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	<title>Arquivos Curta-Metragem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Curta-Metragem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os Curta-metragens do Oscar 2024</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Mar 2024 19:36:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos dos que se propõem a maratonar a lista dos indicados ao Oscar se esquecem dos curtas-metragens. O desinteresse pela categoria as impede de experienciar histórias valiosas e marcantes em diferentes temáticas e formatos &#8211; animação, live-action ou documentário. Os curtas são capazes de explorar qualquer assunto em um tempo limitado sem parecer superficial, te &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/curta-metragens-oscar-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Curta-metragens do Oscar 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32710" aria-describedby="caption-attachment-32710" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/curtas_oscar.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/curtas_oscar.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/curtas_oscar-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/curtas_oscar-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32710" class="wp-caption-text">Assim como os longas, os curtas do Oscar 2024 esbarram nos debates sobre os conflitos mundiais (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos dos que se propõem a maratonar a lista dos indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se esquecem dos curtas-metragens. O desinteresse pela categoria as impede de experienciar histórias valiosas e marcantes em diferentes temáticas e formatos &#8211; animação, </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou documentário. Os curtas são capazes de explorar qualquer assunto em um tempo limitado sem parecer superficial, te fazem rir, chorar, se inspirar, apaixonar e, às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na ficção, as produções selecionadas pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a 96ª edição da premiação abordam desde temas coletivos como aborto, abuso infantil e o holocausto, até questões subjetivas e individuais como o luto e memórias da infância. Na categoria documental, as obras retratam, além da vida pacata de duas senhoras e do impacto da música no desenvolvimento de estudantes, denúncias sociais sobre a proibição de livros em escolas, a disparidade econômica-racial e questões diplomáticas. Mesmo que de forma breve, não falham em se aprofundar em temáticas complexas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os curtas não ficam para trás dos longas-metragens, nem em qualidade da história, relevância ou impacto emocional. Apesar de serem desvalorizados em relação aos principais prêmios da noite, você só tem a ganhar dando uma chance para essas narrativas. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Cineclube de curtas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">vem com essa finalidade: valorizar as produções indicadas e, quem sabe, te incentivar a conhecer um pouco mais sobre essas histórias. </span><b>&#8211; Amabile Zioli e Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span id="more-32656"></span></p>
<hr />
<h2>Melhor Curta-metragem Live-action</h2>
<figure id="attachment_32668" aria-describedby="caption-attachment-32668" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32668" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4.jpg" alt="Cena do filme A Incrível História de Henry Sugar. Em primeiro plano está o personagem Henry Sugar, interpretado por Benedict Cumberbatch, com uma vela acesa em sua frente, olhando para a câmera com uma feição séria. Ele é branco, com cabelo e bigode marrom e olhos azuis. Em segundo plano, há a bancada de uma cozinha. O chão é quadriculado em branco e azul. A bancada é branca e possui utensílios de cozinha em cima: torneiras, bacias, potes, bule, entre outras coisas. Um pouco à frente, há um aparador com taças, gelo e garrafas de bebidas alcóolicas. Nas paredes brancas, há dois quadros" width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32668" class="wp-caption-text">O Fantástico Sr. Raposo (2009), dirigido por Anderson, também é uma adaptação da literatura de Dahl (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>A Incrível História de Henry Sugar </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, Wes Anderson lançou uma série de quatro curtas na plataforma &#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-historia-de-henry-sugar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Incrível História de Henry Sugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cisne</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Caçador de Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Veneno</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">O primeiro, indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Curta-Metragem Live-Action, é a representação fiel do livro homônimo de Roald Dahl que conta a história do mágico paquistanês Kuda Bux, vivo durante os Anos 1990. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As características marcantes da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IvFxK3kz9Aw"><span style="font-weight: 400;">direção de Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão presentes mais uma vez no curta. A centralização perfeccionista e a atuação teatral tornam o </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">  contagiante e fazem 40 minutos parecerem 10. Para fãs do diretor, essa é sua volta triunfante para o mundo das adaptações. O </span><a href="https://www.techtudo.com.br/guia/2023/09/incrivel-historia-de-henry-sugar-veja-sinopse-elenco-e-trailer-do-curta-streaming.ghtml"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> e roteiro são peças-chave para esse sucesso: com a quebra da quarta parede em diversos momentos, o espectador se sente mais próximo da cativante história de Henry Sugar. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
<figure id="attachment_32700" aria-describedby="caption-attachment-32700" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-7.png" alt="Cena do curta The After, Homem de pele negra, com barba, olhando para cima, com os olhos cheios de lágrimas, está com sua mão no pescoço, onde há um close em sua mão com a aliança. O homem está com um sentimento de saudade. O cenário da imagem é um estacionamento no meio da cidade. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-7.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-7-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32700" class="wp-caption-text">O filme consegue retratar o sentimento proposto, tratando de algo complexo e que não tem como ser solucionado ou contornado (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>The After </strong></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/The_After"><i><span style="font-weight: 400;">The After</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aborda um tema sensível ao qual estamos expostos em nosso dia a dia. Sempre  acostumados com a rotina, qual seria nossa reação diante de uma tragédia inesperada? O que poderia ser só mais um dramalhão vira um curta com um grande exemplo de reflexão e resiliência, uma obra sobre a empatia e o desconhecimento da jornada individual de cada um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em decorrência do trauma, a vida de Dayo, interpretado por </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Oyelowo"><span style="font-weight: 400;">David Oyelowo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Selma: Uma Luta Pela Igualdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2014) muda completamente após uma morte na família. Sua carreira bem-sucedida foi para o espaço: o protagonista vai de um executivo de sucesso a um motorista de aplicativo. Tentando se reconstruir, mas com o peso do passado ao seu lado, durante uma viagem, o encontro com uma passageira o obriga a encarar sua jornada de dor. </span><i><span style="font-weight: 400;">The After</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai além da dor do personagem principal e entrega um curta-metragem sobre o próximo, sua história e seu legado. A abordagem, o roteiro e personagens, todos são levados a encarar o luto, em uma aula de amor que toma poucos minutos do seu tempo e irá te emocionar e refletir. <strong>&#8211; Rafael Gomes</strong></span></p>
<figure id="attachment_32701" aria-describedby="caption-attachment-32701" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32701" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8.png" alt="Cena do curta-metragem Invincible. O protagonista Marc, dos ombros para cima, segura um cigarro entre os dentes enquanto olha para a sua frente. O personagem tem o cabelo curto, um corte raspado, e está com um fone de ouvido em volta do pescoço. Ao fundo, o céu azul ocupa a tela inteira." width="1999" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8-1536x1153.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-8-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32701" class="wp-caption-text">“Um garoto em uma busca desesperada por liberdade.” Essa é a definição usada na sinopse do curta (Foto: Telescope Films)</figcaption></figure>
<p><strong>Invincible </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na trágica história real do amigo de infância do diretor </span><a href="https://filmshortage.com/an-interview-with-acclaimed-director-vincent-rene-lortie-on-his-oscar-qualifying-short-film-invincible/"><span style="font-weight: 400;">Vincent René-Lortie</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um conto devastador sobre a juventude. Em sua primeira cena, o curta define o tom da história que caminha para um final inevitável, acompanhando como o protagonista, Marc, um garoto de 14 anos, chega até esse ponto. A direção conquista uma conexão emocional com o personagem e a história, tornando impossível para o espectador não se envolver.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O menino está sob a tutela de um centro de detenção juvenil, mas a história escolhe focar no indivíduo e seus sentimentos, ao invés das ações que o levaram por esse caminho. A performance do jovem </span><a href="https://vimeo.com/901531974"><span style="font-weight: 400;">Léokim Beaumier-Lépine</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o destaque da obra: o ator consegue comunicar emoções complexas e conflitantes apenas com suas expressões, como uma janela para o que ocupa a mente do personagem durante as 48 horas em que se passa o filme. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<figure id="attachment_32703" aria-describedby="caption-attachment-32703" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32703" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-3.png" alt="Cena do curta-metragem Knight of Fortune. À esquerda, o personagem Torben, ao lado de Karl. Os homens estão lado a lado e em frente ao topo de um caixão branco. Atrás deles, a parede de azulejos branca é iluminada por uma lâmpada de led." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32703" class="wp-caption-text">Às vezes é mais fácil encontrar distrações, como consertar uma lâmpada, do que encarar a realidade (Foto: Jalabert Productions)</figcaption></figure>
<p><strong>Knight of Fortune </strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Knight of Fortune </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma representação comovente e realista de pessoas passando por dores inimagináveis e, mesmo assim, encontrando do que rir. O curta-metragem de </span><a href="https://directorsnotes.com/2024/02/08/lasse-lyskjaer-noer-knight-of-fortune/#video-interview"><span style="font-weight: 400;">Lasse Lyskjær Noer</span></a><span style="font-weight: 400;"> ilumina as inexplicáveis nuances e ironias do luto. Karl, recém viúvo, visita uma capela para se despedir de sua falecida esposa, mas não consegue reunir a coragem para vê-la daquele jeito e pela última vez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor encontra o humor no absurdo das coisas trágicas que não tem razão. Durante seus 25 minutos de duração, o curta é igualmente </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/screening-room/grief-and-comedy-come-together-in-knight-of-fortune"><span style="font-weight: 400;">engraçado e arrebatador</span></a><span style="font-weight: 400;">, conquistando ambos por sua honestidade brutal. As atuações são de uma sensibilidade ímpar e o que faz a história funcionar. Leif Andrée como Karl e Jens Jørn Spottag como Torben, outro viúvo que cruza o caminho do protagonista no momento em que ele mais precisa, compreendem como a dor compartilhada conecta as pessoas. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<figure id="attachment_32658" aria-describedby="caption-attachment-32658" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32658" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3.png" alt="" width="1500" height="843" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-3-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32658" class="wp-caption-text">Red, White and Blue é a grandiosa estreia de Nazrin Choudhury na direção, inspirada pela sua própria experiência com um aborto legal (Foto: Samantha Bee)</figcaption></figure>
<p><b>Red, White and Blue</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora nenhum curta-metragem deva desbancar o favoritismo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-historia-de-henry-sugar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Incrível História de Henry Sugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Red, White and Blue </span></i><span style="font-weight: 400;">chega o mais próximo possível. Na história, uma mãe solo de duas crianças (Brittany Snow), passando por dificuldades financeiras e para criar os filhos, viaja pelo país para realizar um aborto. Ao chegar no destino, a descoberta da </span><a href="https://www.eninarothe.com/movies/2024/1/28/nazrin-choudhurys-short-red-white-and-blue-is-an-oscar-nominated-must-watch"><span style="font-weight: 400;">real motivação</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista é desestabiliza qualquer espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com performances tocante de Snow e da jovem Juliet Donenfeld, que interpreta a filha mais velha, o curta envolve ao apresentar uma relação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre mãe e filha que, diante de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/blonde-critica/"><span style="font-weight: 400;">adversidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, se aprofunda ao som das músicas no rádio e das paradas no caminho da viagem. Apesar da conclusão dilacerar o coração, a direção e roteiro de Nazrin Choudhury arriscam a subjetividade e sensibilidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Red, White and Blue </span></i><span style="font-weight: 400;">em nome de um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">didático demais. &#8211; </span><b>Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<h2>Melhor Curta-metragem Documental</h2>
<figure id="attachment_32660" aria-describedby="caption-attachment-32660" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4.png" alt="Cena do curta-metragem The ABCs of Book Banning. Na imagem, a câmera captura as mãos de uma criança negra folheando um livro aberto em uma mesa escura. O livro é repleto de escritos em letras garrafais a apresenta um desenho colorido de uma pensadora negra que diz: “You tell them who you are” (“Você diz a eles quem você é”, em tradução livre)." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32660" class="wp-caption-text">O curta-metragem estreou no Festival de Cinema de Woodstock (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><strong>The ABCs of Book Banning</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo de uma premissa interessante – combater a restrição de livros nas escolas dos Estados Unidos através das opiniões dos leitores, as crianças —, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97H-2d2VAcc"><i><span style="font-weight: 400;">The ABCs of Book Banning</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue falhar tanto na execução que o grande destaque acaba sendo o depoimento de Grace Linn, uma senhora de 100 anos, e não uma fala de algum ser pequeno apaixonado pelo universo das palavras. Indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024 de Melhor curta-metragem documental, o filme usa algumas cartas extremamente estadunidenses, como a constante menção à suposta liberdade incondicional do país e a construção de uma atmosfera que parece querer dizer, a todo o momento, o quanto as suas novas gerações serão as responsáveis por transformar o futuro em um mundo melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de cair nessas ilusões que ignoram completamente contextos político-sociais adversos – afinal, nem todas as crianças são criadas em lares liberais –, a direção do trio</span> <span style="font-weight: 400;">Trish Adlesic</span><span style="font-weight: 400;">, Nazenet Habezghi e Sheila Nevins é confusa e mal-sabe aproveitar as entrevistas com os escritores dos livros banidos, incluindo Maia Kobabe de </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/diversidade/2023/06/02/noticia-diversidade,1502174/genero-queer-livro-mais-banido-dos-eua-chega-ao-brasil.shtml#:~:text=%22G%C3%AAnero%20Queer%22%2C%20o%20quadrinho,contesta%C3%A7%C3%B5es%20%C3%A0%20obra%20n%C3%A3o%20arrefeceram."><i><span style="font-weight: 400;">Gênero Queer: Memórias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o título mais ameaçado nos EUA dos últimos anos. Já a Montagem de Gladys Mae Murphy chega a ser grotesca por alternar tenebrosamente entre frases rápidas, narrações de trechos sem contexto das obras e animações que explodem em cores, além de unir pensamentos que excluem um ao outro; como a jovem que acredita ser o que é hoje pelos livros que leu e Nikki Giovanni refutando o poder das palavras sobre as pessoas. No fim, a sensação que fica é a de que o conteúdo, naturalmente profundo e complexo, realmente não cabe em um curta-metragem. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<figure id="attachment_32659" aria-describedby="caption-attachment-32659" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32659" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-3.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-3.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32659" class="wp-caption-text">“Justiça econômica é sobre ter uma oportunidade &#8211; uma oportunidade real” (Foto: The New Yorker)</figcaption></figure>
<p><strong>The Barber of Little Rock </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria de Melhor Curta-Metragem Documental, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">já não esconde que volta seus olhares para histórias pessoais, movidas pela paixão de um protagonista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Cuidar de um Bebê Elefante</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor de 2023, por exemplo, mostra um casal indiano dedicado a cuidar e proteger elefantes bebês órfãos. Um dos </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-documentaacuterio-em-curta-metragem.html"><span style="font-weight: 400;">favoritos na categoria este ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge da proposta: </span><i><span style="font-weight: 400;">The Barber of Little Rock </span></i><span style="font-weight: 400;">se inicia com quadros fechados em Arlo Washington dirigindo por sua cidade natal, Little Rock, enquanto reflete sobre a desigualdade entre os bairros negros e brancos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi pensando nisso que ele decidiu abrir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1amOPUn49aM"><span style="font-weight: 400;">sua própria barbearia</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde, aos finais de semana, ensina jovens a seguir na profissão e empreender para conquistar a segurança financeira. Washington também é conselheiro em uma instituição que ajuda pessoas que precisam de dinheiro a se organizar financeiramente e recuperar o poder de cuidar das próprias vidas, para que não dependam de políticas públicas americanas, muitas vezes carentes ou que não alcançam uma determinada parcela da população.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do nome, o documentário </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-new-yorker-documentary/barber-of-little-rock-arlo-washington-wealth-gap"><span style="font-weight: 400;">não é sobre a barbearia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Little Rock e sim sobre as desigualdades sociais americanas que levaram a população negra do país a morar em regiões desassistidas, onde os empregos e o acesso a instituições bancárias e de ensino financeiro são escassas, e as oportunidades de crescer na vida são desiguais aos bairros brancos. As cenas mais emocionantes não são os monólogos inspirados do protagonista, mas são os momentos em que se presencia o quanto pequenas ações têm um significado enorme em uma comunidade tão unida. &#8211; </span><b>Vitória Gomez</b></p>
<figure id="attachment_32706" aria-describedby="caption-attachment-32706" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Island-in-Between.jpeg" alt="" width="640" height="333" /><figcaption id="caption-attachment-32706" class="wp-caption-text">Em um mix de identidades, a ilha do meio não tem lados além do seu (Foto: The New York Times)</figcaption></figure>
<p><strong>Island in Between</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Island in Between</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorre na categoria Melhor Curta-Metragem Documental no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024. A produção busca retratar as tensões entre China e Taiwan a partir de Kinmen, uma ilha que faz parte do território taiwanês, mas fica localizada ao lado do território chinês. Ao longo da passagem da obra, cada vez mais, fica claro que Kinmen sofre, sim, com os impasses ideológicos das duas nações, porém, se expressa em uma cultura singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As gravações foram feitas durante a pandemia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/sob-pressao-plantao-covid-critica/"><span style="font-weight: 400;">Covid-19</span></a> <span style="font-weight: 400;">e são dirigidas por S. Leo Chiang, que escolheu a ilha justamente por ter sido o lugar onde seu pai serviu no exército muitos anos antes. No entanto, conforme passa pela experiência no lugar, alguns dos ideais que cultivou a vida toda vão se dissolvendo. Afinal, a ilha do meio cria sua própria história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta não se dispõe a responder qual lado é certo ou errado, apenas contrapõe os efeitos da </span><a href="https://exame.com/mundo/conflito-taiwan-china-biden/"><span style="font-weight: 400;">dualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os países e seus efeitos na população, como o capitalismo e o comunismo das políticas econômicas ou os próprios resquícios da independência de Taiwan. Em imagens amadoras, o meio é o resultado do imprevisível; um mix no qual os filhos não concordam com os pais. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></span></p>
<figure id="attachment_32664" aria-describedby="caption-attachment-32664" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5.png" alt="Cena de A última Loja de Reparos. Nela, vemos uma criança negra. Ela está tocando violino, mas a câmera dá um close em seu rosto, onde só é possível vê-la olhando para cima enquanto sorri e um fone preto em seu ouvido. Ao fundo, uma sala de concertos aparece desfocada." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32664" class="wp-caption-text">Em A Última Loja de Consertos, não há diferença entre conserto e concerto (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>A Última Loja de Consertos (The Last Repair Shop)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos instrumentos de cordas eruditas, há uma pequena peça feita em madeira de, no máximo, 35 centímetros chamada </span><a href="https://hpgmusical.com/diversos/acessorios/almas#:~:text=O%20Que%20%C3%A9%20e%20Qual,vibrem%20juntas%2C%20de%20forma%20harmoniosa."><span style="font-weight: 400;">alma</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela é cuidadosamente e matematicamente colocada em um local dentro dos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos e garante toda a sustentação do corpo desses instrumentos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Última Loja de Consertos</span></i><span style="font-weight: 400;">, disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+ </span></i><span style="font-weight: 400;">e que concorre a Melhor Curta-metragem Documental no </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a alma também é abordada, mas dessa vez, a humana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta conta a história de quatro </span><a href="https://www.encorda.com.br/blog/o-que-faz-um-luthier/"><span style="font-weight: 400;">luthiers</span></a><span style="font-weight: 400;"> responsáveis pelos reparos dos instrumentos de um distrito educacional de Los Angeles. A produção acerta ao, mesmo envolta no cenário musical, optar por colocá-lo em segundo plano para subir o som quando necessário, provando entender a máxima de Mozart, que dizia que a Música não está nas notas, mas no silêncio entre elas. Aqui, são as histórias de Dana e sua sexualidade, Paty e a imigração, Duane e sua trajetória louca seguindo Elvis Presley, e Steve e sua situação de refugiado após o conflito </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/09/entenda-o-conflito-entre-azerbaijao-e-armenia-no-caucaso.shtml"><span style="font-weight: 400;">Armênia-Azerbaijão</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 1990 que ecoam e mostram o quanto Música e vida se complementam e são imprescindíveis entre si. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<figure id="attachment_32667" aria-describedby="caption-attachment-32667" style="width: 1433px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32667 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.png" alt="Cena do curta-metragem Nai Nai &amp; Wài Pó. A foto mostra as duas mulheres e protagonistas, Nai Nai e Wài Pó, próximas da câmera e olhando-a com feições felizes, com pequenos sorrisos. No plano de fundo, há folhagens de árvores" width="1433" height="1029" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6.png 1433w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-800x574.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1024x735.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-768x551.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-6-1200x862.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32667" class="wp-caption-text">Nai Nai possui 86 anos e Wài Pó, 96, e a idade não impede nenhuma das duas de viver (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><strong>Nai Nai &amp; Wai Pó </strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nai Nai &amp; Wài Pó</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos apaixonantes indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Curta-metragem Documental, e acompanha o dia a dia de duas avós que dividem, além da vida, uma casa e um neto, Sean Wang, o diretor do curta. Com um tom extremamente pessoal e íntimo, Wang coloca em foco a rotina simples, mas adorável, de duas taiwanesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre danças descontraídas, afetos emocionantes e nada de tão interessante acontecendo, </span><a href="https://youtu.be/5IuISSzpgsE?si=AiLw9c9uQOptZaIl"><i><span style="font-weight: 400;">Nai Nai &amp; Wài Pó</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vem para mostrar que a monotonia da vida não é um problema. Repleto de diálogos improvisados e genuínos, o diretor &#8211; e neto &#8211; não precisa elaborar perguntas específicas para torná-los interessantes. O curta-metragem é a aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> para levar a estatueta de ouro. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
<hr />
<h2>Melhor Curta-metragem de Animação</h2>
<figure id="attachment_32705" aria-describedby="caption-attachment-32705" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Letter-to-a-pig-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32705" class="wp-caption-text">Letter to a Pig é uma coprodução entre Israel e França (Foto: Miyu Distribution)</figcaption></figure>
<p><strong>Letter to a Pig </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob traços que misturam realismo e esboços em preto e branco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Letter to a Pig</span></i><span style="font-weight: 400;">, concorrente a Melhor Curta- Metragem de Animação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024, é conflitante. Dirigida por Tal Kantor, a produção se debruça sobre a herança dolorosa e o abismo entre as gerações pós Segunda Guerra Mundial. No filme, um homem idoso lê para uma turma de alunos uma carta de agradecimento a um porco que o salvou durante o holocausto. As reações são inesperadamente debochadas e é aqui que os papéis se invertem e a identidade se líquida em contradições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Levados pela alucinação de uma das garotas, os estudantes encontram a antiga casa que abriga a história do homem. Dentro dela, está o porco, tachado como nojento. Ali o grupo hostiliza o animal e a cena enoja, nos fazendo automaticamente pensar em como é possível um nicho social que carrega as marcas de tanta </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">opressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> tratar alguém com tamanho desprezo. Em um ciclo vicioso no qual a violência é protagonista, fica a reflexão de que o ódio é herdado e perpassa o ritmo racional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem é sinceramente desconfortável e, ao mesmo tempo, extremamente reflexivo. As linhas do macabro se inflam diante da trilha sonora voltada ao suspense, uma responsabilidade de </span><span style="font-weight: 400;">Pierre Oberkampf. Em uma reviravolta sensível, é na mesma garota que protagoniza o sonho que conseguimos encontrar o elemento faltante: empatia. Ao fim, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sZlsaDp7AEA"><i><span style="font-weight: 400;">CLetter to a Pig</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> culmina em uma espécie de epifania sobre a linha tênue que separa a humanidade do grotesco. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
<figure id="attachment_32666" aria-describedby="caption-attachment-32666" style="width: 1019px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-5.png" alt="Cena da animação Ninety-Five Senses. Na imagem temos a arte de Coy, um homem velho, de cabelo médio e com barba. Ele está usando óculos de grau e uma regata branca. Ele está observando uma casa pegando fogo, as chamas estão saindo pela janela do prédio. Ao redor deles está um fundo preto, toda a composição da arte é em sombreados, com tonalidades de cinza, preto e branco. " width="1019" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-5.png 1019w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-5-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-5-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32666" class="wp-caption-text">O curta-metragem é vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cinema da Flórida (Foto: Documentary+)</figcaption></figure>
<p><strong>Ninety-five Senses </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Confinado em uma penitenciária, o prisioneiro Coy (Tim Blake Nelson) reflete sobre o seu passado de boas e más escolhas. Ao revisitar essas lembranças, ele relaciona os cinco sentidos, responsáveis pela percepção do meio interno e externo do corpo humano, para narrar os principais acontecimentos de sua vida desordenada. Em </span><a href="https://www.docplus.com/details/ninetyfive-senses/FwnPa7Bz/"><i><span style="font-weight: 400;">Ninety-five Senses</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados para uma linda e obscura história sobre decisões compulsivas, que, embora estejam presentes em todos nós, também são determinantes para a nossa destruição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A animação norte-americana foi a primeira dirigida pela dupla Jerusha e Jared Hess, notáveis no universo cinematográfico pela produção de comédias como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Atg2aASyY4"><i><span style="font-weight: 400;">Nacho Libre</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), protagonizada pelo ator Jack Black. Composta por uma explosão de tonalidades, a arte foi idealizada por seis equipes diferentes de artistas estadunidenses e latino-americanos. Cada sentido manifestado por Coy é representado por paletas de cores diferentes, que começam por tons alegres e regressam para sombreados mais escuros enquanto descobrimos o destino do protagonista. O curta-metragem é um soco emocional do início ao fim, como o lamento de um indivíduo explorando pela última vez a sensação de estar vivo. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<figure id="attachment_32665" aria-describedby="caption-attachment-32665" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32665 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4.jpg" alt="Cena do curta-metragem Our Uniform. Na imagem temos a gravura de um sala de aula desenhada em um tecido de uniforme. As alunas estão sentadas em frente as carteiras e todas estão usando o uniforme azul e hijab branco na cabeça." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32665" class="wp-caption-text">O curto saiu vencedor do prêmio de Melhor Curta-metragem de Animação no Festival de Annecy (Foto: Yegane Moghaddam)</figcaption></figure>
<p><b>Our Uniform </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ser mulher em Teerã é uma ocupação de tempo integral</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. Roteirizado e dirigido pela cineasta Yegane Moghaddam, </span><a href="https://www.termometrooscar.com/store/p518/Our_Uniform.html"><i><span style="font-weight: 400;">Our Uniform</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> combina tinta e tecido para narrar uma história de força política e denunciar a imposição do governo iraniano às meninas durante o período escolar. Rascunhando pelo seu antigo uniforme, visitamos as memórias de uma jovem estudante, que sonhava com um futuro melhor e sem amarras para todas as mulheres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhada de uma equipe pequena e um orçamento baixo, </span><a href="https://www.animationmagazine.net/2024/02/our-uniform-director-yegane-moghaddam-discusses-the-inventive-fabric-of-her-oscar-nominated-short/"><span style="font-weight: 400;">Moghaddam</span></a><span style="font-weight: 400;"> dispensa as telas digitais e abraça as texturas dos uniformes para integrar a animação, proporcionando uma conexão direta com a mensagem desenvolvida durante os sete minutos de exibição. </span><i><span style="font-weight: 400;">Our Uniform</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz uma técnica que permite explorar a imaginação, uma viagem entre as costuras, bolsos e dobras, que renova o campo artístico. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<figure id="attachment_32702" aria-describedby="caption-attachment-32702" style="width: 1980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32702" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.png" alt="Cena do curta-metragem Pachyderme. Animação de uma garota criança deitada na água, com o corpo submerso e a cabeça para fora. Ela está de olhos fechados e veste só uma calcinha branca. Braços e mãos submersos na água tentam alcançá-la e dois tocam em suas pernas" width="1980" height="1320" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6.png 1980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32702" class="wp-caption-text">Pachyderme dá a entender tudo o que precisa, sem usar todas as letras (Foto: TNZPV Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Pachyderme</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem francês, aparentemente sereno à primeira vista, chama a atenção por seu visual, com uma </span><a href="https://youtu.be/LHoJ7HfT5XA?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> delicada de pinceladas que parecem feitas à mão. A história é contada principalmente através da imagem, com fortes simbologias e montagens marcantes em cena. O curta provoca sensações antes de expor o que está sob a superfície. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo acompanha uma garota de nove anos passando o período de 10 dias na casa rural dos avós, sem os seus pais. A diretora </span><a href="https://www.animationscoop.com/interview-the-challenges-of-challenging-pachyderme/"><span style="font-weight: 400;">Stéphanie Clément</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma atmosfera nostálgica tátil através do olhar da protagonista. A história aborda temas maiores que si com uma sutilidade devastadora que, ao rolar dos créditos, te faz rever tudo o que pode ter passado batido na narrativa. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger </b></p>
