A maturidade do Converge em The Dusk in Us

Nilo Vieira

The Dusk in Us, nono álbum do Converge, não traz novidades à carreira do quarteto de Massachusetts. Os integrantes são os mesmos, design gráfico e produção são novamente assinados, respectivamente, pelo vocalista Jacob Bannon e o guitarrista Kurt Ballou. A dinâmica musical também não mudou: vocais urrados, timbres sujos e controlados, estruturas tortas e dissonâncias. Continue lendo “A maturidade do Converge em The Dusk in Us”

Vikings: uma carta de amor para a mitologia nórdica

Lucas Lombardi

Na manhã de 8 de junho de 793, longos navios desembarcaram na costa do mosteiro da ilha de Lindisfarne, localizado no território onde hoje é a Inglaterra. Sem forma alguma de defesa, os monges do mosteiro foram massacrados. Os autores desse ato brutal então velejaram de volta para casa, carregando consigo tudo de valor que haviam encontrado: metais preciosos, arte e escravos. Eram guerreiros pagãos, normandos, oriundos da Escandinávia. Esse evento ecoaria por toda a Inglaterra, dando início à Era Viking.

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De Janet Jackson a Kelela, o poder da representação negra

Leonardo Teixeira

São muitos os fatores que conferem a um grande artista o status de ícone. Madonna traduziu vanguardas para a linguagem da MTV e as usou para provocar e desconcertar; Prince tirou de sua cabeça genial um terço do que hoje entendemos como música pop; Stevie Wonder oferecia orgulho e excelência negra pra todo mundo que estivesse pronto para ouvir. Continue lendo “De Janet Jackson a Kelela, o poder da representação negra”

Mindhunter se mune das ciências humanas para enfrentar o senso comum

cena mindhunter

Adriano Arrigo

Como assistir Mindhunter e não lembrar do discurso da jornalista Rachel Sheherazade sobre o linchamento de um jovem na zona sul do Rio? A nova produção da Netflix, dirigida por David Fincher (Seven, Clube da Luta, e Zodíaco), é uma aula divida em 10 capítulos que explicam o que, para muitos, não parece ser fácil de compreender. Mindhunter dá a luz a temas espinhosos para a segurança social, e mostra como o senso comum do que é um ‘bandido’ é mal compreendido, mesmo entre os profissionais da área. Continue lendo “Mindhunter se mune das ciências humanas para enfrentar o senso comum”

Com banda completa, PJ Harvey salva o rock em São Paulo

PJ Harvey no Popload Festival (imagem: Daniel R. N. Lopes)

Matheus Fernandes e Nilo Vieira

Mais de treze anos separam as duas vindas de Polly Jean Harvey ao Brasil. Em novembro de 2004, promovia Uh Huh Her (seu álbum mais radiofônico) no Tim Festival, acompanhada por um trio de apoio. Na última terça e quarta (14 e 15), a banda de PJ era composta por dez integrantes, mudança ocorrida entre seus últimos discos, Let England Shake (2011) e The Hope Six Demolition Project (2016), que compõe a maior parte do repertório da turnê. Continue lendo “Com banda completa, PJ Harvey salva o rock em São Paulo”

Kimi No Na Wa: quando o enredo faz a diferença

Egberto Santana Nunes

Troca de corpos sempre foi um tema razoavelmente explorado pela sétima arte. É difícil não pensar em filmes como De Repente 30 e Se eu fosse você, clássicos do estilo “sessão da tarde”, quando se trata dessa temática. Mais difícil ainda é inovar e entreter ao mesmo tempo, sem se apegar à fórmula já desgastada desse lugar comum. Esse é um dos desafios enfrentados pelo diretor Makoto Shinkai em seu mais recente longa-metragem animado, Your Name (Kimi no na Wa, no original em japonês), lançado nos cinemas japoneses em 2016, adaptação do mangá homônimo lançado no mesmo ano.

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Stranger Things 2 mostra que seu sucesso não foi passageiro

stranger things 2
(Foto: Netflix)

Gabriel Soldeira

Quando foi lançada, em julho de 2016, ninguém poderia imaginar o sucesso estrondoso que Stranger Things faria. Com apenas oito episódios, a série entrou quase instantaneamente para a cultura pop, criando uma legião de fãs de todas as idades. Os mais velhos viram a série como um raio de nostalgia, tendo incontáveis referências a filmes, livros e músicas dos anos 80. Já os mais jovens foram introduzidos a essa cultura da forma mais amigável possível.

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Terror, magia, quase apocalipses e empoderamento feminino em Buffy, a Caça-Vampiros

 

*Atenção: contém spoilers!

Bárbara Alcântara

A loira, líder de torcida, branca, magra e atraente é sempre uma das primeiras a morrer nos filmes de terror. Para comprovar essa premissa é só entrar na aba da Netflix com essa classificação. Os gritos estridentes são logo calados por uma facada de Jason Voorhees em “Sexta-feira 13”. O mesmo acontece nas mãos de Freddy Krueger em  “A Hora do Pesadelo”, Ghostface em “Pânico”, Michael Myers em “Halloween” e tantos outros títulos. Era humanamente impossível imaginar que uma menina que se preocupasse tanto com a aparência poderia ser também inteligente e corajosa. Continue lendo “Terror, magia, quase apocalipses e empoderamento feminino em Buffy, a Caça-Vampiros”

Foi preciso mais do que látex para o Príncipe das Sombras se tornar um clássico dos anos 80

capa original o princípe das sombras

Adriano Arrigo

Se há uma memória que me remeta a seção de Terror das extintas locadoras, elas certamente está relacionada a algum filme de John Carpenter. Não que eu tenha assistido, mas a capa de A Cidade dos Amaldiçoados (1995) realmente me apavorava (ok, eu era uma criança medrosa), além do medo me cutucar no pôster da Enigma de Outro Mundo (1987). Como criança, o medo parecia morar nas capas escuras com algum monstro (ou parte dele) em evidência e, no verso dos VHS/DVD’s, o terror era acionado apenas com as melhores direções de arte e maquiagem. Continue lendo “Foi preciso mais do que látex para o Príncipe das Sombras se tornar um clássico dos anos 80”

Blecaute! Uma década da ruína pública de Britney Spears

Leandro Gonçalves

Alternativa aos poderosos vocais, de Whitney Houston à Mariah Carey, e às açucaradas boybands e girlgroups vibrantes que dominavam as paradas musicais, Britney Spears surgiu como uma promessa revigorante ao cenário pop no final dos anos noventa. A ambígua imagem feminina da jovem conquistou rapidamente o público, e seu estrondoso sucesso fez com que seu nome fosse comparado, ainda que precocemente, a grandes mulheres da indústria, como Madonna. A figura eloquente que reunia nuances de inocência com características de Lolita encarnava a virtude atrativa do feminino, instrumento lucrativo aos monopólios fonográficos. Continue lendo “Blecaute! Uma década da ruína pública de Britney Spears”