abordando a mesma tristeza quase que com uma autopiedade cômica. Tyler, The Creator voltou com o pé na porta, já Gracie Abrams chegou com tudo. Luan Santana cantou amor, enquanto Duda Beat cantou tesão. Linkin Park entoou novamente o gutural típico do nu metal, diferente de Adrianne Lenker, que murmurou sentimentos doloridos.

Mas uma coisa é certa, mais uma vez a já tradicional lista de Melhores Discos retorna do jeito que é. No ano em que perdemos Liam Payne, o Persona segue uma direção: usar da Música e das Artes no geral para lembrar quem somos e discutir quem podemos ser.

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Há 5 anos, Fiona Apple deixava uma mensagem que o mundo precisa ainda hoje: Fetch The Bolt Cutters!

A capa do álbum Fetch the Bolt Cutters apresenta um fundo preto com uma fotografia em preto e branco no centro. A foto mostra um close-up do rosto de Fiona Apple, com expressão divertida e olhar arregalado. Acima da imagem, o nome "Fiona Apple" aparece em letras roxas desenhadas à mão, com um pequeno cachorro marrom inserido entre as palavras. Abaixo da foto, o título do álbum, Fetch the Bolt Cutters, também está escrito à mão, em letras roxas e irregulares, dando um ar cru e artesanal à arte. Dois raios dourados cortam as laterais da capa.
O nome Fetch The Bolt Cutters é tirado diretamente de uma fala de Gillian Anderson na série The Fall (Foto: Epic Records)

Arthur Caires

Se a discografia de Fiona Apple sempre carregou nuances de raiva e angústia sobre a experiência de ser mulher, Fetch the Bolt Cutters (2020) surge como a obra em que ela finalmente rompe qualquer amarra que pudesse suavizar sua fúria. Neste álbum, a crueza e a violência emocional não são filtradas – são expostas sem reservas. A faixa-título evidencia exatamente esse espírito de libertação: “Pegue os alicates, estou aqui há muito tempo/Não importa o que aconteça”. Ou seja, arranque as barras dessa minha prisão e me deixe falar.

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DeBÍ TiRAR MáS FOToS e sua contribuição para o retorno do orgulho latino

Foto de um quintal contornado por bananeiras com folhas verde escuro vivas, algumas folhas secas em cor marrom e bege e um único cacho de banana enquanto duas cadeiras de plástico brancas solitárias protagonizam o cenário, localizadas em cima de um solo batido e com gramíneas verde claras.
A capa do álbum foi pensada para representar um ambiente comum não só da vida de Benito Antonio Martínez mas também de toda a comunidade latina (Foto: Rimas Entertainment LLC.)

Livia Queiroz 

Após pouco mais de um ano do seu último lançamento, nadie sabe lo que va a pasar mañana (2023), Bad Bunny volta ao tradicional ritmo musical latino: o reggaeton. O som dançante teve início em Porto Rico, país de nascimento do cantor e, portanto, pilar fundamental de sua criação e desenvolvimento. Entretanto, desde o começo de sua carreira, ele teve uma relação conturbada com o estilo musical, criando seus álbuns, muitas vezes, com base no rap norte-americano e no hip-hop

Nesse sentido, foi uma grande surpresa quando em seu novo trabalho, DeBÍ TiRAR MáS FOToS (2025), Benito Antonio Martínez voltou ás suas origens, juntando reggaeton, salsa, plena, cantores latinos em ascensão, samples, críticas sociais e histórias de sua vida traduzidas em canções. O disco inicia de forma animada, com várias referências, descrevendo a diversidade na cidade de Nova Iorque e suas infinitas possibilidades de viver por lá com a música NUEVAYoL, que constituí sonoras de Un Verano en Nueva York por El Gran Combo de Puerto Rico e a entrevista de Felix Trinidad depois de sua luta contra Oscar De La Hoya, em 1999. 

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