<figure id="attachment_32661" aria-describedby="caption-attachment-32661" style="width: 1335px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819.png" alt="Cena do curta-metragem animado War is Over! Inspired by the Music of John &amp; Yoko. Na imagem, as mãos de um homem branco podem ser vistas segurando uma pomba machucada. A ave tem penas nas cores azul, roxo, rosa, verde e cinza. O animal olha para o homem pela última vez antes de dar o seu respiro final.]" width="1335" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819.png 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819-800x321.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819-1024x411.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819-768x308.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-4-e1709949391819-1200x482.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32661" class="wp-caption-text">O roteiro do curta é escrito por Sean Lennon, filho do fundador dos Beatles e Yoko Ono (Foto: MTV)</figcaption></figure>
<p><strong>War is Over! Inspired by the Music of John &amp; Yoko</strong></p>
<p><a href="http://warisover.com/"><i><span style="font-weight: 400;">War is Over! Inspired by the Music of John &amp; Yoko</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem pouco mais de dez minutos e pode te deixar pensativo por uns cinco a mais. Disputando a categoria de Melhor Curta-metragem animado do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2024, o roteiro de Dave Mullins e </span><span style="font-weight: 400;">Sean Lennon funciona muito bem se admitirmos que tudo não se passa de uma realidade alternativa completamente irreal, que ganha contornos belíssimos da empresa de computação gráfica </span><i><span style="font-weight: 400;">Wētā FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Peter Jackson.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo do filme gira em torno dos versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flA5ndOyZbI&amp;pp=ygULd2FyIGlzIG92ZXI%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Happy Xmas (War Is Over)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção de protesto produzida por John Lennon e Yoko Ono que narra um jogo de xadrez entre soldados de países em guerra. Ao longo do desenrolar da trama, fica nítido que a pomba mensageira é o verdadeiro guerreiro da história que, para os saudosistas, arrepia com os acordes do casal. </span><i><span style="font-weight: 400;">War is Over!</span></i><span style="font-weight: 400;"> não faz milagre, é o que pode ser, tão simplista quanto os discursos embalados por alucinógenos da dupla na década de 1970 e que pouco faz por eles para além de um videoclipe da canção natalina icônica. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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		<title>Conheça a curta, mas Incrível História de Henry Sugar</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 19:24:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[A Incrível História de Henry Sugar]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Benedict Cumberbatch]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Bita Para os fãs de Wes Anderson, A Incrível História de Henry Sugar é um espetáculo completo. Já para aqueles que não o admiram, pode ser um pouco difícil apreciar a obra, na qual as características que marcam o estilo de Anderson são maximizadas. Adaptado do conto do escritor britânico Roald Dahl, o curta-metragem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-incrivel-historia-de-henry-sugar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Conheça a curta, mas Incrível História de Henry Sugar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32590" aria-describedby="caption-attachment-32590" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32590" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-800x534.jpeg" alt="Cena do curta A Incrível História de Henry Sugar. Na imagem, rodeiam uma mesa de pôquer, Benedict Cumberbatch, Ben Kingsley e Wes Anderson, da esquerda para a direita, respectivamente. Todos utilizam ternos, sendo o de Benedict preto, o de Kingsley cinza e o de Wes marrom. A sala em que estão possui paredes vermelhas com padrões geométricos quadrados e retângulos estampados. Ben Kingsley está em pé, centralizado atrás da mesa na qual apoia suas mãos, uma de cada lado da bandeja de fichas do jogo. Ele mantém uma expressão facial neutra, olhando para a câmera à sua frente e na parede atrás de si há um quadro abstrato. Benedict está sentado em um banquinho no lado esquerdo da mesa na qual apoia um antebraço enquanto o outro permanece levantado com o dedo indicador erguido enquanto fala se dirigindo a Wes. Esse, por sua vez, também está sentado em um banquinho, mas ao lado direito da mesa e mantém as mãos repousadas em seu colo enquanto mantém um diálogo com Cumberbatch." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1200x800.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32590" class="wp-caption-text">A Incrível História de Henry Sugar pode ser a galinha dos ovos de ouro de Wes Anderson no Oscar de 2024 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriela Bita</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os fãs de Wes Anderson, </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/the-wonderful-story-of-henry-sugar-wes-anderson-style"><i><span style="font-weight: 400;">A Incrível História de Henry Sugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um espetáculo completo. Já para aqueles que não o admiram, pode ser um pouco difícil apreciar a obra, na qual as características que marcam o estilo de Anderson são maximizadas. Adaptado do conto do escritor britânico </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/07/conheca-a-obra-de-roald-dahl/"><span style="font-weight: 400;">Roald Dahl</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem é o primeiro de uma série de </span><a href="https://observador.pt/2023/09/13/quatro-curtas-metragens-de-wes-anderson-adaptadas-de-roald-dahl-chegam-a-netflix-no-fim-de-setembro/"><span style="font-weight: 400;">quatro produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">A Incrível História de Henry Sugar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cisne</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Caçador de Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Veneno</span></i><span style="font-weight: 400;"> –  realizadas pelo diretor em parceria com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32589"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao trazer a literatura para as telas, Anderson conta, com uma fidelidade impressionante, a história de </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/filmes-e-series/a-incrivel-historia-de-henry-sugar-a-historia-real-que-inspirou-o-filme-de-wes-anderson-1.3242968"><span style="font-weight: 400;">Henry Sugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Benedict Cumberbatch), um homem rico que, após encontrar um extraordinário livro, parte em uma jornada de autoconhecimento e transformação. O manuscrito lido por Sugar relata a história de Imdad Khan (Ben Kingsley), um ilusionista capaz de enxergar com os olhos vendados e que, curiosamente, é originalmente inspirado em uma personalidade real: o mágico paquistanês </span><a href="https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/apocalipse-now/2023/10/08/verdadeeura-historia-do-homem-com-olhos-de-raios-x"><span style="font-weight: 400;">Kuda Bux</span></a><span style="font-weight: 400;">, falecido em 1981.</span></p>
<figure id="attachment_32591" aria-describedby="caption-attachment-32591" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-800x571.jpeg" alt="Cena do curta A Incrível História de Henry Sugar. Na imagem Henry Sugar (Benedict Cumberbatch está centralizado, em uma sala/biblioteca, segurando um livro de capa dura azul escura. Ele veste um paletó azul claro com um suéter, uma camisa e uma gravata da mesma cor, porém em uma tonalidade ainda mais clara, por baixo. Ele olha para a câmera em sua frente e sua expressão facial indica que está intrigado com o que leu no livro. Atrás do ator há várias estantes repletas de livros, que vão do chão ao teto da sala e, à sua esquerda, há uma cadeira antiga ornamentada." width="800" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-800x571.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-1024x731.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-768x548.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2-1200x857.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-2.jpeg 1513w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32591" class="wp-caption-text">A atuação teatral dos personagens faz com que o curta se desenvolva de uma maneira mais íntima com o público (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maneira como Anderson desenvolve seu roteiro é instigante e faz com que o produto audiovisual se assemelhe a uma peça teatral encenada em frente às câmeras. A todo momento, os atores quebram a </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-e-a-quarta-parede-do-cinema-218039/"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> e falam diretamente com o público, além da narração acontecer como se eles estivessem em uma sessão de leitura compartilhada com as pessoas do outro lado das lentes, lendo as páginas da história para todos. Somada ao visual característico do diretor, com cores vibrantes e </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/wes-anderson-explica-estilo-singular-ao-estadao-e-como-se-o-filme-estivesse-dentro-do-meu-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">enquadramentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> específicos, a abordagem resulta em uma obra dinâmica e que permite que os telespectadores se sintam incluídos nos acontecimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Benedict Cumberbatch</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a adição perfeita para o </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/wes-anderson-shorts-cast"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ator aparenta compreender com excelência a mentalidade do cineasta, entregando uma performance que difere, positivamente, de seus diversos outros trabalhos e cativa o público. Além de Cumberbatch, temos a presença também de um veterano no universo de Anderson: </span><a href="https://www.globalindian.com/pt/story/indian-actor/indian-actor-dev-patel-worked-his-magic-in-hollywood/?q=%2Fpt%2Fstory%2Findian-actor%2Findian-actor-dev-patel-worked-his-magic-in-hollywood%2F"><span style="font-weight: 400;">Dev Patel</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Dr. Chatterjee, em mais uma brilhante e divertida atuação. Patel já pode ser considerado presença obrigatória nos filmes do diretor e faz jus a posição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concorrendo na categoria Melhor Curta-Metragem Live-Action do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de 2024, a produção é a </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-curta-metragem.html"><span style="font-weight: 400;">melhor chance</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Anderson levar sua primeira estatueta para casa. O diretor acumula sete indicações na premiação ao longo dos anos – incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sF7hAbQR7kk"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Hotel Budapeste</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – e, apesar das perdas anteriores, alimenta a esperança dos fãs por ser um forte competidor na categoria dos curtas. O cineasta é acompanhado na nomeação por Steven Rales, produtor que esteve presente na maior parte de seus filmes.</span></p>
<figure id="attachment_32592" aria-describedby="caption-attachment-32592" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-800x601.jpeg" alt="Cena do curta A Incrível História de Henry Sugar. Na imagem Benedict Cumberbatch e Ralph Fiennes estão parados na entrada de um apartamento, um de frente para o outro, Cumberbatch a esquerda e Fiennes a direita, porém ambos olham diretamente para o espectador (câmera). Benedict veste um paletó azul marinho com listras brancas e um pijama vermelho com botões brancos por baixo. Ralph veste um uniforme azul marinho característico da polícia do Reino Unido e segura um bloco de notas e uma caneta em suas mãos. Entre os atores, no plano mais ao fundo, há um batente de porta azul e uma escultura feita em madeira." width="800" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-800x601.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-1024x769.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-768x577.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3-1200x901.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-3.jpeg 1438w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32592" class="wp-caption-text">Ralph Fiennes acrescenta ainda mais qualidade ao rico elenco da produção audiovisual (Foto:Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de toda a beleza visual, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Incrível História de Henry Sugar</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra que desenvolve e nos faz pensar em questões sobre a capacidade humana, o significado e propósito da vida e de quem somos. Wes Anderson volta para o mundo das adaptações de forma certeira e, apesar de se manter em uma posição confortável trabalhando com o </span><a href="https://braziljournal.com/roald-dahl-era-um-autor-perverso-wes-anderson-revela-sua-alma/"><span style="font-weight: 400;">mesmo autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu anterior sucesso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n2igjYFojUo"><i><span style="font-weight: 400;">O Fantástico Sr. Raposo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a direção e roteirização do curta estabelecem – em apenas 40 minutos – um patamar mais elevado às suas produções. Ainda que o estilo utilizado para produzi-lo não agrade uma parcela do público, a obra é um grande acréscimo tanto para a filmografia do </span><a href="https://neofeed.com.br/finde/a-leitura-sem-filtro-do-cineasta-wes-anderson-para-obras-polemicas-de-roald-dahl/"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto para o repertório dos cinéfilos de plantão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Incrível História de Henry Sugar | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eSvYMo_D-eM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 21:01:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31751" aria-describedby="caption-attachment-31751" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo está uma paisagem montanhosa nublada com nuvens ao topo. À frente estão dois homens negros montados em cavalos. Eles estão olhando para a esquerda. Os homens vestem agasalhos reforçados. O de trás está com uma touca amarela e um casaco verde, enquanto o da frente está totalmente enrolado em um agasalho que cobre desde sua boca até suas pernas. A estampa segue formas geométricas e se destaca por suas cores amarela, marrom e vermelha." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31751" class="wp-caption-text">O curta-metragem, além de estar disponível no Itaú Cultural Play para exibição na 47º Mostra Internaciona de Cinema em São Paulo, também está na íntegra no YouTube (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/do-lixo-ao-tesouro-transformando-negativos-em-positivos47a"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima para suas obras, além de muitas outras atividades sociais. Através da criatividade, da reciclagem e principalmente da paixão pelo que fazem, eles criam peças e projetos que expressam suas identidades, culturas e lutas em um cenário que por muitos seria considerado infértil.</span></p>
<p><span id="more-31750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é dirigida por </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/sobre-a-diretora/"><span style="font-weight: 400;">Iara Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ativista e cineasta brasileira que já produziu outros filmes sobre temas sociais e ambientais, como o documentário em curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Beneath the borqa in Afghanistan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Por baixo da burca no Afeganistão</span></i><span style="font-weight: 400;">) e sua organização </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2018-08/cultura-de-resistencia-para-melhorar-o-mundo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Culturas de Resistência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apoia projetos que promovem a agroecologia, a educação, os direitos humanos e a diversidade cultural. A produção foi </span><span style="font-weight: 400;">exibida em um dos maiores eventos culturais de São Paulo, a 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Apresentação Especial.</span></p>
<figure id="attachment_31752" aria-describedby="caption-attachment-31752" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo estão árvores em uma mata. Ao centro estão cinco homens negros. Todos estão agasalhados. Três deles estão sentados a frente enquanto dois estão em pé. Um ao lado e outro atrás. Eles estão com instrumentos longos feitos com materiais recicláveis e encaram a câmera enquanto tocam. Ao redor estão muitas garrafas de vidro ao chão cercando-os em um círculo central" width="780" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31752" class="wp-caption-text">O curta foi inspirado por Lixo Extraordinário, de Vik Muniz, que retrata catadores de lixo no Brasil com materiais recicláveis (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dinâmico, sem muitas separações ou introduções, e nos aventuramos quase às cegas entre os tantos relatos apresentados, que da mesma maneira inesperada, se encerram. Entre artistas e projetos, ainda que tenham começado como hobbies, as estrelas do documentário potencializam a ideia de que o que fazem é, de fato, seu propósito de vida: criar espaços seguros e saudáveis para eles mesmos e para suas comunidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das vertentes que tratam majestosamente em tão pouco tempo é a prática da arte têxtil para empoderar e educar as meninas, alertando sobre os riscos do casamento precoce e da prostituição. Além de outras ações como a de Tumisang Taabe, que ensina crianças e adultos a andar de bicicleta, </span><a href="https://www.facebook.com/SothoSounds/"><span style="font-weight: 400;">Sotho Sounds</span></a><span style="font-weight: 400;">, um grupo de músicos que utiliza instrumentos feitos de lixo descartável, ou </span><a href="https://soundcloud.com/siphiwe-nzima-ntsekhe"><span style="font-weight: 400;">Siphiwe Nzima-Nts&#8217;ekhe</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma poetisa focada nos direitos de crianças africanas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus lindos 24 minutos, a trilha sonora compõe um ambiente otimista e vibrante. A obra toda, na verdade, é regada a Música também como produção cultural e parte do projeto, com os créditos do som por Aleksey Antonov. Apresentada através do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e principalmente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggae/"><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sonoridade é brilhantemente complementada com transições compostas por paisagens estonteantes (fotografia e montagem por Dimo Petkov), construindo pontos altos de refinamento. Compreendemos sua beleza natural e diversidade geográfica com montanhas, os vales, os rios, os lagos e as cachoeiras que cercam o país, além das cidades, as vilas, as ruas e as casas que revelam sua realidade social e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31753" aria-describedby="caption-attachment-31753" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. A imagem mostra um tecido em macro em que podemos ver os detalhes de costura de uma renda rosa e marrom. À direita está uma etiqueta circular feita de couro marrom com o bordado em preto no formato do continente Africano de cabeça para baixo comparado ao Mapa Múndi." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31753" class="wp-caption-text">Iara Lee também lançou o documentário Modulations: Cinema for the Ear, que traça a evolução da música eletrônica desde as origens experimentais até as festas rave em 1998 (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida à reflexão sobre os desafios enfrentados por Lesoto, seja a pobreza, a seca, a erosão do solo, a falta de saneamento básico ou a dependência econômica da </span><a href="https://personaunesp.com.br/kongos-critica/"><span style="font-weight: 400;">África do Sul</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme o faz de maneira muito emocional e contemplativa, celebrando a Arte como forma de expressão, comunicação e principalmente transformação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transformação do tempo dos </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/lesotho-bios/"><span style="font-weight: 400;">artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas produções, da sociedade em que vivem, e diretamente, como explicita o título, a transformação do lixo como um problema grave em uma nova maneira de geração de renda e conscientização ambiental. Sobretudo a preservação de sua identidade cultural, língua, música, Arte e olhares sobre a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="From Trash To Treasure: Turning Negatives Into Positives | Documentary Short" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/udLsJuTKrmo?start=21&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Curtas do Oscar 2023</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Mar 2023 21:03:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eles são rápidos, podem vir em diferentes cores, ritmos e formas. Alguns se debruçam sobre o drama, outros carregam o peso da história nos ombros e há ainda aqueles que são desenhados com os mais delicados traços. Todos são a escolha ideal para quem começou a assistir a lista de filmes indicados ao Oscar e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Curtas do Oscar 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30494" aria-describedby="caption-attachment-30494" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/curtas.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/curtas.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/curtas-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/curtas-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30494" class="wp-caption-text">Em 2023, a entrega do troféu para as categorias de curta-metragem volta à transmissão ao vivo do Oscar (Arte: Ana Clara Abatte/Texto de abertura: Nathalia Tetzner)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles são rápidos, podem vir em diferentes cores, ritmos e formas. Alguns se debruçam sobre o drama, outros carregam o peso da história nos ombros e há ainda aqueles que são desenhados com os mais </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">delicados traços</span></a><span style="font-weight: 400;">. Todos são a escolha ideal para quem começou a assistir a lista de filmes indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sentiu que precisava descansar a vista após passar horas com os olhos vidrados em longas-metragens intermináveis. Sim, nós estamos falando deles, os </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema-premiacoes/saiba-onde-assistir-aos-curtas-indicados-ao-oscar-2023.phtml"><span style="font-weight: 400;">curtas</span></a><span style="font-weight: 400;"> selecionados pela </span><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span><span style="font-weight: 400;"> para a </span><span style="font-weight: 400;">95ª edição</span> <span style="font-weight: 400;">da premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na disputa pela estatueta de Melhor Curta-Metragem Live Action, os lenços não são suficientes para enxugar as lágrimas do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T0YVueR5ho0"><span style="font-weight: 400;">reencontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de dois irmãos e uma história de natal doce em meio ao amargo da guerra. Já na corrida pelo Melhor Documentário em Curta-Metragem, um bebê elefante órfão que nasceu como favorito ao prêmio divide espaço com uma loira estadunidense tão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DyY04vPSqUs"><span style="font-weight: 400;">eloquente</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a Hebe. Por fim, a estatueta de Melhor Curta-Metragem de Animação é arrastada de um lado para o outro com a sátira da vida sexual de uma jovem da década de 90 e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oGwTVbrzKs4"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> improvável entre menino e animal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, no ano passado, a emissora </span><i><span style="font-weight: 400;">ABC</span></i><span style="font-weight: 400;"> tomou a decisão infeliz de vetar a entrega das estatuetas das três categorias que dividem as 15 produções de menor duração, em 2023, a revolta do público e do </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><b>Persona</b></a><span style="font-weight: 400;"> fez efeito e a cerimônia irá ao ar por completo. Repetindo o conteúdo informativo e imersivo do primeiro </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">cineclube de curtas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a publicação está de volta com a estrutura pensada especialmente para os amantes da Sétima Arte. Dessa vez, com um ânimo especial pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/#more-30299"><span style="font-weight: 400;">renascimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema e junto dos comentários apurados da </span><b>Editoria</b><span style="font-weight: 400;">, que não cansa de gabaritar os bolões dos principais eventos do meio, incluindo o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30324"></span></p>
<hr />
<h2><b>Melhor Curta-Metragem Live Action</b></h2>
<figure id="attachment_30481" aria-describedby="caption-attachment-30481" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30481" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237.png" alt="Um homem branco ruivo de barba tem cabelos de cor avermelhada, pele clara e uma barba espessa. Sua barba é composta por pelos grossos e longos que cobrem seu queixo e mandíbula. Ele está vestindo uma camisa verde xadrez e está sentado em uma mesa. A sua frente está um copo de leite e um prato branco. " width="1920" height="817" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237-800x340.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237-1024x436.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237-768x327.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237-1536x654.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-10_140635237-1200x511.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30481" class="wp-caption-text">Em uma entrevista ao Quartz, o linguista Anatoly Liberman diz que a versão original da expressão &#8220;Irish goodbye&#8221; vem do inglês, anteriormente &#8220;French leave&#8221;, como em &#8220;uma saída à francesa&#8221; (Foto: Floodlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>An Irish Goodbye</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão difícil é seguir em frente? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">An Irish Goodbye, </span></i><span style="font-weight: 400;">muito!</span> <span style="font-weight: 400;">Além de apresentar uma história emocionante, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/curta-metragem/"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirigido por Tom Berkeley e Ross White, consegue equilibrar habilmente o drama e o humor. Com uma história envolvente, o filme aborda a relação de dois irmãos que, após a morte da mãe, são obrigados a lidar com suas diferenças e o luto pela perda.</span> <span style="font-weight: 400;">Os momentos engraçados são bem-vindos e adicionam leveza à trama, sem minimizar o peso emocional da perda e do luto, enquanto a construção dos personagens também é um dos pontos fortes, bem exemplificada pela quase personificação de uma urna como integrante. A trilha sonora e a fotografia do filme também merecem destaque, adicionando ainda mais profundidade e emoção à narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma interpretação excelente dos atores James Martin, Seamus O&#8217;Hara, Paddy Jenkins e Michelle Fairley, a obra foi nomeada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 de Melhor Curta-metragem em Live Action. Em adição a um roteiro rico que aborda questões universais sobre a vida e a morte, a maneira inteligente de explorar o tema mórbido e a realização de sonhos pela lista de desejos da mãe dos irmãos serve como um meio para uni-los em torno de um objetivo comum. Memorável, tocante e simples, seus 23 minutos são coesos e de certo um forte competidor à estatueta. </span><b>&#8211; Henrique Marinhos</b></p>
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<figure id="attachment_30356" aria-describedby="caption-attachment-30356" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Ivalu.jpeg" alt="Cena do curta-metragem Ivalu. Na imagem está Pipaluk. Pipaluk é uma menina gronelandesa de cabelos e olhos escuros, ela usa duas tranças laterais e tem um franja caída na testa. A garota veste um casaco azul com gorro. A foto mostra seu rosto com feições assustadas e confusas." width="640" height="333" /><figcaption id="caption-attachment-30356" class="wp-caption-text">Adaptação da graphic novel homônima de Morten Dürr e Lars Horneman, Ivalu é uma jornada acinzentada (Foto: M&amp;M Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Ivalu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado na </span><a href="https://www.miguelbarbieri.com.br/post/um-ano-polar-filme-da-groenlandia"><span style="font-weight: 400;">Groenlândia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ivalu</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos mostra os esforços de Pipaluk (Mila Heilmann Kreutzmann) para encontrar a irmã perdida que dá nome ao curta-metragem. Enquanto caminha em busca de respostas do desaparecimento da garota, somos levados a uma viagem intimista por seus pensamentos e passos solitários. Conforme o desenrolar, menos parece provável encontrar Ivalu e a protagonista é a única entre os familiares a cultivar a esperança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma fotografia azulada, Rasmus Heise cria</span><i><span style="font-weight: 400;"> frames </span></i><span style="font-weight: 400;">angustiantes em que a busca parece permanentemente isolada na mente de Pipaluk. Misturando imagens do cenário glacial e as feições enigmáticas da personagem, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XXpKaQbeznM"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganha um ar melancólico. Sem precisar de muitos diálogos, a narrativa tem sua força fixada no que se passa pela cabeça da menina e, principalmente, na construção de imagens. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ivalu</span></i><span style="font-weight: 400;">, que concorre na categoria de Melhor Curta-Metragem Live Action no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, é sucinto, as conclusões não precisam de explicitação. Sob a direção de Anders Walter e Pipaluk K. Jørgensen, a história é um retrato nublado das dores silenciosas. Seja no corvo que voa despretensiosamente ou na mãe do mar, a produção desnuda as cores que mostram como o processo de desaparecer acontece muito antes da falta do corpo físico.</span><b> – Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30329" aria-describedby="caption-attachment-30329" style="width: 919px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/le-pupille.jpg" alt="A foto mostra uma cena do curta em que várias das meninas do orfanato estão na janela. A janela é verde escuro, a parede é bege e as meninas estão usando roupas cinzas" width="919" height="613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/le-pupille.jpg 919w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/le-pupille-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/le-pupille-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30329" class="wp-caption-text">“O destino opera de maneiras infinitas” (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><strong>Le Pupille</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A pupila” ou “a criança” são os dois significados adotados para </span><a href="https://youtu.be/yxZ_xOx3-ow"><i><span style="font-weight: 400;">Le Pupille</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do italiano. São, também, dois conceitos diretamente retratados no curta-metragem homônimo dirigido por Alice Rohrwacher. Ao narrar uma história de Natal um pouco diferente, Alice se dirige a um orfanato em guerra, localizado na Itália , e procura retratar, principalmente, a ingenuidade e doçura das garotinhas em meio ao caos e à escassez. E são elas que trazem a luz ao ambiente escuro e triste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta italiano não conta com grandes momentos de clímax ou reviravoltas, apenas mostra a rotina vivida pelos moradores do pequeno orfanato nos dias que antecedem o feriado. Ao longo dos 40 minutos, são abordados assuntos mais profundos, como a criação baseada na crença católica, extremamente comum no país, e a rigidez em consequência do fanatismo religioso. Além disso, a diretora e co-escritora brinca com as ironias voltadas ao egoísmo e desperdício em tempos de escassez: uma senhora, a fim de ter suas preces ouvidas, doa um bolo feito com 70 ovos para as meninas, que, no final do curta </span><i><span style="font-weight: 400;">live action </span></i><span style="font-weight: 400;">indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem um destino completamente diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_30480" aria-describedby="caption-attachment-30480" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30480" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-01.16.36.jpeg" alt="Cena do filme Night Ride. Na fotografia, há uma mulher branca, loira e com o cabelo preso. Ela está com uma expressão de surpresa, olhando diretamente para a câmera, boquiaberta. Ela usa um casaco verde militar e está dentro de um bondinho. Está de noite, há pouca luz na fotografia e os tons são frios. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-01.16.36.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-01.16.36-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30480" class="wp-caption-text">Night Ride entrega o básico e nada mais (Foto: Premium Films)</figcaption></figure>
