<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Música Brasileira &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Dec 2024 16:34:29 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Música Brasileira &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/caju-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/caju-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 16:34:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum do Ano]]></category>
		<category><![CDATA[Artista do Ano]]></category>
		<category><![CDATA[Caju]]></category>
		<category><![CDATA[Capa do Ano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Liniker]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[MPB do Ano]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Pagode]]></category>
		<category><![CDATA[Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Multishow]]></category>
		<category><![CDATA[R&B]]></category>
		<category><![CDATA[So Special]]></category>
		<category><![CDATA[Veludo Marrom]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34516</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Caju, um alimento popular da cultura brasileira que se desmancha em possibilidades: pode ser suco, pode ter a castanha extraída, pode ser polpa, só não pode ser por inteiro fruto, apesar de se parecer com um. É o tal pseudofruto, em parte fruta, em parte pedúnculo floral. Na miscelânea de ser e não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/caju-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/caju-critica/">Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34519" aria-describedby="caption-attachment-34519" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Caju. Na imagem, Liniker aparece dentro de um carro antigo, vermelho com a estampa alaranjada de uma flor de cajueiro desenhada na porta. A cantora negra com cabelo raspado tem feição séria. O destaque da foto fica para sua mão, que coleciona diversos anéis e longas unhas amendoadas na cor roxa. Ela segura o ferro que sustenta a janela do carro com suavidade. Ao fundo, é possível ver o céu azul de uma paisagem aberta de dia. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-4.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34519" class="wp-caption-text">Nos primeiros dez dias de lançamento, Caju recebeu 30 milhões de streams (Foto: BREU ENTERTAINMENT)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caju, um alimento popular da cultura brasileira que se desmancha em possibilidades: pode ser suco, pode ter a castanha extraída, pode ser polpa, só não pode ser por inteiro fruto, apesar de se parecer com um. É o tal pseudofruto, em parte fruta, em parte</span> <span style="font-weight: 400;">pedúnculo floral. Na miscelânea de ser e não ser, Liniker escolhe sentir o gosto do indefinido e tirar a pele de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1HRONdLhKvok05NgMKtKpj"><i><span style="font-weight: 400;">Caju</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum lançado em Agosto de 2024.</span></p>
<p><span id="more-34516"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do romance completo ao quebranto no peito após os fins, a cantora viaja nos múltiplos de amar para criar um dos discos mais originais dos últimos tempos. Com 14 faixas tão ligadas quanto independentes, somos tomados por melodiosos tons que provam: se apaixonar e doer são sentimentos que jamais foram tão bem descritos. Por isso, definir a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kEJstdoOJyY"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma simplista se conceberia como um equívoco monumental. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="CAJU" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/rPVVgNI1FS4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Que Liniker é uma potência vocal e lírica inigualável todos já sabiam, mas que essa persona poderia se amplificar na concepção de algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">Caju</span></i><span style="font-weight: 400;">, era impossível prever com assertividade. O herdeiro do legado do vencedor do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Latino de Melhor Álbum de Música Afro-Portuguesa-Brasileira, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lbrtVU_aDac"><i><span style="font-weight: 400;">Índigo Borboleta Anil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, carregava a imensa expectativa de um público que esperava o profundo das canções da artista e não só supriu estas, como entregou um mergulho na zona abissal. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A força poética do disco se mistura à escolha ousada dos ritmos que compõem a produção. Assim, as linhas suaves da MPB ganham nuances diversas ao se juntarem com o</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XToPjFLPc9s"><span style="font-weight: 400;">pagode</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa direção bem medida causa dois efeitos: faixas únicas e, em contraponto, uma sequência bem conectada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> singles</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Caju </span></i><span style="font-weight: 400;">é conjunto e unidade ao mesmo tempo, sem perder o impacto em nenhuma das formas. </span></p>
<figure id="attachment_34518" aria-describedby="caption-attachment-34518" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-5.jpg" alt=" Foto da cantora Liniker. Na imagem, Liniker aparece com uma feição séria, cabelos black power longos e loiros e sobrancelha louro escura. Ela é uma mulher negra retinta e veste um top de miçangas coloridas e um colar com pingente de chave. Abaixo do top, podemos ver uma faixa branca com o logo da Calvin Klein. Ao fundo da foto, um espaço natural com mato e alguns frutos de cajueiro são visíveis. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-5.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-5-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34518" class="wp-caption-text">“É preciso ser o retrogosto da boca/E ser eterno em alguma memória/Seu nome não é Caju à toa” (Foto: Rony Hernandes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas letras românticas, sensuais ou até declaratórias, </span><a href="https://personaunesp.com.br/remonta-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Liniker</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina a composição de todas as faixas, se propõe a ser um raio de sol e, de fato, assume tal personalidade. As cores vibrantes da identidade das peças gráficas e </span><i><span style="font-weight: 400;">visualizers</span></i><span style="font-weight: 400;"> do disco acompanham ritmos igualmente bem humorados e calorosos, transformando a experiência do ouvinte em um completo afago. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a produção fica longe de ser a famosa água com açúcar. Mesmo tratando do tema mais comum do mundo artístico – o amor –, é válido lembrar que é também o mais inesgotável em possibilidades e a cantora agarra isso com unhas e dentes. Sem citar o fato, mas existindo como uma </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2023/11/6656198-imortal-liniker-e-a-1-mulher-trans-na-academia-brasileira-de-cultura.html#:~:text=%E2%80%9CEu%20sou%20muito%20grata%20pela,%C3%A9%20muito%20dif%C3%ADcil%E2%80%9D%2C%20disse."><span style="font-weight: 400;">mulher trans negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu eu-lírico grita não só grandes paixões, brada também o medo de viver sem ter alguém do lado para compartilhar conquistas e futuro. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando eu alçar o voo mais bonito da minha vida, quem vai me chamar de amor, de gostosa, de querida?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ressoa na faixa homônima ao disco.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Liniker - CAJU (Visual Experience)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9nbYJm9FYa0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras concepções sobre Liniker enquanto artista e as mulheres que a inspiram e se inspiram nela podem ser extraídas das canções. O desejo de ter uma parceria que se torne parte do rotineiro aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ao Teu Lado </span></i><span style="font-weight: 400;">com o duo </span><a href="https://personaunesp.com.br/cor-anavitoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">AnaVitória</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como a áurea corajosa e determinada reconhecível em </span><i><span style="font-weight: 400;">Negona dos olhos terríveis</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos poucos</span><i><span style="font-weight: 400;"> singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> interpretados de forma solo e provavelmente um dos mais subjetivos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos esforços,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Caju</span></i><span style="font-weight: 400;"> não conseguiu entrar para nenhuma nomeação nas categorias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/hit-me-hard-and-soft-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2025</span></a><span style="font-weight: 400;">. O conjunto foi submetido por Liniker como Melhor Álbum de Música Global e Melhor Álbum de Engenharia Não Clássico. Alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> também tentaram a vez como </span><i><span style="font-weight: 400;">Veludo Marrom</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Performance Musical Global e </span><i><span style="font-weight: 400;">So Special</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Gravação Dance Pop. Infelizmente, o lançamento não foi concebido a tempo de garantir a vaga na maior premiação musical do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o disco reinou no </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/12/03/premio-multishow-coroa-anitta-e-liniker.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Multishow</span></a><span style="font-weight: 400;">, realizado em Dezembro de 2024 no Rio de Janeiro. A artista foi reconhecida em quatro categorias: Artista do Ano, Álbum do Ano, Capa do Ano e MPB do Ano. A coletânea de músicas conquistou todos os prêmios aos quais foi indicada, exceto Hit do Ano, que ficou com Lauana Prado pela releitura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Escrito nas Estrelas</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_34517" aria-describedby="caption-attachment-34517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-6.jpg" alt="Foto da cantora Liniker. Na imagem, Liniker aparece com uma feição séria, cabelos curtos loiros quase raspados e sobrancelha louro escura. Ela é uma mulher negra retinta e veste um top de miçangas coloridas e um colar com pingente de chave. Ao fundo da foto, um espaço natural com uma árvore de baixa folhagem aparece. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-6.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/unnamed-6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34517" class="wp-caption-text">Os ingressos para a estreia da turnê Caju esgotaram em uma hora, com mais de 250 mil pessoas acessando a plataforma de vendas (Foto: Rony Hernandes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 29 anos, Liniker revela uma maturidade vocal e poética tão avançada que soa surpreendente. Com uma </span><a href="https://revistamalu.com.br/mundo-das-celebridades/liniker-trajetoria/"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acertos, desde a participação como vocalista de Liniker e os Caramelows até a realização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Índigo Borboleta Anil</span></i><span style="font-weight: 400;">, o caminho que a revela em </span><i><span style="font-weight: 400;">Caju</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um misto: sabíamos que algo grande estava por vir, mas a preciosidade do trabalho é mais extensa que o previsto e, sinceramente, que presente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem ressalvas ou poréns, a certeza é de que o voo da cantora com o disco foi o maior de sua vida. Não é como se ela não pudesse se superar em novos lançamentos, no entanto, a força da ruptura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Caju </span></i><span style="font-weight: 400;">na Música Popular Brasileira é única, singular e irrevogável. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YFQlTN1Eil0"><span style="font-weight: 400;">Talvez, gostemos ainda mais de ti</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando se coloca em tamanha vulnerabilidade, cor e incontavelmente cheia de amor, Liniker.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: CAJU" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1HRONdLhKvok05NgMKtKpj?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/caju-critica/">Em Caju, Liniker alçou o voo mais bonito da sua vida</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/caju-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34516</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Numanice #3 (Ao Vivo), Ludmilla sabe que a preta venceu</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2024 19:09:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Ao Vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Belo]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Biazin]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Funk]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Ludmilla]]></category>
		<category><![CDATA[Mari Fernandez]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Numanice]]></category>
		<category><![CDATA[Numanice #3]]></category>
		<category><![CDATA[Pagode]]></category>
		<category><![CDATA[Veigh]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33501</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Descrever Ludmilla em termos simplistas e centralizados é uma tarefa cada vez mais difícil, afinal, a cantora está “Do funk ao pagode, dominando tudo”, com uma maestria que a MC Beyoncé – primeiro vulgo da artista – provavelmente não imaginava. Em faixas envolventes e dignas de serem chamadas de Arte, o trabalho mais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Numanice #3 (Ao Vivo), Ludmilla sabe que a preta venceu"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/">Em Numanice #3 (Ao Vivo), Ludmilla sabe que a preta venceu</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33502" aria-describedby="caption-attachment-33502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Numanice 3. Na imagem, a cantora Ludmilla está centralizada com foco em seu tronco e rosto. Ela é uma mulher negra retinta com olhos castanhos escuros e cabelos pretos lisos de comprimento médio. Está sorrindo e veste um top cropped de mangas, que é metade laranja e metade amarelo. Ao fundo, elementos gráficos nas cores amarelo e laranja se inserem formando uma espécie de aura ao redor da artista. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33502" class="wp-caption-text">Cada vez mais perto do ouro, Ludmilla mete marcha no doce do eclético (Foto: Warner Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descrever Ludmilla em termos simplistas e centralizados é uma tarefa cada vez mais difícil, afinal, a cantora está </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Do funk ao pagode, dominando tudo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, com uma maestria que a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wbH-pGYwjOI"><span style="font-weight: 400;">MC Beyoncé</span></a><span style="font-weight: 400;"> – primeiro vulgo da artista – provavelmente não imaginava. Em faixas envolventes e dignas de serem chamadas de Arte, o trabalho mais recente da cantora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Numanice #3 <em>(Ao Vivo)</em></span></i><span style="font-weight: 400;">, é um deleite para as mulheres que amam suas mulheres, as minas de periferia e, é claro, os apaixonados por </span><i><span style="font-weight: 400;">sunsets</span></i><span style="font-weight: 400;"> e bons pagodes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 18 faixas e sete parcerias, o disco gravado ao vivo materializa a brisa quente de uma tarde de domingo em volta da churrasqueira. Na multiplicidade de influências rítmicas que se juntam ao pagode, a sensação de improviso acertado das milenares rodas de samba se intensificam. Apesar de calculado, o mérito de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nmRsGILGMT0"><i><span style="font-weight: 400;">Numanice #3</span></i></a><em><span style="font-weight: 400;"> (Ao Vivo)</span></em> <span style="font-weight: 400;">está na facilidade com a qual conversa com diferentes manifestações musicais e seus públicos. </span></p>
<p><span id="more-33501"></span></p>
<figure id="attachment_33503" aria-describedby="caption-attachment-33503" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-800x450.jpg" alt="Foto da cantora Ludmilla nas gravações de Numanice 3. Ela está vestindo um conjunto de cropped e calça verdes. Seus cabelos são longos, castanhos escuros e ondulados, compostos com a pele negra retinta. Ao fundo, há um letreiro vermelho com os dizeres “Numanice”. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33503" class="wp-caption-text">“Se nem a Alcione te emocionar, é que você já morreu por dentro” (Foto: Steff Lima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos a se destacar quando o assunto é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lyPhIxnFFnY"><span style="font-weight: 400;">rainha da favela</span></a><span style="font-weight: 400;">, fica o respeito a quem veio antes, seja na escolha de escrever um bom pagode sobre ser amante, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">26 de dezembro </span></i><span style="font-weight: 400;">com o Belo &#8211; o que depois de certas </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/04/22/belo-e-gracyanne-apos-traicao-com-personal-web-invade-redes-do-atual-treinador-da-musa-fitness-e-esse-o-dito-cujo.ghtml#:~:text=Na%20%C3%BAltima%20quinta%2Dfeira%20(18,um%20relacionamento%20de%2015%20anos.&amp;text=Jorge%20Faislon%20%C3%A9%20o%20atual,profissional%20com%20a%20musa%20fitness."><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter ganho outro significado &#8211; ou na delicadeza de citar gigantes como Alcione, Péricles e Sorriso Maroto, que inclusive já dividiram o palco com a cantora. De um lado a outro, a carreira de Ludmilla e sua movimentação para outros ritmos é embasada pela referência. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, o trabalho da artista não pode ser classificado como um &#8216;copia e cola&#8217; exatamente pelo tom de inovação escolhido para explorar o ato de criar sem se distanciar dos pilares que a sustentam. Assim, é possível ver uma transição tênue que faz do <em>Numanice</em>, agora em sua terceira edição, um sucesso estabelecido, original e extremamente bem embasado. Do </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5u9JxohIzAYCPE53Ev4uiN"><span style="font-weight: 400;">primeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para cá, as mudanças são transgressoras, mas inseridas com sutileza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mantendo a receita de fazer um <em>show</em> com &#8216;quê&#8217; de descontraído e integrar isso à artistas que a acompanham em interpretações únicas, a principal transformação vem do modo como Ludmilla aproveita os ares mercadológicos em benefício próprio sem perder a fidelidade de seus fãs e conquistando novos territórios. Até porque, não aproveitar a chance de uma parceria com um dos &#8216;queridinhos&#8217; dos jovens, o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/05/18/show-veigh-virada-cultural.htm#:~:text=Em%202023%2C%20o%20trapper%20conquistou,apenas%20no%20dia%20de%20lan%C3%A7amento."><span style="font-weight: 400;">Veigh,</span></a><span style="font-weight: 400;"> seria desperdício. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LUDMILLA  - 26 de Dezembro (feat. Belo)  - Numanice #3" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-E0DALTPIFw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando tudo nessa habilidade, o disco vem com um gosto de roupagem nova e, certamente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> caiu como uma luva nas batidas do pandeiro quando os artistas declamam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g64owrzeYH8"><i><span style="font-weight: 400;">“Para de brincar com o meu coração!”</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a leveza ganha solidez até em quem deu</span><i><span style="font-weight: 400;"> play</span></i><span style="font-weight: 400;"> só para chorar com pagode. O movimento se repete junto de outros ritmos, como é o caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, com Carol Biazin, e sertanejo, com Mari Fernandez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de integrar facetas da Música, a cantora ainda mixa canções improváveis ao universo, criando releituras tão distintas, quanto apaixonantes. Afinal, ver </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yGvJbyxwECs"><i><span style="font-weight: 400;">Cedo ou Tarde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do NX Zero, no clima de uma ‘tardezinha’ não parecia uma boa ideia até termos isso em voz, percussão e céu aberto. Realmente, estávamos completamente errados ao pensar que não funcionaria.  </span></p>
<figure id="attachment_33504" aria-describedby="caption-attachment-33504" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33504" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-800x530.png" alt="Foto do ao vivo de Numanice 3. Na imagem, a cantora Ludmilla está centralizada com foco em seu tronco e rosto. Ela é uma mulher negra retinta com olhos castanhos escuros e cabelos pretos lisos de comprimento médio. Está sorrindo e veste um top cropped de mangas, que é metade laranja e metade amarelo. " width="800" height="530" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-800x530.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-768x509.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33504" class="wp-caption-text">Após apresentação no Coachella, na Califórnia, Ludmilla e Bruna ganharam admiradores no mundo todo (Foto: Steff Lima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda sobra espaço nessa mistura para um aspecto que merece reconhecimento: o amor sáfico. Seja nas linhas mais travessas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baile Charme</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou na lista de motivos para ser apaixonada por Bruna Gonçalves exposta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GB2Y57dWU8E"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ludmilla faz declarações musicadas que as lésbicas, bis e pansexuais sabem que também fariam. Nesse aspecto, é interessante ver como o amor entre duas mulheres se insere no pagode de uma forma tão inédita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ineditismo esse que não é recente quando se trata de alguém que saiu de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para o mundo &#8211; como a própria diz &#8211; e se tornou a </span><a href="https://billboard.com.br/ludmilla-quebra-recorde-e-se-torna-artista-afro-latina-mais-ouvida-do-spotify/#:~:text=Ludmilla%20quebra%20recorde%20e%20se%20torna%20artista%20afrolatina%20mais%20ouvida%20do%20Spotify,-Cantora%20registra%2017&amp;text=Ludmilla%20segue%20quebrando%20recordes.,de%20ouvintes%20mensais%20no%20app."><span style="font-weight: 400;">cantora afrolatina mais ouvida do <em>Spotify</em></span></a><span style="font-weight: 400;">, dona de mais de 72 estatuetas de premiações diversas e uma influenciadora cultural capaz de esgotar os ingressos de um <em>show</em> em apenas 33 minutos. Ludmilla é um recorde próprio! </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LUDMILLA - Baile Charme - Numanice #3" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/sxQN5wS8DmM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tendo motivos para que exista uma ressalva sequer,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Numanice #3 (Ao Vivo) </span></i><span style="font-weight: 400;">nasceu como um dos melhores álbuns de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/2024/"><span style="font-weight: 400;">2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com letras viciantes,</span><i><span style="font-weight: 400;"> beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> originais e o equilíbrio exato entre </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pagode, a produção é do tipo que transborda boa energia, dá vontade de dançar, faz a &#8216;sofrência&#8217; bater na porta e devolve até as saudades de uma boa &#8216;conchinha&#8217; em um dia de verão. Um combo capaz de agradar até o cliente mais exigente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja em um navio sofisticado ou na cozinha de casa com a família falando alto em volta da mesa, o disco é uma bela pedida para compor o clima de alegria. Os pouco mais de 55 minutos de boa Música só trazem alguns pequenos alertas consigo: cuidado para não chorar, sair apaixonado, ligar para o(a) ex ou, por falta de organização, esquecer de garantir o copo de caipirinha ou o litrão geladinho.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Numanice #3 (Ao Vivo)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2uNEA9woVB0GKJuv4vA9Af?si=yQkm-kWDQKS0PibijA_ljA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/">Em Numanice #3 (Ao Vivo), Ludmilla sabe que a preta venceu</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/numanice-3-ao-vivo-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33501</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2023 14:24:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário 60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 60]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Ben Jor]]></category>
		<category><![CDATA[Leticia Stradiotto]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Rock and Roll]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Esquema Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Tropicália]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32362</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto A Bossa Nova surgiu em 1958 no Rio de Janeiro, nas melodias de João Gilberto, que simplificou a batida do samba, dando origem a um estilo musical único e característico. Logo em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes juntam a beleza lírica e a melodia suave do estilo musical para originar o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/">Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32366" aria-describedby="caption-attachment-32366" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge1-800x800.jpg" alt="Capa do disco Samba Esquema Novo de Jorge Ben Jor. O fundo é acinzentado, do lado esquerdo está Jorge, um homem negro que veste blusa vermelha, calça azul, meia e sapatos pretos. Ele está em pé com a perna cruzada e segura um violão. No canto inferior direito está escrito “Jorge Ben” em vermelho, e logo em baixo está escrito “Samba Esquema Novo” em branco e amarelo" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32366" class="wp-caption-text">Jorge Ben Jor incorporou influências árabes, africanas e outros estilos como baião, rock e samba em sua Música, resultando em uma sonoridade única e inovadora (Foto: Philips)</figcaption></figure>
<p><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Bossa Nova surgiu em 1958 no Rio de Janeiro, nas melodias de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yUuJrpP0Mak"><span style="font-weight: 400;">João Gilberto</span></a><span style="font-weight: 400;">, que simplificou a batida do samba, dando origem a um estilo musical único e característico. Logo em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes juntam a beleza lírica e a melodia suave do estilo musical para originar o pote de ouro da música brasileira: a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KJzBxJ8ExRk"><i><span style="font-weight: 400;">Garota de Ipanema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">De fato, a chegada da década de 1960 trouxe efervescência ao cenário brasileiro, e quase parece que entre a Bossa Nova e o movimento da Tropicália não existia mais nenhum lugar de destaque no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JzByVhWju88"><span style="font-weight: 400;">País Tropical</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas ainda há um sobrando e que, graças aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DZhOhlmA9q8"><span style="font-weight: 400;">deuses de outras galáxias</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou de um planeta de possibilidades impossíveis, foi preenchido por Jorge Ben Jor.</span></p>
<p><span id="more-32362"></span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_n-Qp_uvhQj93hqmouZODotc2NvxnWdbc0"><i><span style="font-weight: 400;">Samba Esquema Novo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreou em 1963 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Philips</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, felizmente, lançou o artista para o mundo. Carioca e nascido em Madureira, ele tinha uma intimidade própria com as batidas do violão e as técnicas utilizadas. Tipo Bossa Nova? Mais ou menos, também tinha um pouco de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock and roll</span></i><span style="font-weight: 400;">. E samba, claro! Na verdade, é quase isso: tem samba, mas não somente. Não tente definir o álbum, ele é dinâmico, diferente e único, sendo o responsável por abrir um espaço &#8211; como a explosão de uma estrela no universo &#8211; entre a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/07/26/jorge-ben-jor-projetado-ha-60-anos-com-samba-esquema-novo-permanece-unico-na-musica-do-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova e a MPB</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos festivais de canção. A Música brasileira nunca mais foi a mesma depois da chegada de Jorge Ben.</span></p>
