20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema

Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo
O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)

Stephanie Cardoso

Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).

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Teto para Dois tem elenco perfeito, mas um roteiro ambíguo e estereotipado

Texto alternativo: Cena da série "Teto Para Dois" . Nela, podemos ver os personagens em um apartamento elegante e moderno, olhando um para o outro, enquanto a mulher branca na esquerda usando um vestido branco de bolinhas pretas e um homem negro de barba na direita usa um terno e gravata preta sob uma blusa branca com listras e segura flores.
O best-seller da autora Beth O’Leary foi adaptado para às telas pelo streaming Paramount+ (Foto: Paramount+)

Anna Clara Leandro Candido

Há anos, o Cinema e a Televisão se alimentam da Literatura para produzir sucessos de audiência e público. Isso vai desde o clássico Orgulho e Preconceito às séries de filmes Harry Potter e Jogos Vorazes, entre outros. Esse também é o caso de Teto para Dois, livro da autora inglesa Beth O’Leary, que recentemente foi adaptado em uma série original do Paramount+.

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Estante do Persona – Dezembro de 2022

Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'.
Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)

O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.

Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro do Persona encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o sepultamento no Mausoléu da Academia.

A maior escritora viva do país”, como afirmou Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a autora ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.

Em Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de Piñon já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. 

A Casa da Paixão, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. Na obra, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria linguagem, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.

Adiante, o romance Tebas do meu coração, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em A república dos sonhos, de 1984, Nélida novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas contradições de seus personagens, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por A república, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.

Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por Vozes do deserto, romance sobre a postura transgressora que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.

Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a ABL. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março – esperançosamente, passando para uma mulher igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. 

Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no Estante do Persona.

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Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito

“É estranho pensar que todas as grandes mulheres da ficção tenham sido, até o advento de Jane Austen, não só retratadas pelo outro sexo, mas apenas de acordo com sua relação com o outro sexo”.   (Virginia Woolf)

Na foto vemos cinco mulheres numa sala, com a protagonista, Elizabeth Bennet, na frente
Da esquerda para a direita: Kitty, Sra. Bennet, Elizabeth, Lydia, Jane e Mary, ao fundo (Foto: Reprodução)

Vanessa Marques

Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, é a adaptação para o cinema da obra famosa de Jane Austen. Sob uma capa de aparente inocência, a trama retrata os costumes rígidos e patriarcais da aristocracia rural inglesa do século 19. Estrelado por Keira Knightley (Elizabeth Bennet) e Matthew Macfadyen (Darcy), o longa-metragem, que retornou ao catálogo da Netflix em seu ano de debutante, mergulha o espectador numa estética delicada e sensorial, fruto da tríade indicada ao Oscar — produção, direção de arte e trilha sonora.

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