<p><b>Night Ride </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma noite de inverno, Ebba (Sigrid Husjord) decide abrigar-se do frio da estação dentro de um bonde. A partir daí, uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">viagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> peculiar acontece. Nesse curta, o diretor </span><span style="font-weight: 400;">Eirik Tveiten tem a desafiadora missão de contar uma história com momentos divertidos e tensos, incluindo episódios de </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-20-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">transfobia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><span style="font-weight: 400;">capacitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em apenas 15 minutos &#8211; e sem esquecer de um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">plot-twist</span></i><span style="font-weight: 400;">, é claro. Não podemos dizer que ele fracassou, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Night Ride </span></i><span style="font-weight: 400;">entrega apenas o essencial, sem surpreender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista, no entanto, chama atenção. Em um momento que parece ter originado de um lapso de coragem, acompanhar sua jornada dentro do veículo e observar o terror de qualquer pessoa que sofre da </span><a href="https://www.medicina.ufmg.br/sera-que-sou-uma-fraude-conheca-a-sindrome-do-impostor/"><span style="font-weight: 400;">síndrome de impostor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é interessante &#8211; mesmo sem ter nenhuma ideia de como proceder, Ebba segue no papel com uma confiança invejável. Além de </span><span style="font-weight: 400;">Vegard Landsverk ter entregue uma fotografia bonita e natalina</span><span style="font-weight: 400;">, o curta transmite uma mensagem essencial sobre ser a pessoa que se opõe à situações de injustiça e preconceito, mas que compara-se à uma crônica que se lê no jornal durante a manhã: ela te prende enquanto você toma café, mas até o fim do dia você já terá esquecido sobre o que era. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30358" aria-describedby="caption-attachment-30358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMG_4749.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Red Suitcase. Nela, há uma mulher branca, que veste uma burca preta da cabeça aos ombros e um casaco bege. Ela está com a mão esquerda no topo da cabeça, indicando que tirará a burca. Seus olhos estão lacrimejando e ela parece tensa. Ao fundo, paredes verdes de um banheiro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMG_4749.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMG_4749-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30358" class="wp-caption-text">Lembrando a simbologia de Ala Kachuu &#8211; Take and Run, indicado ao Oscar 2022, The Red Suitcase encontra sua singularidade nas críticas ao conservadorismo iraniano (Foto: Cynefilms)</figcaption></figure>
<p><b>The Red Suitcase</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um aeroporto luxemburguês, qualquer relatividade de espaço se congela na introdução dos três elementos-combustíveis de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6w-ioMn3vf0"><i><span style="font-weight: 400;">The Red Suitcase</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: a protagonista Ariane, sua mala vermelha rodando as esteiras e o embalo implacável do tempo. Com apenas 16 anos, a garota recém-chegada do Irã transpira um medo familiar às mulheres consideradas “</span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63429830"><span style="font-weight: 400;">metade de um homem</span></a><span style="font-weight: 400;">”, enquanto avalia o casamento arranjado que seu desembarque reserva. A partir daí, bastam poucas palavras trocadas ao celular com o pai, para que ela assuma o atrevimento de recriar os rumos primários do curta-metragem &#8211; afinal, admitir a liberdade mais precária é infinitamente melhor que sobreviver sufocada pelos véus do patriarcalismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atenta e sensitiva, Nawelle Evad lidera a primeira história de sua carreira, enfrentando costumes arcaicos, barreiras linguísticas e raízes culturais. Sob a direção e produção de </span><a href="https://deadline.com/2023/03/cyrus-neshvad-oscar-short-the-red-suitcase-guillaume-levil-1235281043/"><span style="font-weight: 400;">Cyrus Neshvad</span></a><span style="font-weight: 400;">, a tensão enlaça toda a estrutura narrativa e deixa o rosto da atriz desvendar o frenesi da fuga, assimilado, em grande parte, durante a passagem de secções do campo aéreo. O roteiro, dividido entre Neshvad e Guillaume Levil, eleva o poder interpretativo da protagonista justamente nessa escassez de diálogos, aproveitando uma ficção semelhante a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2022/02/4983950-homem-decapita-esposa-de-17-anos-e-exibe-a-cabeca-da-mulher-nas-ruas.html"><span style="font-weight: 400;">relatos da própria imprensa mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Red Suitcase</span></i><span style="font-weight: 400;">, enfim, não caça os fantasmas do machismo, mas reforça quanta coragem ainda precisa guiar e sustentar a vida feminina. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b></p>
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<h2><b>Melhor Documentário em Curta-Metragem</b></h2>
<figure id="attachment_30351" aria-describedby="caption-attachment-30351" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Elephant-Whisperes.jpg" alt="Cena do documentário Como Cuidar de um Bebê Elefante. Nela, vemos Booman, um homem de meia idade hindu. Ele veste um moletom cinza, com o forro interno na cor laranja. Booman está abraçado na tromba de Raghu, um bebê elefante com uma marca de tinta vermelha tipicamente indiana na testa. Ao fundo, vemos algumas árvores" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Elephant-Whisperes.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Elephant-Whisperes-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Elephant-Whisperes-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Elephant-Whisperes-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30351" class="wp-caption-text">Um elefante comove muita gente (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Como Cuidar de um Bebê Elefante (The Elephant Whisperers)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem transformando a parte documental do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">em um pequeno monopólio e esse ano não será diferente. Um de seus representantes na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a0J0b_OVa9w&amp;ab_channel=NetflixIndia"><i><span style="font-weight: 400;">Como Cuidar de um Bebê Elefante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nasceu como favorito. Idealizado pela indiana Kartiki Gonsalves, o documentário conta a história do casal Bomman e Bellie, que vivem em Theppakadu, uma aldeia-santuário do sul da Índia, no momento em que eles precisam cuidar de Raghu, um bebê elefante órfão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não chega a ser inovador e muito menos revolucionário, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">The Elephant Whisperers </span></i><span style="font-weight: 400;">se propõe a fazer o básico da melhor forma possível, e consegue. Por isso, o curta documental usa de sua força narrativa descomunal para criar uma história envolvente e extremamente tocante. Com pouquíssimos diálogos e uma fotografia excepcional, ele nos lembra programas do </span><a href="https://www.imdb.com/list/ls027244940/"><span style="font-weight: 400;"><em>National Geographic</em></span></a><span style="font-weight: 400;"> e dessa forma, coloca o próprio ser humano como mais uma das espécies analisadas. A partir desse fio condutor, a obra trata de forma muito singela a relação do ser humano com a natureza e sobre como nós nos distanciamos da coexistência com ela. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_30350" aria-describedby="caption-attachment-30350" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY.jpeg" alt="Cena do documentário em curta-metragem Como Se Mede um Ano. Em close up está o cineasta Jay Rosenblatt segurando sua filha Ele no colo. Do lado esquerdo Elle é uma criança branca, de um ano de idade. Ela possui cabelos curtos e loiros, encaracolados. Suas mãos estão próximas ao seu rosto, e as palmas estão abertas. Ela olha para o pai que está do lado direito da cena. O pai, Rosenblatt, é um homem branco de cabelos castanhos e grisalhos. Ele olha para sua filha Elle. Ao fundo há uma parede branca com chapiscados." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/HdYMaY-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30350" class="wp-caption-text">“What do you like most in life?” “Friends and family. And Hannah Montana” (Foto: HBO Documentary Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como se Mede um Ano? (How do You Measure a Year)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">How do You Measure a Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><a href="https://youtu.be/aQdIt3lDD6Q"><i><span style="font-weight: 400;">Como se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o documentário em curta-metragem filmado por </span><span style="font-weight: 400;">Jay Rosenblatt, cineasta já conhecido pela nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua outra produção, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2022. O filme acompanha os aniversários de Elle, a filha do documentarista, que durante 17 aniversários responde às mesmas perguntas que o pai faz, mas sempre de uma maneira diferente. Durante a meia hora, é possível reconhecer os medos, as inseguranças, as descobertas e as mudanças que acontecem ao decorrer do crescimento da garota. É interessante notar como a cada ano que passa, as prioridades e o senso de percepção das vivências vai se alterando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta concorre ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem em 2023, o que pode causar certo estranhamento. O que ao público interessa os vídeos caseiros de um pai sobre sua filha? Bem, talvez o mesmo senso intimista da relação pai e filha, que já é uma temática nas premiações de Cinema do ano, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">da diretora Charlotte Wells. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">How do You Measure a Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que se comunica é a visão do pai sobre o amadurecimento de sua filha. Ao final, o curta faz com que Elle e todos aqueles que a assistiram reflitam sobre em qual momento da vida as coisas deixam de ser simples e se tornam intrincadas, além de girar em torno de uma premissa maior, a respeito do que é felicidade para cada um, em cada momento da vida. &#8211; </span><b>Costanza Guerriero</b></p>
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<figure id="attachment_30483" aria-describedby="caption-attachment-30483" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Haulout.jpg" alt="Cena do curta-metragem Haulout. Na imagem está o biólogo Maxim Chakilev. Ele aparece andando do lado de fora de uma caverna formada por grandes rochas cinzas. Ao fundo, o céu está tomado por neblina" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Haulout.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Haulout-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30483" class="wp-caption-text">Colocando o meio ambiente e os efeitos climáticos em pauta, Haulout evoca a beleza e a perda (Foto: Rise and Shine Films)</figcaption></figure>
<p><b>Haulout</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Haulout</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário da </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-new-yorker-documentary/where-walruses-go-when-sea-ice-is-gone"><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que acompanha o cientista Maxim Chakilev nos meses que passa anualmente em uma cabana no Ártico siberiano. Em busca de análises sobre a movimentação das morsas, o biólogo marinho se instala e observa os animais durante o período de migração, enquanto registra as alterações e consequências causadas pelas mudanças climáticas na vida da espécie. Dirigido e roteirizado por Evgenia Arbugaeva e Maxim Arbugaev, o curta-metragem abraça o pedido de socorro de quem, cada vez mais, perde seu espaço no planeta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser o único humano presente nas filmagens, as poucas falas presentes são as gravações de voz de Chakilev sobre a presença dos animais. Entretanto, o filme não pode ser traduzido como monótono, já que a força da </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2022/06/geleiras-antarticas-perdem-gelo-no-ritmo-mais-rapido-em-5500-anos-diz-estudo.html"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> cumpre o papel de uma personagem cheia de diálogos próprios. Envoltos pelos sons das ondas quebrando, das revoadas de pássaros e do chiado das morsas, somos levados em uma viagem tão fonética quanto imagética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas, também filmadas pelos diretores, são impressionantes. Nadando por um mar sem gelo, milhares de morsas descansam na terra. A aglomeração resulta em diversos animais mortos ou fragilizados e, quando chega a hora de partir, os corpos dos espécimes que não sobreviveram ficam na areia da praia. Concorrendo ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Haulout</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com sensibilidade suficiente para transmitir uma melancolia monumental. Entre os filhotes órfãos e a luta pela sobrevivência, a fortuna dos culpados continua intacta. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30331" aria-describedby="caption-attachment-30331" style="width: 1422px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1.jpg" alt=" Fotografia em preto e branco exibida no documentário O Efeito Martha Mitchell. Na imagem, Martha Mitchell aparece rodeada de jornalistas com seus microfones e fotógrafos com suas máquinas. Mitchell é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Ela aparece a partir do busto, vestindo casaco, luvas, cachecol e óculos de sol enquanto carrega alguns cadernos na mão. A sua volta, o cenário é composto por homens engravatados." width="1422" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1.jpg 1422w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Martha-Mitchell-Effect-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30331" class="wp-caption-text">The Martha Mitchell Effect coloca em evidência uma mulher tão carismática e polêmica quanto a nossa Hebe (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O Efeito Martha Mitchell (The Martha Mitchell Effect)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vestindo cores vibrantes, atraindo os olhares para penteados que criaram tendências e carregando um senso de humor apurado, Martha Mitchell é a figura mais excêntrica do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. A ex-esposa de John N. Mitchell, procurador-geral do governo estadunidense de </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/02/18/interna_cultura,1459070/martha-mitchell-o-missil-que-ajudou-a-derrubar-richard-nixon-em-1974.shtml"><span style="font-weight: 400;">Richard Nixon</span></a><span style="font-weight: 400;">, fez história à frente do escândalo </span><a href="https://personaunesp.com.br/gaslit-critica/"><span style="font-weight: 400;">Watergate</span></a><span style="font-weight: 400;"> graças ao seu posicionamento franco acerca do envolvimento do alto escalão do partido republicano. Ainda que falecida em 1976, ela é retratada com vividez pelas diretoras </span><span style="font-weight: 400;">Anne Alvergue e Debra McClutchy</span><span style="font-weight: 400;"> no curta-documentário indicado à premiação, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0SYWxQ62AUM"><i><span style="font-weight: 400;">O Efeito Martha Mitchell</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do filme original </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/martha-mitchell-effect-documentary-meaning"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz alusão ao termo criado pelo psicólogo Brendan Maher em 1988. Segundo o pesquisador, o efeito Martha Mitchell acontece quando um paciente é erroneamente diagnosticado como delirante ou paranóico por atestar situações tidas como improváveis, mas que realmente está dizendo a verdade. A definição se une perfeitamente com a montagem de Alvergue, responsável por transformar a fotografia do arranjo de flores com a frase “</span><a href="https://southerncalls.com/article/martha-was-right/"><i><span style="font-weight: 400;">Martha Was Right</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” (em tradução literal: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Martha Estava Certa</span></i><span style="font-weight: 400;">”), presente no funeral da personalidade, na cena que arranca as lágrimas do público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao espectador brasileiro, os traços icônicos da </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> conservadora se assemelham a uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica/"><span style="font-weight: 400;">loira nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, mesmo sem ter sido desacreditada ao longo de uma investigação jornalística, também foi a frente de seu tempo e protagonizou a década de 70, </span><a href="https://personaunesp.com.br/hebe-minisserie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a composição de imagens de um tempo em que as cores ainda não adentravam o audiovisual por completo, gravações de arquivos históricos e fitas de áudio tiradas direto do esquema de espionagem de Nixon, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Efeito Martha Mitchell</span></i><span style="font-weight: 400;"> caminha na direção de um registro biográfico que sabe pontuar os momentos cruciais de sua personagem. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_30485" aria-describedby="caption-attachment-30485" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate.png" alt="" width="1366" height="502" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate-800x294.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate-1024x376.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate-768x282.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/stranger-at-the-gate-1200x441.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30485" class="wp-caption-text">O curta-metragem, de forma delicada e chocante, mostra o caminho que Richard “Mac” McKinney andou até chegar ao islamismo (Foto: The New Yorker)</figcaption></figure>
<p><b>Stranger at the Gate</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GPbbl1S6foM"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger at the Gate</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra os conflitos internos do ex-oficial da Marinha dos Estados Unidos, Richard “Mac” McKinney. Como consequência do tempo em que serviu às Forças Armadas, Mac adquiriu o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), e, ao voltar para a Muncie, a cidade em que vivia, acaba se deparando com rostos que foi ensinado a odiar. O homem começa a planejar um atentado à mesquita local, sentindo que essa ação colocaria fim em seu sofrimento. Em seus trinta minutos, o curta documental é tocante e exibe diversos pontos sobre o momento em que o protagonista vivia, além de explicitar a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58325595"><span style="font-weight: 400;">islamofobia</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por causa de seu plano, o veterano de guerra decidiu ir até o Islamic Center of Muncie (Centro Islâmico de Muncie) para entender qual seria a dimensão de seu ataque; e quem já estava na mesquita, refletia o que ele estava fazendo ali. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Talvez ele esteja procurando por uma solução, e, se você pode ser a solução para ele, para seus estresses, por que não ser bondoso com ele?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse Saber Bahrami, co-fundador do centro. Essa foi a primeira surpresa para Mac: a forma em que foi recebido transbordava paz, bondade e compaixão. O </span><span style="font-weight: 400;">ex-oficial </span><a href="https://edition.cnn.com/2023/03/08/us/marine-mosque-islam-blake-cec/index.html"><span style="font-weight: 400;">continuou visitando o lugar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, após oito semanas, percebeu que todo ódio, raiva, e planos haviam saído de seu coração. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele estava abraçando as pessoas que queria enforcar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, contou Dana McKinney no documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Stranger at the Gate</span></i><span style="font-weight: 400;"> é delicadamente forte. Construído por meio de depoimentos, as cenas, frases e comentários são chocantes, e conseguem mostrar os preconceitos sofridos por muçulmanos nos Estados Unidos. O curta traz diversas reflexões e pontos de vista, indo das vivências de um homem que viveu e foi influenciado por um ambiente islamofóbico por mais de vinte anos, até as de uma família de imigrantes refugiados, que conseguiu se estabilizar em um país novo; além de tratar assuntos como traumas e o perdão. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
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<h2><b>Melhor Curta-Metragem de Animação</b></h2>
<figure id="attachment_30355" aria-describedby="caption-attachment-30355" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4.jpg" alt="" width="1280" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/an_ostrich_told_me-online4-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30355" class="wp-caption-text">&#8220;Questione tudo, meu jovem, o mundo não é o que parece&#8221; (Foto: Lachlan Pendragon)</figcaption></figure>
<p><b>An Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você procura por um </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> que combina </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-show-de-truman-20-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Show de Truman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dont-worry-darling-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Don&#8217;’t Worry, Darling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e comédia, </span><i><span style="font-weight: 400;">An</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It </span></i><span style="font-weight: 400;">é a resposta. Em um formato </span><a href="https://personaunesp.com.br/leonor-jamais-morrera-critica/"><span style="font-weight: 400;">metalinguístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mescla a própria produção do curta com sua narrativa, o indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023 tem de especial seu humor: se um avestruz invadisse seu escritório e te dissesse que o mundo que você vive é mentira, você acreditaria? Nosso protagonista Neil não encontra outra opção além de assumir que sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande sacada do diretor</span> <a href="http://lachlanpendragon.com/"><span style="font-weight: 400;">Lachlan Pendragon</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, apesar de não trazer nada de novo, ter referências clássicas bem executadas e uma fórmula que gostamos. Muito bem construído e inteligente, apreciamos das falhas do universo do protagonista, da maneira como fazemos parte do</span><i><span style="font-weight: 400;"> backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">, da quebra da quarta parede e, é claro, do avestruz. A peculiaridade de </span><i><span style="font-weight: 400;">An</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It </span></i><span style="font-weight: 400;">o levou a ser homenageado em 2022 no </span><a href="https://www.oscars.org/saa"><i><span style="font-weight: 400;">Student Academy Awards</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e merece, com certeza, 11 minutos de sua atenção. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_30488" aria-describedby="caption-attachment-30488" style="width: 744px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30488" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/image.jpg" alt="" width="744" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-30488" class="wp-caption-text">Em 2022, Ice Merchants venceu o prêmio de curta-metragem na Critic&#8217;s Week de Cannes (Foto: João Gonzalez)</figcaption></figure>
<p><b>Ice Merchants</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma casa no topo de uma montanha de neve, um garotinho se empurra para frente e para trás em um balanço, que pende sob as alturas. Ele, junto ao pai, vivem no topo e diariamente descem a altitude de paraquedas para venderem gelo aos moradores da cidade abaixo deles. Nessa rotina repetitiva e metódica, um dos curtas-metragens mais visualmente encantadores da categoria de </span><a href="https://www.newyorker.com/video/watch/the-new-yorker-shorts-ice-merchants-a-father-and-son-brave-perilous-heights"><span style="font-weight: 400;">Melhor Curta-Metragem de Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra o impacto da ausência, mas conquista pelo poder do amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado pelo português João Gonzalez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ice Merchants </span></i><span style="font-weight: 400;">não carece de palavras para impactar. O dia a dia de pai e filho é notada por uma caneca amarela sem dono, mas o que prevalece e encanta é a relação de companheirismo e carinho entre os dois personagens, representadas através de uma animação cativante em tons pastéis. Como Gonzalez acredita, o curta é “</span><i><span style="font-weight: 400;">um </span></i><a href="https://www.newyorker.com/culture/screening-room/a-wordless-story-of-loss-and-connection-in-ice-merchants"><i><span style="font-weight: 400;">drama familiar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> sobre perda e conexão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mais sensorial e físico do que palavras conseguem retratar. Sensivelmente, sem vozes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ice Merchants </span></i><span style="font-weight: 400;">fala alto. <strong>&#8211; Vitória Gomez</strong></span></p>
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<figure id="attachment_30357" aria-describedby="caption-attachment-30357" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/My-year-of-dicks.jpeg" alt="Cena do filme My Year of Dicks. Na imagem está Sarah, um homem e uma mulher. Sarah é uma jovem branca loira de olhos azuis. Ao seu lado esquerdo está um homem azul que representa a versão idealizada do garoto que gosta. Ao lado direito está uma mulher vermelha que representa o desejo" width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-30357" class="wp-caption-text">Apesar do nome controverso, My Year of Dicks é uma história fofa e engraçada sobre a imaginação e experimentação adolescente (Foto: Animation Showcase)</figcaption></figure>
<p><b>My Year of Dicks </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro de Pamela Ribbon, </span><a href="https://bookjourney.net/2015/07/01/notes-to-boys-and-other-things-i-shouldnt-share-in-public-by-pamela-ribon/"><i><span style="font-weight: 400;">Notes to Boys: And Other Things I Shouldn&#8217;t Share in Public</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Year of Dicks </span></i><span style="font-weight: 400;">se debruça sobre as memórias da diretora Sara Gunnarsdóttir em um momento confuso da adolescência: a perda da virgindade. Contando um pouco de como foi a busca pelo garoto escolhido e as reviravoltas até o esperado momento, a animação se divide em 5 partes cheia de momentos constrangedores e cômicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 15 anos, as expectativas da personagem sempre são mais altas do que o alcançável e a mistura do que a consciência dela diz e o que acontece na vida real proporciona momentos engraçados e um drama juvenil capaz de fazer qualquer pessoa lembrar de uma de suas </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> veranis pessoais. O curta, que concorre na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023, se inclina à comédia, mas também conta com reflexões e temas muito relevantes, como o consentimento, a vergonha e o abismo proporcionado quando as coisas acontecem sem naturalidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de um roteiro muito cativante, o formato da animação é um momento à parte. Produzida por 15 animadores, incluindo </span><span style="font-weight: 400;">Gunnarsdóttir</span><span style="font-weight: 400;">, as </span><a href="https://www.saragunnarsdottir.com/"><span style="font-weight: 400;">ilustrações</span></a><span style="font-weight: 400;"> trazem formatos diversos em concordância com cada um dos devaneios da protagonista. De um vampiro melodramático a um parque de diversões </span><i><span style="font-weight: 400;">kawaii</span></i><span style="font-weight: 400;">, as imagens tomam formas plurais e muito divertidas. Não dá para saber se todo mundo já teve um ano como o de Sarah, mas a conclusão com certeza é a mesma: o planejamento sempre perde para o acaso. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30328" aria-describedby="caption-attachment-30328" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30328" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-2.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Boy, the Mole, the Fox and the Horse. O cavalo, grande e branco, inclina sua cabeça para o menino, uma criança loira que veste um casaco marrom e uma calça azul, e ambos estão de lado, direcionados para a direita. O menino carrega uma pequena toupeira marrom na altura de seus olhos e ela veste um casaco azul. A raposa laranja está sentada de costas para a imagem, aos pés do menino. Os personagens estão em uma paisagem nevada e é noite." width="980" height="551" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-2.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30328" class="wp-caption-text">O curta-metragem mostra que, em boa companhia, não é necessário ir tão longe para encontrar um lar (Foto: Peter Baynton)</figcaption></figure>
<p><strong>The Boy, the Mole, the Fox and the Horse</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que você quer ser quando crescer?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pergunta a toupeira ao menino pouco tempo depois de se conhecerem. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Gentil</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ele responde. E é na gentileza, na amizade, na coragem e na esperança que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fbdem4g_LEc"><i><span style="font-weight: 400;">The Boy, the Mole, the Fox and the Horse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se baseia. Na amizade improvável entre os quatro personagens do título, a adaptação da </span><a href="https://sextante.com.br/livros/o-menino-a-toupeira-a-raposa-e-o-cavalo/"><span style="font-weight: 400;">obra homônima</span></a><span style="font-weight: 400;"> do britânico Charlie Mackesy não se mostra apenas como uma história que estimula a reflexão e a discussão sobre a vulnerabilidade, mas também como uma verdadeira obra de arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com traços que parecem incompletos e com um texto direto e sem floreios, é plausível afirmar que a beleza da animação, indicada como Melhor Curta-Metragem de Animação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">,  é etérea. Ao aliar simplicidade e funcionalidade, a direção de  </span><a href="https://www.peterbaynton.com/"><span style="font-weight: 400;">Peter Baynton</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do próprio autor é um ótimo exemplo de que não se precisa muito para fazer algo extraordinário. Ademais, a </span><a href="https://open.spotify.com/album/3DAsjqarjzBKn8JYxrlVtq?si=ya3MpOZ-RSa0hfrQ6RPk4g"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> composta por Isobel Waller-Bridge é de uma delicadeza ímpar, e a sua sincronização não intrusiva é uma deslumbrante forma de fazer uso da música em produções cinematográficas. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30326" aria-describedby="caption-attachment-30326" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/the-flying-sailor.jpeg" alt="A imagem é um frame do curta, ambientado em um porto de navios. Ao fundo, está a paisagem, com docas de madeira em primeiro plano e uma grande fábrica em segundo plano, cheia de janelas, lançando uma fumaça por uma chaminé. O céu da cena é bem azul, limpo, com poucas nuvens brancas. O marinheiro, personagem principal, aparece em enfoque na cena, que é um close em seu rosto. Ele usa um chapéu e um uniforme azul marinho, com uma camisa branca por baixo da farda do uniforme. Ele é um homem, branco, com poucos fios de cabelo na cabeça, que observa algo a sua frente com uma expressão de dúvida, enquanto segura um cigarro entre os dedos de sua mão. " width="500" height="282" /><figcaption id="caption-attachment-30326" class="wp-caption-text">Em um estudo de possibilidades, The Flying Sailor demonstra uma centelha de beleza e reflexão em um dos maiores desastres já registrados na história (Foto: National Film Board of Canada)</figcaption></figure>
<p><strong>The Flying Sailor</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma manhã idêntica a todas as outras, um marinheiro caminha em um porto. Enquanto acende seu cigarro, ele observa a aproximação de dois grandes navios que acabam por colidir, gerando uma grande explosão, levando os carregamentos, o porto e o marujo observador aos ares. Esse é o princípio de </span><a href="https://www.shootonline.com/news/wendy-tilby-amanda-forbis-discuss-backstory-inspiration-their-3rd-oscar-nominated-short"><i><span style="font-weight: 400;">The Flying Sailor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, projeto roteirizado e dirigido por</span> <a href="https://mulhernocinema.com/listas/conheca-os-filmes-dirigidos-por-mulheres-que-ja-foram-premiados-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Amanda Forbis e Wendy Tilby</span></a><span style="font-weight: 400;">, que concorre na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo não sendo o favorito na corrida pela estatueta, o marinheiro voador constituiu uma experiência visual valiosa, mostrando um lado novo em uma história já conhecida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em uma </span><a href="https://www.mdig.com.br/index.php?itemid=55324"><span style="font-weight: 400;">história real</span></a><span style="font-weight: 400;">, a nova criação da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_rIBbhymIzw&amp;t=7s"><span style="font-weight: 400;">dupla de diretoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa do fato como um pontapé inicial e mergulha em uma viagem surrealista, mostrando ao espectador a vida de um homem que, ao ser arremessado pela explosão, sobrevoou os céus. O estado de quase morte, no qual a percepção de passado, presente e futuro se mesclam, é visualmente estonteante &#8211; não necessita de uma única palavra ou descrição. A passagem da fase de ascensão para a queda, ditadas pelas composições de Luigi Allemano, prendem o olhar que segue ansioso os cortes, só descansando ao ver o resultado final. Os quase oito minutos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Rj3FG8vFtk"><i><span style="font-weight: 400;">The Flying Sailor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passam rápido, em uma viagem de cores e sons, que abre alas à imaginação. </span><b>&#8211; Aryadne Xavier </b></p>