<figure id="attachment_32365" aria-describedby="caption-attachment-32365" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge2.jpg" alt="Foto em preto e branco. Jorge é um homem negro de cabelo curto preto, ele veste uma camisa social xadrez e um sueter por cima. Está segurando um violão e olhando para o lado esquerdo. Atrás dele tem um fusca." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge2-768x444.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32365" class="wp-caption-text">Jorge Ben Jor inovou a música brasileira com sua icônica batida de violão (Foto: Michael Ochs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum de estreia do cantor é considerado um marco na indústria nacional e, de acordo com a revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i><span style="font-weight: 400;"> está em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/artigo/os-100-maiores-discos-da-musica-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">15º lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> na lista dos melhores discos da Música brasileira. Completando 60 anos de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Esquema Novo</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstra a alquimia musical e intuição de Jorge Ben, e sua obra se transforma em uma declaração de identidade e expressão cultural. Mas, para além da intuição, Ben Jor é um conjunto de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/03/22/projeto-debate-jorge-ben-e-seu-lado-alquimista-e-afrodiasporico-com-jovens-da-periferia-de-sp"><span style="font-weight: 400;">estudos e técnicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elaboram a vibração. Até então, não existia nada no universo musical que soasse como as canções, os instrumentos e a voz que o carioca interpreta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O êxito trouxe as críticas ao modo ‘errado’ como Jorge tocava o violão, quando contraposto ao rigor da Bossa Nova, começou a alardear. Como o próprio definia, sua batida era a da escola de samba após o desfile, deixando de lado os pitacos e seguindo o lema “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y5Vcd1UnoSI"><i><span style="font-weight: 400;">Fé em Deus e pé na tábua</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Afinal, a primeira e mais icônica faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hg0XftC43Zo"><i><span style="font-weight: 400;">Mas, Que Nada!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já dizia: esse samba é misto de maracatu. Ben tem outro requebrado, um suingue singular e, claro, uma assinatura musical que garante a identificação imediata. A música é conhecida internacionalmente, tendo uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ucD0gTr66ho"><span style="font-weight: 400;">regravação</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2006 de Sérgio Mendes com o Black Eyed Peas, o que mantém sua relevância para as novas gerações.</span></p>
<figure id="attachment_32364" aria-describedby="caption-attachment-32364" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-800x571.jpg" alt="Foto em preto e branco. Jorge é um homem negro de cabelo preto curto, ele usa um óculos arredondado e está vestindo uma camisa social clara e calça jeans. Ele está sentado no chão atrás de várias plantas, segurando um violão e olhando para a câmera" width="800" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-800x571.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-1024x730.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-768x548.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-1200x856.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32364" class="wp-caption-text">O carioca já homenageou Caetano Veloso e Rita Lee em suas canções Mano Caetano e Rita Jeep (Foto: Michael Ochs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum projeta a alegria e a celebração da cultura brasileira. As músicas destacam a habilidade do carioca em criar uma atmosfera festiva com arranjos espetaculares no samba e convidam os ouvintes a balançar as cadeiras. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ubol9NyLWZc"><i><span style="font-weight: 400;">Chove, Chuva</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">com melodia inconfundível, ainda é utilizada nos dias atuais na construção de canções por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;">, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7wQCJT2uBqg"><i><span style="font-weight: 400;">Tá na Chuva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do grupo </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">Racionais MC’s</span></a><span style="font-weight: 400;">. A política e a estética presentes nas faixas de Ben são uma das maiores </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2023/09/15/%E2%80%98Jorge-Ben-%C3%A9-uma-das-maiores-influ%C3%AAncias-do-rap-nacional%E2%80%99,"><span style="font-weight: 400;">influências do rap nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Delicada, mas potente. A voz do cantor brinca com o sotaque carioca cantando o tão característico “</span><i><span style="font-weight: 400;">voxê</span></i><span style="font-weight: 400;">” em suas canções quando se refere à amada, exemplificada pela faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gs4lA9bkg_s"><i><span style="font-weight: 400;">Quero Esquecer Você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que imprime esse toque caricato em suas histórias de amor. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Oba, lá vem o Samba!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, o álbum é uma construção de faixas que transparecem todo o gingado do cantor através de sua voz rouca e cativante. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YGOkNivBpMU"><i><span style="font-weight: 400;">Por Causa De Você, Menina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encerra o álbum da melhor maneira dando forma ao samba </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e é quase impossível não ter o coração embalado pelo ressôo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Menina, menina</span></i><span style="font-weight: 400;">” em mais uma declaração de amor.</span></p>
<figure id="attachment_32363" aria-describedby="caption-attachment-32363" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-800x545.png" alt=" Foto de Jorge em um show. O fundo tem cores azuis, roxas e rosas. Jorge está ao centro, um homem negro de cabelos curtos, está usando um óculos de sol arredondado e veste uma camisa preta de manga longa. Está segurando uma guitarra elétrica e faz o sinal de “paz e amor” com os dedos. Na sua frente tem um microfone." width="800" height="545" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-800x545.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3-768x523.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/jorge3.png 920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32363" class="wp-caption-text">Jorge Ben foi o único artista já consagrado a participar do movimento da Tropicália no programa Divino Maravilhoso, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa (Foto: Jorge Ben Jor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 60 anos de seu lançamento, a obra transcende o tempo e se mantém como um marco fundamental na história da Música brasileira. O dinamismo, a abordagem inovadora ao samba e a sonoridade singular mesclam os ritmos contagiantes que são </span><a href="https://petitedanse.com.br/samba-o-ritmo-que-e-a-cara-do-brasil/#:~:text=Nosso%20pa%C3%ADs%20%C3%A9%20conhecido%20mundialmente,a%20futura%20capital%20do%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">a cara do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de fascinar as novas gerações de ouvintes, demonstrando a atemporalidade do talento de Jorge Ben. </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Esquema Novo</span></i><span style="font-weight: 400;"> incorpora as </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/jorge-ben-e-impacto-de-sua-guitarra-eletrica-dominam-livro-sobre-africa-brasil.shtml"><span style="font-weight: 400;">guitarras elétricas e influências externas da África</span></a><span style="font-weight: 400;">, dando origem ao estilo</span><i><span style="font-weight: 400;"> samba rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos hoje e projetando ao mundo um dos maiores artistas do gênero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua trajetória sempre foi luminosa e reconhecida, e o carioca ainda realiza shows cheios de alegria e paixão. Ele nada mais é do que um homem que canta o seu mundo para o mundo, seus amigos, suas musas, seus deuses e, sobretudo, para si mesmo. É movimento, gingado, balanço tropical e uma festa que parece nunca terminar. Como brasileiros, é uma honra ter a sua arte por 60 anos em nossa história &#8211; no fim das contas, os números são apenas números, uma vez que temos a certeza da </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/trip/o-homem-patropi"><span style="font-weight: 400;">eternidade imortal</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jorge Ben Jor.</span></p>
<p><a href="http://iframe%20style=border-radius:12px%20src=https://open.spotify.com/embed/album/3xWp6y0HGsHZlXljNs7VRy?utm_source=generator%20width=100%%20height=352%20frameBorder=0%20allowfullscreen=%20allow=autoplay;%20clipboard-write;%20encrypted-media;%20fullscreen;%20picture-in-picture%20loading=lazy/iframe"><iframe loading="lazy" style="border-radius: 12px;" src="https://open.spotify.com/embed/album/3xWp6y0HGsHZlXljNs7VRy?utm_source=generator" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/">Mas, que nada! Sai da minha frente que Samba Esquema Novo comemora 60 anos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32362</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Sep 2023 15:46:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Baco Exu do Blues]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Campo de Morango]]></category>
		<category><![CDATA[Carnificina]]></category>
		<category><![CDATA[Chico]]></category>
		<category><![CDATA[Costanza Guerriero]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Demi Lovato]]></category>
		<category><![CDATA[DOCE22]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Aranha]]></category>
		<category><![CDATA[Douglas Moda]]></category>
		<category><![CDATA[Duda Beat]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalo Íntimo]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Verne]]></category>
		<category><![CDATA[Inseguranças]]></category>
		<category><![CDATA[Lança Menina]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Sonza]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Sena]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalie Nery]]></category>
		<category><![CDATA[Olga Fedorova]]></category>
		<category><![CDATA[Outra Vez]]></category>
		<category><![CDATA[Pandora]]></category>
		<category><![CDATA[Penhasco2]]></category>
		<category><![CDATA[Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Pop nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Principalmente Me Sinto Arrasada]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Roy Lenzo]]></category>
		<category><![CDATA[Tommy Brown]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31465</guid>

					<description><![CDATA[<p>Costanza Guerriero No dia 15 de Agosto, o Twitter ficou polvoroso com o lançamento de Campo de Morango, o lead single do terceiro álbum de Luísa Souza, Escândalo Íntimo. Tanto o videoclipe quanto a música em si pareciam ser uma confirmação de que a cantora só sabe compor letras vulgares e superficiais. Contudo, aqueles que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/">Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31467" aria-describedby="caption-attachment-31467" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-2.png" alt="Capa do álbum Escândalo Íntimo. Na imagem a cantora Luisa Souza está com aparência robótica vestindo um macacão que imita a sua pele. Sonza é uma mulher branca, loira, com lábios grandes e vermelhos. A imagem possui um fundo de tinta borrada e blusa, a imagem dos olhos da cantora estão borrados, bem como suas mãos. Ao fundo vislumbra-se parte de um pôr do sol, mas a maior parte do fundo da imagem é escura." width="1200" height="884" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-2-800x589.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-2-1024x754.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image2-2-768x566.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31467" class="wp-caption-text">O Escândalo Íntimo de Luísa Sonza é obra intimista e reveladora sobre o que se é, e o que não é (Foto: Olga Fedorova)</figcaption></figure>
<p><b>Costanza Guerriero</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 15 de Agosto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficou polvoroso com o lançamento de </span><a href="https://youtu.be/CF8L6ZYIgPo?si=N84LJAD21neUvUOQ"><i><span style="font-weight: 400;">Campo de Morango</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do terceiro álbum de Luísa Souza,</span> <a href="https://youtu.be/1r8ur65zXKQ?si=UVExaxHc7IQTDPdQ"><i><span style="font-weight: 400;">Escândalo Íntimo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Tanto o videoclipe quanto a música em si pareciam ser uma confirmação de que a cantora só sabe compor letras vulgares e superficiais. Contudo, aqueles que estavam bem atentos sabiam que essa pequena prévia serviria para provar um ponto, que é uma das premissas do novo projeto: Luísa Sonza, como antes se conhecia, é uma fraude. Nesse lançamento, a artista potencializa sua voz e traz sua trajetória de amadurecimento como o centro da narrativa. Ela elabora conceitos visuais e sonoros acurados, apresentando referências explícitas e cristalinas, para que até mesmo aqueles que não querem possam enxergar. </span></p>
<p><span id="more-31465"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escândalo Íntimo</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com a expectativa e a falácia do público, na sua </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/modo-de-vida/ao-monetizar-haters-luisa-sonza-fez-de-video-polemico-um-case-unico/"><span style="font-weight: 400;">estratégia de lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, e ao decorrer de suas 24 faixas, das quais seis foram lançadas posteriormente. Segundo a própria artista, o álbum conta a história de um relacionamento, desde o momento do flerte inicial, passando por noites tórridas, decepções e a superação dos traumas. Porém, seria mais interessante entender o disco como o processo de autoanálise da cantora, sob a ótica do contraste entre como a definiram e como ela se vê. O disco é dissecado em quatro blocos, que revelam momentos diferentes de um relacionamento, ou ainda, diferentes faces da Luísa Sonza, mostrando sua versatilidade e disposição de explorar diferentes ritmos e gêneros, desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> até a </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2023/09/10/caetano-veloso-luisa-sonza-chico-bossa-nova/"><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_31468" aria-describedby="caption-attachment-31468" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image3-1.png" alt="Foto de divulgação do álbum Escândalo Íntimo. Na imagem a está a cantora Luisa Sonza, uma mulher branca de cabelos longos e loiros, lábios grandes e olhos azuis. Ela olha fixamente para frente, veste uma jaqueta marrom e uma blusa tartaruga. Ao fundo há ripas de madeira que são a sustentação de alguma estrutura, como uma ponte. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image3-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image3-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31468" class="wp-caption-text">Em 2022 a cantora esteve envolvida em um processo jurídico de racismo, o qual pagou indenização e se desculpou publicamente, ocorrido pelo qual ela terá que se responsabilizar durante toda trajetória de sua carreira (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É de se admirar o quanto foi feito em um tempo relativamente curto. O álbum foi produzido em cerca de três meses em estúdios em </span><span style="font-weight: 400;">Los Angeles, na Califórnia, e contou com Douglas Moda, </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/luisa-sonza-aparece-em-estudio-em-los-angeles-com-o-produtor-roy-lenzo"><span style="font-weight: 400;">Roy Lenzo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2023/03/29/luisa-sonza-posta-foto-com-produtor-que-trabalhou-com-beyonce.html"><span style="font-weight: 400;">Tommy Brown</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretores musicais. A produção ganha uma índole plurinacional, não apenas por ter músicas cantadas em português, inglês e espanhol, mas também pelo envolvimento de diversos colaboradores de nacionalidades distintas. A artista contratada para fazer a arte da capa e contracapa do projeto, por exemplo, é a russa </span><a href="https://www.coeval-magazine.com/coeval/olga-federova"><span style="font-weight: 400;">Olga Fedorova</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda para a parte visual, Sonza contou com auxílio da artista plástica e psicanalista Nathalie Nery, responsável pela exploração do conceito lúdico de sonhos versus realidade, que o disco tanto trata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho é marcado por diversas colaborações</span><span style="font-weight: 400;"> com artistas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Marina Sena</span></a><span style="font-weight: 400;">, Banco Exu do Blues, Duda Beat e até mesmo Demi Lovato. Ainda assim, a </span><span style="font-weight: 400;">característica mais marcante do álbum é a maneira como reúne um grande número de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">e referências a outros músicos, o que por um lado pode beirar o exagero, por outro pode ser visto como uma carta de amor aos ídolos de Sonza, como Rita Lee, </span><a href="https://aloalobahia.com/notas/alcione-e-convidada-de-luisa-sonza-para-dueto-no-festival-de-verao-saiba-musicas-do-repertorio"><span style="font-weight: 400;">Alcione</span></a><span style="font-weight: 400;">, Cazuza, The Beatles e Queen. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escândalo Íntimo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é aberto pela </span><a href="https://youtu.be/L0PsyXOMlkw?si=hOGFepSGevvq9X4v"><span style="font-weight: 400;">faixa homônima</span></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">sample</span></i><span style="font-weight: 400;"> da música </span><a href="https://youtu.be/CrYWrPTh9Ug?si=k0zAEe6-HXslITj1"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de Hotel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Hareton Salvanini, trilha sonora do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Virgem de Saint Tropez</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor polonês </span><span style="font-weight: 400;">Zygmunt Sulistrowski. A faixa expressa a melancolia de se sentir as inseguranças e as angústias, que as letras a seguir irão abordar, mas sem deixar de, ao final, se misturar a uma agitação e batidas mais eufóricas, a chamada para o primeiro bloco.</span></p>
<figure id="attachment_31469" aria-describedby="caption-attachment-31469" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4.jpg" alt=" Imagem do clipe Campo de Morango. Na imagem a cantora Luisa Sonza, uma mulher branca de cabelos longos e loiros veste uma regata branca. Seus olhos estão fechados e ela mastiga um morango. Ela segura o resto do morango com a mão esquerda. Ao fundo vê-se um campo aberto com uma cama de madeira com  lençóis brancos. Nos pés da cama há morangos espalhados pelo chão." width="1280" height="719" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image4-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31469" class="wp-caption-text">Com o lançamento do clipe de Campo de Morango, Sonza perdeu quase 100 mil seguidores, o que concretiza perfeitamente a provocação que artista quis trazer com a faixa (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas iniciais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Carnificina</span></i><span style="font-weight: 400;">, pintam a Luísa Souza já bem conhecida, a </span><a href="https://youtu.be/ogxUGtlAq18?si=4CdvNWuFKkdvUXhX"><i><span style="font-weight: 400;">BRABA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://youtu.be/MC66-bI2f8I?si=KqjGhh5n4NtNKXGJ"><i><span style="font-weight: 400;">MULHER DO ANO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, provocadora e sensual. Essa apresentação mostra como a personagem criada pela artista se sustenta e é vista por parte do público. Apesar de todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">hate</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a </span><a href="https://youtu.be/xtXbC1o2JRw?si=UvlPgTlqykNQLTyS&amp;t=89"><i><span style="font-weight: 400;">Dona Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua a subir, numa pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o miolo do álbum nos revela uma Sonza apaixonada, romântica e que depende emocionalmente de um relacionamento. Curiosamente, é nesse bloco que se encontra </span><i><span style="font-weight: 400;">Campo de Morango</span></i><span style="font-weight: 400;">, a polêmica faixa em 150 BPM, que é, na verdade, a mais metafórica. Enquanto carrega uma letra extremamente explícita e frívola, faz referência à música </span><i><span style="font-weight: 400;">Strawberry Fields Forever,</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos The Beatles, que diz “</span><a href="https://www.letras.mus.br/the-beatles/186/traducao.html"><i><span style="font-weight: 400;">nada é real (&#8230;)/ viver de olhos fechados é fácil/ não compreender o que você vê</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. A canção seria, então, um sonho, no qual ela se boicota, contaminada com aquilo que o público projeta dela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escândalo Íntimo </span></i><span style="font-weight: 400;">é apresentado com um álbum visual. Junto de seu diretor criativo, </span><a href="https://www.vammagazine.com.br/post/flavio-verne-o-coreografo-brasiliense-que-encanta-o-mundo"><span style="font-weight: 400;">Flávio Verne</span></a><span style="font-weight: 400;">, Sonza buscou integrar no visual seus sonhos e a ludicidade, somados aos elementos das </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/vida-e-estilo/autocuidado/moda/trend-western-luisa-sonza-aposta-em-tons-neutros-a-la-cowgirl,646c52462e4e6706a308e35b1203ef60r536r23w.html"><span style="font-weight: 400;">fazendas</span></a><span style="font-weight: 400;"> interioranas do Rio Grande do Sul, local no qual a artista cresceu. No terceiro bloco do disco, se faz presente uma estética de ‘fazenda dos pesadelos’, onde a gaúcha precisa vivenciar seus traumas e se reconhece em um relacionamento abusivo, seja com o parceiro ou parceira, com a mídia ou consigo mesma. Em músicas como </span><a href="https://youtu.be/p1FCSP7DREk?si=Aaag6_SwXfGA-Vw4"><i><span style="font-weight: 400;">Penhasco2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Outra Vez</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se despede da ‘</span><a href="https://youtu.be/__ur8Ykcivw?si=1Y10UwSixUbuFuLx"><span style="font-weight: 400;">cachorrinha artista <em>pop</em></span></a><span style="font-weight: 400;">’ e são revelados medos e inseguranças, mostrando que a imagem da ‘braba’ era pura encenação, uma fraude.</span></p>
<figure id="attachment_31466" aria-describedby="caption-attachment-31466" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31466" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-2.png" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/image1-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31466" class="wp-caption-text">A faixa intitulada Chico alcançou o top 1 nas plataformas digitais e reúne referências da música Folhetim de Chico Buarque, além de experimentar o ritmo da bossa nova (Foto: Pam Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última e quarta parte do álbum vem traduzida no alívio de conseguir sair da ansiedade e na libertação da expectativa alheia e autocobrança, como é cantado em </span><a href="https://youtu.be/FfBkUPtddzo?si=JWQ1n-O_jqXEHEPN"><i><span style="font-weight: 400;">Principalmente Me Sinto Arrasada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, música estilo boneca russa que dá a sensação de haver várias dentro de uma só. Outro grande destaque é a faixa </span><a href="https://youtu.be/aO16vjpAAU0?si=2y4X6xAl1Q98sCo_"><i><span style="font-weight: 400;">Lança Menina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma clara referência e reverência a </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2023/08/30/luisa-sonza-rita-lee-meme/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma explosão de positividade e esperança, a qual muitos jovens artistas podem se identificar. Nessa última etapa, Sonza se enxerga e se apresenta como realmente é: nem boa, nem má, uma mulher que gosta de fazer música, suscetível a erros e acertos, que pode ser amada e odiada. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Não acho que eu seja nem boa, nem má</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Se todos caíram na minha laia</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Falando a verdade, não me importa mais</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Eu só faço o que todo mundo faz</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu acho legal essa coisa de artista<br />
</span><span style="font-weight: 400;">E sei que não sou nenhuma especialista<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Mas se me der um palco pra eu cantar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Desmonto e derrubo todo esse lugar</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fazer um paralelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escândalo Íntimo</span></i><span style="font-weight: 400;"> com</span> <a href="https://personaunesp.com.br/luisa-sonza-doce-22-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">DOCE 22</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o último álbum da artista, vê-se como ela vem construindo uma trajetória coerente. No trabalho anterior, a cantora já havia mostrado ser capaz de sair da superficialidade das letras de</span> <a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_m3brwm3hqBYY3Od4ft8o7RsdFyKwd3fmg&amp;si=4UJv5gRWChZJDXHl"><i><span style="font-weight: 400;">Pandora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e arriscar-se em melodias mais densas e pessoais. No novo lançamento, ela consolida ainda mais esse retrato e se lança em conceitos sonoros e visuais, preocupada em trazer uma narrativa coesa, que deveria dispensar grandes explicações. Com toda certeza, o álbum se torna um marco na carreira de Luísa Sonza, que adentra uma nova era, vivendo em um dos maiores momentos do </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/musica/noticia/2023/09/luisa-sonza-sai-em-defesa-de-nomes-do-pop-nacional-a-musica-brasileira-esta-viva-esta-diversificada.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Escândalo Íntimo" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/39nlfd4MoNcVGgvx64Opnt?si=4fIkkYC9S8ujTMvDS9tBCQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/">Falem bem ou falem mal, mas falem de Escândalo Íntimo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/escandalo-intimo-luisa-sonza-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31465</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 15:49:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Abelha Rainha]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Calcanhotto]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Bidu Reis]]></category>
		<category><![CDATA[Biscoito Fino]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Cálice]]></category>
		<category><![CDATA[Caso Miguel]]></category>
		<category><![CDATA[Chico César]]></category>
		<category><![CDATA[Claros Breus]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Disco]]></category>
		<category><![CDATA[Dois de Junho]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Rota Hilário]]></category>
		<category><![CDATA[Haroldo Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Letieres Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mangueira - a Menina dos Meus Olhos]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Bethânia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Teresa Martin Cadierno]]></category>
		<category><![CDATA[Mauro Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Mi Unicornio Azul]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Ney Matogrosso]]></category>
		<category><![CDATA[Nora Ney]]></category>
		<category><![CDATA[Noturno]]></category>
		<category><![CDATA[Nu Com a Minha Música]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Dafilin]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Roque Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Serginho Meriti]]></category>
		<category><![CDATA[Spotify]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Bernardes]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Pequenina Luz]]></category>
		<category><![CDATA[Xande de Pilares]]></category>
		<category><![CDATA[Zé Manoel]]></category>
