Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde

No filme dirigido por Liliane Mutti, a história de Alaíde Costa é retratada a partir da adaptação de sua biografia

Fotografia em preto e branco de Alaíde Costa sorrindo, em enquadramento fechado que destaca seu rosto, olhos delineados, sobrancelhas marcadas e brincos de argola. Sobre a imagem, pontos circulares de luz em tons de branco, vermelho, laranja e azul criam um efeito visual colorido.
Aos 90 anos, Alaíde Costa segue se apresentando em palcos no Brasil e no exterior (foto: Toca Filmes)

Talita Mutti

A história da Bossa Nova costuma ser associada a nomes como João Gilberto, Tom Jobim e tantos outros ligados à classe média carioca branca. Mas, entre os artistas que contribuíram para a construção do movimento, Alaíde Costa nem sempre recebeu o reconhecimento correspondente à sua importância. Cantora e compositora, ela atravessou diferentes momentos da música brasileira sem se limitar às expectativas de sua época. É essa história que a cineasta Liliane Mutti reconstrói em A Noite de Alaíde, por meio de animações e imagens de arquivo. Continue lendo “Liliane Mutti resgata história e questiona apagamento na Bossa Nova em A Noite de Alaíde”

50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque

A foto de Chico foi tirada por Carlos Leonam e enquadrada na arte de Aldo Luz, que também assinou a capa de Krig-ha, Bandolo de Raul Seixas (Foto: Philips)

Caroline Campos

 O roteiro das aulas sobre a ditadura militar, traçado nas salas de Ensino Médio e cursinhos ao longo do país, é padronizado: em algum momento, quando introduzido os malabarismos para escapar da censura e as músicas de protesto contra o regime, Chico Buarque de Hollanda será citado. Será, no mínimo, mencionado – pode anotar. Não é para menos, afinal, Chico integra a gama de artistas brasileiros que sofreram com a repressão e a tesourada em suas composições para que se adequassem aos bons princípios dos governos militares. Mas o carioca tem um quê especial.

Perseguido pelos milicos em meio aos devaneios do “milagre econômico” da trupe de Médici, a situação se tornou insustentável a ponto de, em 1969, Chico Buarque deixar o Brasil e se instalar na Itália, em um autoexílio que durou pouco mais de um ano. O resultado de toda essa história completa 50 anos em 2021; quando o músico enfim retornou, no início da longa década de 70, trouxe com ele as letras daquele que se tornaria seu primeiro manifesto político. Nascia Construção.

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