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		<title>Cinema Almanac é uma coleção enfadonha</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 21:26:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A produção romena Cinema Almanac (Almanah Cinema, no original), presente na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é apresentada como uma coletânea de seis curtas de Radu Jude (Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental), que assina a direção e roteiro em algo semelhante a quando um escritor publica um volume &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cinema Almanac é uma coleção enfadonha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29008" aria-describedby="caption-attachment-29008" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29008 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490.png" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos um homem e uma mulher parados ao lado de uma estátua durante o dia. Ambos são brancos. O homem tem barba branca, usa chapéu coco, veste uma camisa bege com terno branco e calça jeans. A mulher tem cabelo ruivo na altura dos ombros, veste uma camisa vermelha e carrega uma bola no braço direito. " width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490.png 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29008" class="wp-caption-text">O longa faz parte da Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção romena </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Almanac </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Almanah Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), presente na 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, é apresentada como uma coletânea de seis curtas de Radu Jude (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que assina a direção e roteiro em algo semelhante a quando um escritor publica um volume de seus contos ou poesias. Por estarem reunidos em um mesmo conjunto, faz sentido pensar que possuem características em comum, além da mera aleatoriedade. Cinco dos curtas que a compõem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Caricaturana</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Potemkinistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias do Front Oriental</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Duas Execuções do Marechal </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir e Disciplinar</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">mostram que o cineasta busca refletir sobre as imagens do passado e o possível impacto que podem causar no observador contemporâneo. Porém, ele próprio mal consegue impactar, devido à forma como utiliza as fotografias. </span></p>
<p><span id="more-29007"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias do Front Oriental</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir e Disciplinar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a exploração dessas imagens é enfadonha, similar a uma apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">slides</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um seminário interminável. O uso de planos estáticos exibe as fotos inteiras e raramente se aproxima delas para destacar alguma informação. Ao assisti-los, o espectador folheia um </span><a href="https://personaunesp.com.br/blue-banisters-critica/"><span style="font-weight: 400;">álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> cheio de imagens de estranhos. É inegável que as fotografias possuem seu valor histórico ou causam uma pequena comoção pela tristeza enraizada nas expressões faciais, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas os curtas não vão muito além disso. A força que o som poderia ter ao mostrar aquelas cenas estáticas é deixada de lado e somente o texto é capaz de forjar alguma conexão emocional com o espectador, como no caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os relatos dos soldados, transcritos na tela, servem para dar uma dimensão do horror da Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<figure id="attachment_29011" aria-describedby="caption-attachment-29011" style="width: 1430px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29011 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643.jpg" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos uma foto em preto e branco de um funeral de soldados mortos em guerra. À esquerda, vemos túmulos dos mortos e, à direita, os soldados que sobreviveram. Ao fundo, vemos uma multidão com mais soldados." width="1430" height="1070" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643.jpg 1430w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-800x599.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-1024x766.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-768x575.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-1200x898.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29011" class="wp-caption-text">Como sentir algo vendo uma coletânea de fotos de desconhecidos? (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Caricaturana</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que inaugura a antologia, tenta dar novo significado às ilustrações que expõe por meio de um humor irônico, capaz de provocar um sorrisinho de canto de boca e nada mais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Potemkinistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção na qual os personagens de Alexandru Dabija e Cristina Draghici discutem sobre uma estátua enquanto são inseridas cenas do clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VW1uPSZp5ZY"><i><span style="font-weight: 400;">O Encouraçado Potemkin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz belas imagens, mas torna-se desinteressante rapidamente ao utilizar seus personagens como mero veículo para vomitar informações históricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Duas Execuções do Marechal</span></i><span style="font-weight: 400;">, melhor curta do conjunto, Radu Jude alterna a filmagem real da execução de um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ion_Antonescu"><span style="font-weight: 400;">marechal romeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a dramatização do evento em um filme lançado décadas depois, para mostrar como a vida é muito mais dura do que a ficção. Por meio desse confronto entre as duas cenas, expõe o quão crua, triste e ridícula a realidade é, sem nada épico, e formada apenas por pessoas que cumprem ordens. </span></p>
<figure id="attachment_29012" aria-describedby="caption-attachment-29012" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29012 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159.jpg" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos vários brinquedos em cima de uma superfície verde, em um ambiente com fundo vermelho que parece um parque de diversões, com roda gigante, chapéu mexicano e um trenzinho. Os bonecos que estão no cenário variam de tamanho, alguns pequenos e outros bem maiores. " width="1920" height="1027" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1536x822.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1200x642.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29012" class="wp-caption-text">Em um dos curtas, bonequinhos são usados como instrumento de reflexão sobre a essência do ser humano (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra que fecha o longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plástico Semiótico</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a mais estranha das seis. Abandona o interesse pelas imagens do </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-sono-critica/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que as anteriores tinham e usa brinquedos em planos belíssimos para ilustrar a jornada turbulenta da vida humana, desde a infância até a velhice. É uma obra que usa os sons dos próprios brinquedos e a fotografia colorida de Marius Panduru para transmitir uma originalidade muito instigante, se apropriando de elementos do universo infantil para passear pelo passado, presente e futuro da humanidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Almanac</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como várias outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">antologias</span></a><span style="font-weight: 400;">, é bastante irregular. Faz um uso pouquíssimo criativo das imagens históricas que têm em mãos e só consegue construir uma ideia em dois dos seis curtas que reuniu, nos quais o cineasta Radu Jude se lembra que está fazendo Cinema, com suas composições, cores e sons, e não uma mera apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">PowerPoint</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Os Curtas do Oscar 2022</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 19:35:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Como forma de condensar a longa e complexa cobertura do Oscar 2022, o Persona decidiu reunir os 15 curtas em um único post, enxugando as informações e entregando a seus leitores uma experiência de imersão dentre a vasta gama de alcance dos títulos reconhecidos pela 94ª edição da cerimônia. Abaixo, você confere comentários, curiosidades, opiniões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Curtas do Oscar 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26980" aria-describedby="caption-attachment-26980" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26980 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas.jpg" alt="Arte retangular com fundo preto fosco. No topo da imagem, lê-se “OS CURTAS DO OSCAR 2022” em letras douradas em caixa alta. Abaixo, à esquerda, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada do personagem Riz, do curta-metragem The Long Goodbye, um homem de cabelo escuro curto e barba. Abaixo, ao centro da imagem, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada da personagem sem nome do curta-metragem Bestia, uma boneca pequena de porcelana com cabelo curto e expressões faciais pequenas e sérias. Abaixo, à direita da imagem, há uma foto em preto e branco com borda de cor dourada da personagem Lucy, do curta-metragem The Queen of Basketball, uma mulher negra de cabelo ondulado e curto que sorri. Na extremidade inferior esquerda há uma silhueta dourada da estatueta do Oscar. Na extremidade inferior direita está o logo do Persona, um olho com íris dourada. " width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/wordpress-curtas-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26980" class="wp-caption-text">Entre manifestos sociais, denúncias políticas e a celebração de uma figura histórica, os Curtas do Oscar 2022 exploram a vastidão da linguagem cinematográfica (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como forma de condensar a longa e complexa cobertura do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">decidiu reunir os 15 curtas em um único </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;">, enxugando as informações e entregando a seus leitores uma experiência de imersão dentre a vasta gama de alcance dos títulos reconhecidos pela 94ª edição da cerimônia. Abaixo, você confere comentários, curiosidades, opiniões e contextualização a respeito das 5 animações, 5 </span><i><span style="font-weight: 400;">live actions</span></i><span style="font-weight: 400;"> e 5 documentários que a Academia prestigiou.</span></p>
<p><span id="more-26950"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, chega a ser ridículo falar sobre o prestígio da organização que, na decisão imprudente e </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/oscar-2022--decisao-de-cortar-categorias-da-transmissao-veio-da-emissora"><span style="font-weight: 400;">motivada pela emissora</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">ABC</span></i><span style="font-weight: 400;">, determinou que oito das vinte e três categorias não seriam reveladas e exibidas ao vivo. </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Se nem a Academia se importa com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, por que deveríamos nós?</span></a><span style="font-weight: 400;"> Simples: pela qualidade do Cinema, pela oportunidade de premiar profissionais talentosos e, por fim, pela esperança de dias melhores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ano passado, as vitórias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-estranhos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Estranhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostraram a força da Arte em forma de curta-metragem. Os discursos, recheados de emoção e um senso palpável de reconhecimento e alívio, tocaram em temas como armamento, violência policial, racismo e a luta antinazista. Em 2022, ainda não se sabe como serão transmitidos os recortes de agradecimentos, privados de serem experienciados na íntegra. Por enquanto, aprecie e assista as produções concorrentes, dê valor ao que a Academia insiste em renegar como “menor”, e boa leitura.</span></p>
<hr />
<h3><b>Melhor Curta-Metragem de Animação</b></h3>
<figure id="attachment_26951" aria-describedby="caption-attachment-26951" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26951" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia.jpg" alt="Cena da animação Robin Robin. Mostra um gato cinza sorrindo e encurralando um pássaro vermelho. Está de noite." width="1280" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/sabia-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26951" class="wp-caption-text">Em Robin Robin, Gillian Anderson mostra as garras (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um belo dia, o ovo de uma sábia mãe cai do ninho e rola ladeira abaixo, indo parar no lar de ratos do campo. Lá, nasce </span><a href="https://cenasdecinema.com/a-sabia-sabiazinha/"><span style="font-weight: 400;">a pequena Sabiá</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou Robin, que logo toma os jeitos da família adotiva e desata a se comportar com uma pequena roedora. Esse é o ponto de partida do curta animado dirigido por Dan Ojari e Michael Please, e escrito pela dupla ao lado de Sam Morrison. Original e disponível no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Robin Robin</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022 como favorito, um ano depois da vitória de </span><a href="http://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, representando do </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pegada intimista do filme, que se estende para além de curtos e preciosos trinta e dois minutos, é o que encanta. Os personagens são criados como bonecos de lã e agulha, tem textura de algodão e conversam com a calma que os animais de fábula o faziam nos primórdios do Cinema. Quem dubla a protagonista é uma afetuosa Bronte Carmichael, que tem a companhia do sempre formidável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UvJIaNsf_bY"><span style="font-weight: 400;">Richard E. Grant</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o antagonismo da barra pesada </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gillian Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aqui empresta sua voz para a Gata. Com material suficiente para sustentar um longa-metragem, as desventuras da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sabiá Sabiazinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> brilham inocentes na disputa pela estatueta.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26952" aria-describedby="caption-attachment-26952" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26952" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art.jpg" alt="Cena do curta-metragem Affairs of the Art. Na imagem retangular colorida, a personagem Beryl está deitada no chão de madeira, olhando em direção à câmera, com as mãos sobre folhas de papéis que parecem ser as representações do marido que está a sua frente, nu, fazendo uma pose. Beryl e o marido são pessoas brancas. Ele é calvo e possui um rosto rosado. Ela é uma mulher loira, utiliza óculos de grau transparentes, uma blusa regata de cor verde e um lenço amarrado na cabeça, de cor azul e vermelho." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/affairs-of-the-art-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26952" class="wp-caption-text">Dirigido e desenhado por Joanna Quinn, com roteiro de Les Mills, Affairs of the Art é um dos favoritos na categoria; o curta recebeu uma distinção do júri no Festival de Cinema de Annecy (Foto: Beryl Productions International)</figcaption></figure>
<p><b>Affairs of the Art</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A icônica frase inicial de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14113"><i><span style="font-weight: 400;">Anna Kariênina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1878), de Liev Tolstói, pode muito bem diagnosticar o que acontece com a família de Beryl (Menna Trussler), embora a única personagem realmente infeliz pareça ser justamente ela, a protagonista. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria Melhor Curta-Metragem de Animação, </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/screening-room/an-illustrated-family-of-obsessives"><i><span style="font-weight: 400;">Affairs of the Art</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) desenrola-se, ao longo de seus 16 minutos, através da fascinante vontade de Beryl em se tornar uma artista, ofuscada por outras questões familiares. Na pequena história animada, acompanhamos o entorno da personagem principal, junto a sua narração, de forma a compreender as razões pelas quais foi obrigada a deixar de lado seu sonho e conformar-se (somente no início) com um emprego na fábrica próxima a sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo real, a personagem é antiga, e sua história vem sendo retratada pela ilustradora e diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EW9H5Wu2ujg"><span style="font-weight: 400;">Joanna Quinn</span></a><span style="font-weight: 400;"> há mais de 30 anos; </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Night Out</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Body Beautiful</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987)</span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro filme em que Beryl foi apresentada ao público. À época, foi o trabalho de conclusão de curso de Quinn. Posteriormente, outros 3 pequenos filmes deram vida à personagem; todos – incluindo este </span><i><span style="font-weight: 400;">Affairs of the Art</span></i><span style="font-weight: 400;"> – foram ilustrados à mão e animados em </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas a graça do curta consiste na relação forte que a personagem principal, uma mulher da classe trabalhadora britânica, estabelece com a arte, pois, enquanto nos narra a história da sua família e rememora o passado, cria ilustrações – às vezes está desenhando o marido, às vezes pintando a si mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante lembrar que o contexto em que a personagem surgiu, no fim dos anos 1980 na Inglaterra – sob o governo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margaret Thatcher</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, representa muito sobre suas incertezas, visto que ela deriva da classe operária cujas possibilidades de futuro foram anuladas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan T.I.N.A. </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">There Is No Alternative</span></i><span style="font-weight: 400;">; em português, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Há Alternativa</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span> <span style="font-weight: 400;">Em 2022, a diretora Joanna Quinn concorre pela primeira vez a um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas as histórias anteriores sobre Beryl venceram o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 4 vezes</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">O curta também recebeu o Prêmio de Distinção do Júri no </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de Animação de Annecy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (considerado o mais prestigioso prêmio de animações do mundo), em 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26953" aria-describedby="caption-attachment-26953" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bestia.jpg" alt="Cena do curta-metragem Bestia. Ao centro da imagem, uma animação, vemos a personagem Bestia sentada em um banco dentro de ônibus, ao lado de seu cachorro. Ambos olham pela janela do ônibus. O cachorro é um pastor alemão, usando uma coleira preta. A personagem é uma mulher, com a aparência de uma boneca de porcelana, com cabelos castanhos lisos na altura do queixo, vestindo um casaco vermelho." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-26953" class="wp-caption-text">Bestia é a terceira animação do diretor Hugo Covarrubias e estreou no Annecy International Animation Film Festival de 2021, importante festival de animações da França (Foto: Maleza Studio)</figcaption></figure>
<p><b>Bestia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inquietante e perturbador são as palavras que definem </span><i><span style="font-weight: 400;">Bestia</span></i><span style="font-weight: 400;">. O curta-metragem, dirigido por Hugo Covarrubias, e roteirizado por ele junto de Martín Erazo, inspira-se em eventos reais de uma agente secreta da ditadura militar chilena. A </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/11/ingrid-olderock-a-torturadora-que-inspirou-curta-chileno-indicado-ao-oscar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">agente em questão</span></a><span style="font-weight: 400;"> é Íngrid Olderöck, que, durante o regime de Pinochet, foi responsável por torturas e violações de direitos humanos dos presos políticos, inclusive usando seu cachorro para tal. O curta, um dos </span><a href="https://cosmonerd.com.br/outros/colunas/animaland/bestia-o-ganhador-do-grande-premio-animage-de-melhor-curta/"><span style="font-weight: 400;">favoritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para levar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Curta-Metragem de Animação, retrata a memória coletiva do período e a figura da agente através de um suspense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A técnica</span><i><span style="font-weight: 400;"> stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a personagem animada na aparência de uma bizarra boneca de porcelana, soma-se à trilha sonora tensa, responsabilidade de Ángela Acuña, e tornam os 16 minutos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5p7dC58RV4A"><i><span style="font-weight: 400;">A Fera</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ainda mais sombrios e intensos. O filme, ao invés de se ater a fatos históricos tirados de relatórios oficiais da ditadura, opta por construir o cotidiano monótono da </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/bestia-a-macabra-hist%C3%B3ria-chilena-que-concorre-ao-oscar-1.774884"><span style="font-weight: 400;">torturadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, com destaque para sua vida pacata, suas assombrações e medos, e sua relação com seu cachorro. As atrocidades cometidas pela personagem aparecem em vislumbres e tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Bestia </span></i><span style="font-weight: 400;">enigmático, ao mesmo tempo que, dada sua devida contextualização, pesado. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26954" aria-describedby="caption-attachment-26954" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet.jpg" alt="Cena do curta animado Boxballet. A cena mostra uma bailarina magra e de verde em frente a um boxeador forte e de estatura larga, usando camisa branca. Eles olham para um espelho e o cenário ao redor é feito de madeira." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/boxballet-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26954" class="wp-caption-text">Embora apenas o diretor Anton Dyakov seja creditado como produtor na indicação ao Oscar, ele teve o auxílio de Andrey Vasilyev no roteiro (Foto: CTB)</figcaption></figure>
<p><b>Boxballet </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quão brutal é o balé? Qual doce é o boxe? Qual a intersecção dessas manifestações corporais? O russo </span><a href="https://br.rbth.com/cultura/86241-curta-animacao-russo-boxballet-lista-pre-indicados-oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Boxballet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não responde nenhuma dessas questões, mas ao longo de quinze minutos desprovidos de falas mas recheados de deleite visual, o filme passeia pela linha-fina entre as dores de cada modalidade. Na história, um lutador chamado Evgeny, brutamontes metido a mal-humorado, salva o gato da bailarina Oly, uma mulher esguia e timidamente adorável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-boxballet-anton-dyakov/"><span style="font-weight: 400;">sentem uma atração</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase que instantânea um pelo outro, ao passo em que a direção de Anton Dyakov cria paralelos em câmera e em texto a respeito da proximidade desses dois personagens tão distantes no papel. A graça de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boxballet </span></i><span style="font-weight: 400;">é observar o traço cartunesco e geométrico digladiar-se em nossa frente, seja nos socos levados pelo homem, seja nas piruetas rodadas pela mulher. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26955" aria-describedby="caption-attachment-26955" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper.jpg" alt="Cena do curta animado The Windshield Wiper, mostra duas pessoas mexendo no celular em frente a geladeira de bebidas em uma loja. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-windshield-wiper-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26955" class="wp-caption-text">As animações do diretor Alberto Mielgo já são prestigiadas e conhecidas: em 2019, ele levou o Emmy de Melhor Série Animada de Curta Duração por Love, Death + Robots (Foto: YouTube)</figcaption></figure>
<p><b>The Windshield Wiper</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que é o amor?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pergunta-se a Arte há milhares de anos. Dentre todos os estudos que surgem no Cinema, na Música, na Literatura e em todas as outras expressões artísticas, a questão se encaixa de maneira contundente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 através de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i8MQl7vCkMQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Windshield Wiper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o trabalho mais recente do diretor espanhol Alberto Mielgo. Com estreia na </span><a href="http://www.cinevitor.com.br/cannes-2021-conheca-os-vencedores-da-quinzena-dos-realizadores/"><span style="font-weight: 400;">Quinzena dos Realizadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021, a produção hispano-americana tem como único objetivo analisar uma das perguntas mais antigas da humanidade através de fragmentos de histórias cotidianas em apenas 15 minutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a palavra é realmente observar, já que o curta não se preocupa em perseguir o objetivo invencível de responder à questão. Numa identidade visual que só parece inconsistente, o filme se vale das formas &#8211; em todos os sentidos da palavra &#8211; para retratar seu objeto. Seja nos “comos” em que o amor se expressa, nos “ondes” ou nos “porques”. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6JP0xas_Sy8"><span style="font-weight: 400;">O prestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ousadia do diretor, já consolidado no campo das animações, consegue surpreender mesmo em uma história naturalmente subjetiva. A sua maior missão, no entanto, já foi concluída: nos mostrar que o amor é tudo e está em todo o lugar. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<h3><b>Melhor Curta-Metragem em Live Action</b></h3>
<figure id="attachment_26956" aria-describedby="caption-attachment-26956" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu.jpg" alt="Cena do curta Ala Kachuu, mostra uma mulher de roupa roxa em frente a uma paisagem natural a luz do dia." width="1024" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu-800x437.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ala-kachuu-768x419.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26956" class="wp-caption-text">A diretora suíça acerta o tom de Take and Run, que poderia facilmente cair num olhar preconceituoso para a cultura que critica (Foto: FILMGERBEREI)</figcaption></figure>
<p><b>Ala Kachuu &#8211; Take and Run</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A introdução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pRhWhNkPdiQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ala Kachuu</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Take and Run</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a apresentação perfeita para a história do filme de Maria Brendle. Ao mostrar uma garota correndo de forma a sugerir uma fuga quando, na verdade, ela está apenas brincando com a sua irmã, é provavelmente a cena mais poderosa do curta, que mostra em sua história o terrível amadurecimento forçado ao qual </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/06/internacional/1446826338_616784.html"><span style="font-weight: 400;">centenas de milhares de meninas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são submetidas pelas culturas mais conservadoras do mundo. A vítima aqui é Sezim (na poderosa Alina Turdumamatova), uma jovem recém-formada na escola que sonha em continuar seus estudos e viver de forma independente bem longe do interior, onde sua família e comunidade a querem manter num casamento arranjado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do desenvolvimento simples, o filme mantém um ritmo de suspense à medida que avança nas demonstrações de coragem de Sezim pelo seu futuro. Entre fugas bem-sucedidas e outras não tanto assim, a protagonista não cede à sua própria vida, alimentando os 38 minutos do curta e transformando sua atmosfera em seus momentos mais dramáticos. Ao colocar em foco o contexto patriarcal que insiste em sufocar a vida de jovens garotas &#8211; e que </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2019/06/estudo-aprofunda-causas-e-consequencias-do-casamento-infantil-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">não está tão distante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nós como pode parecer -, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ala Kachuu &#8211; Take and Run</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume, sem dúvidas, uma posição de destaque dentre os curtas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_26957" aria-describedby="caption-attachment-26957" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind.jpg" alt="Cena do curta On My Mind, mostra um homem sentado no balcão do bar e uma mulher do outro lado, servindo ele. Ele usa touca e roupa de frio, tem barba e não sorri. Ela usa blusa branca e sorri." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/on-my-mind-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26957" class="wp-caption-text">Em 2003, o diretor venceu o Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action com Um Sujeito Encantador, prêmio dividido com o produtor Mie Andreasen (Foto: Benzona Film)</figcaption></figure>
<p><b>On My Mind</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Usar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">arte como forma de terapia</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é algo novo no pedaço. Por isso, quando o diretor Martin Strange-Hansen, que já venceu essa categoria da Academia vinte anos atrás, perdeu sua filha, a decisão de transformar o luto em Cinema foi uma decisão interessante na carreira. O filme em questão, chamado </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15289736/"><i><span style="font-weight: 400;">On My Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e produzido por ele ao lado de Kim Magnusson, faz uso de apenas dezoito minutos para retratar a alma de alguém que há muito foi roubado do brilho dos olhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, Henrik (Rasmus Hammerich) deseja cantar uma canção no karaokê do bar e ser gravado enquanto solta a voz. Empecilhos nascem, soluções entram na frente e o roteiro, também assinado pelo realizador dinamarquês, não se importa em mostrar as cartas de primeira. Pela força de vontade do homem e pela resiliência de chegar ao fim da faixa, o breve relato de morte acaba </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-caminho-da-lua-critica/"><span style="font-weight: 400;">eternizando com simpatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu amor por alguém que já partiu.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_26958" aria-describedby="caption-attachment-26958" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold.jpeg" alt="Cena do filme Please Hold. Na imagem retangular colorida, o ator Erick Lopez está parado olhando fixamente para a câmera, dentro de uma cela de prisão. Ele é um homem de cabelos pretos lisos ao estilo topete, com descendência latino-americana, e veste um macacão de detento em cor laranja e por baixo uma camiseta branca. Ao fundo vemos uma parede de azulejo amarelado e uma pequena cama arrumada. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/please-hold-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26958" class="wp-caption-text">Quase como um episódio de Black Mirror condensado, Please Hold é um alerta aos perigos que podem surgir das tecnologias que dominam nossas vidas (Foto: Scavenger Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Please Hold</b></p>