		<category><![CDATA[Zeca Veloso]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27142</guid>

					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Não há ser humano no mundo capaz de trilhar um caminho feito todo de luz. Justamente por sermos humanos, a complexidade nos acompanha dia após dia, guiando-nos sempre diante das surpresas e mistérios da vida. Partindo dessa lógica, nossa existência se faz um eterno e heterogêneo jogo de luzes, penumbras e sombras. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/">Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27146" aria-describedby="caption-attachment-27146" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-800x602.jpg" alt="Fotografia retangular horizontal de Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um ambiente escuro. Maria Bethânia ocupa quase toda a imagem. Ela é uma mulher de cabelos soltos e grisalhos, está sentada, veste roupas principalmente douradas, traz uma pena avermelhada sobre o peito, olha para frente e pendura a mão esquerda sobre o braço de uma poltrona feita aparentemente de madeira." width="800" height="602" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-800x602.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-1024x770.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-768x578.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1-1200x903.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-1-1.jpg 1279w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27146" class="wp-caption-text">Dificilmente, um texto estará à altura de Maria Bethânia, mas falar da Abelha Rainha será sempre uma necessidade legítima (Foto: Jorge Bispo)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há ser humano no mundo capaz de trilhar um caminho feito todo de luz. Justamente por sermos humanos, a complexidade nos acompanha dia após dia, guiando-nos sempre diante das surpresas e mistérios da vida. Partindo dessa lógica, nossa existência se faz um eterno e heterogêneo jogo de luzes, penumbras e sombras. Nossa Arte, por sua vez, apenas reflete essa humanidade multifacetada, criando possibilidades e universos únicos, por vezes até mais atraentes do que aquilo que, por convenção, resolvemos chamar de ‘realidade’. De todas essas questões, especificamente da última, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/maria-bethania/"><span style="font-weight: 400;">Maria Bethânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende bem.            </span></p>
<p><span id="more-27142"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado em 2020, o novo álbum da Abelha Rainha, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/07/maria-bethania-ve-a-morte-do-brasil-e-busca-amor-tesao-e-panico-em-seu-novo-album.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> só foi disponibilizado pela gravadora </span><a href="https://www.instagram.com/biscoitofino/?hl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Biscoito Fino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em julho de 2021. Mas isso não quer dizer que, até o dia do aguardado lançamento, os fãs da intérprete brasileira desconheciam totalmente as 12 faixas do disco. Afinal, uma parte desse repertório foi apresentada no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2019/07/05/bem-de-perto-maria-bethania-conserva-a-habitual-magnitude-sob-a-luz-intensa-do-show-claros-breus.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Claros Breus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2019, realizado na </span><a href="https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2019/11/29/maria-bethania-mesclando-o-moderno-com-a-nostalgia-393962.php"><span style="font-weight: 400;">boate</span></a><span style="font-weight: 400;"> carioca Manouche. E o que se tornou uma espécie de consenso para a crítica nacional, quando finalmente nasceu a nova obra de Bethânia, foi exatamente a experimentação &#8211; em parte, herdada do espetáculo no Rio &#8211; que </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói com os fulgores e as trevas dos últimos anos.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo de uma espécie de paradoxo, a porta de entrada para o mais recente universo de Bethânia é a angústia perfeita. Ao escutarmos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JfKDs2JkKro"><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Bidu Reis/Haroldo Barbosa), faixa que abre o disco, temos a certeza de que resgatar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0yTruTiOpW8"><span style="font-weight: 400;">samba-canção</span></a><span style="font-weight: 400;"> gravado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uDuUCL4LSww"><span style="font-weight: 400;">mais de uma vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma figura da dimensão de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u38279.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nora Ney</span></a><span style="font-weight: 400;">, nome brasileiro </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/03/20/nora-ney-voz-noturna-dos-fracassados-no-amor-tem-centenario-de-nascimento-ignorado-pelo-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">centenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de canto extasiante, só poderia ser a escolha de uma intérprete sublime, igualmente consolidada e incomparável, que tem a sensibilidade como guia de todos os seus passos artísticos. Acompanhada pelo piano de Zé Manoel, a voz de Maria Bethânia assume, aqui, um ar tão dramático, que consegue nos transportar diretamente para o “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bar que é o refúgio barato/Dos fracassados no amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_27194" aria-describedby="caption-attachment-27194" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27194 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Noturno. Arte digital quadrada, com fundo branco. Quase no centro do disco, posicionado mais à direita, está o título Noturno, escrito em letras de fôrma maiúsculas azuis. Um pouco abaixo, lemos Maria Bethânia em letras cursivas de outra tonalidade azul." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-2-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27194" class="wp-caption-text">“Eu aprendi a cantar essa música muito cedo. Sempre gostei de canção dramática, forte, com vivência. E Nora Ney com aquele timbre, as pausas muito fortes, significativas, teatrais, me cativou”, declarou Maria Bethânia à Folha de S.Paulo (Foto: Biscoito Fino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sequência antitética, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZeQCSNL_Xxw"><i><span style="font-weight: 400;">O Sopro do Fole</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estabelece a primeira contraposição festiva do álbum. Arquitetando uma jornada em família, essa composição de </span><a href="https://www.instagram.com/zecalveloso/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Zeca Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, filho de Caetano, dá vida a um baião que surpreendeu até mesmo a Abelha Rainha. Em entrevista ao jornal </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/maria-bethania-circo-esta-fechado-para-gente-poder-me-expressar-um-premio-25131754"><i><span style="font-weight: 400;">O Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Bethânia afirmou que “</span><i><span style="font-weight: 400;">É estranho o Zeca tão carioca, tão urbano, ter feito uma canção quase que regional. É uma sensibilidade aguçada e talento de sobra. Foi uma das maiores emoções desse disco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. De fato, uma música tão singela sinaliza cristalinamente a poesia que paira sobre a família Veloso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer modo, lirismo é o que não falta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. Certos regionalismos, por sinal, seguem o mesmo caminho. Juntar esses dois elementos, no fim, pode ser uma decisão perfeita. Ótimo exemplo disso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MMLMGEJU3m4"><i><span style="font-weight: 400;">Lapa Santa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que encanta os ouvintes desde sua abertura &#8211; quase &#8211; épica. Lançada como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/15/maria-bethania-louva-o-velho-chico-com-fe-na-patria-brasileirinha-que-banha-o-single-lapa-santa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do álbum, a canção de Paulo Dafilin e Roque Ferreira alude ao município de Bom Jesus da Lapa (BA), que é banhado pelo rio São Francisco, e também às mais variadas e ricas devoções do povo nordestino. Logo em seguida, o samba </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wXk_UfTohlE"><i><span style="font-weight: 400;">De Onde Eu Vim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também de Paulo Dafilin, se afasta do tom dramático e da melancolia anteriores, mantendo, porém, uma inevitável saudade da Bahia, terra natal de Bethânia &#8211; e lugar tão distante durante a pandemia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maria Bethânia | Luminosidade (Ao Vivo no Manouche)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/QSOyULCIQ6o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação às faixas nem sempre recordadas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NfD-WWpM24s"><i><span style="font-weight: 400;">Vidalita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Diy2fyu20qU"><span style="font-weight: 400;">Maria Teresa Martin Cadierno</span></a><span style="font-weight: 400;">) com certeza merece destaque, já que, ao lado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m-ubdikVT_w"><i><span style="font-weight: 400;">Mi Unicornio Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gravada por Ney Matogrosso para o álbum </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/10/29/ney-matogrosso-veste-as-cancoes-do-album-nu-com-a-minha-musica-com-a-voz-ainda-pujante-que-tem-aos-80-anos.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nu Com a Minha Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, essa é uma das mais belas canções em espanhol lançadas por intérpretes brasileiros em 2021. Curioso é que, além de ser um recurso criativo, a junção de voz e violão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vidalita</span></i><span style="font-weight: 400;"> denuncia uma preocupação recorrente no pandêmico e mórbido ano de 2020: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu disco tem muito voz e violão, voz e piano, porque era uma maneira de realizar. Foi a solução que encontramos.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, revelou Bethânia ao jornal baiano </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/final-dos-tempos-sorri-bethania-sobre-critica-negativa/"><i><span style="font-weight: 400;">Correio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também lembrada com menor frequência, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=veingXksgP8"><i><span style="font-weight: 400;">Música Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entoa versos otimistas e enxerga uma luz no fim do túnel: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nascem novamente no meu peito/As ilusões</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">a vida/De novo me convida/Ao som divino de um violino/Chama pra cantar/A bem-aventurada música/Da esperança</span></i><span style="font-weight: 400;">”, narra a letra de Roque Ferreira. Tendo em vista que cada faixa carrega uma dedicatória própria, não é à toa que essa, em específico, foi dedicada aos sobreviventes. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DHlxE1qlgq4"><i><span style="font-weight: 400;">Cria da Comunidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(Xande de Pilares/Serginho Meriti), canção razoavelmente popular, é a escolha mais inusitada de todo o álbum. Aventurando-se por novos caminhos, e dividindo os vocais com </span><a href="https://www.instagram.com/xandedepilares/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Xande de Pilares</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Bethânia nos surpreende nesta bela colaboração, já que obtém sucesso até mesmo fora das sonoridades às quais está mais habituada.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o maior destaque de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, o bolero </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q6am8PNsRQ4"><i><span style="font-weight: 400;">Prudência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Da autoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/tim-bernardes/"><span style="font-weight: 400;">Tim Bernardes</span></a><span style="font-weight: 400;">, artista que se fixa cada vez mais na história da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Música brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa canção já é um dos grandes sucessos da filha de Dona Canô, podendo, mais cedo ou mais tarde, estar ao lado de clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Es3sgwyV--o"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Estará O Meu Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0Z39R6g5O8Y"><i><span style="font-weight: 400;">Olhos Nos Olhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DYcFMr29f2c"><i><span style="font-weight: 400;">Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sobre ela, na já mencionada entrevista ao jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">O Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bethânia contou que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Caetano ouviu e achou que fosse uma dessas pérolas antigas do cancioneiro nacional que eu escolho para os meus discos. Mas era do Tim!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. De certa forma, existe a forte sensação de que </span><i><span style="font-weight: 400;">Prudência</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu consagrada &#8211; e os números no </span><a href="https://open.spotify.com/track/7byA56peap14u8Pj3CcMgJ?si=410c9e40db714ea8"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parecem concordar com essa ideia.</span></p>
<figure id="attachment_27151" aria-describedby="caption-attachment-27151" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27151" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-640x800.jpg" alt="Fotografia retangular vertical de Tim Bernardes e Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um camarim. Tim ocupa o lado esquerdo da imagem, enquanto Bethânia se encontra no lado direito. Os dois se abraçam, sorriem e vestem roupas brancas. Tim Bernardes é um homem de cabelos compridos, bigode e óculos metálicos. Maria Bethânia é uma mulher de cabelos grisalhos e usa um relógio de pulso no braço esquerdo." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27151" class="wp-caption-text">Tim Bernardes e Maria Bethânia posam para foto publicada em 2019, no Instagram do cantor (Foto: Instagram/@timbernardes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por falar nas composições mais ouvidas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wL2VqI7gGa8"><i><span style="font-weight: 400;">A Flor Encarnada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/margem-finda-a-viagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adriana Calcanhotto</span></a><span style="font-weight: 400;">, é outro momento inigualável de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. Igualmente emoldurado pelo recurso voz e piano &#8211; tocado pelo mesmo Zé Manoel, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/06/24/maria-bethania-faz-a-flor-encarnada-brotar-com-a-devida-tristeza-no-primeiro-single-do-album-noturno.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">lead single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do álbum mergulha qualquer ambiente em uma melancolia densa, dramática, transformando os mínimos detalhes em um verdadeiro “</span><i><span style="font-weight: 400;">sertão de lágrimas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Poética ao extremo, essa flor de beleza torta se mostra demasiadamente trágica &#8211; e, talvez, seja exatamente o exagero de seus versos, combinado com uma profundidade instrumental, que a transforme em uma das canções mais bonitas de toda a obra.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Calcanhotto, alguns dos compositores recorrentes na discografia de Maria Bethânia não poderiam ficar de fora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa a realidade de Paulo Dafilin, Roque Ferreira e, com toda certeza, Chico César. Este último, vale ressaltar, banha-se na esperança cintilante de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U3ItqOP7jn0"><i><span style="font-weight: 400;">Luminosidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que recebe a dedicatória “</span><i><span style="font-weight: 400;">para pedir misericórdia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, enquanto Adriana aparece em dose dupla, protagonizando dois momentos cruciais do álbum. No segundo deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois de Junho</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2020/06/05/caso-miguel-como-foi-a-morte-do-menino-que-caiu-do-9o-andar-de-predio-no-recife.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Caso Miguel</span></a><span style="font-weight: 400;"> é revivido com muita teatralidade, violência, revolta e dor, denunciando à posteridade a morte evitável de um menino negro, de apenas cinco anos, neste “</span><i><span style="font-weight: 400;">país negro e racista</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RrtcQ2uh2no?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando uma das dedicatórias mais significativas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">para os indiferentes</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBhsrswZ3Ec"><i><span style="font-weight: 400;">Dois de Junho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> manifesta uma carga política incalculável, porque imortaliza um episódio que não pode se perder em meio à indiferença. Assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mu_Z71H6Ay4"><i><span style="font-weight: 400;">Carcará</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BEs_fP37lNo"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Gisberta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_pIFQOPr5EM"><i><span style="font-weight: 400;">Cálice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assistimos, aqui, àquela voz que não se cala, verdadeiro dote de uma artista devidamente atenta aos momentos históricos que vivencia. Não satisfeita com a visível qualidade da letra, Maria Bethânia ainda se insere, durante toda a canção, em uma </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/30/canto-magno-de-maria-bethania-brilha-no-contraste-entre-a-claridade-e-o-breu-que-ilumina-o-album-noturno.ghtml"><span style="font-weight: 400;">atmosfera instrumental</span></a><span style="font-weight: 400;"> tensa, que guia as aflições metafóricas e literais da crônica musical de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Myob26bhNqs"><span style="font-weight: 400;">Calcanhotto</span></a><span style="font-weight: 400;">.        </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A esperança, contudo, não morrerá tão cedo. Para encerrar magistralmente o álbum, a Abelha Rainha declama alguns </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3PqATKhWvgg"><span style="font-weight: 400;">fragmentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do revigorante poema </span><a href="https://www.escritas.org/pt/t/3002/uma-pequenina-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Pequenina Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do poeta português Jorge de Sena. Em constante comunhão com a Literatura, Bethânia nos emociona ao apontar que, embora incerta e vacilante, uma pequenina luz brilha “</span><i><span style="font-weight: 400;">no meio de nós</span></i><span style="font-weight: 400;">”, próxima, exata, firme… Eterna! Como um milagre, então, o calor dessa chama nos toca. Afaga o coração. Acaricia a alma. Traz lágrimas ao rosto dos ouvintes mais sensíveis e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-julho-2021/"><span style="font-weight: 400;">suspiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> à postura daqueles mais abalados. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Brilha./Não na distância. Aqui/no meio de nós./Brilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_27152" aria-describedby="caption-attachment-27152" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27152 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-728x1024.jpg" alt="Fotografia retangular vertical de Maria Bethânia. Ao fundo, vemos um ambiente escuro. Maria Bethânia ocupa quase toda a imagem. Ela é uma mulher de cabelos soltos e grisalhos, veste roupas principalmente douradas, usa dois anéis, um relógio dourado, traz uma pena avermelhada sobre o peito e olha para frente." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-768x1080.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1092x1536.jpg 1092w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1456x2048.jpg 1456w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4-1200x1688.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Imagem-4.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27152" class="wp-caption-text">Para o experiente crítico <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/07/30/canto-magno-de-maria-bethania-brilha-no-contraste-entre-a-claridade-e-o-breu-que-ilumina-o-album-noturno.ghtml">Mauro Ferreira</a>, “Noturno se alimenta do contraste entre a claridade e o breu” (Foto: Jorge Bispo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante lembrar que, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Claros Breus</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/final-dos-tempos-sorri-bethania-sobre-critica-negativa/"><span style="font-weight: 400;">quem encerrava o espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> era justamente a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ztA0cAlXf9Y"><i><span style="font-weight: 400;">Bar da Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e, com ela, toda a escuridão dos cenários noturnos. Em um processo inverso, o novo disco de Bethânia traz essa música para sua abertura e coloca o desfecho preciso sob responsabilidade de um poema extremamente luminoso. Afastando-se de devaneios ingênuos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> junta um excelente repertório escolhido pela intérprete baiana com a direção musical e os arranjos do maestro </span><a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/10/28/maestro-letieres-leite-morreu-por-insuficiencia-respiratoria-em-decorrencia-da-covid-19.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Letieres Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">In Memorian</span></i><span style="font-weight: 400;">), erguendo, a partir desse &#8211; e de outros &#8211; encontros, uma esperança realista de um futuro melhor.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certo é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se consolida como um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Entre%20o%20lan%C3%A7amento%20no%20fim,Cr%C3%ADticos%20de%20Arte%20(APCA)."><span style="font-weight: 400;">grandes discos de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e de toda a carreira de Bethânia. Em 2019, quando lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vdCN13SUI1I"><i><span style="font-weight: 400;">Mangueira &#8211; a Menina dos Meus Olhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a Abelha Rainha entregou aos fãs uma obra de qualidade, elaborada com muito carinho e zelo, mas que funcionava mais como tributo do que um álbum expressivo e denso. Agora, o que se contempla é uma experiência nova, até mesmo arriscada, mas que reitera o faro sensível de Maria Bethânia para suas interpretações. Uma mistura de luz, penumbra e sombra feita para quem sabe desbravar com intensidade as estradas da vida.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Noturno" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/3Q6KR2k01ltWu8OtqOmm3E?si=OPNTGw3eS76f6DaKHOB0uA&#038;nd=1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/">Noturno é a luz, a penumbra e a sombra dos trajetos humanos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/maria-bethania-noturno-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27142</post-id>	</item>
		<item>
		<title>De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Feb 2022 23:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[100 anos]]></category>
		<category><![CDATA[1922]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anita Malfatti]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Antropofagia]]></category>
		<category><![CDATA[Arte brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Brejo das Almas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Escola da Anta]]></category>
		<category><![CDATA[Guiomar Novaes]]></category>
		<category><![CDATA[Heitor Villa-Lobos]]></category>
		<category><![CDATA[Hino Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Lima Barreto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[Mário de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Pau-Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Verde-Amarelo]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Noel Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[O mito do modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oswald de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Geração Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Geração Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de 22]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna no Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Serafim Ponte Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Tarsila do Amaral]]></category>
		<category><![CDATA[Theatro Municipal de São Paulo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26140</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Semana de Arte Moderna terminou ontem, mas as perguntas que o movimento cultural brasileiro deixou são para mais de 100 anos Raquel Dutra 18 de fevereiro de 1922. As cortinas do salão de concertos já se fecharam, as luzes do saguão de exposições já se apagaram, e as portas do Theatro Municipal de São &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">A Semana de Arte Moderna terminou ontem, mas as perguntas que o movimento cultural brasileiro deixou são para mais de 100 anos</span></i></p>
<figure id="attachment_26141" aria-describedby="caption-attachment-26141" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios.jpg" alt="Pintura &quot;Operários&quot; de Tarsila do Amaral. A imagem é composta por vários rostos de pessoas das mais diversas feições e tons de pele. Elas se organizam na diagonal da imagem, de forma crescente, da esquerda para direita, uma em cima da outra. Ao fundo, existe o desenho de uma indústria e o céu é azul." width="1280" height="926" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-800x579.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-1024x741.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-768x556.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-1200x868.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26141" class="wp-caption-text">“Que esperem o centenário. Se no ano de 2022 ainda se lembrarem disso, então sim.”, respondeu Manuel Bandeira quando questionado sobre a necessidade de relembrar a Semana de Arte Moderna em 1952 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">18 de fevereiro de 1922. As cortinas do salão de concertos já se fecharam, as luzes do saguão de exposições já se apagaram, e as portas do Theatro Municipal de São Paulo já se trancaram. Lá fora, pelas ruas da cidade, corre uma promessa de novos ares, criada pelos artistas que estiveram reunidos durante os últimos cinco dias no centro cultural mais tradicional da capital paulista. A ideia é transformar a Arte nacional através do que existe no nosso próprio país, buscando, assim, uma expressão artística 100% brasileira. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Genial e revolucionário!</span></i><span style="font-weight: 400;">” exclama quem cruza com essa energia pelo caminho, porque ali, alguém testemunhou o início do modernismo no Brasil. É o primeiro dia pós-Semana de Arte Moderna, e sua força tem o potencial de influenciar todo o resto do país a procurar pelas suas raízes e colocá-las para fora, sem depender nunca mais de referências externas. Pelo menos, </span><a href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000200022#:~:text=O%20ano%20de%202012%20marca,cria%C3%A7%C3%A3o%20de%20uma%20identidade%20brasileira."><span style="font-weight: 400;">é o que eles dizem</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26140"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas no decorrer dos 100 anos que sucederam o momento em que a chamada primeira geração modernista se reuniu para repensar a Arte brasileira, os eventos daquela semana se mostraram cada vez mais complexos. Desde excluir colaborações precursoras fora do centro artístico de São Paulo até a inconsistência do idealismo de seus próprios realizadores e os caminhos duvidosos das reivindicações, a Semana de 1922 é objeto de uma disputa narrativa que, talvez na única de suas intenções integralmente contemplada, acompanha </span><a href="http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=4442&amp;ed=765&amp;f=3"><span style="font-weight: 400;">a História do Brasil no último século</span></a><span style="font-weight: 400;">. O assunto do fim daquele primeiro dia em que a Arte brasileira assumia um compromisso definitivo com o contexto histórico-social-cultural do país se estenderia pelo próximo centenário, a fim de refletir sobre as origens e efeitos do movimento, e o que ele diz sobre a identidade brasileira. E como pediu Manuel Bandeira, estamos em 18 de fevereiro de 2022.</span></p>
