Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente

Capa do álbum Vício Inerente. Nela está a cantora Marina Sena sentada ao meio em uma estrutura reflexiva metálica que aparenta ser uma caixa com fundo de uma cidade. Ela está com meias longas pretas sentada acima de suas panturrilhas. Enquanto segura uma concha brilhante em seus ouvidos, seus cabelos longos e pretos aparentam movimento esvoaçante e sua pele clara é iluminada por sua maquiagem. Em seu rosto está marcado uma sombra prateada em seus olhos fechados. Acima à esquerda o símbolo MS que nomeia a artista.
Marina Sena participou do projeto Foundry do YouTube Music em 2021, focado em impulsionar e divulgar artistas no começo da carreira (Foto: Sony Music)

Henrique Marinhos

Em seu segundo álbum, Vício Inerente, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, De Primeira, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como reggaeton, drill, trap e funk, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma colaboração estreita com seu produtor Iuri Rio Branco, que a acompanha desde o início. Aqui, a cantora apresenta um som mais maduro e coeso, consolidando sua posição no cenário pop nacional.

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Entre as safras de J. Cole, The Off-Season cumpre seu papel

Capa do álbum The Off-Season. Foto quadrada, com cenário de noite. Ao lado esquerdo da imagem é possível observar uma grande tabela de basquete, queimando em fogo de cima a baixo. Do lado direito, mais à frente, está J. Cole, homem negro, de barba e cabelos em longos dreads que se alongam até seus ombros. Ele veste uma calça e moletom pretos, com suas mãos dentro dos bolsos. Sua cabeça inclina-se para a direita, enquanto apenas parte de seu rosto é iluminado pelo fogo. Além disso, atrás da cena, vemos uma densa cortina de fumaça tomando todo o céu.
Capa do álbum The Off-Season, de J. Cole (Foto: Dreamville)

Enrico Souto

Dia 29 de dezembro de 2020, J. Cole surpreendia a todos com um post inusitado em seu Instagram, consistindo numa imagem da página aberta de um caderno. Em seu topo estava em destaque The Fall Off Era, e, abaixo, listados vários nomes de antigos e possíveis novos projetos, dispostos em uma linha vertical, denotando tempo. Acima, podia-se ler, ambas horizontalmente riscadas, dando a entender que são etapas já cumpridas, Features – em referência à corrida de colaborações que o rapper entregou entre 2018 e 2020 – e ROTD3 – aludindo à última compilação lançada pela Dreamville, gravadora fundada por Cole; uma das melhores produções coletivas que o hip-hop nos concedeu na última década, envolvendo todos os seus artistas associados e inúmeros outros colaboradores.

Mais abaixo, apresentavam-se os dizeres It’s a Boy e The Fall Off, aparentemente futuros trabalhos que podemos esperar de Cole, que dariam seguimento à era aqui anunciada. Em que estágio estamos agora? No centro do papel, sanduichado pelos dizeres citados anteriormente, estava grafado The Off-Season, que seria lançado seis meses depois, em 14 de maio de 2021. O álbum já havia sido antecipado antes com o freestyle Album Of The Year, de 2018, porém sua espera sempre caminhou na sombra de The Fall Off, o projeto mais aguardado de Cole, que promete ser o maior feito de sua carreira. Numa lógica de parasitismo, semelhante ao que ocorre nas produções do MCU, The Off-Season, dentro do roteiro dessa grande epopeia, até cumpre seu papel, porém inevitavelmente tem seu rendimento individual como obra afetado.

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