<p><a href="https://www.flickfeast.co.uk/reviews/shorts/please-hold-2020-short-film-review/"><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) se desenrola em um futuro distópico, no qual Mateo Torres (Erick Lopez) é preso por um drone policial, sem saber por qual acusação. O aparelho do sistema evoca sua sentença e o obriga a ir para a delegacia. Nessa trama </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80017"><span style="font-weight: 400;">kafkiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, o personagem não consegue ter acesso a nenhum “ser humano de verdade” – algo que ele implora para conseguir explicar sua situação –, e é encarcerado sem contato com qualquer indivíduo que possa trazer esclarecimentos. Na cela, há uma televisão interativa, com um sistema de inteligência artificial que responde (parcialmente) às perguntas de Torres, e após indagar sobre a possibilidade de um advogado, é transferido para uma página com anúncios em vídeo dos representantes da lei, em um estilo meio político, meio vendedores de carro, que tentam convencer os presos a comprarem seus serviços. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se pôde perceber, muitas coisas acontecem em um período curto de tempo; afinal, trata-se de um filme de 18 minutos. De todo modo, a diretora e roteirista de origem mexicana </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YZzUGWTZvL0"><span style="font-weight: 400;">Kristen “K.D.” Dávila</span></a><span style="font-weight: 400;"> amarra tudo muito bem, e passa sua crítica de forma pertinente e perspicaz, pois, mesmo sem explicações iniciais, conseguimos entender o que está acontecendo: Mateo Torres é um imigrante latino, e foi confundido pelo sistema de reconhecimento facial com o verdadeiro culpado pelo crime que nem ele e nem nós ficamos sabendo qual foi. Além de Torres ficar distante de qualquer interação humana, ele arca com todos os custos prisionais (para fazer ligações, para comer), cujo pagamento é debitado diretamente de sua conta bancária. Por essa razão, o trabalho se torna obrigatório dentro da cela, onde ele passa a fazer crochê para uma empresa privada, que o paga em centavos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o curta traz ressonâncias reais bastante reflexivas, e, mesmo com cenas que apontam desfechos previsíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold </span></i><span style="font-weight: 400;">não assustaria se levasse o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Curta-Metragem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;">, justamente pela contundência de sua crítica social. Tudo se torna pior quando lembramos do livro </span><a href="https://www.lojadaruadosabao.com/rua-do-sabao/algoritmos-de-destruicao-em-massa"><i><span style="font-weight: 400;">Algoritmos de Destruição em Massa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), da cientista de dados </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual denuncia, entre outros temas, justamente a maneira racista que os algoritmos têm funcionado, pois se retroalimentam da base de dados que os dá vida, replicando ideologias. Por fim, quando ficção e realidade se cruzam de forma tão contundente quanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Please Hold</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado é quase sempre certeiro. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26959" aria-describedby="caption-attachment-26959" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Dress. Na imagem, em um corredor de um hotel com pouca iluminação e portas de madeira à esquerda e a direita, vemos, ao centro e do peito para cima, uma mulher de cabelos loiros lisos, presos em um rabo de cavalo, vestindo um uniforme azul e bege e empurrando um carrinho de limpeza." width="2000" height="835" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-dress-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26959" class="wp-caption-text">The Dress, o projeto polonês indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action, impressiona também pela fotografia de Konrad Bloch, que chama a atenção alternando entre provocar sentimentos hostis e acolhedores (Foto: Konrad Bloch)</figcaption></figure>
<p><b>The Dress</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Julka (Anna Dzieduszycka) captura o olhar de Bogdan (Szymon Piotr Warszawski), ela espera uma escapatória para seus dias solitários. No curta-metragem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gbThHMjNGJw"><i><span style="font-weight: 400;">The Dress</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem principal é uma camareira com nanismo, que tem de conviver com os constantes comentários ofensivos dos hóspedes do motel em que trabalha. Até que um dia, um caminhoneiro hospedado por lá chama sua atenção &#8211; e é recíproco &#8211; e os dois combinam de se encontrar dali a quatro dias. É partindo de uma premissa simples que o filme se aprofunda nas angústias de sua protagonista.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sukienka</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título original, trabalha a solidão de sua personagem principal, que tem poucos amigos e revela não ter tido relações românticas antes, através dos dias pacatos. Já quando Julka se interessa pelo hóspede, o curta explora as expectativas dela, suas angústias e receios (com si mesma e com outra pessoa), e sua vontade de ser amada de forma sutil. Nisso, </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/the-dress-shortlist-oscar-entrevista"><span style="font-weight: 400;">a estrela</span></a><span style="font-weight: 400;"> Anna Dzieduszycka tem papel fundamental e transparece os sentimentos de sua personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Dress</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, opta por uma reviravolta que foge da mensagem positiva e acolhedora que vinha construindo, e deixa um gosto amargo quando se encerra. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26960" aria-describedby="caption-attachment-26960" style="width: 1483px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26960" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye.png" alt="Cena do curta The Long Goodbye, mostra o ator Riz Ahmed, homem adulto de pele marrom, olhando para a câmera. Está anoitecendo e ele veste um suéter bege." width="1483" height="721" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye.png 1483w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-800x389.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-1024x498.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-768x373.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/goodbye-1200x583.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26960" class="wp-caption-text">Além de ser o protagonista e escrever o roteiro ao lado do diretor, Riz Ahmed está creditado como produtor na indicação ao Oscar, um ano após disputar a categoria de Melhor Ator por O Som do Silêncio (Foto: Left Handed Films)</figcaption></figure>
<p><b>The Long Goodbye </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora os primos estejam discutindo entre as arrumações para uma celebração e a cozinha seja pequena demais para o número de cozinheiros, tudo parece bem na casa de uma família inglesa de origem paquistanesa. A TV, em volume alto, mostra casos de violência, e não demora muito para que o diretor Aneil Karia transporte a autoridade da telinha para a porta da frente, neste </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lzz50xENH4g"><span style="font-weight: 400;">curta vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">BIFA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA </span></i><span style="font-weight: 400;">do Cinema independente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando percebe o que está tomando parte, Riz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/"><span style="font-weight: 400;">Riz Ahmed</span></a><span style="font-weight: 400;">) tenta mobilizar os familiares e proteger aqueles que ama, mas é tarde demais. Os vizinhos assistem em silêncio um grupo autoritário raptar as mulheres e crianças e ajoelhar os homens no meio-fio. Um a um, eles são exterminados; um a um, suas vozes são silenciadas. Prestes a seguir o destino de seus semelhantes, Riz pausa a execução, mira na câmera, e recita versos de um manifesto em formato de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">discursivo, relatando os perigos de se viver como imigrante em um país extremista e racista. A obviedade das falas ensurdece qualquer motivação genuína que venha na concepção da obra, tornando o filme uma peça política que engasga a Arte, sem sucesso. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3><b>Melhor Documentário em Curta-Metragem </b></h3>
<figure id="attachment_26961" aria-describedby="caption-attachment-26961" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1.jpg" alt="Cena do curta Audible mostra um time de futebol americano se reunindo antes do início do jogo, em um círculo fechado. Eles vestem roupas azuis e laranjas e o céu está preto atrás deles." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/audible-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26961" class="wp-caption-text">O filme abusa de aspectos sonoros, imergindo quem assiste na vida das pessoas surdas e nas maneiras que elas experienciam, por exemplo, a torcida num campo de futebol (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Audible </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Disponível no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Audible</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha um grupo de estudantes da </span><a href="https://estacaonerd.com/critica-audible/"><span style="font-weight: 400;">Escola para Surdos de Maryland</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nosso protagonista é Amaree McKenstry-Hall, um jovem à beira dos 18 anos que, além de ser peça fundamental do time de futebol americano do colégio, navega por um romance com uma colega de classe e ainda lida com a morte do amigo próximo, que se suicidou há pouco tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a casa de Amaree (ele é a única pessoa surda da família), passando pelos corredores do </span><i><span style="font-weight: 400;">high school</span></i><span style="font-weight: 400;">, o campo de futebol e a igreja onde o pai, que esteve longe do garoto em seus anos formativos, a direção de Matthew Ogens consegue </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5htMIBhdGk"><span style="font-weight: 400;">capturar as minúcias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um elenco rico em histórias e em sensibilidade. No ano em que</span><i><span style="font-weight: 400;"> No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> voa alto na </span><a href="https://www.ommercato.com/pt/trad/coda-wins-top-prize-at-pga-predicting-oscar-best-picture-win-pga-awards_154817"><span style="font-weight: 400;">onda da aclamação</span></a><span style="font-weight: 400;">, é de bom grado assistir a um curta protagonizado por pessoas surdas, mostrando que as mudanças na indústria não parecem ser passageiras.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26962" aria-describedby="caption-attachment-26962" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro.jpg" alt="Cena do curta Onde Eu Moro, mostra várias barracas na rua e os prédios da cidade em contraste atrás." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/onde-eu-moro-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26962" class="wp-caption-text">Onde Eu Moro é exatamente o tipo de filme que a Academia gosta de notar como forma de (tentar) expressar que seus homens brancos estão preocupados com as questões sociais do mundo contemporâneo [Foto: Netflix]</figcaption></figure><b>Onde Eu Moro (Lead Me Home)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ótica de </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81240756?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Eu Moro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> persegue metrópoles por uma razão muito importante: observar a maior crise humanitária da costa oeste dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/30/internacional/1514632186_267085.html"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é oriunda de um problema social de moradia encontrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UrrJmlnTWPw"><span style="font-weight: 400;">vários outros lugares</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mundo. O contexto da maior potência do planeta, no entanto, é singular, e falar de desigualdade social e distribuição de renda no centro do capitalismo se transforma em uma discussão muito maior do que qualquer delimitação territorial. Mas apesar de entender essa perspectiva, o filme dirigido pelo brasileiro Pedro Kos e pelo estadunidense Jon Shenk nunca a compreende de fato. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Valendo-se de uma estrutura documental tradicional &#8211; e muito óbvia &#8211; , o curta </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2022/noticia/2022/03/24/da-rua-ao-oscar-indicado-por-curta-documental-sobre-pessoas-sem-teto-brasileiro-pedro-kos-vai-levar-retratados-a-festa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">explora a imagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas em situação de rua, que ali, se transformam em personagens abusados, violentados, desamparados e abandonados. Com qual finalidade? Muitas, mas nenhuma delas envolve analisar de fato </span><a href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/libertas/article/download/27780/18978"><span style="font-weight: 400;">o problema</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que acaba, na verdade, deixando seus motivos bem claros. Os contextos retratados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Eu Moro</span></i><span style="font-weight: 400;"> podem até estar preocupados com as evidências do problema, mas não em solucionar a sua raiz. E de alguma forma, isso o faz estar no lugar certo dentre as indicações da Academia que conhecemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26963" aria-describedby="caption-attachment-26963" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball.jpg" alt="Cena do curta-metragem The Queen of Basketball. Na imagem, em preto e branco, vemos uma cena de um jogo de basquete. Ao fundo, vemos pessoas sentadas em arquibancadas, em desfoque. Em um primeiro plano, do lado direito e esquerdo, vemos mulheres brancas e jovens pulando e com os braços levantados, em movimentos de jogo. Ao centro, vemos uma mulher negra com uma bola de basquete em maõs e, ao seu lado, uma jovem mulher negra segurando sua perna. Todas elas vestem uniformes de jogo de basquete." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-queen-of-basketball-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26963" class="wp-caption-text">Ben Proudfoot, diretor de The Queen of Basketball, já havia concorrida na categoria de Melhor Documentário em Curta Metragem em 2021, com A Concerto Is A Conversation (Foto: The New York Times)</figcaption></figure>
<p><b>The Queen of Basketball</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lusia Harris não é um nome internacionalmente famoso. É para isso que vem </span><i><span style="font-weight: 400;">The Queen of Basketball</span></i><span style="font-weight: 400;">, curta-metragem do jornal estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;"> como parte da série de documentários </span><i><span style="font-weight: 400;">Op-Docs </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Almost Famous</span></i><span style="font-weight: 400;">, que retrata personalidades notáveis, mas que não chegaram a atingir a fama. </span><a href="https://www.nba.com/jazz/news/womens-basketball-pioneer-lusia-harris-left-legacy-wont-be-forgotten"><span style="font-weight: 400;">Harris</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das pioneiras do basquete feminino, liderou três vitórias consecutivas de seu time no campeonato nacional norte-americano, sendo a única integrante negra da equipe, foi medalhista olímpica e a primeira e única mulher oficialmente convocada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">NBA</span></i><span style="font-weight: 400;">, maior e mais importante liga dos Estados Unidos. Ainda assim, seu nome </span><a href="https://www.nba.com/news/the-queen-of-basketball-why-have-we-never-heard-of-lusia-harris"><span style="font-weight: 400;">pouquíssimo é conhecido</span></a><span style="font-weight: 400;"> até pelas pessoas envolvidas com o esporte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022 como Melhor Documentário em Curta-Metragem, </span><a href="https://ge.globo.com/basquete/noticia/morre-lusia-harris-unica-mulher-a-ter-sido-draftada-pela-nba.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Lusia Harris</span></a><span style="font-weight: 400;">, que faleceu no começo do ano, é colocada frente a câmera para contar sua própria trajetória. Durante os 22 minutos, os depoimentos dela são misturados a recortes de notícias e de gravações de jogos e entrevistas da época, no que a montagem de Stephanie Owens e Ben Proudfoot se destaca. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vPFkcoTfr7g"><i><span style="font-weight: 400;">The Queen of Basketball</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">luta contra o apagamento da história da Rainha do Basquete, e venceu em Melhor Curta-Metragem Documental no <em>Critics Choice Documentary Awards</em>, chegando com reconhecimento ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26964" aria-describedby="caption-attachment-26964" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir.jpg" alt="Cena do curta Três Canções para Benazir. A cena mostra um casal, um homem e uma mulher, sorrindo na chuva. Eles vestem roupas escuras e o cenário é de montanhas e rochas." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tres-cancoes-para-benazir-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26964" class="wp-caption-text">Três Canções Para Benazir é uma das joias dos curtas do Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Três Canções Para Benazir (Three Songs for Benazir)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das costumeiras histórias de guerras e tragédias que são contadas sobre os países não-ocidentais nos cinemas pelo mundo, </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81562326?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Três Canções Para Benazir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se dedica a registrar uma narrativa sobre amor. Em seu país natal, o diretor afegão Gulistan Mirzaei e sua companheira Elizabeth Mirzaei escolhem retratar em 22 minutos de tela a vida de Shaista Khan e Benazir Khan, marcada pela incerteza de existir em um lugar cujo sentimento de identificação é tão profundo quanto o de insegurança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem precisar de muito, o trabalho próximo e sensível dos diretores constrói um filme indescritivelmente singelo. Em cenas cotidianas, assistimos um contexto do interior do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fFdDSDI5JHw"><span style="font-weight: 400;">Afeganistão</span></a><span style="font-weight: 400;"> através das tentativas de construção de vida de um jovem casal que conserva seus sonhos à mesma medida que contorna seus infortúnios. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Três Canções Para Benazir</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consolida como uma das composições mais belas da seleção de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem de 2022. </span><b>&#8211;</b> <b>Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26965" aria-describedby="caption-attachment-26965" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies.jpeg" alt="Cena do documentário When We Were Bullies. Na fotografia retangular colorida, vemos um homem branco com os dois joelhos apoiados nos vãos de um portão de ferro de cor preta. Ele está escalando esse portão, e segura com as duas mãos em um muro de tijolos lateral. Esse homem possui cabelos brancos, veste camiseta, calça e sapatos de cor preta, e está com a cabeça abaixada, em direção ao muro. Na parte à direita da foto, vemos uma grade metálica em cor cinza. Ao fundo, um prédio de tijolos em cor laranja. " width="1300" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies.jpeg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/When-We-Were-Bullies-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26965" class="wp-caption-text">Revisitando o passado, When We Were Bullies relata um episódio marcante de bullying, através da ótica pessoal de Jay Rosenblatt como um ex-valentão, e mostra as consequências do ato que ocorreu em 1965 (Foto: Stefilm International)</figcaption></figure>
<p><b>When We Were Bullies</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HcFJPTj94aM"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), trabalho multifacetado e biográfico do documentarista experimental Jay Rosenblatt, o acaso se mistura às memórias dolorosas de um episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, ocorrido há mais de 50 anos. Diferentemente do que se possa imaginar, o curta de 36 minutos se desenvolve através do lado dos agressores, que à época eram apenas crianças sem perspectiva motivadas por um efeito manada. Conforme vamos descobrindo mais sobre o caso – o diretor entrevista, próximo ao final do filme, uma ex-professora com mais de 90 anos –, percebemos a dimensão que a violência causou em todos os envolvidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio da memória foi puxado em 1992, quando Rosenblatt estava desenvolvendo um outro curta-metragem, </span><a href="https://www.jayrosenblattfilms.com/smell_of_burning_ants.php"><i><span style="font-weight: 400;">The Smell of Burning Ants</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994). Procurando um dublador para o filme, ele encontrou Richard Silberg, um colega de classe na quinta série da escola primária. Além dessas coincidências iniciais, ambos foram marcados pelo episódio específico de violência, no qual a sala, coletivamente, agrediu um outro aluno, também chamado Richard. Sobre esse fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies </span></i><span style="font-weight: 400;">se propõe a encontrar uma resposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a história é contada de forma simples. Há uma colagem de imagens de época – um dos truques favoritos do diretor –, com pequenos vídeos de registro e fotos institucionais, intercalados com os depoimentos. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> propiciada pelo filme se perde em meios ao sentimentalismo inconclusivo, pois, embora seja a tentativa de interpretação de um comportamento que, à época, pareceu espontâneo, o curta também se perde na mesma distância que separa o ocorrido do presente. Essa visão </span><i><span style="font-weight: 400;">assombrológica </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado não oferece possibilidade de resolução, tornando o filme apenas uma versão de memórias gravadas, que tem seu impacto destrutivo amortecido pelo efeito do tempo. Paira a sensação de que o diretor queria se sentir bem de novo em relação ao passado, colocando-se em pé de igualdade com a verdadeira vítima. Isso se reflete na conclusão do filme, que parece apontar para uma redenção, embora não dê o devido espaço para o agredido. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>As Mulheres da 6ª Mostra de Cinema Feminista</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2021 19:15:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se não a Arte, quem é que vai ter coragem de refletir sobre o que é ser mulher em 2021? Essa foi a conclusão da nova experiência do Persona, que se dedicou a acompanhar a 6ª Mostra de Cinema Feminista. Do dia 14 de agosto ao dia 3 de setembro, a internet nos permitiu fazer &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Mulheres da 6ª Mostra de Cinema Feminista"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22888" aria-describedby="caption-attachment-22888" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22888" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/mostrafeministadecinemawordpress-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/mostrafeministadecinemawordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/mostrafeministadecinemawordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/mostrafeministadecinemawordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22888" class="wp-caption-text">De 14 de agosto a 3 de setembro, as colaboradoras, redatoras e editoras do Persona estudaram as múltiplas óticas que compreendem o que é ser mulher através das obras da 6ª Mostra de Cinema Feminista (Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se não a Arte, quem é que vai ter coragem de refletir sobre o que é ser mulher em 2021? Essa foi a conclusão da nova experiência do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, que se dedicou a acompanhar a </span><b>6ª Mostra de Cinema Feminista</b><span style="font-weight: 400;">. Do dia 14 de agosto ao dia 3 de setembro, a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos permitiu fazer parte de mais um encontro para pensar e apreciar o Cinema de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e gratuita. Depois de flutuar pelo que existe de mais </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">diverso</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantástico</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">inventivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">maravilhoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Sétima Arte, encaramos uma perspectiva específica e nada leviana: a da mulher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sempre, o Persona se manifesta como uma iniciativa jornalística expressamente contrária a toda e qualquer forma de </span><a href="https://www.geledes.org.br/preconceito-e-o-feminismo/"><span style="font-weight: 400;">preconceito</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/transexuais-lutam-para-serem-reconhecidas-como-mulheres?amp"><span style="font-weight: 400;">discriminação</span></a><span style="font-weight: 400;">. A premissa de falar sobre feminismo em 2021 é apenas uma: que este termo compreenda </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLPZ4y7b7MwOs-yXREj3IPrPRGyc-iCj7q"><span style="font-weight: 400;">a mulher em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, as colaboradoras, redatoras e editoras do Persona mergulharam na seleção vasta da 6ª Mostra de Cinema Feminista, composta por </span><a href="https://cinecipo.files.wordpress.com/2021/08/programacao-6a-mostra-de-cinema-feminista-virtual_compressed.pdf?tpclid=facebook.IwAR1_7u6xN7bQlmDEq2jSYZCNyZnOOINjE_v7af99TB-jtsanf32RVdNZLA0"><span style="font-weight: 400;">126 filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> nacionais e internacionais, e acompanhada por 5 debates que refletiram sobre a produção cinematográfica contemporânea.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Mostra de Cinema Feminista é realizada pela </span><a href="https://www.instagram.com/coletivamalva/"><span style="font-weight: 400;">Coletiva Malva</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde 2015, sob o objetivo de construir um espaço de fruição e fomento ao audiovisual realizado por mulheres cis e trans, pautando debates raciais, de gênero, histórias sobre amores e paixões, relações familiares, sociais, econômicas, históricas e culturais. E no ano de 2021, em sua sexta edição, a realização não fugiu à premissa central de sua concepção: explorar os muitos temas que nascem da combinação do Cinema com os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=08A7PD-frxo&amp;list=PLPZ4y7b7MwOs-yXREj3IPrPRGyc-iCj7q&amp;index=3"><span style="font-weight: 400;">Feminismos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De </span><a href="https://www.geledes.org.br/o-que-e-ser-menina-no-brasil-desigualdade-de-genero-desde-infancia/"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jovens, de adultas à </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/o-feminismo-e-a-mulher-idosa/"><span style="font-weight: 400;">idosas</span></a><span style="font-weight: 400;">; entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">personalidades históricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e existências ordinárias; diante de mulheres reais ou inventadas; doces ou salgadas, azedas ou amargas; seja para rir ou para chorar, para sonhar ou para realizar, vivendo suas liberdades ou estudando suas prisões, </span><b>Ana Júlia Trevisan, Ayra Mori, Gabriela Reimberg, Gabrielli Natividade, Júlia Paes de Arruda, Ma Ferreira, Mariana Chagas, Raquel Dutra </b><span style="font-weight: 400;">e</span><b> Vitória Lopes Gomez</b><span style="font-weight: 400;"> assistiram 34 filmes da seleção da 6ª Mostra de Cinema Feminista, para agora estudar muitos aspectos da imensidão do ser mulher.</span></p>
<p><span id="more-22745"></span></p>
<h3><strong>Curtas-metragens</strong></h3>
<figure id="attachment_22839" aria-describedby="caption-attachment-22839" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rebu.png" alt="Fotografia mostrada em uma cena do documentário Rebu. Na foto desbotada, ao centro, vemos a diretora e protagonista Mayara Santana quando criança, vestindo uma fantasia branca de princesa e uma coroa dourada, com as mãos na cintura e olhando para a câmera." width="816" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rebu.png 816w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rebu-800x502.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rebu-768x482.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22839" class="wp-caption-text">Rebu foi pensado e lançado como uma websérie no formato IGTV no Instagram antes de chegar a mostras e festivais (Foto: Mayara Santana)</figcaption></figure>
<p><b>Rebu (Idem, Mayara Santana, Brasil, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“A minha intenção é ser um belo de um caminhãozão, com um belo de um retrovisor olhando pra frente e pra trás”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos 22 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebu &#8211; A Egolombra de uma Sapatão Quase Arrependida</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora Mayara Santana busca a si mesma ao se apresentar e documenta seus sentimentos e </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/dia-do-orgulho-lgbtqia-o-amor-livre-nas-telas/188465/"><span style="font-weight: 400;">vivências</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto mulher preta e lésbica. Em </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/orgulho-lgbtqia-filmes-e-series-pernambucanas-que-abordam-sexualidade/144247/"><span style="font-weight: 400;">primeira pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta é uma tela em branco e a cineasta vira a musa, a protagonista e a narradora da própria história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um jeito descontraído e intimista, Mayara não hesita em olhar para trás antes de olhar para frente. Reconhecer as semelhanças com o pai, por exemplo, é o ponto de partida para que ela entenda seus próprios comportamentos e como a relação a influenciou em outros relacionamentos, os quais ela recorda. Tudo isso fora o machismo, a homofobia e o racismo que não se desassociam de suas vivências. Entre erros e acertos, ela admite a culpa e se perdoa ao se entender em sua totalidade. </span><a href="https://vimeo.com/395061476"><i><span style="font-weight: 400;">Rebu</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que diga, e que difícil se entender. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_22840" aria-describedby="caption-attachment-22840" style="width: 1931px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22840" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura.png" alt="Cena de Como ficamos da mesma altura. Fotografia em paisagem, com bordas laterais pretas. Ao centro estão Laura e seu pai, sentados um ao lado do outro de pernas cruzadas. Entre eles, há uma porta, um espaço. A fachada da porta é cinza e a rua é inclinada. Laura veste uma blusa vermelha, shorts e tênis preto. O pai veste uma camisa cinza, calça bege e sapatos pretos. Ele também segura uma coroa de flores. Ambos olham para a frente." width="1931" height="1087" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura.png 1931w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/como-ficamos-da-mesma-altura-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22840" class="wp-caption-text">Dirigido por Laís Santos Araújo, o curta integrou a Seleção Oficial do Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR, International Film Festival Rotterdam) [Foto: Aguda Cinema]</figcaption></figure><b>Como ficamos da mesma altura (Idem, Laís Santos Araújo, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No interior de Alagoas, Laura (desgostosamente) perde uma festa com os amigos para acompanhar o pai numa viagem à cidade natal, na qual ocorrerá a missa de um ano de falecimento do tio. Chegando lá, ela é deixada sozinha pelo pai na maior parte do tempo, e quando juntos, a desavença é certa. A adolescente se mostra inquieta, questionando a relevância de sua presença na viagem, que parece ser completamente dispensável. Através dos vazios gritantes das cenas, a diretora Laís Santos Araújo acentua ainda mais a distância presente entre ambos. E sem saber se comunicar um com o outro, enfim, em silêncio, os espaços são reduzidos a partir do momento que pai e filha se compreendem, </span><a href="https://youtu.be/55eEA5-bkfs"><span style="font-weight: 400;">atingindo a mesma altura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_22841" aria-describedby="caption-attachment-22841" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua.png" alt="Cena do curta-metragem animação Ailin no mundo da lua. Ailin é uma menina branca, que está vestindo uma blusa vermelha e uma bermuda azul, seu cabelo é castanho, com uma franja e amarrado nas laterais. A garota está com os braços cruzados e brava. Está sentada em uma bola confeccionada com sucatas, a lua da narrativa, ao fundo se encontra um ambiente que remete ao universo, um mesclado de tons azuis e pretos com traços luminosos." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Ailin-no-mundo-da-lua-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22841" class="wp-caption-text">Ailin no mundo da lua é prova de que as relações entre mãe e filha podem ser complicadas e sensivelmente mágicas (Foto: El Molinete Animation)</figcaption></figure>
<p><b>Ailin no mundo da lua (Ailin en la luna, Claudia Ruiz, Argentina, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ailin é uma garota feliz que brinca com seu balão vermelho e se preocupa em comer deliciosos biscoitos. Sua mãe, no entanto, é uma mulher sobrecarregada: seu trabalho, o trabalho doméstico, cuidar da filha e o trabalho que leva para casa. As duas discutem e Ailin é mandada ao mundo da lua, ou melhor dizendo, seu quarto. Em 5 minutos, acompanhamos algumas horas da vida das personagens que entram em conflito, mas o que sabemos vai além do que nos é mostrado. A escolha narrativa de apresentar a história ao final do dia, demonstra a sensibilidade do curta ao discutir a </span><a href="https://www.geledes.org.br/o-que-eles-chamam-de-amor-nos-chamamos-de-trabalho-nao-pago-diz-silvia-federici/"><span style="font-weight: 400;">pesada jornada de mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> que criam suas filhas sozinhas e que mesmo com as adversidades familiares não deixam de dar carinho, atenção e amor aos filhos. &#8211; </span><b>Ma Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_22842" aria-describedby="caption-attachment-22842" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre.png" alt="Cena do curta animado Lé com Cré. Uma garota de massinha, está próxima da câmera, sentada numa poltrona rosa com duas almofadas em cada lado, uma azul escuro com detalhes em preto e outra verde, com manchas de onça rosa. A garotinha é negra, de cabelos cacheados e sobrancelhas ruivos, com os dois dentes superiores aparentes. Ela está sorrindo e veste um vestido verde, com detalhes beges nos cotovelos e nas mangas. Suas mãos estão abertas, apoiadas no colo. O fundo é desfocado. É possível enxergar, no canto inferior esquerdo, um balde amarelo com flores amarelas. Ao lado, uma escrivaninha marrom com três gavetas com um monitor branco ligado, uma luminária pequena e um globo. A escrivaninha está abaixo de uma janela, aberta. No canto superior direito, há um abajur quadriculado aceso, com cores alaranjadas. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Le-com-Cre-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22842" class="wp-caption-text">Em Lé com Cré, cada criança entrevistada virou um personagem em stop motion, escolhidos por elas mesmas: Dora, a aventureira, Cinderela, Princesa Ruiva, Cachorro, Elefante, Artista e Adulto (Foto: Play It Again Som &amp; Imagem)</figcaption></figure>