<figure id="attachment_26142" aria-describedby="caption-attachment-26142" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de um grupo de homens em evento da Semana de Arte Moderna. Eles estão em um tapete escuro, ao centro da imagem, e parte deles se organizam numa escada no fundo da imagem. Na frente da escada, existem três cadeiras onde estão sentados mais três homens, e na frente, está um deles sentado no tapete do chão. Todos eles vestem ternos." width="900" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2-800x622.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2-768x597.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26142" class="wp-caption-text">Para estudiosos como o jornalista Ruy Castro, o verdadeiro modernismo brasileiro acontecia fora de São Paulo, em cidades como o Rio de Janeiro, cujo desenvolvimento artístico e cultural já era mais avançado em 1922 (Foto: Arquivo Brasil)</figcaption></figure>
<p><em><b>Era uma vez<br />
</b></em><em><b>O mundo</b></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, ao olhar para trás, o principal aspecto de 1922 é identificável no país desde o final do século XIX. Curiosamente contradizendo a premissa central do movimento, foi por influência internacional que a cultura brasileira começou a se modernizar, através do desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da expansão e reivindicação do Rádio, do Cinema, da TV e da Música no Brasil do início dos </span><a href="https://minutocultural.com.br/brasil-1900-a-1910/"><span style="font-weight: 400;">anos 1900</span></a><span style="font-weight: 400;">. Preenchendo estes meios, existiam artistas e comunicadores que já refletiam sobre a identidade brasileira em um cenário de efervescência cultural nos primeiros anos do século XX. A atuação dos nomes ligados a essa modernidade originária, no entanto, era de e para as classes populares, expressões que não estavam presentes no horizonte visionário da <a href="https://super.abril.com.br/cultura/moderna-conheca-a-elite-conservadora-por-tras-da-semana-de-arte-de-22/">alta sociedade</a> artística paulista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condição era a mesma no contexto da expressão mais presente na Semana de Arte Moderna. Enquanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">a Literatura de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;"> buscava suceder o academicismo do Parnasianismo em críticas pungentes aos padrões literários do movimento, os nomes de precursores como </span><a href="https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/11187"><span style="font-weight: 400;">Lima Barreto</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estavam assinando as palavras proclamadas no Theatro Municipal. O autor carioca veio a falecer em novembro daquele ano, depois de ser totalmente excluído de uma importante atuação que poderia ter acontecido junto da primeira geração modernista, especialmente enquanto autor negro pioneiro nas linguagens e expressões propagadas no evento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sons que ecoavam entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922 também poderiam ter ido além, de forma ainda mais radical do que inovação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Música Modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, compreendendo a revolução que o samba fazia na região sudeste do país naquele momento. Mas não, </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/120/noel-rosa--um-seculo-para-o-filosofo-do-samba"><span style="font-weight: 400;">Noel Rosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua música popular em expansão, mesmo já vista como um potente aspecto de definição da identidade nacional, próximo do centro artístico de São Paulo e protagonizando um movimento 100% brasileiro que rejeitava influências internacionais, não teve um horário para chamar de seu no palco do Theatro, entre as belíssimas apresentações de Villa-Lobos e <a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/">Guiomar Novaes</a>. </span></p>
<figure id="attachment_26143" aria-describedby="caption-attachment-26143" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Arte-moderna-8.jpg" alt="Convite para evento da Semana de Arte Moderna de 1922. Ele noticia uma apresentação de Villa-Lobos, no dia 17 de fevereiro de 1922. O formato é quadrado e a fonte é simples, clássica da época." width="564" height="633" /><figcaption id="caption-attachment-26143" class="wp-caption-text">Foi um surto: depois de 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna repercutiu pouco para além das bolhas de São Paulo, no entanto, o evento foi de importante influência para o resto do país nos anos seguintes, visto as gerações modernistas subsequentes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O “heroísmo paulista” que comprometeu o alcance e representação da Semana se relaciona com o </span><a href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000200022#:~:text=O%20ano%20de%202012%20marca,cria%C3%A7%C3%A3o%20de%20uma%20identidade%20brasileira."><span style="font-weight: 400;">mito do modernismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Também iniciada alguns anos antes de 1922 mas tão difícil de definir quanto a origem do movimento, estudos sobre o tema apontam a probabilidade de que as ideias desenvolvidas no evento tenham surgido, primeiramente, de Mário de Andrade. Alguns anos antes de integrar a organização da Semana de Arte Moderna, o escritor, musicólogo, fotógrafo, crítico e historiador já fantasiava protagonizar o início de um movimento artístico disruptivo no país. É possível identificar as tendências modernistas de </span><a href="https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/BUOS-9PBHZG"><span style="font-weight: 400;">Mário de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde 1919, na época em seus vinte e poucos anos e trabalhando em seus primeiros livros sobre arte colonial, que iam em direção a uma busca pela identidade nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia ganha força especial em 1922 quando junto do centenário que era comemorado 100 anos atrás: </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CentenarioIndependencia#:~:text=Centen%C3%A1rio%20da%20Independ%C3%AAncia%20%7C%20CPDOC&amp;text=Em%20s%C3%ADntese%3A%201922%20foi%20um,pompa%20o%20Centen%C3%A1rio%20da%20Independ%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">a independência do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relação a Portugal. As festividades, no entanto, tinham um retrogosto incômodo para os grupos culturais: a Arte e a Cultura brasileiras ainda tinham &#8220;cara de Europa&#8221; mesmo 100 anos depois de 1822 &#8211; nos centros de classe mais alta, já que as camadas populares buscavam romper com os padrões internacionais desde o início dos anos 1900. Junto ao contexto mundial pós-Primeira Guerra, a sensação daqueles artistas, em constante contato com os ambientes internacionais, era a de que o Brasil estava atrasado. O momento era de profunda reflexão sobre o passado, presente e futuro do país, e assim a Arte procurou vivê-lo.</span></p>
<figure id="attachment_26144" aria-describedby="caption-attachment-26144" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5.jpg" alt="Pintura de Anita Malfatti &quot;Paisagem de Ouro Preto&quot;." width="1200" height="961" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-800x641.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-1024x820.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-768x615.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26144" class="wp-caption-text">Outra parte importante para a consolidação do mito modernista veio do Grupo Clima, formado, principalmente, por Antonio Candido e Lourival Gomes Machado, que discutia a Cultura com um viés crítico sociológico e interpretou a Semana como marco fundador do Modernismo no Brasil, definindo a narrativa que comumente conhecemos hoje (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, a cúpula modernista responsável pela Semana, embarcaram num contraditório projeto de “</span><a href="http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/3338"><span style="font-weight: 400;">redescoberta do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">” em 1924, junto do poeta francês Blaise Cendrars. Inicialmente de tom irônico planejado por Oswald, a nova empreitada dos paulistas procurava se aprofundar na questão da identidade nacional &#8211; isto é, a cultura indígena e a afro-brasileira. De lá, o trio &#8211; que virava o <a href="https://www.facebook.com/CasaMariodeAndrade/videos/o-grupo-dos-cinco/921278148345422/">Grupo dos Cinco</a> quando junto de Anita Malfatti e Menotti Del Picchia &#8211; retornou com suas novas perspectivas, convertidas numa arte mais antropológica e etnográfica, longe de ser verdadeiramente representativa. O principal, no entanto, era a diferença entre os caminhos que cada um deles tomaria nos anos seguintes ao perseguir a raiz do modernismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta à São Paulo, a inconsistência dos modernistas foi evidenciada: Anita Malfatti não estava mais no país, enquanto Tarsila do Amaral, Oswald e Mário de Andrade assumiram uma postura primitivista nas artes brasileiras, através do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tWJCbUL_vak"><span style="font-weight: 400;">Movimento Pau-Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a famosa </span><a href="https://laart.art.br/blog/o-que-e-antropofagia/"><span style="font-weight: 400;">Antropofagia</span></a><span style="font-weight: 400;">, num rumo que dali alguns anos os levariam até o Partido Comunista Brasileiro. Do outro lado, Menotti Del Picchia se atraía pelo fascismo, empenhado no Movimento Verde-Amarelo &#8211; </span><em><a href="https://brasil123.com.br/bolsonaro-retoma-verde-amarelismo-nacionalismo-puro-e-tendencia-nazifascista/"><span style="font-weight: 400;">soa familiar?</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> &#8211; junto da </span><a href="https://modernismoepaminondas.blogspot.com/p/movimento-anta-e.html"><span style="font-weight: 400;">Escola da Anta</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Plínio Salgado, o fundador do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-58205709"><span style="font-weight: 400;">integralismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e principal nome da extrema-direita no país na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era uma ebulição político-econômica-social que imperava no Brasil de 100 anos atrás. Por todos os lados e em todas as narrativas, a famigerada identidade nacional era perseguida e a promissora Arte Moderna era usada: nos anos 30, com foco para a Revolução Constitucionalista, o evento servia para construir a imagem de São Paulo como o motor do país; em 1945, no Estado Novo, a política era baseada na busca pela </span><a href="http://ppghis.com/outrasfronteiras/index.php/outrasfronteiras/article/view/172"><span style="font-weight: 400;">“brasilidade”</span></a><span style="font-weight: 400;">; já entre 1950 e 1960, o </span><a href="http://memorialdademocracia.com.br/card/nacional-desenvolvimentismo"><span style="font-weight: 400;">nacional-desenvolvimentismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> invocava o imaginário popular para o Brasil como o país do futuro; e nos anos 70, a Ditadura fez as vezes, retrabalhando a cultura para o seu interesse e desaguando no infame “</span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-03/brasil-ame-o-ou-deixe-o-regime-divide-sociedade-com-exilios-e-cassacoes"><i><span style="font-weight: 400;">Brasil: ame-o ou deixe-o</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_26145" aria-describedby="caption-attachment-26145" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade em viagem. Eles estão todos de pé, na frente de um descampado." width="1200" height="776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-800x517.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-768x497.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26145" class="wp-caption-text">A própria primeira geração modernista realizou autocríticas nos anos seguintes à Semana de 22, tanto no que tange à Arte em si, como no significado do movimento; na foto: Olívia Guedes Penteado, Blaise Cendrars, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e seu pai, José Oswald Nogueira de Andrade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><em><b>Nenhum Brasil existe</b></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais complexo que seja, esse contexto não pede muito de nós, </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/o-que-semana-de-22-pode-ensinar-para-o-brasil-de-2022-teste-conhecimentos-com-quiz-1.3191568"><span style="font-weight: 400;">em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, para compreender o porquê de ter ideais nacionalistas como inspiração de classes dominantes inflamadas poderia resultar em eventos ainda mais complexos. Em 1942, então, o próprio Mário de Andrade já compreendia a autocrítica necessária para os modernistas de 1922, realizando-as na conferência em comemoração aos 20 anos da Semana, onde o autor leu o artigo </span><a href="https://digital.bbm.usp.br/view/?45000003239&amp;bbm/7730#page/6/mode/2up"><i><span style="font-weight: 400;">O Movimento Modernista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, quando </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo12178/modernismo-segunda-geracao"><span style="font-weight: 400;">a próxima geração</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Modernismo brasileiro surgiu, a confusão não era mais a mesma. A Política seguia as ondas da Semana de 22, mas a Arte respirava para além do estado de São Paulo. Com a liberdade de deixar-se influenciar mais pelo que o movimento significou nos outros países, a presença de artistas como Carlos Drummond de Andrade chegou ainda questionando os padrões vigentes, mas sem a energia combativa de seus antecessores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A identidade nacional? Jamais se desvinculou do que existiu sob o título de modernista e brasileiro. Logo em seu segundo livro de poesias (</span><i><span style="font-weight: 400;">Brejo das Almas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1934), o</span> <a href="http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/3149"><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> adota a perturbação de seus contemporâneos ao mesmo tempo em que vai na direção oposta à de seus antecessores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hino Nacional</span></i><span style="font-weight: 400;">, o modernista reconhece o tamanho de suas palavras e o tamanho da questão que sua geração artística encarava:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.<br />
</span><span style="font-weight: 400;">O Brasil não nos quer! Está farto de nós!<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, quando a terceira geração chegou em 1945, parecia que </span><a href="https://realizeeducacao.com.br/wiki/terceira-geracao-modernista-e-literatura-contemporanea/"><span style="font-weight: 400;">o verdadeiro Modernismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> havia sido finalmente encontrado. Entre Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Lygia Fagundes Telles e Ariano Suassuna, o artista brasileiro sentia-se livre da obsessão pela </span><a href="https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/123650/ISBN9788579835155.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><span style="font-weight: 400;">inalcançável identidade nacional uniforme</span></a><span style="font-weight: 400;"> e homogênea. Com um espaço cada vez maior para as individualidades que formam um país como o nosso, o movimento alcançava dimensões mais amplas das contempladas em 1922. A Arte era representante de si mesma, e em cada uma dessas representações, contemplava o ser no Brasil. </span></p>
<figure id="attachment_26146" aria-describedby="caption-attachment-26146" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26146 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade. Ambos estão sentados num sofá e se olham. Carlos sorri para Lygia e tem um caderno nas mãos." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26146" class="wp-caption-text">Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade em 1955 (Foto: Arquivo Lygia Fagundes Telles/IMS)</figcaption></figure>
<p><strong><i>O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus</i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas 100 anos depois, vivendo no </span><a href="https://ccbb.com.br/sao-paulo/programacao/brasilidade-pos-modernismo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preciso dizer também que nem tudo de 1922 estava errado. Quando Heitor Villa-Lobos saiu por aí mesclando o folclore do nosso país às músicas clássicas mais respeitadas do mundo para compor suas </span><a href="https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/escritas/article/download/1142/8037/#:~:text=Villa%2DLobos%20comp%C3%B4s%20as%20Bachianas,anos%20de%201930%20e%201945.&amp;text=As%20Bachianas%20Brasileiras%20s%C3%A3o%20nove,dos%20mais%20importantes%20compositores%20brasileiros."><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas Brasileiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele parecia saber que um século depois uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/delta-estacio-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">Juçara Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> estaria analisando o samba de seu berço fundador, Estácio de Sá, lado a lado com a origem do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues n</span></i><span style="font-weight: 400;">o Delta Mississippi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Oswald de Andrade, logo depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">frisson</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Semana de Arte Moderna, diagnosticou cirurgicamente um Brasil machucado nas primeiras páginas de </span><a href="https://tupa.claec.org/index.php/latinidades/latinidades2020/paper/view/2235/992"><i><span style="font-weight: 400;">Serafim Ponte Grande</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro que só seria lançado em 1933. Disruptivo com a febre nacionalista e um tanto amargurado diante da efusividade de seus colegas, ele entendeu que o nosso país era marcado pela limitação de autonomia e inconstância de futuro, numa obra de alta inventividade, rebeldia, reflexão e inspiração, exatamente assim como uma jovem Aline Bei faz no século XXI em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde quer que olhemos, os artistas brasileiros são influenciados pela busca da nossa identidade. E o ato de entender um Brasil como o nosso só pode realmente ser uma Arte. 100 anos depois, num cenário tão politicamente crítico, culturalmente caótico e socialmente desamparado quanto o que inspirou as movimentações de 1922, a questão ainda é presente em cada artista que tenta registrar, interpretar, analisar e/ou criticar a nossa realidade. Não há padrão para mais nada e não há tempo para fazer qualquer coisa que não diga respeito à nossa própria identidade. Ao mesmo tempo, nunca estivemos </span><a href="https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2022/02/a-cultura-brasileira-precisa-voltar-a-respirar/"><span style="font-weight: 400;">tão distantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de qualquer definição cultural. E tem algo mais modernista e brasileiro do que isso? Existindo nós ou não, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4PLthgtPyPA"><span style="font-weight: 400;">18 de fevereiro de 2122</span></a><span style="font-weight: 400;">, nós vamos saber.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/">De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26140</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 19:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[100 anos]]></category>
		<category><![CDATA[1922]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bachianas Brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário]]></category>
		<category><![CDATA[Chorinho]]></category>
		<category><![CDATA[Choro]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore]]></category>
		<category><![CDATA[Folclore brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Heitor Villa-Lobos]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Música Clássica Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[O Trenzinho Caipira]]></category>
		<category><![CDATA[Pixinguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de 22]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Arte Moderna no Persona]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26038</guid>

					<description><![CDATA[<p>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica Bruno Andrade No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Na Semana de 1922, o maestro já demonstrava seu esforço em trazer elementos do folclore brasileiro à Música Clássica</em></p>
<figure id="attachment_26040" aria-describedby="caption-attachment-26040" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26040 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, com a mão direita sobre as teclas, inclinado à lateral, com a cabeça virada para a direita. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um terno de cor cinza com listras de cor branca e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas. O piano é de cor preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26040" class="wp-caption-text">Tido como o principal musicista da Semana de Arte Moderna, Heitor Villa-Lobos teve repercussão internacional, marcando-o como o maior maestro e compositor clássico brasileiro (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, o público acomodou-se de forma lenta e espaçada, aguardando a apresentação de um músico carioca, tido como o mais conceituado da </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/02/11/semana-de-arte-moderna-de-22-reportagens-e-documentarios-mostram-legado-do-movimento-cultural-em-sao-paulo-e-no-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um dos maestros brasileiros mais promissores já à época do evento. O musicista fazia parte de três dias da programação da Semana, e, ao ser convidado para integrá-la, estava às vésperas de completar 35 anos. Para sua estreia no palco paulistano, ele selecionou o que de mais representativo havia produzido em </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-musica-de-camara/"><span style="font-weight: 400;">música de câmara</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos anteriores. Não demorou para que o compositor, vestindo casaca e calçando, em um pé, sapato, e, no outro, chinelo, surgisse no palco, seguido por vaias e urros de negação. A plateia havia interpretado o uso do chinelo como puro desrespeito; aparentemente, era apenas um machucado no dedão – mas pode bem ser que não fosse. De qualquer forma, o espetáculo pôde enfim começar: </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11902/heitor-villa-lobos"><span style="font-weight: 400;">Heitor Villa-Lobos</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou.</span></p>
<p><span id="more-26038"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, Villa-Lobos teve sua consagração através de um esforço em integrar elementos nacionalistas e ritmos ligados à cultura afro-brasileira e indígena, jogando luz a uma faceta da cultura nacional que muitas vezes mantinha-se à margem dos musicistas clássicos. Em suas obras maiores, atingiu um tom ufanista, e misturou complexos padrões rítmicos da Música brasileira com multi-tonalidade, influenciado por </span><a href="https://www.concerto.com.br/noticias/arquivo/acervo-concerto-vida-de-igor-stravinsky"><span style="font-weight: 400;">Stravinsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/darius-milhaud-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">Milhaud</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, combinou elementos da Música popular e da tradição musical europeia, impulsionando, invariavelmente, o Brasil na rota da Música Clássica do século XX.</span></p>
<figure id="attachment_26041" aria-describedby="caption-attachment-26041" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está regendo uma orquestra. Na mão direita, segura uma batuta de maestro, de cor branca, enquanto a mão esquerda faz um gesto de regência. Ele está vestindo um terno de cor preta. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O fundo da imagem é preto." width="1197" height="1266" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2.jpg 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-756x800.jpg 756w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-968x1024.jpg 968w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-2-768x812.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26041" class="wp-caption-text">Villa-Lobos contrariou a vontade de sua mãe ao entrar na escola de Música, pois seu desejo era que ele se tornasse médico (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar de Villa-Lobos apresenta algumas dificuldades elementares, visto que sua vasta produção musical possui mais de mil obras, e algumas </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/pesquisador-encontra-obra-de-villa-lobos-dos-anos-1930-considerada-perdida/"><span style="font-weight: 400;">sequer foram executadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, mistura-se às dificuldades encontradas em analisar a Semana de Arte Moderna, como a ausência de documentos sobre o evento e a forma destoante que foi interpretado pela sociedade. Durante a Semana, o músico se apresentou em três dias (13, 15 e 17), cujo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60321269"><span style="font-weight: 400;">episódio marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> – em que surgiu no palco calçando um chinelo solitário – ocorreu somente no terceiro dia de apresentações, com a sala do Theatro Municipal mais vazia que nos dias anteriores. O jeito irreverente do compositor – era chamado pejorativamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vira-Loucos” </span></i><span style="font-weight: 400;">– põe em dúvida a existência da possível lesão no pé, mas de nenhuma forma descarta a possibilidade. Ilustra, porém, muito da personalidade de Villa-Lobos: ele foi a junção do popular e do erudito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu pai, Raul Villa-Lobos, foi um bibliotecário e músico amador, que deu o pontapé inicial para introduzir o filho à Música Clássica, após perceber seu talento natural. Aos 6 anos de idade, Heitor já havia aprendido a tocar clarinete e violoncelo, sob supervisão do pai. Não muito tempo depois, quando o futuro maestro tinha apenas 12 anos, Raul faleceu, vítima de malária. Concomitante à morte paterna, a mãe de Villa-Lobos, Noêmia, instituiu regras bastante claras contra os interesses musicais do filho, e declarou que ele deveria se tornar médico. A História diz que, após Villa-Lobos ser proibido de tocar violão – outra de suas paixões –, passou a fugir pela noite para frequentar as rodas de </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/choro"><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (nesse caso, além da proibição imposta na casa, havia também o preconceito, visto que a Música popular ainda tinha a pecha de ser dominada pelas classes mais baixas), e aprimorou-se silenciosamente no instrumento, o qual mantinha escondido embaixo da cama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das milhares de composições de Heitor Villa-Lobos, destacam-se as 11 sinfonias, três óperas e 18 peças para quarteto de cordas, criadas sob influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">choro</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou </span><i><span style="font-weight: 400;">chorinho </span></i><span style="font-weight: 400;">–, gênero de Música popular e instrumental, com origem carioca em meados do século XIX, cuja personalidade de maior renome foi </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/pixinguinha/"><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897-1973). Ele também compôs nove obras intituladas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EqCj0gkbBMs&amp;ab_channel=CulturaOccidentale"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas Brasileiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre 1930 e 1945, que combinam as influências da Música brasileira e do neo-barroco, especialmente de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/21/cultura/1553148804_091725.html"><span style="font-weight: 400;">Johann Sebastian Bach</span></a><span style="font-weight: 400;">, como seu título sugere. Nessas </span><a href="https://classicos.mus.br/generos.htm"><span style="font-weight: 400;">suítes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Villa-Lobos fundiu de forma intensa material folclórico brasileiro – em especial a </span><a href="https://musicalidades.com.br/diferenca-musica-caipira-e-sertaneja/"><span style="font-weight: 400;">música caipira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – à elementos clássicos, transformando esse trabalho em uma de suas principais obras. