O Enigma de Outro Mundo: o terror oitentista em sua excelência

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Gabriel Andrade

O cinema dos anos 80 ficou marcado por seu exagero. Desde as roupas extravagantes dos filmes policiais de Los Angeles e Miami, até as comédias adolescentes que exploravam situações absurdas. O terror também não passou incólume pela década. Os slashers movies, filmes com serial killers que matavam suas vítimas da forma mais sangrenta possível, foram os maiores expoentes do gênero na década. Com Jason e Freddy Kruguer como seus maiores representantes.

O avanço tecnológico é outra marca da época. Embora os efeitos especiais ainda engatinhassem, o uso de maquiagem e efeitos práticos mecânicos viveu um de seus períodos mais produtivos. Em 1981, o Oscar criou a categoria de “Melhor Maquiagem”, a fim de premiar os profissionais desse ramo, que crescia exponencialmente na indústria. O primeiro premiado foi justamente um terror, “Um Lobisomem Americano em Londres”.

O Enigma de Outro Mundo reúne várias destas características, que são peculiares à década. Em uma base americana na Antártica, um grupo de pesquisadores é surpreendido por um helicóptero norueguês em perseguição frenética a um cachorro, o desespero dos tripulantes da aeronave e a vontade insana de exterminar o animal, impressionam o grupo. Após a morte dos noruegueses, em decorrência da perseguição, os americanos acolhem o canino em sua base. A trama segue o dia a dia do local e as consequências de acolherem esse corpo estranho.

Ao contrário do que ditava os filmes de terror até então, a expectativa, os nuances e o suspense praticamente não são explorados para a revelação da criatura. Com menos de meia hora de fita, o monstro é exibido em sua plenitude, sem truques, sem sombras, com todo o excepcional trabalho de maquiagem à mostra.

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Durante as quase duas horas de exibição, o filme segue a mesma toada. Muito gore, cenas de suspense e personagens que só caberiam nos anos 80, como o herói brucutu interpretado por Kurt Russel. Sobre o suspense, vale destacar a icônica cena em que, o próprio Russel, testa o sangue de seus companheiros de confinamento, a fim de descobrir quem está contaminado pelo vírus alienígena. A direção de John Carpenter contribui para preservar o clima, ao fazer uso de planos fechados, ele acentua a sensação de claustrofobia. Além disso, a excelente trilha sonora produzida pelo, recentemente oscarizado, Ennio Morricone, amplifica os momentos de tensão.

O gênero de terror, embora ostente em suas tramas monstros sobrenaturais ou incompreensíveis ao entendimento humano, fala muito mais sobre nós mesmos do que sobre essas criaturas. Doze homens confinados em um local, sem a possibilidade de sair, dependendo um do outro para sobreviver e sem saber em quem podem confiar. O Enigma de Outro Mundo é, acima de tudo, um filme sobre confiança. Se, nas palavras de Sartre, “o inferno são os outros”, até onde a condição humana permite confiar a preservação de sua vida a outra pessoa.

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