<p><b>Lé com Cré (Idem, Cassandra Reis, Brasil, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Leve, puro e simpático. Essas três palavras poderiam ser a tradução do curta-metragem </span><a href="http://www3.eca.usp.br/noticias/aluna-do-ctr-ganha-pr-mio-em-duas-categorias-do-anima-mundi"><i><span style="font-weight: 400;">Lé com Cré</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">vencedor do prêmio de Melhor Curta Infantil no Anima Mundi de 2018, o maior evento internacional de Animação da América Latina. Segundo o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2012/12/veja-como-algumas-girias-do-passado-sao-usadas-nos-dias-de-hoje-3972688.html#:~:text=Estouro%20%C3%A9%20um%20sin%C3%B4nimo%20fora,n%C3%A3o%20dizer%20Coisa%20com%20coisa."><span style="font-weight: 400;">ditado popular</span></a><span style="font-weight: 400;">, a expressão lé com cré significa não dizer “coisa com coisa”. Durante seus apenas 5 minutos, a espontaneidade e a gentileza são os marcos principais dos depoimentos das crianças que expressam suas opiniões </span><a href="https://herdeirosdoamanhadoc.wixsite.com/herdeirosdoamanha"><span style="font-weight: 400;">extremamente sinceras</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre dinheiro, medo e “coisas de menino e menina”. Só pelo fato das personagens terem sido transformadas em “massinha”, a animação consegue manter o clima de inocência mesmo falando sobre tópicos complexos. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_22843" aria-describedby="caption-attachment-22843" style="width: 1911px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22843 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda.png" alt="Cena do curta Brasil x Holanda. A cena mostra o foco no rosto de uma garota jovem e branca, de cabelos pretos, olhando diretamente para o rosto de um homem mais velho." width="1911" height="1033" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda.png 1911w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/brasil-holanda-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22843" class="wp-caption-text">A diretora Caroline Biagi ri de quem ainda duvida que futebol é coisa de menina, mas não do jeito que você está pensando (Foto: Grafo Audiovisual)</figcaption></figure>
<p><b>Brasil x Holanda (Idem, Caroline Biagi, Brasil, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a Copa do Mundo de 1994. O Brasil avança no campeonato e uma das famílias que acompanham a seleção é a de Marina, que vai dar uma festa de casamento no dia do confronto Brasil x Holanda pelas quartas de final. Então, a menina de 13 anos viaja com o pai e a mãe para celebrar o dia mais importante da vida de sua irmã, por quem ela conserva uma admiração religiosa. É quando </span><a href="http://primeirainfancia.org.br/wp-content/uploads/2015/03/1-por_ser_menina_resumoexecutivo2014.pdf"><span style="font-weight: 400;">Marina</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende que as coisas no mundo dos adultos são muito mais estranhas e frustrantes do que ela imaginava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa de </span><a href="https://mulheresaudiovisual.com.br/caroline-biagi"><span style="font-weight: 400;">Caroline Biagi</span></a><span style="font-weight: 400;"> se inicia de forma simples, tomando fôlego à medida em que a pequena protagonista se reconhece no ambiente. E a sensação que Marina tem durante esse processo é de uma contida inquietação, que brota da sua inteligência e sensibilidade de jovem mulher. Nesse ritmo, todas as instâncias do filme a seguem, desenvolvendo-se de forma imersiva, e amadurecendo uma narrativa de forma inversamente proporcional ao sentido da história. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Futebol é coisa de menina?</span></i><span style="font-weight: 400;">” podem perguntar eles. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não imagina o quanto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, responde </span><i><span style="font-weight: 400;">Brasil x Holanda</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_22889" aria-describedby="caption-attachment-22889" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22889 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-800x422.jpg" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1-1200x633.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtageni1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22889" class="wp-caption-text">Mostrando uma mulher de 60 anos em busca de seus direitos, Geni foi produzido com uma equipe 100% feminina (Foto: Thais Taverna)</figcaption></figure>
<p><b>Geni (Idem, Cecilia Engels, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele é um dos maiores ídolos da Música brasileira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Suas composições são amadas dentro e fora do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Era isso que Geni ouvia diariamente nas rádios quando algum clássico de Fran Lopes estava prestes a tocar. A realidade? Ela é a verdadeira artista por trás daquelas canções, Lopes é apenas o</span><i><span style="font-weight: 400;"> showman</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após anos de prisão numa parceria onde apenas um tinha o reconhecimento, Geni começa sua luta, não por dinheiro, mas por direito. Geni entende que não deve mais se deixar calar, que deve falar por si própria. Geni amadureceu, compreendeu que a sociedade mudou e que agora ela tem voz, que não precisa mais de um homem para falar. </span><a href="https://www.facebook.com/curta.geni/videos/m%C3%BAsicas-do-filme/2260114040972757/"><span style="font-weight: 400;">Bendita seja Geni!</span></a> <b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<p><figure id="attachment_22844" aria-describedby="caption-attachment-22844" style="width: 1365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029.png" alt="Cena do documentário Rua Augusta, 1029. A imagem é capturada à noite, da janela do prédio ocupado pela Frente de Luta por Moradia (FLM), por onde vemos carros de polícia enfileirados lado a lado, com as sirenes ligadas. No primeiro carro, localizado do lado de um poste com uma placa de “proibido estacionar”, um policial procura algo dentro da viatura. " width="1365" height="767" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/rua-augusta-1029-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22844" class="wp-caption-text">A iniciativa da Frente de Luta por Moradia (FLM) em ocupar prédios abandonados no centro de São Paulo, em 2016, se deu depois da proposta da PEC 241, que restringia gastos públicos em educação e saúde [Foto: Mirrah da Silva]</figcaption></figure><b>Rua Augusta, 1029 (Idem, </b><b>Mirrah Iañez</b><b>, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cru e hiper-realista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua Augusta, 1029</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma experiência imersiva que nos leva para dentro de uma ocupação por moradia em São Paulo, em especial, na noite em que os militantes da Frente de Luta por Moradia (FLM) resistem à violência policial do despejo. O uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i><span style="font-weight: 400;"> (câmera em primeira pessoa) consegue criar a mesma atmosfera dos </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2020/06/cinema-entenda-o-genero-found-footage-os-filmes-perdidos-atraves-de-5-classicos.html"><span style="font-weight: 400;">clássicos filmes de horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos, despertando, no telespectador, o sentimento de angústia de parecer estar na pele dos personagens. A diferença é que, aqui, tudo é verídico e não há um final feliz quando a polícia existe para proteger o patrimônio privado, e não os protagonistas vulneráveis. Afinal, como o próprio comandante da expedição diz aos sem-teto: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Não interessa quantas famílias moram aí.</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; </span><b>&#8211; Gabriela Reimberg</b></p>
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<figure id="attachment_22845" aria-describedby="caption-attachment-22845" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/lesbicaenrustida.jpg" alt="Capa do filme lésbica enrustida. Nela está a imagem espelhada de uma vagina sendo masturbada. Por cima está o texto “lésbica ENRUSTIDA” em preto com borda azul e o texto “closed LESBIAN” de preto com borda Roxa. Em baixo, está “Bia Lee” escrito em preto." width="650" height="489" /><figcaption id="caption-attachment-22845" class="wp-caption-text">Para uma garota que viveu um tempo curto demais fora do armário (Foto: Bia Lee)</figcaption></figure>
<p><b>Lésbica Enrustida (Closed Lesbian, Bia Lee, Brasil, 2020)</b></p>
<p><a href="https://ne-np.facebook.com/digofestival/videos/recado-da-diretora-de-l%C3%A9sbica-enrustida-bia-lee-2020-6-fic%C3%A7%C3%A3o-sp-isso-%C3%A9-uma-cart/2015036478632945/"><span style="font-weight: 400;">Bia Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> explora sexualidade na obra de pequenos 6 minutos. Em cima de um fundo com duas mulheres transando, uma imagem espelhada e muitas vezes difícil de enxergar, a produtora do curta escreve suas experiências crescendo lésbica e descobrindo o prazer fantasiando sobre mulheres. Dedicado a uma antiga amiga que cometeu suicídio, </span><a href="https://ne-np.facebook.com/digofestival/posts/1995333053936621/"><i><span style="font-weight: 400;">Lésbica Enrustida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">é uma carta de amor tardia, são desculpas tardias, é um adeus tardio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como diz Lee nos últimos segundos do filme. </span><b>&#8211; Mariana Chagas </b></p>
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<figure id="attachment_22846" aria-describedby="caption-attachment-22846" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22846" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/mare.png" alt="Cena do curta Maré. No centro da imagem está a mãe de Patrícia e Diguinha, é uma mulher preta de meia idade, sua cabeça está virada para o lado direito da imagem e sua expressão é séria. Ela usa um vestido simples, preto e com estampa de flores e folhas, em sua cabeça está um turbante verde piscina. Atrás de si há uma parede descascada da mesma cor de seu turbante e em seu ombro esquerdo estão dois periquitos." width="701" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-22846" class="wp-caption-text">Maré nasce da dor de uma mãe que aguarda o retorno incerto de suas filhas (Foto: Eparrêi Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Maré (Idem, Amaranta César, Brasil, 2018</b><b>)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/especiais/top-2018-os-melhores-curtas-brasileiros-do-ano/mare-de-amaranta-cesar/"><i><span style="font-weight: 400;">Maré</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra sua força em diversos aspectos. Com uma narrativa calma, com poucas personagens (todas femininas), sem muitas falas e com uma fotografia impressionante, a diretora </span><a href="https://www.coloquio.poeticasdaexperiencia.org/amaranta-cesar-2/"><span style="font-weight: 400;">Amaranta César</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha lindamente a história melancólica de uma mãe que tem suas duas filhas perdidas no manguezal de sua comunidade. Amaranta faz também uma bela relação entre a visão de três gerações de mulheres da região: uma senhora, uma mulher de meia idade e duas crianças. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maré </span></i><span style="font-weight: 400;">retrata toda a ancestralidade presente na comunidade quilombola do interior da Bahia, no modo de vida das moradoras, no seu modo de vestir e na sua religião &#8211; a cena em que as mulheres fazem sua vigília clamando por </span><a href="https://www.significados.com.br/oxala/"><span style="font-weight: 400;">Oxalá</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das responsáveis pelo tom quase mágico que o curta toma. O filme apresenta também uma denúncia forte à herança da escravidão: </span><i><span style="font-weight: 400;">“dizem que a escravidão já acabou, quem disse que acabou? Continua aí, só não vê quem não quer”</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo um curta intenso que tem muito a dizer. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva</b></p>
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<figure id="attachment_22875" aria-describedby="caption-attachment-22875" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/cabeca-de-rua.jpg" alt="Cena do curta-metragem Cabeça de Rua. Da esquerda para a direita na imagem, na rua, vemos a prima de Célia, uma mulher branca, aparentando seus 30 anos, usando um boné branco virado para trás e uma camisa de futebol amarela e preta, e Célia, uma mulher branca, aparentando seus 40 anos, vestindo um colete verde com as palavras “lavador de carro” e um número embaixo." width="650" height="508" /><figcaption id="caption-attachment-22875" class="wp-caption-text">Os créditos de Cabeça de Rua sobem ao som da canção <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Wns7LMUa5I">Lésbica Futurista</a> (Foto: Luís Oliveira)</figcaption></figure>
<p><b>Cabeça de Rua (Idem, Angélica Lourenço, 2019, Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Célia é lavadora de carros, entende das manhas do trabalho e é conhecida na região. Logo no começo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I-gbs-wRJlc"><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Rua</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se prepara para passar o ponto do negócio para a prima ao receber uma proposta de emprego formal, mas deixar seu posto de anos para um novo desafio a enche de dúvidas e inseguranças. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atriz Cora Rufino, que interpreta a lavadora, não precisa verbalizar muito para transmitir a incerteza da personagem, a linguagem corporal da atriz basta para torná-la a força motriz do curta. Em um cenário dinâmico, com uma filmagem naturalista e só com duas personagens, a diretora </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCwINPV0Cc_bJ_MMXdNFOqWw"><span style="font-weight: 400;">Angélica Lourenço</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Rua </span></i><span style="font-weight: 400;">uma crônica, com um pouco que vira muito. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_22847" aria-describedby="caption-attachment-22847" style="width: 1930px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente.png" alt="Cena de À beira do planeta mainha soprou a gente, dirigido por Bruna de Barros e Bruna Castro. Fotografia em paisagem. Imagem aproximada das mãos de Bruna acariciando as costas da outra Bruna, sem ser possível distinguir quem é quem. O fundo da imagem é roxo escuro." width="1930" height="1085" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente.png 1930w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-beira-do-planeta-mainha-soprou-a-gente-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22847" class="wp-caption-text">O amor sapatão de À beira do planeta mainha soprou a gente atravessou o mundo, integrando <a href="https://www.instagram.com/p/CJedVQUFgTR/?utm_medium=copy_link">seleções de Cinema do Brasil à França</a> (Foto: Bruna Barros e Bruna Castro)</figcaption></figure>
<p><b>À beira do planeta mainha soprou a gente (Idem, Bruna Barros e Bruna Castro, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um poema, </span><a href="https://www.instagram.com/abeiradoplanetafilme/"><span style="font-weight: 400;">Bruna e Bruna</span></a><span style="font-weight: 400;"> exploram o amor através de recortes de uma montagem encantadora. Dirigido por duas mulheres que amam e se amam, </span><a href="https://youtu.be/6GVKszns3Do"><i><span style="font-weight: 400;">À beira do planeta mainha soprou a gente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um autorretrato cheio de lirismo, seja pela narrativa proferida em versos, seja pelas sutilezas presentes nos detalhes do cotidiano, registrado entre descobertas de novas pintinhas uma pela outra. Como sapatonas, ambas se debruçam sobre o reconhecimento da própria identidade, sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">sem receio, para as mães e para si mesmas. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sei ser resignada. Eu quero o mundo inteiro. Eu quero o orgulho. Eu quero doçura pintando meu nome. Me quero inteira nas suas palavras.</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_22848" aria-describedby="caption-attachment-22848" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E.png" alt="Cena do curta-metragem E. Na imagem está a personagem Mariana, uma pessoa branca de cabelos raspados, com uma expressão séria, ela tem os lábios pintados com batom vermelho e a parte inferior do rosto pintada de preto como se fosse uma barba. Ao fundo dela está uma paisagem urbana desfocada. A câmera está focada na lateral do rosto." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/E-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22848" class="wp-caption-text">E é um grande manifesto pelo combate à construção social de gênero (Foto: Bianca de Sá)</figcaption></figure>
<p><b>E (Idem, Bianca de Sá e Mariana Zande, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste poema performado, acompanhamos Mariana, que não quer ser mais A e também não quer ser O. De maneira sensível e crítica, as frases narradas contam a história e pensamentos de Mariana, uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">pessoa, que não quer ser homem, nem mulher, mas se quiser pode&#8221;. </span></i><span style="font-weight: 400;">Todas as questões de gênero que a personagem enfrenta diariamente são a pauta da reflexão aqui proposta. Os banheiros, os pelos presentes ou não no corpo, a que margem do rio, ou mesmo qual rio quer se banhar e navegar, são parte das divagações apresentadas </span><a href="https://outraspalavras.net/sem-categoria/judith-butler-queer-para-um-mundo-nao-binario/"><span style="font-weight: 400;">acerca da não-binariedade</span></a><span style="font-weight: 400;">. De maneira comovente, </span><i><span style="font-weight: 400;">E</span></i><span style="font-weight: 400;">, em menos de 2 minutos, consegue quebrar os padrões de gênero socialmente estabelecidos e ser um grande manifesto à vida. </span><b>&#8211; Ma Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_22849" aria-describedby="caption-attachment-22849" style="width: 1353px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico.png" alt="Cena do curta animado Vivi Lobo e o quarto mágico. Sob um fundo azul marinho estampado estilo papel de parede, estão ao centro Vivi e sua mãe, abraçadas. Vivi é uma garota branca, de cabelos cacheados pretos compridos. Ela usa uma blusa e uma tiara azul piscina. Sua mãe é negra, de cabelos cacheados curtos. Ela usa um suéter amarelo mostarda e uma faixa de nó salmão. Atrás das duas, ao centro, está uma lua bem próxima da câmera e ramos de folhagens verdes. " width="1353" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico.png 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico-1024x533.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico-768x400.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Vivi-Lobo-e-o-quarto-magico-1200x624.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22849" class="wp-caption-text">O curta Vivi Lobo e o quarto mágico foi baseado num livro de mesmo nome, resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de Isabelle Santos para bacharel em Comunicação Social &#8211; Publicidade e Propaganda (Foto: Julieta Audiovisual)</figcaption></figure>
<p><b>Vivi Lobo e o quarto mágico (Idem, Isabelle Santos e Edu MZ Camargo, Brasil, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“[&#8230;] a absorção dos papéis de gênero pelas crianças e como elas, à sua maneira, representam a si e ao outro” </span></i><span style="font-weight: 400;">foi o que Isabelle escreveu no </span><a href="https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/48562"><span style="font-weight: 400;">resumo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu Trabalho de Conclusão de Curso, que teve como projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Vivi Lobo e o quarto mágico</span></i><span style="font-weight: 400;">. De forma simples, mas bem trabalhada, o curta fala sobre autoaceitação e sobre os estereótipos de gênero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivi é alvo de chacota na escola por seus colegas de classe por seu sobrenome, Lobo, tão ligado à figura masculina. Tendo por base o </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/16/mulheres-que-correm-com-os-lobos-long-seller-ganha-folego-na-pandemia.htm"><span style="font-weight: 400;">livro de Clarissa Pinkola Estés</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inspirações de poderosas mulheres como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-40471454"><span style="font-weight: 400;">Frida Kahlo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a jogadora </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-57950650"><span style="font-weight: 400;">Marta Silva</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção não falha em trazer encanto, sutileza e empoderamento para as meninas sobre um tema sensível. Ainda que seus minutos sejam reduzidos, são extremamente preciosos e carismáticos. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_22850" aria-describedby="caption-attachment-22850" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/quando-elas-cantam.jpg" alt="Cena do curta Quando elas cantam. A cena mostra 3 mulheres negras, sentados em carteiras escolares, cantando sorrindo, olhando umas para as outras." width="1080" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/quando-elas-cantam.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/quando-elas-cantam-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/quando-elas-cantam-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/quando-elas-cantam-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22850" class="wp-caption-text">O documentário Quando elas cantam teve um circuito notável em festivais nacionais e internacionais, como o 26ª Festival de Cinema de Vitória, e o X Festival Internacional de Cinema Etnográfico (Foto: Maria Fanchin)</figcaption></figure>
<p><b>Quando elas cantam (Idem, Maria Fanchin, Brasil, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como pensar sobre liberdade quando se está presa? Essa é a pergunta que a diretora </span><a href="https://www.instagram.com/mariafanchin/"><span style="font-weight: 400;">Maria Fanchin</span></a><span style="font-weight: 400;"> responde em </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando elas cantam</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao colocar seu curta dentro de um projeto musical realizado na penitenciária feminina da capital de São Paulo. O questionamento do documentário parte de um aspecto específico: segundo o Infopen Mulheres 2017, a população carcerária feminina do Brasil </span><a href="https://www.gov.br/depen/pt-br/sisdepen/mais-informacoes/relatorios-infopen/relatorios-sinteticos/infopenmulheres-junho2017.pdf/view"><span style="font-weight: 400;">cresceu 698%</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre 2000 e 2016; destas, quase 48% estão presas sem passar por um julgamento. Então, quando o filme se propõe a acompanhar parte da rotina daquelas mulheres entre maio de 2016 e agosto de 2017, só pode existir algo a ser abordado: a condição de privação de um direito fundamental ao ser humano de alguém que de já passou por uma vida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violências sistemáticas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme não faz juízo de valor algum e em nenhum momento importa saber o porquê elas estão ali. A ótica de análise é outra, muito mais profunda, e se estabelece junto da realização do projeto </span><a href="http://www3.eca.usp.br/eventos/voz-pr-pria-concerto-de-detentas-na-ead"><span style="font-weight: 400;">Voz Própria</span></a><span style="font-weight: 400;">, que direciona a energia daquelas mulheres encarceradas numa expressão possível de liberdade pela orientação de </span><a href="https://www.mpbnet.com.br/musicos/carmina.juarez/index.html#:~:text=Gra%C3%A7as%20%C3%A0%20sua%20voz%20afinada,a%20transformaram%20numa%20cantora%20diferenciada."><span style="font-weight: 400;">Carmina Juarez</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sem interferir no curso das coisas preciosas que acontecem naquela sala de aula 2h por semana, o documentário diz muito nas observações que faz daquelas pessoas que compreendem o momento como algo transcendental à sua situação. A Arte pode ser uma ferramenta poderosa de regeneração social. E a liberdade vem </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando elas cantam</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_22890" aria-describedby="caption-attachment-22890" style="width: 601px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22890" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esmaltecurta.png" alt="" width="601" height="346" /><figcaption id="caption-attachment-22890" class="wp-caption-text">Com entrevistas feitas pela diretora, o curta traz histórias pedagógicas de amor próprio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Esmalte Vermelho Sangue (Idem, Gabriela Altaf, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta chama a atenção por suas cenas de filmes dos anos oitenta, com mulheres em salões de beleza. Mas, basta poucos segundos para a produção mostrar que de boba não tem nada. As cenas são trocadas por tutoriais de beleza disponíveis no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube </span></i><span style="font-weight: 400;">e acompanhado pela voz de mulheres vítimas de violência doméstica, </span><a href="https://mobile.twitter.com/gabrielaaltaf/status/1310323680606552069?lang=bg"><span style="font-weight: 400;">dando seus depoimentos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infância muito difícil, passou fome, anos depois encontrou um cara bacana mas que batia nela e a ameaçava com faca. 8 anos de um casamento abusivo, abuso suxual e a primeira vez que foi no mercado após o divórcio, não sabia o que gostava de comer. Apanhou na lua de mel, o pai disse que o marido iria amadurecer, mas ele não amadureceu; continuou batendo e insinuando que ninguém acreditaria nas denúncias. Os mistos de sentimentos expressos no curta mostram a importância da </span><a href="http://uspmulheres.usp.br/rede-de-atendimento/"><span style="font-weight: 400;">rede de apoio</span></a><span style="font-weight: 400;"> para mulheres presas em relações abusivas. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_22851" aria-describedby="caption-attachment-22851" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/minhahistoria.png" alt="Cena de Minha história é outra.Uma mulher negra de cabelo raspado loiro vestindo shorts jeans e blusa estampada está tirando uma selfie com outra mulher negra de cabelo descolorido shorts jeans e camisa amarela amarrada na frente. Ambas estão de pé em uma cozinha azul clara." width="768" height="320" /><figcaption id="caption-attachment-22851" class="wp-caption-text">Quando além de lésbica se é negra e periférica, sua história é outra (Foto: Agoya Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Minha história é outra (Mariana Campos, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor entre mulheres negras é mais que uma história de amor? Essa é a pergunta que ronda o documentário dirigido por </span><a href="https://www.instagram.com/mhofilme/?hl=pt]"><span style="font-weight: 400;">Mariana Campos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O curta carioca discute o movimento LGBTQIA+ e como este exclui a </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/07/15/negros-sao-alvo-de-metade-dos-registros-de-violencia-contra-populacao-lgbt-no-brasil-diz-pesquisa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">negritude</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas pautas, transformando mulheres pretas e lésbicas em marginalizadas em seu próprio movimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Niázia abre as portas de sua casa para nos deixar assistir uma conversa sincera que tem com outra amiga sáfica sobre precisarem forçar uma feminilidade para terem um maior espaço no </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Work/noticia/2020/08/mesmo-velado-preconceito-contra-lesbicas-no-mercado-de-trabalho-ainda-e-entrave.html"><span style="font-weight: 400;">mercado de trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Leiane, namorada de Camila, reclama sobre o medo de demonstrar afeto na rua. As garotas conseguem, com simplicidade, trazer a tona assuntos tão delicados e importantes. </span><b>&#8211; Mariana Chagas</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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<figure id="attachment_22852" aria-describedby="caption-attachment-22852" style="width: 1944px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce.jpg" alt="Cena do filme As flores que guardei pra você. No lado direito da imagem é possível ver a silhueta de Ju, uma mulher ainda jovem. Ela está de perfil, sua cabeça está inclinada para cima, seus cabelos são lisos e ela usa um coque frouxo. Atrás de si há uma grande janela com vista para parte de alguns prédios da cidade e o céu de um início de anoitecer. " width="1944" height="1092" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce.jpg 1944w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/as-flores-que-guardei-pra-voce-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22852" class="wp-caption-text">Uma dançarina em busca de uma nova vida (Foto: Aogue Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>As flores que guardei pra você (Idem, Gabi Saegesser, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem </span><a href="https://www.facebook.com/asfloresqueguardeipravocefilme/"><i><span style="font-weight: 400;">As flores que guardei pra você</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">traz um mistério que com certeza prende o espectador. Ju, uma garota simples, que mora em um pequeno apartamento tradicional com dois gatinhos e que tem o sonho de ser bailarina, precisa se mudar e começar sua vida em outro lugar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora Gabi Saegesser traz uma estética muito bonita, a baixa iluminação da grande maioria das cenas e o fato de ser quase impossível ver o rosto da protagonista causa um ar intrigante no curta. Além, claro, dos trechos de poesia lidos ao longo dos 18 minutos e da cena final que encerra a história de forma muito agradável. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva</b></p>
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<figure id="attachment_22853" aria-describedby="caption-attachment-22853" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Angela.jpg" alt="Cena do curta-metragem ngela. O cenário da é uma cozinha mal-iluminada em que, da esquerda para a direita, vemos um porta retrato pendurado na parede, uma geladeira com ímãs e potes em cima, uma janela com cortinas fechadas e uma pia com utensílios para fazer café. Ao centro no primeiro plano da foto, vemos a protagonista ngela, uma mulher que aparenta estar na casa dos sessenta anos, de cabelos brancos, usando um vestido marrom e óculos de grau, sentada à mesa lendo livros." width="650" height="447" /><figcaption id="caption-attachment-22853" class="wp-caption-text">Desde seu lançamento em 2019, Ângela já passou por vários festivais e mostras, inclusive em plataformas de streaming, como a MUBI (Foto: Ipê Rosa Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Ângela (Idem, Marília Nogueira, Brasil, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ângela</span></i><span style="font-weight: 400;"> esbanja simplicidade e afeto ao refletir sobre o envelhecimento. A protagonista homônima, brilhantemente interpretada pela igualmente </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/teuda-bara-completa-80-anos-e-se-declara-ao-teatro-e-tudo-na-minha-vida-1.2431479"><span style="font-weight: 400;">brilhante Teuda Bara</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma sexagenária que vive na sua rotina de consultas e receitas médicas. Em uma casa que poderia muito bem ser a de nossas avós se não fosse a solidão que toma os dias da personagem, a diretora Marília Nogueira captura o sentimento de enclausuramento: Ângela existe entre as portas fechadas e os diagnósticos pendurados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a vizinha Sueli (Glaucia Vandeveld) começa uma aproximação, as cortinas abertas dão um respiro à sala, o afeto de uma amizade passa a iluminar não só os cômodos da casa, mas Ângela, personagem e curta-metragem. Em contato com outras mulheres da sua idade, a tímida e sensível protagonista derruba suas paredes e irradia o prazer de estar em companhia. </span><a href="https://vimeo.com/355846366"><i><span style="font-weight: 400;">Ângela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que se cuidar ao envelhecer vai além do horário marcado no médico. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_22854" aria-describedby="caption-attachment-22854" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras.png" alt=" Cena do curta Obreiras. Fotografia em paisagem. Imagem de um canteiro de obras escuro. A única fonte de luz é uma porta, que abre para um espaço claro, e uma lâmpada acesa no escuro. Uma das protagonistas anda pela porta, segurando um balde." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/obreiras-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22854" class="wp-caption-text">Lugar de mulher é na obra! (Foto: Beiras D’Água)</figcaption></figure>
<p><b>Obreiras (Idem, Ana França, Isadora Fachardo e Gabriela Albuquerque, Brasil, 2019)</b></p>
<p><a href="https://youtu.be/WD6K--M2VEg"><i><span style="font-weight: 400;">Obreiras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">acompanha a rotina diária de quatro pedreiras residentes da região metropolitana de Belo Horizonte: Poliana, Cenir, Adriana e Rosângela. As quatro, ao mesmo tempo que lidam com os estigmas do canteiro de obras – ambiente de trabalho ainda extremamente machista –, relatam a relação delas com a família, a maternidade, estudos e sonhos. Integrando um conjunto de </span><a href="https://www.archdaily.com.br/br/910653/projeto-arquitetura-na-periferia-ensina-mulheres-a-construir-suas-casas"><span style="font-weight: 400;">grupos femininos pioneiros da capacitação civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a construção independente de residências por mulheres, elas “</span><i><span style="font-weight: 400;">constroem, além de prédios e casas, novas formas de serem mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.” </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_22855" aria-describedby="caption-attachment-22855" style="width: 1013px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Enraizadas.png" alt="Cena do documentário Enraizadas. A imagem apresenta uma rua lateral, focando nas casas, uma laranja, outra branca e uma terceira, verde. Em frente à casa laranja, sentada no degrau à porta da residência está uma mulher negra trançando o cabelo de outra mulher negra portadora de vitiligo. A trancista está vestindo uma blusa, de manga média, com estampas claras em ocre, branco e dourado e uma bermuda branca. A moça que está com o cabelo sendo trançado está com uma blusa regata estampada em ocre e branco com tons mais escuros e uma calça em tom marrom com aspecto jeans." width="1013" height="713" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Enraizadas.png 1013w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Enraizadas-800x563.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Enraizadas-768x541.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22855" class="wp-caption-text">Enraizadas demonstra toda a importância histórica, social e cultural da trança nagô (Foto: Tarrafa Produtora)</figcaption></figure>