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KTKVgaY56NI&amp;ab_channel=Osesp-OrquestraSinf%C3%B4nicadoEstadodeS%C3%A3oPaulo"><i><span style="font-weight: 400;">O Trenzinho Caipira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte final das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A_KjasIEtC0&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas No. 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um de seus trabalhos mais populares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bachianas Brasileiras No. 4 • Villa-Lobos • São Paulo Symphony Orchestra" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IKjCiENbWoU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna – e uma estadia em Paris, de 1923 a 1925 –, sua música sofreu mudanças significativas. Na França, Villa-Lobos encontra uma vanguarda musical que contesta as ideias de </span><a href="https://classicosdosclassicos.mus.br/compositores/claude-debussy/"><span style="font-weight: 400;">Claude Debussy</span></a><span style="font-weight: 400;"> – Darius Milhaud faz parte desse grupo –, cujo interesse cultural estava lentamente transicionando para o surrealismo e o extravagante, o que influenciou o músico a apostar em formatos distantes do conservadorismo que dominava as composições clássicas. Um instrumento que ganhou destaque em muitas realizações do músico pós-Semana</span> <span style="font-weight: 400;">foi o saxofone. Ele próprio tocava clarinete e eventualmente tocava o sax. Um de seus amigos de infância, </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/compositores/anacleto-de-medeiros"><span style="font-weight: 400;">Anacleto de Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi um exímio saxofonista, colaborando em muitos dos trabalhos de Villa-Lobos, os quais resultaram em uma quantidade considerável de música de câmara para o instrumento, além de obras orquestrais, como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9PbQtnubBvM&amp;ab_channel=WelleszTheatre."><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia No. 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual pede um quarteto de saxofones.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, embora fosse importante para Villa-Lobos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8mFKTOQ9LLw&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">para saxofone soprano e pequena orquestra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é seu único trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o instrumento. A obra foi composta em 1948, e dedicada ao saxofonista francês Marcel Mule, o qual Villa-Lobos conheceu ainda em Paris. A composição foi iniciada em Nova York mas concluída somente no Rio de Janeiro, ao final daquele ano. Mule nunca chegou a tocar </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasia</span></i><span style="font-weight: 400;">, alegando dificuldades devido a tonalidade exigir notas fora da </span><a href="https://souzalima.com.br/blog/o-que-e-tessitura/"><span style="font-weight: 400;">tessitura</span></a><span style="font-weight: 400;"> do saxofone. Foi, portanto, Waldemar Szpilman, um saxofonista polonês que se mudou para o Brasil em 1925, que estreou a obra como solista, no Rio de Janeiro, em 1951. Um fato curioso é que Waldemar era primo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/wladyslaw-szpilman-incrivel-historia-real-por-tras-de-o-pianista.phtml"><span style="font-weight: 400;">Władysław Szpilman</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pianista que de forma milagrosa sobreviveu em Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial, como relatado nas memórias que originaram </span><a href="https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/analise-perseguicao-aos-judeus-atraves-filme-pianista.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Pianista</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), filme que rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator para </span><a href="https://personaunesp.com.br/pepequeno-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adrien Brody</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o mais interessante é que, paradoxalmente, após a viagem à França, Villa-Lobos entende que precisa deixar de lado as influências francesas, vistas com muito esmero pela aristocracia brasileira à época – as </span><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas </span></i><span style="font-weight: 400;">surgem daí, num esforço em apontar Bach no cenário folclórico brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_26043" aria-describedby="caption-attachment-26043" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está olhando diretamente para a câmera, com seu rosto apoiado em sua mão esquerda. Na mão, há um anel de cor cinza em seu dedo mindinho. Ele está com um charuto de cor cinza na boca, e veste uma camisa social de cor branca. Villa-Lobos é um homem branco, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo." width="1772" height="1215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1024x702.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-768x527.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1536x1053.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-3-1200x823.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26043" class="wp-caption-text">5 de março é oficialmente o Dia Nacional da Música Clássica, em homenagem a Heitor Villa-Lobos (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem musical relevante na Semana de Arte Moderna – naturalmente ofuscado por seu trabalho de poeta e romancista –, foi </span><a href="https://www.amazon.com.br/Macuna%C3%ADma-Her%C3%B3i-Sem-Nenhum-Car%C3%A1ter/dp/6586490472/ref=asc_df_6586490472/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379715911398&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=8134830901215436604&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=9100699&amp;hvtargid=pla-1785663324432&amp;psc=1"><span style="font-weight: 400;">Mário de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1893-1945). Além de escritor, Andrade foi musicólogo, crítico musical e um relevante compositor, atuando como professor de Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP). Alguns de seus poemas, em especial os da coletânea </span><a href="https://www.infoescola.com/livros/pauliceia-desvairada/"><i><span style="font-weight: 400;">Paulicéia Desvairada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1922), desenvolvem-se com a utilização livre das métricas, e, por conseguinte, traçam certos ideais musicais, visto que se desprendem da estrutura formal a qual vinha sendo produzida a poesia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhado com Villa-Lobos, o escritor defendia que a pesquisa do </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">folclore brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> deveria ser a principal fonte temática e técnica dos músicos eruditos – pelo menos daqueles que se propunham a criar uma música </span><i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, ambos os autores ganharam notoriedade como os principais integrantes da Semana que vislumbraram um novo projeto de cultura nacional através da Música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O folclore, na concepção mais ou menos uniforme desses autores, manifesta-se como o conjunto de relações que se originam de provérbios, histórias, danças e junção das religiões, além de elementos da música de rua. Não seria absurdo afirmar que, no fundo, a ideia defendida por Villa-Lobos e Mário de Andrade era a de que a cultura popular deveria ser o principal motor de identificação artística dos brasileiros, deixando em segundo plano as referências internacionais. Estendendo ao todo, essa também foi uma reivindicação dos demais </span><a href="https://www.todamateria.com.br/modernismo-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">modernistas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bachianas Brasileiras No. 1 • Villa-Lobos • Berlin Philharmonic" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R0us7Zof_a0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos demorou a ser consenso, e uma parcela da crítica interpretou as referências folclóricas de suas obras como apropriações; à época, esses críticos não estavam preocupados com as questões identitárias imprescindíveis a acusação, mas tinham o intuito de apontar uma falta de originalidade do compositor. Para </span><a href="http://osesp.art.br/ensaios.aspx?Ensaio=25"><span style="font-weight: 400;">Leopoldo Waizbort</span></a><span style="font-weight: 400;">, professor do Departamento de Sociologia da USP, Heitor Villa-Lobos não incorporou apenas elementos indígenas em suas composições, mas também os defeitos de gravação registrados nos </span><a href="https://amar.art.br/fonogramas-o-que-e-como-cadastrar/"><span style="font-weight: 400;">fonogramas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa forma, não seria a música indígena que estaria sendo reproduzida, mas havia, sim, algo criado a partir dela. Aí encontra-se a originalidade: a partir de elementos folclóricos, obras totalmente novas foram concebidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3WNDf03560c&amp;t=1518s&amp;ab_channel=fabianoborges"><i><span style="font-weight: 400;">Villa-Lobos: O Índio de Casaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987), dirigido por Roberto Feith e produzido pela Rede Manchete, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tlp8iY4g--4&amp;list=RDEMaSNlR4D39GSTw_9snvHBGQ&amp;start_radio=1&amp;ab_channel=AntonioCarlosJobim-Topic"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece reverenciando Villa-Lobos e demonstrando seu débito com o maestro. Nos trechos, Jobim relata os encontros que manteve com o compositor em sua residência, nos quais observava suas produções caóticas, sempre cercado por barulhos diversos – dos sons altos que saiam da TV aos músicos que ensaiavam na sala da casa. Não é difícil entender que, para Villa-Lobos, os ruídos internos e externos seguiam por caminhos diferentes, e, talvez, fossem unificados somente no resultado final de suas obras. Em seus últimos anos, Heitor Villa-Lobos consolidou-se como uma figura de importância na divulgação da Música, e seu projeto orfeônico de educação musical, iniciado ainda nos 1930, não terminou com sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As partituras de Villa-Lobos revelam que, além da preocupação com uma identidade nacional, mantinha-se uma inquietação quanto aos procedimentos que se tornavam acadêmicos, destituídos de significação para a música cotidiana. Um dos legados do maestro foi introduzir, na Música Clássica brasileira, uma ruptura, na qual foram promovidas ideias revolucionárias que, à época, soaram absurdas. Esse rompimento foi totalmente absorvido pelos movimentos contraculturais no Brasil, em especial o </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/tropicalismo.htm"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seus ideais foram tão difundidos que é difícil não enxergar Villa-Lobos em toda a Música brasileira – ele está na </span><a href="https://personaunesp.com.br/maria-rita-elo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">MPB</span></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bossa Nova</span></a><span style="font-weight: 400;">, e até nos atos de revolta de bandas de </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2016/06/em-show-dado-villa-lobos-interpreta-obras-de-seu-tio-avo-5860657.html"><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (considerando, também, que o musicista possui uma extensa composição para instrumentos de corda, inclusive o violão). </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a maneira mais fácil de prestar homenagem a Villa-Lobos é imaginar o quanto o Brasil teria sido mais pobre sem ele.</span></p>
<figure id="attachment_26044" aria-describedby="caption-attachment-26044" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg" alt="Foto em preto e branco do maestro Heitor Villa-Lobos. Na foto, Heitor Villa-Lobos está sentado em um piano, tocando-o com as duas mãos. Ele está com um charuto na boca. Villa-Lobos é um homem branco, veste um roupão de cor preta, e possui cabelos pretos e lisos com mechas grisalhas, em decorrência do tempo. O piano é também de cor preta. " width="1000" height="661" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/villalobos-4-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26044" class="wp-caption-text">Em 1945, Heitor Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, sendo também o primeiro presidente da instituição (Foto: Acervo Museu Villa-Lobos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma viagem à Europa, ao ser questionado sobre as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flqxy_ccU84&amp;ab_channel=IREETV"><span style="font-weight: 400;">influências folclóricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas obras, Villa-Lobos respondeu, impaciente: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não uso o folclore, eu sou o folclore.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa afirmação aponta dois caminhos possíveis de interpretação: 1) como compositor brasileiro motivado pela criação de uma identidade cultural, sua própria história se entrelaça com a do folclore nacional, e suas obras podem ser vistas como continuações da cultura popular; 2) Villa-Lobos foi tão grande e inigualável a ponto de fazer, ele próprio, parte dos mitos que circundam o folclore brasileiro. Levando em conta o senso de humor característico do maestro e os motivos pelos quais refletimos sobre o seu legado 100 anos depois de sua apresentação na Semana de Arte Moderna, é bem provável que fosse a segunda opção.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/4L2dTHIhb8jIUsSMphfYrc?si=4e530401b91740ee&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/">O folclore sou eu: Heitor Villa-Lobos e a Música Modernista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26038</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O universo nunca mais foi o mesmo depois de conhecer a infinitude de Marisa Monte</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 21:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[15 anos]]></category>
		<category><![CDATA[15th]]></category>
		<category><![CDATA[2006]]></category>
		<category><![CDATA[A Alma e A Matéria]]></category>
		<category><![CDATA[A Primeira Pedra]]></category>
		<category><![CDATA[Aconteceu]]></category>
		<category><![CDATA[Alê Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anniversary]]></category>
		<category><![CDATA[Aquela]]></category>
		<category><![CDATA[Argemiro Patrocínio]]></category>
		<category><![CDATA[Arnaldo Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>
		<category><![CDATA[Cantinho Escondido]]></category>
		<category><![CDATA[Carlinhos Brown]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dadi Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino 2006]]></category>
		<category><![CDATA[Infinito]]></category>
		<category><![CDATA[Infinito Ao Meu Redor]]></category>
		<category><![CDATA[Infinito Particular]]></category>
		<category><![CDATA[Ivone Lara]]></category>
		<category><![CDATA[Lágrimas e Tormentos]]></category>
		<category><![CDATA[Levante]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Caldato]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Monte]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Álbum de Samba ou Pagode]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Canário]]></category>
		<category><![CDATA[Moraes Moreira]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[O Bonde do Dom]]></category>
		<category><![CDATA[O Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Pelo tempo que durar]]></category>
		<category><![CDATA[Perdoa Meu Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambucobucolismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pétalas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Pop brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Pop nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Satisfeito]]></category>
		<category><![CDATA[Seu Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[Statue Of Liberty]]></category>
		<category><![CDATA[Universo]]></category>
		<category><![CDATA[Universo Ao Meu Redor]]></category>
		<category><![CDATA[Universo Particular]]></category>
		<category><![CDATA[Vai Saber]]></category>
		<category><![CDATA[Veludo Azul]]></category>
		<category><![CDATA[Vilarejo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25407</guid>

					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O planeta Terra não era habitado por Marisa Monte quando este iniciava o ano de 2006 ao completar mais um ciclo ao redor do Sol. Depois de dar à luz ao fenômeno romântico filho de Vênus batizado de Memórias, Crônicas e Declarações de Amor em 2000, a jovem deusa da música pop brasileira &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O universo nunca mais foi o mesmo depois de conhecer a infinitude de Marisa Monte"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/">O universo nunca mais foi o mesmo depois de conhecer a infinitude de Marisa Monte</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25408" aria-describedby="caption-attachment-25408" style="width: 2100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor.jpg" alt="" width="2100" height="1635" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor.jpg 2100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-800x623.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-1024x797.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-768x598.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-1536x1196.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-2048x1595.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-monte-infinito-particular-universo-ao-meu-redor-1200x934.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25408" class="wp-caption-text">Em 2021, o mundo de Marisa Monte dividido entre Infinito Particular e Universo Ao Meu Redor completou 15 anos (Foto: Marisa Monte)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O planeta Terra não era habitado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marisa-monte/"><span style="font-weight: 400;">Marisa Monte</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando este iniciava o ano de 2006 ao completar mais um ciclo ao redor do Sol. Depois de dar à luz ao fenômeno romântico </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/historia-de-venus-a-deusa-do-amor/"><span style="font-weight: 400;">filho de Vênus</span></a><span style="font-weight: 400;"> batizado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias, Crônicas e Declarações de Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2000, a jovem deusa da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira se recolheu. Para bem longe do brilho, grandiosidade e tudo mais que envolvia a ideia de sua ascensão </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/cozinhando-discografias-marisa-monte/"><span style="font-weight: 400;">escrita nas estrelas</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja concretização nesta galáxia lhe era prometida desde os anos 90, Marisa Monte passou seis anos orbitando o seu próprio universo. </span></p>
<p><span id="more-25407"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro de seu sistema, a artista só permitiu a presença de objetos voadores identificados, o que fez com que aqueles anos não fossem de completo silêncio decorrente do vácuo espacial. No período entre a virada do milênio e o primeiro terço do século XXI, ecoaram por aí as ondas sonoras da estreia dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/tribalistas-cronica/"><span style="font-weight: 400;">Tribalistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, supergrupo da MPB composto pelos amigos de longa data de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, que consolidaram sua parceria estelar no disco autointitulado de 2002. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o hiato de Monte ficou resguardado aos seus singulares voos </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas quando sentiu falta do oxigênio da nossa atmosfera e finalizou a exploração de seu próprio cosmo, a astronauta da Música brasileira voltou. Como alguém que retorna de uma missão trazendo itens que servirão para quem ficou aqui compreender as descobertas de quem foi para lá, Marisa Monte aterrissou na Terra em 10 de março de 2006 com </span><a href="https://open.spotify.com/album/4vJUBwgIaG2AD5rP32O730?si=Sbix80P-Slu8_LimRM75uQ"><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma mão e </span><a href="https://open.spotify.com/album/2eoNQWiIr9AkIHpU34Z8tc?si=9zaLMJGlTFW-T_F8mYTt1w"><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em outra. </span></p>
<figure id="attachment_25409" aria-describedby="caption-attachment-25409" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25409" class="wp-caption-text">Só não se perca ao entrar (Foto: Phonomotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira coisa que perguntamos para alguém que chega de viagem é como a experiência dela foi. Sendo assim, quando Marisa Monte se apresentou de volta através de sua dupla de discos lançados simultaneamente, ela ofereceu uma espécie de </span><a href="https://www.resenhando.com/2020/06/marisa-monte-infinito-ao-meu-redor.html"><span style="font-weight: 400;">diário de bordo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para os seus ouvintes através de suas primeiras canções, que também constituíam as faixas-título de cada álbum.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> comunicou as descobertas da artista em seu âmbito mais íntimo, somando-se às outras 12 composições inéditas que sustentavam o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicodélico do disco &#8211; o primogênito de 2006 por uma fração de segundos. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> introduziu um novo olhar de Marisa Monte para a Música que a cercava, com direito a chamada no rádio da espaçonave e a companhia de um generoso repertório de </span><a href="https://www.instagram.com/p/CW_1D9JlRbK/"><span style="font-weight: 400;">samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujas 14 canções misturavam autorais e regravações de grandes referências do gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas obviamente, depois de conhecer as nebulosas e supernovas que deram origem ao seu mundo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0azlifzb5os"><span style="font-weight: 400;">Marisa Monte tinha muito mais a dizer</span></a><span style="font-weight: 400;">. O público, por sua vez, diante do seu retorno celestial, também tinha muito mais a saber. Sem tirar a novidade dos discos que chegaram à Terra na velocidade da luz, boa parte das questões que giravam ao redor da artista naquele momento poderiam ser respondidas pelo seu próprio contexto e pelo seu próprio trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_25410" aria-describedby="caption-attachment-25410" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-universo-ao-meu-redor.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-universo-ao-meu-redor.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-universo-ao-meu-redor-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-universo-ao-meu-redor-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/capa-universo-ao-meu-redor-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25410" class="wp-caption-text">Universo Ao Meu Redor ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba ou Pagode, enquanto Infinito Particular foi nomeado para Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro (Foto: Phonomotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As razões para uma viagem tão intensa e extensa? Algumas secretas para a artista que habita Marisa Monte, e nenhuma surpresa para o público que a acompanha. Embalando a vida de uma mulher de ciclos, a carreira artística de Marisa foi consolidada apenas no novo milênio. Primeiro, a dupla </span><i><span style="font-weight: 400;">MM</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1991) apresentaram Monte ao Brasil e para fora dele; depois, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-marisa-monte-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1994) alcançou o clamor da crítica como um dos melhores álbuns não só de sua discografia como também de toda a Música brasileira. Tudo isso permitiu à artista inaugurar seu próprio selo musical, um ano antes de </span><a href="https://rafaelmartins98.medium.com/cr%C3%ADtica-mem%C3%B3rias-cr%C3%B4nicas-e-declara%C3%A7%C3%B5es-de-amor-542e66bc53e0"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias, Crônicas e Declarações de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> colocá-la entre as mais vendidas do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que faltava à constelação de Marisa Monte depois de 2000? Autoria. Detentora de uma carreira que colocou os palcos na frente dos estúdios, a artista já era conhecida como uma intérprete extraordinária desde sua estreia em 1987 com a turnê </span><a href="https://sitenocenaculo.com.br/decorridos-30-anos-marisa-monte-se-mantem-gigante/"><i><span style="font-weight: 400;">Veludo Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> produzido por </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/nelson-motta/perfil-completo/"><span style="font-weight: 400;">Nelson Motta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para divulgar o nome de Marisa pelo território nacional originou seu primeiro disco, composto por 15 faixas, das quais apenas uma era inédita. A decisão criativa não foi nenhum problema para sua capacidade de regravar canções clássicas da Música brasileira, e assim, o primeiro aspecto da identidade artística de Monte estava formado, aguardando para ser muito bem aplicado em seus próximos quatro álbuns. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o que orientava os movimentos de Marisa Monte no universo da Música brasileira? Suas (muitas) referências artísticas. A diva revelada no final dos anos 80 ostentava um repertório eclético em </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> performáticos e teatrais, que destacavam sua </span><a href="https://versoseprosas.com.br/marisa-monte/235/"><span style="font-weight: 400;">versatilidade e maestria</span></a><span style="font-weight: 400;"> em qualquer papel que a Música lhe concedesse. Ao criar para si mesma muito mais experiências coletivas do que representações pessoais, e alimentar muito mais respeito pelas suas influências antes de trabalhar alguns de seus dons, a Música de Marisa Monte se aproximava da independência, mas ainda sentia a necessidade de desenvolver seu próprio sistema.</span></p>
<figure id="attachment_25411" aria-describedby="caption-attachment-25411" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/universo-particular-turne.jpg" alt="" width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/universo-particular-turne.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/universo-particular-turne-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/universo-particular-turne-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/universo-particular-turne-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25411" class="wp-caption-text">Entre 2006 e 2007, Marisa Monte uniu os repertórios na turnê mundial Universo Particular (Foto: Murillo Meirelles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conflito era do tamanho do mundo. E por isso é que a artista foi além da materialidade conhecida para compreender o que era seu </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/musica/caixa-acustica/o-brilho-multimidia-de-marisa-monte/"><span style="font-weight: 400;">ambiente artístico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Marisa conhecendo o seu âmago criativo, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Monte aprendendo a lidar com suas referências. Quase como um conto bíblico que explica a origem de tudo, a deusa criou seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> a partir do </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito</span></i><span style="font-weight: 400;"> que existia </span><i><span style="font-weight: 400;">ao Redor.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ali, tudo é perfeitamente coordenado: ela define muito bem o dia e a noite, a luz e a escuridão, o que compete ao ser humano e o que compete a natureza, qual criação domina qual ambiente e como cada uma delas deve existir dentro daquele cosmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular </span></i><span style="font-weight: 400;">foi o primeiro trabalho totalmente autoral em composições de Marisa Monte e que </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> consolidou sua musicalidade tão aclamada e bem referenciada. A artista esteve presente em cada uma das letras que criaram o primeiro disco (também assinadas por, obviamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ej2eGPitJK8"><span style="font-weight: 400;">Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de outros nomes como Pedro Baby e Nando Reis) e escolheu a dedo quem estaria junto dela para formar as canções do segundo (resgatando a presença de deuses e deusas da Música brasileira, como Dona Ivone Lara, Moraes Moreira, Paulinho da Viola e Argemiro Patrocínio). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ínterim, ela foi do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao samba, esbarrando no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, bossa nova, MPB e </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, contando com a coprodução de </span><a href="https://alesiqueira.com/"><span style="font-weight: 400;">Alê Siqueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> no disco-infinito e </span><a href="https://gq.globo.com/GQ-Vozes/noticia/2019/02/produtor-brasileiro-por-tras-de-seu-jorge-e-d2-mario-caldato-seleciona-musicas-do-verao.html"><span style="font-weight: 400;">Mário Caldato</span></a><span style="font-weight: 400;"> no disco-universal. Revisitando algumas épocas de sua carreira com composições antigas que ainda não haviam sido gravadas, e estabelecendo contato direto com sua gênese artística, Marisa Monte se encontrava imersa em Música. E aproximando as características contrastantes dos álbuns-siameses pela última vez, a coesão magnética de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o principal nó do mundo musical de Marisa Monte, frente à vibração espontânea que coloca o apreço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes de seu irmão gêmeo.</span></p>
<figure id="attachment_25412" aria-describedby="caption-attachment-25412" style="width: 854px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-2.jpg" alt="" width="854" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-2.jpg 854w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/infinito-particular-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25412" class="wp-caption-text">Infinito Particular estreou na primeira posição dos discos mais vendidos no Brasil, se tornando o sétimo álbum consecutivo de Marisa Monte a alcançar essa posição nas paradas musicais do país (Foto: Murillo Meirelles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A autoconsciência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tudo o que Marisa Monte sugere no primeiro verso da faixa-título que abre o disco. &#8220;</span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-infinito-particular-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Eis o melhor e o pior de mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, ela inicia a apresentação de seu mundo com um tremendo suspense. Dançando em um instrumental curioso e convidativo mas hesitante e nada dócil, a letra mestra de Marisa Monte é ecoada num contraste denso, surrealmente combinado com a rarefação de sua voz em um ambiente quase inóspito. Ela brinca com os seus elementos, e na melhor das sinestesias, a imagem que se constrói para a trilha da canção é a de uma deusa que livremente compõe sua criação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ao ouvinte irresistivelmente atraído pela sua gravidade, Marisa Monte confessa alguns segredos e afasta qualquer ideal metafísico que poderia comprometer seu compromisso com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JO2wyR4OEGM"><span style="font-weight: 400;">a humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou daqui, eu não sou de Marte”</span></i><span style="font-weight: 400;">). Quando a intimidade parece profunda demais, ela não desiste de buscar a companhia de outras formas de vida nem na última estrofe (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vem cá, não tenha medo”)</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nunca falha em manter os tripulantes cientes das consequências de adentrar aquela atmosfera, avisando que ali, a realidade existe de uma forma diferente: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Só não se perca ao entrar no meu infinito particular”.</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marisa Monte - Infinito Particular" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dLQ33EHkypU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas uma vez imersos no universo de Marisa Monte, a perdição é a lei mais natural e o crime mais recompensador. O magnetismo anunciado dos sintetizadores que domina a sonoridade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;">, combinado à densidade prometida das composições que rumam o disco, confunde a bússola do melhor dos exploradores. Atenta e generosa como toda boa figura divina, a artista aponta uma referência para orientar as testemunhas de criação no verso que anuncia um de seus maiores sucessos: “</span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-vilarejo-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Há um vilarejo ali</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa delicadeza que parece o pisar no solo de Saturno mas valendo-se da força rochosa de seus anéis, estamos na segunda faixa do disco, que já afirma a mais valiosa descoberta de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;">: a Marisa Monte compositora. </span><i><span style="font-weight: 400;">Vilarejo</span></i><span style="font-weight: 400;"> a revela numa ponta de crítica social, cuja realização só pode partir de uma aluna exemplar da MPB. Afinal de contas, flores enfeitam </span><i><span style="font-weight: 400;">os caminhos, os vestidos, os destinos, e essa canção</span></i><span style="font-weight: 400;">, que compreende uma das principais lições de </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao tomar o sonho como um aliado na missão de transformar a realidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marisa Monte - Vilarejo" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WibtVWwW-EA?list=OLAK5uy_n3XwWQm6Oc2yrtWC7Jy8IxSHJ36fMh0Vc" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, ela cria um </span><i><span style="font-weight: 400;">Levante</span></i><span style="font-weight: 400;"> numa deslumbrante influência de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ironiza a cidadania passiva &#8211; também conhecida como uma das principais características da nação brasileira &#8211;  com apenas uma expressão: </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/234/restamos-vivendo-em-um-labirinto-de-desinformacaor"><i><span style="font-weight: 400;">nada demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está acontecendo aqui. A canção, que soma </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seu Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;"> na composição dos Tribalistas, prepara o caminho para a próxima parada na viagem interestelar de Marisa Monte, apresentando em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SL1S89GHDwM"><i><span style="font-weight: 400;">Aquela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o que pode ser compreendido como uma de suas essências mais marcantes: uma espécie de bossa nova </span><i><span style="font-weight: 400;">00’s</span></i><span style="font-weight: 400;"> que faria o olhar de </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/chega-de-saudade-o-legado-de-tom-jobim-na-musica-brasileira"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é leve ao cantar “</span><i><span style="font-weight: 400;">aonde me levar a minha voz, eu vou”</span></i><span style="font-weight: 400;">, munida de uma determinação artística que não fica só na produção ambiciosa, mas se estende à letra de uma Marisa Monte certa do que faz. É assim também quando ela canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lzqa9qumCZ8"><i><span style="font-weight: 400;">O Rio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em toda a </span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-o-rio-lyrics"><span style="font-weight: 400;">musicalidade etérea</span></a><span style="font-weight: 400;"> proposta por </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;">, que dedica uma atenção especial para encontrar matérias reais e universais dentro dos elementos abstratos e pessoais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto um lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> é iluminado pelo Sol, o outro está numa escuridão que permite apenas os feixes de luz da Lua. Lá, a assinatura sonora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece de novo nos sintetizadores hedonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Primeira Pedra</span></i><span style="font-weight: 400;">. A canção reproduz uma melodia de fundo que soa quase como </span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-a-primeira-pedra-lyrics"><span style="font-weight: 400;">uma resposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> à primeira faixa do disco, e ao invés de destacar os mistérios de Marisa Monte, ela traz a resolução de alguns deles. E </span><i><span style="font-weight: 400;">quem ousaria dessas vozes duvidar?</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Primeira Pedra" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HjehL0C1hro?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A essa altura da exploração de Marisa Monte, vale lembrar </span><a href="https://olhardigital.com.br/2021/09/27/ciencia-e-espaco/olhar-espacial-materia-escura-energia-escura/"><span style="font-weight: 400;">a teoria da composição</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um universo: atualmente, a astrofísica acredita que a matéria comum constitui apenas cerca de 5% do cosmo, enquanto 25% dele é preenchido por matéria escura e os outros 70% por energia escura. E se a premissa era compreender seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cosmonauta conseguiu encontrar a potência que preenche boa parte da seu espaço sideral. Ela está em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pernambucobucolismo.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, aqui é a localização do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/09/26/musicas-para-descobrir-em-casa-pernambucobucolismo-marisa-monte-e-rodrigo-campello-2006-com-marisa-monte.ghtml"><span style="font-weight: 400;">conglomerado musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais se difere do resto do álbum, e também marca a origem da vibração que mais expressa o desejo de Marisa Monte em </span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-pernambucobucolismo-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">criar um movimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em perfeita harmonia com as leis da natureza, a canção coloca a dona do universo em tudo: na composição da letra, dividida com o amigo Rodrigo Campello, e na produção sonora, que fica apenas entre a liderança do </span><i><span style="font-weight: 400;">groove</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seu baixo e a percussão de </span><a href="https://elle.com.br/cultura/dadi-carvalho"><span style="font-weight: 400;">Dadi Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25413" aria-describedby="caption-attachment-25413" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25413" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-motne.jpg" alt="" width="1024" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-motne.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-motne-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/marisa-motne-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25413" class="wp-caption-text">A partir de registros da turnê Universo Particular, Marisa Monte gerou o documentário Infinito Ao Meu Redor em outubro de 2008, que mostra os bastidores da vida da artista (Foto: Murillo Meirelles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contornar o buraco negro de seu disco, Marisa Monte relata a experiência de sucumbri à sua própria densidade: “</span><i><span style="font-weight: 400;">quando me dei por mim, já estava aqui”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na confusão dos eventos de um espaço-tempo distorcido, a décima primeira faixa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> mistura todos os componentes do disco: as modulações do teclado, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sintético, o </span><i><span style="font-weight: 400;">groove</span></i><span style="font-weight: 400;"> grave, a referência acústica da MPB e a composição psicodélica da letrista. Como? A resposta está no nome da canção: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QtIYMZWq8zk"><i><span style="font-weight: 400;">Aconteceu</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta às lições da astronomia, o que a concentração de energia procura saciar é sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1A76blKxcrA"><span style="font-weight: 400;">ânsia por luz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, o lugar mais obscuro e perigoso do universo de Marisa Monte usa seus últimos minutos em atividade para extrair toda a iluminação possível de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porque a última música do disco transita a harmonia universal? Os astros explicam, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Pelo tempo que durar</span></i><span style="font-weight: 400;"> flutua em notas lançadas como foguetes da base das últimas oitavas do piano, numa operação pacífica orientada pelo violão melodioso que identifica a canção mais onírica da seleção.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pelo Tempo Que Durar" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/iy_pSTFUvJE?list=OLAK5uy_n3XwWQm6Oc2yrtWC7Jy8IxSHJ36fMh0Vc" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas mesmo estando em acordo com as ordens do céu, o que Marisa Monte faz ao fim da fase mais intensa e profunda de sua missão de exploração é </span><a href="https://revistapagu.com.br/o-que-voce-quer-saber-de-verdade-sobre-marisa-monte/"><span style="font-weight: 400;">um mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> do autoconhecimento. Ou nem tanto assim, já que ela também cria os meios necessários para seu acompanhante entender as conclusões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular: </span></i><span style="font-weight: 400;">a capacidade de manter-se sã diante das ocorrências é o triunfo de confiança que honra quem se arrisca a compreender </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">o próprio mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegamos no território já estudado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nova etapa da viagem de Marisa Monte não mais estava </span><a href="https://www.encartespop.com.br/2013/03/encarte-marisa-monte-universo-ao-meu.html"><span style="font-weight: 400;">à mercê do desconhecido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso é o que a artista faz questão de postular na faixa-título do segundo disco, cantando que já não se sente mais só confiante de responsabilidade em reportar as novidades. O samba leve composto pelos Tribalistas nos coloca num planeta </span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-universo-ao-meu-redor-lyrics"><span style="font-weight: 400;">mais seguro</span></a><span style="font-weight: 400;"> à vida humana, onde o clima é mais caloroso e podemos tocar os pés no chão, sem a preocupação com o que se passa lá no alto do céu, mas autorizados a observar o microcosmo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marisa Monte - Universo Ao Meu redor" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DE2CbLb8Z18?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A paz proposta pela segunda-primeira-canção embala o caminho até </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bonde do Dom</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja levada malandra quase traz de volta a pulsão extraterrestre, que tenta saudar a humanidade através dos traiçoeiros sintetizadores escondidos em efeitos de transição</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas o foco em </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é mais a exploração do que pode existir além do infinito, e sim a observação da </span><a href="https://genius.com/Marisa-monte-o-bonde-do-dom-lyrics"><span style="font-weight: 400;">boa finitude do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que já conhecemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, Marisa Monte contempla a fauna pela ótica da composição lúdica de Jayme Silva em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcD7rbD5f8c"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Canário</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a linguagem através do romance de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ugkt_RRcGSU"><span style="font-weight: 400;">Moraes Moreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Letrinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o romance na marcha do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ih2zj6EPIVs"><i><span style="font-weight: 400;">Quatro Paredes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A artista também interrompe o curso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;"> para apreciar a própria vida do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/samba/"><span style="font-weight: 400;">gênero reverenciado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no disco entre as harpas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Perdoa, Meu Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. E quando o desejo é olhar para as cidades e seus monumentos, ela faz isso junto de ninguém mais ninguém menos que </span><a href="https://personaunesp.com.br/david-byrnes-american-utopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Byrne</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Statue Of Liberty</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marisa Monte - O Bonde Do Dom" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cMjl31ykCwU?list=OLAK5uy_mZpgyCxyan-Dn7R2Ycc2peJN0B3Jrloh8" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas como todos que bravamente não desistiram da exploração espacial já sabem, nem só de matéria e ordinariedade se forma o </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Lá pra metade do disco, no momento em que Marisa Monte olha com mais atenção para ser humano, ela identifica o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xbCtQrZM0RA"><i><span style="font-weight: 400;">Cantinho Escondido</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que guarda algumas das nossas dores emocionais. O samba é aparentemente inofensivo com o objetivo de amansar a saudade, a ira, o rancor, a decepção, o arrependimento e a revolta que são nomeados na leveza do </span><a href="https://musicabrasilis.org.br/instrumentos/kalimba"><i><span style="font-weight: 400;">kalimba</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Marisa. Desta forma, quando chegamos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lágrimas e Tormentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o processo de cura sentimental escrito por </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/producoes_/argemiro-patrocinio/"><span style="font-weight: 400;">Argemiro Patrocínio</span></a><span style="font-weight: 400;"> é verdadeiramente pleno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vilarejo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nem tudo são flores, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gpGOEPYDgmk"><i><span style="font-weight: 400;">Pétalas Esquecidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/dona-ivone-lara/"><span style="font-weight: 400;">Dona Ivone Lara</span></a><span style="font-weight: 400;"> trazem ao solo local duas memórias através do timbre de Marisa Monte: o veneno amargo que flui da arrogância do homem, e a erosão que a paixão destrutiva pode causar. E falando de ações antrópicas, a presença de </span><a href="https://personaunesp.com.br/margem-finda-a-viagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adriana Calcanhotto</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um temporal que faz o céu cair em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Saber</span></i><span style="font-weight: 400;">. Onde existir um fenômeno da natureza é onde Marisa Monte estará, e a canção é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=npcgipC4MVo"><span style="font-weight: 400;">o ápice</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco que reafirma a intérprete de </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim de todas as observações, explorações e experimentações, a conclusão de Marisa Monte é regida em </span><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Alma e A Matéria</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; lembra da composição do universo? -. Entre o plano físico e o espiritual e perfeitamente de acordo com as leis do universo, ela mais uma vez </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fp9WV9iuc2Q"><span style="font-weight: 400;">organiza a criação</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Vem pra esse mundo, Deus quer nascer”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ouvinte, no entanto, não pode mais contar com a hesitação convidativa de Marisa Monte. Agora, ela revela em </span><i><span style="font-weight: 400;">Satisfeito</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iGbmdPMh9Mk"><span style="font-weight: 400;">independência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chega ao destino final almejado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito Particular</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ao Meu Redor</span></i><span style="font-weight: 400;">, entendendo o que significa ser um sistema por si mesma e compreendendo como viver em harmonia com a vastidão à sua volta.</span></p>
<figure id="attachment_25414" aria-describedby="caption-attachment-25414" style="width: 1023px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25414" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Murillo-Meirelles.jpg" alt="" width="1023" height="818" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Murillo-Meirelles.jpg 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Murillo-Meirelles-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Murillo-Meirelles-768x614.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25414" class="wp-caption-text">Sinta-se em casa (Foto: Murillo Meirelles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/"><span style="font-weight: 400;">descobertas de Marisa Monte</span></a><span style="font-weight: 400;"> o tempo passa de uma maneira diferente do que conhecemos e o espaço não se constrói da forma como estamos acostumados. Mas o </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinito</span></i><span style="font-weight: 400;"> não temeu nenhuma experiência e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo </span></i><span style="font-weight: 400;">foi certeiro em todas as orientações. Aqui </span><i><span style="font-weight: 400;">é só mistério, não tem segredo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Você também não está só e</span> <span style="font-weight: 400;">o mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">é portátil</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas só para</span><i><span style="font-weight: 400;"> quem não tem nada a esconder</span></i><span style="font-weight: 400;">. O 15º ciclo ao redor da órbita de Marisa Monte se completou e sua cosmologia continua em expansão. Parabéns para você que permaneceu nele até aqui e olá para você que acabou de chegar para o próximo.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/">O universo nunca mais foi o mesmo depois de conhecer a infinitude de Marisa Monte</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/infinito-particular-e-universo-ao-meu-redor-15-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25407</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Abram alas e abram Portas para Marisa Monte</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 16:45:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[A Língua dos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Júlia Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arnaldo Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[Calma]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dadi Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[deja vu]]></category>
		<category><![CDATA[Elegante Amanhecer]]></category>
		<category><![CDATA[Espaçonaves]]></category>
		<category><![CDATA[Fazendo Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Hiato]]></category>
		<category><![CDATA[Isolamento]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Drexler]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Monte]]></category>
		<category><![CDATA[Medo do Perigo]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portas]]></category>
		<category><![CDATA[Praia Vermelha]]></category>
		<category><![CDATA[Pretinho da Serrinha]]></category>
		<category><![CDATA[Quanto Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sal]]></category>
		<category><![CDATA[Tribalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vento Sardo]]></category>
		<category><![CDATA[Você Não Liga]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24951</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan O ano era 2019, a mágica turnê dos Tribalistas havia oficialmente chegado ao fim após o lançamento do DVD, e Marisa Monte anunciava em suas redes que iria se ausentar do mundo real para se concentrar em um novo álbum de inéditas, quase uma década depois de O Que Você Quer Saber &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Abram alas e abram Portas para Marisa Monte"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/">Abram alas e abram Portas para Marisa Monte</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24952" aria-describedby="caption-attachment-24952" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24952" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa.jpg" alt="Foto retangular da cantora Marisa Monte. Marisa é uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Seus olhos também são escuros. Ela está sentada numa cadeira branca. Ela veste um vestido preto de mangas bufantes e gola. Ela usa uma tiara preta e seus cabelos estão presos em uma trança lateral. Ela usa brincos pratas. Suas unhas estão esmaltadas de preto. Ela está apoiada numa mesa branca. Em cima da mesa há cartas de tarô. Na mão esquerda da cantora também há cartas de tarô. Na mão direita há uma carta de tarô, levantada na altura dos olhos e cobrindo seu olho direito. O fundo é uma parede branca." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1imagemmarisa-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24952" class="wp-caption-text">Quase 10 anos sem lançar inéditas, Marisa Monte nos presenteia com Portas (Foto: Fernando Tomaz)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano era 2019, a mágica </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-tribalistas-show-2018/"><span style="font-weight: 400;">turnê dos Tribalistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> havia oficialmente chegado ao fim após o lançamento do</span><i><span style="font-weight: 400;"> DVD</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Marisa Monte anunciava em suas redes que iria se ausentar do mundo real para se concentrar em um novo álbum de inéditas, quase uma década depois de </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/disco-o-que-voce-quer-saber-de-verdade-marisa-monte/"><i><span style="font-weight: 400;">O Que Você Quer Saber de Verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ano terminou e 2020 veio sorrateiramente trazendo a pandemia que colocou um ponto final em milhares de vidas pelo mundo. O Brasil, que já vivia em negação pelo troglodita que assumiu o cargo de chefe de Estado, viu Bolsonaro assumir sua pior faceta e se manter impune de um </span><a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/area/governo/bolsonaro-genocidio-inppdh/"><span style="font-weight: 400;">genocídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciado. Toda revolta e inquietação ganhou o agravante do isolamento, transformando as mentes em oficinas do diabo. Sobre o colo de Marisa caiu a tarefa de se refugiar &#8211; e oferecer refúgio &#8211; através da sua Arte.</span></p>
<p><span id="more-24951"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isolada a mais tempo que toda a humanidade, Marisa acoplou o trabalho que tinha feito até então e agarrou a missão de trazer calma e abrir caminhos de esperança nesse país que começa a respirar aliviado com a vacina. Assim nasce </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n_b0v9cjAQw&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um álbum confortável dentro da própria </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/discografia/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora, refinado e com a complexidade amortecida pelo lirismo de composições solares e pela ação afirmativa do amor. A intenção de Marisa não é renegar todo o sofrimento de mais de um ano, mas sim trazer combustível para a luta, amenizar as dor das feridas causadas nesse cruel embate pela democracia. Aqui, o objetivo é trazer um pouco de positividade nessa onda de negacionismo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">sim pra democracia, sim pra ciência, sim pra cultura, sim pro meio ambiente, sim pro afeto, sim pra gentileza e sim pra arte”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marisa Monte concebe </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> tal qual quem </span><a href="https://www.culturagenial.com/musica-pra-nao-dizer-que-nao-falei-das-flores-de-geraldo-vandre/"><span style="font-weight: 400;">acredita nas flores vencendo os canhões</span></a><span style="font-weight: 400;">, e para isso, faz serviço completo de edificação, desenhando a planta, projetando a iluminação e concedendo alvará de construção. Dentro do edifício, somos colocados ao centro de um corredor branco repleto de portas, e todas elas dão para um lugar diferente. Seja no passado, no presente ou no futuro, Marisa brinca com o espaço-tempo e cabe a nós nos permitirmos viver a aventura que nos aguarda ao girar a maçaneta. Uma coisa é certa: após aberta, não há volta, assim como uma </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/a-caixa-pandora.htm"><span style="font-weight: 400;">caixa de Pandora</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma catarse de sentimentos, mas nessa obra, apenas os bons tem vez.</span></p>