<p><b>Enraizadas (Idem, Juliana Nascimento e Gabriela Roza, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Enraizadas </span></i><span style="font-weight: 400;">discute a importância da trança nagô e seus aspectos afetivos, sociais e culturais. Através de relatos de quatro mulheres negras, investiga-se a essência dos seus usos, passando por aspectos pessoais, de empoderamento, de suas origens, do </span><a href="https://www.geledes.org.br/legado-vivo-trancar-o-cabelo-e-mais-do-que-um-codigo-estetico/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do entendimento histórico da mesma ligado à </span><a href="http://www.palmares.gov.br/?p=53464#:~:text=Compreende%2Dse%20que%20a%20di%C3%A1spora,entre%20outros%2C%20apesar%20do%20contexto"><span style="font-weight: 400;">afrodiáspora</span></a><span style="font-weight: 400;">. A arte de trançar é abordada em todos os seus aspectos, aprofundando seu significado, apresentando a mesma como uma forma de subsistência às mulheres, permitindo que assim possam ter meios financeiros de criarem seus filhos. Também é utilizada como instrumento de reflexão e de aproximação familiar, e até mesmo de explicação </span><a href="https://educacaointegral.org.br/glossario/etnomatematica/#:~:text=Neste%20entendimento%2C%20a%20Etnomatem%C3%A1tica%20consiste,mundo%20por%20meio%20dessa%20ci%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">etnomatemática</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Ma Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_22856" aria-describedby="caption-attachment-22856" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani.png" alt="Cena do curta O véu de Amani. Duas crianças estão na beirada de um rio, com mata nativa e uma estrada de terra atrás. A mais distante da câmera está sentada com as penas dobradas e os braços sob os joelhos, olhando para frente. Ela usa uma calça branca rosada e um véu azul claro comprido. A outra garota está sentada ao seu lado, mais próxima da câmera, com as pernas esticadas e os braços do lado do corpo. Sua perna esquerda está levemente levantada. Ela usa um biquíni tie-dye em tons de branco, azul e rosa. Ela tem cabelos curtos castanhos e está olhando para a primeira garota. " width="1360" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani.png 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/O-veu-de-Amani-1200x499.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22856" class="wp-caption-text">O curta-metragem recebeu um Kikito, o troféu solar, de Melhor Roteiro de curta-metragem no Festival de Gramado em 2019 (Foto: Inspira Conteúdo Audiovisual)</figcaption></figure>
<p><b>O véu de Amani (Idem, Renata Diniz, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amani é uma garota do Paquistão que mora no Brasil e que um dia recebe um biquíni de presente da sua amiga. Apesar de uma sinopse extremamente convidativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O véu da Amani</span></i><span style="font-weight: 400;"> falha na questão de desenvolvimento da narrativa. As expectativas eram altas para o desenrolar da história, ainda mais depois do tópico </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2018/11/14/7-mitos-sobre-refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> fugitivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, tudo caminha lentamente, sem grandes saltos e sem grandes curvas. Porém, a perspectiva de uma lição de moral não acontece, ou pelo menos, não explicitamente. Quem possui o conhecimento sobre o assunto consegue captar a mensagem a passos de tartaruga. Dessa forma, faltou ao curta, também </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kFhYVOwdMWE&amp;t=43s"><span style="font-weight: 400;">disponível no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ter um pouco de toque e de um olhar mais apurado, ainda que as intenções de Diniz tenham sido as melhores possíveis. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda </b></p>
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<figure id="attachment_22892" aria-describedby="caption-attachment-22892" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/curtacarne.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22892" class="wp-caption-text">Carne está qualificado para concorrer ao Oscar 2021 na categoria de curta-metragem documental (Foto: Freak)</figcaption></figure>
<p><b>Carne (Idem, Camila Kater, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crua, mal passada, ao ponto, passada e bem passada são pontos de consumo da carne, mas, </span><a href="https://vidasimples.co/colunistas/filme-carne-de-camila-kater-brasil-2020/"><span style="font-weight: 400;">Camila Kater</span></a><span style="font-weight: 400;"> vai além, traçando paralelos com corpos femininos que vão desde a infância até a velhice. Guiadas por animações, quase sempre com muitos tons de vermelho presente, cinco mulheres relatam as fases da vida. A escola, a puberdade, o corpo negro hipersexualizado &#8211; com o agravante de que na pirâmide da tolerância, a negra transexual é a última &#8211; menopausa, ter 79 anos anos e se sentir bem após uma longa luta contra o tempo para se sentir dona do próprio corpo. Independente de questões externas, a mulher cresce sofrendo abuso. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_22857" aria-describedby="caption-attachment-22857" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/meia-lua-falciforme.png" alt="Imagem do documentário Meia lua Falciforme. No centro da imagem está apenas uma meia lua crescente colorida em vermelho e todo o fundo é preto." width="710" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-22857" class="wp-caption-text">A meia lua e toda a dor constante que ela carrega (Foto: Haver Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Meia lua Falciforme (Idem, Débora Evelyn Olimpio e Denise Kelm, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário</span><a href="https://agencia.fiocruz.br/videosaude-da-fiocruz-disponibiliza-documentario-sobre-anemia-falciforme"> <i><span style="font-weight: 400;">Meia lua Falciforme</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aborda perfeitamente um pouco sobre a doença falciforme, uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil. Em pouco mais de 20 minutos, a doença é retratada não só pela visão médica e científica, mas também pelo ponto de vista de quem passa pelas dificuldades na pele, pessoas simples e comuns que vivem com a dor diária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A forma como os pacientes lidam com a dor e seus desafios e o modo como a doença foi ignorada por tanto tempo apenas por ser conhecida como uma</span><a href="https://radios.ebc.com.br/viva-maria/edicao/2016-11/anemia-falciforme-prevalece-na-populacao-afrodescendente"> <span style="font-weight: 400;">“doença de negros”</span></a><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos pontos importantes do documentário. Outro ponto alto é o poema</span><i><span style="font-weight: 400;"> Exercício dos dias</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Alessandra Reis, o qual abre o projeto falando sobre a dor e o fecha com chave de ouro trabalhando a ideia de resistência à doença falciforme.</span><b> &#8211; Gabrielli Natividade da Silva</b></p>
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<figure id="attachment_22858" aria-describedby="caption-attachment-22858" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22858" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-felicidade-delas.jpg" alt="Cena do curta-metragem A Felicidade Delas. Na imagem, ao fundo, vemos uma parede com grafites, mal-iluminada, e a sombra da protagonista projetada nela. À direita, no primeiro plano da imagem, vemos uma das protagonistas, um mulher negra, com cabelos pretos e cacheados, vestindo uma blusa azul, sendo iluminada por uma fonte de luz que vem da sua direita. " width="1024" height="424" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-felicidade-delas.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-felicidade-delas-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/a-felicidade-delas-768x318.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22858" class="wp-caption-text">A Felicidade Delas é dirigido e roteirizado por Carol Rodrigues, protagonizado por Ivy de Souza e Tamirys Ohanna, e a direção de fotografia é de Julia Zakia (Foto: Manjericão Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Felicidade Delas (Idem, Carol Rodrigues, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quebra de expectativas faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pokkD3NY7LI"><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade Delas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sem nomes e sem palavras, as duas protagonistas se encontram após uma perseguição policial em uma manifestação na Marcha da Mulher. No caos do momento, potencializado pela fotografia sensorial e imersiva, a proximidade no espaço, os toques, a tensão, a adrenalina, o barulho&#8230; Tudo leva as duas a se permitirem amadurecer o desejo uma pela outra. E quando o desejo transborda, a enchente vem. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_22859" aria-describedby="caption-attachment-22859" style="width: 1926px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas.png" alt="Cena do curta Ela viu aranhas, dirigido por Larissa Muniz. Fotografia em paisagem. A imagem é escura com tom arroxeado e sombras contrastantes. Nela vemos cerca de oito mulheres próximas uma das outras, deitadas, sentadas ou agachadas. Elas vestem roupas de cores primárias e olham para direções diversas." width="1926" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas.png 1926w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas-1536x861.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ela-viu-aranhas-1200x673.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22859" class="wp-caption-text">O curta experimental-feminista foi a estreia instigante da filmografia de Larissa Muniz, exibido na 24ª Edição da Mostra de Cinema de Tiradentes (Foto: Larissa Muniz)</figcaption></figure>
<p><b>Ela viu aranhas (Idem, Larissa Muniz, Brasil, 2020</b><b>)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a chuva, em um pequeno apartamento, várias mulheres se cruzam, falam ao telefone, fumam e cantam. </span><a href="https://vimeo.com/459357958"><i><span style="font-weight: 400;">Ela viu aranhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um curta experimental que brinca criativamente com a maneira de contar histórias. Conduzindo a narrativa quase como um labirinto, a diretora </span><a href="https://portaldasmanas.wordpress.com/2021/01/29/mana-audiovisual-entrevista-com-a-diretora-larissa-muniz-do-filme-ela-viu-aranhas-que-integra-a-mostra-formacao-na-24-mostra-de-cinema-de-tiradentes/"><span style="font-weight: 400;">Larissa Muniz</span></a><span style="font-weight: 400;"> põe em cena mulheres de existências diversas, que interagem casualmente entre si. Assim, imersos em um sonho lúcido, somos expostos paradoxalmente ao surreal e simultaneamente ao ordinário. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_22860" aria-describedby="caption-attachment-22860" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz.png" alt="Cena do curta Minha Raiz. Nela há uma mulher negra ao centro, ela está sentada se maquiando em frente a um espelho redondo. O espelho está sob uma mesa azul, nela se encontram alguns itens de maquiagem também. A moça está em uma avenida movimentada,ao fundo se encontram pessoas esperando para atravessar a rua e carros, motos e ônibus passando. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Minha-Raiz-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22860" class="wp-caption-text">Minha Raiz demonstra que o preconceito racial se expressa primeiro sobre o cabelo (Foto: Labibe Araújo)</figcaption></figure>
<p><b>Minha Raiz (Idem, Labibe Araújo, Brasil, 2017)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta documental e performático </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Raiz</span></i><span style="font-weight: 400;"> aponta um dos primeiros sinais do racismo: o olhar sobre os cabelos. Mesclando relatos com uma performance em uma movimentada avenida, discute como o preconceito age sobre a </span><a href="https://www.geledes.org.br/nao-nasci-pra-ser-bonita-autoestima-da-mulher-negra/"><span style="font-weight: 400;">autoestima da mulher preta</span></a><span style="font-weight: 400;">. O resgate social da questão é muito bem explorado, mostrando como as cenas cotidianas podem ser reveladoras das violências. Qual mulher negra não sofreu comentários sobre o tamanho, formato de seu cabelo? Ou mesmo reconhece o cheiro de uma prancha quente de alisamento? É por meio desta exploração das opressões vividas que as falas ressignificam a importância de assumir seu crespo, a sua herança africana e se amar. </span><b>&#8211; Ma Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_22862" aria-describedby="caption-attachment-22862" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros.png" alt="Cena do curta-metragem Corpos Estrangeiros. A câmera foca no abdômen de uma mulher branca, próxima a virilha. Suas mãos possuem unhas curtas e seus dedos passam sobre a cicatriz da cesárea. Ela usa um anel de ouro no dedo anelar esquerdo e veste uma camiseta branca e uma calcinha bege. " width="1360" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros.png 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros-800x315.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros-1024x404.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros-768x303.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Corpos-Estrangeiros-1200x473.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22862" class="wp-caption-text">Los cuerpos ajenos venceu a 11ª edição do Festival Latino-Americano de Artes Audiovisuais de Universidades Públicas na categoria Melhor Curta-Metragem de competência nacional (Foto: Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica/Cine Argentino/Jungla Cine)</figcaption></figure>
<p><b>Corpos estrangeiros (Los cuerpos ajenos, Samanta Bianucci, Argentina, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Los cuerpos ajenos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um sinal de vitória. Na trama, a ginecologista Valeria precisa lidar com o fato de uma paciente não querer se adaptar, como a própria personagem diz, a uma gravidez. Sendo a Argentina, na época, </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/que-seja-lei-aqui-tambem-as-licoes-que-podemos-aprender-com-a-legalizacao-do-aborto-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">um dos países adeptos a proibição do aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">, Valeria vive um dilema de ir em frente ou não com a ilegalidade ao mesmo tempo que também enfrenta problemas morais em relação ao seu próprio corpo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É irônico ver como o título brinca dentro da narrativa quanto fora dela. Na obra, a diretora Samanta Bianucci liga o termo </span><i><span style="font-weight: 400;">estrangeiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> a algo fora do próprio corpo, criando um questionamento: até que ponto o que é válido para mim, é válido para o outro? Três anos depois de lançamento do curta, </span><i><span style="font-weight: 400;">estrangeiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem referência geográfica, relacionando-se com os países da América do Sul, já que nosso vizinho de disputas de futebol foi o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quais-paises-da-america-do-sul-legalizaram-o-aborto-argentina-vota-questao-hoje/"><span style="font-weight: 400;">segundo país</span></a><span style="font-weight: 400;"> a legalizar o aborto. Nesse caso, a situação vivida pelas personagens na trama é o que os corpos de mulheres estrangeiras passam em seus respectivos países. Ao longo de seus 12 minutos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Los cuerpos ajenos</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz essas indagações de forma implícita. </span><a href="https://ponte.org/pais-do-papa-francisco-argentina-se-torna-maior-pais-da-america-latina-a-aprovar-aborto-legal-seguro-e-gratuito/"><i><span style="font-weight: 400;">#QueSeaLey.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> É assim que se finaliza a obra de Samanta Bianucci, de maneira forte e poderosa. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_22863" aria-describedby="caption-attachment-22863" style="width: 1350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz.png" alt="Cena do curta Acende a luz. Nela estão uma mulher e um homem de mais de 60 anos abraçado e nus. A mulher sorri. A imagem está em branco e preto." width="1350" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz.png 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz-1024x432.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz-768x324.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Acende-a-Luz-1200x506.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22863" class="wp-caption-text">Acende a luz mostra como a sexualidade depois dos 60 anos não deve ser mais um tabu (Foto: André Luiz de Luiz)</figcaption></figure>
<p><b>Acende a luz (Idem, Paula Sacchetta, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste curta, a cineasta </span><a href="http://mirafilmes.net/photographers/paula-sacchetta"><span style="font-weight: 400;">Paula Sacchetta</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha a escritora </span><a href="https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/isabel-dias-investiga-sua-sexualidade-aos-64-anos-no-documentario-acende-a-luz/"><span style="font-weight: 400;">Isabel Dias</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua redescoberta do corpo e da sexualidade. A trilha sonora remete aos clássicos filmes da década de 1950 e imagens que confrontam e debatem o que se espera socialmente e sexualmente de mulheres de mais de 60 anos. A escolha da personagem para narrar e discutir essa questão é extremamente assertiva, uma vez que a mesma carrega em sua trajetória a redescoberta sobre si, o prazer na terceira idade e a desconstrução da imagem da vovó. </span><b>&#8211; Ma Ferreira</b></p>
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<h3>Médias e longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_22864" aria-describedby="caption-attachment-22864" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta.png" alt="Cena do documentário Filhos da Puta. Na imagem há um jovem vestindo uma blusa verde clara e uma calça jeans clara e rasgada. Ele está sentado no chão, atrás dele uma parede azul escura e ao seu lado uma porta branca, de ferro e vidro, está aberta. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Filhos-da-Puta-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22864" class="wp-caption-text">Discutir preconceitos e as relações maternas é o que propõe Filhos da Puta (Foto: Coletivo REBU)</figcaption></figure>
<p><b>Filhos da Puta (Idem, Santuzza Alves de Souza, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa deste curta documental, produzido pelo Coletivo REBU, parte da premissa do que é ser um </span><i><span style="font-weight: 400;">filho da puta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Brincando com o xingamento popular, o filme fala com os filhos de mulheres que foram </span><a href="https://ponte.org/o-prostibulo-e-a-ultima-fronteira-do-feminismo/"><span style="font-weight: 400;">trabalhadoras sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, emergindo discussões profundas das falas dessas personagens reais. O entendimento do trabalho de suas mães, o tabu acerca destas trabalhadoras, as visões sociais e familiares que permeiam essa discussão, as relações maternais e o que estas mulheres fizeram com suas vidas é o alvo de reflexão aqui. A direção de </span><a href="https://www.instagram.com/santuzzaas/channel/"><span style="font-weight: 400;">Santuzza Alves de Souza</span></a><span style="font-weight: 400;"> levanta ainda importantes debates sobre preconceito, ativismo e sobre o real significado de família.</span><b> &#8211;</b> <b>Ma Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_22865" aria-describedby="caption-attachment-22865" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/torre-das-donzelas.jpg" alt="Cena do filme Terra das donzelas. A cena mostra duas escadas pretas e, entre elas, estão alguns objetos, como mesas e vasos, protegidos por vidro." width="650" height="364" /><figcaption id="caption-attachment-22865" class="wp-caption-text">Contando com a participação de peso de Dilma Rousseff, Torre das donzelas venceu o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio, o prêmio do júri no Festival de Brasília, e o Prêmio Petrobras na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, todos em 2018 (Foto: Modo Operante Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Torre das donzelas (Idem, Susanna Lira, Brasil, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a repressão da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/01/cultura/1554136024_994794.html"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Militar Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> já era terrível, imagine-a associada à misoginia. É neste cenário insuportável que </span><a href="https://canaisglobo.globo.com/assistir/gnt/gntdoc/v/8195285/"><i><span style="font-weight: 400;">Torre das donzelas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a sua história. Sem abrir as feridas em cicatrização de suas depoentes e sem criar dores em seus espectadores, o documentário é muito bem definido em sua proposta: demonstrar o que homens empoderados podem fazer com as mulheres que não aceitam submeter-se a eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Susanna Lira nasce do relato de algumas das mulheres perseguidas, torturadas e presas pelo regime que desgovernou o Brasil entre 1964 e 1985. Centenas delas passaram pelo </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/lugares/presidio-tiradentes/"><span style="font-weight: 400;">Presídio Tiradentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, centro de tortura que ficou conhecido como Torre das donzelas. O lugar foi demolido em 1972, mas as memórias das que ali viveram os piores dias de suas vidas resistem a toda tentativa de destruição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, numa tentativa de criar uma fisicalidade para que essas mulheres enfrentam esses traumas, o filme cria o seu principal artifício reconstruindo aquele lugar. Dentre os depoimentos das que rejeitavam o regime na época &#8211; inclusive o da ex-presidenta </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Dilma Rousseff</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e os testemunhos violentos, o que se destaca é a capacidade que aquelas mulheres tinham de resistir. Quebrando qualquer expectativa idealista, elas relatam que a força vinha do ódio. E assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Torre das donzelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz suas mensagens de 40 anos atrás para </span><a href="https://expresso.pt/brasil/2018-10-29-Tanta-gente-parece-ter-se-esquecido-da-Torre-das-Donzelas-1"><span style="font-weight: 400;">os dias de hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_22866" aria-describedby="caption-attachment-22866" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22866" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/diadefolga.png" alt="Cena do documentário dia de folga. Nela está uma mulher branca de cabelos loiros e blusa florida. Ela está de pé na frente de uma tábua, passando uma camisa branca. No fundo há um varal de chão com roupas brancas estendidas, um muro onde algumas plantas estão apoiadas e um prédio de parede clara. " width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/diadefolga.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/diadefolga-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22866" class="wp-caption-text">“Calma que não dá pra cansar ainda não” (Foto: Paula Huven)</figcaption></figure>
<p><b>Dia de Folga (Idem, Patrícia Antunes, Brasil, 2017)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser dona de casa já é, por si só, um trabalho dos mais difíceis. Unido a atividades extras e um emprego, se torna um conjunto quase impossível de se tolerar, mas que segue sendo a realidade de muitas mulheres. Em </span><a href="https://metropolionline.com.br/2017/10/17/documentario-retrata-vida-da-mulher-brasileira-e-sua-jornada-exaustiva/"><i><span style="font-weight: 400;">Dia de Folga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora </span><a href="https://culturalizabh.com.br/index.php/2017/10/19/pre-lancamento-documentario-dia-de-folga/"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Antunes</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos leva para acompanhar a rotina cansativa de mães mineiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fotografia simples de </span><a href="https://www.ateliedaimagem.com.br/galeria/devastacao-paula-huven/"><span style="font-weight: 400;">Paula Huven</span></a><span style="font-weight: 400;">, assistir o documentário é como ter uma conversa sincera com essas mulheres. Sem precisar de muito, ele leva o telespectador a refletir sobre a </span><a href="https://www.telavita.com.br/blog/dupla-jornada-estresse-feminino/"><span style="font-weight: 400;">jornada dupla</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elas encaram todo dia e a divisão injusta de atividades domésticas &#8211; isso é, quando sequer há uma divisão. Lançado em </span><span style="font-weight: 400;">outubro de 2017, as questões abordadas na obra continuam dolorosamente atuais.</span> <b>&#8211; Mariana Chagas</b></p>
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<figure id="attachment_22867" aria-describedby="caption-attachment-22867" style="width: 1365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22867" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida.png" alt="Fotografia em paisagem, e em preto e branco, de mulheres marchando nas ruas de Santiago, capital do Chile, segurando uma faixa branca com os dizeres “Mujeres por la vida, junto a lucha de los trabajadores” (Mulheres pela vida, juntas com a luta dos trabalhadores). Atrás, percebe-se edifícios e um poste de luz de arquitetura europeia, e as mulheres vestem longos casacos - o que pressupõe que naquele dia fazia frio." width="1365" height="767" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Mujeres-por-la-vida-1200x674.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22867" class="wp-caption-text">As mulheres foram protagonistas na derrocada da ditadura chilena (Foto: CCDocumental)</figcaption></figure>
<p><b>Hoje e não amanhã (Hoy y no mañana, Josefina Morandé, Chile, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra documental acompanha a emocionante história das ex-integrantes do movimento de resistência chileno </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres pela vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, criado em 1983 em meio à </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/10/internacional/1568135550_217522.html"><span style="font-weight: 400;">sanguinária ditadura de Augusto Pinochet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o lema &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">A liberdade tem nome de mulher</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, somos convidados a revisitar as formas de protesto curiosas que driblaram a repressão e a censura com, diríamos, um quê de criatividade: desde torcidas organizadas anti-Pinochet em estádios de futebol, até bolas de brinquedo grifadas com o nome do ditador, espalhadas pelas ruas de Santiago para que as pessoas pudessem chutá-las. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A importância do movimento se deu pela capacidade de </span><a href="https://catarinas.info/a-escritura-das-mulheres-chilenas-na-ditadura-de-pinochet/"><span style="font-weight: 400;">mobilização de mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mais diferentes ideologias, em um momento no qual a oposição, de maioria masculina, estava completamente fragmentada. Foi um ponto de inflexão que permitiu que elas ocupassem espaços de poder que, historicamente, eram destinados aos homens &#8211; seja por meio da ocupação das ruas e das universidades, seja por meio da criação artística e intelectual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob uma fotografia crua e intimista, o longa usa de recursos jornalísticos &#8211; como a entrevista e a narração em </span><a href="https://multimedia.journalism.berkeley.edu/tutorials/standups/"><i><span style="font-weight: 400;">voice over</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e da linguagem visual &#8211; através de registros históricos e animações &#8211; para reconstruir o passado de um país que por muito tempo colocou panos quentes sob as suas feridas. Se hoje o Chile dispõe da primeira </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/constituinte-no-chile-ser%C3%A1-a-1%C2%AA-do-mundo-com-paridade-entre-homens-e-mulheres/a-57549110"><span style="font-weight: 400;">Constituição</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mundo que garante paridade de gênero, há de agradecer às corajosas militantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres pela vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, que plantaram para sempre o espírito de luta e revolução que tanto nos falta no Brasil. </span><b>&#8211; Gabriela Reimberg</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_22868" aria-describedby="caption-attachment-22868" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Eu-Um-Outro.jpg" alt="Cena do filme Eu, um outro. Com um enquadramento lateral, Raul Capistrano está deitado numa cadeira de barbeiro. Ele é um homem de cabelos curtos pretos acinzentados, barba e bigode compridos e olhos castanhos escuros. Ao seu lado, um pouco desfocado, está a parte superior até os ombros de um homem de camisa preta. Ele é branco e sua mão direita ajeita o bigode de Raul." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Eu-Um-Outro.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Eu-Um-Outro-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22868" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi um dos selecionados na 27ª edição do Festival Mix Brasil, em 2019, na categoria Competitiva Brasil &#8211; Longas (Foto: Oficina de Criação)</figcaption></figure>
<p><b>Eu, um outro (Idem, Silvia Godinho, Brasil, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, um outro</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa de modo usual, mostrando a realidade cotidiana de três pessoas: </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCDZD4KvGmjkq-GTb5AXD0nQ"><span style="font-weight: 400;">Luca Scarpelli</span></a><span style="font-weight: 400;">, Raul Capistrano e Thalles Rocha. Demora um certo tempo para o longa-metragem citar seu principal objetivo, mas isso não é uma crítica. De forma totalmente diferente das tramas de identidade de gênero, o filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wkdb3CUOC64"><span style="font-weight: 400;">Sílvia Godinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> foca na questão de afeto, construindo uma atmosfera familiar genuína &#8211; sons ambiente, legendas em certos diálogos, algumas imagens desfocalizadas, como se tratasse de uma filmagem caseira de um observador inerente ao cenário.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É dessa forma que a diretora brinca com o título, em que podemos enxergar nós mesmos nos personagens e criar empatia. A denúncia de gigantescas burocracias em cartórios e a militância por relações mais naturais e espontâneas acabam sendo figurantes, mostradas de acordo com a vontade dos protagonistas e sem referi-las de maneira forçada. A própria sinopse já dá esse indicativo ao falar que os três têm </span><i><span style="font-weight: 400;">a urgência de viver uma vida que acaba de começar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um final inconclusivo, a produção de Godinho termina de maneira genérica, deixando o espectador aguçado para uma continuação &#8211; ainda que isso não seja possível. </span><b>&#8211; Júlia Paes de Arruda </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_22869" aria-describedby="caption-attachment-22869" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais.png" alt=" Cena do documentário Meu Corpo é Mais. Na imagem temos uma mulher branca, de cabelos longos e claros, despindo um roupão de seda. Ela está de costas. À sua frente está uma janela, uma cômoda e uma estante, em ambas estão algumas esculturas de bustos e outros objetos de cerâmica." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Meu-Corpo-e-Mais-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22869" class="wp-caption-text">Em Meu Copo é Mais, mulheres poderosas relatam suas experiências de ódio, reconhecimento e amor ao próprio corpo (Foto: Jorge Bernardo)</figcaption></figure>
<p><b>Meu Corpo é Mais (Idem, Susanna Lira, Brasil, 2018)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, roteirizado e dirigido por </span><a href="https://istoe.com.br/cineasta-susanna-lira-diz-que-contar-boas-historias-no-brasil-e-um-desafio/"><span style="font-weight: 400;">Susanna Lira</span></a><span style="font-weight: 400;">, discute o impacto e a ressignificação da gordofobia, por meio do retrato da vida e de falas de mulheres que utilizam seu corpo como luta. A escolha das entrevistas conversa diretamente com as questões político-filosóficas apontadas a respeito da questão. Problematizando o quanto o corpo serve de instrumento de controle e opressão femininas na sociedade, sendo frutos do machismo e alimentados pelos padrões mercadológicos capitalistas. É na visão do outro que se encontram as permissões para ser o que é, e é esse olhar que a cineasta propõe que seja quebrado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O belo é apenas uma construção coletiva. O corpo magro era feio somente quando a maior parte da população não tinha fácil acesso a comida. Com os produtos industrializados mais acessíveis, o contrário passou a ser odiado. Esse </span><a href="https://azmina.com.br/colunas/quando-eu-sentia-apatia-por-meu-proprio-corpo-2/"><span style="font-weight: 400;">ódio</span></a><span style="font-weight: 400;"> alimenta indústrias de cirurgias, produtos de emagrecimento, farmacêuticas, academias e profissionais de saúde que ainda olham a pessoa gorda como alguém doente. É ele que permite com que pessoas sejam intolerantes a corpos gordos e que homens não assumam amar esses corpos. Mas os exemplos de vivência com estas violências, com sua superação e ressignificação é o que faz das entrevistas serem inspiração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A falta de acesso à locais, sendo eles lugares físicos ou de ocupação de trabalho (indústria da moda e cultural) é uma pauta também apresentada aqui. A cineasta narra de maneira excepcional como é viver em um corpo gordo, como o caminho de posicionamento sobre si mesma e auto aceitação é difícil, porém possível. Exemplos como o da </span><a href="https://mundonegro.inf.br/mc-carol-lanca-musica-sobre-a-luta-da-mulher-gorda-e-preta-contra-os-padroes-esteticos/"><span style="font-weight: 400;">MC Carol</span></a><span style="font-weight: 400;">, que durante a infância sofreu com vários traumas por preconceitos acerca de seu peso, e atualmente expressa seu olhar sobre seu corpo por meio de sua Arte. Essa problemática foi apresentada em suas várias perspectivas neste documentário sensível, emocionante e combativo. </span><b>&#8211; Ma Ferreira</b></p>