<p><figure id="attachment_24953" aria-describedby="caption-attachment-24953" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa.jpg" alt="[Foto retangular da cantora Marisa Monte. Marisa é uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Seus olhos também são escuros. Ela veste um vestido preto de mangas bufantes. Ela usa uma tiara preta e seus cabelos estão soltos e na altura da cintura. O fundo é uma parede e uma porta branca." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2imagemmarisa-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24953" class="wp-caption-text">Transformações, passagens, escolhas, mudanças, dúvidas e oportunidades: esses são os símbolos de Portas (Foto: Fernando Tomaz)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O segredo para apreciar a obra é não ter medo de passear pelos caminhos que o disco oferece, deixar que as notas sirvam de ventilação e a voz da cantora de guia. Marisa Monte, que começou a apresentar seu talento como letrista apenas em seu segundo álbum, </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/discografia_/mais/"><i><span style="font-weight: 400;">Mais</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996)</span></a><span style="font-weight: 400;">, mantém sua excelência com ainda mais segurança em suas composições, usando da garantia de ter acumulado um gigante (em todos os sentidos) repertório, ela retorna com as fórmulas instrumentais que emplacaram os álbuns anteriores e se apoia em novas narrativas para a criação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marisa está convicta de onde quer chegar e conhece o caminho que deve ser percorrido até o destino. A compositora conhece as angústias de seu público fiel e oferece um disco de canções homeopáticas para acalentar as dores e os amores de cada ouvinte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que confere tudo é a faixa-título, que também serve como aperitivo das sensações que estão por vir. </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce através da parceria de </span><a href="https://elle.com.br/cultura/dadi-carvalho"><span style="font-weight: 400;">Dadi Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cabeca-dinossauro-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arnaldo Antunes</span></a><span style="font-weight: 400;"> (o Tribalista saudosista do futuro) e Marisa. A música fala sobre diversas portas que podem se abrir, diversas oportunidades e a inexistência do certo e errado. Marisa desmistifica a escolha de uma porta só</span><span style="font-weight: 400;">, justificando que todas servem para sair ou para entrar. Assim, além de nos convidar para a viagem, a cantora pega na mão do público, aliciando confiança para o frescor do novo trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_24954" aria-describedby="caption-attachment-24954" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3imagemmarisa.jpg" alt="Foto retangular da cantora Marisa Monte. Marisa é uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Seus cabelos estão soltos e na altura da cintura. Ela veste uma capa de cetim marfim que cobre de seus ombros a seus pés. O fundo é uma parede branca." width="1024" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3imagemmarisa.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3imagemmarisa-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3imagemmarisa-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24954" class="wp-caption-text">Pra Melhorar, última faixa do disco, é cantada ao lado de Seu Jorge e Flor (Foto: Fernando Tomaz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Livre em seus passos, Marisa caminha pela porta do pretérito durante as cinco primeiras faixas do disco. Carregando uma visão saudável e esperançosa para o que está por vir, a artista apresenta as</span><i><span style="font-weight: 400;"> Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">, pede </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XEqcPOr8bsg&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Calma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e usa do passado como combustível para a guinada do futuro. Blindando a proposta está </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PZgak7Sib7I&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Déjà Vu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das melhores do álbum, que tem o arranjo de cordas coeso com melodia crescente que permanece forte durante os 53 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já o arranjo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medo do Perigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz uma brisa no ritmo da composição, anunciando que estamos prestes a ir para um cenário definitivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ponto, a </span><span style="font-weight: 400;">obra da Marisa parece mesclada aos </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/discografia_/tribalistas/"><span style="font-weight: 400;">Tri</span><span style="font-weight: 400;">balistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo no inédito composições veranis, que reafirmam o selo da trindade. Falando neles, Arnaldo Antunes assina três composições do disco e Carlinhos Brown cede espaço para que seu filho, </span><a href="https://elle.com.br/cultura/chico-brown-marisa-monte-chico-buarque-e-um-disco-solo-a-caminho"><span style="font-weight: 400;">Chico Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, assine cinco faixas, sendo essa a maior parceria da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Locomovendo-se entre portas, a cantora se libera da claustrofobia dos espaços fechados e percorre o campo a céu aberto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w-ZMUDvfDX8&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">A Língua dos Animais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também parceria entre ela, Arnaldo e Dadi. Aproveitando a escapadinha, Marisa nos coloca sentados na areia e de frente para o mar, e é assim que o encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Praia Vermelha</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca o retorno de Nando Reis desde </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-marisa-monte-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, servindo para interligar canções e estimular o fluxo de ideias do álbum. Marisa Monte é a ascensorista do disco, transportando o ouvinte para cenários de natureza e conforto.</span></p>
<figure id="attachment_24955" aria-describedby="caption-attachment-24955" style="width: 1190px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4imagemmarisa.jpg" alt="Foto retangular da cantora Marisa Monte. Marisa é uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Na foto há três Marisas. Uma à direita, uma ao centro e outra à esquerda. As duas Marisas que estão dos lados estão apoiadas na parede. A Marisa situada no meio está de braços abertos. Ela usa uma tiara preta e seus cabelos estão soltos e na altura da cintura. Ela usa uma tiara preta e seus cabelos estão soltos e na altura da cintura. Ela usa um vestido verde e luvas pretas. O fundo é uma parede branca." width="1190" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4imagemmarisa.jpg 1190w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4imagemmarisa-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4imagemmarisa-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4imagemmarisa-768x457.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24955" class="wp-caption-text">“Vem viver, vem sonhar” (Foto: Fernando Tomaz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O presente e particípio se concretizam em </span><i><span style="font-weight: 400;">Espaçonaves</span></i><span style="font-weight: 400;">. A música escrita por Marcelo Camelo traz todo o classicismo do carioca, acentuando </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloco-do-eu-sozinho-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">a escola de bossa nova</span></a><span style="font-weight: 400;"> construída por ele no início dos anos 2000. Imersa na produção do disco, Marisa Monte consegue driblar as barreiras da autenticidade de Camelo, deixando sua assinatura sem perder a melodia típica do ex-Hermano. O mesmo acontece em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fbSzy6gwpls&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Sal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa nostálgica que mantém o olhar atento e confiante ao mistério do futuro. A trinca se encerra em </span><i><span style="font-weight: 400;">Você Não Liga</span></i><span style="font-weight: 400;">, que tem a cantora e suas referências por completo, remetendo </span><span style="font-weight: 400;">às composições </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/musicas_/ainda-lembro/"><span style="font-weight: 400;">primeiros discos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a unânime </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Lembro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhando em cima das melodias, o espaço para deixar a imaginação fluir ganha mais possibilidades. É através do marcante instrumental que somos teletransportados para um corredor cheio de cores, que ganha oportunidade absoluta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Quanto Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O pedido de </span><i><span style="font-weight: 400;">Calma</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Marisa faz no início do disco é elaborado através de uma melodia aconchegante e com o mesmo primor do álbum</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Que Você Quer Saber de Verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aprimorando ainda mais a sonoridade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TTRNfjzCnNQ&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Fazendo Cena</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é tocada em três tempos, num compasso ternário que traz uma cadência própria para a faixa. Com sua intensa e inebriante letra, que nos permite sonhar com a futura realidade, ela é um destaque entre todas as músicas do disco.</span></p>
<figure id="attachment_24956" aria-describedby="caption-attachment-24956" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa.jpg" alt="Foto retangular da cantora Marisa Monte. Marisa é uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Marisa está virada para o lado esquerdo. Ela veste um vestido preto de tule também preto. Ela usa uma tiara preta e seus cabelos estão soltos e na altura da cintura. Suas unhas estão esmaltadas de preto. Ela segura uma chave preta em sua mão esquerda. A chave está apontando seu coração.O fundo é uma parede branca." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5imagemmarisa-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24956" class="wp-caption-text">A gravação de Portas aconteceu de maneira presencial e virtual, e engenheiros do Rio de Janeiro, Los Angeles e Nova York trabalharam no disco (Foto: Fernando Tomaz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de toda estética de viagem temporal, temos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bjVRQWeuc3A&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Elegante Amanhecer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A ode de amor à </span><a href="https://www.gresportela.com.br/Escola"><span style="font-weight: 400;">Portela</span></a><span style="font-weight: 400;">, maior campeã do Carnaval carioca, é total mérito de seus compositores: Marisa e Pretinho da Serrinha. É como se, casualmente, os musicistas abrissem a porta da saudade, afinal, “</span><i><span style="font-weight: 400;">quem nunca se perdeu em tantos carnavais</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A faixa</span><span style="font-weight: 400;"> faz referência ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CW5OMDRnCfs&amp;ab_channel=Samba%C3%A9Paix%C3%A3o"><span style="font-weight: 400;">carnaval de 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">, ano em que a escola foi a última a entrar na Avenida, encerrando o desfile quando o sol já estava alvorecendo. A letra explicita as emoções que Pretinho sentiu ao assistir o belíssimo desfilar do grêmio recreativo, e a parceria com a portelense, apesar de </span><span style="font-weight: 400;">correr na contramão de tudo que já havia sido apresentado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;">, se torna uma bela e gentil homenagem à águia altaneira. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Salve o samba, salve ela</span></i><span style="font-weight: 400;">!”</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um álbum de visual forte. A Música nos permite expandir os sentidos para além da audição e a produção usa isso a seu favor, construindo um império de figuras potentes. </span><span style="font-weight: 400;">A serenidade do álbum vem da força e do equilíbrio dos arranjos de cordas. Apesar de estar disponível apenas para consumo digital, </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é feito para ser apreciado de maneira física, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wu8GD6mT1pA&amp;ab_channel=MARISAMONTE"><i><span style="font-weight: 400;">Vento Sardo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comprova isso. A faixa em dueto com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Drexler</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançada quatro meses após a chegada do álbum nas plataformas e ganhou o décimo quarto espaço da </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;">, revelando a preocupação da artista com a ordem de escuta de suas músicas, cronologia típica de trabalhos físicos. A Marisa Monte de </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/discografia_/mm/"><i><span style="font-weight: 400;">89</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tinha vários reparos para fazer e se consagrar, já a de 2021 não precisa provar nada pra ninguém, se consagrando mestre do seu ofício.</span><span style="font-weight: 400;"> Ouvir e se permitir sentir esse novo álbum é de uma sensibilidade extrema que faz simetria com a preocupação de alta patente da cantora.</span></p>
<p><figure id="attachment_24957" aria-describedby="caption-attachment-24957" style="width: 1324px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa.png" alt="[Foto retangular. À esquerda está a cantora Marisa Monte. Uma mulher branca, de cabelos ondulados e pretos. Ela usa um vestido branco e tiara de flores rosa na cabeça. Ela está sentada. Sua mão esquerda está apoiada no queixo. Ela está sorrindo. À direita está a artista Marcela Cantuária. Uma mulher branca de cabelos pretos. Ela veste blusa roxa e tem uma ave tatuada em seu colo. Ela está sorrindo. Ela também está sentada. Em sua mão direita há um anel vermelho e ela segura um ramalhete de folhas. O fundo é colorido com peças gráficas feitas por Marcela, entre elas há a capa de Portas, disco de Marisa Monte." width="1324" height="736" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa.png 1324w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa-800x445.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa-1024x569.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa-768x427.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6imagemmarisa-1200x667.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24957" class="wp-caption-text">Quem traduz de forma visual toda poesia e sentimento do álbum é a artista Marcela Cantuária (Foto: Vicente de Mello)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Marisa oferece esperança sem ser subversiva, acreditando que quem conhece a estrada dela conhece também seus valores e sua resistência. Em seus </span><a href="https://www.instagram.com/p/Bw7g78AAncB/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">meses isolada</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora sentiu falta de poesia e antagonismo amoroso e tomou a decisão de ofertar o que estava faltando. A ideia é, dentro das inúmeras carências brasileiras, trazer conforto emocional para as dores e perdas, complementar o momento crítico de luta com afago musical. Se valeu a pena esperar 10 anos? Essa pergunta nem deveria estar em pauta. Artistas não têm termos de compromisso, nem obrigação de trabalhar em produções desenfreadas para se tornarem números no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">. A beleza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i><span style="font-weight: 400;"> está em sua capacidade de florescer no tempo que a cantora julgou certo e ideal para o lançamento das inéditas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A porta da vacina está aberta e 2022 está logo aí com a esperançosa promessa de mudança e com a </span><a href="https://www.marisamonte.com.br/agenda/"><span style="font-weight: 400;">Turnê de </span><i><span style="font-weight: 400;">Portas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já de início marcado para janeiro. Marisa cumpriu seu dever de maneira única, trazendo a leveza e o novo sem se desassociar dos trabalhos anteriores que a fizeram uma das maiores referências da Música Popular Brasileira. Colorido, positivo, harmônico, etéreo e potente, o inédito de Marisa Monte gritou a gentileza da artista mais uma vez e com conforto no passado plantou o futuro.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Portas" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/3l2TdM4HyHoifHzpfzhvaT?si=mAKKeItkQIaZyQQbrJKTEA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/">Abram alas e abram Portas para Marisa Monte</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/marisa-monte-portas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24951</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 15:47:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Abismo]]></category>
		<category><![CDATA[Afrobeat]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Chegamos Sozinhos em Casa]]></category>
		<category><![CDATA[Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Do Lado de Dentro]]></category>
		<category><![CDATA[Drik Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Enrico Souto]]></category>
		<category><![CDATA[Folk]]></category>
		<category><![CDATA[Fracasso]]></category>
		<category><![CDATA[Fragmentos]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino]]></category>
		<category><![CDATA[Grammy Latino 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Hoje Eu Quero Chorar]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Indie]]></category>
		<category><![CDATA[Jaloo]]></category>
		<category><![CDATA[Jonathan Ferr]]></category>
		<category><![CDATA[Laís Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[Lay]]></category>
		<category><![CDATA[Lenine]]></category>
		<category><![CDATA[Lio]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Silveira]]></category>
		<category><![CDATA[Luccas Carlos]]></category>
		<category><![CDATA[Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Música Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[O Jeito É Ir Embora]]></category>
		<category><![CDATA[O Que Você Diria Agora]]></category>
		<category><![CDATA[Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Pouco Espaço]]></category>
		<category><![CDATA[Pra Curar]]></category>
		<category><![CDATA[Pra Doer]]></category>
		<category><![CDATA[Pronta Pra Cair]]></category>
		<category><![CDATA[RDD]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Série documental]]></category>
		<category><![CDATA[Shuna]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho da Lay]]></category>
		<category><![CDATA[Tem Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Toda Vez Que Eu Chego Em Casa]]></category>
		<category><![CDATA[Transmídia]]></category>
		<category><![CDATA[Turvo]]></category>
		<category><![CDATA[Tuyo]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Vila Velha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24764</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/">Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_24765" aria-describedby="caption-attachment-24765" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1.webp" alt="Texto alternativo: Capa do CD “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos três pessoas em frente a um grande rancho, com telhados marrom e pintura branca. O céu é limpo e azul, e eles se apresentam em pé, num gramado verde-escuro. Os três olham para a câmera, com um semblante sério. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca, uma calça azul-escuro e tênis brancos. Ao seu lado, no centro, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e tênis brancos. Por fim, ao lado direito, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Nos pés, ela também usa tênis brancos." width="1000" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-24765" class="wp-caption-text">Depois dos magnânimos Pra Doer (2017) e Pra Curar (2018), Tuyo retorna com um projeto extraordinário, cuja ousadia foi contemplada por uma indicação ao Grammy Latino de 2021 [Foto: Tuyo]</figcaption></figure><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há medo mais apavorante do que o da solidão. Construímos nosso entendimento de mundo baseado em nossas conexões afetivas e, logo com a chegada da vida adulta, nos deparamos com a instância de trilhar um caminho tortuoso por conta própria. Nesse temor pelo desconhecido e por não pertencer, Machado, Lay e Lio – ou Tuyo, como os conhecemos juntos – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=400s"><span style="font-weight: 400;">encheram sua casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de gente, para não se sentirem sozinhos. Diante disso, </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=4b0ySSZVQoaX9PDMQMoqLw"><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o novo projeto artístico da banda, imerge na psique de seus integrantes, explorando o instante em que essas pessoas voltam para onde vieram, ou criam seus novos espaços, e o que sobra da gente quando, enfim, estamos sós. </span></p>
<p><span id="more-24764"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma aposta ambiciosa por parte da Tuyo, que distingue-se de qualquer coisa que já fizeram, ainda que continue respirando a personalidade artística que os formaram até o presente. Um projeto </span><a href="https://www.take.net/blog/inovacao/o-que-e-transmidia/"><span style="font-weight: 400;">transmidiático</span></a><span style="font-weight: 400;">, construído no entorno de quase dois anos, e lançado pelo período de pelo menos um semestre. Consistindo em </span><a href="https://open.spotify.com/album/1MDUUXOOqEuB4opvlHISpe?si=1O9Hcp7mT_K6aunCRkKbwQ"><span style="font-weight: 400;">dois álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se unem em uma versão </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mYYhNhBOsSkL7zYyvOmVg?si=NEKFWWH3QjKX6Ebxpwz2ZA"><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 19 faixas, lançada em conjunto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/tuyo-estreia-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos-serie-documental-musicada/"><span style="font-weight: 400;">série documental</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLR4rrOEEvQHtvdw9twbR40GDkFm4t0mZt"><span style="font-weight: 400;">oito episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicada no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">. Havia muita história para ser contada, e não é de se surpreender que a banda, que jamais poderia ser reduzida a um nicho musical, chamou a atenção no mundo inteiro. O ápice disso foi em setembro deste ano, quando eles receberam sua </span><a href="https://gshow.globo.com/RPC/noticia/banda-tuyo-comenta-sobre-indicacao-ao-grammy-latino-estamos-no-processo-de-entender-aceitar-e-comemorar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeira indicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><a href="https://open.spotify.com/album/3RAsslo5W29pWGYf3lxLO1?si=GqVJy2XrTIqAwskQxO_rYQ"><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, em Melhor Álbum de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop </span></i><span style="font-weight: 400;">Contemporâneo em Língua Portuguesa.</span></p>
<figure id="attachment_24766" aria-describedby="caption-attachment-24766" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg" alt="Texto alternativo: Imagem de divulgação do Volume 1 do álbum “Chegamos Sozinhos em Casa”, da banda Tuyo. Nela, vemos três pessoas presentes em uma sala fechada, iluminada por uma luz difusa, com vários quadros pela parede e um grande sofá azul no centro. Os três olham para a câmera, sérios. Primeiro, à esquerda, está Jean. Um homem negro, de barba por fazer, com cabelos crespos, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, tingidos em loiro. Ele usa brincos prateados nas orelhas, veste uma jaqueta azul-escuro, uma calça azul-escuro e, nos pés, meias brancas de cano longo e um tênis branco. Ele senta na ponta esquerda do sofá, com as pernas cruzadas e as mãos sobre a coxa. Também sentada no sofá, à direita, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados em longas box-braids com mechas da cor bege. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em um botão fechado. Nos pés, ela veste tênis brancos, e apoia seus braços no sofá, o esquerdo no encosto, e o direito no meio do móvel. Por fim, no meio deles, posicionada atrás do sofá, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos raspados tingidos em roxo. Ela veste um blazer azul-escuro, preso em sua cintura por um laço da mesma cor. Ela também usa um top azul-escuro no dorso, e apoia os dois braços sobre o sofá." width="2560" height="1444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1536x866.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-2048x1155.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-6-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24766" class="wp-caption-text">Além disso, a Tuyo também angariou uma indicação no Prêmio Multishow 2021 pela música Sonho da Lay, na categoria Canção do Ano, acurada pelo Superjúri do evento (Foto: Juh Almeida)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3J9Ua_FU73Y"><span style="font-weight: 400;">Performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> em eventos estrangeiros, reconhecimento em </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/03/22/arts/music/sxsw-music-festival.html"><span style="font-weight: 400;">grandes veículos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da imprensa internacional, indicações em </span><a href="https://portalpopline.com.br/premio-multishow-confira-a-lista-completa-de-indicados/"><span style="font-weight: 400;">premiações enormes</span></a><span style="font-weight: 400;">; Tuyo já é </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, furou a bolha da cena independente, e agora passa a ocupar espaços que não poderia alcançar antes. Porém, ao mesmo tempo que se </span><a href="https://www.instagram.com/p/CUYkyqFLQl3/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">permitem celebrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> tais conquistas, elas não são fáceis de lidar para os membros da banda. </span><i><span style="font-weight: 400;">“[Eu tenho a impressão que] nenhum de nós, nem os nossos iguais, foram autorizados por alguém”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz Lio, no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que tinha uma parte da cerca que estava aberta, e a gente começou a passar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E isso torna-se evidente quando, por exemplo, percebe-se que, na categoria em que foram indicados no </span><i><span style="font-weight: 400;">Latin Grammy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lio, Lay e Machado são os únicos artistas pretos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a isso, o álbum passa, em várias ocasiões, por um lugar de questionamento e hesitação, do receio que dele surge, na necessidade de confrontar um trajeto ainda inaugural e o seu destino final. Neste caso, trata-se da individualidade, do olhar para dentro, que, para a Tuyo, também é uma vivência muito nova. Usufruir da solidão e do prazer de estar só é um privilégio e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">condição elitizada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, para quem precisa constantemente se preocupar em sobreviver, pouco espaço sobra para pensar sobre o que isso significa. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i> <span style="font-weight: 400;">reflete sobre o momento em que, após muita construção, essa experiência passa a atravessá-los, e como ela os afeta, eles vindo de onde vieram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso, portanto, que um projeto que comenta tanto sobre um processo individual e particular também seja o primeiro que a banda </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">compõe em conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um espaço compartilhado, ao invés de seus discos anteriores, em que as faixas nasciam a partir de construções mais individualizadas. O resultado disso é um processo que nasce de fora para dentro. Uma </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/trio-curitibano-tuyo-lanca-album-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">produção coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que, por fim, se reduz a um estudo íntimo e um mergulho nas singularidades de cada uma das partes que compõem o que conhecemos como Tuyo. Cria-se um processo de desvencilhamento, para que, finalmente, eles possam se reencontrar em seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=769s"><span style="font-weight: 400;">estado cru e pleno</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Abismo (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TI522R3g99I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma ferramenta de enriquecimento desse processo. A série documental apresenta diferentes interpretações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Primeiro, sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">conceito geral</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco e, mais tarde, sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">canções específicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, de jeito algum eles pretendem explicar sua obra e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">restringi-la</span></a><span style="font-weight: 400;"> a apenas uma leitura. Pelo contrário, os três constroem identidades únicas, separadas uns dos outros, e trazem suas perspectivas individuais sobre o trabalho, que se chocam e entram em divergência o tempo todo. E eles estão cientes disso. Não só cientes, como também prezam por essa dissonância. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Tá tudo dito lá, dentro do disco. Mas às vezes as pessoas querem entender os desdobramentos das metáforas, porque hoje parece que não basta a metáfora. Ou talvez ela nunca tenha bastado.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">– Lio</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se comprova na </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando, apesar de partirem de uma composição coletiva, várias músicas irão focar em vivências e relatos próprios de cada um dos integrantes. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pg3k_F5m7nA"><i><span style="font-weight: 400;">Vitória Vila Velha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trata sobre a cidade natal de Machado e a saudades que ele guarda daquelas memórias, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ObSzUlXaO5s"><i><span style="font-weight: 400;">O Que Você Diria Agora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comenta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">o ressentimento e a raiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ele construiu pelo pai. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aISS_jZXPSs"><i><span style="font-weight: 400;">Pronta Pra Cair</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> versam sobre a autoestima da Lay, e como isso reverbera em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=05TLKf0O3LE"><span style="font-weight: 400;">autoimagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, ganhando camadas ainda mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">profundas e multiformes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ITAgOK4Fnz0"><i><span style="font-weight: 400;">O Jeito É Ir Embora</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abordam experiências muito pessoais de Lio sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7fKkAezFMEs"><span style="font-weight: 400;">amor e desvencilhamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, em suas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YCF3f81pDIE"><span style="font-weight: 400;">variadas formas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24767" aria-describedby="caption-attachment-24767" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do primeiro episódio da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e colorida. Nela, vemos três pessoas em pé, atrás de um carro azul. As três olham seriamente para a câmera. Primeiro, do lado esquerdo, está Lio. Uma mulher negra, de cabelos crespos volumosos da cor preta. Ela veste um grande vestido azul-escuro de mangas longas, que se estende até seus pés, e que se divide no meio em botões fechados. Ela se apoia no capô do carro pelo cotovelo direito. Do lado dela, no centro, está Jean. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos crespos da cor preta, raspados nas laterais e com um grande volume no topo, que se divide em dois. Ele veste um sobretudo azul escuro, uma camiseta branca e uma calça azul-escuro. Além disso, ele também usa um brinco prateado na orelha direita. Por fim, do lado direito, está Lay. Uma mulher negra, de cabelos crespos raspados e tingidos em loiro. Ela veste uma espécie de quimono azul-escuro, com grandes ombreiras nos braços, e com uma saia que se estende apenas até as coxas. Além disso, ela também veste meias de cano longo brancas e se apoia no capô do carro com sua mão direita. O fundo é o de uma floresta com várias árvores, e o cenário é dia." width="1078" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5.jpg 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-5-768x545.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24767" class="wp-caption-text">As canções em que Machado canta continuam marcando presença, mais memoráveis do que nunca, incluindo a faixa-título do projeto, o ápice emocional do final do disco (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos o trajeto emocional de Tuyo. Porém, o que encontra-se no final dessa estrada? Eles chegam aonde? Para quem foi definido a vida inteira por uma falta de identidade, pelo não-pertencimento, esse lugar não existe. A alternativa, nesse caso, é munir-se dessa designação, ressignificá-la e torná-la tangível. Aqui, Tuyo transforma o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">não-lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em conceito, e se apropria dele como uma identidade totalmente nova. Se lhes foi negado o direito de pertencimento, o que restou a eles foi pavimentar essa estrada </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/"><span style="font-weight: 400;">do zero</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Musica/noticia/2021/09/tuyo-acompanhe-o-making-e-relato-exclusivo-do-visual-album-chegamos-sozinhos-em-casa-fragmentos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que está na limiar de inúmeros gêneros do audiovisual. É documentário? É drama? É performance ao vivo? A série não se preocupa em definir isso, e a direção de </span><a href="https://laisdantas.46graus.com/"><span style="font-weight: 400;">Laís Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> brinca o tempo todo com os formatos que dispõe. Ora ela irá usar uma proporção de câmera cinematográfica, com planos longos e contemplativos, ora ela irá explorar uma estética nostálgica de </span><i><span style="font-weight: 400;">videotapes</span></i><span style="font-weight: 400;"> noventistas, com as imagens de bastidores. Não há limites criativos para a produção, o que torna assistí-la uma experiência envolvente e nunca monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, a banda procura no passado as inspirações e influências que os moldaram no passado, a fim de compreender o presente e vislumbrar o futuro. Toda a discografia do projeto é uma amálgama das referências que formaram a sonoridade do que é hoje sua música. A Tuyo nunca se limitou pelas restrições de um gênero musical específico. Seja </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou MPB, eles sempre souberam bem como apanhar os melhores elementos de cada estilo e transformá-los em um som novo, mais próximo de como se </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">enxergam</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do que almejam comunicar </span><a href="https://noize.com.br/entrevista-conheca-o-afrofolk-futurista-da-tuyo/"><span style="font-weight: 400;">artisticamente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, misturando </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> com instrumentos acústicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> extrapola esse experimento estético como nunca antes.</span></p>
<figure id="attachment_24768" aria-describedby="caption-attachment-24768" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg" alt="Imagem de bastidores da produção da série documental “Chegamos Sozinhos em Casa - Fragmentos”, da banda Tuyo. Nela, vemos um grupo de cinco pessoas dentro do sótão de madeira no andar de cima de um casarão, durante o dia. Eles se reúnem sentados no chão em roda, com diversos fios e equipamentos musicais no centro. Primeiro, no centro, está Jean. Um homem negro, de cabelos crespos escuros, com as laterais raspadas e volumoso no topo, que veste uma camisa branca. Ele está de costas para a câmera, de maneira que não podemos ver seu rosto, e segura um baixo em mãos. Todos os outros ao seu redor estão virados para a câmera, e riem enquanto olham para ele. Primeiramente, à esquerda da roda, vemos Lucas Romero. Um homem branco, de barba feita, com cabelos curtos tingidos de louro, que veste um suéter azul e uma calça branca. Ele veste óculos de armação redonda no rosto, fones de cabeça nos ouvidos e tem os joelhos apoiados no chão. Depois, seguindo o sentido horário, está Lay. Uma mulher negra de cabelos crespos escuros e raspados. Ela usa dois grandes brincos nas orelhas e um forte batom vermelho nos lábios, vestindo também uma regata branca e uma calça azul-escura. Ela senta no chão, com as duas mãos fechadas e coladas sobre suas coxas. Ao lado dela, também está Lio. Uma mulher negra, com cabelos escuros trançados sobre a raíz de seu couro cabeludo. Ela veste um top branco e um grande saia azul-escura, e se senta sobre o chão, enquanto coloca sua mão esquerda sobre a orelha. E, por fim, ao lado de Lio e Jean, fechando a roda, está Luís Fernando Diogo. Um homem negro, de barba cheia, com cabelos escuros trançados em longos dreads, presos em um coque no topo de sua cabeça. Ele usa fones de cabeça nos ouvidos, vestindo uma blusa branca e calça branca." width="2500" height="1667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24768" class="wp-caption-text">“A ideia da série foi muito pautada nessa questão do espetáculo, de como é que a gente consegue replicar, de alguma forma, um pouco do que sentimos quando tá ao vivo”, diz Lio, a respeito de Chegamos Sozinhos em Casa &#8211; Fragmentos (Foto: Vitor Augusto/Petrobras Cultural)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, parece haver um exercício ativo da banda de sair da sua zona de conforto. É o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TbOco3aDRj8"><i><span style="font-weight: 400;">Sonho da Lay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de divulgação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma viagem cinematográfica entre os devaneios emergidos na mente de Lay, refletindo sua inquietude e vontade de desaparecer. A estrutura da faixa é de uma legítima música eletrônica, com uma construção de ambiente minuciosa no verso, para então elevar-se à uma grande catarse instrumental. É uma faixa marcante, com uma identidade própria, totalmente diferente de tudo que a Tuyo já fez, mas que ainda carrega em si a essência do trio. Já entre as referências que citam </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">terem sido</span></a><span style="font-weight: 400;"> cruciais para a concepção do disco, estão </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/legado-marilia-mendonca-deixa-mais-de-300-musicas-projetos-serem-lancados-inspiracao-para-nova-leva-do-feminejo-25274714.html"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/kamasi-washington-e-rara-celebridade-no-jazz-e-refuta-a-ideia-de-crise-do-genero.shtml"><span style="font-weight: 400;">Kamasi</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NB3gWkhLkxM"><span style="font-weight: 400;">The Internet</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/linkin-park/como-hybrid-theory-mudou-apos-a-morte-de-chester-bennington"><span style="font-weight: 400;">Linkin Park</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wRwId2RfmfA"><span style="font-weight: 400;">Kirk Franklin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros artistas que, à primeira vista, jamais poderiam ser fundidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, essas inspirações ultrapassam o plano das ideias e se manifestam nas colaborações vocais, que não eram do feitio da banda em projetos </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde os versos melodiosos e envolventes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WISpREAkEO0"><span style="font-weight: 400;">Luccas Carlos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2014/03/16/interna_diversao_arte,417672/cantor-lenine-conta-ao-correio-em-entrevista-detalhes-sobre-a-vida.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lenine</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://todosnegrosdomundo.com.br/drik-barbosa/"><span style="font-weight: 400;">Drik Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><i><span style="font-weight: 400;">backing vocals</span></i><span style="font-weight: 400;"> leves, mas poderosos de </span><a href="https://culturadoria.com.br/jaloo/"><span style="font-weight: 400;">Jaloo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/sua-alegria-foi-cancelada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lucas Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que também é creditado na </span><a href="https://revistabalaclava.com/lucas-silveira-feliz-divas-pop/"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> do projeto –, e as rimas fortes e contundentes da lenda </span><a href="https://www.bocadaforte.com.br/materias/entrevistas/kamau-respeitar-e-meu-compromisso"><span style="font-weight: 400;">Kamau</span></a><span style="font-weight: 400;">, até os arranjos únicos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0SJ76fOXaPg"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/quem-e-jonathan-ferr-o-pianista-de-madureira-que-quer-tirar-o-elitismo-do-jazz.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Ferr</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shuna (da </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/na-rua-voce-precisa-conquistar-seu-espaco-diz-dupla-youn/"><span style="font-weight: 400;">Yoùn</span></a><span style="font-weight: 400;">) oferecem, nas respectivas faixas que assinam. Todos são pessoas </span><a href="https://www.instagram.com/p/CPHUgTPLu9U/"><span style="font-weight: 400;">abertamente presentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida dos três integrantes, e os auxiliam a pincelar as arestas de sua Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sonho da Lay feat. Luccas Carlos (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TbOco3aDRj8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tuyo também olha para o passado de maneira mais prática. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> versa sobre os trabalhos passados da banda, reinterpretando sua mensagem. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPqKsoTUKkU"><i><span style="font-weight: 400;">Pra Curar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o exemplo mais explícito, recebe o nome do </span><a href="https://open.spotify.com/album/3HjKk0aYQYuMFWDBS40amc"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estúdio do trio. Porém, ao contrário do que se imaginaria, a música se coloca quase como uma sátira de seu antecessor. Se o álbum de 2018 procura encontrar esperança em um ambiente de dor, compreendendo que o caminho para alcançar a cura não é fácil, a canção de 2021 se posiciona em um </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-09/pfizer-pesquisa-revela-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-de-jovens"><span style="font-weight: 400;">contexto catastrófico</span></a><span style="font-weight: 400;">, de completa desilusão, e abraça essa angústia. O refrão, que repete o mantra </span><i><span style="font-weight: 400;">“nenhuma dor é pra curar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, atesta o que Lio afirmou para a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tuyo-propoe-novos-dialogos-e-desdobramentos-em-chegamos-sozinhos-em-casa-e-um-experimento-de-popularizacao-da-nossa-linguagem-entrevista/"><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, logo depois do lançamento do primeiro volume: </span><i><span style="font-weight: 400;">“às vezes tem processo que dói e só dói, é dor pela dor mesmo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento de revisitação proposto aqui passa, igualmente, por um território metalinguístico. Em todo episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda apresenta um </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> diferente das músicas do disco, reinterpretadas e rearranjadas. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CG4eTP7l6T0"><span style="font-weight: 400;">primeiro episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega com os dois pés na porta, entregando uma versão refrescante das principais faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma estética escancaradamente </span><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/afrofuturismo"><span style="font-weight: 400;">afrofuturista</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebendo do </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">dance hall </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">EDM</span></i><span style="font-weight: 400;"> no melhor estilo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/grammy-2021-conheca-kaytranada-dj-indicado-na-categoria-artista-revelacao/"><span style="font-weight: 400;">KAYTRANADA</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outros episódios também retomam momentos anteriores da carreira da Tuyo, como no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t2UNySZwWNM"><span style="font-weight: 400;">sétimo</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando eles performam as canções inolvidáveis da </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/colunistas/acordes-locais/simonami-e-a-dor-de-uma-cancao-307sx88uiwl0tqwg19sj5aq1a/"><span style="font-weight: 400;">Simonami</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeto musical anterior que Lay, Lio e Machado fizeram parte, ou no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0"><span style="font-weight: 400;">sexto</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o trio interpreta </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de algumas de suas músicas, dando outra cara a elas e uma autenticidade ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compreender o lançamento dividido em dois volumes também é fundamental para assimilar o que aspira o projeto. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O primeiro volume está condensando uma demarcação bastante territorial. A gente abre o disco falando de memória, de origem, com ‘Vitória Vila Velha’, cidade natal do Machado. E, seguimos falando sobre retornos, partidas, chegadas, reencontros… o segundo volume concentra um outro aspecto menos pragmático desses ritos contemporâneos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a banda, </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/entrevista-tuyo-chegamos-sozinhos-em-casa/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o </span><i><span style="font-weight: 400;">site Nação da Música</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que ambos os volumes se oponham e inclusive se contentem sozinhos, quando se unem, alcançam a proporção exata que esse trabalho pedia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - O Jeito É Ir Embora (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ITAgOK4Fnz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Visto isso, em questão de temática, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é repleto de contrastes. O exemplar mais forte musicalmente são as duas colaborações de Jonathan Ferr no álbum. Ambas finalizam os dois volumes e são essencialmente instrumentais. Ao passo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oBo4kD4VSnQ"><i><span style="font-weight: 400;">Toda Vez Que Eu Chego Em Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é de longe a mais longa da </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">, introduzindo pacientemente cada um de seus elementos e transmitindo uma energia lúdica e doce, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etGHkE3Ykqg"><i><span style="font-weight: 400;">Pouco Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exala uma sensação constante de claustrofobia. Ela é frenética, urgente, e grita uma necessidade de se libertar, ainda que essas amarras não tenham uma definição clara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa oposição também se manifesta em nível emocional. Ao relatar seu processo agridoce de amadurecimento, a Tuyo não tem medo de expor essas emoções da maneira mais sincera e verdadeira possível, seja em suas boas ou más fases. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WtNgq-2mNnc"><i><span style="font-weight: 400;">Tem Dias</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RGB5uHXaF-s"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lado de Dentro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compreendem uma perspectiva mais positiva, reafirmando o amor e o autoamor, e entendendo como tal amor molda nossa percepção do outro, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TI522R3g99I"><i><span style="font-weight: 400;">Abismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – faixa extra da versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g7TCfhVX_bQ"><i><span style="font-weight: 400;">Fracasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H4LdeC5kbYg"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aceitam a melancolia, se fundem à dor e a assumem como parte de si. O projeto nunca confina esses pontos de vista em ideias superficiais de bem e mal, apenas os entende como sentimentos complexos e parte de um processo que muitas vezes vai muito além da nossa compreensão.</span></p>
<figure id="attachment_24769" aria-describedby="caption-attachment-24769" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg" alt="Imagem retirada do videoclipe da música “O Jeito É Ir Embora”, da banda Tuyo. Fotografia retangular e preto e branco. Nela, vemos três pessoas rodeando um carro rústico, enquanto olham sérios para a câmera. Primeiro, apoiando seu braço sobre o capô, está Lio. Uma mulher negra, com cabelos trançados em longas box braids escuras, vestindo um largo macacão e saltos brancos nos pés. Ao seu lado, apoiando um dos braços sobre a porta aberta do carro e o outro sobre o teto, está Lay. Uma mulher negra, com cabelos curtos tingidos de uma cor clara, vestindo uma camisa de botões com manga curta, uma calça escura e tênis brancos. Por fim, ao lado dela, agachado sobre suas pernas, está Jean. Um homem negro, de barba cheia e cabelos crespos escuros, raspados nas laterais, e com um grande volume no topo, divido ao meio. Ele tem brincos de argola nas orelhas e veste uma camisa branca, uma bermuda clara e tênis brancos nos pés. Além disso, ele ainda usa um moletom escuro preso no seu torso pelas mangas longas, cruzando do seu torso até seu ombro. O cenário é uma rua arborizada, com muros pichados e árvores crescendo sobre o chão de concreto." width="2560" height="1753" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-800x548.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1024x701.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-768x526.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1536x1052.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-2048x1402.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-5-1200x822.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24769" class="wp-caption-text">Diferente do que se esperaria de uma colaboração com Lenine, Fracasso é um R&amp;B denso com retoques de trap, evidenciando também o interesse da banda em tirar seus colaboradores de sua zona de conforto (Foto: Felipe Mazzucatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste nasce não só na ambiguidade do sentir, mas também na necessidade de se diferenciar do outro. Lio aborda isso mais assertivamente no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc"><span style="font-weight: 400;">quarto episódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Parece que, não importa o que a gente tava escrevendo, a gente tava falando sobre isso. Sobre a vontade de desenhar na gente um contraste entre nós e o que acontecia ao nosso redor”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">O apogeu disso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qsGuJc_kMRM"><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, provavelmente a peça de maior impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ‘turvo’ do título parece se referir ao momento em que você cria uma dependência tão grande sobre quem te rodeia, que o limite entre o ‘ego’ e o ‘outro’ se confunde, ao ponto de que encontrar o ‘eu’ ali torna-se quase inconcebível. Dessa forma, a faixa – e todo o álbum, em certa medida – retrata o desespero para, nesse cenário, se localizar em si e encontrar autossuficiência.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre várias coisas, e delimitar seus significados é uma tarefa impossível. A própria Tuyo não conseguiu, ainda menos uma crítica como essa. Contudo, no fim das contas, esse é o atestado da grandiosidade do projeto. O trabalho que a banda construiu é mutável, se molda ao prisma de quem ouve e se imortaliza no coração de quem o sente. E isso também afeta a percepção de quem deu vida à obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fragmentos</span></i><span style="font-weight: 400;"> narra várias situações em que algum dos três membros tiveram uma epifania sobre o sentido íntimo de uma canção, geralmente despertado por um elemento externo. É o caso de Lay com </span><i><span style="font-weight: 400;">Turvo</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEzySdBB7G0&amp;t=545s"><span style="font-weight: 400;">uma amiga</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a questão da </span><a href="https://claudia.abril.com.br/sua-vida/a-mulher-negra-nao-e-vista-como-um-sujeito-para-ser-amado/"><span style="font-weight: 400;">solidão da mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, alterando completamente a ótica com que ela enxergava a música. E, agora, com essa perspectiva sendo exposta em tela, alterando a nossa também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tuyo - Sem Mentir (Videoclipe Oficial)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/4-ZfX3PvnVM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tópico que sempre foi </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/posts/tuyo-sonho-da-lay-luccas-carlos/"><span style="font-weight: 400;">reforçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela banda, desde o anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi a busca por democratizar a sua linguagem e expressão artística. De tornar acessível temáticas densas e difíceis, sem que elas percam sua dimensão e profundidade. E pode-se dizer que, nesse projeto, ela a alcançou. Desta vez, eles partem de uma premissa resoluta – discutir crise de identidade, e o amadurecimento que vêm com a fase adulta – ao mesmo tempo que é hermética e tridimensional. Não abandona seus floreios e lírica poética, mas sempre trata seus temas com firmeza e ternura. A Tuyo já </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2019/08/conheca-tuyo-banda-curitibana-que-traduz-em-musica-um-manifesto-afrofuturista-pop.html"><span style="font-weight: 400;">conquistou o coração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos ouvidos que passou, e sua mensagem se expandirá cada vez mais e mais, com a validação de uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/grammy-latino-expoe-antigos-dilemas-culturais-entre-brasil-e-seus-vizinhos,3d7ae725e9ce1ae79dfb8891995d8406fkqtg21l.html"><span style="font-weight: 400;">premiação internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – já conhecida pelo </span><a href="https://tracklist.com.br/racismo-xenofobia-grammy/93117"><span style="font-weight: 400;">histórico problemático</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas decisões – ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todo modo, pode-se dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chegamos Sozinhos em Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura beleza na solidão. Entende que amadurecer implica que certos laços sejam desatados, para que espaços novos sejam abertos. Que é necessária a construção de um espaço particular, para que possamos nos entender como indivíduo único, dotado de autoestima, que se ama e que se basta. Mas também compreende a importância de quem nos acompanha para que esse processo de autoconhecimento ocorra – de quem segura nossas pontas até que possamos levantar voo sozinhos. Para a construção de um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2021/06/01/interna_cultura,1272172/banda-tuyo-transforma-as-dificuldades-de-convivencia-em-disco.shtml"><span style="font-weight: 400;">vínculo saudável</span></a><span style="font-weight: 400;">, distinguir-se do outro é primordial, pois é apenas se encontrando que podemos encontrar a quem nos cerca. E é assim que Lio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K8yJ8710OGc&amp;t=748s"><span style="font-weight: 400;">parafraseia</span></a><span style="font-weight: 400;"> Machado, na frase que sintetiza o núcleo emocional do disco: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acredito que a casa onde a gente chegou foi um no outro”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/">Ao fim de Chegamos Sozinhos em Casa, Tuyo encontra lar no outro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24764</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