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		<title>Do Not Split: a liberdade de expressão agoniza em Hong Kong</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2021 22:12:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Poder e território estão atrelados desde que o primeiro homem cercou um pedaço de terra e chamou de seu. Em meu texto mais recente publicado no Persona, discuti sobre os problemas que o nacionalismo gera. Coincidentemente, Do Not Split (不割席) é mais uma produção que retrata perfeitamente os perigos de nações soberanas e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-not-split-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Not Split: a liberdade de expressão agoniza em Hong Kong"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20229" aria-describedby="caption-attachment-20229" style="width: 1465px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Ao centro, vemos um grupo de policiais prendendo um manifestante honconguês. O manifestante está sendo segurado por um homem de boné com um mata leão. Pessoas em volta estão gravando a cena utilizando celulares. " width="1465" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10.jpg 1465w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20229" class="wp-caption-text">Do Not Split está indicado ao Oscar 2021 na categoria Melhor Documentário em Curta-Metragem (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><b>Jho Brunhara</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poder e território estão atrelados desde que o primeiro homem cercou um pedaço de terra e chamou de seu. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-present-farah-nabulsi-critica/"><span style="font-weight: 400;">meu texto mais recente</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicado no Persona, discuti sobre os problemas que o nacionalismo gera. Coincidentemente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BpS-Y7ndNeQ&amp;ab_channel=FieldofVision"><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split (不割席)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é mais uma produção que retrata perfeitamente os perigos de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/qual-a-diferenca-entre-patriotismo-e-nacionalismo/"><span style="font-weight: 400;">nações soberanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e minorias execradas. Nesse documentário em forma de curta-metragem dirigido pelo norueguês Anders Hammer e produzido pela americana Charlotte Cook, acompanhamos os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50457821"><span style="font-weight: 400;">protestos de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2019 e 2020 contra a tentativa de criação de uma </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-por-que-uma-nova-lei-de-extradicao-vem-causando-protestos-em-hong-kong-23731229"><span style="font-weight: 400;">Lei de Extradição</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre a ilha e a China continental, que ameaçaria a autonomia e liberdade jurídica honconguesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eventualmente, as manifestações evoluíram para o lema “</span><a href="https://super.abril.com.br/sociedade/o-que-querem-os-manifestantes-de-hong-kong-afinal/"><i><span style="font-weight: 400;">cinco demandas, nenhuma a menos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”: retirar completamente o projeto da Lei de Extradição; não caracterizar os protestos como motins; retirar acusações contra manifestantes que foram presos; organizar uma comissão independente para investigar abuso de força policial; e a renúncia de Carrie Lam, atual chefe executiva, e a implementação de um sufrágio universal para eleição do Conselho Legislativo e chefe executivo.<br />
</span></p>
<p><span id="more-20228"></span></p>
<figure id="attachment_20230" aria-describedby="caption-attachment-20230" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-scaled.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Em meio a fumaça de gás lacrimogêneo, podemos ver vários manifestantes pró-Hong Kong segurando guarda chuvas. Eles estão em uma rua, é noite, e há um edifício comercial ao lado direito." width="2560" height="1298" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-300x152.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1024x519.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-768x389.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1536x779.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-2048x1038.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1200x608.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20230" class="wp-caption-text">&#8220;Liberate Hong Kong, revolution of our times&#8221; (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contexto rápido da </span><a href="https://exame.com/blog/negocios-da-china/ate-onde-vai-o-conflito-entre-china-e-hong-kong/"><span style="font-weight: 400;">situação entre Hong Kong e a China continental</span></a><span style="font-weight: 400;">: a ilha era parte da Dinastia Qing até 1842, quando foi forçadamente entregue ao Império Britânico através do </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/historia/37642/hoje-na-historia-1842-tratado-de-nanquim-encerra-guerra-do-opio-entre-chineses-e-britanicos"><span style="font-weight: 400;">Tratado de Nanquim</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, a República Popular da China solicitou que Hong Kong fosse removida da lista da ONU de territórios não autônomos, impedindo que tivesse o direito de declarar independência. Em 1984, foi estabelecido um </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1984-tratado-para-devolver-hong-kong/a-707452"><span style="font-weight: 400;">novo acordo entre Reino Unido e China</span></a><span style="font-weight: 400;">: a soberania de Hong Kong seria devolvida ao território chinês, processo que foi concluído em 1997. Entre os termos para a ‘devolução’, os principais garantiam que a ilha mantivesse a diferença de seus sistemas econômico, político e jurídico após a transferência, e o desenvolvimento futuro de um governo democrático. Também foi criada uma semi-constituição, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-lei-de-um-pais-dois-sistemas-que-esta-no-centro-da-disputa-entre-hong-kong-pequim-23869497"><span style="font-weight: 400;">Lei Básica de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, o descontentamento dos honcongueses vem das diversas investidas do Partido Comunista Chinês, que representa a China continental. Além da retórica contra o sistema político e jurídico da ilha, há uma tentativa constante de </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lei-china-hong-kong-autonomia/"><span style="font-weight: 400;">desconsiderar as garantias democráticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Lei Básica. A distância entre os dois lados aumenta também por diferenças culturais: Hong Kong não foi igualmente influenciada pela revolução político-ideológica de Mao Tsé-Tung, e a ilha tem como língua predominante o cantonês, em contraponto ao mandarim na China continental. </span></p>
<figure id="attachment_20231" aria-describedby="caption-attachment-20231" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Vemos três jovens em movimento, de costas para a câmera. A primeira, à esquerda, é uma mulher. Não podemos ver seu rosto, mas sua pele é clara, seu cabelo é comprido e preto e está preso em um rabo de cavalo. Ela usa uma blusa branca e uma saia preta, assim como tênis branco e uma faixa branca na perna direita. Ao seu lado, um homem empurra um carrinho de supermercado. Ele está todo de preto, com uma mochila azul nas costas e proteções nos cotovelos. Dentro do carrinho, há uma caixa branca de papelão. À direita, um último homem também corre. Ele usa capacete, máscara preta, blusa e calça pretas e um cassetete nas costas. Os três estão em uma rua, com lojas ao fundo." width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20231" class="wp-caption-text">Apesar de estar o tempo todo no núcleo do conflito em Hong Kong, o filme de Hammer e Cook, que está <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BpS-Y7ndNeQ&amp;ab_channel=FieldofVision">disponível de graça</a> no YouTube, é uma produção americana-norueguesa e traz uma visão estrangeira ao conflito (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, chegamos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split</span></i><span style="font-weight: 400;">. O documentário de Anders Hammer está o tempo todo no olho do conflito, às vezes até perto demais. Ao longo de um ano de gravação, somos colocados dentro das passeatas, como a de 16 de junho, que reuniu </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/16/internacional/1560692921_683769.html"><span style="font-weight: 400;">duas milhões de pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> segundo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Civil Human Rights Front</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estamos na linha de frente, ao lado de manifestantes enquanto preparam coquetéis </span><i><span style="font-weight: 400;">molotov</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto tossem pelo gás lacrimogêneo e correm das balas de borracha (ou balas reais) utilizadas pelos soldados chineses. Ficamos presos dentro da Universidade Chinesa de Hong Kong durante um </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/18/internacional/1574078849_630583.html"><span style="font-weight: 400;">cerco policial</span></a><span style="font-weight: 400;">, e dormimos no chão da pista de atletismo. Nos escondemos dentro de edifícios comerciais, protegidos pelos locais. Assistimos dezenas, centenas, milhares de prisões e brutal violência da polícia. Sonhamos com uma resolução democrática, e infelizmente, tememos, junto aos ativistas e civis, a evolução da ameaça contra as liberdades políticas de Hong Kong.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As imagens de Hammer são espetaculares, inspiradoras e dolorosas, e a narrativa e a importância política não ficam atrás. Não à toa a produção está indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, e já é a terceira nomeação da produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Field of Vision</span></i><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, o fato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split </span></i><span style="font-weight: 400;">estar concorrendo ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fez com que autoridades chinesas proibissem a exibição da premiação no dia 25 de abril em todo o território. A decisão da China só dá respaldo ainda maior para o curta, que acaba também entrando na luta contra a censura e se estabelecendo como resistência.</span></p>
<figure id="attachment_20232" aria-describedby="caption-attachment-20232" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS.jpg" alt="Fotografia de um protesto na cidade de Hong Kong. Em primeiro plano vemos um manifestante usando uma máscara do Guy Fawkes. Ele segura uma bandeira com os escritos FREE HONG KONG - REVOLUTION NOW. Ao fundo, podemos ver uma rua com milhares de manifestantes, preenchida de calçada a calçada. Aos lados, diversos prédios altos e fachadas de lojas. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20232" class="wp-caption-text">A China usou a pandemia como justificativa para adiar as eleições legislativas de Hong Kong, nas quais a oposição tinha chances de vencer em maioria (Foto: Danish Siddiqui/Reuters)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 30 de junho de 2020, o Congresso Nacional do Povo chinês implementou a controversa </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53236726"><span style="font-weight: 400;">Lei de Segurança Nacional de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">, com objetivo de </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/como-o-governo-chines-calou-as-manifestacoes-populares-em-hong-kong/"><span style="font-weight: 400;">impedir protestos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e banir qualquer ato ou atividade que o governo considere como uma </span><a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/internacional/2020/07/750090-hong-kong-veta-candidaturas-pro-democracia-com-base-em-lei-de-seguranca-nacional.html"><span style="font-weight: 400;">ameaça</span></a><span style="font-weight: 400;"> à China. A nova legislação também permite que as agências de segurança nacional do governo chinês operem na ilha. Desde que entrou em vigor, centenas já foram </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/01/ativistas-pro-democracia-de-hong-kong-sao-condenados-por-ato-em-2019.ghtml"><span style="font-weight: 400;">presos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sob os novos termos, e outros vivem em constante medo de represálias, já que as condenações podem chegar a 30 anos de encarceramento. Os manifestantes continuam a buscar formas de continuar com o movimento, e como o próprio título do documentário sugere, </span><i><span style="font-weight: 400;">eles não vão se dispersar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Field of Vision - Do Not Split" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BpS-Y7ndNeQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Present: o nacionalismo é uma doença</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2021 16:21:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara São quatro da manhã. Você, palestino e morador da Cisjordânia, toma seu café, se arruma para o trabalho e começa uma jornada de três a quatro horas para chegar em uma obra de construção civil em Jerusalém, território atualmente controlado por Israel. Os 32km, que poderiam ser percorridos em 1h30, parecem ter o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-present-farah-nabulsi-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Present: o nacionalismo é uma doença"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20206" aria-describedby="caption-attachment-20206" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV.png" alt="Cena do filme The Present. No centro da imagem, há uma garotinha branca, de cabelos castanhos, que usa um casaco vermelho. Ela está atrás de uma grade de metal e apoia uma das mãos na grade. Seu semblante é pensativo. Atrás dela, podemos ver do peito para baixo de um homem, que veste casaco azul e calças marrons. Ele está em uma fila." width="1366" height="570" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV-300x125.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_zkWqfnqxsV-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20206" class="wp-caption-text">The Present está concorrendo ao Oscar 2021 na categoria Melhor Curta-Metragem em Live Action (Foto: Philistine Films)</figcaption></figure>
<p><b>Jho Brunhara</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São quatro da manhã. Você, palestino e morador da Cisjordânia, toma seu café, se arruma para o trabalho e começa uma jornada de três a quatro horas para chegar em uma obra de construção civil em Jerusalém, território atualmente controlado por Israel. Os 32km, que poderiam ser percorridos em 1h30, parecem ter o dobro da distância. Em certa parte do caminho, você precisa atravessar a fronteira, e, para isso, enfrentar um dos </span><a href="https://www.washingtonpost.com/graphics/world/occupied/checkpoint/"><span style="font-weight: 400;">pontos de checagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Israel. Nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">checkpoint</span></i><span style="font-weight: 400;">, palestinos são tratados como se fossem animais. Caminham em túneis cercados por grades, abarrotados em centenas. Alguns escalam como podem, para fugir da multidão sufocante. Outros chegam a ser pisoteados, ou saem com uma </span><a href="https://www.aljazeera.com/features/2019/3/13/israels-checkpoint-300-suffocation-and-broken-ribs-at-rush-hour"><span style="font-weight: 400;">costela quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do funil, a única passagem é por uma catraca torniquete. Depois, um detector de metal, onde se tira qualquer vestimenta solicitada considerada suspeita. E, então, finalmente, um militar israelense verifica seu documento de identidade e seu visto de trabalho. A permissão para trabalhar em construções só é dada para homens maiores de 23 anos, casados, e que possuam pelo menos um filho. Ocasionalmente, um soldado entediado pode te </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/02/100212_palestinoshumilhacao_gf"><span style="font-weight: 400;">humilhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes de autorizar sua entrada no país, por pura ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">graça</span></i><span style="font-weight: 400;">’. Essa é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LYg1CUvU7lg&amp;ab_channel=RaimoKangasniemi"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrentada por 70 mil palestinos, que necessitam dos empregos depois da fronteira para sobreviver, diariamente. Todos os dias. </span></p>
<p><span id="more-20205"></span></p>
<figure id="attachment_20207" aria-describedby="caption-attachment-20207" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20207" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh.png" alt="Cena do filme The Present. A cena foi gravada no Checkpoint 300, um posto de checagem entre a Cisjordânia e Israel. Na imagem há um grande corredor em direção ao fundo da fotografia, cercado por paredes e grades. Muitas pessoas estão passando por esse corredor, de forma amontoada. Algumas pessoas atravessam escalando as grades no alto." width="1366" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh-300x125.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vlc_Jz4aCeCkMh-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20207" class="wp-caption-text">Checkpoint 300 (Foto: Philistine Films)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LUbITonUeGQ&amp;ab_channel=AjyalFilmFestival"><i><span style="font-weight: 400;">The Present (الهدية)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, curta-metragem dirigido pela britânico-palestina Farah Nabulsi, nos mostra um pouco dessa violência vivida pelo povo da Cisjordânia. No filme, acompanhamos a ida de um pai e sua filha até a cidade de Bethlehem, para que possam comprar itens básicos no mercado e adquirir uma nova geladeira de presente para a mãe. A trama, inicialmente simples, revela camadas assustadoras sobre a vida na região. Yusef (Saleh Bakri, o pai) e Yasmine (Maryam Kanj, a filha) enfrentam o horrível ponto de checagem, que tem cenas verdadeiras exibidas no começo do curta: Saleh divide a tela ao lado de palestinos reais, que estavam a caminho de Israel para trabalhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim do </span><i><span style="font-weight: 400;">checkpoint</span></i><span style="font-weight: 400;">, pai e filha são humilhados e colocados em gaiolas até que seus documentos sejam conferidos. Finalmente liberados, caminham até a cidade de Bethlehem. Depois de adquirir a geladeira e as compras do supermercado, mais um problema: o carro que transportaria o eletrodoméstico da loja até Beitunia (onde moram) é impedido de passar. Yusef e Yasmine se veem com apenas uma saída: empurrar o item por todo o trajeto até a casa, com ajuda de um carrinho. Porém, antes, precisam novamente da autorização dos soldados no ponto de checagem. Mesmo nesse momento, exaustos, não encontram misericórdia das autoridades militares. A ficção, nesses casos, não vai tão mais longe quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QorJMPtz1Fw&amp;ab_channel=excitedsynapses"><span style="font-weight: 400;">realidade pode chegar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e novamente assistimos o abuso de poder e a humilhação, completamente gratuita. </span></p>
<figure id="attachment_20208" aria-describedby="caption-attachment-20208" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20208" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1.jpg" alt="Cena do filme The Present. Pai e filha estão dentro de uma van, sentados lado a lado em dois bancos. O pai está a esquerda, e a filha pequena à direita, com a cabeça apoiada em seu braço. A menina está com semblante triste e o pai com semblante pensativo. Ambos olham para baixo, em diagonais contrárias." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/The_Present_Still_3-1920x1080-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20208" class="wp-caption-text">O filme de Farah Nabulsi venceu o BAFTA de Melhor Curta-Metragem Britânico (Foto: Philistine Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140730_gaza_entenda_gf_lk"><span style="font-weight: 400;">conflito Israel-Palestina</span></a><span style="font-weight: 400;"> é antigo, mas não tão velho quanto você, talvez, pense. Apesar da segunda diáspora judaica ter acontecido em 70 d.C., quem expulsou os judeus de Jerusalém foram os romanos, e os árabes pouco tem a ver com isso. O problema real começa no início do século 20, com o </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/g1-explica-o-que-e-sionismo-judaismo-e-antissemitismo.html"><span style="font-weight: 400;">movimento sionista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, posteriormente, o holocausto, influenciando o retorno de muitos judeus para a ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">terra prometida’</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Israel, que dividia a mesma localização com a Palestina histórica (naquele momento sob gestão britânica). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conflitos borbulharam por décadas, até que em 1947 a ONU tentou </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/11/25/interna_internacional,919554/controverso-plano-de-partilha-da-palestina-completa-70-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">implementar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a criação do Estado de Israel e do Estado da Palestina, dividindo o território em duas partes. Israel declarou independência e anexou os territórios definidos pela Partilha. A Liga Árabe, que não concordava com o acordo pois via como uma injustiça com a Palestina, declarou guerra. Israel venceu o conflito, manteve os territórios, e, posteriormente, avançou com suas fronteiras em novas ações militares até alcançarmos o cenário atual, em que a Palestina ainda não é reconhecida como um país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde quero chegar com tudo isso: apesar de Jerusalém ser uma cidade muito importante para o islamismo, judaísmo e cristianismo, a religião não é o motivo do conflito entre Israel e a Palestina. Judeus e muçulmanos convivem na região há séculos, e sempre dividiram o espaço geográfico. O caos se origina da necessidade de se ocupar e delimitar territórios, de se estabelecer nações soberanas. E claro, da ideia de jerico da ONU em aprovar um projeto sem que ambos os lados estivessem de acordo. </span></p>
<p><figure id="attachment_20209" aria-describedby="caption-attachment-20209" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/palestine-israel-map.jpg" alt="Peça gráfica em formato de 4 mapas. No primeiro mapa, vemos o território Palestino em 1946, com a porção verde (representando os palestinos) ocupando quase a totalidade do mapa. Na costa superior oeste, podemos ver alguns fragmentos de território em posse judaica. O segundo mapa mostra uma representação do Plano de Partilha da ONU de 1947, que ofereceria 54% do território total anterior para Israel, e o restante para a Palestina, com Jerusalém sendo uma cidade de gestão internacional. No terceiro mapa, vemos como a divisão estava em 1967, com Israel ocupando quase a totalidade do território. Apenas a Faixa de Gaza, na costa inferior oeste, e a Cisjordânia, no centro-leste, pertencem à Palestina. No quarto mapa, vemos a divisão atual, em que a Faixa de Gaza e a Cisjordânia estão ainda mais fragmentadas, representando apenas 'manchas' no território total." width="1024" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/palestine-israel-map.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/palestine-israel-map-300x198.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/palestine-israel-map-768x506.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20209" class="wp-caption-text">A Palestina é, atualmente, composta pela Faixa de Gaza (porção verde próxima ao oceano) e pela Cisjordânia (&#8216;ilhas&#8217; em verde) [Foto: Reprodução]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">No presente, estamos caminhando para relações cada vez piores. Sediados na Faixa de Gaza, o Hamas, grupo terrorista palestino, assassina israelenses e controla a região pelo medo. Já no país ao lado, Israel usa da força militar para bombardear zonas urbanas em Gaza, e na tentativa de exterminar o Hamas, mata muitos civis palestinos. É fato: a dor das mortes de civis israelenses é imensurável, mas a </span><a href="https://cdn0.vox-cdn.com/assets/4756436/IP_conflict_deaths_total.png"><span style="font-weight: 400;">quantidade de palestinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que morreram em investidas de Israel é muito superior. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Present</span></i><span style="font-weight: 400;"> escancara um dos piores comportamentos da humanidade: o </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/qual-a-diferenca-entre-patriotismo-e-nacionalismo/"><span style="font-weight: 400;">nacionalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Conflitos por território e soberania sempre existiram, e nem por isso eles são justificáveis como parte da natureza humana, ainda mais quando geram uma quantidade gigantesca de mortos, feridos e refugiados. Esse não é um texto que vai dizer quem está certo entre Israel e Palestina, já que ambos os lados sofreram e ainda sofrem. Igualmente, não podemos confundir as ações dos Estados como culpa dos civis. O ponto em comum aqui é mostrar que o sentimento de nacionalismo é uma doença. Ele afasta, segrega e gera conflitos. Bordas imaginárias deveriam apenas auxiliar na administração, e não deveriam funcionar como limites de impérios. O pertencimento a uma nação não deveria desumanizar outra, não deveria humilhar, oprimir, reduzir ou exterminar outro povo. </span></p>
<figure id="attachment_20210" aria-describedby="caption-attachment-20210" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20210" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03.jpg" alt="Cena do filme The Present. Nela, vemos o pai, Yusef, apoiado em uma grade com as mãos e a testa. Ele está de olhos fechados olhando para baixo. A câmera está do outro lado da grade. Ele veste uma camiseta preta e é um homem branco." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81424328_ThePresent-sdp_background_na_ar_03-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20210" class="wp-caption-text">Enquanto as acrobacias políticas se alastram por décadas, os civis sofrem (Foto: Philistine Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem de Farah Nabulsi é a primeira produção palestina a ser indicada na categoria Melhor Curta-Metragem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Live Action</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e concorre em 2021. É muito provável que </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">não ganhe</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas apenas a indicação na maior premiação do mundo já vale a atenção para um assunto que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55811778"><span style="font-weight: 400;">ainda é</span></a><span style="font-weight: 400;"> extremamente relevante e acontece no mesmo planeta que residimos, com pessoas iguais a nós, civis que apenas querem viver vidas normais com a liberdade que todos têm direito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solução para o conflito entre Israel e Palestina fica mais difícil a cada dia, mas a paz e um acordo que seja verdadeiramente justo ainda não é impossível. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Present</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um mundo aparentemente insolúvel para os adultos, mas deposita uma fé sutil nas crianças, quando Yasmine toma uma decisão arriscada e importante no fim do curta. A esperança nos tempos que vivemos é uma chama moribunda, mas que ainda está acesa, com muito esforço. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Present - Short Film Trailer | Ajyal Film Festival 2020" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/LUbITonUeGQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Colette é um curta sobre dor e perdas</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2021 17:07:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Rodrigues Em tempos sombrios, há uma necessidade de relembrarmos o passado para que os mesmos erros não se repitam, e assistir Colette exerce essa função. O curta produzido pelo The Guardian acompanha Colette Marin-Catherine, integrante da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é convencida por Lucie Fouble a visitar o campo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Colette é um curta sobre dor e perdas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20010" aria-describedby="caption-attachment-20010" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1-1024x577.jpg" alt="Cena do curta Colette. Na imagem vemos duas mulheres, Colette Marin-Catherine, que está sentada, e Lucie Fouble que está ao lado segurando um quadro com a foto preta e branca de Jean Pierre, homem jovem que veste uma camisa e um chapéu. Colette é uma mulher de 90 anos, branca e com cabelo branco, ela veste um casaco branco com listras marrons e óculos. Lucie é uma jovem mulher branca que veste uma blusa azul com listras brancas de mangas longas e óculos. O fundo da imagem é um quarto branco com quatro janelas. " width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26-colette-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20010" class="wp-caption-text">Lucie Fouble é uma historiadora que pesquisa sobre o Holocausto (Foto: The Guardian)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Rodrigues</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tempos sombrios, há uma necessidade de relembrarmos o passado para que os mesmos erros não se repitam, e assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7uBf1gD6JY"><i><span style="font-weight: 400;">Colette </span></i></a><span style="font-weight: 400;">exerce essa função. O curta produzido pelo </span><a href="https://www.theguardian.com/world/ng-interactive/2020/nov/18/colette-a-former-french-resistance-member-confronts-a-family-tragedy-75-years-later"><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">acompanha Colette Marin-Catherine, integrante da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é convencida por Lucie Fouble a visitar o campo de concentração que seu irmão foi morto. Essa viagem dolorosa concorre ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario-em-curta-metragem/"><span style="font-weight: 400;">Documentário em Curta-Metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-20009"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colette Marin-Catherine sobreviveu após a invasão de nazistas na França. Mas ela não assistiu apenas o sofrimento de seu povo e lutou junto com a sua família. Jean Pierre, seu irmão, foi preso e levado para o Mittelbau-Dora, campo de concentração em Nordhausen, na Alemanha. A Alemanha Nazista levou 60 mil prisioneiros para esse campo para a construção de foguetes </span><i><span style="font-weight: 400;">V2</span></i><span style="font-weight: 400;">. 20 mil deles morreram, e um deles era o irmão de Colette.</span></p>
<figure id="attachment_20011" aria-describedby="caption-attachment-20011" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20011" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1024x576.jpeg" alt="Cena do curta Colette. Nela vemos Collete, uma mulher de 90 anos, branca e com cabelo branco que veste um casaco marrom e está sentada numa cadeira de rodas. Quem está conduzindo a cadeira é Lucie, uma jovem mulher branca que veste um casaco preto e uma calça bege. O fundo da imagem é uma caverna onde eram feitas as produções de foguetes durante a Segunda Guerra Mundial. " width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2.jpeg 1473w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20011" class="wp-caption-text">Colette vai para o campo de concentração que seu irmão foi morto após 75 anos (Foto: The Guardian)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Anthony Giacchino, o ganhador do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/conheca-os-vencedores-do-premio-emmy-2008"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2008</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><a href="https://vimeo.com/9483316"><i><span style="font-weight: 400;">Great Moments From The Campaign Trail</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o curta concorre ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Documentário. A gravação desde a casa da protagonista te aproxima ainda mais da história. Acompanhar Colette é doloroso e a produção deixa transparecer cada sentimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">A utilização das imagens reais dos campos de concentração e da família da integrante da resistência francesa deixa escancarado o sofrimento causado pela Alemanha nazista. Infelizmente, com os companheiros desta categoria, </span><a href="https://www.colettedoc.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Collete </span></i></a><span style="font-weight: 400;">não possui chances de levar o prêmio. Porém, ele cumpre vários papéis, e um deles é algo que segue com a protagonista. O erro do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-46400189"><span style="font-weight: 400;">Turismo Mórbido</span></a><span style="font-weight: 400;">, a visitação desses locais que carregam histórias horríveis como uma simples viagem, além de mais uma vez mostrar as atrocidades do passado para que no futuro não se repita. </span></p>
<figure id="attachment_20012" aria-describedby="caption-attachment-20012" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-20012" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-1024x614.jpg" alt="Cena do curta Colette.Nela vemos Collete, uma mulher de 90 anos, branca e com cabelo branco que veste um casaco marrom e está apoiada na janela de um trem. A vista é de várias árvores." width="840" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1-1200x720.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-1-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20012" class="wp-caption-text">Colette é a primeira indicação ao Oscar de Anthony Giacchino (Foto: The Guardian)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cicatrizes da protagonista são retratadas de uma maneira emocionante e sentimos juntos pela perda de Jean Pierre e outras milhões de pessoas durante a </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Segunda Guerra Mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não há maneira de não chorar com o curta, ainda mais na visita ao campo de concentração. Recolocar os pés onde tantos sofreram de maneiras inexplicáveis traz mais uma vez crueldade que não pode se repetir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colette diz, ao visitar o local em que acontecia a construção dos foguetes, que se aquelas colinas pudessem falar, elas gritariam. E é isso que sua história tem a capacidade de ver. Um grito de dor e de resistência por tudo que nos assombra e pode nos fazer mal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colette </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme urgente, um relato angustiante e necessário. </span></p>
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